02/02/1997

JORNAL DO BRASIL

- Bicheiros em liberdade são donos do carnaval

- Novamente em liberdade, quatro anos depois da condenação por formação de quadrilha, os bicheiros voltaram a comandar, de dentro das escolas de samba, o Carnaval do Rio. Mas agora não estão sozinhos. Dividem a liderança com empresários e, em alguns casos, segundo a Polícia Civil, até com traficantes. A porta da Pedra, de São Gonçalo, tem um empresário, Jorge Lambel, como dono. A Mangueira manteve sua independência com o patrocínio de 19 empresas. O prefeito Luís Paulo Conde anunciou que o governo se afastará da organização do desfile, mas vai mudar o Sambódromo: as salas de aula que ali funcionam serão removidas para acabar com a montagem e

desmontagem de camarotes. O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Jorge Castanheira, defende o poder dos bicheiros. "Sem o apoio e a seriedade que troxeram, o desfile não seria o espetáculo que é", diz. (pág. 1 e Caderno

Especial)

- Representantes de 12 organizações não-governamentais pediram ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ontem, no Palácio Rio Negro, em Petrópolis (RJ), R$ 270 milhões para obras de preparação ambiental para o Rio tornar-se sede dos Jogos Olímpicos de 2004. Em discurso na formatura dos agentes de alfabetização da Pontifícia Universidade Católica de Petrópolis, dona Ruth atacou o analfabetismo, chamando-o de "uma herança pesada que realmente nos envergonha". (pág. 1 e 4)

- O prefeito Luís

Paulo Conde completou seu primeiro mês de governo como se estivesse em campanha. Encontrou-se com dezenas de personalidades, fez muitas promessas, mas não explicou como vai pôr em prática idéias como o Favela-Bairro 2, o anel rodoviário, a macrodrenagem da bacia hidrográfica de Jacarepaguá e a revitalização do Centro. O custo dos projetos chega a cerca de R$ 740 milhões, três vezes mais do que o Rio Cidade de César Maia. (pág. 1 e 24)

- A situação inusitada de um embaixador não-diplomata que, em seu país, faz oposição política ao presidente da República - caso do ex-presidente Itamar Franco, embaixador brasileiro junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) - é encarada pelo comando do Itamaraty com o silêncio que merece um delicado assunto de política interna. Para os diplomatas, só o presidente Fernando Henrique poderia resolver o assunto. (...) (pág. 2)

- O Orçamento da União para este ano, aprovado esta semana pelo Congresso, privilegia os ministérios "tocadores de obras", que costumam ser os balcões de negociações entre o Governo e os parlamentares ao longo do ano. Na votação do Orçamento, os parlamentares aumentaram em R$ 1,6 bilhão a verba reservada para investimentos do Governo em 1997. Deste total, cerca de R$ 1,2 bilhão se concentra nos ministérios do Planejamento (projetos de saneamento e habitação popular), Transportes (construção de rodovias) e Meio Ambiente (obras de irrigação e barragens). (...) (pág. 2)

- O dia 27 de novembro de 1996 foi a última vez em que se viu no corredor do Anexo II da Câmara dos Deputados duas placas de madeira anunciando trabalho em duas comissões especiais de interesse do Governo. Desde então, os deputados que analisam as propostas de emenda à Constituição sobre a reforma do Judiciário e a reforma tributária não se reuniram de novo. (...) (pág. 3)

- A conquista do segundo mandato, aspiração que o presidente Fernando Henrique começou a realizar na semana passada, com a aprovação da emenda da reeleição em primeiro turno na Câmara dos Deputados, nem sempre traz felicidade. Ao contrário, são muitas as histórias de insucesso deixadas por governantes que conseguiram ser reconduzidos ao poder, mas terminaram vítimas da maldição que cercaria o segundo mandato. (...) (pág. 3)

- Desde terça-feira, quando conseguiu botar em votação e aprovar a emenda da reeleição, o pefelista Luís Eduardo Magalhães abandonou o semblante sisudo e irritado que vinha exibindo nos últimos tempos. É hoje, a três dias de deixar a presidência da Câmara dos Deputados, que exerceu nos últimos dois anos com autoridade não raras vezes criticada pelo excesso, o retrato da realização e satisfação pessoal. "Fiz mais do que podia", diz, às vésperas de assumir, a exemplo de antecessores como Ulysses Guimarães, a presidência da Comissão de Relações Exteriores . (...) (pág. 7)

- A aprovação da emenda da reeleição, em 1º turno, na Câmara, deu a largada para a sucessão estadual. A 21 meses do pleito que vai definir os novos governadores, alguns ocupantes do cargo já manifestam interesse em disputar mais uma eleição. Se decidirem concorrer, os governadores Marcello Alencar (RJ), Mário Covas (SP), Eduardo Azeredo (MG), Antônio Britto (RS) e Miguel Arraes (PE) vão provocar verdadeiras batalhas regionais. As próximas eleições podem pôr frente a frente Marcello e César Maia, Covas e Paulo Maluf ou Orestes Quércia, Azeredo e Newton Cardoso, Britto e Olívio Dutra, Arraes e Jarbas Vasconcelos. (...) (pág. 6)

- Vinte e três metros quadrados de mármore, 11 mil metros quadradros de vidro e 21,5 mil metros cúbicos de concreto armado. Os números podem ser expressivos, mas o detentor dessas medidas perdeu muito de sua importância desde que a capital federal foi para Brasília, em 1960. Relegado a um segundo plano nos últimos anos, o Palácio da Fazenda - antiga sede do Ministério da Fazenda no Rio - só voltou a ganhar destaque semana passada, depois que o prefeito Luís Paulo Conde anunciou a intenção de tombar o prédio e usá-lo para alojar algumas repartições municipais. (...) (pág. 27)

- O Plano Real, ao ser comparado com outros programas de estabilização da América Latina, foi o que produziu, de longe, a menor taxa de desemprego. Na Argentina e no México, que também seguiram o roteiro liberal e usaram o câmbio como a grande âncora do programa, a fila de quem procura emprego é quilométrica. Aqui, segundo dados oficiais, a taxa, declinante nos últimos meses de 1996, quando houve um reaquecimento da economia, desliza em torno de 5%. É um número semelhante ao da economia americana. (Negócios _& Finanças, pág. 1)

- Foi-se o tempo em que uma carta de crédito imobiliário na mão significava a realização do sonho da casa própria.

A crise no mercado, os preços altos, os juros e a burocracia se tornaram um pesadelo para os mutuários, que acabam tendo pouco tempo para usar o dinheiro que passaram a ter direito com a obtenção da carta de crédito da Caixa Econômica Federal. (Negócios _& Finanças, pág. 8)

EDITORIAL

"Profissionais do choro" - O estado de São Paulo teve um crescimento industrial de 7,4% no ano passado, comparado com 1995, segundo a Fiesp. Esse dado contrasta com o martelar pessimista de muitos discursos vindos principalmente da capital paulista ao longo de 1996, motivados pelas estatísticas sobre demissões, pelo nível de emprego e pela taxa de câmbio.

O presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, criticou os "profissionais do choro" e afirmou que isso está acabando: "Não há mais lenços". Por que vastos segmentos industriais e trabalhistas saíram a campo em 1996 chorando, protestando e tentaram crucificar o Governo com fonte de todos os males? (...) (pág. 10)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Paulo Maluf promete vingança contra os traidores do PPB, Luís Inácio Lula da Silva faz profissão de fé contra as instituições e Itamar Franco fica imaginando que algum dia foi eleito presidente da República. Todas essas cenas de confusão explícita foram produzidas pela oposição a Fernando Henrique Cardoso nos dias seguintes à aprovação da emenda da reeleição em primeiro turno na Câmara. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Maurício Dias) - Vai ser lançado em grande estilo, no dia 22 de abril, o programa de atividades do 5º centenário do Brasil.

O lançamento será no Palácio do Planalto, onde vai ser exibido para o presidente Fernando Henrique, para a Comissão do Descobrimento e uns poucos convidados "O Descobrimento do Brasil", de Humberto Mauro, filmado em 1936.

A fita, com 100 minutos de duração, foi recuperada pelo Centro Técnico Audiovisual da Funarte. (...) (pág. 6)

FOLHA DE S. PAULO

- Operação de Pitta passa por empresas fantasmas

- Operações com títulos da prefeitura de São Paulo passaram por empresas fantasmas ou "laranjas". Segundo relatório do Banco Central que aponta fraudes nas operações, as empresas foram usadas para transformar em prejuízo os lucros obtidos por corretores em negociações com a prefeitura.

As transações, ocorridas entre 94 e 96, causaram prejuízo de R$ 8,396 milhões à prefeitura paulistana, diz o documento do BC, entregue à CPI do Senado que apura irregularidades em títulos públicos. Na época, o secretário de Finanças era Celso Pitta (PPB), atual prefeito.

As operações passaram, por exemplo, por duas empresas de mão-de-obra temporária que possuem endereços falsos na Junta Comercial. Nos dois casos, houve participação da corretora Negocial, que está sob investigação do BC e nega envolvimento no caso. (pág. 1 e Brasil)

- O governo americano deu um recado ao Brasil: ou o país abre os seus mercados na mesma proporção que os EUA se dispõem a abrir os seus ou não haverá mais qualquer acordo comercial. Segundo Stuart Eizenstat, subsecretário de Estado, o Brasil já tem status de país desenvolvido e, por isso, deve abrir seus mercados. (pág. 1 e 2-1)

- Cáries e pequenos ferimentos nas gengivas podem causar endocardite, uma infecção grave no coração. Pessoas com "sopro" ou má-formação cardíaca correm mais riscos. (pág. 1 e 3-6)

EDITORIAL

"Imprevisível política" - Durante o debate em torno da reeleição para o Executivo, que culminou com a aprovação pela Câmara da emenda que prevê esse direito, na última terça-feira, ficou evidente um quadro político que conspira tanto contra os vencedores como contra os vencidos. O mesmo personalismo que fortalece hoje o presidente da República enfraquece os partidos e, consequentemente, a própria base de sustentação do Governo federal. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - A depender da vontade de Serjão e de Dornelles, Maluf seria esmagado. Mas FHC já emitiu sinais de que gostaria de tentar recompor parte da boa relação que tinha com o ex-prefeito. Maluf não quer saber de conversa.

- Deputados que trabalharam a favor da reeleição foram avisados de que a recompensa pode demorar, mas será generosa. Depois de a emenda passar no Senado, começam as mudanças no 1º e 2º escalões do Ministério. (pág. 1-4)

O ESTADO DE S. PAULO

- Orçamento novo amplia poder de FH

- O presidente Fernando Henrique Cardoso, depois da primeira e certamente decisiva vitória da emenda da reeleição, na quarta-feira, passou a concentrar um poder inédito na história republicana do País. Apoiado em elevados índices de popularidade, FH, na metade do seu mandato, é candidato favorito à reeleição. Com respaldo nas ruas e ampla base política no Congresso, Fernando Henrique conta ainda com o infalível e incontestável instrumento da medida provisória. Desde a posse, ele, a cada semana, edita uma MP no "Diário Oficial". O fato é que a aprovação da emenda da reeleição no seu mais difícil teste, o primeiro turno de votação na Câmara dos Deputados, deflagrou a sucessão de FH, em que o próprio FH é o principal candidato. E o panorama da campanha que hoje se vê não poderia ser mais otimista para o Presidente. Basta examinar o Orçamento da União para 97, aprovado na mesma noite das comemorações pela vitória da reeleição. (...) (pág. 1 e A10)

- Com a abertura do mercado, a estabilidade e as inovações tecnológicas a classe média brasileira tem mudado o orçamento nos últimos anos. Ganharam importância itens como informática, TV a cabo, aluguel de fitas de video e compra de CDs, além de facilidades como comida congelada e eletrodomésticos mais sofisticados. Segundo pesquisa, a classe média também passou a viajar mais para o exterior. (pág. 1 e B1)

- O prefeito Celso Pitta, que completa os primeiros 30 dias de governo, disse ao "Estado" que o ritmo de investimentos em obras na capital será acelerado a partir de março, com o recebimento de recursos do IPTU e do IPVA. (pág. 1 e C7)

- O Ministério da Saúde deverá criar um guia terapêutico para apontar a eficácia das plantas para tratamento de doenças, com base em estudos feitos em seis universidades. As ervas são acessíveis, levando os serviços médicos públicos a indicá-las à população. Em 1996, o ambulatório do Hospital Regional de Planaltina, cidade-satélite de Brasília, tratou de 17 mil pacientes com ervas. (pág. 1 e A16)

- O primeiro-ministro do Japão, Ryutaro Hashimoto, pediu ao presidente peruano, Alberto Fujimori, em Toronto, que as negociações com os guerrilheiros do Movimento Revoluciionário Tupac Amaru sejam reabertas. O Japão teme a morte dos reféns em Lima. (pág. 1 e A17)

- Perto de completar 80 anos, Katharine Graham confessa que era apenas uma senhora típica de sua geração quando o suicídio de seu marido, em 1963, a levou subitamente ao comando do jornal "The Washington Post" e da revista "Newsweek". Onze anos mais tarde, ela derrubava um presidente dos EUA. Agora, lança "Personal History", um cativante livro de memórias. (pág. 1 e A20)

EDITORIAL

"Uma questão de empenho" - A aprovação das reformas não depende apenas do cronograma do Congresso. O presidente da República tem de conquistar apoios para que sejam votadas, assim como fez na questão da reeleição. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão - Cristiana Lôbo) - Aos poucos, as decisões sobre câmbio deixaram de ser tarefa apenas do diretor do Banco Central, Gustavo Franco, e passaram a ser do núcleo da equipe econômica, como num colegiado.

- Fernando Henrique está tão feliz com a aprovação da reeleição que não pode ver uma platéia que já faz discurso, do tipo comício. Logo, logo, estará relembrando o "meu pooovo" que gritava, levantando a mão dos cinco dedos, na campanha de 94. (pág. A6)

O GLOBO

- Turismo volta a crescer no carnaval da Rio 2004

- O Carnaval da Rio 2004 promete ser o mais lucrativo dos últimos cinco anos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), 85% dos quartos do Rio já estão reservados e pagos. A Associação de Hotéis de Turismo (AHT) estima que a cidade lucrará, nos quatro dias de Carnaval, pelo menos US$ 30 milhões. São esperados mais de 50 mil turistas. "Esses números mostram a valorização do Rio. A cidade melhorou, a violência diminuiu e os turistas estão voltando", disse Angelo Vivacqua, diretor da AHT.

O francês Gerárd Bourgeaiseau, presidente da Riotur e secretário municipal de Turismo, acrescenta: "Isso tudo sem falar nos turistas que ficam nas casas de amigos ou parentes". A venda de ingressos na Passarela do Samba também deverá quebrar recordes, afirma a Liga Independente das Escolas de Samba. A seis dias do Carnaval, todos os bilhetes dos setores turísticos já foram vendidos. (pág. 1 e 18 a 33)

- (São Paulo) - Mesmo depois de derrotado dentro de seu próprio partido, o PPB - cuja maioria dos deputados federais resolveu ficar contra a sua orientação de votar contra o Governo - o ex-prefeito Paulo Maluf insiste em lançar seu nome para a Presidência da República, ignorando a preferência dos dirigentes pepebistas e dos três governadores do partido pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Todos sugerem que Maluf seja candidato a governador de São Paulo Paulo em 98. Maluf, porém, acha que este é o seu melhor momento político e que poderá não ter outra chance de chegar à Presidência. (...) (pág. 5)

- O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Milton Seligman, disse ontem que considerou relevante para a Polícia Federal a reportagem da TV Globo - feita pela repórter Sônia Bridi e levada ao ar sexta-feira no "Jornal Nacional" - mostrando que o embaixador aposentado Marcos Coimbra, cunhado e secretário-geral do ex-presidente Fernando Collor, está terminando de construir num condomínio em Miami uma mansão avaliada em US$ 5 milhões (depois de decorada). A reportagem mostra que Collor visita as obras sistematicamente e que poderia vir a morar na casa. (...) (pág. 12)

- Como integrante do partido de Fernando Henrique Cardoso, Wilson Campos - que tem como principal bandeira de campanha o atendimento às reivindicações mais corporativas do chamado baixo clero da Câmara - acha que deveria ter tido a preferência do Planalto. Ele evita entrar em confronto com Fernando Henrique, mas não esconde sua insatisfação com a interferência do Executivo na disputa pela presidência da Câmara. (...) (pág. 8)

- A curta passagem do presidente Fernando Henrique Cardoso e seu séquito por Petrópolis vai deixar um lucro real de pelo menos R$ 15 milhões. Antes prevista para ser anunciada oficialmente durante as cerimônias públicas, a liberação dos recursos, a pedido da própria Presidência da República, vem sendo feita de maneira discreta para não despertar a ciumeira de outras cidades por onde Fernando Henrique venha a passar. Os recursos liberados pelo Governo Federal serão destinados, por exemplo, à reforma do Palácio de Cristal, à conclusão das obras de recuperação do Teatro Municipal e ao assentamento de famílias que vivem em áreas de risco. O Palácio de Cristal foi coroado, pelo Ministério da Cultura, com uma verba de R$ 400 mil, além da contrapartida de R$ 80 mil da prefeitura. (...) (pág. 34)

- A emenda da reeleição será aprovada sem dificuldades no Senado, de acordo com pesquisa feita pelo "Globo" e "O Estado de S. Paulo". Dos 81 senadores, 75% - 6l - votarão a favor da reeleição, o que significa 12 votos a mais do que o necessário para que ela seja aprovada. Treze votarão contra, quatro estão indecisos e três senadores não responderam à pesquisa. O PMDB, que na Câmara tentou evitar a votação da emenda, no Senado votará pela sua aprovação: 18 dos seus 22 senadores vão dizer sim. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), estará no exterior mas disse que votaria a favor da reeleição.

No Senado, a maior polêmica será sobre a desincompatibilização. A pesquisa mostra que alguns senadores querem introduzir no texto a exigência do afastamento dos governantes que concorram à reeleição. (pág. 1 e 3)

- O Senado viverá terça-feira um momento raro em sua história. Dois candidatos vão disputar a presidência da Casa, o que não ocorria há mais de dez anos. O pefelista Antônio Carlos Magalhães (BA) enfrenta o peemedebista Íris Rezende (GO). Os dois são ex-governadores e ex-ministros. A sessão será presidida pelo ex-presidente da República José Sarney, ex-chefe de ambos. (...) (pág. 4)

- A vitória da emenda da reeleição semana passada deixou a oposição em maus lençóis. Partidos à direita e à esquerda da coligação PSDB-PFL, que elegeu Fernando Henrique em 94 e pretende reelegê-lo em 98, estão sem candidatos à Presidência. (...) (pág. 5)

EDITORIAL

"Sucesso no Rio" - As cooperativas têm sido boa saída para compensar a rigidez da legislação trabalhista, especialmente quando o empregador é o setor público. Através da contratação de grupos de profissionais, o administrador público passa a se concentrar na qualidade do serviço prestado à população, ficando a responsabilidade das relações funcionais para os próprios cooperativados. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A inteligência fulgurante dos tucanos e a competência sem par dos pefelistas vez por outra dá lugar a um proveitoso embotamento. É o caso, por exemplo, da última descoberta que alguns acham ter feito no Regimento da Câmara. A de que, para ser vitorioso em primeiro turno, um candidato a presidente da Casa não precisa ter o voto da maioria absoluta dos deputados - 257 -, mas o de metade mais um dos presentes. (...) (pág. 2)

(Swann - Ricardo Boechat) - A estatal Indústrias Nucleares Brasileiras está gastando a bagatela de US$ 1,5 milhão com advogados particulares na Europa. Espera, assim, reaver seus estoques de urânio na Alemanha, confiscados pela Justiça em 1995. A INB perdeu o urânio porque o alugou a uma trading falida. Pelo aluguel, receberia US$ 1,7 milhão - pouco mais do que seus causídicos, agora, vão embolsar. (...) (pág. 26)

CORREIO BRAZILIENSE

- Violência é cada vez maior na Ceilândia

- O grande desafio do coronel pernambucano Ronaldo Chagas da Silva, novo comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, está na Ceilândia. A cidade tem o maior índice de violência de Brasília, respondendo por 24,41% de todos os homicídios registrados no ano passado. Os números são alarmantes: em 1996, foram 124 assassinatos, 1.282 furtos de veículos e 200 assaltos a postos de combustíveis. Isso sem falar nas frequentes brigas e confusões que acontecem nos bares da cidade, levando dezenas de pessoas aos hospitais, e na insegurança das escolas públicas, onde o comércio de drogas é livre. Para completar, as denúncias contra a própria polícia crescem a cada dia. Em janeiro foram 33 acusações, a maioria por abuso de autoridade e agressões. (pág. 1 e Cidades, pág. 2)

- Os repórteres Ana Beatriz Magno e José Varella, depois de duas semanas de viagem pelos estados do Amapá e de Santa Catarina, chegaram a uma conclusão: poucos países do mundo exibem contrastes tão extremos. Enquanto no Amapá de cada mil crianças que nascem quase 30 morrem antes de completar um mês, e Santa Catarina são menos de sete mortes por mil nascimentos. O menor índice do Brasil. Hoje e nos próximos três dias, o "Correio Braziliense" vai contar como anda a saúde dos brasileiros. (pág. 1, 18 e 19)

- Os bastidores da aprovação em primeiro turno na Câmara dos Deputados da emenda que permite a reeleição do presidente Fernando Henrique têm muitos personagens, mas apenas um protagonista: o próprio presidente. Para ter o direito de ficar mais quatro anos no Palácio do Planalto, ele montou uma operação de guerra e comandou cada batalha. Resultado: um massacre. (...) (pág. 1, 8, 10 e 15)

- Em entrevista exclusiva ao "Correio Braziliense", o presidente uruguaio Julio Sanguinetti alerta para os perigos que ameaçam a democracia na América Latina. (pág. 1 e 6)

- Clientes da rede de bancos 24 horas não precisam mais se preocupar com os assaltos cada vez mais frequentes. Eles terão agora o Seguro 1 Minuto. (pág. 1 e 20)

- No ano passado, 1.597 pessoas morreram em acidentes de avião no mundo inteiro. O número assusta. É 73% maior que o registrado em 1995. Pressionado por advogados de vítimas e pelo Congresso norte-americano, o governo dos Estados Unidos decidiu pôr à disposição do público, a partir deste mês, uma série de informações sobre os aviões e as empresas aéreas. Para que na hora de viajar o interessado faça a escolha certa. Ou a menos perigosa. (pág. 1 e 3)

JORNAL DE BRASÍLIA

- FHC agora quer tocar obras

- Depois de aprovada a reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso pretende ser um tocador de obras, no estilo do governo Juscelino Kubitschek. Sua meta é transformar o País num canteiro de obras, com prioridade para a área social e de infra-estrutura. A idéia é explorar ao máximo a parceria com o setor privado. O Governo deve promover, também, uma reforma ministerial para dar um perfil desenvolvimentista ao primeiro escalão. Está na pauta a criação do Ministério da Habitação e desmembramento de outras pastas. O Orçamento deste ano aumentou em R$ 1,6 bilhão a verba para investimentos. (pág. 1 e 3)

- O Flamengo ganhou do São Paulo por 3 a 1 e vai decidir o Torneio Rio-São Paulo com o Santos, que perdeu para o Palmeiras por 1 a 0 mas tinha vantagem de dois gols, obtida no primeiro jogo, que venceu por 3 a 1. Por ter feito melhor campanha, o time carioca tem a vantagem de jogar por dois empates para ser campeão - e define o título no Maracanã. Melhor e mais organizado campeonato estadual do País, o Paulistão começa sábado, dia 8. (pág. 1 e 13)

ZERO HORA

- A gradativa descapitalização e o consequente endividamento do produtor rural nunca se manifestaram de forma tão intensa como hoje. O dinheiro desapareceu do mercado. E para agravar ainda mais a situação, a agricultura nacional, com raras exceções, não é das mais eficazes. Cansados de esperar pela retomada do desenvolvimento no setor primário, vários setores da cadeia produtiva de Giruá deram-se as mãos para formar a Associação Regional de Desenvolvimento Agropecuário (Arda). (pág. 24)

- O Governo federal pretende investir R$ 400 milhões nos próximos cinco anos num programa de segurança de trânsito. Em um encontro nacional terminado na quinta-feira passada, técnicos dos departamentos estaduais de trânsito, de prefeituras municipais e dos departamentos de estradas de rodagem definiram as prioridades a serem adotadas a curto prazo, como a inclusão de disciplina sobre trânsito na rede escolar e a criação de escolas de formação de motoristas em todos os departamentos de trânsito do País. (pág. 41)

- Pesquisa realizada pelo Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, do Ministério da Saúde, revelou que São Paulo e Santa Catarina são os estados com maior incidência de portadores de HIV do País, para cada grupo de 100 mil habitantes. Entre os 20 municípios brasileiros com maior incidência de Aids, 17 são de São Paulo e os outros três, de Santa Catarina: Itajaí, Balneário Camboriú e Florianópolis. De acordo com a pesquisa, a cidade de Itajaí tem a maior incidência de casos notificados no País, seguida por Santos - 483,8 - e Balneário Camboriú - 469,7. (pág. 45)

ESTADO DE MINAS

- O reajuste de 18,5% das tarifas de transporte coletivo ganhou um adversário de peso. A Federação das Indústrias de Minas Gerais anunciou que vai entrar com mandado de segurança com pedido de liminar para reverter o reajuste. (pág. 1 e 44)

HOJE EM DIA

- Quem adquire qualquer imóvel geralmente não sabe, mas ao concretizar o negócio em algum cartório de Minas, contribui para financiar privilégios a várias entidades. A vantagem é garantida por lei que regula custos e emolumentos, considerados inconstitucionais por juristas, como o professor Alfredo Baracho. Reajustadas em 730%, nos últimos seis anos, as taxas

chegam a inviabilizar a compra da casa própria. (pág. 1 e Economia)

- O dinheiro arrecadado pela CPMF não será usado em investimentos na área de saúde e na melhoria do atendimento nos hospitais públicos e conveniados ao SUS. Os recursos serão destinados ao pagamento da dívidas do Ministério da Saúde com o Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT, e com os hospitais da rede privada. (pág. 1 e "Minas")

MANCHETES

ESTADO DE MINAS

- Governo só tem 2 anos para privatizar

- AZeredo marca ponto com FHC

HOJE EM DIA (MG)

- Cartório banca mordomia

O DIA (RJ)

- Como fazer economia em casa

ZERO HORA (RS)

- Reeleição afasta concorrentes de FH

DIÁRIO CATARINENSE

- Carta de crédito não garante casa própria

REVISTAS

VEJA

TÍTULO DE CAPA

- E agora, Fernando? Com a conquista da reeleição, começa a parte mais difícil do Governo FHC.

Entrevista (Ademar Gomes): Drible na justiça - Criminalista fala de táticas para camuflar crimes, absolver réus e arrastar processos até a prescrição. (pág. 13 a 19)

Justiça: O cerco se fecha - A advogada Jorgina é condenada em Miami a devolver o que roubou da Previdência. (pág. 74 e 75)

Economia e negócios: Cartório torrado e moído - Quebrando uma velha aliança, a União derruba os preços do seu café e sofre represálias dos antigos parceiros. (pág. 81 e 87)

Brasil: A fase mais difícil começa aqui - Com a votação da reeleição, o Governo destroça a oposição e pode encaminhar as reformas que faltam. (pág. 24 a 27)

Surgiu FHC II - Fernando Henrique aprovou a emenda da reeleição como príncipe. (pág. 28 a 31)

A caça aos votos - De olho em necessidades e fraquezas, o Planalto conquistou os relutantes. (pág. 32 a 34)

Brasil história: A segunda - Sobre os segundos mandatos pesa a esperança de glória e o medo da humilhação. (pág. 14 e 15)

Brasil reformas: Primeira batalha - Passada a reeleição, o Governo promete votar agora a reforma administrativa. (pág. 36 a 40)

Crônica (Roberto Pompeu de Toledo): Do ponto de vista estético, foi uma derrota - Este é um Governo do qual se esperava que transformasse os costumes, não que fosse por eles transformado. (pág. 114)

ISTOÉ

TÍTULO DE CAPA

- Muito bem: agora, ao trabalho: Aprovado a reeleição, o Governo precisa concluir as reformas.

Justiça: procura-se Jorgina - Fraudadora do INSS terá de pagar US$ 100 milhões ao Governo brasileiro. Mas cadê o dinheiro? (pág. 12)

Mãos à obra - A Câmara aprova a reeleição e FHC inicia nova fase do Governo, prometendo obras para vencer em 1998. (pág. 18 a 22)

Reforma agrária: dentro da porteira - IstoÉ revela como os fazendeiros se preparam para reagir à invasão dos sem-terra no oeste paulista. (pág. 23 a 25)

Luta sem trégua - MST avisa que não se intimida e promete continuar com invasões. (pág. 26)

Um gentleman indignado - Antonio Callado morre aos 80 anos como exemplo de integridade intelectual. (pág. 32)

Globalização: diplomático demais - Governo hesita em defender a indústria da concorrência desleal e recebe ataques. (pág. 77)

Mercado: um novo impulso - Em meio ao projeto de privatização do setor, os preços de linhas telefônicas desabam em todo o País. (pág. 78)

Polêmica - A campanha do peru ajuda na prevenção da Aids? (pág. 70)


ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é:secom@planalto.gov.br