
04/03/1998
JORNAL DO BRASIL
- Processo de cassação de Naya terá rito sumário
- Com base na fita de vídeo exibida domingo pelo
"Fantástico", da TV Globo, a Câmara dos Deputados decidiu ontem abrir processo
para cassar, por falta de decoro parlamentar, o deputado Sérgio Naya (PPB-MG), dono da
Sersan, responsável pela construção, na Barra, dos edifícios Palace 2 (que desabou
parcialmente, matando oito pessoas) e Palace 1, que terá de ser reforçado em sua
estrutura para não cair. O processo terá rito sumário, devendo ser concluído nos
próximos 20 dias. Levantamento do "JB" mostra que somente na Justiça do Rio
Sérgio Naya e suas empresas (Sersan e Matersan) enfrentam 187 processos cíveis e
criminais, a maioria por calote em fornecedores. Num dos processos, Naya é acionado por
sua própria construtora, a Sersan. (pág. 1 e 16 a 20)
- Constrangido com a posição do cunhado, o senador Ronaldo Cunha
Lima, e da maioria dos convencionais da Paraíba - que apóia a candidatura própria do
PMDB à Presidência da República -, o ministro Fernando Catão, da Secretaria de
Políticas Regionais, decidiu demitir-se hoje do cargo, em carta ao presidente Fernando
Henrique. Ontem, 30 dos 43 convencionais paraibanos declararam-se contra a reeleição.
(pág. 1 e 3)
- O Banco Central (BC) elevou ontem o rendimento das cadernetas de
poupança, que em fevereiro perderam R$ 3,069 bilhões. As aplicações com data de
aniversário em 28 de março vão render apenas 0,9171%, mas as que vencem em 2 de abril
vão garantir 1,5004% ao poupador. O que mudou foi o redutor usado no cálculo da Taxa
Referencial (TR). Mas como o BC deve anunciar hoje nova redução das taxas de juros, a
rentabilidade das cadernetas tende a voltar a cair ao longo do mês. (pág. 1 e 11)
- A toga e o ambiente solene não impediram que o presidente do
Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Martinho Campos, se atracasse ontem em
violento bate-boca com o vice, desembargador Luiz Carlos Guimarães, e com o
juiz-corregedor Bernardo Moreira Garcez na reunião que decidiria o destino de dois
funcionários, nomeados por Campos, que foram réus em processos cíveis e penais. Os
servidores não foram exonerados, mas, a sete meses das eleições, a sessão de baixarias
deixou fraturado o TRE - de um lado ficou o presidente; de outro, os demais seis
integrantes do tribunal. (...) (pág. 2)
- O Banco Central determinou ontem a liberação das contas pessoais
dos cinco controladores do Banco Vetor, uma das 17 instituições financeiras envolvidas
no esquema dos precatórios. A medida atendeu à decisão do juiz da 6ª Vara de
Falências e Concordatas do Rio de Janeiro, Bernardo Moreira Garcez Neto. Foram liberados
patrimônios de Fábio Barreto Nahoum, Ronaldo Ganon, Mauro Enrico Barreto Nahoum,
Gilberto Duarte Prado e Fernando Antônio da Costa Azevedo. (...) (pág. 2)
- O candidato à Presidência pelo PPS, Ciro Gomes, acusou ontem o
presidente Fernando Henrique de ser o principal responsável pela manutenção de
práticas de fisiologismo político em seu Governo. "Fisiológico é o professor
Cardoso; é fisiológico de alto coturno. É pior que o Sarney, que distribuiu concessões
de rádio. Fernando Henrique distribuiu dinheiro do BNDES claramente para aprovar a emenda
da reeleição", disse Ciro. (...) (pág. 2)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou ontem, em cerimônia
fechada no Palácio do Planalto, a lei que pune a prática de lavagem de dinheiro e a
ocultação ilegal de bens, direitos e valores. Segundo o relator do projeto no Senado,
Romeu Tuma (PFL-SP), o próximo passo do Governo será obter acordos com os países
considerados "paraísos fiscais", para aumentar a fiscalização das
movimentações financeiras de brasileiros. (...) (pág. 5)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: R$ 120,00. Dólar comercial: R$
1,1298 (compra), R$ 1,1306 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,160 (compra), R$ 1,180 (venda).
Dólar turismo: R$ 1,1351 (compra), R$ 1,1359 (venda). TR do dia 04.02 a 04.03: 0,4613%.
TBF do dia 02.03 a 02.04: 2,3639%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Castelos de areia"- Do deputado fluminense Gustavo de
Faria, que meteu a mão no dinheiro da previdência dos colegas, ao deputado Sérgio Naya,
que constrói edifícios como se estivesse construindo castelos de areia, o instituto da
imunidade parlamentar continua a fazer água por todos os lados, mas ainda flutua. Alguns
graves crimes foram cometidos no Brasil à sombra de um privilégio sem razão de ser,
mantido apenas porque se deu à classe política o direito de julgar a si própria,
justificando assim crimes comuns, agressões, fraudes, tráfico de drogas.
Algumas exceções, raras diante da enormidade de
alguns delitos, justificam a regra. O caso do deputado Naya está sendo tratado como
isolado, e a possível licença para processá-lo, e até mesmo sua cassação, não
apagam a evidência de que a corporação como um todo se protege da acusação de delitos
comuns como se estivesse garantindo direito de opinião política. Todas as corporações
se julgam acima da sociedade, e é bom inocentar o acusado de hoje para prevenir a
acusação contra si mesmo amanhã. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - O senador
Jáder Barbalho, que presidirá o PMDB se o partido resolver domingo apoiar Fernando
Henrique Cardoso, é assim um homem "pão-pão, queijo-queijo". Como tal, já
que a definição é de sua própria autoria, antecipa sem vacilações o que imagina
será o resultado da convenção peemedebista que decide se o partido terá candidato ou
se embarca desde já na canoa da reeleição: "Será uma decisão pragmática. Os
delegados, orientados pelas lideranças responsáveis, optarão por sobreviver, e não por
afundar politicamente". (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - O deputado Sérgio Naya não tem
saída.
Está fechada a porta do "golpe da renúncia", que evitaria a
cassação e abriria caminho para ele disputar um novo mandato em outubro.
Segundo Mozart Vianna, secretário-geral da Mesa da Câmara, a partir
do momento em que foi feita a representação da Mesa contra Naya "o processo foi
oficialmente deflagrado". A representação, encaminhada ontem, por volta das 15h, à
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, é a peça inicial do processo. Assim,
se o parlamentar renunciar, o golpe não surtirá efeito. O processo de renúncia ficará
parado até o desfecho do processo de cassação.
Se for cassado, Sérgio Naya perderá o resto do mandato e ficará
inelegível por oito anos. Se for absolvido, a renúncia valerá.
A fita de vídeo mostrada pela TV Globo, anexada ao processo, é uma
peça fundamental para caracterizar a falta de decoro parlamentar. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Câmara abre processo para Cassar Naya
- A Mesa da Câmara pediu a cassação do mandato do deputado Sérgio
Naya (PPB- MG), dono da construtora Sersan, responsável pelo prédio que desabou dia 22
passado no Rio, matando oito pessoas.
A decisão foi unânime e o processo deverá durar 20 dias, segundo o
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). A Mesa considerou que Naya praticou
irregularidades no exercício do mandato. (...) (pág. 1 e cad. Cotidiano)
- Em carta à Câmara, o deputado Sérgio Naya se diz "vítima de
linchamento público". Ele negou ser o responsável pela obra do Palace 2. Em outra
nota, Naya declara que abre mão de sua imunidade parlamentar.
Sobre o vídeo no qual diz que falsificou assinatura de um governador,
afirma que "quis demonstrar que gozava de prestígio". Diz ainda que procura,
como deputado, "auxiliar a população desvalida". (pág. 1 e 3-3)
- Laudo da prefeitura do Rio aponta problemas na estrutura do Palace I,
vizinho do prédio que foi implodido sábado, e que há risco para os moradores. A
construtora Sersan foi intimada a recuperar o edifício.
Sérgio Domingues, diretor da Sersan acusado por ex-moradores de ser o
engenheiro do Palace 2 - onde ele tinha dois apartamentos -, afirmou que Sérgio Naya era
o responsável pela obra. (pág. 1, 3-4 e 3-5)
- O fato de haver um espanto que só fica nisso - no espanto - é que
há de mais espantoso no Brasil. A cada descaso, seria de esperar mobilização da
população. No caso da Sersan: como não se cria movimento para rever a imunidade
parlamentar? (Marcelo Coelho, da Equipe de Articulistas) (pág. 1 e 4-7)
- A exposição do estilo vergonhoso de Sérgio Naya é suficiente para
sua cassação. Mas após dias de cobertura, perdemo-nos num festival de indignação,
deixando de lado a abordagem técnica da questão, necessária para apurar
responsabilidades. (Luís Nassif, do Conselho Editorial) (pág. 1 e 2-3)
- Poupanças com "aniversário" nos dias 1º e 2º de março
receberão créditos de 1,4040% e 1,5054%, respectivamente. Além do maior número de dias
úteis no mês, o rendimento melhorou porque o redutor da TR caiu de 1,63% para 1,35%,
devido à queda dos juros.
A Caixa Econômica Federal quer que todos os financiamentos do SFH
tenham as prestações corrigidas mensalmente, pela TR. (pág. 1 e 2-1)
- A Suprema Corte de Justiça do Paraguai decidiu paralisar o
julgamento militar de Lino Oviedo, candidato à Presidência pelo Partido Colorado (no
poder) e adversário do presidente, Juan Carlos Wasmosy.
Recursos dos advogados do general da reserva questiona a
constitucionalidade do julgamento no âmbito militar. Oviedo completou ontem 81 dias na
prisão, por ordem de Wasmosy. Parlamentares de Brasil, Argentina e Uruguai viajarão para
Assunção amanhã para discutir a situação. (pág. 1 e 1-14)
- A USP, Unesp e Unicamp vão se associar ao MIT (Instituto
Massachusetts de Tecnologia) em programa que visa incrementar parcerias entre
pesquisadores e empresas. Projetos terão R$ 6 milhões em dois anos. (pág. 1 e 3-8)
EDITORIAL
"Moralização pelo voto"- A Câmara dos Deputados reagiu
de forma positiva às pressões da sociedade ao iniciar com agilidade o processo de
cassação do deputado Sérgio Naya (PPB-MG). É, aliás, da sociedade, soberana na
escolha de seus representantes, que deve partir o primeiro impulso para que não apenas
sejam destituídos os maus representantes como, mais importante, que se escolham
congressistas de bom nível técnico, político e moral. (...)
A Câmara ainda deve à sociedade - que, é bom
frisar, precisa pressioná-la muito mais do que o faz - explicações a respeito de outros
cinco processos de cassação. São três por compra de voto, um por aluguel de mandato e
outro por cobrança de propina de empreiteira -, emperrados por corporativismo ou motivos
ainda menos confessáveis. (...)
Mas, enfim, é preciso ressaltar mais uma vez que as medidas
moralizadoras que eventualmente venham a ser tomadas neste caso pelo Congresso, de
qualquer modo fundamentais, jamais vão substituir o voto consciente dos cidadãos, este
sim capaz de elevar o nível do Parlamento. (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Com a vitória dos oposicionistas na
reunião de ontem do PMDB da Paraíba, Fernando Catão, que é do estado, pediu audiência
hoje a FHC para entregar carta de demissão da Secretaria de Políticas Regionais.
_* FHC deve aceitar a demissão de Fernando Catão. Foi aconselhado a
endurecer com os peemedebistas. Não pode manter alguém que esteve usufruindo do Governo
durante anos e, na hora H, virou-lhe as costas.
_* O Presidente se afastou do corpo-a-corpo com os peemedebistas para
tentar vencer a convenção de domingo. Viu que cometeu um erro ao receber políticos que
lhe disseram não. Jogou a bola para os governistas da sigla. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Câmara inicia processo para cassar Naya
- A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara iniciou ontem o
processo de cassação do deputado Sérgio Naya (PPB-MG), por quebra do decoro
parlamentar. O processo torna inútil, do ponto de vista jurídico, a intenção de Naya
de renunciar para evitar as punições e voltar no ano que vem com novo mandato. Além
disso, a comissão de ética e a executiva nacional do PPB reúnem-se hoje para
expulsá-lo do partido, o que seria suficiente para tornar o deputado inelegível em
outubro. O prazo para filiação partidária de candidatos terminou em dezembro. O que
pesou contra Naya foram suas revelações, gravadas em vídeo, de que tinha falsificado a
assinatura do governador de Minas e se apropriado de uma draga de quase US$ 1 milhão. Na
mesma fita, confessa prática de contrabando e o uso de material de segunda mão em suas
obras. Trata-se, na opinião dos congressistas, de crime político, porque tudo o que ele
falou foi como deputado. O processo de cassação deverá ser realizado em prazo recorde.
(pág. 1 e A4)
_* O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA),
receberá esta semana a proposta de emenda constitucional que acaba com a imunidade
parlamentar para crimes comuns. Com isso, parlamentares terão o mesmo tratamento dos
cidadãos. (pág. 1 e A6)
- A estrutura do Edifício Palace 1 (vizinho do Palace 2, implodido no
sábado) está em "colapso", pois houve ruptura de toda a base do prédio,
conforme laudo da Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio. O laudo determina a execução
de obras prioritárias para a reocupação dos apartamentos. O diretor do Departamento de
Vistoria, Marcel Iglicky, não afastou o risco de desabamento, como no caso do Palace 2.
Disse, porém, que o prédio é recuperável. (pág. 1 e C1)
- As águas do Rio Ribeira do Iguape devem atingir hoje, com maior
intensidade, Iguape, no Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo. Ontem, a chuva deu
uma trégua na região, mas antes castigou Registro, onde o nível das águas subia de 2 a
3 centímetros por hora, durante a madrugada. (...) (pág. 1 e C5)
- O Banco Central divulgou ontem o novo redutor da Taxa Referencial de
Juros (TR) para o mês de março, que corresponde a 1,0135. Como o redutor da TR para este
mês ficou menor do que em fevereiro, o ganho da caderneta de poupança será maior. Pelo
novo redutor, a TR, que foi de 0,47771% no dia 2 de fevereiro, ficou em 1,0004% no dia 2
de março, com o rendimento da poupança no dia 2 de abril saltando para 1,5054%, maior
que o porcentual creditado no vencimento anterior da caderneta, 2 de março, que foi de
0,9795%. No mês passado, a caderneta rendeu de 0,7442% a 0,9795%, conforme a data de
vencimento, enquanto os fundos de 30 dias, concorrentes mais diretos da caderneta,
pagaram, em média, 1,60% e os de 60 dias, 1,66%, já descontado o Imposto de Renda. Este
mês, o rendimento é de 1,4040%. Já os fundos de 30 dias estão com rentabilidade
estimada em 1,62%; os de 60 dias, em 1,77%. Em março, a caderneta terá remuneração
mais próxima da dos fundos. (pág. 1 e B1)
- O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu ontem ao
Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determine a abertura de inquérito contra os
governadores de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), e de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira
(PMDB). Ambos são acusados de emitir irregularmente, em 95 e 96, títulos para o
pagamento de precatórios e de usar o dinheiro captado para outras finalidades. Anteontem
Brindeiro havia encaminhado ao STJ pedido de inquérito contra o ex-governador de Alagoas,
Divaldo Suruagy, pelo mesmo motivo. (pág. 1)
- O Ministério da Educação (MEC) autorizou as universidades federais
a contratar professores para suprir vagas existentes e decidiu rever os valores pagos para
ocupantes de cargos de chefia. "A revisão dos valores das funções dirigentes será
discutida com os reitores em Belo Horizonte no fim da semana", afirmou Abílio Baeta
Neves, diretor de Ensino Superior do MEC. Ele disse ainda que o Governo prepara uma
redefinição dos quadros de docentes das Instituições Federais de Ensino Superior
(Ifes). (pág. 1 e A9)
- O Ministério da Aeronáutica começou ontem a rastrear todos os
aviões que estão no nome do deputado Sérgio Naya (PPB-MG), da empresa Sersan, e da
Sersan Táxi-Aéreo. A Aeronáutica vai apreender todos aviões para impedir que o
deputado saia do País, conforme determinação do juiz da 20ª Vara Cível do Rio,
Rogério de Oliveira e Souza. (...) (pág. A7)
- O Governo pretende permitir a exploração de madeira e outros
produtos naturais, pela iniciativa privada, em 15 milhões de hectares de florestas
tropicais. Um projeto de lei sobre o assunto deve ser enviado até o fim do mês ao
Congresso, com o objetivo de criar uma rede de florestas aberta para a exploração, em
regime de manejo sustentado, informou o ministro do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos
e da Amazônia Legal, Gustavo Krause. (...) (pág. A10)
- Na tentativa de contornar a crise decorrente do desligamento de três
juristas da comissão que estuda alterações no Código Penal, o ministro Íris Rezende
anunciou ontem que todas as mudanças propostas serão discutidas pela sociedade. "O
que ocorreu foi um equívoco", disse o ministro, referindo-se à decisão de Miguel
Reali Júnior, René Dotti e Juarez Tavares. Eles deixaram a comissão sob o argumento de
que os trabalhos estão sendo feitos de forma acelerada para render dividendos políticos
ao ministro. (...) (pág. A10)
EDITORIAL
"Como a Itália virou um país sério" - A ascensão do
primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, foi saudada por nossas esquerdas como um dos
indicadores da volta por cima do socialismo de fé marxista. Erro crasso: seu propósito
é a reforma do antigo Estado social. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Aliados do Governo chegaram
ao Congresso já preocupados com os novos números sobre a taxa de desemprego no País:
perto de 8%. Portanto, bem acima dos 5,5% ou 6% que vêm sendo registrados nos últimos
meses.
Os mesmos aliados não deixam de lembrar que isso é consequência das
altas taxas de juros.
_* Os defensores da candidatura própria do PMDB animaram-se com a
decisão do partido na Paraíba de seguir Ronaldo Cunha Lima - e votar contra FHC. Mas
quem sabe das coisas lembra: na convenção, o voto é secreto. (pág. A6)
O
GLOBO
- Câmara abre processo sumário para cassar Naya
- O processo de cassação do mandato do deputado Sérgio Naya foi
aberto ontem e terá rito sumário. Diante da gravidade da situação do parlamentar, o
presidente da Câmara, Michel Temer, desconsiderou a necessidade de sindicância na
Corregedoria da Casa, pedindo a cassação diretamente à Comissão de Constituição e
Justiça. Com o processo aberto, Naya não poderá mais renunciar para escapar da
cassação. No Rio, o Crea decidiu, por unanimidade, impedir em caráter definitivo que
Naya assine obras no estado como engenheiro. A juíza Célia Maria Pessoa, da 4ª Vara de
Falências e Concordatas, deferiu liminar que torna indisponíveis todos os bens do
deputado. O laudo da prefeitura sobre o edifício Palace I, antecipado pelo
"Globo", confirma a necessidade de obras urgentes para evitar que o prédio
desabe. (pág. 1 e 10 a 17)
- Depois de um mês marcado por perdas acima de R$ 3 bilhões, as
cadernetas deverão recuperar um pouco a competitividade em relação aos CDBs e aos
fundos de renda fixa. Ontem, o Banco Central anunciou que o redutor da taxa de juros
referencial (TR), base da remuneração da poupança, cairá de 1,63% para 1,35% em
março, elevando o rendimento incidente sobre os depósitos. Enquanto as cadernetas
abertas no último dia de fevereiro renderão 0,92% em 28 de março, por causa do redutor
antigo, os depósitos efetuados na última segunda-feira terão correção de 1,50% em 2
de abril. (pág. 1 e 21)
- Uma má notícia abalou ontem a reunião da Câmara de Política
Econômica, em Brasília: a taxa de desemprego calculada pelo IBGE, superou os 7% em
janeiro, índice que não era registrado desde o início dos anos 80, informa Míriam
Leitão. Em relação a dezembro do ano passado, quando a taxa ficou em 5,53%, houve um
aumento significativo, revelando que a alta de juros teve forte impacto sobre a atividade
enconômica do País. Em compensação, a entrada de recursos externos já bateu US$ 1,1
bilhão em março. (pág. 1 e 22)
- O candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, organizou para a
semana que vem um seminário sobre o tema "Um projeto de desenvolvimento para o
Brasil", com o objetivo de recolher subsídios para seu programa de governo. Entre os
convidados estão o empresário Antônio Ermírio de Moraes, João Sayad (ex-ministro do
Planejamento do governo Sarney) e o senador tucano José Serra. (pág. 2 e 4)
- O ministro da Justiça, Íris Rezende, admitiu ontem a possibilidade
de criar uma comissão revisora para vistoriar as conclusões do grupo de juristas que
elabora o anteprojeto de reforma do Código Penal. Ontem, três integrantes do grupo
renunciaram reclamando do prazo curto, que termina dia 16. Ele não foi ampliado. O
Governo não conseguiu substitutos para a função. (pág. 2 e 9)
- A América Latina e o Brasil estão entre as prioridades de
investimento da Itália em 1998, disse ontem o primeiro-ministro Romano Prodi, em visita
oficial ao País. Segundo Prodi, que veio acompanhado de 70 empresários, o Mercosul se
tornou uma das áreas mais importantes para a Europa, em função do potencial de mercado.
Há interesse em telecomunicações, energia, gás e petróleo. (pág. 2 e 25)
- O preço do apoio do PMDB de Santa Catarina à reeleição de
Fernando Henrique Cardoso, na convenção do próximo domingo, é R$ 1,9 bilhão. O
Governo federal está negociando com o governador Paulo Afonso o acordo da dívida do
estado, que tem de estar aprovado pelo Senado até o fim do mês. O governador reunirá
seu grupo no sábado para decidir como votarão. Ao mesmo tempo, Paulo Afonso conseguiu
ontem uma importante vitória política, com a desistência do Ministério Público
federal de apresentar denúncia criminal contra ele na Justiça, pelo escândalo dos
precatórios. A Procuradoria Geral da República não vai mais apresentar a denúncia ao
Superior Tribunal de Justiça, optando pelo pedido de abertura de um inquérito policial,
apenas. (...) (pág. 3)
- O Governo sofreu ontem uma derrota significativa no PMDB. O
Diretório Regional da Paraíba, quarto maior colégio eleitoral do partido na convenção
nacional de domingo, decidiu apoiar o lançamento de candidatura à Presidência. Dos 46
votos de convencionais da Paraíba, 30 serão pelo candidatura, seguindo a orientação do
senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB).
Mesmo com o apoio do governador José Maranhão, o presidente Fernando
Henrique Cardoso não conseguiu convencer a maioria dos paraibanos a apoiar a reeleição.
O paraibano Fernando Catão, cunhado de Cunha Lima, anunciou que deixará a Secretaria de
Desenvolvimento Regional, que controla a distribuição de verbas para o Nordeste e é
considerada a terceira pasta do PMDB, com status de ministério. (...) (pág. 3)
EDITORIAL
"Proposta infeliz" - É infeliz a proposta de redução de
penas para o crime de sequestro apresentada pela comissão do Ministério da Justiça que
prepara a reforma do Código Penal. Seu maior pecado é ir na contramão da tendência da
sociedade brasileira que, ameaçada pela violência, exige rigor na punição de
criminosos - especialmente de culpados de crimes hediondos.
De fato, a legislação atual pune com mais
severidade o sequestro seguido de morte do que o homicídio qualificado. Mas, nesse caso,
o correto seria tornar mais pesadas as penas do assassinato cometido por motivo torpe, à
traição, ou de emboscada. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A
convenção do PMDB e o destino do deputado Sérgio Naya são episódios sem qualquer
relação direta, mas acabaram se encontrando. Naya deve ser cassado e expulso do PPB, mas
o episódio deve render ainda o desengavetamento dos mais de 70 pedidos de licença do STF
para processar deputados e senadores. Entre eles, está o senador paraibano Ronaldo Cunha
Lima, agora uma espécie de fiel da balança do PMDB. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - O deputado Sérgio Naya prometeu a um amigo, ontem
à noite, que comparecerá, hoje, à reunião da Executiva do PPB:
"Não serei expulso calado". Ou seja: será expulso gritando.
(pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Cassação de Sérgio Naya será rápida
- Pelo menos politicamente, o futuro do empreiteiro-deputado Sérgio
Naya (PPB- MG) está selado. Hoje, o PPB se reúne para expulsá-lo do partido por falta
de ética. Na Câmara, ele deve perder o mandato por quebra do decoro parlamentar no
máximo em 20 dias. Expulso do PPB, Naya ficará sem legenda e não poderá disputar
cargos públicos na próxima eleição, pois já se esgotou o prazo de filiação
partidária. Cassado pela Câmara, ele perderá os direitos políticos por oito anos. As
chances de que ele escape às punições são quase nulas. Primeiro, porque o PPB sequer
lhe dará direito de defesa. Depois, porque não poderá renunciar para escapar da perda
dos direitos políticos uma vez que o processo de cassação na Câmara já foi inciado.
(pág. 1, 6 a 8)
- Pelo menos por dois dias, os dois primeiros dias do próximo mês, a
caderneta de poupança voltará a ser a grande estrela do mercado financeiro. Isso vai
acontecer porque o Banco Central decidiu mexer, ontem, no redutor da Taxa Referencial de
Juros (TR). Com a mudança, o rendimento da poupança que aniversaria no dia 2 de abril,
por exemplo, será de 1,5054% - cerca de 50% a mais do que foi pago à poupança que
aniversariou no último dia 2. No comércio do Distrito Federal, os lojistas estão
assustados com o aumento da taxa de inadimplência. De cada R$ 100 em compras feitas hoje,
R$ 5,3 não estão sendo pagos. Só no mês passado, de cada três devedores apenas um
quitou o seu débito. Por isso, as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)
estão crescendo e os empresários começam a fazer uma série de exigências para vender
a crédito. (pág. 1 e 11)
- Estão perdoadas as multas por excesso de velocidade registradas
pelas barreiras eletrônicas e pardais instalados no Distrito Federal entre novembro de
1996 e janeiro deste ano. Quem ainda não pagou não precisa pagar. E quem já pagou terá
direito à devolução do dinheiro. A decisão é da Câmara Legislativa, que ontem
derrubou o veto do governador Cristovam Buarque ao projeto do deputado Luiz Estevão
(PMDB) anistiando motoristas infratores. (pág. 1, 2 e 10)
- Conselho de Segurança da ONU aprova acordo com o Iraque. Mas
ressalva que haverá "sérias consequências" se Saddam descumprir o pacto.
(pág. 1 e 3)
- Caso o projeto de lei dos planos de saúde seja aprovado, seguradoras
calculam que terão de aumentar mensalidades em até 100%. (pág. 1 e 14)
- (Assunção) - Mais um capítulo da crise política no Paraguai. A
Aliança Democrática, coalizão dos partidos da oposição, acusou o governo de atentar
contra a Constituição ao propor o adiamento das eleições presidenciais, previstas para
10 de maio próximo. (...) (pág. 5) .b2
ZERO
HORA
- A partir de hoje, quem praticar o crime de lavagem
de dinheiro terá pela frente uma rigorosa punição, com a entrada em vigor da Lei sobre
Crimes de Ocultação de Bens e Valores, sancionada ontem pelo presidente Fernando
Henrique Cardoso. Bem mais duro que a legislação relativa a crimes contra o sistema
financeiro - mais conhecida como a Lei do Colarinho Branco -, o texto sobre os crimes de
lavagem de dinheiro ou ocultação de bens prevê pena de três a dez anos de reclusão
para o crime, que é inafiançável e não dá direito ao réu de responder em liberdade.
A lei inova ainda ao criar a figura da colaboração espontânea - quem auxiliar a
Justiça na apuração do crime terá a pena reduzida, podendo, inclusive, cumpri-la em
regime aberto. (pág. 8)
- O governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira, espera até
sexta-feira que o Governo federal libere os R$ 150 milhões necessários para pagar
salários atrasados - o 13º do funcionalismo ainda não foi pago -, retomar as obras da
Via Expressa Sul, em Florianópolis, e construir casas populares em vários municípios
catarinenses. A liberação dos recursos vai decidir os votos favoráveis ao presidente
Fernando Henrique Cardoso na convenção do PMDB, no próximo domingo. Na semana passada,
FH ligou para o senador Casildo Maldaner, integrante do grupo de Paulo Afonso e presidente
estadual do PMDB, pedindo empenho na convenção. O Presidente deixou claro que não
gostaria de perder o apoio do partido. "Eu preciso do PMDB", insistiu. (pág.
14)
- Em seu último dia em solo brasileiro, a Marcha Global contra o
Trabalho Infantil arrebanhou dois pequenos gaúchos. Antônio César Prezniska, 12 anos, e
Josiane Fernandes Labres, 10, que até meses atrás trabalhavam na indústria, se
incorporaram ao grupo de meninos e de meninas que desde janeiro atravessa o planeta para
contar suas experiências e conscientizar a população de que criança tem de ficar longe
de lavouras e de linhas de produção. Ontem, antes de partir rumo ao Uruguai, a marcha
passou por Porto Alegre, sendo recebida pelo governador do estado, Antônio Britto, e pelo
vice-prefeito, José Fortunati. (pág. 54)
CORREIO
DO POVO
- A passagem da Marcha Global contra o Trabalho
Infantil por Porto Alegre foi marcada pela entrega da chave da cidade aos integrantes do
grupo pelo vice- prefeito, José Fortunati, na manhã de ontem. Os 20 manifestantes, que
partem hoje em direção ao Uruguai, visitaram ontem três Núcleos de Apoio
Sócio-Familiar (Nasf) da Fundação de Educação Social e Comunitária (Fesc) do
município, a sede da Aldeia SOS e a Assembéia Legislativa do estado e terminaram as
atividades no Brasil com um ato-show realizado no Largo Glênio Peres, no final da tarde.
(pág. 1)
- As decisões favoráveis da Justiça à reintegração das fazendas
invadidas pelos sem-terra no estado foram interpretadas pelo presidente da Farsul, Carlos
Sperotto, como "medidas enérgicas que estão surgindo nos poderes Judiciário e
Executivo, incluindo a manifestação do presidente da República". Destacou ainda
que as invasões são repudiadas por toda a sociedade. (pág. 1)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- Fim da imunidade para crimes comuns
CORREIO DA
BAHIA
- Vitória aplica goleada histórica no Flamengo
CORREIO DO
POVO (RS)
- Câmara abre processo contra Naya e impede a sua renúncia
ZERO HORA
(RS)
- Poupança pagará mais em abril

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |