
18/04/1997
JORNAL
DO BRASIL
- FH muda política fundiária
- O Governo tem pronta nova proposta para apressar a reforma agrária,
como alternativa à simples desapropriação de terras improdutivas: financiar pequenas
propriedades rurais com juros subsidiados e prazos de 20 e 30 anos para pagamento. Hoje,
às 15h, o presidente Fernando Henrique recebe o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST) no Palácio do Planalto e poderá anunciar a novidade aos líderes da
entidade, responsável pelo maior protesto contra o seu Governo até agora. Ontem,
Fernando Henrique afirmou que a reforma agrária será mais eficiente se o Governo e o MST
se unirem. "É inútil brigar", disse Fernando Henrique. Segundo O MST, há 42
mil famílias acampadas à espera de terra. Para o Governo, elas são 29 mil. (...)
Concluída no dia em que o massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA)
completou um ano, a marcha foi notícia no mundo inteiro e teve a adesão de
manifestações em várias capitais do País. (pág. 1 e 2 a 14)
- (Baden-Baden, Alemanha) - O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, se
reuniu ontem em Baden-Baden com o chanceler (chefe de governo) da Alemanha, Helmut Kohl, e
anunciou que está marcada para 27 de maio a assinatura do acordo sobre o novo
relacionamento entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Kohl disse que 90% dos termos do acordo foram concluídos e restam alguns detalhes no
campo militar que ele definiu como trabalhosos. (...) (pág. 16)
- O desembargador Antônio Carlos Amorim, ex-presidente do Tribunal de
Justiça do Rio, informou ontem ao "Jornal do Brasil", que suspeita de que os
integrantes da máfia da Previdência, condenados em 1992, foram os responsáveis pelo
plano, descoberto pela polícia no ano passado, para matá-lo juntamente com outras três
autoridades do Judiciário fluminense. O desembargador, que presidiu o Tribunal Regional
Eleitoral e se aposentou ontem da 4ª Câmara Criminal, baseou-se em um depoimento
prestado na Vara de Execuções Penais (VEP) pelo sequestrador Nazareno Barbosa Tavares,
morto no início do mês. (...) (pág. 24)
- Em apenas três meses deste ano, o Tesouro Nacional gastou R$ 6,460
bilhões com o pagamento de juros e correção monetária e cambial da dívida pública.
Essa despesa cresceu 22% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Para se ter
uma idéia do que isso representa, os gastos com juros neste ano equivalem a quase sete
vezes a verba destinada ao Ministério da Reforma Agrária. (...) (pág. 20)
- Um avião da Vasp e um da KLM quase se chocaram ontem sobre Los
Angeles. Um esteve a 60m do outro (o mínimo exigido em áreas de alto tráfego é de
1,6km). Na tela dos controladores, houve o choque. A responsável pela orientação do
piloto da Vasp - acusado de desobediência - teve um ataque nervoso. (pág. 1 e 15)
- (...) Ontem, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, do grupo
Votorantim, fechou acordo com os fundos de pensão da Telebrás (Sistel) e do Banco
Central (Centrus) para comprar a Vale, e o consórcio ainda ganhou a adesão do grupo
Caemi. Na mesma hora, a Companhia Siderúrgica Nacional, concorrente de Ermírio, fechava
acordo com os fundos de pensão da Caixa Econômica Federal (Funcef), do Banco do Brasil
(Previ) e da Petrobras (Petros) para o leilão do dia 29. (pág. 1 e 19)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (abril) R$ 112,00. Dólar comercial: (compra) R$
1,0609, (venda) R$ 1,0611. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,110, (venda) R$ 1,130. Dólar
turismo: (compra) R$ 1,0654, (venda) R$ 1,0657. TR do dia 18.03 a 18.04: 0,6826%. TBF do
dia 16.04 a 16.05: 1,5610%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Mãos estendidas" - A marcha dos trabalhadores sem terra
sobre Brasília não é uma vinheta revolucionária, mas uma demonstração de pujança da
democracia brasileira. Ao gesto simbólico que os sem- terra encarnam, o da
reivindicação legítima das reformas prometidas e não feitas, o presidente da
República respondeu com a mão estendida. Ao se dispor a recebê-los hoje em audiência,
Fernando Henrique oferece um ato de maturidade política. E ao defender publicamente o
direito de reivindicação, em entrevista transmitida a milhões de brasileiros no mesmo
dia em que a marcha chegava ao Planalto, desarmou os oportunistas de todos os matizes e
colorações que se infiltraram no movimento em cima da hora. (...) (pág. 12)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Que não se iludam os partidos de
oposição. A manifestação organizada ontem em Brasília pelo Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra não teve como resultado desgaste político algum para o
Governo. Nossos brilhantes oposicionistas que ontem encarapitaram-se no palanque montado
em frente ao Congresso podem retirar seus equinos do temporal e botar as barbas de molho
porque a vitória pela realização da primeira manifestação de rua no Governo FH não
foi mérito deles. Coube ao MST - e apenas a ele - a paternidade desse marco, cujo
resultado não abalou um milímetro a legitimidade ou a autoridade do Governo federal, mas
incluiu a questão da pobreza definitivamente na pauta do debate nacional. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - Está muito próximo um acordo entre o
Governo e a oposição em torno do projeto que disciplina o uso de medidas provisórias.
As MPs, como pregava o próprio presidente Fernando Henrique ao tempo em que era senador,
deixam o País com um poder único: o Executivo. Tornou-se, assim, uma das maiores
aspirações do Congresso brasileiro, como acentuou o senador Antônio Carlos Magalhães,
no seu discurso de posse na presidência do Senado. Desde ontem a Comissão de
Constituição e Justiça do Senado abriu prazo para apresentação de emendas ao projeto
do senador José Fogaça. Nada de novo deve aparecer além do que já está na pauta das
conversas. O caminho da oposição foi marcado por três pontos: a proibição de
reedições, o prazo máximo de 90 dias para a vigência das MPs e a limitação dos
assuntos permitidos ao Governo para adotar a medida. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Sem-terra lidera ato contra FHC
- Os sem-terra comandaram em Brasília o maior protesto contra o
Governo Fernando Henrique Cardoso. Sob chuva e sem incidentes, cerca de 30 mil pessoas, de
acordo com a PM, 2.000 delas sem-terra, participaram do final da Marcha pela Reforma
Agrária, Emprego e Justiça, iniciada no dia 17 de fevereiro. Para os sem-terra, havia de
50 mil a 100 mil pessoas. Segundo o Planalto, FHC não acompanhou o ato. O Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra acirrou as críticas ao Governo na manifestação, que
lembrou um ano do massacre de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás (PA). O líder José
Rainha Jr. pediu a demissão do ministro Raul Jungmann (Política Fundiária), a quem
chamou de "canalha". Hoje, FHC e Jungmann receberão comitiva de 15 sem-terra,
em reunião de uma hora - o MST pedira duas. O Governo anunciou ontem mais US$ 400
milhões para a reforma agrária. Os sem-terra exigirão o assentamento de 750 mil
famílias até 98. "Não viemos negociar", disse João Pedro Stédile, do MST,
"vamos ensinar como deve ser a reforma agrária". Políticos aproveitaram o
protesto para criticar FHC. Houve atos de apoio aos sem-terra em capitais e no exterior.
(pág. 1 e Brasil)
- A disciplina marcou o ato dos sem-terra. Andando sempre em duas filas
indianas, todos usavam camisas brancas e bonés vermelhos. Seguranças do MST reagiram
quando o líder João Pedro Stédile tentou caminhar na contramão. (pág. 1 e 1-7)
- O MST pediu desculpas à CUT por ter acusado o metalúrgico Elmo
Pinheiro de ser agente infiltrado da Polícia Militar, mas decidiu não reintegrar os
três expulsos à marcha. "Foram irresponsáveis", afirmou Pinheiro. (pág. 1 e
1-7)
- O presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Roosevelt Roque
dos Santos, disse que "o presidente Fernando Henrique Cardoso é neofalacioso"
em seu discurso sobre reforma agrária. "Ele é PhD em falácia", afirmou.
(pág. 1 e 1-9)
- Estivadores aprovaram o início de uma greve nacional de 48 horas a
partir das 7h de hoje. A paralisação apóia o movimento dos estivadores de Santos (SP),
em greve desde terça-feira. Eles querem assegurar a reserva de mercado no terminal da
Cosipa, que decidiu operar com não sindicalizados. Outros trabalhadores avulsos dos
portos também aderiram ao movimento. (pág. 1 e 2-1)
- O representante oficial da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil) na marcha dos sem-terra, d. Demétrio Valentini, afirmou que o evento de ontem é
um "divisor de águas" no tratamento que o Governo dá à questão agrária no
País. "É preciso trabalhar o problema de forma justa", afirmou d. Demétrio,
responsável pela área social da CNBB. (...) (pág. 1-5)
- O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) quer manter pelo
menos 1.500 dos 2.000 militantes que vieram a Brasília até o dia 1º de maio na cidade.
Entre as atividades planejadas, a volta de ações de protesto contra a venda da Companhia
Vale do Rio Doce, que tem leilão de privatização marcado para o dia 29. (...) (pág.
1-8)
- A Sistel, fundo de pensão dos empregados da Telebrás, mudou de lado
na disputa pelo controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce. Ela deixou o bloco de
fundos que negocia a adesão ao consórcio liderado pela CSN (Companhia Siderúrgica
Nacional) para aderir ao consórcio do grupo Votorantim. (...) (pág. 1-13)
- O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), quer dividir com os
presidentes da República, do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Senado o ônus de
promover reajustes salariais da cúpula da administração pública pelo valor do novo
teto de R$ 12,72 mil. (...) (pág. 1-14)
- Fernando Henrique Cardoso adiou por mais 15 dias a indicação dos
novos ministros da Justiça e dos Transportes e a possível criação do Ministério
Extraordinário de Políticas Regionais. As três pastas são negociadas com o PMDB. As
indicações estão atreladas ao final da votação em primeiro turno da reforma
administrativa na Câmara e ao retorno da viagem de FHC ao Canadá, no dia 24. (...)
(pág. 1-14)
EDITORIAL
"O partido dos sem-terra" - O presidente Fernando Henrique
Cardoso deve receber hoje lideranças do movimento dos sem-terra. Nessa reunião
específica, o MST pretenderia reivindicar uma ampla alteração no programa de
assentamentos do Governo. É mais um momento da atuação desse movimento que, abstraídos
seus inaceitáveis excessos, tem ajudado a encaminhar uma solução para os problemas no
campo. No entanto, é um sério erro de avaliação política acreditar que uma
organização como o MST tencionaria afrouxar suas atividades à medida que lhe fosse
prometido um programa de atendimento a reivindicações pontuais. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - A grande obra do Ministério de Desenvolvimento Regional,
que deve ser criado para o PMDB, é a transposição do leito do rio São Francisco. O
custo da obra varia, mas é bilionário. FHC gostaria do retorno eleitoral no Nordeste.
(pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- FH propõe reforma agrária "sem ilusões"
- No encontro que terá hoje com as lideranças do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra (MST), o presidente Fernando Henrique Cardoso vai dizer que está
empenhado em "reformar a reforma agrária". Ou seja, falará de uma série de
medidas já em andamento e outras que, segundo ele, necessariamente serão lançadas.
Enquanto a marcha dos sem-terra entrava ontem na Esplanada dos Ministérios, em Brasília,
o Governo divulgava um longo documento, que será entregue ao MST. Nele, FH trata a
questão da terra como algo a ser enfrentado com realismo, "sem vender
ilusões", por se tratar de uma deformação histórica. O Presidente, porém, não
pretende assumir nenhum compromisso de alterar a meta do seu programa de assentar 280 mil
famílias até dezembro de 98. Fernando Henrique considera que nenhum governo fez tanto
quanto o seu em matéria de reforma agrária: os investimentos para atender programas de
assentamentos somam, em dois anos, R$ 2,9 bilhões. Até 98, pelo programa, 14,2 milhões
de hectares terão sido desapropriados ou comprados e 900 mil pessoas estarão vivendo
melhor. (pág. 1 e A17)
- Os sem-terra perderam a posse da marcha nos quilômetros finais.
Quando entraram na Esplanada dos Ministérios viram-se embaralhados com estudantes,
metalúrgicos, sem-teto, índios e políticos. A sem-terra Maria José de Oliveira, 43
anos, perguntou o que era Vale do Rio Doce. O cacique Simão pedia a cabeça do presidente
da Funai. (pág. 1 e A16)
- A chuva e a queda da temperatura para 17 graus - a mais baixa este
ano em Brasília - provocaram a dispersão da multidão em frente ao Congresso, local do
ponto alto da marcha. Menos de mil manifestantes permaneceram nos gramados. Durante o dia,
segundo os organizadores, cerca de 100 mil pessoas participaram do ato na Esplanada dos
Ministérios, enquanto a polícia falava em 30 mil. (pág. 1 e A14)
- Os estivadores decidiram iniciar hoje uma greve de 48 horas em portos
de todo o País, como reação à falta de acordo, ontem, com representantes da Cosipa. O
encontro durou mais de três horas, mas os dois lados mantiveram a mesma posição no
essencial: a Cosipa não abre mão de poder contratar pessoal próprio e os sindicalistas
exigem a manutenção do sistema de mão-de-obra avulsa controlada pelos sindicatos. Os
representantes dos trabalhadores rejeitaram proposta do secretário estadual do Trabalho,
Walter Barelli, de que a movimentação de cargas fosse retomada em operação
compartilhada, durante as negociações. As conversações serão retomadas hoje às 9
horas. (pág. 1 e B1)
- O Governo fica livre de arcar de imediato com as despesas para
atender às reclamações de servidores federais na Justiça pelo reajuste salarial de
28,86%. A decisão tomada quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de admitir a
constitucionalidade de parte da MP 1.570, que restringiu a concessão da tutela antecipada
pelos juízes nas ações contra o poder público, tranquiliza o Planalto. O relator da
matéria, ministro Marco Aurélio Melo, vê nisso o principal efeito da sentença. (pág.
1 e A4)
EDITORIAL
"A convenção partidária do Episcopado" - As assembléias
da CNBB assemelham-se a convenções partidárias. O documento dos bispos mostra que ela
é uma organização política de oposição ao Governo. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - O deputado Paulo Paim apresentou ontem projeto
aumentando o salário mínimo para R$ 200. Numa boa hora: quando chegou a Brasília a
Marcha dos Sem-Terra e na hora em que deputados querem privilégio para ganhar mais.
(pág. A6)
O GLOBO
- Pela terra, sem violência
- Brasília parou ontem, numa das principais manifestações de sua
história, diante de um protesto pacífico, praticamente sem incidentes, ponto final da
marcha de três meses dos trabalhadores sem terra pela reforma agrária. Hoje, os
principais líderes do MST se encontram no Palácio do Planalto com o presidente Fernando
Henrique Cardoso, num clima de diálogo e negociação. (...) O ministro da Reforma
Agrária, fortalecido pelo Presidente, afirmou: "A reforma agrária tinha um encontro
marcado com a democracia. Este encontro chegou". Os sem-terra deram seu tom através
da passeata, que terminou sem incidentes. O esquema de segurança montado pelo governo do
Distrito Federal, do PT, foi gigantesco. Além de praticamente todo efetivo da PM e do
Corpo de Bombeiros, com apoio da Polícia Federal, foram usados 3 helicópteros, 34
carros, 18 motos, 10 ambulâncias e 70 cavalos. (...) Além dos estudantes, pegaram carona
no movimento políticos de oposição, índios xavantes, professores, carteiros e até
padres franciscanos. Segundo os líderes do MST, 100 mil pessoas lotaram a Esplanada dos
Ministérios. A PM, entretanto, estimou em 20 mil os manifestantes. (pág. 1 e 3 a 13)
- O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, está
empolgado com a chegada da marcha dos sem-terra a Brasília. Ele acredita que em poucos
meses também começarão a aparecer grandes manifestações de desempregados pelo País e
que Fernando Henrique Cardoso já não será, em 1998, um candidato tão forte à
Presidência quanto foi em 1994. (...) (pág. 14)
- O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, entregou ontem, no Quartel
General do Corpo de Bombeiros do Rio, 25 modernas ambulâncias que vão substituir as
antigas usadas no atendimento de emergência nas ruas da cidade. As novas UTIs móveis
doadas pelo Ministério da Saúde ao Rio custaram R$ 1,5 milhão. (...) (pág. 15)
- A tentativa das executivas do PFL e do PSDB de abafar a crise entre
os líderes dos dois partidos na Câmara acabou acirrando ainda mais a briga e teve ontem
um resultado inesperado: o desafio para um duelo físico entre Inocêncio Oliveira (PFL) e
Aécio Neves (PSDB). O líder tucano, que começou o dia indo ao Planalto e recebendo a
solidariedade de seu partido, disse que estava pronto para resolver a desavença em outro
campo, fora do debate de idéias, se o colega assim o quisesse. Inocêncio, que na
véspera ameaçara bater em Aécio, respondeu ontem chamando o desafeto de covarde e
desafiando-o a marcar local e data para a briga. Na tréplica, o líder do PSDB mandou
dizer que irá em qualquer dia e hora ao local onde estiverem sendo discutidas questões
de interesse nacional, mas com a firmeza e o respeito à instituição que representa.
Ambos encerraram o dia sem marcar o duelo e se dizendo muito preocupados com o estado
emocional do outro. (...) (pág. 14)
- O racha entre os fundos de pensão para o leilão da Vale do Rio Doce
se consumou. Ontem à noite, cinco fundações - Previ, Petros, Fapes, Fundação Cesp e
Funcef - formalizaram a adesão ao Consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica
Nacional. A Sistel decidiu se associar ao Consórcio Valecom, capitaneado pelo grupo
Votorantim. Já a Valia (o fundo de pensão dos funcionários da Vale) resolveu esperar:
junto com o Investivale, o clube de investimentos dos empregados da estatal, entrará na
empresa só após a privatização, do lado do grupo vencedor. Todos os consórcios têm
que estar fechados até a próxima quinta-feira, dia da pré-qualificação dos
participantes do leilão. (...) (pág. 23)
- Pelé, ministro extraordinário dos Esportes, enviará em maio ao
Congresso Nacional um projeto de lei que obriga os clubes de futebol a se transformarem em
sociedades anônimas. Segundo Hélio Viana, um dos redatores do texto, os clubes terão
prazo de um ano para alterar os estatutos. (...) (pág. 35)
EDITORIAL
"Isenção social" - Quando, nos estados da Federação,
fala-se em renúncia fiscal, quase sempre o tema é a competição para atrair
investimentos. E a arma mais frequente do que às vezes se transforma em verdadeira guerra
é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) - com redução ou
financiamento generoso do pagamento. (...)
Com o Plano Real, os preços da cesta básica estão sob controle. Isso
não quer de maneira alguma dizer que ela se tenha tornado barata. Continuará cara,
enquanto absorver quase todo o salário mínimo. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Olhando do Palácio do
Planalto, o panorama que se descortinava ontem era o da capital tomada pelos sem-terra e
acompanhantes, enquanto aliados do Governo digladiavam- se dentro do Congresso, onde tudo
está momentaneamente empacado. Os sem-terra irão embora e as brigas vão passar, mas
talvez o dia de ontem marque uma nova fase, em que o Governo será menos absoluto na
definição de prioridades. (...) (pág. 2)
(Swann - Ricardo Boechat) - Gorou o desejo dos dirigentes do MST de se
reunirem sozinhos, hoje, com o presidente FH. Disposto a diluir a pauta da conversa, o
Planalto acabou com a exclusividade e convidou ao encontro, também, representantes da
CUT, da Contag e da OAB. O desejo do Governo é que a invasão de Brasília pelos
sem-terra acabe em pizza. Doce ilusão. (pág. 18)
CORREIO BRAZILIENSE
- Voz rouca das ruas pede reforma agrária
- Quando receber um grupo do Movimento dos Sem-Terra (MST), hoje à
tarde, no Palácio do Planalto, o presidente Fernando Henrique Cardoso estará ouvindo o
que ele mesmo, em outra ocasião, definiu como a voz rouca das ruas. Ou das 30 mil
pessoas, segundo cálculo da Polícia Militar, que marcharam com os sem- terra na
Esplanada dos Ministérios, para pedir a reforma agrária e defender causa variadas. A
resposta do Governo ao MST será o documento "Reforma Agrária - Compromisso de
Todos", divulgado ontem, que ratifica a meta de assentar 280 mil famílias em quatro
anos. Deverá ser criado também o Fundo Nacional de Reforma Agrária, a ser financiado em
parte pelo abatimento de dívidas dos estados com a União. (...) (pág. 1 e 5 a 16)
- Bispos católicos vão fazer o mapa da corrupção eleitoral no
Brasil. E a CNBB pode pedir audiência ao presidente Fernando Henrique Cardoso para
explicar críticas ao Governo. (pág. 1 e 18)
- O governo paraguaio apresenta hoje aos senadores Roberto Requião
(PMDB-PR) e Romeu Tuma (PFL- SP) dois doleiros supostamente envolvidos na roubalheira com
os títulos públicos. (pág. 1 e 19)
- Fundos de pensão do Banco Central e da Telebrás integrarão
consórcio para disputar a Vale do Rio Doce. Os parceiros são o Grupo Votorantim e a
Anglo American. (pág. 1 e 19)
- Convênio da Caixa Econômica Federal com cartórios simplifica a
compra de imóvel. O comprador paga uma taxa e livra-se de boa parte da papelada e da
burocracia. (pág. 1 e 25)
ZERO HORA
- O primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, mostrou ontem, em
São Paulo, interesse em melhorar o diálogo e os mecanismos de cooperação entre os
países da Europa e da América Latina. Aznar, que desembarcou quarta-feira no Brasil,
participou ontem de uma reunião com empresários na Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp). O roteiro da visita ofocial inclui o Rio Grande do Sul, onde o
líder espanhol passará quatro horas e meia, amanhã. (pág. 12)
- A Polícia Federal abriu ontem um inquérito para apurar a
existência de uma quadrilha que tenta cobrar propina das prefeituras para facilitar a
liberação de recursos do Ministério da Educação. A abertura de investigações foi
confirmada pelo delegado da PF em Florianópolis, Roberto Schweitzer. A PF decidiu agir a
partir de uma denúncia do prefeito de Blumenau (SC), Décio Lima (PT). O petista
denunciou à PF que a Secretaria de Educação de seu município foi procurada por pessoas
que disseram ter, dentro do MEC, contatos capazes de garantir a liberação imediata de
recursos do Fundo Nacional para o Desevolvimento da Educação (FNDE). Em troca, pediram
uma comissão de 5%. (pág. 18)
- A recente medida provisória do Governo que restringiu o
financiamento às importações vai pesar no bolso do consumidor. Os donos de
supermercados estão falando em novos aumentos de preços já a partir deste mês.
Conforme o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Paulo Affonso
Feijó, a mudança tem força para encarecer tanto os produtos importados como os seus
similares nacionais. Isso porque, sem a concorrência dos produtos estrangeiros, os
fabricantes brasileiros estariam propensos a fazer pressões para aumentar os preços dos
seus produtos. (pág. 32)
- Um novo traçado para os 250 quilômetros do gasoduto Bolívia-Brasil
que vão percorrer o Rio Grande do Sul deve pôr fim à discussão sobre os prejuízos
ambientais que a obra poderia provocar no estado. Ontem, a Petrobras apresentou a nova
alternativa, que elimina a passagem do gasoduto pelos parques nacionais dos Aparados da
Serra e da Serra Geral e pela Mata Atlântica. Baseada em estudo preliminar, a Petrobras
sugere agora o traçado pelo município catarinense de Timbé do Sul, na divisa com o Rio
Grande do Sul. Conforme o relatório, essa nova alternativa tem um custo equivalente às
apresentadas anteriormente, com menor impacto ambiental na região. (pág. 47)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Bahia ganha montadora de caminhões
A TARDE (BA)
- As promessas do governo aos Sem-Terra
HOJE EM DIA (MG)
- Sem-Terra ocupam Brasília
GAZETA DO POVO (PR)
- Cardoso propõe união com Sem-Terra
DIARIO DE PERNAMBUCO
- Marcha do MST acelera reforma agrária
JORNAL DO COMMERCIO (PE)
- Governo cede à pressão do MST
ZERO HORA (RS)
- Senado denuncia irregularidades na Caixa Federal
- Sem-Terra entram em Brasília como heróis
DIÁRIO CATARINENSE
- FHC vai propor revisão das leis aos Sem-Terra
O DIA (RJ)
- Governo abre guerra ao consumo
TELEJORNAIS
SBT-TJ BRASIL-19H
- A marcha dos sem-terra terminou em Brasília e transcorreu
absolutamente tranquila, sem nenhum problema, segundo a Secretaria de Segurança Pública
do Distrito Federal. Para a Polícia Militar, 30 mil pessoas lotaram a Esplanada dos
Ministérios. Mas segundo o MST, cem mil pessoas participaram da marcha.
- Relatório da Procuradoria Geral de Justiça pede o afastamento de 40
policiais do Ceará envolvidos em assaltos e tráfico de drogas. Na tentativa de moralizar
o setor, o governador Tasso Jereissati decidiu unificar os comandos das polícias Civil e
Militar.
- O primeiro-ministro da Espanha, José Maria Asnar, defendeu no Brasil
a reforma do Estado, as privatizações e a abertura dos mercados. Para ele, o déficit da
balança comercial não é preocupante. Ele acha que, assim como aconteceu na Espanha, os
superávits podem voltar a médio prazo. Há apenas um ano no poder, o primeiro-ministro
conseguiu que sindicatos e patrões assinassem um acordo para diminuir encargos
trabalhistas e simplificar contratos de trabalho.
- Depois de percorrer mais de mil quilômetros a pé, a marcha nacional
dos sem-terra chega a Brasília e mobiliza a cidade. Primeiro, com o encontro dos três
grupos de sem-terra, depois com os caronas do MST, dos carroceiros aos sindicalistas e
políticos. Já no centro do poder, eles se encontraram com os partidos de oposição,
antes de ocuparem toda a Esplanada dos Ministérios. A marcha acabou debaixo de chuva. Ato
religioso lembrou o primeiro ano do massacre de sem-terras no sul do Pará.
- Boris Casoy: "Ter um pedaço de terra, hoje, significa para essa
gente humilde a própria sobrevivência. Por isso, eles se engajam na promessa dos
dirigentes de que haverá terra para todos. O Presidente recebe os dirigentes do MST nesta
sexta-feira e pode dar início a um diálogo verdadeiro. O apoio popular aos sem- terra é
inequívoco, mas as pesquisas mostram um não à violência."
- O Governo anuncia a obtenção de US$ 400 milhões para assentar mais
15 mil famílias e melhorar a situação dos acampamentos antigos. Acompanhando de longe a
movimentação popular, o Presidente Fernando Henrique manteve a rotina de trabalho. Ele
recebe os sem-terra nesta sexta-feira, por volta das quatro da tarde.
- A greve dos estivadores de Santos prossegue em seu terceiro dia. Não
houve acordo entre os representantes do Sindicato dos Estivadores e da Cosipa - Companhia
Siderúrgica Paulista.
GLOBO-JORNAL NACIONAL-20H
- Aos cerca de dois mil sem-terra que ocuparam a Esplanada dos
Ministérios nesta quinta-feira juntaram-se outras 30 mil pessoas, segundo a polícia, ou
o dobro disso, segundo os organizadores. A manifestação transcorreu sem problemas e
terminou debaixo de chuva.
- Três milhões de brasileiros são vendedores ambulantes. A maior
oferta de empregos hoje no Brasil está no comércio informal. Só o setor financeiro
fechou 30% das vagas, segundo pesquisa do Ipea - Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas. O Ipea concluiu que 56% ganham até dois salários mínimos mensais e 2% dos
ambulantes tem superior completo.
- Depois de mil quilômetros e dois meses com o pé na estrada, a
caminhada dos sem-terra chegou ao fim. A manifestação pela reforma agrária se espalhou
por Brasília, depois do encontro final de todos os grupos das diversas regiões. Na
Praça dos Três Poderes, os manifestantes foram mantidos à distância do Palácio do
Planalto. Em frente ao Congresso Nacional, um protesto lembrou o massacre de Eldorado do
Carajás. Políticos de vários partidos estiveram presentes e cantaram o Hino Nacional
debaixo de chuva.
- A expulsão de três participantes da passeata dos sem-terra causou
polêmica. O MST chegou a acusá-los de serem informantes da polícia e de indisciplina. A
CUT disse que um dos expulsos participa de movimentos sindicais. Na polícia, os três
expulsos acusaram os líderes do MST de deixar os militantes a pé, enquanto dormiam em
hotéis e almoçavam em restaurantes.
- O Presidente Fernando Henrique disse que o Incra precisa de mudanças
e que Governo e sem-terras precisam trabalhar juntos pela reforma agrária. O Presidente
defendeu o enxugamento do Incra e lembrou que seu Governo assentou mais gente que em
qualquer período da história do Brasil. O Presidente confirmou no cargo o Ministro Raul
Jungmann, afirmando que cabe a ele, Presidente, escolher seus ministros.
- Um ano depois do massacre, as famílias dos mortos em Eldorado do
Carajás ainda esperam por justiça. Viúvas e órfãos sofrem duplamente com a perda e
com a impunidade. A esperança de justiça se perde na demora. O julgamento não tem data
marcada, e o juiz ouviu menos da metade dos policiais acusados.
BANDEIRANTES-JORNAL
BANDEIRANTES-20H
- Há um ano, em Eldorado do Carajás (PA), 19 sem-terra foram
assasinados por policiais militares. Até hoje ninguém foi para a cadeia. Se na Justiça
comum o processo dos sem-terra anda devagar, na Justiça militar o caso ainda não saiu da
estaca zero. Até agora, na Auditoria Militar de Belém, nenhuma testemunha foi ouvida e
nenhum dos acusados prestou depoimento. Ao contrário, os 155 PMs continuam trabalhando e
recebendo normalmente, como se nada tivesse acontecido.
- Paulo Henrique Amorim: "Nos últimos 20 anos, 1400 trabalhadores
sem-terra foram assassinados. Em duas décadas, 57 desses casos foram julgados e cinco
criminosos condenados."
- O Ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, vai à audiência do
MST com o Presidente Fernando Henrique nesta sexta-feira, apesar das críticas dos
sem-terra. O Ministro é o autor das medidas que podem ser anunciadas pelo Presidente
nesta sexta-feira. A primeira delas inviabiliza os latifúndios improdutivos. Outra,
utiliza o dinheiro da privatização para a criação de um fundo de financiamento para a
reforma agrária e o Banco da Terra, que significa empréstimo rápido e com pagamento de
longo prazo para as famílias já assentadas.
- Paulo Henrique Amorim: "O Brasil tem 850 milhões de hectares de
terras. Pouco mais de 400 milhões são terras férteis e boas de produzir. Apenas 52
milhões de hectares são realmente cultivadas. O restante é utilizado com pecuária
extensiva ou está ocioso. Ou seja, o Brasil que produz é do tamanho da Bahia."
- A marcha dos sem-terra teve manifestações de apoio em todo o País,
além de repercussão no noticiário internacional. A rede CNN abriu o noticiário com a
chegada dos sem-terra à Brasília. Ela informou que os trabalhadores protestavam em busca
de trabalho, justiça e reforma agrária.
- Ministro da Justiça, Milton Seligma: "Temos que comemorar o
fato de o País estar vivendo um clima de liberdade e democracia. A expressão dessa
liberdade permite que todos os grupos possam colocar seus pontos de vista. Nem sempre foi
assim neste País. No encontro do Presidente com os sem-terra não há, de antemão,
propostas a serem colocadas e, sim, a disposição de debater e avançar neste tema".
- Paulo Henrique Amorim: "Em toda a história da reforma agrária
no Brasil pouco mais de 300 mil famílias foram assentadas. Hoje, milhares de famílias
estão acampadas à espera de assentamento. O MST diz que são 48 mil famílias. O Governo
afirma que são 30 mil."
- O Presidente Fernando Henrique pode aumentar o número previsto de
assentamentos de famílias de sem- terra, indo além da meta do Governo de assentar 280
mil famílias até 1998. Mas isso não deve ser dito aos sem-terra nesta sexta-feira. O
Presidente acha que, quanto mais ele disser que vai fazer, mais os sem-terra vão exigir.
RECORD-JORNAL DA
RECORD-20H
- A marcha dos sem-terras chega a Brasília com o apoio de mais de 80%
da população do País. Todo esse sucesso atraiu políticos, muitos em discurso para
fazer oposição ao Governo. Na Esplanada dos Ministérios, os sem-terra ficaram
expremidos no meio de metalúrgicos, professores e funcionários públicos. O Governo não
alterou sua rotina de trabalho, mas permaneceu alerta ao movimento e anunciou a criação
de duas linhas de financiamento externo no valor de R$ 400 milhões.
- Esta sexta-feira vai ser um dia de reuinões para o MST. Os líderes
do movimento têm reuniões marcadas com os presidentes da Câmara e do Senado. Por
último, eles se reúnem com o Presidente Fernando Henrique Cardoso. Nessa conversa, o
Presidente deve assumir um tom cauteloso, ouvir mais do que falar. Mas também pode
anunciar medidas, como por exemplo, para facilitar o processo de desapropriação de
terras ou até mesmo a abertura de linhas especiais de crédito através do BNDES para
fomentar a produção agrícola nos assentamentos.
- No terceiro dia de paralisação no Porto de Santos, os prejuízos
já ultrapassam os R$ 3 milhões. Os estivadores reagem à quebra do monopólio de
mão-de-obra, hoje nas mãos dos sindicatos. A Cosipa, siderúrgica recém privatizada,
ganhou junto ao Superior Tribunal do Trabalho o direito de operar navios com pessoal
próprio. Os estivadores prometem uma greve geral em todos os portos brasileiros. A
reunião entre os portuários e a Cosipa terminou sem acordo. A companhia não abre mão
de operar os navios de seu terminal com os prórpios funcionários. Novo encontro foi
marcado para esta sexta-feira.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
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