
05/03/1998
JORNAL DO BRASIL
- FH também quer Naya cassado
- O presidente Fernando Henrique recebeu ontem uma comissão de
ex-moradores do edifício Palace II, na Barra - implodido após desabar parcialmente,
matando oito pessoas -, e apoiou publicamente a cassação do mandato do deputado federal
Sérgio Naya, dono da empresa que construiu o prédio. "Quem faz declarações
irresponsáveis não pode estar entre os que julgam o destino do País", afirmou,
referindo-se ao vídeo no qual Naya confessa ter falsificado a assinatura de um
ex-governador de Minas. Naya foi expulso ontem do PPB. Em entrevistas às TVs Bandeirantes
e Record, o deputado rebateu as acusações contra as obras da Sersan, sua construtora, e
hoje, no plenário da Câmara, apresentará defesa no processo de cassação. Para rolar
uma dívida de R$ 13 milhões com o Banco do Brasil, Naya deu como garantia os edifícios
Palace II, que caiu, e o Palace I, que terá de ser reforçado para não desabar. (pág.
1, 18, 19 e 19A)
- O Banco Central anunciou ontem um corte significativo nas taxas de
juros. A Taxa Básica do Banco Central (TBC) caiu de 34,5% para 28% ao ano, enquanto a
Taxa de Assistência do Banco Central (TBAN) passou de 42% para 38%. Apesar de a queda ter
sido até maior que o esperado pelo mercado financeiro, ela deverá ter pouca influência
sobre os juros pagos pelas empresas e os do crédito ao consumidor. (pág. 1 e 15)
- "Não vai haver golpe no Paraguai", garantiu o presidente
Juan Carlos Wasmosy, em entrevista ontem à noite ao "JB", desmentindo rumores
de que pretende adiar a eleição presidencial de 10 de maio. Ontem terminou o prazo para
a inscrição dos candidatos à eleição, mas o Partido Colorado, de Wasmosy, não
apresentou nome alternativo ao do general reformado Lino César Oviedo, que está preso
por tentativa de golpe, mas vai concorrer. (pág. 1 e 11)
- A taxa de desemprego saltou de 4,25% em dezembro para 7,25% em
janeiro e foi a mais alta desde 1985. Na região metropolitana de São Paulo, a taxa
chegou a 8,51%, e no Rio, a 4,96%, a menor do País, segundo o IBGE. Diante desses
números, o Governo decidiu aumentar o seguro-desemprego de cinco para seis meses. O
crescimento do desemprego também pesou na decisão do Governo de cortar mais os juros.
(pág. 1, 13 e 14)
- A preocupação com a imagem do Judiciário no Rio de Janeiro a sete
meses das eleições levou ontem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro
Ilmar Galvão, a chamar a Brasília o presidente do Tribunal Regional Eleitoral,
desembargador Martinho Campos, que na terça-feira envolveu-se em acirrado bate- boca com
o vice-presidente e o juiz-corregedor do tribunal. A expectativa de Galvão é a de que,
em reunião marcada para amanhã, Campos relate os desentendimentos com os outros seis
integrantes do TRE, incluída a nomeação de dois funcionários que foram réus em
processos cíveis e penais. (...) (pág. 2)
- Os governistas do PMDB montaram uma operação bem sucedida para
impedir que o ministro Fernando Catão, chefe da Secretaria de Políticas Regionais,
entregasse ontem seu pedido de demissão ao presidente Fernando Henrique Cardoso, como
estava decidido no dia anterior. Catão resolvera deixar o Governo depois de uma reunião
do partido na Paraíba, em que ficou constatado que os defensores da candidatura própria
do PMDB à Presidência da República teriam a maioria dos 46 votos na convenção de
domingo, vencendo os que querem apoiar a reeleição de Fernando Henrique. (...) (pág. 3)
- O Supremo Tribunal Federal (STF) negou ontem, por unanimidade, a
extradição de Karl-Heinz Schaab, de 64 anos, acusado pelo governo alemão de crime
contra a segurança externa, por ter passado ao Iraque, na década de 80, material
estratégico sigiloso de caráter nuclear.
Seguindo o voto do relator, Luiz Octávio Gallotti, o tribunal entendeu
que o governo da Alemanha não provou motivação de lucro, considerando o crime de
caráter político e, portanto, insuscetível de extradição. (...) (pág. 5)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (março) R$ 120,00. Dólar
comercial: (compra) R$ 1,1306, (venda) R$ 1,1314. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,175,
(venda) R$ 1,185. Dólar turismo: (compra) R$ 1,1361, (venda) 1,1369. TR do dia 5.02 a
5.03: 0,4127%. TBF do dia 3.03 a 3.04: 2,3324%. (pág. 1)
EDITORIAL
Geléia geral" - É sintomático que o
ministro-chefe da Secretaria de Políticas Regionais, Fernando Catão, homem público do
Nordeste a serviço do Nordeste - que abandonou o cargo constrangido com a indecisão do
seu PMDB entre ser Governo e fazer oposição - carregue esse sobrenome histórico. Seu
gesto revela que a questão é mais ética que política.
Marcos Portius Catão, 234-149 A., foi o severo
cônsul e censor romano que se celebrizou por pregar o retorno aos rígidos princípios
morais e à simplicidade de costumes dos primórdios da república. A postura do nosso
Catão aponta para a necessidade do retorno do PMDB às origens, ao tempo em que era a
única oposição possível e a adesão estava excluída.
Como poderia Fernando Catão ficar na pasta de Políticas Regionais
quando o senador Ronaldo Cunha Lima, seu cunhado e padrinho político, declarou ao
presidente Fernando Henrique, há duas semanas, que apoiaria a candidatura de Itamar
Franco? O desconforto, aliás, vinha de longe, pois é antiga a rebeldia do PMDB paraibano
na votação das emendas constitucionais de interesse da Nação. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Justiça seja
feita, o PMDB pode até não ser um partido exemplar, mas para quem tem sua morte
decretada de véspera há anos consegue como poucos mobilizar a cena política. Talvez
seja um defeito da política. Mas o fato é que Brasília - dado que o resto do País tem
muito mais o que fazer - está parada, eletrizada ante a expectativa da convenção de
domingo. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - Há uma grande hipocrisia na onda de
revolta no Congresso contra um de seus mais conhecidos parlamentares: o deputado Sérgio
Naya.
Foram necessários oito mortes - o número de corpos resgatados dos
escombros do edifício Palace II, na Barra da Tijuca, no Rio - para que, ressalvadas as
exceções, passassem a repudiar Naya, com o qual conviveram em integração e harmonia
até a véspera da tragédia. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
" - Desemprego é o maior em 13 anos
- A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do
País atingiu, em janeiro, 7,25% da PEA (População Economicamente Ativa), contra 4,84%
em dezembro. É a maior já registrada em 13 anos - desde os 7,32% de agosto de 84. Havia
1.270.810 pessoas à procura de emprego em janeiro; eram 831.675 em dezembro.
O IBGE atribui a elevação da taxa de desemprego ao aumento de 1,4% da
PEA, que chegou a 17.494.038 pessoas. Dos 439 mil agregados à população sem ocupação,
40% são oriundos do setor de serviços, e 22%, do industrial.
Em São Paulo, a taxa geral foi de 8,51%, a maior registrada desde 83.
A região estava com 643.738 pessoas procurando emprego em janeiro, contra 383.371 no mês
anterior. O ministro Pedro Malan (Fazenda) disse ser "verdade" que o aumento do
desemprego está relacionado à alta das taxas de juros. (pág. 1, 2-1 e 2- 4)
- O Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 34,5% para 28%
anuais, uma queda maior do que a esperada pelo mercado, que apostava em 31%. A taxa é
cobrada pelo BC em empréstimos a bancos. Essa foi a quarta redução desde 30 de outubro,
quando o Governo dobrou os juros, que estavam em 18,7% para conter a saída de dólares
provocada pela crise asiática - no auge, US$ 10 bilhões deixaram o País.
A expectativa é que, em consequência, caiam juros de crediário,
cheques especiais e empréstimos. Aplicações financeiras também devem ter rendimento
menor. (pág. 1 e 2-3)
- (Assunção) - O general da reserva Lino Oviedo disse à
"Folha" que o governo do presidente paraguaio, Juan Carlos Wasmosy, está minado
pela corrupção. "Quando os que mandam perdem a vergonha, os que deveriam obedecer
perdem o respeito", afirmou o candidato a presidente, na cela em Assunção (capital)
onde está preso. Ele criticou o Exército e disse que, se as eleições forem adiadas, o
país sofrerá reação do Mercosul. (pág. 1 e 1-18)
- O deputado Sérgio Naya (MG) foi expulso ontem do PPB e está
impedido de se candidatar nas próximas eleições. O parlamentar, dono da construtora
responsável pelo prédio que desabou dia 22 passado no Rio e que admitiu, em vídeo, ter
cometido fraudes, não teve o direito de se defender. Ele não quis se pronunciar sobre a
decisão do partido. Marconi Perillo (PSDB-GO), relator do processo de cassação de Naya,
disse não ter dúvidas de que o deputado feriu o decoro parlamentar. (pág. 1 e 3-1)
- O temporal que atingiu a cidade de São Paulo na tarde de ontem
provocou 40 pontos de alagamento, quase todos intransitáveis. (...) O vento forte
entortou torre de 108 metros de altura em cima de edifício na Avenida Paulista. (...)
(pág. 1 e cad. Cotidiano)
- Arthur Antunes Coimbra, o Zico, 45, foi anunciado pela CBF como
coordenador técnico da Seleção Brasileira. (...) (pág. 1, 4-1 e 4-3)
- A comissão que estuda a modernização do Código Penal propôs
tornar crime o assédio sexual - hoje, é constrangimento ilegal. Se o novo código for
aprovado pelo Congresso, o assédio passará a ser punido com detenção de 6 meses a dois
anos ou multa. (pág. 1 e 3-10)
- O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse ontem que
todos os processos de cassação de deputados que já passaram pela Comissão de
Constituição e Justiça serão votados pelo plenário da Casa "imediatamente"
após a decisão sobre Sérgio Naya. Com o pedido de cassação do deputado Sérgio Naya
(PPB-MG), a Câmara tem agora oito parlamentares sendo processados por falta de decoro.
Cinco deles esperam apenas a última fase do processo, a votação no plenário. (...)
(pág. 1-4)
- O ex-presidente Fernando Collor de Mello teve ontem acatado um pedido
de ação cautelar que restabeleceu temporariamente seus direitos políticos. A sentença
será publicada hoje no "Diário Oficial" de Alagoas. Collor está no direito de
se candidatar, inclusive, à Presidência da República, como deseja. Ele hoje mora em
Miami (EUA). A ação favorável ao ex-presidente pode ser derrubada com recursos feitos
ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas. (...) (pág. 1-4)
EDITORIAL
"Pobreza política" - A eleição de Fernando Henrique
Cardoso fomentou a expectativa de que o Governo teoricamente liderado pela
social-democracia tucana insuflaria ar fresco na grande política e na administração
pública brasileiras. Esperança, aliás, reforçada pelo próprio Presidente nessa carta
de intenções que é o discurso de posse e pela própria carreira e idéias de sociólogo
e político progressista.
Seria injusto dizer que essa expectativa se frustrou
de todo, mas não é impróprio afirmar que, no que diz respeito à política, a
esperança foi se dissolvendo a cada acordo ou negociação menor ou indevida com os
partidos, se é que merecem esse nome as legendas brasileiras.
Reconheça-se que hoje parece haver menos negociatas na administração
pública; que o Governo de Fernando Henrique tem procurado extinguir cartórios que se
penduraram por décadas no Estado, o qual também é objeto de reformas importantes. (...)
(pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Depois de ser cobrado por FHC, Eliseu
Padilha fez uma reunião às pressas na casa de Michel Temer ontem na hora do almoço. O
Presidente queria saber se os governistas têm votos para vencer a convenção de domingo.
_* Os governistas do PMDB dissseram a FHC que eles têm garantidos 400
dos 696 votos da convenção. E que poderiam até ampliar o placar, desde que os aliados
fossem bem acariciados. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- BC surpreende mercado e baixa juros para 28%
- O Banco Central (BC) determinou ontem forte redução nos juros e
surpreendeu o mercado financeiro, que não esperava uma baixa tão acentuada. A Taxa
Básica (TBC) caiu de 34,5% para 28% ao ano, enquanto a Taxa de Assistência (TBAN) baixou
de 42% para 38%. Além de aliviar o peso dos juros em toda a atividade econômica, a
redução das taxas pode contribuir para a diminuição do desemprego, que chegou a 7,25%
em janeiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo IBGE. A queda não deverá
desestimular a entrada de capitais externos, que foi recorde em fevereiro US$ 6,28
bilhões líquidos e continua intensa. Mesmo em 28% ao ano, as taxas básicas dos juros
brasileiros ainda estão muito acima do nível mundial, permitindo ao investidor
estrangeiro obter ganhos nas aplicações no País. Para o diretor do BicBanco Paulo
Mallmann, o BC mostrou sensibilidade diante de um quadro mais estável e da recuperação
das reservas. Ele acredita que a taxa anual poderá chegar a 21% em junho. (pág. 1 e B1)
- A cidade de São Paulo viveu ontem momentos de pânico com os 50
minutos de chuva que atingiram a capital no fim da tarde. No centro, os motoristas tiveram
de abandonar seus carros e nadar na passagem subterrânea do Anhangabaú, onde a água
chegou a quase 3 metros de altura. (...) (pág. 1 e C1)
- A arrecadação do ICMS de 97 foi a segunda melhor da história do
tributo, perdendo apenas para 96. No total, os estados recolheram R$ 61,2 bilhões, valor
apenas 0,85% inferior, em termos reais, ao arrecadado no ano anterior. Esse desempenho, no
entanto, foi insuficiente para reduzir a crise financeira da maioria dos estados. Alguns
elevaram as alíquotas do ICMS de vários produtos a partir de janeiro para compensar as
perdas com a Lei Kandir. (pág. 1 e A7)
- O Governo não pode garantir que o resultado das contas públicas em
98 vá ser melhor que o déficit primário de 0,67% do PIB registrado em 97, apesar da
receita adicional de R$ 18,7 bilhões que os estados terão este ano por conta das
privatizações. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, garantiu que o resultado será
melhor, mas não arriscou previsões quanto aos estados e municípios, sobre os quais a
União tem apenas controles indiretos. (pág. 1 e B7)
- O PPB expulsou ontem do partido o deputado Sérgio Naya (MG), numa
decisão unânime dos 18 integrantes da comissão executiva presentes à reunião, em
Brasília. Segundo o presidente do PPB, Paulo Maluf, a expulsão ocorreu porque o deputado
confessou não ter ética política, em fita gravada durante encontro com vereadores de
Três Pontas (MG). Sem partido, Naya não pode mais tentar a reeleição. O deputado, dono
da Sersan, construtora do edifício Palace II, que desabou dia 22, no Rio, matando oito
pessoas, poderá ter os direitos políticos cassados. O presidente Fernando Henrique
Cardoso recebeu ontem comissão de ex- moradores do Palace II e defendeu a cassação de
Naya. "Tão grave quanto utilizar esse tipo de material criminoso (na construção do
prédio) é fazer declarações irresponsáveis", disse FHC, referindo-se à
gravação. (pág. 1, A4, A5, C3 e C5)
EDITORIAL
"O caldo de cultura de corrupção" - O senhor Sérgio
Naya fez o que fez porque encontrou guarida no ambiente político. Como tantos outros
meliantes famosos na crônica político-policial brasileira, foi buscar no Congresso a
imunidade que julgou necessária para se proteger. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Com taxas de juros tão
altas, o desemprego também foi para as alturas. No Congresso, além do caso Sérgio Naya,
só se fala na taxa de 7,95% anunciada ontem pelo IBGE. Os políticos observam: desta vez,
o problema não é sazonal, como gostam de dizer os economistas.
_* O presidente FHC saiu-se com essa em roda de políticos e diretores
do Banco Central, ontem no Palácio do Planalto: "O Banco Central está muito
independente, como nunca esteve; até eu demitir todos eles". Segundo um dos
presentes, FHC fez a brincadeira ao ser provocado sobre a necessidade de baixar as taxas
de juros. Mensagem captada pelos políticos: muitas vezes dá-se o recado numa
brincadeira. Não na demissão, mas na política de redução dos juros. (pág. A6)
O
GLOBO
- Desemprego e reservas forçam queda dos juros
- O Banco Central baixou ontem a taxa de juros básica da economia
(TBC) de 34,5% para 28% ao ano. A queda de 6,5 pontos percentuais foi a maior desde a
brusca alta para 40% em outubro, na crise na Ásia. Pesaram na decisão a entrada de
dólares no País, que até fevereiro atingiu US$ 5 bilhões, elevando as reservas, e o
fato de o Governo considerar que o pior da crise já passou. Os juros altos estavam
exercendo um impacto negativo sobre a economia, como revelou o índice de desemprego do
IBGE - antecipado pelo "Globo" - que pulou em janeiro de 4,84% para 7,25%,
atingindo 1,2 milhão de trabalhadores. (pag. 1 e 25 a 30)
- O deputado Sérgio Naya, responsável pela construção do prédio
que desabou na Barra, foi expulso ontem do PPB e praticamente banido da vida pública
pelos próximos quatro anos, já que não poderá mais se filiar a nova legenda a tempo de
disputar as eleições de outubro. Naya tem sete dias para recorrer. "Aqui
expulsamos. Se fosse em Cuba fuzilavam e acabavam logo com essa história", disse o
presidente do partido, Paulo Maluf. O presidente Fernando Henrique e os presidentes da
Câmara e do Senado receberam ex-moradores do Palace II. Fernando Henrique defendeu a
cassação do mandato de Naya. (pág. 1 e 11 a 21)
- A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem
projeto que legaliza o jogo do bicho sob tutela do Estado e permite a abertura de cassinos
nas cidades com potencial turístico ou onde não existam alternativas econômicas. Antes
de ir ao plenário do Senado, o projeto depende da aprovação de outra comissão, a de
Assuntos Econômicos, cujo presidente, o senador José Serra, é contra. Pelo projeto, o
bicheiro oficial receberia concessão de quatro anos renováveis. (pág. 1 e 8)
- O Brasil recuperou ontem US$ 10,6 milhões que a advogada Jorgina
Maria de Freitas havia roubado do INSS e enviado para o exterior. Pouco mais de US$ 8
milhões já foram transferidos para o Tesouro, nos últimos dois dias, pela embaixada em
Washington, que localizou os bens com a ajuda do escritório de advocacia Arnold _&
Porter. Os bens estavam em Miami, Panamá, Inglaterra, Cingapura e paraísos fiscais do
Caribe (Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Channel). (pág. 2 e 9)
- A comissão do Ministério da Justiça que faz a revisão do Código
Penal decidiu ontem incluir o crime de assédio sexual no anteprojeto que será enviado ao
Congresso. A comissão atendeu a pedido do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Mas
não houve consenso. Um dos integrantes criticou a redação do artigo e pedirá
alterações. A pena é reclusão de seis meses a dois anos. (pág. 2 e 10)
- Os estados terão disponíveis, em 1998, cerca de R$ 19 bilhões em
receitas da privatização e o Governo federal não tem como impedir que boa parte desses
recursos seja gasto em despesas correntes, aumentando o déficit público. Segundo afirmou
o ministro Malan, ontem, "vivemos numa Federação e numa democracia e não mais sob
a égide do AI-5. Há limites para o controle dos gastos". (pág. 2 e 33)
- Além da preocupação dos governistas com a possibilidade de uma
derrota, a convenção do PMDB pode ter azedado de vez as relações entre o presidente
Fernando Henrique Cardoso e o senador José Sarney (PMDB-AP). Segundo políticos a ele
ligados, Fernando Henrique ficou irritado com o pronunciamento de Sarney na TV em defesa
da candidatura própria que foi ao ar anteontem à noite, minutos antes de Sarney ser
recebido no Alvorada no jantar oferecido pelo Presidente ao primeiro-ministro da Itália,
Romano Prodi. Fernando Henrique não esperava um discurso tão enfático. A expectativa
positiva que o Governo vinha mantendo em relação ao resultado da convenção do PMDB no
próximo domingo já não se mantém, principalmente depois que 30 dos 46 delegados da
Paraíba optaram pela candidatura própria. Temendo que o partido negue apoio à
reeleição no domingo, um ministro ligado ao Presidente defendeu o adiamento da decisão
do PMDB. (...) (pág. 3)
- O governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira, comemorou ontem
a decisão da Procuradoria Geral da República de propor ao Superior Tribunal de Justiça
apenas a abertura de inquérito policial por sua participação no escândalo dos
precatórios - a emissão irregular de títulos públicos para o pagamento de dívidas
judiciais. Ele negou, entretanto, que tenha pressionado o presidente Fernando Henrique
Cardoso para interceder junto ao Ministério Público, que desde janeiro tinha pronta
denúncia contra o governador, acusando-o pelos crimes de peculato, improbidade
administrativa, falsidade ideológica e desvio de recursos públicos. (...) (pág. 3)
- (São Paulo) - A esquerda do PT não gostou de saber que o virtual
candidato do partido à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou o empresário
Antônio Ermírio de Moraes e o senador tucano José Serra para o seminário "Um
projeto de desenvolvimento para o Brasil", nos dias 9 e 10. O seminário poderá
servir de subsídio para seu programa de governo. Petistas da chamada ala radical
argumentam que as opiniões de Antônio Ermírio e de Serra já são suficientemente
conhecidas e que eles têm apenas algumas divergências com o presidente Fernando Henrique
Cardoso. (...) (pág. 4)
EDITORIAL
"Um futuro mais difícil" - A economia a ser obtida é
mínima, por qualquer critério de aferição, mas o Governo está decidido a gastar este
ano não mais de 90% do que gastou em 1997 em bolsas de estudo do CNPq e do Capes. Mais
grave ainda, será reduzida em 50% a verba destinada para bolsas novas. (...)
Quando se cortam investimentos em educação para
assegurar que a moeda permaneça estável, o que se está fazendo é garantir a segurança
do presente ao preço de um futuro mais difícil. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Os
deputados petistas Marcelo Déda e Milton Temer propuseram ontem à Procuradoria Geral da
República uma representação contra o presidente Fernando Henrique. Pedem a apuração
de sua responsabilidade na decisão do Banco do Brasil de não executar a dívida do
deputado Sérgio Naya, no valor de R$ 17 milhões. Anteontem, Ciro Gomes já usara o caso
como munição política, ao responsabilizar o fisiologismo do Governo. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - O deputado Paes de Andrade voltou eufórico a
Brasília, ontem, depois de uma visita a Vitória.
A maioria dos delegados capixabas à convenção do PMDB fechou com a
tese de que o partido deve lançar candidato próprio à Presidência da República.
Bloco na mão, Paes mostrou ao governador Vítor Buaiz que o Planalto
será derrotado, na decisão de domingo, por 30 votos. (pág. 18)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Juro cai e desemprego é o maior desde 1994
- Banco Central baixa a taxa básica de juros para 28% ao ano e IBGE
anuncia que o desemprego em janeiro foi de 7,25%. Em um mês, mais 439 mil pessoas foram
expulsas do mercado de trabalho. (pág. 1, 16 e 17)
- Em sua primeira entrevista à imprensa desde o desabamento do
edifício Palace II - que sua empresa, a Sersan, construiu no Rio -, o
empreiteiro-deputado Sérgio Naya (MG) tentou ontem negar os crimes confessados na fita
exibida pelo "Fantástico", da Rede Globo, no último domingo. Nervoso e suando
muito, ele afirmou às TVs Record e Bandeirantes que estava bêbado quando disse ter
falsificado a assinatura do governador de Minas, contrabandeado equipamentos hospitalares
e usado material de segunda mão em suas obras. "Eu realmente disse aquilo, mas minha
intenção foi distorcida pela TV", esquivou-se, sem convencer. Naya prometeu
indenizar os moradores do Palace sem esperar decisão da Justiça. Em Brasília, a
direção do PPB o expulsou do partido. E uma comissão de moradores do Palace II esteve
com o presidente Fernando Henrique e os presidentes do Congresso e da Câmara para pedir
rapidez no processo de cassação do deputado. (pág. 1, 8 a 10)
- Justiça comprova fraude e anula eleições de 4 de novembro passado
em Miami. Ficou comprovado que defunto votou. (pág. 1 e 4)
- Compras de escravas vira moda entre novos ricos da Rússia. Elas
custam em média US$ 5 mil e vêm acompanhada de certificado de virgindade. (pág. 1 e 5)
- Ex-oficial nazista confessa ter matado 500 pessoas em campo de
concentração na Polônia. Ele é acusado de participação em 70 mil mortes. (pág. 1 e
6)
- Desembargadores decidem hoje se mudam sentença de juíza e levam
rapazes que incendiaram o índio Galdino a júri popular. (pág. 1 e cad. Cidades, pág.
2)
- Governo dos Estados Unidos vai devolver ao Brasil US$ 10 milhões
roubados da Previdência pela advogada Jorgina de Freitas. (pág. 1 e 13)
ZERO
HORA
- A volta dos cassinos, proibidos no Brasil desde
1946 por um decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra, está mais próxima. A Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem o projeto que não só permite a
reabertura dos cassinos como também legaliza o jogo do bicho. Em princípio, a proposta
depende de apenas duas votações - na Comissão de Assuntos Econômicos e no plenário do
Senado - antes de ser enviada à sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso. Se for
aprovada alguma emenda, porém, o projeto terá de retornar à Câmara dos Deputados.
(pág. 12)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso recebe no mínimo duas vezes
por dia informações sobre os últimos acontecimentos em Assunção. O Governo brasileiro
considera que a crise política no Paraguai é grave e teme desdobramentos, como o
adiamento das eleições, previstas para 10 de maio. Ontem, um dos personagens dessa
história, o general Lino César Oviedo, ganhou fôlego e poderá voltar a atrapalhar a
vida do presidente do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy, seu colega de partido e inimigo
polítio. (capa)
CORREIO
DO POVO
- O PPB expulsou ontem do partido o deputado federal
mineiro Sérgio Naya. A decisão foi tomada pela unanimidade dos integrantes da Comissão
Executiva pepebista presentes à reunião. Sem partido, Naya não pode concorrer a novo
mandato. "Acredito que o Diretório Nacional vai referendar a decisão", disse o
presidente do PPB, Paulo Maluf. (capa)
- O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai inaugurar, no dia 2 de abril,
um serviço de confecção de títulos de eleitor "on line". Pelo novo sistema
informatizado, o eleitor poderá ir ao cartório e sair com o documento na hora. A demora
prevista será apenas a da verificação eletrônica de toda a documentação, pois o
sistema estará interligado com a central de informática do Tribunal Superior Eleitoral,
realizando uma pesquisa para ver se a pessoa já não está cadastrada no órgão. (capa)
- O projeto de lei que autoriza o funcionamento de cassinos no Brasil,
aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, ainda será votado
pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) antes da apreciação final do plenário da
Casa. O relator da matéria na CCJ, senador Edison Lobão (PFL-MA), previu que, em 40
dias, o projeto deve ser votado no plenário. Se o texto continuar sem emendas, como está
o seu relatório, após a aprovação será encaminhado para a sanção do presidente
Fernando Henrique Cardoso. Pelo projeto, os estados e o Distrito Federal passam a poder
autorizar a exploração de jogos de azar em hotéis e cassinos em cidades turísticas e
em locais sem outras alternativas para o desenvolvimento econômico e social. (capa)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- Temporal causa pânico em São Paulo
DIARIO DE
PERNAMBUCO
- Desemprego no recife é o maior dos últimos 5 anos
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- Sérgio Naya é expulso do PPB
CORREIO DO
POVO (RS)
- Queda dos juros é surpreendente
ZERO HORA
(RS)
- Juros caem de 34,5% para 28%

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |