
06/01/1998
JORNAL DO BRASIL
- Parlamentares ganham extra sem trabalhar
- A convocação extraordinária do Congresso para apreciar nove
emendas constitucionais, 27 projetos de lei e 54 medidas provisórias começa hoje, mas
nenhuma votação acontecerá nesta semana. Mesmo sem trabalhar, cada parlamentar (513
deputados e 81 senadores) vai receber R$ 4 mil, como se tivesse comparecido a Brasília e
ao plenário de hoje a sexta-feira. A convocação extraordinária vai até 13 de
fevereiro, período em que cada congressista ganhará R$ 16 mil, além do salário.
A ausência de deputados e senadores nesta semana é amparada pelo
regimento das duas Casas. Como não estão previstas votações, o Senado pode funcionar
com apenas 4 de seus 81 membros; e a Câmara, com apenas 51 dos 513 deputados. "O
objetivo principal da convocação não é para ter votação, e sim contar prazo nas
comissões para tramitação das reformas administrativa e da Previdência", disse o
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). (pág. 1 e 3 e editorial "Puxando para
Trás", pág. 8)
- O departamento médico da Varig divulgou ontem que vai examinar a
tripulação dos dois vôos semanais da empresa para Hong Kong. A medida, preventiva,
procura impedir que o vírus da gripe do frango chegue ao Brasil. A doença, que já matou
quatro pessoas e contaminou 12, levou o governo chinês a sacrificar mais de 1,4 milhão
de frangos. (pág. 1 e 12)
- As ações do Banespa, suspensas do pregão das bolsas de valores
desde 23 de dezembro, voltaram a ser negociadas ontem com forte valorização. Os papéis
foram a estrela da Bolsa de Valores de São Paulo e encerraram o dia com alta de 37,36%.
(...) Ontem, o maior banco português, a Caixa Geral de Depósitos, que já tem 8% das
ações do Itaú, assinou carta de intenções para comprar 79,27% das ações ordinárias
do Banco Bandeirantes. (...) A incorporação do Bandeirantes pelo grupo português, que
já tentara sem sucesso comprar o Meridional, ainda terá que ser submetida ao Banco
Central. (pág. 1 e 15)
- O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), recebeu ontem a
solidariedade do ex-presidente Itamar Franco contra as articulações da ala governista
para mudar a direção partidária. "Surpreendido com a tentativa de destituí-lo,
solidário com você, me uno aos senadores José Sarney e Roberto Requião no repúdio a
tais articulações", diz o fax de Itamar. (...) (pág. 3)
- O Governo aumentou ontem em R$ 4 bilhões a possibilidade de cortes
no orçamento de custeio e investimento deste ano, elevando para R$ 8,5 bilhões o corte
potencial. Na semana passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou um corte
definitivo de R$ 4,1 bilhões no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional, que era de
R$ 41,1 bilhões. Em ano eleitoral, o Governo manteve a regra de gastar prioritariamente
com obras já iniciadas, mas deu aos ministérios margem de manobra para atender aos
interesses dos parlamentares. (...) (pág. 2)
- Parlamentares do PFL e do PSDB ficaram constrangidos com a nomeação
de David Zilbersztajn, genro do presidente Fernando Henrique Cardoso, para a diretoria
geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Os pefelistas e tucanos preferem o
anonimato ao falar do assunto, mas avaliam que esta atitude não contribui com um Governo
que pretende mudar os costumes políticos do País. No Palácio do Planalto, asessores do
Presidente afirmam que "o escolhido tem a confiança e o respeito da comunidade
técnica do setor de energia". (...) (pág. 3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (janeiro) R$ 120,00. Dólar
comercial: (compra) R$ 1,1157, (venda) R$ 1,1165. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,185,
(venda) R$ 1,200. Dólar turismo: (compra) R$ 1,1210, (venda) R$ 1,1218. TR do dia 6/12 a
6/1: 0,8861%. TBF do dia 2/1 a 2/2: 2,5914%. (pág. 1)
COLUNAS
(Coisas da Política - Rosângela Bittar) - Uma
articulação destinada a manter na roda de discussões o nome do ministro da Educação,
Paulo Renato Souza, como candidato do partido ao governo de São Paulo levou trevas mais
do que luzes ao PSDB paulista neste fim de ano. A hipótese, que só existiria caso o
governador Mário Covas realmente não seja candidato como vem assegurando há meses que
não é, foi visceralmente rejeitada por um grupo covista do partido. Até o desempenho do
ministro no Governo passou a receber críticas dos tucanos paulistas. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - O presidente Fernando Henrique Cardoso,
entre uma audiência e outra, grudou ontem no telefone. Falou com os seus líderes no
Congresso e, principalmente, com Antônio Carlos Magalhães, presidente do Senado, e
Michel Temer, presidente da Câmara. Temer - acusado de fazer corpo mole com a
convocação extraordinária - usou o telefone para pegar deputado a laço nos quatro
cantos do País. Ou a acusação era injusta ou ele mudou de posição. FH está com mais
pressa do que antes para aprovar as reformas. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Corte no orçamento atinge R$ 6,3 Bi
- O Governo federal determinou cortes de R$ 6,3 bilhões nas despesas
do Orçamento de 98. A expectativa anterior entre os ministros era que a redução
chegasse a R$ 5 bilhões. Do corte anunciado, R$ 4,1 bilhões se referem a obras e
serviços prestados pelo Governo à população, exceto nas áreas de educação, saúde,
assistência social e reforma agrária. Os demais R$ 2,2 bilhões são resultado de
redução de despesas com pagamento de pessoal.
Decreto presidencial que será publicado hoje também diminui em 12% o
limite orçamentário para custeio e investimentos. Assim, em caso de queda da
arrecadação, poderá haver corte adicional de R$ 4 bilhões. O ministro Antonio Kandir
(Planejamento) disse que, por enquanto, está definido apenas que não haverá aumento
salarial linear para os servidores federais. Mas, segundo ele, eventuais reajustes
localizados podem ocorrer. (pág. 1 e 1-7)
- Fernando Henrique Cardoso disse que não mudará a lei sobre doação
de órgãos. Segundo seu porta-voz, Sérgio Amaral, o Presidente é doador presumido
"e continuará sendo". FHC, afirmou Amaral, não vê oportunidade para discutir
agora a questão legal da doação, como defende o Conselho Federal de Medicina.
"Esse assunto deveria ter sido suscitado quando da votação da lei", disse o
porta-voz. (pág. 1 e 3-1)
- O governo paulista arrecadou com ICMS, em 97, R$ 374 milhões menos
que o previsto. Para o governador Mário Covas (PSDB), a quda, superior ao investimento
programado para habitação em 98, é resultado do pacote fiscal do Planalto. (...) (pág.
1 e 1-6)
- As ações do Banespa dispararam ontem, na volta ao pregão da Bolsa
de São Paulo. As preferenciais saltaram 37,3% fechando em R$ 62,50, contra R$ 45,50 em
dezembro. Em um ano, subiram 1.150%. O resultado do banco no primeiro semestre de 97
motivou a alta. Assim, ela tem mais a ver com o passado do que com o futuro. (pág. 1 e
1-7)
- Partidos de oposição ao prefeito Celso Pitta (PPB) devem entrar
amanhã no Ministério Público com pedido de intervenção do Estado no município. O
motivo é o descumprimento do investimento exigido por lei para educação - 30% da
arrecadação anual de tributos. Ao comentar pesquisa Datafolha em que apareceu como o
pior prefeito de 11 capitais, Pita disse que a avaliação da população "está
correta". (pág. 1 e 3-4)
- A taxa de reprovação aos congressistas em dezembro de 97 ficou
estável em relação a maio e junho, e não é a mais alta desde 1994, diferentemente do
que informou reportagem publicada pela "Folha" anteontem. O índice de 32% de
ruim e péssimo atribuído aos parlamentares é o mais elevado nesta legislatura, mas
está dentro da margem de ero das duas últimas pesquisas, feitas em maio - 31% - e junho
- 30% -. (pág. 1 e 1-7)
- A Tailândia pretende renegociar acordo feito com o Fundo Monetário
Internacional. O Governo diz ser "impossível" atingir superávit orçamentário
de 1% do PIB (soma das riquezas produzidas pelo País), condição para receber
empréstimos de US$ 17,2 bilhões. A moeda local, o bath, caiu 5,2%. O governo quer que a
população doe ouro para ajudar a pagar a dívida externa, de US$ 92,5 bilhões. (pág. 1
e 2-10)
EDITORIAL
"O ano velho recomeçou" - O primeiro dia da primeira
semana útil de 1998 deu a impressão de que 1997 ainda não acabou. A Bolsa de Nova York
celebrou o novo ano com mais uma alta, mas as notícias da Ásia continuam inquietantes.
(...) Pode estar surgindo na Ásia o que os economistas chamam de "risco moral",
presente onde as operações de resgate financeiro tornam-se rotina. Segundo essas
análises, comportamento dos agentes e das instituições financeiras torna-se mais
irresponsável exatamente quando um organismo de instância superior, como um banco
central, assume prejuízos e evita a quebra de bancos. (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Luís Eduardo ainda não estimulou
publicamente as articulações para ser candidato a vice na chapa de FHC. Mas também não
fez nada para contê-las. ACM ainda diz que prefere ver o filho no governo da Bahia.
Ainda.
O Planalto deve enquadrar Paulo Renato (Educação), que tem estimulado
as versões sobre sua eventual candidatura ao governo de São Paulo. Para todos os
efeitos, o candidato de FHC continua sendo Mário Covas. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Investidor externo ainda confia no país
- Pesquisa feita com cerca de cem multinacionais americanas mostra que
os planos de investimento dessas empresas no Brasil não foram alterados pela crise
financeira que explodiu em outubro. Todas as companhias ouvidas pelo escritório de
consultoria Price Waterhouse, em Nova York, informaram que pretendem aumentar os
investimentos no País. Do total de multinacionais entrevistadas, 92% consideram o Brasil
o país mais atraente da América Latina por causa do tamanho do mercado e do bom
desempenho da economia. Desses 92%, 65% acreditam que o Governo conseguirá manter a
estabilidade da moeda, com a política de desvalorização gradual. (...) (pág. 1 e B1)
- O comércio fechou o ano com um volume de vendas à vista 32,1% maior
do que em 1996, enquanto o aumento nas consultas para o crediário foi de 29,9%, segundo a
Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em dezembro, os registros do Telecheque para
vendas à vista atingiram 2 milhões, com alta de 52,2% na comparação com igual período
de 1996 e de 34,4% em relação a novembro. O Serviço de Proteção ao Crédito registrou
aumento de 13,3% nas chamadas (1,6 milhão) no confronto com o mesmo mês de 96. A ACSP
estima que o faturamento deste Natal, porém, pode ter ficado até 5% abaixo do anterior.
(pág. 1 e B3)
- O Congresso tem 52 dias para promulgar a reforma administrativa. Se a
emenda que quebra a estabilidade do servidor público e permite a demissão por excesso de
quadros não for aprovada até o fim de março, o presidente da República e os 27
governadores não poderão demitir servidores para ajustar suas finanças. Quem dita o
prazo final da reforma é a lei eleitoral, que proíbe contratações e demissões durante
os seis meses que antecedem as eleições gerais de 4 de outubro. Os líderes da base
governista dizem que, no que depender do Senado, a reforma será aprovada durante a
convocação extraordinária. (pág. 1 e A4)
- O prefeito Celso Pitta (PPB) suspendeu as férias dos funcionários
públicos em fevereiro, por causa da crise financeira municipal. Os servidores com férias
em janeiro ainda não receberam o abono de um terço do salário, como exige a
legislação. O benefício só deverá ser depositado sexta-feira. Para evitar o mesmo
problema em fevereiro, Pitta decidiu suspender as férias. A dívida da prefeitura é de
R$ 9 bilhões, enquanto a previsão de receita este ano é de R$ 8,4 bilhões, incluindo
os empréstimos. (pág. 1 e C1)
EDITORIAL
"O exemplo da economia dos EUA" - A economia
norte-americana rompe dogmas firmados por alguns economistas que conservam o ranço do
dirigismo e cresce saudavelmente. O governo terá superávit fiscal. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - (...) O Poder Judiciário em
todo País está em recesso, mas um grupo de lobistas está de malas prontas para
desembarcar na Câmara.
Vão acompanhar - e pressionar - passo a passo a votação da reforma
da Previdência. Agora, sob o comando do novo presidente da Associação dos Magistrados
do Brasil (AMB), Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho.
_* No segundo dia útil de funcionamento do novo serviço da Receita
Federal, via Internet, para a emissão de certidões negativas, 500 documentos já haviam
sido expedidos até o meio-dia.
Antes dessa facilidade, empresas em dia com o Fisco levavam até 20
dias para conseguir a certidão nos balcões da Receita. (pág. A6)
O
GLOBO
- FH diz que lei de doação de órgãos deve ser cumprida
- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que a Lei da
Doação Presumida, em vigor desde o dia 1º, não será alterada e deve ser cumprida.
Fernando Henrique criticou o Conselho Federal de Medicina, que está orientando os
médicos a desobedecer à lei e estudando a possibilidade de entrar com uma ação de
inconstitucionalidade no STF. O Presidente se considera um doador e não vai mudar sua
carteira de identidade. O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, afirmou que a rede
pública não está preparada para fazer mais transplantes. (pág. 1, 8 e 9)
- (São Paulo) - Animar a militância petista e os líderes dos
movimentos populares para sua campanha à Presidência da República vai ser a primeira
tarefa de Luiz Inácio Lula da Silva. O PT não pretende esperar indefinidamente a
resposta dos possíveis aliados, como PSB e PC do B, para começar a campanha. Lula volta
sábado a São Paulo, após ter passado o réveillon em Angra dos Reis, e inicia viagens
pelo País no dia 15. (...) (pág. 4)
- O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), reagiu ontem às
manobras dos governistas do partido para marcar uma convenção ainda este mês e
destituí- lo da função. Pela manhã, Paes reuniu-se com os deputados do seu grupo e
redigiu dura nota denunciando o que chamou de "golpe contra o PMDB". (...)
(pág. 4)
- (São Paulo) - Uma bateria de exames a ser realizada segunda-feira
determinará quando o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, voltará ao trabalho em
Brasília. De acordo com seus médicos, Motta está bem e se submeterá a exames que
medirão sua capacidade pulmonar no Hospital Albert Einstein. Até a realização dos
exames, o ministro continuará descansando em sua casa na Praia de Iporanga, no Guarujá,
litoral paulista. (...) (pág. 4)
- O aumento de ICMS determinado pelo governo do Rio começou a chegar
ontem ao bolso do consumidor. Nos postos de gasolina, os preços dos combustíveis subiram
em média 9%, mas a gasolina aditivada chegou a ser reajustada em 11,5%. A cerveja e o
refrigerante devem ficar até 7% mais caros e os vinhos podem subir 10%. (pág. 1 e 19)
- Em telegrama enviado ontem a cada um dos deputados federais, o
presidente da Câmara, Michel Temer, avisou que apenas hoje, primeiro dia da convocação
extraordinária do Congresso, as faltas serão abonadas. A partir de amanhã, segundo ele,
o ponto dos ausentes será cortado. Temer, que defendia o início da votação no dia 12,
mas acabou vencido pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, assumiu
pessoalmente a mobilização para garantir o quorum. (pág. 1 e 3)
- Os investimentos estrangeiros no Brasil poderão atingir este ano a
cifra recorde de US$ 25 bilhões, calcula o presidente da Ernest _& Young, George
Ruth. Segundo informou ontem o Banco Internacional de Compensações (BIS), da dívida
externa total do País com bancos credores privados, 62% são de curto prazo. (pág. 1 e
26)
- O ministro Eliseu Padilha adiou para o dia 22 deste mês a
apresentação de resultados da apuração das denúncias de corrupção no DNER. Os
integrantes das comissões de sindicância pediram o adiamento e Padilha concedeu mais 15
dias. Ele vem sendo pressionado por seu partido, o PMDB, que indicou os denunciados, para
que as sindicâncias não conduzam à punição dos acusados. (pág. 2 e 5)
EDITORIAL
"Só privatizando"- Bancos estaduais não têm hoje
qualquer razão para se manterem como tal. As atividades de fomento desenvolvidas pelos
estados podem ser perfeitamente exercidas por outros instrumentos. Quanto aos serviços de
coletoria, o sistema bancário privado, os bancos federais e as agências de correios
estão aptos a prestá-los através de convênios (não é preciso ter um banco estadual
para isso). Os bancos estaduais foram até alguns anos um meio disfarçado de os
governantes financiarem seus déficits de caixa. Viraram em muitos casos verdadeiros
cabides de emprego ou simples canais de clientelismo político. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - No ano
passado, Governo e Congresso tiveram comportamento idêntico em relação às reformas.
Apertavam o passo na hora do aperto e depois relaxavam. Toda vez que o Executivo lhe
passou a batata quente, o Congresso deu um jeito de votar para não ficar com a culpa. Foi
assim em dezembro, após a crise das bolsas. Hoje, tem início a convocação
extraordinária, sob um céu claro que pode servir de tentação. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Mais um diploma de qualidade industrial está
saindo do forno do Governo.
O Inmetro lançará, em março, um atestado de baixa emissão de
ruídos para eletrodomésticos.
O primeiro "Selo de Silêncio" será de um liquidificador.
(pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Governo segura verba da folha de pagamento
- Gastos no valor de R$ 4,1 bilhões são eliminados do Orçamento da
União. Outros R$ 2,2 bilhões ficam retidos, impedindo aumento de salário aos servidores
e a substituição de quem for demitido. (pág. 1 e 12)
- O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil? Na economia
globalizada, às vezes é. A queda de 0,1% nas taxas dos juros norte-americanos, provocada
pela diminuição do valor dos títulos do Tesouro, ontem negociados a 5,74%, é uma
ótima notícia para o mercado financeiro brasileiro. O País ganha por dois motivos.
Primeiro: a queda de juros lá deve refletir aqui, diminuindo as nossas taxas ou impedindo
que elas aumentem. E segundo: o Governo pode economizar até US$ 1,2 bilhão no pagamento
da dívida externa. O único risco é haver deflação e, portanto, recessão. Mas pouca
gente acredita que a maior economia do mundo, a dos Estados Unidos, corra esse risco.
(pág. 1 e 15)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- Pelo menos quatro embaixadores brasileiros na
Europa ouviram do próprio senador José Sarney - e já informaram ao Itamaraty sobre a
conversa - que é candidato à Presidência da República a 3 de outubro, pelo PMDB.
Única condição: que os outros candidatos do PMDB o apóiem e que não haja disputa na
Convenção.
A informação é de Sebastião Nery - depois de um mês viajando pela
Europa e de ter falado com os embaixadores confidentes de Sarney e com o próprio Sarney e
que apresenta uma súmula das idéias de Sarney sobre política externa. (pág. 1 e 6)
- O deputado Eduardo Jorge - da ala Democracia Radical do PT - abriu o
jogo, até agora sussurrado nos bastidores: quer uma aliança imediata PT-PSDB em São
Paulo. Alega que Covas é um respeitado político de esquerda e que o PT precisa apoiá-lo
para evitar o fortalecimento da direita, caracterizado por uma aliança PSDB-PFL. A
posição será oficializada dia 24 durante encontro de militantes do PT, PC do B, PDT,
PSB, PPS e o próprio PSDB, na Universidade de São Miguel Paulista. O deputado José
Genoíno, que até agora esteve à frente desse movimento, é menos radical: acha que o PT
deve lançar candidato próprio a governador e fazer aliança com o PSDB no segundo turno.
A fórmula de Eduardo Jorge prevê que o PSDB apresente o candidato a governador e o PT
indique o vice. (pág. 1 e 3)
- A recomendação de que Fernando Henrique deve esperar que passe a
Copa do Mundo para só então iniciar efetivamente a campanha eleitoral foi transmitida ao
Presidente pelo senador Élcio Álvares, líder do PFL no Senado.
Élcio Álvares está preocupado com os custos de uma campanha de longa
duração e com os desgastes que as disputas estaduais possam trazer à reeleição, uma
vez que em quase todos os estados os partidos da coligação nacional que apóia Fernando
Henrique têm mais de um candidato. No Espírito Santo mesmo, contou Élcio Álvares, o
palanque do Presidente terá a presença de candidatos a governador que são adversários
locais, mas que no plano federal apóiam a reeleição de Fernando Henrique. (pág. 1 e 3)
- Cada ministério terá de fazer um corte de 5% em suas despesas com
pessoal neste ano, ou seja, menos R$ 2,408 bilhões dos R$ 48,172 bilhões previstos no
Orçamento. A medida foi anunciada ontem pelos ministros Pedro Malan, da Fazenda, e
Antônio Kandir, do Planejamento. O decreto, que será publicado hoje no "Diário
Oficial da União", fixa apenas o valor total que cada órgão poderá gastar
bimestralmente até o final do ano, portanto cabe ao ministério definir onde cortará.
Mas os cortes não param aí. (...) (pág. 1 e 5)
ZERO
HORA
- O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul
- conjunto de bens e serviços produzidos no estado - cresceu 5,7% em 1997, segundo
cálculos da Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgados ontem pelo governo. No
total, a economia gaúcha movimentou R$ 57,2 bilhões. Num ano marcado pelo susto global
com a crise internacional das bolsas de valores, os gaúchos conseguiram reverter a
tendência de pouco crescimento dos quatro anos anteriores e, pela primeira vez desde o
lançamento do Plano Real, superar a variação do PIB nacional, que aumentou 3,2%, de
acordo com estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). (pág. 22)
- Ontem, o ringgit, da Malásia, a rupia, da Indonésia, o baht, da
Tailândia e o peso filipino atingiram nível recorde de baixa. Analistas atribuem a queda
às baixas nos mercados de ações da região e aos ataques especulativos contra outras
moedas asiáticas, como o dólar de Hong Kong e o yuan chinês. O dólar chegou a subir
8,7% em relação à rupia, 4,8% em relação ao baht, 2,7% em relação ao ringgit e 1,6%
em relação ao peso filipino. (pág. 28)
- A política de combate ao consumo de drogas ganhou um novo rumo com a
chegada de 1998. Conforme o presidente do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), Luiz
Matias Flach, o modelo de repressão perdeu definitivamente sua eficácia. A principal
arma que o Governo pretende usar para tentar reduzir o consumo de drogas é obter
informação. Para isso, será realizada uma pesquisa em 22 cidades de todo o País
durante o ano. Serão ouvidas 35 mil pessoas com mais de 12 anos. (pág. 57)
- Um tiro encerrou a vida de um dos mais sanguinários e mitológicos
assaltantes que disseminaram o terror pelo Brasil. Uma bala disparada de uma espingarda de
calibre 32, às 22h de ontem, acabou com a trajetória de João Acácio Pereira da Costa,
popularizado no País inteiro como o Bandido da Luz Vermelha. O crime ocorreu numa rua de
Joinville, município do norte catarinense onde o ex-detento nasceu há 55 anos. O crime
teve origem em uma briga no Bar do Nélson, situado no Jardim Paraíso, sendo resultado de
uma das desavenças acumuladas por Acácio desde a sua soltura, em 26 de agosto passado.
(pág. 58)
CORREIO
DO POVO
- O juiz-substituto da 6ª Vara da Justiça Federal,
Antônio Oswaldo Scarpa, concedeu, ontem, em Brasília, liminar para que o ex-presidente
Fernando Collor tenha o direito de disputar eleições este ano, contrariando decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF). Scarpa interpretou que o impeachment do ex-presidente
"inabilitou-o, por oito anos, para o exercício da função pública", mas não
lhe cassou os direitos políticos. Assim, Collor está impedido de ser "ministro,
professor público ou policial", mas não está impossibilitado de ser eleito
presidente, explicou o juiz. A liminar não significa, no entanto, que o ex- presidente
Fernando Collor já poderá se candidatar em outubro, uma vez que o mérito da ação
ainda não foi julgada. (capa)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- 70% dos médicos baianos estão em salvador
DIARIO DE
PERNAMBUCO
- Lojas dão desconto de 70%
ZERO HORA
(RS)
- Familiares aprovam doação de órgãos
CORREIO DO
POVO (RS)
- Governo decide gastar menos com servidores
- Collor consegue liminar que permite candidatura

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |