
02/03/1997
JORNAL
DO BRASIL
- FH quer fim dos títulos de estados e municípios
- O presidente Fernando Henrique Cardoso considera a CPI uma excelente
oportunidade para que sejam feitas correções no sistema financeiro. Fernando Henrique
disse a Dora Kramer que o melhor seria proibir de vez a emissão de títulos públicos
para estados e municípios fazerem caixa. "Esses títulos acabam todos batendo mesmo
aqui no Banco Central", afirmou. O Presidente garantiu que se a investigação chegar
aos grandes bancos, o Governo não mexerá uma palha para defendê-los. O prefeito de São
Paulo, Celso Pitta, disse ontem no Rio que o dossiê do Banco Central, acusando-o de lesar
a prefeitura em operações com títulos públicos, é velho. "Estão querendo agora
um 3º turno em São Paulo". Mesmo foragido, Wagner Batista Ramos, apontado pela CPI
como cérebro da máfia dos precatórios, decidiu colaborar com a polícia: fez chegar às
mãos da PF o segredo do cofre lacrado em operação anteontem em seu escritório. (pág.
1 a 5, 8, 9, 12 e 13)
- Para as empresas, a terceira idade é um grande negócio: a última
Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE mostra que nas casas onde o chefe de família tem
mais de 60 anos, apenas 17% ganham até dois salários mínimos, mais de 21% têm renda
entre cinco e 10 salários e quase 37% ganham mais de 10 salários. A indústria, o
comércio e as agências de publicidade estão atentos e começam a oferecer produtos e
serviços para quem tem dinheiro e tempo de sobra. A população com mais de 60 anos vem
crescendo velozmente no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), enquanto o número de jovens até 14 anos cai, em média, 0,7% ao
ano, o de idosos aumenta 3,4%. Isto significa que, até o ano 2020, eles representarão
13,5% da população, ou 27 milhões de pessoas - mais que o dobro do que existe
atualmente. (pág. 1 e Negócios e Finanças, pág. 1 e 2)
EDITORIAL
"Poder legítimo" - O presidente da República aproveitou a
assinatura do contrato de exploração da Malha Sul da RFFSA pela iniciativa privada para
rebater críticas de que estaria concentrando poderes e exorbitando de suas atribuições
em detrimento dos outros Poderes da República. O recado foi claro: seu poder deriva do
voto popular, as negociações com o Congresso são feitas às claras, sem coação. As
reformas constitucionais não têm intuito de minimizar o Judiciário, apenas viabilizar o
Estado. (...) (pág. 10)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - O presidente Fernando Henrique
Cardoso está preocupado com o destino da CPI dos Precatórios. Ele acha que se não
houver precisão e acuidade nas investigações e serenidade na condução política dos
trabalhos, existe o risco concreto de tudo dar em nada. E isso, segundo Fernando Henrique,
não será bom para ninguém, muito menos para o Governo, que enxerga nessa CPI excelente
oportunidade para que, finalmente, sejam feitas correções no sistema financeiro
nacional.
Ele reitera que se a investigação chegar aos grandes bancos, o
Governo federal não mexerá uma palha em defesa de quem quer que seja. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - O sociólogo francês Alain Touraine
tem resposta para as duas questões que perseguem Fernando Henrique Cardoso desde que ele,
como intelectual, tornou-se presidente do Brasil.
As duas questões são: a suposta força do acaso que levou o
sociólogo ao poder e o denunciado abandono das idéias intelectuais quando FH, como
político, chegou ao topo do Governo.
No prefácio que fez para o livro "Fernando Henrique Cardoso - O
Brasil possível", de Brigitte Hersant Leoni (ex- correspondente da BBC), publicado
pela Nova Fronteira, Touraine acha que os temas são falsos.
"Ele venceu porque estava intelectualmente certo e porque soube
fazer com que as verdades que sua análise lhe revelava penetrassem no meio político em
plena recomposição e portanto aberto", explica. (...) (pág. 6)
FOLHA DE S. PAULO
- Paraguai revela "lavagem" de dólar
- O dinheiro desviado por supostas fraudes com títulos públicos no
Brasil teria três rumos ao chegar aos doleiros na fronteira com o Paraguai.
Para técnicos do Banco Central local, banqueiros e corretores de
câmbio, o descontrole do Paraguai sobre a "lavagem" de dólares permitiria que
o dinheiro ficasse no país, voltasse para o Brasil ou seguisse para outros países.
O BC tenta registrar remessas acima de US$ 10 mil. Mas, em 96, o
Paraguai enviou US$ 6,5 bilhões para os EUA - o PIB local é de US$ 7,5 bilhões.
"Não temos controle mesmo, mas estamos abertos para trabalhar com
autoridades brasileiras", afirmou Vitor Cuevas, do BC. (pág. 1, 1-17)
- A "Folha" traçou o perfil dos coordenadores da marcha dos
sem-terra que saiu de São Paulo em 17 de fevereiro e deve chegar a Brasília, em 17 de
abril.
Eles são petistas, católicos, filhos de agricultores, fãs de Ernesto
"Che" Guevara - um dos líderes da revolução que implantou o socialismo
em Cuba, em 1959 - e descrentes da luta armada na "atual
conjuntura" do Brasil. (pág. 1 e 1-11)
- O governador de São Paulo, Mário Covas, admite que pode terminar
sua gestão como Franco Montoro, que governou o estado de 83 a 87 - com as finanças do
estado saneadas e sem nenhuma grande obra.
Covas afirma não se preocupar com a hipótese de entregar o poder a um
sucessor "gastador" e diz que não tentará se reeleger. (pág. 1, 1-14 e 1-15)
- A ovelha Dolly pode ser tão velha como a sua "mãe", a
partir da qual ela foi copiada por pesquisadores britânicos.
Segundo Grahame Bulfield, diretor do Instituto Roslin, que criou o
clone, as células de Dolly têm seis anos e sete meses, soma das idades da ovelha copiada
e da "original".
Bulfield disse que não cederá a patente da técnica para copiar
humanos e afirmou não saber se a duplicação é viável com todos os mamíferos. (pág.
1 e 1-19)
- Os gastos só com mensalidades de um filho por cerca de 20 anos - do
pré-primário ao 3º grau -, se poupados, poderiam chegar a R$ 205,4 mil.
Hoje, essa quantia compra um apartamento de três dormitórios em São
Paulo. Também daria, com folga, para abrir uma franquia de comida ou vestuário. (pág.
1, 2-1 e 2-6)
- Levantamento feito junto a secretários de Estado, estudiosos da
violência e ativistas de direitos humanos mostra que um programa anticrime inspirado no
adotado em Nova York (EUA) é viável em São Paulo.
O projeto leva em conta necessidade de ações sociais conjuntas e não
se limita a arrastões policiais. (pág. 1, 3-1 a 3-5)
- O Ministério das Relações Exteriores promove, na Europa e na
América Latina, a maior política de desestatização do Governo brasileiro na área
cultural. O Itamaraty quer transformar os Centros de Estudos Brasileiros, ligados às
embaixadas, em institutos independentes para se livrar de despesa anual de R$ 2 milhões.
(pág. 1 e Caderno Mais)
- O Banco Central detectou em 1987 suposta fraude na venda de títulos
públicos da prefeitura de São Paulo, com a participação de funcionários municipais,
estaduais e de cinco corretoras particulares.
A operação resultou em prejuízo de US$ 10 milhões à prefeitura, ao
Banespa (Banco do Estado de São Paulo) e à Receita Federal, segundo denúncia elaborada
em 1990 pelo procurador da República Paulo Eduardo Bueno. (...) (pág. 1-18)
- O prato repleto de arroz e com pouca variedade de mistura não é
mais tão comum na refeição dos brasileiros.
Nele, há espaço para carnes variadas e massas mais elaboradas. Com
mais frequência, o refrigerante e a cerveja também acompanham o almoço e o jantar.
O consumo de produtos básicos - como arroz, óleo de soja, farinha de
trigo, margarina e massas - cresceu de 3,8% a 9% no primeiro ano do Plano Real, segundo
levantamento feito pela "Folha". (...) (pág. 2-10)
- Os setores que registraram explosão no consumo com o Plano Real -
iogurtes, chocolates, refrigerantes e cervejas, entre outros - já não são mais
considerados supérfluos e se tornaram um hábito na alimentação diária da população
brasileira, segundo fabricantes desses produtos ouvidos pela "Folha". (...)
(pág. 2-11)
EDITORIAL
"Teia de escândalos" - Mesmo para um país que com
frequência presencia improbidades no uso do dinheiro público, o episódio envolvendo a
emissão de títulos governamentais, investigado pela chamada CPI dos Precatórios,
começa a tomar uma dimensão preocupante.
De certa forma, até supera dois grandes escândalos anteriores. No
caso envolvendo o governo de Fernando Collor de Mello, por exemplo, foi possível
circunscrever os problemas ao círculo de amigos íntimos do então presidente da
República.
No escândalo da Comissão Mista de Orçamento, pouco posterior, as
culpas e as penas se limitaram aos chamados "anões", parlamentares à época
integrantes da comissão.
Agora as suspeitas se disseminam sobre um amplo leque de personalidades
e instituições. Governos estaduais e prefeituras teriam cometido grandes
irregularidades, o Banco Central parece não ter sido eficaz o bastante na sua
fiscalização, e o próprio Senado concedeu autorização para emissões de títulos
suspeitas. Além disso, beneficiaram- se corretoras particulares e, suspeita- se agora,
também grandes bancos. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - No PSDB, há quem ache que o principal problema de Aécio
Neves na disputa pela liderança na Câmara é ser considerado o candidato de FHC.
"Muita gente vai votar no Jaime Santana por isso", diz um cacique tucano. (pág.
1-4)
O ESTADO DE S. PAULO
- CPI forçará mudanças na legislação
- Instalada há três meses e antes de chegar ao fim, a Comissão
Parlamentar de Inquérito dos Títulos Públicos desencadeou um processo que forçará uma
revisão profunda das relações entre o Poder Público e o sistema financeiro. Projetos
antigos são ressuscitados e novas idéias surgem a cada passo das investigações, que
revelam como é fácil conseguir fortunas usando as brechas da legislação e como
interesses políticos e partidários emperram uma efetiva fiscalização dos mecanismos
que produzem a dívida pública. "O primeiro resultado da CPI é seu efeito
moralizador", disse ao "Estado" o senador José Serra (PSDB-SP). Segundo
Serra, podem ocorrer várias mudanças na legislação por causa do escândalo dos
precatórios. Entre essas mudanças destacam-se a proibição definitiva da emissão de
títulos públicos pelos estados e municípios, a extinção dos bancos públicos
estaduais, mais rigor na autorização de outras formas de endividamento, notadamente de
antecipações de receita orçamentária (AROs), e o fim do privilégio que tem hoje o
Senado de decidir sozinho sobre os empréstimos feitos por estados e municípios. (...)
(pág. 1, A4 e A6)
- A renda dos sergipanos cresceu num ritmo cinco vezes maior do que a
do resto dos brasileiros, nos últimos 15 anos. Em Sergipe, a renda per capita chegou a R$
1.263,00. Menos da metade da média nacional, mas já é a maior do Nordeste, segundo
dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. A classe média passou a ser dominante
na população de 1,6 milhão. Sergipe cresceu na esteira dos investimentos estatais na
exploração de petróleo, gás e sais de potássio. (pág. 1 e A12)
- Pesquisa do Dieese mostra que as empresas preferem pagar horas extras
aos trabalhadores, em vez de contratar novos funcionários. Na indústria, o porcentual de
trabalhadores que vai além da jornada normal chegou a dobrar em dez anos. O mesmo ocorre
nos demais setores. Isso é provocado pela falta de perspectiva de crescimento sustentado,
disse um economista. (pág. 1 e B1)
- A visita do presidente do Chile, Eduardo Frei, a Washington, na
semana passada, abriu a temporada latino-americana dos Estados Unidos, que terá a visita
do presidente Bill Clinton ao Brasil, em maio, mas realçou os limites da política
externa da Casa Branca para a região. O Chile perdeu boa oportunidade e o governo Clinton
teve vários problemas com a América Latina nos últimos dias. (pág. 1 e A23)
- Uma equipe de jornalistas do "Estado", integrada pelos
repórteres Ulisses Capozoli e Itamar Miranda, encontrou às margens do rio Orinoco, na
Venezuela, a brasileira Helena Valero, raptada há 65 anos por índios ianomâmis. A
história de Helena é citada por todas as obras sérias sobre antropologia. Hoje, aos 78
anos, ela está cega e vive em total miséria. (...) (pág. 1, A30 e A31)
- O ex-presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) permitiu uma
tramitação rápida dos pedidos de emissão de títulos para pagar precatórios -
débitos judiciais - feitos pelos governadores de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), e de
Santa Catarina, Paulo Affonso Vieira (PMDB). Sarney foi procurado pelos dois governadores,
a quem prometeu apressar a tramitação dos pedidos. O empenho do ex-presidente do Senado
foi confirmado por vários senadores. (...) (pág. A7)
- A Polícia Federal não encontrou nada no cofre que estava no
apartamento do ex- coordenador da Dívida Pública da prefeitura Wagner Baptista Ramos. A
PF achou o cofre sexta-feira, numa blitz, e abriu-o ontem com uma chave enviada por um
amigo de Ramos, cujo nome não foi revelado, segundo o senador Romeu Tuma (PFL-SP). (...)
(pág. A8)
- Os técnicos do Banco Central encarregados de investigar o esquema
montado para desviar o lucro produzido por operações financeiras com títulos públicos
estão surpresos com a máfia dos precatórios, que tem se mostrado mais eficiente do que
outras de atuação recente no Brasil. Segundo os especialistas, os mentores das
operações conhecem bem as resoluções que regulam o sistema financeiro e devem ter
estudado os casos de falcatruas desvendados no passado. Sobre o objetivo do esquema, a
equipe do BC não tem dúvida: dar aspecto legal ao dinheiro ganho irregularmente e
dificultar o rastreamento da operação. (...) (pág. A9)
EDITORIAL
"O poderio do contendor" - Definidos, na reunião do Recife,
as forças que se defrontarão nas negociações para a formação da Alca, o Governo
brasileiro deve avaliar com objetividade o poderio de nosso principal contendor. (pág. 1
e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - No Governo já foi identificado que a mágoa de
bispos da CNBB com o Presidente não é só por causa das queixas feitas ao papa sobre a
atuação da Igreja brasileira na questão da reforma agrária.
Ela é anterior. Desde que FH vetou na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação o artigo que tornava o ensino religioso obrigatório. (pág. A6)
O GLOBO
- Máfia dos títulos preparava novo golpe de R$ 3 bilhões
- A CPI que investiga operações irregulares com títulos emitidos
para pagar precatórios já teve uma vitória significativa: impediu que as instituições
financeiras envolvidas com o esquema de fraudes participassem da emissão de mais R$ 3
bilhões em papéis dos estados e municípios. Segundo o relator da CPI, senador Roberto
Requião, o diretor da Corretora Vetor Fábio Nahoum já havia oferecido o esquema a
outros governadores. Entre os estados que se preparavam para entrar no "trem da
alegria" estava o Paraná: Jaime Lerner estaria discutindo a possibilidade na esfera
estadual, revelou o senador. A CPI também levou à suspensão de emissões do estado de
São Paulo - "o governador Covas está sendo prudente", disse Requião - e
abortou planos de prefeituras, como a de Goiânia. O prefeito de São Paulo, Celso Pitta,
ao ser perguntado ontem, no Rio, sobre o dossiê que o incrimina, disse que o BC está
sendo usado politicamente contra ele. As operações que aprovou, afirmou, foram
lucrativas. (pág. 1 e 41 a 47)
- O brasileiro está recorrendo cada vez mais à Justiça: o número de
ações nas varas federais aumentou de 349 mil em 1994 para 5,1 milhões em 1996. Segundo
o presidente do Supremo Tribunal Federal, Sepúlveda Pertence, a estabilização
econômica e política vem mudando a atitude do cidadão, que agora luta até por
indenizações com valores que poderiam ser considerados irrisórios. Em Brasília, um
encanador, por exemplo, levou adiante um pedido de indenização por danos morais contra
uma dona de casa que o contratou e falou mal dele para uma vizinha para ganhar R$ 50. A
criação dos juizados especiais, que resolvem em até 48 horas pendências que costumavam
se arrastar por anos, também vem fazendo com que aumente o número de processos. (pág.
1, 18 e 19)
- O projeto da Justiça Eleitoral de informatizar o voto de 70% do
eleitorado nas eleições de 1998 está ameaçado por falta de verba. O Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) precisa de R$ 140 milhões para comprar as 130 mil urnas eletrônicas para
os 1.030 municípios com mais de 20 mil eleitores. Só que o Orçamento deste ano não
prevê repasse. (...) (pág. 4)
- Antes mesmo da aprovação da emenda da reeleição no Senado, o
Palácio do Planalto, os líderes governistas na Câmara e o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) começam a se articular para elaborar e aprovar o mais rápido possível uma lei
complementar que regulamentará as campanhas eleitorais do presidente da República, de
governadores e de prefeitos. Diante de uma situação inédita, o desafio é que os
candidatos disputem a reeleição no cargo sem usar os recursos da máquina governamental.
A lei terá que disciplinar questões como a permissão ou não para inauguração de
obras, aparições oficiais na televisão e viagens às custas dos cofres públicos no
período eleitoral. (...) (pág. 5)
- O apelo do presidente Fernando Henrique ao PMDB para que o partido
dê uma posição de destaque ao senador José Sarney (PMDB-AP) terminou surtindo efeito.
Quando voltar das férias, Sarney será o presidente da Comissão de Relações
Exteriores, exatamente como queria, com o apoio do presidente da República e do
presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL- BA). Depois de uma conversa no
Planalto, o líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), anunciou que indicará o ex-presidente
para o cargo.
"O PMDB não deixará Sarney sem as Relações Exteriores. Essa,
talvez, será a única comissão do partido", disse Jáder. (...) (pág. 8)
EDITORIAL
"Ferramenta necessária" - O discurso de posse do senador
Antônio Carlos Magalhães trouxe de volta o debate sobre a utilização das medidas
provisórias. A um ritmo atual de mais de uma MP por dia, entre edições e reedições
(principalmente estas), estaria o Executivo usurpando a função de legislar? Mais
apropriadamente: poderia o Governo de um país como o Brasil - tão fragmentado
politicamente e com um processo legislativo tão lento - assegurar a estabilidade da
economia sem dispor de um recurso como a medida provisória?
Em primeiro lugar, não se trata de exclusividade do sistema
brasileiro. Em outras partes do mundo, os governos contam com um dispositivo
constitucional que lhes confere agilidade para conduzir dia-a-dia os negócios nacionais.
É assim na Espanha, na Itália, na Grécia e na Alemanha. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - O rumor das rixas miúdas na
Câmara e o clarão da CPI do Senado obscureceram o intenso trabalho desenvolvido ao longo
da semana numa comissão a que se prestou nenhuma atenção, apesar da importância do
tema: a que se dedicou a debater a nova lei sobre o petróleo, regulamentando o setor
depois da quebra do monopólio estatal. Lá duelaram com aplicação e argúcia alguns dos
deputados mais preparados da Casa. (...) (pág. 2)
(Swann - Ricardo Boechat) - Foi escolhido, sexta-feira, o novo
presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a mais cobiçada da Câmara.
O cargo coube ao deputado Henrique Alves, do PMDB.
Os tucanos não moveram uma palha pelo paulista Almino Affonso, que
desejava o posto.
O parlamentar votou duas vezes contra a emenda da reeleição. (pág.
26)
CORREIO BRAZILIENSE
- Pitta sonegou dados ao BC
- Pedro Malan, ministro da Fazenda, distribuiu à imprensa cópias da
correspondência entre o Banco Central (BC) e a prefeitura de São Paulo provando que o
ex-secretário e hoje prefeito Celso Pitta sonegou informações sobre a emissão de
títulos públicos. Malan, que na época era presidente do BC, prova que Pitta, então
secretário municipal de Finanças, não respondeu aos pedidos de explicação do banco
entre 1994 e 1995. Num dos ofícios enviados ao BC, Pitta disse que "o levantamento
solicitado demandaria um trabalho exaustivo...". Malan informou ainda que o Senado
Federal foi alertado para o problema e mesmo assim autorizou a prefeitura de São Paulo a
emitir novos títulos. Pitta nega as acusações. "São denúncias velhas de campanha
que não foram bem sucedidas", diz o prefeito. A Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) decidiu impedir que mais R$ 3 bilhões em títulos públicos estaduais e municipais
sejam emitidos. (...)
(pág. 1 e 27 a 31)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Oposição cresce fora do congresso
- Enfraquecidos pelo sucesso da estabilização econômica implementada
com o Plano Real, os partidos de oposição estão perdendo espaço no combate ao Governo
para organizações como os sem-terra, Igreja e Judiciário. A luta do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) alcançou repercussão internacional e é, hoje, o
principal motivo de inquietação do presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi cobrado
pelo papa João Paulo II e intelectuais italianos a promover a reforma agrária. A Igreja
Católica, que andava retraída, além de apoiar as invasões de terras promovidas pelo
MST, passou a criticar ostensivamente a política neoliberal do Governo. Já o Judiciário
reagiu abertamente às críticas do Presidente quando decidiu estender a servidores civis
o reajuste de 28,86% dado só aos militares. Outro foco de oposição que gravita fora do
Congresso Nacional é o meio acadêmico, de onde Fernando Henrique foi catapultado para a
política. A crítica mais contundente a FHC partiu do filósofo e amigo José Arthur
Gianotti, que condenou os métodos utilizados para se aprovar a emenda da reeleição.
(pág. 1, 3 e editorial)
ZERO HORA
- Depois do escândalo Collor-PC, dos anões do Orçamento e da quebra
dos bancos Nacional e Econômico, a CPI dos Títulos Públicos deixa à mostra novamente a
fragilidade da fiscalização no sistema financeiro e a tênue atuação do Banco Central
(BC) contra irregularidades. Concebidas em gabinetes governamentais, as fraudes
encontraram caminho livre no Senado, que permitiu a emissão dos títulos sob o olhar
benevolente do BC. (pág. 4, 5, 6, 12 e 14)
- O governo de Paulo Affonso Vieira (PMDB) vive momentos dramáticos.
Atingido pelo escândalo da emissão de títulos públicos, o governador de Santa Catarina
vê aos poucos ruir a base de apoio com a qual pretendia encerrar seu mandato e,
possivelmente, ser reconduzido ao cargo nas eleições de 1998. Por mais que Paulo Affonso
se esforce para transmitir serenidade, o fato é que, sozinho, seu partido não vai
conseguir neutralizar a pesada investida dos adversários, liderada pelos senadores
Esperidião Amin (PPB), que está em plena campanha ao governo do estado, e Vilson
Kleinubing (PFL). Para o governador, os dois parlamentares são autores de uma trama que
estaria sendo preparada na CPI dos Títulos com o objetivo de desacreditá-lo
politicamente. (pág. 14)
- Até a direita começa a sentir saudade da esquerda. "Falta uma
pitada de sal na nossa dieta política", brinca, com ironia, o senador Esperidião
Amin (SC), presidente do conservador PPB. "O enfraquecimento da esquerda não é bom
para ninguém". Faltam propostas alternativas ao programa de governo do presidente
Fernando Henrique Cardoso e, principalmente, vozes que se sobressaiam nas discussões
políticas, em contraponto a discursos conservadores. "Não temos mais as polêmicas
ideológicas que esquentaram e deram brilho aos debates patrocinados pelo Congresso",
lembra o senador catarinense. (pág. 18)
- O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) alerta: o Brasil
está andando no caminho certo, mas deverá apressar o passo para não perder a chance de
ser uma potência ainda no século 21. Em uma série de estudos, os economistas do BID
concluíram que o fim da inflação galopante deve ser motivo de orgulho para o presidente
Fernando Henrique Cardoso, mas ressaltam que a vitória sobre o dragão da inflação -
sozinha - é insuficiente para gerar crescimento, reduzir a vergonhosa desigualdade social
e acabar com a pobreza. (Caderno de Economia, pág. 4)
ESTADO DE MINAS
- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, fez um apelo ontem, durante a
abertura da reunião de prefeitos das nove maiores cidades metropolitanas do País, no Rio
de Janeiro, para que comuniquem com antecedência ao ministério eventuais reajustes de
tarifas.
O recado foi diretamente para os prefeitos de Belo Horizonte, Célio de
Castro (PSB) e do Rio, Luiz Paulo Conde, capitais onde as passagens de ônibus foram
reajustadas acima da inflação. Célio disse que não teme uma eventual auditoria do
Ministério da Fazenda para averiguar os critérios adotados para definir o índice de
reajuste.
Para ele, a posição de Malan em relação às tarifas foi genérica e
reflete a postura oficial do ministério. A Câmara Municipal de Belo Horizonte marcou
para o próximo dia 17 a votação do projeto de lei que tenta acabar com o cartel das
concessionárias do transporte coletivo na Região Metropolitana de Belo Horizonte. (pág.
1 e 28)
HOJE EM DIA
- Organizadas em cartel, pouco mais de 30 famílias controlam o
transporte coletivo da Região Metropolitana de Belo Horizonte. (...) (pág. 1, 2, 3, 6 e
7)
MANCHETES
HOJE EM DIA (MG)
- Famílias dominam ônibus
DIARIO DE PERNAMBUCO
- Caixa não define recompra de títulos
JORNAL DO COMMERCIO (PE)
- Cabrobó vive sob a violência e o terror
O DIA (RJ)
- Pobre é maior vítima da violência no Rio
ZERO HORA (RS)
- CPI dos títulos expõe vácuos na fiscalização
REVISTAS
VEJA
TÍTULO DE CAPA
- A revolução de Dolly - Já é possível clonar o ser humano
Entrevista: (José Celso de Mello Filho) - A LEI É O LIMITE - O futuro
presidente do STF critica o uso abusivo das medidas provisórias e diz que os governantes
devem ajustar-se à Constituição. (pág. 9 a 11)
Brasil: Número alto em lama profunda - Na CPI dos Precatórios, quem
quer saber o que houve só precisa olhar para as comissões: são astronômicas. (pág. 22
a 24)
Internados na UTI - Com títulos demais e explicações de menos, dois
governadores com o mandato em risco. (pág. 24 a 26)
VIPs sob suspeita - A investigação da CPI associa figurões da praça
financeira ao escândalo dos títulos. (pág. 27 a 29)
Intelectuais voltam às barricadas - Protesto de gente famosa obriga
governo francês a rever rigor de nova lei contra a imigração. (pág. 30 e 31)
Cama de campanha - Doar dinheiro para eleger Clinton dava direito a uma
noite na Casa Branca, com café da manhã. (pág. 32)
A festa que nunca acaba - O sequestro que se arrasta desde dezembro
conduz o Peru e uma situação absurda. (pág. 34 a 41)
O chato que funciona - Metódico e persistente, Oded Grajew tira
dinheiro dos empresários e ajuda crianças. (pág. 86 e 87)
Dolly, a revolução dos clones - Ian Wilmut abre uma polêmica sobre
ética na pesquisa científica ao copiar uma ovelha em laboratório. (capa e pág. 92 a
99)
ISTOÉ
TÍTULO DE CAPA
- Fábrica de gente - Depois de copiar uma ovelha em laboratório,
pesquisadores podem duplicar seres humanos e levantam o debate sobre a
ética científica
Fechando o cerco - Secretário de Miguel Arraes abre o jogo na CPI e a
Polícia Federal busca provas contra auxiliares do prefeito de São Paulo, Celso Pitta.
(pág. 20 a 23)
À beira do abismo - Alagoas usa o dinheiro dos precatórios para pagar
empreiteiras, o funcionalismo não tem salário e o governador pode sofrer impeachment.
(pág. 24 e 25)
Perfil: bom de conversa - Raul Jungmann, o ministro que usava sandália
de couro, chama o PFL para fazer a reforma agrária e tenta derrotar o MST no gogó.
(pág. 34 e 35)
Longe da escola - Uso indevido do dinheiro público deixa alunos do
Vale do Jequitinhonha (MG) fora das salas de aula. (pág. 36)
A classe operária vai a Nova York - Brasileiros que ganham na faixa de
dez salários mínimos juntam suas economias e conseguem realizar o sonho de viajar ao
exterior. (pág. 38 a 42)
Adeus aos barnabés - Município paulista mostra que viver sem
funcionalismo agrada à população. (pág. 43)
Vacina industrial - O que as empresas estão fazendo para prevenir as
doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho. (pág. 68 e 69)
Casamento de gigantes - Petrobras e ABB acertam parceria de
exploração de petróleo no mar. (pág. 70)
Rateio na venda da vale - Governo destina metade dos recursos para
projetos industriais. (pág. 75)
Se todos fossem iguais a você - Laboratório escocês faz a primeira
cópia viva de um animal e abre a possibilidade da duplicação do ser humano. (capa e
pág. 82 a 86)
Ciência ou pecado? - A perspectiva de clonar gente obriga governos a definir limites
à ciência e mexe com a religião. (capa e pág. 86 e 87)

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é:secom@planalto.gov.br |