
18/09/1997
JORNAL
DO BRASIL
- Ciro: FH traiu as reformas
- O ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes disse
ontem ao "Jornal do Brasil" que, a continuar como está, o presidente Fernando
Henrique Cardoso deveria voltar a dar aulas de Sociologia, porque o Governo está
inteiramente descaracterizado e rendido aos políticos tradicionais, clientelistas e
fisiológicos. Num dos mais duros ataques feitos ao Presidente, Ciro acusou Fernando
Henrique de ter traído o projeto de reformas e de não ser leal ao PSDB, transformado,
com algumas exceções, num partido do "sim, presidente". Fernando Henrique,
disse Ciro, perdeu "a hegemonia moral e intelectual do próprio Governo", e vem
cometendo erros primaríssimos. "Quando ele introduziu a reeleição, acabou o
governo dele. Ele próprio fez o haraquiri", disse Ciro, que decidirá na próxima
semana se será candidato a presidente da República em 1998. (pág. 1 a 5 e 10)
- O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem em Hong Kong
relatório que prevê 4,5% de crescimento da economia mundial em 1997 e taxas aceleradas
de desenvolvimento em 25 anos. A projeção supera o desempenho registrado entre 1970 e
1996, que foi - em média - de 3,75%. Segundo o economista do FMI, Michel Mussa, o Brasil
tem um grande potencial de crescimento e pode se tornar o líder da América Latina. Para
ele, o maior inimigo da economia do País é o déficit em conta corrente, que deve ser
combatido pelo Governo. (pág. 1 e 15)
- A contabilização dos votos em branco como válidos, aprovada ontem
pelo Senado na nova Lei Eleitoral, deve ser derrubada pela Câmara dos Deputados, onde o
projeto será novamente votado. O PMDB, o PPB e os partidos de oposição na Câmara
prometem repetir, na próxima semana, a aliança da primeira votação e derrubar a
validade dos votos em branco nas eleições para deputado e vereador. A lei precisa ser
sancionada pelo presidente Fernando Henrique até o dia 4 de outubro para poder ser
aplicada nas eleições do ano que vem. (...) (pág. 2)
- O ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, jogou ontem uma pá de
cal no projeto de reforma tributária que há dois anos tramita no Congresso ao anunciar
as linhas gerais das mudanças radicais que o Executivo gostaria de introduzir nessa
área. Parente, convidado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o
projeto da reforma tributária, deixou os parlamentares atônitos. As novas propostas vão
na direção oposta ao projeto em tramitação. (...) (pág. 2)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso está irritado com o
comportamento de Mário Covas e revoltado com as interpretações de políticos sobre as
razões que levaram o governador a desistir de disputar a reeleição. Nas conversas que
manteve nos dois últimos dias com assessores e líderes do PSDB, o Presidente deu ênfase
à gravidade da decisão do governador num momento delicado para o PSDB, que sofre as
baixas do deputado paulista Almino Afonso e outros políticos expressivos e corre o risco
de perder o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes. (...) (pág. 3)
- (São Paulo) - Mesmo sem ser candidato à reeleição, o governador
Mário Covas garantiu ontem que estará no palanque de Fernando Henrique Cardoso em 1998.
"Nos últimos tempos, havia muita gente me perguntando se, de fato, o Presidente vai
subir no palanque do PSDB em São Paulo. Não sei se ele vai ou não vai subir, o que sei
é que eu vou estar no palanque dele, aconteça o que acontecer". A manifestação
explícita de lealdade política, feita ontem à tarde, foi uma espécie de resposta de
Mário Covas ao presidente Fernando Henrique Cardoso que, nos últimos tempos, vem dando
mostras de simpatia a Paulo Maluf (PPB-SP), provável candidato ao governo de São Paulo.
Este, por sua vez, desdobra-se em elogios ao Presidente e intensifica os ataques ao
governador paulista, em plena campanha. (...) (pág. 3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: R$ 120,00. Dólar comercial: (compra) R$ 1,0935,
(venda) R$ 1,0937. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,125, (venda) R$ 1,135. Dólar turismo:
(compra) R$ 1,0985, (venda) R$ 1,0987. TR do dia 18.08 a 18.09: 0,7163%. TBF do dia 16.09
a 16.10: 1,5609%. (pág. 1)
EDITORIAL
"A gota d'gua - A decisão caiu como um raio sobre a modorra
política brasileira: o governador Mário Covas fez saber que desistia da reeleição ao
governo de São Paulo em 1998. A gravidade do ato decorre de que não se trata de
disposição mas de decisão "firme e irredutível", segundo assessor. Deve,
portanto, ser tratado como fato consumado do qual se podem esperar consequências, nem
todas previsíveis mas todas dignas de prévia consideração política. (...) (pág. 10)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Pode ser que o Palácio do
Planalto não esteja querendo passar recibo na anunciada decisão do governador de São
Paulo de sair fora da disputa da reeleição. Mas o fato é que oficial e extra-
oficialmente, não se encontra uma alma no Governo que aposte em outro candidato para o
embate com Paulo Maluf que não Mário Covas. A frase "Covas continua candidato"
foi dita ontem por várias pessoas, entre elas dois políticos amigos íntimos de Fernando
Henrique. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - Os tucanos estão um pote de mágoas
com Fernando Henrique. No charivari da renúncia do governador de São Paulo, Mário
Covas, à reeleição, figuras ilustres do PSDB relacionaram as ações mais recentes de
FH que, segundo eles, mostram como o Presidente criou constrangimentos para o partido em
locais politicamente estratégicos. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- FHC hoje enfrentaria 2º turno
- Fernando Henrique Cardoso (PSDB) lidera as intenções de voto para a
eleição presidencial de 98, revela o Datafolha em pesquisa nacional feita na última
terça-feira. Mas, em três simulações analisadas, FHC enfrentaria um segundo turno se a
eleição fosse hoje. A hipótese de segundo turno baseia-se nos critérios da última
sucessão presidencial. Uma emenda constitucional em tramitação propõe para 98 a
redução dos votos necessários para eleição já no primeiro turno. Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), segundo colocado nas três simulações, é apontado como o nome mais forte
para unir a oposição contra FHC, José Sarney (PMDB e Itamar Franco (sem partido) viriam
a seguir, empatados. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para
menos. A pesquisa apontou ainda tendência de aumento na avaliação positiva de FHC nos
últimos três meses. O Governo é ótimo ou bom para 43%, contra 39% em junho. (Brasil,
pág. 1)
- O Governo arrendou o Terminal de Contêineres 1 do Porto de Santos
(SP) por R$ 274,48 milhões - ágio de 171,272% sobre o preço mínimo - em leilão na
Bolsa de São Paulo. O consórcio Santos Brasil receberá concessão de 25 anos para
administrar o terminal, o maior da América Latina. Em dois anos, terá de reduzir os
custos por contêiner de R$ 500 para R$ 150. (Dinheiro, pág. 1)
- ECT demite 153 por greve- Funcionários foram dispensados ontem.
Greve nos Correios já dura 12 dias úteis. Sindicato deve recorrer. (pág. 1 e 3-8)
- Trabalhadores sem-terra voltaram a invadir a fazenda Santa Teresa, no
Pontal do Paranapanema (SP). Eles destruíram cercas e lavouras e abateram sete bois. A
área é considerada produtiva pelo Incra, mas é objeto de ação na Justiça. (pág. 1 e
1-11)
- O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse que sua
posição de não concorrer à reeleição é irreversível, mas não comentou os motivos:
"Não existem razões específicas". O encontro do presidente Fernando Henrique
Cardoso e Paulo Maluf (PPB), citado por tucanos como um dos motivos "deu margem a
especulações que não precisava ter dado", disse Covas. Uma delas seria o fato de o
ex- prefeito de São Paulo não ter sido convocado pela CPI dos Precatórios. "Não
sei se foi consequência", afirmou o governador. (pág. 1 e 1-6)
- O Governo apresentou ontem nova proposta de reforma tributária. O
texto foi entregue ao relator da reforma na Câmara, Mussa Demes (PFL-PI). O texto prevê
a extinção de sete impostos e contribuições, que seriam substituídos por três
tributos. Segundo o Governo, a carga tributária não crescerá. Demes disse que incluirá
pontos da proposta se não houver perda de receita. (pág. 1-13)
- O projeto de Lei Eleitoral que favorece os candidatos à reeleição
foi aprovado no plenário do Senado. O texto permite a participação dos candidatos na
inauguração de obras públicas e elimina os limites de gastos. O projeto foi aprovado em
votação simbólica. "Aprovaram a lei da reeleição", disse o líder do PPB,
Epitácio Cafeteira. O texto será votado novamente na Câmara. (pág. 1 e 1- 11)
- A polícia francesa procura um Fiat Uno suspeito de envolvimento no
acidente em que morreu a princesa Diana. Pode ser o veículo que teria ziguezagueado em
frente ao Mercedes. Perícia encontrou vestígios do carro no local. (pág. 1 e 1- 14)
EDITORIAL
"O real, FHC e a eleição" - O prestígio do presidente
Fernando Henrique Cardoso e do Plano Real continuam como sempre estiveram: muito altos. O
Governo FHC é ótimo ou bom para 43% dos entrevistados pelo Datafolha, índice superior
à média histórica de 40%. O Real é bom para o País para 75%, avaliação quase
constante desde o início do plano. Até agora, as variações de humor da opinião
pública foram ligeiras e circunstanciais. Ressalte-se ainda que FHC e o Real são
avaliados de maneira semelhante e positiva nas diversas faixas de renda ou de
escolaridade. Pelos números do Datafolha, parece difícil identificar a base objetiva do
rumor de insatisfação maior no País. No entanto, os dados da pesquisa para a eleição
presidencial destoam um pouco dos que conferem grande popularidade ao Governo. Quaisquer
que sejam as candidaturas, FHC tem em torno de 35% do eleitorado, mas não venceria hoje a
eleição no primeiro turno. A votação no Presidente seria 18% inferior à taxa de
aprovação de seu Governo, e as intenções de voto nos demais candidatos sugerem uma
eleição mais competitiva. (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - A estratégia do PSDB e do Planalto é esfriar publicamente
até 3 de outubro qualquer operação para convencer Covas a disputar a reeleição.
Avaliam que o destino de Ciro e de Itamar agitará a política. Não querem contribuir
para agitá-la ainda mais. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Números da reforma agrária eram errados
- O Governo e o Movimento dos Sem-Terra estavam errados em suas
avaliações sobre o número de famílias assentadas desde a posse do presidente Fernando
Henrique Cardoso. O Ministério de Política Fundiária e o Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) informaram ontem que foram assentadas 97.750
famílias, número inferior ao total de 104 mil famílias divulgado pela propaganda
oficial e superior ao de 60 mil registrado pelo MST. O dado faz parte de um amplo trabalho
nacional de cadastramento dos assentados iniciado pelo Incra há dois anos, que incluiu o
primeiro censo da reforma agrária no País, feito por 29 universidades públicas
brasileiras, sob a coordenação da Universidade de Brasília (UnB). O censo, no entanto,
apresentou problemas: 23% dos assentamentos não foram visitados ou os recenseadores não
encontraram os moradores em casa no dia da pesquisa. Para corrigir a falha, o Governo
encomendou nova contagem à UnB e providenciou a atualização dos dados com visitas aos
lugares que as universidades não cobriram. Os números foram checados com fontes
diferentes. (pág. 1 e A12)
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente,
apresentou ontem na Câmara nova proposta de reforma tributária, mais ampla do que a
anterior. O projeto de Parente prevê a extinção de diversos tributos que seriam
substituídos pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA), federal, cobrado pelos estados.
(pág. 1 e A7)
- O governador Mário Covas elogiou ontem o presidente Fernando
Henrique Cardoso ao reafirmar que sua decisão de não tentar a reeleição é
irreversível. Covas garantiu que fará tudo o que puder para ajudar FH a conquistar o
segundo mandato - "o Brasil precisa dele" - e negou a existência de choque
entre ambos. No entanto, o governador, sorridente, insinuou que Fernando Henrique
beneficiou o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) ao recebê-lo no Palácio do Planalto.
Articulações de políticos do PSDB em Brasília para tentar superar o problema surgido
com a desistência de Covas esbarraram ontem na informação dada na noite de terça-feira
pelo presidente do partido, senador Teotônio Vilela (AL), de que FH se considera vítima
da crise. A bancada do PSDB na Câmara, reunida para discutir o impasse, admitiu que Covas
tem motivos para reclamar do Governo federal. (pág. 1, A4 e A5)
- O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse ontem que pediu ao
Banco Central um levantamento detalhado da liberação de recursos do crédito rural pelo
Banco do Brasil e pelos bancos privados. Porto quer saber se o dinheiro está sendo mesmo
emprestado aos agricultores, de acordo com planos do Governo, agora que o campo passa pela
época ideal para o plantio. O ministro tenta atenuar as reclamações dos produtores
contra a falta de recursos nos bancos para financiamento da safra. (pág. 1 e B13)
- O diretor do departamento de pesquisa do Fundo Monetário
Internacional (FMI), Michael Mussa, afirmou que o Brasil poderá liderar a economia dos
países em desenvolvimento, mas só se combater o déficit nas contas externas. "O
Governo está na direção certa, tomando as medidas para apertar a política
fiscal", disse o vice-diretor de política econômica, Flemming Larsen. Segundo ele,
porém, os técnicos do Fundo gostariam de ver maior mudança no conjunto de medidas de
controle das contas públicas. (pág. 1 e B1)
- O maior terminal de contêineres do País, o Tecon 1, do Porto de
Santos, foi privatizado ontem em São Paulo com ágio de 171,2% superando as expectativas
do mercado e do Governo. Após 14 minutos e 32 lances, o leilão terminou com a vitória
do consórcio Santos Brasil. O Tecon foi arrematado por R$ 274,4 milhões. O preço
mínimo era de R$ 101 milhões. (pág. 1 e B1)
- A restrição de circulação de veículos na Grande São Paulo vai
continuar até o fim do mês. O secretário do Meio Ambiente, Fábio Feldmann, pretendia
suspender o rodízio na segunda-feira, mas mudou de idéia por causa da alta
concentração de ozônio na atmosfera, constatada ontem pela Cetesb. O ozônio causa
irritação nos olhos e na garganta, além de afetar crianças e asmáticos. A primavera
é a estação desse poluente, disse o gerente da Cetesb Cláudio Alonso. (pág. 1 e C1)
- O presidente Bill Clinton recusou-se a endossar acordo de US$ 368,5
bilhões feito pela indústria do tabaco e por 40 estados e pediu ao Congresso que aprove
ampla legislação de combate ao fumo entre adolescentes. "Reduzir o fumo entre
adolescentes sempre foi objetivo dos EUA", disse. Clinton propôs aumento de US$ 1,50
no preço do maço de cigarro. (pág. 1 e A14)
EDITORIAL
"Todos têm alguma razão" - Há um conflito entre o ministro
Kandir e os governadores, por causa da receita de impostos, e os dois lados têm boas
razões. O problema não está nas posições defendidas por eles, mas no sistema
tributário. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Eduardo Azeredo estará hoje com Fernando
Henrique. Vai também expor suas queixas. A lista do mineiro é até maior do que a de
Covas. ICMS, Newton Cardoso, Itamar Franco... (pág. A6)
O GLOBO
- Rio fica refém de vans
- Donos de vans sitiaram ontem o Rio durante horas, numa manifestação
que bloqueou os principais acessos à cidade para protestar contra a decisão da Justiça
de proibir as "lotadas". O bloqueio provocou engarrafamentos gigantescos,
atrapalhando a vida de centenas de milhares de pessoas que tentavam chegar ao centro da
cidade. A Ponte Rio-Niterói foi fechada pelo menos cinco vezes por cerca de 350
motoristas, deixando caótico o trânsito. A Avenida Brasil e a Linha Vermelha foram
fechadas diversas vezes em diferentes pontos. (...) (pág. 1, 10 e 12)
- O Governo deve mudar na próxima reunião do Conselho Monetário
Nacional as regras de aplicação dos recursos captados pelas cadernetas de poupança. A
idéia é fazer com que os bancos fiquem com mais dinheiro para financiar a casa própria.
A parcela de recursos dirigida ao Sistema Financeiro da Habitação deve diminuir, abrindo
espaço para uma nova modalidade de crédito, que não exigirá comprovação de renda.
(pág. 1 e 23)
- O Governo ressuscitou ontem a reforma tributária. Após dois anos, o
ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, apresentou ao Congresso uma nova proposta. Os
três impostos sobre consumo e serviços e as quatro contribuições que existem hoje
seriam extintos, inclusive o ICMS. Seriam criados três novos tributos, entre eles o IVA,
o Imposto sobre Valor Agregado. (pág. 1 e 27)
- O consórcio Santos Brasil venceu ontem o leilão de privatização
do Terminal de Contêineres do Porto de Santos, o maior da América Latina. O grupo
desembolsará R$ 274,4 milhões, o que representa um ágio de 171% sobre o preço mínimo.
Esse consórcio era o único que não tinha entre seus sócios um operador estrangeiro.
(pág. 1 e 26)
- O Senado aprovou ontem o projeto de Lei Eleitoral do jeito que o
Governo queria, com medidas que beneficiam os candidatos à reeleição, como o fim do
financiamento público da campanha e a manutenção da contagem dos votos em branco para o
cálculo do coeficiente eleitoral. O texto ainda será votado na Câmara, mas o PMDB e a
oposição acham que será difícil modificá-lo. (pág. 2 e 4)
- O governador Marcello Alencar reagiu ontem contra a decisão do
Ministério da Saúde de repassar apenas R$ 27 milhões dos R$ 650 milhões que serão
investidos na rede hospitalar do País. Dizendo-se traído, Marcello afirmou que cobrará
explicações do ministro Carlos Albuquerque e, se necessário, até do presidente
Fernando Henrique. O ministro disse que está havendo um equívoco. (pág. 2 e 19)
- A nova legislação para os planos de saúde deverá incluir a
obrigatoriedade de um plano mínimo, de custo menor, capaz de atender às necessidades dos
consumidores de menor poder aquisitivo. A idéia começou a ser discutida ontem, no
Congresso, entre os representantes do Governo e os líderes partidários que integram a
comissão formada para acelerar a aprovação do projeto de lei. (pág. 2 e 22)
- Em sua primeira aparição pública após anunciar que não será
candidato à reeleição, o governador de São Paulo, Mário Covas, garantiu que nem o
apelo do presidente Fernando Henrique Cardoso para que reveja sua decisão o fará voltar
atrás. Bem-humorado, Covas evitou queixas públicas contra o Presidente e prometeu fazer
tudo para ajudar a reeleição de Fernando Henrique, menos candidatar-se de novo ao
governo de São Paulo.
Mesmo assim, o governador do Rio, Marcello Alencar, foi à noite a São
Paulo para conversar com Covas sobre sua decisão. Os dois estiveram juntos duas horas.
Demonstrando mau-humor dessa vez, o governador de São Paulo negou o encontro, confirmado
por um secretário estadual, entre outras fontes. No Palácio Guanabara, Marcello deu
ordens para que a viagem não fosse revelada. À tarde, seus assessores diziam que ele
estava em casa. (...) (pág. 3)
EDITORIAL
"A falta de professores" - Os
números divulgados pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe),
segundo o qual 103 mil alunos do Segundo Grau das escolas públicas do estado do Rio
deixarão de se formar este ano, por causa da falta de professores, são contestados pela
Secretaria de Educação - que no entanto admite que o problema existe e é sério. (...)
(pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - O humor inabalável de
Fernando Henrique mudou com a crise no PSDB, escancarada com a decisão do governador
Mário Covas de ficar fora da eleição. A suave placidez, mantida mesmo em momentos
críticos, deu lugar a uma indisfarçada irritação. Segundo interlocutores, FH sente-se
injuriado, vítima do egoísmo dos que estão pensando só em si. Calculam que ele possa
até surpreender o PSDB, propondo a rediscussão de sua candidatura. (...) (pág. 2)
(Swann - Ricardo Boechat) - Apesar do apelo do presidente FH, o PFL
decidiu não abrir mão, em favor do PSDB, da relatoria da Lei Pelé. A comissão especial
que apreciará o projeto também não terá um presidente tucano. O posto caberá a um
deputado do PMDB. (pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Cai diretoria dos correios
- O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, exige que os diretores
da ECT entreguem cargos até amanhã. Servidores em greve também são exonerados. (pág.
1, 20 e Brasília-DF, pág. 14)
- O Supremo Tribunal Federal (STF) pode voltar atrás na decisão de
estender a 11 servidores dos ministérios da Previdência e do Trabalho o reajuste de
28,86% concedido aos militares em 1993. Seguindo o voto favorável do ministro Nelson
Jobim, seu colega Ilmar Galvão aceitou ontem o recurso do Governo pedindo uma redução
no índice de reajuste. "O Supremo também erra", disse Galvão, pouco antes de
o julgamento ser suspenso pelo ministro Carlos Velloso, que pediu vista do processo.
(pág. 1 e 21)
- Depois da ameaça de editar medida provisória com uma legislação
rígida para o setor, o Governo recuou e já admite que os planos de saúde poderão
atender minimamente os segurados. No projeto que enviou ao Congresso, o Governo obrigava
as empresas a assegurar o atendimento contra todas as doenças relacionadas em código da
Organização Mundial de Saúde. Pelo plano mínimo, que está sendo negociado, elas só
garantirão consultas, exames laboratoriais e atendimento hospitalar. (pág. 1 e 14)
- Em Oslo, na Noruega, representantes de 97 países aprovaram tratado
internacional que proíbe imediatamente o uso de minas antipessoais. A cada ano, as minas
- pequenas bombas enterradas no solo - matam ou mutilam 26 mil pessoas no mundo. Rússia,
China, Iraque, Índia e EUA rejeitaram o acordo. O presidente Bill Clinton só aceita
eliminar as minas progressivamente. (pág. 1 e 3)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- Governo quer menos impostos
- Projeto de reforma tributária do Governo, apresentado ontem em
comissão da Câmara dos Deputados pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda,
Pedro Parente, prevê extinção do ICMS, ISS, Cofins, IPI, PIS e Pasep. Esses impostos
seriam substituídos por dois novos tributos: o Imposto de Valor Agregado (IVA), cobrado
pelo Governo federal sobre o consumo, e o Imposto sobre Vendas a Varejo (IVV), com
alíquota única sobre todos os produtos, a ser arrecadado pelos estados, no caso de bens,
e pelos municípios, no caso de serviços. (pág. 1 e 5)
- A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) vai demitir por
justa causa 200 grevistas no DF e em outros seis estados. Eles são acusados de cometer
excessos durante a greve da categoria, que já dura 13 dias. (pág. 1 e 15)
- O Supremo Tribunal Federal adiou mais uma vez o julgamento dos
recursos do Governo contra o reajuste de 28,86% para os servidores públicos civis. A
votação estava empatada em 2 a 2 quando o ministro Carlos Velloso pediu vistas do
processo. Onze funcionários públicos entraram na Justiça reivindicando um aumento
concedido só aos militares em 1993. (pág. 1 e 8)
ZERO
HORA
- O presidente Fernando Henrique Cardoso planeja se reunir neste
domingo com os governadores do PSDB no Palácio da Alvorada, para uma conversa sobre as
relações com o Governo federal. "Para entrar numa guerra, precisamos inicialmente
ter a casa arrumada", disse o secretário-geral do PSDB, deputado Artur Virgílio
Neto (AM). Ele se reuniu ontem com FH para discutir os reflexos da decisão do governador
Mário Covas de não concorrer à reeleição em São Paulo. (pág. 12)
- O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes deve confirmar segunda-feira sua
saída do PSDB, depois de um encontro com o ex-presidente Itamar Franco, que desembarca
sábado no Rio. Ciro e Itamar vão discutir a possibilidade de criação de uma frente
partidária de centro-esquerda para enfrentar o presidente Fernando Henrique Cardoso em
1998. O ex-ministro afirmou que apóia Itamar para a Presidência, mas não descartou a
possibilidade de assumir a candidatura se o ex- presidente desistir. (pág. 16)
- O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em suas análises
sobre o comportamento da economia da região, pediu que a América Latina temine de vez
por todas com o carnaval de gastos durante os períodos eleitorais. A proposta de atrair
votos fazia os partidos do Governo caírem na tentação de usar fundos do Estado para
obras de benefício eleitoral, sem considerar que o desperdício causa perigosos
desequilíbrios fiscais. A preocupação do BID, registrada no "Informe de Progresso
Econômico e Social" divulgado em Washington, assinala que na América Latina o
déficit previsto deve ser 1,3 vezes maior em um ano eleitoral. A tendência tem sido
evitada por todos os meios nos países industrialmente desenvolvidos. (pág. 24)
- A economia mundial vai crescer entre 4% e 4,5% neste ano. A previsão
divulgada ontem é do Fundo Monetário Internacional (FMI). O organismo estima que esse
ritmo de crescimento será mantido por vários anos. "Há razões para se acreditar
que a atual expansão pode ser sustentada, possivelmente até o final da próxima
década", anunciou o FMI em seu relatório semestral "Perspectiva Econômica
Mundial". As estimativas indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, a soma de
todos os bens e serviços produzidos no planeta, cresceria 4,5% até 2002, depois de se
expandir 3,75% desde o início da década de 70. (pág. 27)
CORREIO
DO POVO
- O Senado aprovou ontem o projeto de lei que irá regulamentar as
eleições de 98. Conforme o Governo queria, nenhum candidato à reeleição, seja
governador ou o presidente da República, terá de se afastar do cargo durante a campanha
nem ficará impedido de inaugurar obras no período que antecede a votação. Como foi
modificado, o projeto terá de voltar à Câmara para ser votado na próxima semana. A
nova Lei Eleitoral precisa ser sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso até 3
de outubro para poder ser aplicada nas eleições do próximo ano. Além de facilitarem a
campanha para os candidatos à reeleição, os senadores derrubaram o financiamento
público que havia sido aprovado pelos deputados, através do aumento do Fundo Partidário
de R$ 42 milhões para R$ 420 milhões. O Senado acatou o apelo do presidente Fernando
Henrique Cardoso para que não fosse permitida a manutenção deste artigo na Lei
Eleitoral. Os senadores também agradaram ao Governo na parte referente aos votos em
branco nas eleições para deputado e vereador. Na Câmara, o PMDB e o PPB haviam se unido
à oposição para mudar a regra de 1950, na qual os votos em branco acabavam favorecendo
o quociente eleitoral do partido mais votado. Na votação de ontem, os senadores não
aceitaram a mudança, mas o item deve ser mais uma vez modificado na Câmara. PMDB, PPB e
os partidos de oposição já prometeram repetir a aliança para invalidar os votos em
branco. "Vamos manter o acordo e retirar os votos em branco da contabilização dos
válidos", garantiu o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). (capa)
O
ESTADO DE MINAS
- O Governo foi o grande vencedor ontem no Senado, ao aprovar a nova
Lei Eleitoral nos termos do projeto original do Executivo. Nenhum dos candidatos à
reeleição - inclusive o Presidente - terá de se afastar do cargo durante a campanha.
(...) (pág. 1 e 4)
HOJE EM DIA
- O presidente Fernando Henrique ficou irritado ontem com o apoio do
governador de Minas, Eduardo Azeredo, ao governador de São Paulo, Mário Covas, que
desistiu de se recandidatar ao cargo e cobra uma postura partidária do Palácio do
Planalto mais definida. Azeredo pediu reciprocidade. (pág. 1 e 3)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Comércio já pode abrir aos domingos
ESTADO DE MINAS
- Reeleição ganha no voto
HOJE EM DIA (MG)
- Carro pode ficar na garagem
DIÁRIO DE PERNAMBUCO
- Sport perde no último minuto
JORNAL DO COMMÉRCIO (PE)
- Chesf perde presidente para um ministério
GAZETA DO POVO (PR)
- Lei eleitoral privilegia a reeleição
O DIA (RJ)
- Estado vai acabar com a promoção por Antinguidade
CORREIO DO POVO (RS)
- Senado aprova lei eleitoral
ZERO HORA (RS)
- FH garante no senado lei que ajuda reeleição

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é:secom@planalto.gov.br |