
28/11/1997
JORNAL DO BRASIL
- Governo aperta bancos para evitar quebradeira
- O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu ontem pôr um freio nas
operações em mercados futuros para reduzir o risco de quebradeira diante da crise
externa e aumentar a proteção do real contra ataques especulativos. A partir de 28 de
fevereiro, as instituições serão obrigadas a elevar de 16% para 20% o volume de capital
próprio aplicado em cada operação nos mercados futuros. Os bancos foram autorizados a
vender o dobro do limite atual de dólares, o que poderá ajudar o BC a fazer frente a
apostas contra o real. Isso tende a reduzir o calibre das apostas especulativas nos
mercados futuros de dólar e de taxas de juros. (...) (pág. 1, 13 e 14)
- O presidente Fernando Henrique anunciou que vai negociar pessoalmente
a aprovação do ajuste fiscal no Congresso. Das sete medidas provisórias de defesa do
real, apenas uma não foi modificada em comissões especiais no Congresso. A medida que
trata do aumento do Imposto de Renda e redução dos incentivos fiscais ainda não foi
examinada. (pág. 1, 2 e 3)
- O presidente Fernando Henrique acusou ontem o Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) de manipular
"com grande leveza" a taxa de desemprego em São Paulo, que em outubro chegou a
16,5%, conforme a instituição. A população não deve aceitar "de forma passiva
tais estatísticas", pediu o Presidente. O Conselho Curador do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (Codefat), que tem representantes do Governo, de empresas e de empregados,
estuda a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego como forma de amenizar a
situação dos desempregados. Atualmente, podem ser pagas até sete parcelas em valores
que vão de R$ 120 a R$ 224. (pág. 1 e 17)
- Roseana Sarney (PFL), governadora do Maranhão, casa-se hoje, pela
segunda vez, com Jorge Murad, secretário estadual de Administração, de quem estava
separada desde 1988 e com quem voltou a viver em 1994. O casamento tornará inelegível o
deputado Ricardo Murad, do PDT, que é irmão de Jorge e adversário do grupo do senador
José Sarney (PMDB-AP). A cerimônia será realizada na residência do casal, na Praia do
Calhau, em São Luís. (pág. 1 e 2)
- O Governo brasileiro queixou-se de que o da Líbia está criando
obstáculos para a retirada do país das duas freiras brasileiras sequestradas e
seviciadas no dia 12 na cidade de Al Bayda. Um avião fretado pelo Brasil para
transportá- las não obtém autorização para pousar na cidade, por ser o aeroporto
militar, nem são aceitas alternativas. (...) (pág. 1 e 10)
- Disposto a aprovar a reforma administrativa rapidamente, o presidente
Fernando Henrique Cardoso vai pressionar o Senado para que a emenda não seja modificada
pelos senadores. E, para isso, conta com o apoio de um aliado de quem, nas últimas
semanas, vinha recebendo críticas, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães
(PFL-BA).
"O ideal é que a reforma passe sem alterações. Mas não posso
proibir os senadores de mudarem a emenda. O Senado é independente e autônomo",
afirmou Antônio Carlos. (...) (pág. 4)
- O procurador da República, Daniel Sarmento, entrou ontem na Justiça
Federal com uma ação cautelar pedindo uma liminar para suspender a operação do
Exército em favelas do Rio à procura de dois fuzis roubados de soldados em Deodoro (Zona
Suburbana). A busca, que começou domingo, até ontem não estava autorizada pela Justiça
Militar. Só quarta-feira à noite o Exército pediu o mandado de busca e apreensão,
expedido ontem de manhã pelo juiz da 3ª Auditoria Militar do Rio. (...) (pág. 20)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: R$ 120,00. Dólar comercial: R$ 1,1081 (compra), R$
1,1089 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,150 (compra), R$ 1,165 (venda). Dólar turismo: R$
1,1125 (compra), R$ 1,1133 (venda). TR do dia 28.10 a 28.11: 0,8582%. TBF do dia 26.11 a
26.12: 2,7014%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Entre três fogos" - A mensagem do presidente Clinton
("Isto não pode continuar assim") ao premier israelense Netaniahu mediu a
temperatura política do Oriente Médio. Poucas vezes a tensão entre os interlocutores da
eterna crise na região esteve tanto no limite, prestes a estourar. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Há 20 dias não havia um cristo
nesta República que se arriscasse a apostar que as reformas constitucionais poderiam
andar, muito menos que seria aprovada a quebra da estabilidade no emprego para o
funcionalismo público.
Justiça seja feita com a área econômica sempre acusada de
insensibilidade política, no quente da confusão, Pedro Malan, José Roberto Mendonça de
Barros e Pedro Parente eram os mais esperançosos. Algo lhes dizia que, se oportunidade
houvesse de as reformas serem retomadas antes das eleições do ano que vem, a hora era
esta, a da crise. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - A empresa canadense Bombardieu faz uma
guerra para ocupar o espaço conquistado pelo jato MX-147 no mercado interno e externo.
No momento, pela segunda vez, o Governo brasileiro montou uma barreira
para que o avião da Bombardieu, similar ao MX-147 - fabricado pela Embraer e considerado
um dos melhores do mundo -, não invada o espaço aéreo brasileiro.
A empresa canadense ofereceu à Transbrasil uma dúzia de aviões a
preços baixos para entrar no mercado brasileiro. O Governo montou uma contra-ofensiva,
mobilizando o BNDES, o Ministério da Indústria e do Comércio, o Ministério da
Aeronáutica e o Itamaraty.
Na lógica da operação desencadeada pelo Governo está a convicção
de que, se uma empresa brasileira comprar o avião concorrente do MX-147, a Bombardieu
terá um trunfo irresistível no mercado internacional. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Governo tenta reduzir risco bancário
- O Governo baixou medidas limitando os riscos que as instituições
financeiras poderão assumir em suas operações.
Os bancos serão obrigados a ter capital mínimo equivalente a 11% do
total de seus empréstimos - antes, a taxa era de 10%. O objetivo é aumentar a cobertura
a eventuais prejuízos.
Nas operações no mercado futuro, o capital mínimo exigido sobe de
16% para 20%. Nessas transações, os bancos fazem apostas sobre qual será a cotação do
dólar, dos juros ou de ações em determinada data.
Os fundos de investimento também tiveram reduzida sua margem de
especulação. Os de maior risco - que apostam mais no mercado futuro - deverão depositar
garantia de até 50% do dinheiro administrado.
O Banco Central decidiu dobrar os limites de venda de dólares dos
bancos. (pág. 1 e cad. Dinheiro)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso não abre mão de aumentar a
arrecadação do Imposto de Renda, mas negociará mudanças na proposta para evitar
confronto com aliados.
FHC está pessoalmente negociando alternativa ao adicional de 10%. Sua
orientação era buscar no próprio IR uma forma de elevar em R$ 1,2 bilhão a
arrecadação. (pág. 1 e 1-6)
- O professor Leonardo Teodoro de Castro disse ontem não se lembrar da
explosão no Fokker-100 da TAM, em 9 de julho. A Polícia Federal o acusa de ter colocado
uma bomba no avião. (...) (pág. 1 e 3-3)
- As medidas restritivas adotadas pelo Brasil em resposta ao
"crash" global vão quase parar a economia do País ano que vem, afirma o
instituto britânico Economist Intelligence Unit. O órgão prevê que o PIB (soma das
riquezas produzidas no País) cresça 0,8%. Projeção anterior era de 3,8%. (pág. 1 e 2-
12)
- O Banco do Japão (banco central do país) colocou ontem o
equivalente a US$ 4 bilhões no sistema financeiro.
A Bolsa de Tóquio fechou com alta de 3,48%. As ações dos bancos, em
queda nos últimos dias, foram estabilizadas. Neste mês, quatro instituições quebraram
no país. (pág. 1 e 2-12)
- A Cemat (Centrais Elétricas Matogrossenses) foi vendida por R$ 391,5
milhões, ágio de 21,08%. O consórcio vencedor é formado pelos grupos Inepar e Rede -
este tem 36% do capital controlado pela CSW, dos EUA. O governador quer usar parte dos
recursos para pagar o 13º de servidores. (pág. 1 e 1-12)
- O deputado Francisco Rodrigues (PTB-RR) disse à "Folha"
ontem que sofrerá retaliações do Palácio do Planalto por ter votado contra a quebra da
estabilidade do servidor público, como queria o Governo.
Rodrigues telefonou ontem pela manhã para o subsecretário-geral da
Presidência da República, Guido Faria, para saber da liberação de recursos para
emendas suas.
Segundo relato do deputado, Guido informou-lhe da retaliação:
"Olha, deputado, agora fica difícil para você, porque você votou contra a
estabilidade". (...) (pág. 1-4)
- O ex-presidente Itamar Franco (PMDB) criticou ontem a quebra da
estabilidade dos servidores.
"Só aqueles que não precisam dela (da estabilidade), como alguns
elementos da equipe do presidente Fernando Henrique, que vivem lá fora e têm emprego lá
fora, não se preocupam com a estabilidade nem com a Previdência". (...) (pág. 1-
4)
- Para convencer os senadores a aprovar a reforma administrativa sem
alterações, os líderes governistas do Senado estão sustentando a versão de que o
texto aprovado pela Câmara permite que governadores e prefeitos adotem um subteto para os
salários dos servidores públicos.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e
senadores dos partidos aliados - a maioria formada por ex-governadores - defendem o
subteto para estados e municípios, mas não querem alterar a emenda para evitar que volte
à Câmara. (...) (pág. 1-4)
- Os líderes governistas pretendem concluir até o final de janeiro a
tramitação das reformas administrativa e previdenciária no Congresso, para que os
parlamentares possam se dedicar à campanha eleitoral a partir de fevereiro.
A convocação extraordinária deve ocorrer entre 5 e 12 de janeiro,
segundo o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), que ontem se reuniu com o
presidente Fernando Henrique Cardoso. (...) (pág. 1-5)
EDITORIAL
"Sob nova administração" - É natural que todas as
atenções estejam voltadas para a quebra da estabilidade do funcionalismo público. Mas a
reforma administrativa pretende ir mais longe e mudar o padrão de administração
pública no País.
Isso significa não apenas tornar a máquina mais enxuta, mas tentar
gastar melhor e começar a eliminar privilégios que são uma ofensa aos demais
trabalhadores brasileiros.
É por exemplo imprescindível a exigência de avaliação de
desempenho para que um funcionário torne-se estável. Até agora, bastava cumprir dois
anos para conseguir o privilégio. Na prática, obtido o encosto, era possível deixar a
eficiência de lado. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Reflexo da crise FHC-ACM: o Presidente fechou com o PSDB e
Michel Temer (PMDB) o novo cronograma de votações do Congresso e a convocação
extraordinária para 12 de janeiro. Os pefelistas só souberam depois. (pág. 1- 4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- FHC assume negociação do pacote fiscal
- Animado com a vitória na votação da reforma administrativa, o
presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu comandar pessoalmente as negociações sobre
o pacote fiscal. Ele já montou uma ofensiva com a base aliada na tentativa de pôr
quarta-feira em votação, no Congresso, as oito medidas provisórias do pacote. O PFL
procura uma saída política para a polêmica em torno do Imposto de Renda e propôs a
redução de 10% para 5% no aumento do tributo.
"O Governo quer preservar a integridade do pacote, mas também faz
questão de manter a integridade de sua base de apoio", disse o relator da MP do IR e
do corte dos incentivos regionais, deputado Roberto Brant (PSDB-MG). FHC pretende acelerar
as conversas com os aliados até segunda-feira, quando viaja para a Inglaterra.
"Quero que o ajuste deixe de ser uma queda-de-braço e passe a ser uma luta de todos
pelo Brasil", disse, referindo-se ao atrito com o presidente do Senado, Antônio
Carlos Magalhães (PFL-BA), por causa do aumento do IR.
O Planalto tem outra frente de batalha no Senado: o teto da
aposentadoria na reforma poderá dificultar as negociações. Muitos senadores recebem
aposentadorias e pensões superiores ao limite de R$ 12,7 mil. Para aprovar a reforma até
fevereiro, como quer ACM, o Congresso terá de ser convocado nos dois primeiros meses do
ano. (pág. 1, A-4 e A-5)
- O Governo impôs ontem limites à atuação de fundos e bancos nos
mercados de derivativos, como a Bolsa de Mercadorias e Futuros. Os bancos serão obrigados
a aumentar o capital próprio para operar nesses mercados. O Banco Central também ampliou
o limite para a posição de venda de dólares das instituições financeiras. Segundo o
BC, as mudanças ajudam a garantir as reservas de dólares do País e fortalecem o sistema
financeiro. (pág. 1 e B-1)
- Por R$ 391,5 milhões, o Grupo Rede - Empresas de Energia Elétrica,
de São Paulo, em associação com o Inepar, do Paraná, assumiu o controle da empresa
Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat), em leilão no Rio. O ágio, de 21,09% sobre o
preço mínimo de R$ 323,3 milhões, só foi obtido com a ajuda de última- hora da
Eletrobrás e do BNDES, articulada pelo governador mato-grossense, Dante de Oliveira
(PSDB). (pág. 1, B-2 e B-6)
- O mercado mundial reagiu ontem com otimismo às medidas adotadas
pelas autoridades monetárias japonesas para garantir o controle sobre os bancos
nacionais. Também teve efeito positivo a informação de que as negociações do governo
coreano com o FMI podem levar a um socorro financeiro mais vigoroso à Coréia do Sul. As
bolsas em todo o mundo foram influenciadas pela alta de 3,48% da média Nikkei-225 das
"blue chips" japonesas. As bolsas latino-americanas reagiram positivamente. A
Bovespa fechou em alta de 2,62%. (pág. 1 e B- 16)
- O professor Leonardo Teodoro de Castro, acusado de fazer explodir uma
bomba num Fokker-100 da TAM, enfrentou ontem 32 perguntas na primeira entrevista após 124
dias de internação no hospital e deu sempre a mesma resposta: disse não lembrar-se de
nada do que ocorreu em 9 de julho. Magro, em cadeira de rodas, afirmou não saber que
tinha andado de avião. Nos EUA, a Administração da Aviação Federal determinou
mudanças técnicas no Boeing 747 para prevenir acidentes. (pág. 1, C-5 e A-15)
- A Comissão de Orçamento do Congresso voltou atrás na decisão de
cortar R$ 46 milhões da verba das universidades federais para 1998. O dinheiro seria
desviado para a construção de quadras esportivas, como revelou ontem o
"Estado". O relator-geral, deputado Aracely de Paula (PFL-MG), disse que a
comissão também vai repor verbas para ensino médio e outros itens do orçamento da
Educação. Na semana passada, a subcomissão de Educação, Desporto, Cultura, Ciência e
Tecnologia havia determinado o corte de 3% nas despesas das universidades. (pág. 1 e
A-12)
- O comerciante José Luiz Alves da Silva foi preso em flagrante, em
sua loja de material de construção no Rio, por discriminação racial contra a
professora negra Leda Francisco. Leda havia procurado o comerciante para cobrar a entrega
de material e foi agredida verbalmente. Esse é o terceiro caso de prisão por causa de
racismo no País e o primeiro no Rio. (pág. 1 e A-13)
EDITORIAL
"Uma mudança de expectativas" - O modo de evolução da
crise na Ásia e a reação positiva dos mercados ocidentais permitem aos empresários
brasileiros avaliar a situação com otimismo, após uma fase de inquietação. (pág. 1 e
A-3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - A reforma administrativa, que tramitou durante
26 meses na Câmara, poderá ser promulgada em 3 meses: o Senado não tem mais motivos
para alterar o texto aprovado pelos deputados, como chegou a defender esta semana o
presidente da Casa, Antônio Carlos Magalhães.
Só agora descobriu-se que o subteto para estados e municípios que os
senadores pretendiam incluir na reforma já está no texto que saiu da Câmara. (...)
(pág. A-6)
O GLOBO
- CMN adota medidas contra a especulação financeira
- O Banco Central anunciou ontem um conjunto de medidas adotadas pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN) que visa a reduzir a especulação e a fortalecer o
sistema financeiro. Além de restringir a atuação dos bancos em mercados de risco, o BC
vai controlar mais a operação dos fundos de investimentos, obrigando-os a esclarecer
melhor os cotistas sobre a possibilidade de perdas. Para auxiliar a manter estável a
cotação do dólar durante momentos de nervosismo no câmbio, o BC duplicou o limite das
posições vendidas em moeda americana dos bancos, que subiu de US$ 7,5 milhões para R$
15 milhões. O BC quer, com isso, fazer dos bancos parceiros contra ataques ao real.
- O presidente Fernando Henrique assumiu o comando das negociações
para a aprovação do pacote fiscal no Congresso. Em longo café da manhã com os líderes
do Governo no Congresso, o Presidente anunciou que trabalhará por um acordo até domingo,
quando explicará as medidas em cadeia de rádio e TV. (pág. 1, 25 e 27)
- Através de vendas fictícias de patrimônio, o governo do estado
propõe aumentar sua previsão de receita no orçamento de 98 em R$ 2,5 bilhões. O
artifício não é novidade. Em 96, o governo previu arrecadar R$ 1,1 bilhão com a
alienação de bens móveis e imóveis, mas não vendeu mais do que R$ 779. A maquiagem
foi descoberta pelo deputado Carlos Minc (PT). (pág. 1 e 12)
- Para evitar cinco mil demissões, as indústrias de autopeças farão
hoje uma proposta inédita às centrais sindicais: reduzir a jornada de trabalho e os
salários em 25%. O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos
Automotores (Sindipeças) crê que essa é a única saída par evitar que a crise no setor
gere demissão em massa. Com as montadoras antecipando férias coletivas e cancelando
encomendas, fabricantes de médio porte tinham avisado que iam começar a dispensar
funcionários. (pág. 1, 23 e 24)
- Os líderes governistas estão se mobilizando para que os presidentes
do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, deputado Michel Temer
(PMDB-SP), fechem acordo em nome das duas Casas para aprovar até o fim de fevereiro, sem
mais modificações, as reformas administrativa e da Previdência. A administrativa,
aprovada após meses de negociação na Câmara, está sendo enviada na semana que vem ao
Senado. E a emenda da Previdência, aprovada no Senado graças a um amplo acordo, reinicia
agora sua tramitação na Câmara. As duas só serão promulgadas com a agilidade desejada
pelo Governo se deputados e senadores se abstiverem de fazer mais modificações. (...)
(pág. 3)
- Eles brigam, brigam, mas acabam se acertando. PFL e PSDB começaram a
preparar o caminho da concórdia entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o
presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), num jantar anteontem na casa do
líder tucano no Senado, Sérgio Machado (CE). Estavam presentes a cúpula do PSDB, o
próprio Antônio Carlos e seu filho, o líder do Governo na Câmara, Luís Eduardo
(PFL-BA). Ontem de manhã, os tucanos comunicaram ao Presidente o resultado do encontro,
durante um café da manhã no Alvorada, quando comemoraram a vitória do Governo na
votação da reforma administrativa. (...) (pág. 4)
- Portaria assinada na segunda-feira pelo ministro da Saúde, Carlos
Albuquerque, abriu uma crise com o Conselho Nacional de Saúde (CNS). Pela Portaria 1.759,
o CNS foi desvinculado do gabinete e passou a ser subordinado à Secretaria de Políticas
de Saúde e de Avaliação. É a primeira ruptura nas relações do CNS, criado em 1937,
com um ministro. Alguns dos 32 integrantes do CNS acusam Albuquerque de retaliação por
causa de opiniões contrárias às dele e do Governo. (...) (pág. 10)
- (Lisboa) - O desemprego na Região Metropolitana de São Paulo pode
atingir os 22%, em janeiro, batendo todos os recordes dos últimos 13 anos, afirmou ontem
o secretário de Trabalho daquele estado, o economista Walter Barelli, que participa em
Lisboa de um seminário internacional sobre globalização e mercado de trabalho. Segundo
Barelli, essa é a previsão de especialistas e dos maiores empresários do País. A taxa,
afirmou Barelli, poderá inclusive significar a derrota do presidente Fernando Henrique
nas urnas em outubro de 1998.
"Se a crise internacional continuar, o pacote não surtir efeito e
os juros não baixarem em dezembro, o desemprego explodirá em São Paulo, comprometendo a
reeleição de Fernando Henrique", afirmou o secretário, depois de passar a última
semana em rodadas de conversas com economistas e empresários. (...) (pág. 24)
EDITORIAL
"Sem alternativa" - O pacote fiscal divulgado há poucas
semanas pelo Governo tem vários defeitos - subir para R$ 90 a taxa de embarque nos
aeroportos, por exemplo, não é a melhor forma de reduzir o déficit na conta de turismo
internacional -, mas um mérito é indiscutível: o sacrifício está repartido por
diversos segmentos da sociedade. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - As coisas chegam aonde tinham
de chegar: Fernando Henrique e Antônio Carlos, vale dizer o PFL e o PSDB, estão mesmo é
no mesmo barco. O impacto do pacote fiscal mandou cada qual para um lado. Mas, para seguir
viagem, tinham de se entender sobre o aumento do Imposto de Renda. De outro modo, uma
derrota para ACM ou para Presidente, com o desmanche do ajuste faria um rombo no casco da
aliança. (...) (pág. 2)
(Swann - Ricardo Boechat) - Vem aí um pacote ambiental, com cerca de
40 medidas que visam principalmente à preservação da Amazônia.
Será anunciado em dezembro, providencialmente no mesmo dia em que o
Governo divulgar os índices de desmatamento de 1995 e 1996 - primeiros dois anos da
gestão FH.
Ao que tudo indica, ele será maior do que os registrados em 1993 e
1994.
As novas regras só serão conhecidas depois que o Presidente retornar
da Inglaterra. (pág. 16) .b2
CORREIO BRAZILIENSE
- Aumento do imposto de renda pode ser menor
- A ordem é negociar - e o próprio presidente Fernando Henrique
Cardoso assumiu o comando das conversas. Em troca de um aumento menor do que os 10%
anunciados no Imposto de Renda dos contribuintes assalariados, o PFL está sugerindo
alternativas para arrecadar os R$ 20 bilhões que o Governo quer. Na terça-feira, uma
lista de medidas será levada ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. Uma delas propõe taxar
grandes investidores, com contas acima de R$ 100 mil. Domingo à noite o presidente
Fernando Henrique Cardoso vai explicar e defender o pacote fiscal em cadeia nacional de
rádio e TV. (pág. 1 e 15)
- Um terço dos funcionários públicos federais, ativos e inativos,
pode receber o salário de novembro com atraso. Tudo porque o Congresso Nacional ainda
não votou um projeto de lei que prevê crédito suplementar de R$ 955 milhões para
pagamento do pessoal. O salário normalmente é creditado no dia 5 de cada mês e só
sairá no prazo marcado se o Congresso aprovar o crédito até o dia 2, terça- feira.
(pág. 1 e 17)
- Os mutuários da Encol que aceitarem receber as escrituras repassadas
pela construtora correm risco de assumir dívidas trabalhistas e fiscais da empresa. O
alerta é do advogado Deoclécio Dias Borges e de Gualter Tavares Neto, vice- presidente
da Associação dos Mutuários da Encol. (pág. 1 e 21)
- Itamararty protesta contra dificuldades criadas pela Líbia para que
as duas freiras brasileiras espancadas por drogados deixem o país. (pág. 1 e 6)
- O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, e o líder do PFL,
Inocêncio Oliveira (PE), brigam pelo controle da Fundação Nacional de Saúde. (pág. 1
e coluna Brasília-DF, pág. 10)
- Chega ao Brasil método norte-americano para ensino de princípios
éticos como justiça, confiança e honestidade a crianças e adolescentes. (pág. 1 e 12)
ZERO HORA
- A certeza de que a reforma administrativa ainda tem um longo caminho
a percorrer nos corredores do Congresso reduziu o impacto da quebra da estabilidade no
moral dos servidores públicos. Ontem, o assunto dominava as conversas nas repartições
estaduais e federais, mas nem de longe o clima de apreensão se assemelhava ao de quando
foi aprovada a reforma da Previdência. A tranquilidade é embasada em um cronograma que
pode se estender além da virada do século no caso das demissões por insuficiência de
desempenho. (pág. 6)
- A primeira consequência prática da votação do fim da estabilidade
do servidor público não foi administrativa, mas política. Ontem, a executiva do PFL
instaurou sindicância para punir os dois deputados da bancada que disseram não ao
Governo e os cinco que se ausentaram da sessão de quarta-feira. "Chega de
infidelidade, o fechamento de questão não pode ser visto como uma brincadeira",
esbravejou o líder do partido, Inocêncio Oliveira (PE). (pág. 8)
- Os dois maiores líderes de oposição ao Governo federal, Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e Leonel Brizola (PDT), deram mostras durante o dia de ontem de
que não estão mais com os discursos tão afinados como um mês atrás. Pela manhã, em
entrevista à Rádio Guaíba, o presidente nacional do PDT criticou a indecisão de Lula e
a vacilação do PT em fechar um acordo com os partidos de esquerda. Já o presidente de
honra do PT desembarcou no meio da tarde em Porto Alegre esbanjando otimismo. Chegou a
afirmar que existem 99% de chances de ocorrer uma aliança nacional nas eleições de 1998
entre PT e PDT, incluindo o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. "Eu e o Brizola
nunca estivemos tão próximos como agora", declarou. (pág. 12)
- O Governo decidiu aplicar um freio nos bancos, para reduzir o risco
de quebradeira diante da instabilidade no Sudeste Asiático e aumentar a proteção do
real contra ataques especulativos. "Estaremos mais equipados para enfrentar a
especulação", disse o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC),
Demósthenes Madureira de Pinho Neto. O aperto nos bancos foi definido ontem na reunião
do Conselho Monetário Nacional (CMN) e atingiu, principalmente, as operações com
derivativos - negócios de altíssimo risco, cujos lucros dependem do acerto de previsões
sobre a variação de preços de mercadorias, cotações de moedas e taxas de juros nos
mercados futuros. (pág. 22)
- A quinta-feira foi decisiva para o caso Meridional, embora tenha sido
frustrante para os políticos gaúchos. O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que o
processo de venda do banco está sendo realizado dentro da normalidade e não será
alterado. A medida contraria o relatório da auditoria realizada a pedido do próprio TCU,
que foi votado e aprovado ontem. O relatório indicava a necessidade de reavaliação do
Sistema Meridional e a fixação de novo preço mínimo para a privatização. (pág. 26)
- O mercado monetário chileno operou ontem com nervosismo em
consequência dos acontecimentos no Sudeste Asiático nos últimos dias. O dólar chegou a
um pico de 438 pesos para compra e de 438,50 pesos para venda, na primeira metade da
manhã, quando o Banco Central do Chile teve de sair vendendo dólares para segurar a
cotação dentro da banda de flutuação. Às 13h - 14h de Brasília -, o dólar fechou a
434,50 pesos para compra e a 435,50 para venda. Na quarta-feira a moeda havia fechado a
433,30 (compra) e 433,80 (venda) por dólar. (pág. 30) .b2
HOJE EM DIA
- O ex-presidente Itamar Franco voltou a criticar duramente ontem, em
BH, os parlamentares que aprovaram a queda da estabilidade dos servidores. Ele argumentou
que se trata de direito adquirido pelo funcionalismo e previu uma avalanche de ações
contra as demissões, nos tribunais superiores. (pág. 1, 3 e 4)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- Servidor revoltado ameaça greve nacional
CORREIO DA BAHIA
- Comércio espera espantar a crise com o 13º salário
HOJE EM DIA (MG)
- Taxa em escola terá punição
GAZETA DO POVO (PR)
- CMN reduz o risco de especulação financeira
DIARIO DE PERNAMBUCO
- Exigência de demissão na aposentadoria é derrubada
ZERO HORA (RS)
- Mudam horários do serviço público
TELEJORNAIS
SBT-TJ BRASIL-18H30
- O governador de São Paulo, Mário Covas, faz uma previsão trágica
para a saúde em 98. Ele afirma que os cortes no orçamento podem deixar o brasileiro
ainda mais desamparado nos hospitais públicos do Sistema Único de Saúde. Para o
governador, no Brasil, não há Ministério da Saúde e sim, Ministério da Doença. O
governador denuncia que o País gasta com o setor 2% do PIB. "Quase nada, se
comparado com os 16% que os Estados Unidos investem em saúde pública", afirma.
- O Ministério da Justiça tira de circulação o videogame que
incentiva a violência no trânsito. Vence o jogador que consegue matar mais crianças,
mulheres grávidas e idosos. Com índices altíssimos de mortes e acidentes no trânsito,
o Brasil acaba de aprovar um novo Código que entra em vigor no próximo ano. Haverá
punições fortes para os maus motoristas. As grandes cidades já estão cheias de
barreiras e controladores de velocidade. O videogame entra na contramão dessa tendência.
- A crise econômica no Japão cai como um balde de água fria no sonho
de milhares de brasileiros. Os que apostam tudo em um pé-de-meia no exterior, começam a
sentir os reflexos da crise japonesa. Em busca de trabalho e dinheiro, os descendentes de
japoneses fazem o caminho inverso das primeiras gerações, arrumando emprego no Japão e
mandando dinheiro para a família. Agora, isso não é mais tão compensador porque, a
oferta de emprego caiu naquele país e a situação ficou ainda pior com a crise do
mercado financeiro.
- O Presidente Fernando Henrique Cardoso participou nesta de um culto
ecumênico para celebrar o Dia Nacional de Ação de Graças, feriado americano. Na pausa
para a oração, o Presidente acabou reclamando da informação de que o desemprego em
São Paulo chega a 16%. Ele disse que ninguém se pergunta como se chegaram a essas taxas,
quando o IBGE mostra o desemprego na média de 6%. Fernando Henrique reclamou que os
números, no Brasil, são manipulados com leveza, mas garantiu que ninguém pode se abater
com a sensação de que não pode fazer nada.
- No Palácio do Planalto, o Presidente Fernando Henrique Cardoso se
reuniu com o senador Antonio Carlos Magalhães para discutir as diferenças. Fernando
Henrique continua exigindo um pacote fiscal que renda R$ 20 milhões, mas ACM não aceita
o aumento do Imposto de Renda. Muita gente aposta que eles vão chegar a um acordo, porque
politicamente não é conveniente que haja derrotado nessa questão.
- A executiva do PFL ameaça expulsar os deputados que votaram contra o
fim da estabilidade do servidor. O Congresso já se prepara para mais uma investida do
Governo: a votação do pacote fiscal. Os 322 votos conquistados pelo Governo começaram a
impor aos servidores públicos o fim da bandeira da estabilidade e podem economizar R$ 10
bilhões em três anos para o Governo. O assunto, agora, depende do Senado. Mas foi
difícil, pois as resistências aparecem até no PFL. A Executiva do partido abriu
processo interno contra dois deputados que votaram contra a queda da estabilidade e contra
outros cinco que não apareceram para votar.
- Se na reforma administrativa o PFL quer fidelidade, na reforma fiscal
do partido quer liberdade para mudanças e já tem propostas para substituir o aumento do
Imposto de Renda da Pessoa Física. Seria a criação de um empréstimo compulsório com a
devolução em dois anos do dinheiro ou do mesmo dinheiro em ações da Petrobrás. Ou,
quem sabe, taxar o capital especulativo. Esse tipo de resistência ao pacote levou o
relator da proposta ao Ministério da Fazenda. O deputado Roberto Brant (PSDB/MG) já sabe
que, para repetir o sucesso no plenário, será preciso repetir o comando das
negociações, como fez até agora o Presidente Fernando Henrique Cardoso.
- Privatizada a Companhia Centrais Elétricas do Mato Grosso. O grupo
paulista Rede comprou a empresa por R$ 391,5 milhões. O valor da venda ficou 21% acima do
preço mínimo.
RECORD-JORNAL DA RECORD-19H15
- O PFL ameaça expulsar os deputados que votaram contra o fim da
estabilidade do servidor e também os que faltaram à votação. A Executiva Nacional já
decidiu abrir processo administrativo contra eles.
- O PFL quer criar o empréstimo compulsório para evitar que o
contribuinte pague mais Imposto de Renda. A proposta foi apresentada pelo presidente do
Congresso, Antônio Carlos Magalhães, ao Presidente Fernando Henrique Cardoso, em
encontro no Palácio do Planalto. Pela proposta, na hora de fazer o Imposto de Renda, os
contribuintes pagariam o compulsório sobre o imposto devido. O dinheiro ficaria com o
Governo, revendo os juros e correção, e depois seria devolvido em dinheiro ou em ações
da Petrobrás.
GLOBO-JORNAL NACIONAL-20H
- O Governo faz as contas e constata que o setor público vai
economizar R$ 10 bilhões em três anos com a reforma administrativa. A quebra da
estabilidade dos funcionários ainda depende de votação no Senado e só deve acontecer
no ano que vem. O Governo agora quer discutir o teto salarial dos servidores. Vai insistir
em R$ 10.800,00.
- Depois da reforma administrativa, Governo e aliados começam a se
entender sobre o pacote fiscal. O acordo pode diminuir a mordida do Leão.
- O Presidente Fernando Henrique disse nesta quinta-feira que as taxas
de desemprego no Brasil são manipuladas e não refletem a realidade. Segundo o
Presidente, o Dieese leva em conta crianças de 10 anos, ao calcular o desemprego em
16,5%, e o desemprego no Brasil medido pelo IBGE é de 6%.
BANDEIRANTES-JORNAL BANDEIRANTES-20H
- O pacote do Real bateu firme na Previdência privada. Antes, as
despesas com a previdência privada podiam ser descontadas integralmente do Imposto de
Renda. Agora, o desconto está limitado a 12% ou 20% da renda bruta. Dois milhões de
trabalhadores, além de empresas e fundos de pensão, vão ser prejudicados.
- O Presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o índice de
desemprego do Dieese e Sead. Eles revelaram que o desemprego em São Paulo bateu novo
recorde em outubro, atingindo mais de 16% dos trabalhadores da Grande São Paulo. Enquanto
isso, o índice do Governo, o do IBGE, diz que o desemprego no País inteiro está em
torno de 6%, e não 16% . Em solenidade no Palácio do Planalto, o Presidente explicou que
a taxa de 16% em São Paulo engloba idades que varim de 10 a 24 anos. Para o
diretor-executivo da Fundação Sead, Pedro Paulo Marconi, o Presidente foi levado a um
equívoco. Segundo Marconi, a pesquisa do IBGE, a do Governo, também é feita com
trabalhadores de todas as idades.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é:secom@planalto.gov.br |