
07/01/1998
JORNAL DO BRASIL
- Governo prepara cortes também na área social
- O Governo começou a definir a parte mais dura do ajuste fiscal: quem
vai pagar a conta dos cortes orçamentários em 1998. Os funcionários públicos
contribuirão com uma economia de R$ 2,2 bilhões, com mais um ano sem reajuste de
salários. As empresas estatais tiveram um corte de R$ 3 bilhões nos investimentos e
custeio previstos. Só a Petrobras e a Telebrás entrarão com R$ 1 bilhão de economia
cada uma, nos seus programas de investimentos.
O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, ao detalhar por onde
passou a tesoura do Governo, disse que os cortes já determinados representam R$ 9,3
bilhões entre orçamento geral da União (R$ 6,3 bilhões) e programa de dispêndio das
empresas estatais (R$ 3 bilhões). Mas, por cautela, o Governo preparou uma rodada
preventiva de mais cerca de R$ 4 bilhões de redução de gastos, atingindo inclusive as
áreas sociais (educação, saúde, assistência social e reforma agrária). Isso para o
caso de frustração na arrecadação de impostos, por causa da desaceleração esperada
da economia. (pág. 1 e 2)
- Os médicos que só estão retirando órgãos para transplante com a
autorização de parentes do morto não têm amparo em seu código de ética. O documento
diz apenas que doador, receptor e seus parentes devem ser alertados sobre os riscos da
cirurgia. A nova lei de doação de órgãos dispensa a autorização. (...) O ministro da
Saúde, Carlos Albuquerque, anunciou ontem que até o fim de abril será criada a Central
Nacional de Transplante, com a função de racionalizar a captação e distribuição de
órgãos no País. (pág. 1, 4 e 5)
- O bom resultado do comércio nas vendas de Natal está demorando a
provocar impactos na indústria. De volta das férias coletivas, boa parte do setor
industrial ainda está mantendo a perspectiva de vendas mais fracas neste trimestre e seus
planos de demissão ou redução de jornada de trabalho dos funcionários. A avaliação
é que, com taxas de juros ainda muito altas e sem demanda garantida como a do mês de
dezembro, o comércio não vai carregar estoques. As vendas de final de ano serviram para
esvaziar os depósitos, mas as indústrias ainda estão esperando as novas encomendas.
(...) (pág. 1, 13 e 14)
- A Telerj já instalou mais de 1.500 telefones pelo preço de R$ 80.
Os primeiros beneficiados pela THT (Taxa de Habilitação de Telefone) foram assinantes
com extensões em endereços diferentes. O novo sistema não dá direito à propriedade da
linha, nem a ações da Telebrás. Em compensação, os aparelhos são entregues em 15
dias. A novidade chegou a bairros da Zona Norte e a Cabo Frio, Araruama, Resende e
Petrópolis. (pág. 1 e 18)
- O período extraordinário do Congresso começou oficialmente ontem,
com a presença de 228 parlamentares. Estavam no plenário 188 deputados e 40 senadores -
quase 40% do total de 594 parlamentares -, quando começou a sessão solene de abertura
dos trabalhos da Câmara e do Senado, quorum suficiente para haver sessão, mas não para
votar qualquer matéria. Ontem, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães
(PFL-BA), minimizou os gastos do Governo com a convocação - que vai custar R$ 9,5
milhões, só com o pagamento de extras aos deputados e senadores. "A ajuda de custo
é uma coisa menor, pequena, diante do trabalho que se faz", disse ele. (...) (pág.
3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (janeiro) R$ 120,00. Dólar
comercial: (compra) R$ 1,1161, (venda) R$ 1,1169. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,180,
(venda) R$ 1,200. Dólar turismo: (compra) R$ 1,1211, (venda) R$ 1,1219. TR do dia 7/12 a
7/1: 1,0104%. TBF do dia 5/1 a 5/2: 2,8686%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Lazer torturante" - As festas do fim do
ano de 1997 ficarão na memória de muitos brasileiros e brasileiras como um exercício
torturante de filas e engarrafamentos. O lado bom dessa constatação é a existência de
um mercado de consumo emergente e borbulhante criado pela estabilidade da moeda. Os postos
de trabalho que desaparecerem de um lado podem reaparecer do outro, na indústria do
turismo ou nos serviços em geral. A queda nas tarifas aéreas é um bom exemplo de como e
onde podem surgir novos mercados. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Rosângela Bittar) - Algumas
lições já podem ser tiradas do debate atual sobre a lei de doação de órgãos que
entrou em vigor há uma semana e ainda se encontra sob intensas críticas. Já é o caso,
por exemplo, de ser feita uma reflexão da classe sobre a incontrolável desconfiança
demonstrada por todos na competência dos profissionais da Saúde. As pessoas que não
conhecem bem a lei temem que seus órgãos sejam retirados antes que estejam mortas de
fato, até mesmo para a venda numa rede de comércio ilegal que vai se instalar no País,
ou que sua morte será apressada. Enfim, acham que serão praticadas todas estas ações
que são próprias da atividade dos médicos. Uma categoria, portanto, desgastada, como
demonstra este debate. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - Um descuido imperdoável do ministro do
Meio Ambiente, Gustavo Krause. No dia 28 de dezembro, Krause e o governador do Piauí,
Francisco de Assis, participaram de um almoço em Teresina para comemorar a inauguração
da barragem Petrônio Portela. O rega-bofe teve ainda a presença de deputados federais,
estaduais e secretários de estado. Refestelaram-se com um belo prato de tatu guisado, um
mamífero cuja caça é proibida pela legislação brasileira, que devia ser zelada pelo
Ibama, setor subordinado ao ministro Krause. A cena foi presenciada pela antropóloga
Niéde Guidon, pesquisadora da Fundação Museu do Homem Americano, que participou do
almoço e recusou-se a comer do prato proibido. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Currículo do MEC inclui crítica ao Consumismo
- O Ministério da Educação (MEC) propõe incluir o assunto
"crítica ao consumismo" nos currículos escolares da 5ª à 8ª série a partir
do ano que vem, informa Marta Salomon.
A versão inicial da proposta de reforma curricular classifica a escola
de "espaço de transformação" e prega a participação social. Para isso, os
alunos deverão estudar questões sociais consideradas urgentes e relevantes pelo
ministério.
Os temas são ética, orientação sexual, pluralidade cultural,
saúde, meio ambiente, consumo e trabalho. Sobre consumo, o MEC diz que é apresentado
como forma e objetivo de vida" e que "poder comprar aparece como sinônimo de
realização pessoal".
Em relação ao trabalho, o MEC defende organização de trabalhadores
e crítica às tarefas domésticas "como próprias das mulheres". (pág. 1 e
Cotidiano)
- As estatais federais terão de cortar R$ 3,057 bilhões das despesas
programadas para 98. A medida não atinge os bancos.
Decreto tira R$ 2,146 bilhões de investimentos e R$ 911 milhões de
custeio (pessoal e contratação de terceiros) das estatais do setor produtivo. Com isso,
o Governo federal fechou a programação orçamentária com redução de despesas
estimadas em R$ 9,3 bilhões. (pág. 1 e 1-7)
- Pesquisa DataFolha revela que caiu o percentual de paulistanos que
doariam seus órgãos para transplante. Hoje, 63% manifestam a intenção - em abril de
95, o índice era de 75%. Dos entrevistados, 54% autorizariam a doação de órgãos de
pessoa da família, contra 69% no levantamento anterior.
A maioria - 70% - acha que a retirada de órgão só deve ser feita com
alguma autorização. A posição contrasta com a lei que torna os brasileiros doadores
presumidos, exceto quem manifestar desejo contrário em documento. (pág. 1 e 3- 4)
O programa de demissões voluntárias da Volkswagen registrou mais 302
adesões na segunda-feira, primeiro dia de trabalho após férias coletivas. No total, 830
metalúrgicos já aderiram ao programa.
A montadora estima que ocorram 2.500 adesões até a próxima sexta,
último dia para inscrições no programa - a previsão inicial da Volks era de até
3.150. (pág. 1 e 2-5)
- A Justiça concedeu liminar que suspende a validade da lei que adia
para 2002 o pagamento de dívidas da prefeitura de São Paulo no setor de educação.
A decisão, que o prefeito Celso Pitta (PPB) vai contestar, determina o
pagamento em 98, de pelo menos R$ 270 milhões devidos pela prefeitura.
O valor é a diferença entre o que a legislação manda investir em
educação e o que foi gasto pela prefeitura nos últimos três anos (gestões Maluf e
Pitta)
A oposição na Câmara paulistana fará hoje, no Ministério Público,
pedido de intervenção do estado no município por causa da dívida. (pág. 1 e 3-3)
EDITORIAL
"Escárnio" - O Congresso Nacional, pelo menos em tese,
começou ontem, em convocação extraordinária, a tentar fazer o que deveria ter feito ao
longo de todo o ano anterior. Ou seja, exercer o seu papel de Poder Legislativo.
É lamentável, para dizer o mínimo, que boa parte
dos parlamentares brasileiros, ano após ano, se omita durante o período normal de
sessões, forçando o Governo a convocar extraordinariamente o Parlamento.
O custo para os cofres públicos desse mau costume é imenso. (...)
(pág. 1- 2)
COLUNA
(Painel) - O discurso duro de ACM ontem em defesa do
Congresso foi visto por alguns senadores como um sinal para o público interno. Muitos
deles estavam contrariados com a cobrança pública de presença feita pelo pefelista.
_* Demorou, mas a cúpula tucana finalmente se deu conta de que não
deve contar com FHC nas eleições de outubro. O máximo que pode esperar é uma ou outra
manifestação formal de apoio a seus candidatos nos estados.
Convencidos de que será cada um por si nas eleições de outubro,
setores do PSDB já falam em atuação menos condescendente do partido em relação a FHC.
Algo na linha do que Mário Covas vem fazendo em São Paulo.
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Justiça obriga Pitta a gastar com educação
- O prefeito de São Paulo, Celso Pitta, está obrigado, por decisão
da Justiça, a aplicar R$ 240 milhões adicionais na educação em 1998, como forma de
recuperar o que não foi gasto pelo município nessa área em 1995 e 1996. A obrigação
está expressa em despacho do juiz da Vara da Infância e da Juventude do Fórum Regional
de Pinheiros, Rodrigo Lobato Junqueira Enout, que concedeu ontem tutela antecipada (uma
espécie de liminar) ao julgar ação civil pública proposta pelo promotor Maurício
Antonio Ribeiro Lopes. O juiz mandou intimar o prefeito a alterar a distribuição de
recursos financeiros entre secretarias para tornar viáveis os gastos com educação. O
objetivo final da ação é a declaração da inconstitucionalidade da Lei 12.543/97,
sancionada no fim do ano pelo prefeito, que transfere para 2002 gastos que deveriam ter
sido feitos na área da educação nos últimos três anos. (...) (pág. 1 e C1)
- O prefeito Celso Pitta decidiu que, a partir de agora, vai nomear e
demitir pessoalmente administradores regionais, superintendentes de autarquias e diretores
de empresas e departamentos. Ele quer melhorar o governo e sua imagem. (pág. 1 e C1)
- Desempregados da Metalúrgica Tergal, falida desde dezembro,
invadiram ontem a empresa e recomeçaram a produzir pára-choques. A decisão foi
orientada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que está ajudando na
administração da fábrica. "Há matérias-primas em estoque, pedidos em carteira e
interessados na compra da empresa", disse o presidente do sindicato, Paulo Pereira da
Silva. Um dos interessados na Tergal é Franz Ciulla, representante de um grupo
empresarial com oito fábricas de componentes para caminhões e 2.500 empregados. Segundo
Ciulla, que pedirá investigação do processo de falência, o grupo pagaria pela Tergal
R$ 200 mil e assumiria um passivo de R$ 12 milhões. (pág. 1 e B3)
- Os comerciantes do litoral paulista comemoram um aumento de 40% no
faturamento do atual verão em relação ao anterior. Para eles, é a melhor temporada dos
anos 90. Por causa do forte calor, os lojistas tiveram de recompor estoques de
ventiladores, geladeiras, freezers e bebidas. (...) (pág. 1 e B1)
- O relator da reforma administrativa no Senado, Romero Jucá (PFL-RR),
decidiu não fazer nenhuma mudança no texto do projeto, que será apresentado hoje à
Comissão de Constituição e Justiça. Com isso, ele tenta evitar que a proposta retorne
à Câmara. "É preferível aprovar agora um texto que, no futuro, poderá passar por
pequenas modificações a fazer grandes emendas e ter de esperar que a Câmara leve pelo
menos mais um ano para votar", disse Jucá. O projeto ficou como o Governo queria.
(pág. 1 e A4)
- A compra do passe de Marcelinho Carioca pela Federação Paulista de
Futebol deverá ser decidida hoje, durante reunião do presidente da entidade, Eduardo
José Farah, com o diretor do Valencia, Manuel Llorente. O clube espanhol, que detém o
passe do meia brasileiro, pede US$ 7 milhões pelo jogador. (pág. 1 e E1)
- O líder do Governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA),
disse que existe "expectativa e não certeza" a respeito da possibilidade de
aprovação, em primeiro turno, durante o período extraordinário do Congresso, da
proposta de reforma da Previdência Social. Ele recordou que as chances de votação da
matéria em plenário até a primeira quinzena de fevereiro dependem principalmente do
desempenho da comissão especial que analisará a reforma previdenciária a partir da
semana que vem. "Se a comissão não usar todo o prazo regimental a que tem direito,
a votação em plenário poderá ocorrer", disse.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ter
certeza de que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), promoverá "todos os
esforços" para aprovação da reforma previdenciária até o mês que vem. (...)
(pág. A4)
EDITORIAL
"O homem certo na ANP" - O diretor da Agência Nacional do
Petróleo terá a árdua tarefa de dinamizar um setor estratégico e vencer os vícios da
Petrobras. Por isso, é bom que seja homem de confiança do presidente da República.
(pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - O presidente Fernando
Henrique Cardoso já trabalha com a hipótese de antecipar a reforma ministerial que
estava prevista para final de março - 3 de abril é o prazo para os ministros candidatos
deixarem o cargo. Ele fez chegar ontem no Congresso, na instalação dos trabalhos do
período extraordinário, que poderá fazer a troca dos ministros logo depois do carnaval.
Isso se forem aprovadas em primeiro turno na Câmara e no Senado as
reformas da Previdência e administrativa antes do carnaval - ou seja dentro do período
extraordinário.
É notícia comemorada pelos tucanos, que não perdem ministros nessa
reforma, mas a intenção do Presidente pode ser atropelada pelos aliados do PMDB, PFL e
PPB. Especialmente pelos ministros desses partidos, que gostariam de ficar até o último
instante no cargo. (pág. A6)
O
GLOBO
- Servidores ficarão mais um ano sem reajuste salarial
- O Governo anunciou que os funcionários públicos federais não
terão reajuste em 1998, o quarto ano consecutivo sem aumentos para a categoria, por causa
da meta de redução de R$ 6,3 bilhões nos gastos públicos. O ministro do Planejamento,
Antônio Kandir, declarou que não há a menor possibilidade de os mais de um milhão de
servidores e inativos ganharem aumento mínimo de 10% que reivindicam as lideranças
sindicais do funcionalismo. A equipe econômica descartou o a aumento ao estabelecer a
meta de R$ 2,2 bilhões para contenção dos gastos com pessoal no Orçamento deste ano. O
Governo impôs aos ministérios um corte de 5% na folha de pagamento. (...) (pág. 1, 4 e
20)
- Os governos federal e estaduais vão implantar, até 1º de maio, o
Sistema Nacional de Transplante, que prevê fila única de receptores por estado, conforme
a Lei de Doação Presumida. As filas só serão divididas pelo tipo de órgão. A lei
garante transplantes por ordem de chegada do receptor. O Ministério da Saúde treinará
médicos para convencer as famílias a doar órgãos em casos de morte cerebral. (pág. 1,
8 e 9)
- O novo Código de Trânsito deverá estar totalmente regulamentado em
janeiro de 99, isto se o Governo não prorrogar ainda mais os prazos previstos na própria
legislação para que os artigos entrem em vigor. Dos 76 artigos que dependem de
regulamentação, somente 22 terão suas resoluções aprovadas no próximo dia 23, quando
o novo código vai entrar em vigor. (pág. 2 e 9)
- A instabilidade no Sudeste da Ásia e o pessimismo quanto ao futuro
das economias da região fez ontem, com que as moedas locais voltassem a ter quedas
recordes. A rúpia da Indonésia por exemplo, caiu 12% atingindo a pior cotação desde
1971. A maioria registrou quedas. Wall Street também encerrou o pregão com perdas e, no
Brasil, a Bovespa caiu 4%. (pág. 2 e 21)
- Ao contrário do previsto, o El Nino acabou favorecendo a agricultura
brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento estima que a safra 88/89 possa chegar a
81 milhões de toneladas, contra 78,4 milhões de toneladas no período anterior. Até a
pauta de exportações do Brasil pode ser beneficiada, já que o cultivo em outros países
está sendo seriamente afetado pela mudança climática. (pág. 2 e 19)
- O Congresso surpreendeu ontem ao reunir, no primeiro dia da
convocação extraordinária - uma sessão solene, sem necessidade de quorum - 231
parlamentares (40 senadores e 191 deputados), superando expectativas dos líderes
governistas. Apesar disso, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), avisou aos
líderes de bancada que, a partir de hoje, descontará as faltas. E quem não registrar
presença amanhã, deixará de receber por dois dias.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), reagiu com
veemência aos ataques ao Congresso e chamou de indignos os críticos dos parlamentares.
Cheio de gentilezas com Temer, Antônio Carlos disse que os parlamentares não se
intimidarão com "as injustiças praticadas contra as duas Casas, Câmara e
Senado". (...) (pág. 3)
- O Governo acionou o rolo compressor no Senado para aprovar a reforma
administrativa, pelo menos em primeiro turno, na convocação extraordinária iniciada
ontem. O presidente Fernando Henrique Cardoso entrou em campo e telefonou ontem para o
relator Romero Jucá (PFL-RR), e para o senador Ramez Tebet (PMDB-MS), que assumiu a
presidência da Comissão de Constituição e Justiça devido à viagem do titular
Bernardo Cabral (PFL-AM). Em conversa com o líder do Governo no Senado, Élcio Álvares
(PFL-ES), e o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o Presidente
disse que era preciso "jogar duro" para garantir a aprovação até 13 de
fevereiro, quando acaba a convocação. (...) (pág. 3)
- Depois de dez dias na Restinga de Marambaia, no Rio, o
presidente-candidato Fernando Henrique enfrentou anteontem à noite seu primeiro teste de
campanha em 1998. Durante uma hora e cinco minutos, esteve na festa de aniversário do
líder do Governo no Congresso, José Roberto Arruda (PSDB-DF), e foi incansável com as
pessoas que lotaram a casa no Lago Sul, bairro elegante de Brasília. (...) (pág. 4)
EDITORIAL
"Avanço e retrocesso" - De um lado, multidões de
excluídos ávidos por um pedaço de terra para trabalhar. Do outro, jagunços dispostos a
tudo para proteger as propriedades dos patrões. Em muitos países, essa polarização
degenerou em banho de sangue. No Brasil, apesar das muitas escaramuças e de alguns
cadáveres, a reforma agrária tem sido um processo relativamente incruento, graças em
parte à persistência e habilidade do Governo federal. Mais que isso: tem sido um
sucesso. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Fernando
Henrique diz-se magoado com a versão de que só pensa em seus objetivos, e que para
atingi-los, deixa os amigos tombar na estrada. Fez queixas neste sentido anteontem,
desafiando quem possa apontar-lhe uma traição ou deslealdade. "Eu tenho meus
candidatos. Já disse que voto no Covas, mas não posso recusar apoios". À noite,
foi à festa de aniversário do senador José Roberto Arruda, num gesto de claro apoio.
(...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - O senador José Serra acha que pode até romper com
o amigo Fernando Henrique Cardoso.
O preço será a indicação do ex-deputado paulista Flávio
Bierrenbach para uma vaga no STM.
Os dois são inimigos mortais.
O BNDES está grilado com a privatização das Centrais Elétricas de
Mato Grosso, ocorrida em novembro, por R$ 391 milhões.
O grupo paranaense Inepar, um dos vencedores do leilão, ainda não
integralizou sua parcela no consórcio que comprou a estatal. (pág. 12)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Guerra da matrícula
- Mais uma vez, a abertura das matrículas nas escolas públicas
acontece em clima de guerra no Brasil, com direito a vigílias noturnas por bons lugares
na fila. A temporada de desespero de pais em busca de vagas para os filhos fez com que
centenas de pessoas fossem pisoteadas no Recife.
(...) Enquanto isso, Brasília foi exceção. Sem filas, os
brasilienses fizeram as matrículas por telefone, em chamadas gratuitas. Essa luta por um
lugar nas escolas públicas deixou há alguns anos de ser restrita aos pobres desde que a
classe média, sem poder aquisitivo para enfrentar os últimos aumentos das mensalidades,
passou a disputar espaço nas escolas públicas. Essa mudança foi indicada em estudo
divulgado pelo Ministério da Educação há um ano: de 1995 para 1996, a participação
da rede privada nas matrículas caiu 7% na pré-escola e 0,9% no 1º Grau. (pág. 1 e 10)
- A crise financeira na Ásia, onde as bolsas de valores permanecem em
queda e as moedas perdem valor a cada dia, chegou ao Chile e continua provocando tremores
por todo o mundo. Em Nova York, o mercado de ações fechou em baixa de 0,91%. Em São
Paulo, queda de 3,98%. Mas foram os chilenos que sentiram o baque mais violento. País da
América Latina que tem o maior fluxo de negócios com a Ásia, o Chile teve a sua moeda
superdesvalorizada e o governo precisou gastar US$ 40 milhões para preservar o valor do
seu dinheiro. (pág. 1 e 12)
EDITORIAL
"Doação de órgãos"- A polêmica causada pela nova lei
de doação de órgãos evidenciou pontos contraditórios. Boa e humanitária, a
legislação amplia consideravelmente a oferta potencial de órgãos. Mas foi recebida com
desconfiança. Sua aplicação pede providências sem as quais poderá virar letra morta.
Exige, por um lado, ampla campanha de esclarecimento da população. E, por outro, o
aparelhamento do sistema de saúde. Sabe-se que muitos pacientes morrem sem efetivar o
transplante não por falta de órgãos, mas por carência da infra- estrutura hospitalar.
(...) (pág. 16)
JORNAL DE BRASÍLIA
- A crise do PMDB não pára de crescer. A ala
governista, que apóia a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, colocou o presidente do
partido, Paes de Andrade, contra a parede: ou ele acata a decisão do Conselho Político
(apoiar Fernando Henrique) ou aponta logo quem é o candidato do PMDB à Presidência da
República. (...) Os governistas pressionam Paes de Andrade acreditando que nenhum dos
três postulantes do partido colocados até agora - José Sarney, Itamar Franco e Roberto
Requião - pretendem, de fato, entrar na disputa. Sarney estaria apenas fazendo jogo para
forçar o Palácio do Planalto a tratar sua filha Roseana, governadora do Maranhão, com
mais benevolência; Itamar, como funcionário de Fernando Henrique, não teria muita
disposição para enfrentar o chefe; e Requião, traço nas pesquisas, seria suicídio.
Mas suicídio mesmo, segundo Paes de Andrade, seria a vitória dos governistas na
convenção. (...) (pág. 1 e 3)
EDITORIAL
"Fora da rua" - Por mais injusta e cheia
de contradições que seja, há coisas com as quais a sociedade não pode compactuar.
Nenhum argumento é capaz de justificar, por exemplo, a permanência de menores na rua.
Desajuste familiar, rebeldia infantil, ou falta de condições financeiras - nada se pode
alegar como atenuante para a incapacidade que mostram os poderes públicos e a
coletividade na hora de assegurar a essas crianças vida digna e oportunidades justas.
Efetivamente, a opção que esses meninos e meninas fazem pelas ruas tem origem em algum
desequilíbrio social. E não será ignorando esses desajustes que se vai conseguir
conceder-lhes uma vida melhor. Menos ainda, reconhecendo-lhes o direito de serem moradores
da rua, cidadãos desclassificados tanto no presente como no futuro. (...) (pág. 6)
ZERO HORA
- Preocupada com a sucessão de blecautes em vários
pontos do País, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) convocou uma reunião
para amanhã, às 15h, em Brasília, de todas as empresas de geração, transmissão e
distribuição de energia. Segundo o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, a agência
detectou como principais áreas críticas os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio
Grande do Sul e Mato Grosso. "Não é possível entender como as geradoras estão
produzindo energia e esta não chega ao consumidor", ressaltou Abdo. (pág. 24)
- A polêmica do "fumo louco" volta à tona nos primeiros
dias de 1998. Uma reportagem distribuída pela agência de notícias americana Associated
Press (AP) denunciou na última segunda-feira que pelo menos 18 agricultores do Rio Grande
do Sul continuam cultivando o fumo Y-1, geneticamente alterado, com duas vezes mais
nicotina e folhas maiores do que as de uma planta normal, introduzido nas lavouras
brasileiras no final de 1983. A AP garantiu ainda que os fumicultores vendem as
produções para a empresa Souza Cruz, que as utilizaria para elaborar misturas. (pág.
30)
- As imagens e a programação de hoje da TVE gaúcha e da rádio FM
Cultura vão ficar na história da televisão gaúcha. A Fundação Cultural Piratini -
Rádio e Televisão começa a operar com transmissão via satélite, utilizando a
tecnologia digital da banda KU. O novo sistema, que será inaugurado às 11h com a
exibição do programa TVE Sat, utiliza o satélite Intelsat 7-A e alcança atualmente as
retransmissoras de Caxias do Sul, Gramado, Bagé e mais quatro municípios gaúchos. A TVE
é a primeira emissora de tevê educativa do País a operar com tecnologia digital. (pág.
45)
CORREIO
DO POVO
- Um dos principais alvos do novo Código Nacional
de Trânsito será o cartel de empresas que controlam as vistorias obrigatórias
realizadas pelos departamentos de trânsito, alertou, ontem em Brasília, o presidente do
Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), José Roberto de Souza Dias. "Com as
regras atuais, apenas quatro ou cinco empresas controlam esse mercado", disse. Uma
das idéias em estudo para desfazer o monopólio dessas poucas empresas é permitir que a
revisão do veículo possa ser feita em uma oficina autorizada, adiantou José Roberto.
(capa)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Fogo causa pânico em alagados
A TARDE (BA)
- Incendiados 100 barracos nos alagados
DIARIO DE
PERNAMBUCO
- Magalhães vai cercar viadutos para evitar invasão de mendigos
CORREIO DO
POVO (RS)
- El nino volta a maltratar o RS
ZERO HORA
(RS)
- Gasolina sobe muito acima da inflação
- Joinville sepulta luz vermelha
TELEJORNAIS
RECORD-JORNAL
DA RECORD-19H15
- Nem o ministro da Saúde consegue colocar fim à polêmica sobre a
doação compulsória de órgãos. Carlos Albuquerque defende o cumprimento da lei com
consulta à família, mas se a família não concordar, o ministro acha que, para isso,
existem as instâncias jurídicas que poderão decidir sobre o fato. Com ou sem solução,
o Ministério da Saúde se prepara para o funcionamento, a partir de primeiro de maio, da
Central Nacional de Transplantes, que vai coordenar o trabalho de outras 16 centrais
estabelecidas em 12 estados. Cada estado terá uma lista única de candidatos a
transplante. As cirurgias serão realizadas obedecendo o critério de inscrição da
listagem e a compatibilidade biológica. As listas serão públicas. A meta do Ministério
é saltar de dois mil transplantes anuais para três mil e 200.
- A Advogacia Geral da União tem dez dias para recorrer da decisão
judicial que devolve ao ex-Presidente Fernando Collor de Mello o direito de disputar
eleições. A liminar, uma decisão provisória, foi concedida pelo juiz substituto da 6a.
Vara Federal de Brasília, Antônio Oswaldo Scarpa. A ação será distribuida nesta
quarta-feira para julgamento do mérito.
- A convocação extraordinária do Congresso começa em clima de
otimismo, com o plenário cheio. Os deputados e senadores apostam na votação em primeiro
turno das reformas da previdência e administrativa até 13 de fevereiro. Os que atenderam
à convocação receberam afagos calorosos do presidente da Câmara, Michel Temer. Na
quinta-feira, os parlamentares começam a votar projetos de acordos internacionais.
- No Senado, a maior preocupação é com a reforma administrativa.
Nesta quarta- feira, o relator Romero Jucá vai apresentar seu parecer à Comissão de
Constituição e Justiça do Senado, exatamente como veio da Câmara, sem alteração. A
previsão é de que a reforma administrativa seja votada em primeiro turno no dia 11 de
fevereiro.
- Na sessão solene de abertura da convocação extraordinária, o
presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, fez um apelo aos 200
parlamentares presentes, pedindo esforço dobrado nos trabalhos. O senador reagiu aos
empresários que criticam o desempenho do Congresso, dizendo que eles nunca fazem nada
pelo País e apenas se beneficiam através de financiamentos privilegiados.
- A possibilidade de aumento geral para o funcionalismo público em 98
foi oficialmente descartada pelo Palácio do Planalto. O porta-voz, Sérgio Amaral,
informou que os R$ 2 bilhões e 200 milhões inicialmente destinados ao aumento foram
retidos por causa do pacote de ajuste fiscal. O porta-voz informou também que haverá
aumento para determinadas categorias, mas não especificou quais.
- Os metalúrgicos começam o ano lutando para garantir o emprego. No
ABC, a Volkswagen e os trabalhadores praticamente fecharam um acordo para evitar
demissões. Em São Paulo, uma indústria falida é reaberta pelos operários, que
arrombaram o cadeado e o lacre da Justiça, batendo o cartão de ponto e reiniciando a
produção. A falência da metalúrgica foi decretada no último dia 24 e os funcionários
estavam sem receber desde novembro. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São
Paulo, Paulo Pereira da Silva, disse que pretende pedir uma reconsideração à Justiça
da falência da empresa, que depois poderia ser transferida para novo dono.
GLOBO-JORNAL
NACIONAL-20H
- Briga na justiça para fazer cumprir a lei. É o que os pais de
algunos de São Paulo começam a fazer para enfrentar a falta de vagas nas escolas
públicas, pois a luta por uma vaga já virou desespero. Os pais baseiam-se nas Lei de
Diretrizes e Bases da Educação. Outra saída é apelar para o Estatuto da Criança e do
Adolescente. Na Zona Sul de São Paulo, faltam mais de 10 mil vagas. Para o Ministério da
Educação, as filas se formam porque os pais fazem questão de conseguir vaga nas
melhores escolas públicas. Segundo o Ministério, é pouco provável que faltem vagas na
rede pública. Foi o que declarou a assessora do MEC, Sônia Moreira.
- Estão adulterando a gasolina que o brasileiro compra. Algumas
distribuidoras e donos de postos misturam solvente de borracha ao combustível, o que
aumenta o lucro e prejudica o rendimento dos carros. A denúncia é da Federação dos
Revendedores.
- O novo código de trânsito está quase pronto para entrar em vigor e
os motoristas terão trinta dias para se adaptar às novas regras. A partir do dia 23, as
auto-escolas vão ter que dar aulas de direção defensiva, primeiros socorros e
proteção ao meio ambiente. Esses conceitos são estranhos à maioria dos intrutores e
dos futuros motoristas em treinamento. Pelo menos 341 artigos do novo código ainda
precisam ser regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito.
- A campanha para tirar dúvidas sobre a nova lei de doação de
órgãos deve começar na próxima semana. O Ministério da Saúde quer dobrar o número
de transplantes no Brasil em cinco anos e esclarecer em que casos e para quem os órgaos
podem ser doados. A partir de maio, começa a funcionar a lista nacional de candidatos ao
transplante. O Ministério da Saúde garante que haverá uma única fila. A nova lei diz
que não é necessário consultar a família, mas o ministro da Saúde, Carlos
Albuquerque, deixa a decisão para a equipe médica encarregada do transplante. Pela lei
em vigor, a família do morto não pode escolher para quem vai doar o órgão. É uma
forma de evitar o comércio.
- Começa o esforço concentrado do Congresso, mas muitos parlamentares
ainda não apareceram. Na sessão de abertura da convocação extraordinária havia apenas
201 dos 594 parlamentares, ou seja, menos da metade. A polêmica sobre a reforma da
previdência já começou, mostrando que será difícil aprovar no Senado o mesmo texto
que foi aprovado na Câmara. A ordem é trabalhar duro para dar conta da pauta. Foi o que
recomendou o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães.
- Dois tiros encerram a história do homem que ficou conhecido como o
"Bandido da Luz Vermelha". João Acácio Pereira, de 55 anos, foi enterrado
nesta terça- feira em Joinville, Santa Catarina, tendo sido morto a tiros pelo pescador
Nelson Pinziguer, a única pessoa que deu abrigo a ele. No final da tarde de domingo,
João Acácio brigou com um homem num bar e levou uma facada. À noite, foi para casa e,
descontrolado, pegou uma faca e quis matar todo mundo. Acabou sendo morto pelo pescador,
que está foragido. O Bandido da Luz Vermelha havia sido liberado em agosto do ano passado
apesar de advertências de que não tinha condições de viver em sociedade, pois poderia
morrer ou matar. João Acácio aterrizou São Paulo na década de 60. Com uma lanterna de
luz vermelha, ele invadia casas, assaltava, estuprava e matava. Foi condenado a 351 anos
de prisão por 88 crimes, entre eles quatro mortes. Saiu da cadeia depois de cumprir o
limite de prisão no Brasil, de 30 anos. Uma promotora ainda tentou impedir que ele fosse
solto, mas não foi atendida. O próprio desembargador que deu a ordem de soltura tinha
dúvidas de que João Acácio pudesse voltar ao convívio social.
BANDEIRANTES-JORNAL
BANDEIRANTES-20H
- Em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a família de uma jovem autoriza a
doação de quatro òrgãos para transplante. Foi o primeiro caso de doação no País
segundo a nova lei de doações. A partir de maio, o Brasil vai ter uma lista única
nacional para transplante de órgãos. A promessa foi feita nesta terça-feira pelo
ministro da Saúde, Carlos Albuquerque. Segundo o ministro, caso um órgão não seja
aproveitado num estado, será levado para o mais próximo. A lista será divulgada até na
Internet.
- Fernando Collor pode se candidatar à Presidência nas eleições do
ano que vem. Foi o que decidiu o juiz Antônio Oswaldo Scarpa, da Justiça Federal de
Brasília. Há um mês, o Supremo Tribunal Federal tinha decidido que o ex-Presidente não
poderia se candidatar. Ao saber da decisão, Collor disse que volta para o Brasil no
próximo mês.
- No ABC paulista, operários invadem uma fábrica fechada, retormam a
produção e o dono desaparece. A indústria de autopeças faliu há um mês e o Sindicato
dos Metalúrgicos garante que a falência foi fraudulenta. Os funcionários querem que a
justiça reveja a decisão de fechamento.
- O ano novo começou com um presente do Leão. O Imposto de Renda
aumentou. A mordida atingiu 30% dos contribuintes e muitas pessoas já começaram a cortar
despesas para tapar o buraco. Quem recebe mais de R$ 1.800,00 por mês, por exemplo, vai
pagar R$ 296,00 de Imposto de Renda, R$ 60,00 a mais do que no ano passado.
- As bolsas de todo o mundo tiveram mais um dia de queda. Na Ásia as
bolsas voltaram a cair e a crise fez a bolsa de Nova Iorque recuar, provocando reflexos no
Brasil. A bolsa de São Paulo, que vinha subindo nos últimos dias, caiu nesta
terça-feira 4 pontos.
RECORD-JORNAL
DA RECORD-19H15
- Nem o ministro da Saúde consegue colocar fim à polêmica sobre a
doação compulsória de órgãos. Carlos Albuquerque defende o cumprimento da lei com
consulta à família, mas se a família não concordar, o ministro acha que, para isso,
existem as instâncias jurídicas que poderão decidir sobre o fato. Com ou sem solução,
o Ministério da Saúde se prepara para o funcionamento, a partir de primeiro de maio, da
Central Nacional de Transplantes, que vai coordenar o trabalho de outras 16 centrais
estabelecidas em 12 estados. Cada estado terá uma lista única de candidatos a
transplante. As cirurgias serão realizadas obedecendo o critério de inscrição da
listagem e a compatibilidade biológica. As listas serão públicas. A meta do Ministério
é saltar de dois mil transplantes anuais para três mil e 200.
- A Advogacia Geral da União tem dez dias para recorrer da decisão
judicial que devolve ao ex-Presidente Fernando Collor de Mello o direito de disputar
eleições. A liminar, uma decisão provisória, foi concedida pelo juiz substituto da 6a.
Vara Federal de Brasília, Antônio Oswaldo Scarpa. A ação será distribuida nesta
quarta-feira para julgamento do mérito.
- A convocação extraordinária do Congresso começa em clima de
otimismo, com o plenário cheio. Os deputados e senadores apostam na votação em primeiro
turno das reformas da previdência e administrativa até 13 de fevereiro. Os que atenderam
à convocação receberam afagos calorosos do presidente da Câmara, Michel Temer. Na
quinta-feira, os parlamentares começam a votar projetos de acordos internacionais.
- No Senado, a maior preocupação é com a reforma administrativa.
Nesta quarta- feira, o relator Romero Jucá vai apresentar seu parecer à Comissão de
Constituição e Justiça do Senado, exatamente como veio da Câmara, sem alteração. A
previsão é de que a reforma administrativa seja votada em primeiro turno no dia 11 de
fevereiro.
- Na sessão solene de abertura da convocação extraordinária, o
presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, fez um apelo aos 200
parlamentares presentes, pedindo esforço dobrado nos trabalhos. O senador reagiu aos
empresários que criticam o desempenho do Congresso, dizendo que eles nunca fazem nada
pelo País e apenas se beneficiam através de financiamentos privilegiados.
- A possibilidade de aumento geral para o funcionalismo público em 98
foi oficialmente descartada pelo Palácio do Planalto. O porta-voz, Sérgio Amaral,
informou que os R$ 2 bilhões e 200 milhões inicialmente destinados ao aumento foram
retidos por causa do pacote de ajuste fiscal. O porta-voz informou também que haverá
aumento para determinadas categorias, mas não especificou quais.
- Os metalúrgicos começam o ano lutando para garantir o emprego. No
ABC, a Volkswagen e os trabalhadores praticamente fecharam um acordo para evitar
demissões. Em São Paulo, uma indústria falida é reaberta pelos operários, que
arrombaram o cadeado e o lacre da Justiça, batendo o cartão de ponto e reiniciando a
produção. A falência da metalúrgica foi decretada no último dia 24 e os funcionários
estavam sem receber desde novembro. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São
Paulo, Paulo Pereira da Silva, disse que pretende pedir uma reconsideração à Justiça
da falência da empresa, que depois poderia ser transferida para novo dono.
GLOBO-JORNAL
NACIONAL-20H
- Briga na justiça para fazer cumprir a lei. É o que os pais de
algunos de São Paulo começam a fazer para enfrentar a falta de vagas nas escolas
públicas, pois a luta por uma vaga já virou desespero. Os pais baseiam-se nas Lei de
Diretrizes e Bases da Educação. Outra saída é apelar para o Estatuto da Criança e do
Adolescente. Na Zona Sul de São Paulo, faltam mais de 10 mil vagas. Para o Ministério da
Educação, as filas se formam porque os pais fazem questão de conseguir vaga nas
melhores escolas públicas. Segundo o Ministério, é pouco provável que faltem vagas na
rede pública. Foi o que declarou a assessora do MEC, Sônia Moreira.
- Estão adulterando a gasolina que o brasileiro compra. Algumas
distribuidoras e donos de postos misturam solvente de borracha ao combustível, o que
aumenta o lucro e prejudica o rendimento dos carros. A denúncia é da Federação dos
Revendedores.
- O novo código de trânsito está quase pronto para entrar em vigor e
os motoristas terão trinta dias para se adaptar às novas regras. A partir do dia 23, as
auto-escolas vão ter que dar aulas de direção defensiva, primeiros socorros e
proteção ao meio ambiente. Esses conceitos são estranhos à maioria dos intrutores e
dos futuros motoristas em treinamento. Pelo menos 341 artigos do novo código ainda
precisam ser regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito.
- A campanha para tirar dúvidas sobre a nova lei de doação de
órgãos deve começar na próxima semana. O Ministério da Saúde quer dobrar o número
de transplantes no Brasil em cinco anos e esclarecer em que casos e para quem os órgaos
podem ser doados. A partir de maio, começa a funcionar a lista nacional de candidatos ao
transplante. O Ministério da Saúde garante que haverá uma única fila. A nova lei diz
que não é necessário consultar a família, mas o ministro da Saúde, Carlos
Albuquerque, deixa a decisão para a equipe médica encarregada do transplante. Pela lei
em vigor, a família do morto não pode escolher para quem vai doar o órgão. É uma
forma de evitar o comércio.
- Começa o esforço concentrado do Congresso, mas muitos parlamentares
ainda não apareceram. Na sessão de abertura da convocação extraordinária havia apenas
201 dos 594 parlamentares, ou seja, menos da metade. A polêmica sobre a reforma da
previdência já começou, mostrando que será difícil aprovar no Senado o mesmo texto
que foi aprovado na Câmara. A ordem é trabalhar duro para dar conta da pauta. Foi o que
recomendou o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães.
- Dois tiros encerram a história do homem que ficou conhecido como o
"Bandido da Luz Vermelha". João Acácio Pereira, de 55 anos, foi enterrado
nesta terça- feira em Joinville, Santa Catarina, tendo sido morto a tiros pelo pescador
Nelson Pinziguer, a única pessoa que deu abrigo a ele. No final da tarde de domingo,
João Acácio brigou com um homem num bar e levou uma facada. À noite, foi para casa e,
descontrolado, pegou uma faca e quis matar todo mundo. Acabou sendo morto pelo pescador,
que está foragido. O Bandido da Luz Vermelha havia sido liberado em agosto do ano passado
apesar de advertências de que não tinha condições de viver em sociedade, pois poderia
morrer ou matar. João Acácio aterrizou São Paulo na década de 60. Com uma lanterna de
luz vermelha, ele invadia casas, assaltava, estuprava e matava. Foi condenado a 351 anos
de prisão por 88 crimes, entre eles quatro mortes. Saiu da cadeia depois de cumprir o
limite de prisão no Brasil, de 30 anos. Uma promotora ainda tentou impedir que ele fosse
solto, mas não foi atendida. O próprio desembargador que deu a ordem de soltura tinha
dúvidas de que João Acácio pudesse voltar ao convívio social.
BANDEIRANTES-JORNAL
BANDEIRANTES-20H
- Em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a família de uma jovem autoriza a
doação de quatro òrgãos para transplante. Foi o primeiro caso de doação no País
segundo a nova lei de doações. A partir de maio, o Brasil vai ter uma lista única
nacional para transplante de órgãos. A promessa foi feita nesta terça-feira pelo
ministro da Saúde, Carlos Albuquerque. Segundo o ministro, caso um órgão não seja
aproveitado num estado, será levado para o mais próximo. A lista será divulgada até na
Internet.
- Fernando Collor pode se candidatar à Presidência nas eleições do
ano que vem. Foi o que decidiu o juiz Antônio Oswaldo Scarpa, da Justiça Federal de
Brasília. Há um mês, o Supremo Tribunal Federal tinha decidido que o ex-Presidente não
poderia se candidatar. Ao saber da decisão, Collor disse que volta para o Brasil no
próximo mês.
- No ABC paulista, operários invadem uma fábrica fechada, retormam a
produção e o dono desaparece. A indústria de autopeças faliu há um mês e o Sindicato
dos Metalúrgicos garante que a falência foi fraudulenta. Os funcionários querem que a
justiça reveja a decisão de fechamento.
- O ano novo começou com um presente do Leão. O Imposto de Renda
aumentou. A mordida atingiu 30% dos contribuintes e muitas pessoas já começaram a cortar
despesas para tapar o buraco. Quem recebe mais de R$ 1.800,00 por mês, por exemplo, vai
pagar R$ 296,00 de Imposto de Renda, R$ 60,00 a mais do que no ano passado.
- As bolsas de todo o mundo tiveram mais um dia de queda. Na Ásia as
bolsas voltaram a cair e a crise fez a bolsa de Nova Iorque recuar, provocando reflexos no
Brasil. A bolsa de São Paulo, que vinha subindo nos últimos dias, caiu nesta
terça-feira 4 pontos.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |