
09/03/1998
JORNAL DO BRASIL
- PMDB é Fernando Henrique
- A facção governista saiu vitoriosa da convenção do PMDB, ontem,
na Câmara dos Deputados, em Brasília. O partido decidiu apoiar o projeto da reeleição
de Fernando Henrique Cardoso, derrotando a idéia da candidatura própria. O resultado:
389 votos a 303, e cinco em branco. Analistas consideram que agora crescem as chances de
FH ser reeleito já no primeiro turno. A ala governista tem um desafio duplo: conquistar
espaço na coligação que inclui PSDB, PFL, PPB e PTB e fazer uma bancada expressiva no
Congresso. O deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) disse que o PMDB passa a integrar
o comando da campanha, ao lado de PSDB e PFL. Houve muita pancadaria. Segundo o senador
Roberto Requião, entre os manifestantes havia PMs que receberam R$ 100 cada. (pág. 1, 2
a 7, Dora Kramer, pág. 2 e Informe JB, pág. 6)
- As negociações para as indenizações do caso Palace II começam
hoje, em reunião entre as vítimas e o advogado Sílvio Viola, representante do deputado
e construtor Sérgio Naya. A família do defensor público Gil Maneschy, morto no
desabamento, já negocia com Viola. (pág. 1 e 18)
- O ex-presidente Itamar Franco foi o grande derrotado da convenção
de ontem. Foi empurrado, xingado e até traído. E afirmou, antes mesmo de saber o
resultado da votação, que continuaria apoiando a candidatura própria do partido à
sucessão presidencial. Até as 21h, o ex-presidente permanecia trancado em sua suíte no
Hotel Nacional, analisando a derrota com amigos, enquanto no Congresso o presidente do
PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), principal articulador dos antigovernistas, declarou
que seguiria, a partir de agora, a decisão da convenção.
A traição veio até de alguns convencionais mineiros que lhe
prometeram o voto, entre eles o prefeito de Contagem, Newton Cardoso, que não apareceu
para votar. "Sentimos a falta do Newton", comentou Itamar com um amigo. (pág.
5)
- Barganhas de última hora fizeram parte da convenção do PMDB. Em
reuniões no fim de semana, o Governo ofereceu o comando da Telepar (Telecomunicações do
Paraná) a Mário Pereira, que passa a ser o homem forte do diretório regional do estado,
e prometeu R$ 150 milhões para obras em Santa Catarina, do governador peemedebista Paulo
Afonso Vieira. (pág. 1 e 2)
- A indústria do Rio volta a crescer. Estão previstos investimentos
de R$ 31,1 bilhões até o fim de 99 e a criação de 16 mil empregos, ainda assim poucos,
perto das perdas de setores intensivos em mão-de-obra como a indústria naval, que chegou
a empregar 40 mil nos anos 70. Os destaques hoje são os setores de petroquímica e
higiene e limpeza, que usam tecnologia sofisticada e exigem qualificação de
mão-de-obra. (pág. 1 e 13)
- Pela primeira vez na história do PMDB, o MR-8 não foi o único
grupo a movimentar uma convenção do partido com palmas, gritos de guerra, vaias e doses
de violência. Ontem, os militantes do movimento quercista - que apoiou a candidatura
própria - tiveram que dividir o plenário da Câmara com uma agressiva claque
pró-reeleição, controlada pelo PMDB local, organizada pelo ministro da Justiça, Íris
Rezende, pelo ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz e comandada pelo deputado
Sandro Mabel (GO). Segundo denúncias do senador Roberto Requião (PR), a turma incluía
soldados da Polícia Militar de Goiás, que teriam recebido diária de R$ 100. (pág. 4)
- (São Paulo) - Na avaliação do presidente do Partido dos
Trabalhadores (PT), José Dirceu, o resultado da convenção do PMDB que decidiu pelo
apoio à reeleição de Fernando Henrique deixa claro que a base do partido está
insatisfeita. "Basta ver o resultado da votação", argumentou Dirceu,
referindo-se aos 304 votos favoráveis à candidatura própria.
"O resultado deixou claro que prevaleceu o uso da máquina do
Governo, através de recursos públicos e tráfico de interesses, para ganhar a
convenção", acrescentou. Ele informou que seu partido vai denunciar o fato à
Justiça. (pág. 7)
EDITORIAL
"O desafio das cidades" - Deste verão sobrará, como
entulho não removido, a certeza de que Rio e São Paulo ficaram para trás em suas
aspirações metropolitanas e, se nada for feito com urgência, acima das suas
debilidades, entrarão num ciclo de degradação urbanística já à vista. A favela
sobrepõe-se ao arranha-céu. Qualquer chuva com duas horas de duração é suficiente
para realçar a incapacidade pública de atenuar o impacto das águas que excedem de muito
a capacidade de conduzí-las à rede de escoamento.
As causas são comuns às duas maiores cidades
brasileiras. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - As cenas de
pancadaria, xingamentos, acusações e baixarias em geral podem ter horrorizado muita
gente que assistiu, ao vivo ou pela televisão, à convenção do PMDB. Mas não
surpreendeu quem conhece, de fato, o partido. O presidente da Câmara, Michel Temer, por
exemplo, acha que o que se viu ontem não passou de uma "legítima convenção do
PMDB, igual a todas as outras".
Temer está coberto de razão, pois apenas os excessivamente cínicos
ou os absurdamente ingênuos teriam direito à surpresa. Num caso por desfaçatez e no
outro por pureza d'alma. Como dizia à tarde o senador Jader Barbalho, a única coisa
diferente é que nesta convenção houve contraponto à baderna, em geral exclusivamente
comandada pelo MR-8 de Orestes Quércia. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Cristiano Romero) - Começam a funcionar em 1º de abril
duas delegacias especiais da Receita Federal, uma no Rio e outra em São Paulo, criadas
exclusivamente para fiscalizar as instituições financeiras.
Outra delegacia, essa voltada para assuntos internacionais (leia-se
contrabando, sub e superfaturamento no comércio exterior, remessa ilegal de divisas etc),
começa a operar na capital paulista no mesmo dia.
Com essas delegacias, o secretário da Receita, Everardo Maciel, quer
prevenir o Fisco contra escândalos como os dos bancos Nacional e Econômico. (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- FHC vence convenção do PMDB
- O PMDB decidiu que não terá candidato próprio nas eleições
presidenciais deste ano, em uma convenção marcada por brigas e bate-bocas entre os
membros do partido.
A decisão foi uma vitória da ala governista do PMDB, que apóia a
reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Promessas de verbas alteraram posições. No
caso de Santa Catarina, a negociação de R$ 200 milhões mudou 28 votos da bancada.
O eventual apoio do PMDB à reeleição só será discutido em nova
convenção do partido, em junho. No encontro de ontem, as lideranças saíram divididas
sobre a candidatura FHC - parte cogita até apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Vai ser difícil reconstruir a unidade do partido", disse o
senador Ronaldo Cunha Lima (PB), comentando vaias a Itamar Franco (MG), que pretendia ser
candidato. (pág. 1 e cad. Brasil)
- Dois blocos de militantes de aluguel se destacaram na convenção do
PMDB. Comandadas por monitoras, 90 moças de minissaia faziam coro contra a candidatura
própria.
Frases pró-reeleição vinham de 120 pessoas recrutadas a R$ 40 cada,
todas vestidas com camisas amarelas. (pág. 1 e 1-8)
- O Governo festejava o resultado do jogo que empregou para ganhar a
convenção do PMDB. Ao recusar o candidato próprio, o PMDB - acha o Governo - mantém a
disputa no maniqueísmo FHC versus Lula e torna mais fácil que o Presidente se reeleja
já no primeiro turno. (pág. 1 e 1-6)
- Pesquisa Datafolha mostra que apenas 5% dos paulistanos aprovam o
fura-fila, principal proposta da prefeitura para o trânsito em São Paulo. Obras começam
neste mês e devem custar R$ 146,9 milhões.
A cobrança de pedágio na cidade, sugerida pelo prefeito Celso Pitta
(PPB), fica em último lugar - 1%. Para a maioria - 42% -, a solução viria com a
ampliação do metrô, administrado pelo estado. (pág. 1 e 3-1)
- O comércio de São Paulo está renegociando com clientes devedores a
fim de reduzir perdas com a inadimplência. A anistia envolve dilatação do prazo para
pagamento, redução dos juros ou desconto no total da dívida.
"Fazemos qualquer negócio para diminuir o risco de perdas",
diz Luiza Helena Trajano Rodrigues, diretora de um magazine com 92 lojas. (pág. 1 e 2-1)
- O governo do Chile criticou a concessão do título de
comandante-chefe benemérito ao general Augusto Pinochet, que deixa amanhã a chefia do
Exército. O ex-ditador deve se tornar senador vitalício nos próximos dias. (pág. 1 e
1- 11)
EDITORIAL
"A reforma que falta"- Começa a ganhar corpo no mundo
desenvolvido a tese de que é urgente iniciar a discussão sobre a reforma das chamadas
instituições de Bretton Woods, o acordo que, em 1944, lançou as bases do sistema
financeiro mundial até hoje prevalecentes.
É uma tese cara ao presidente Fernando Henrique
Cardoso. Ainda no mês passado, no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, FHC, ao
lado do megainvestidor George Soros, defendeu a necessidade de "um novo Bretton
Woods" como arma contra a instabilidade financeira. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Além de facilitar eventual vitória no
1º turno, FHC diz a interlocutores ser importante o apoio do PMDB para equilibrar a
força entre seus aliados. Leia-se: está incomodado com o carimbo de que ACM e o PFL
mandam nele.
_* Caciques do PMDB governista avaliam que precisam se aliar ao PSDB
para fazer frente ao PFL e ao PPB, que também apóiam FHC. Mas há um entrave forte:
tucanos e peemedebistas sonham em presidir a Câmara. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Convenção do PMDB decide apoiar reeleição
- O presidente Fernando Henrique Cardoso eliminou ontem um grande
obstáculo para a reeleição, ao obter da convenção nacional do PMDB, por 389 votos
contra 306 e 5 em branco, uma declaração formal de apoio à sua candidatura. A
convenção transcorreu em clima de guerra inédito nos 33 anos do partido. O principal
derrotado foi o presidente da legenda, deputado Paes de Andrade (CE), que já perdeu, na
prática, o comando político do partido. Também foram derrotados os ex-presidentes José
Sarney (AP) e Itamar Franco (MG) que fizeram discursos tímidos em favor de uma
candidatura própria, mas não exigiram dos convencionais a eles ligados o apoio à tese
rebelde. A vitória do Palácio do Planalto ainda terá de ser confirmada oficialmente por
uma nova convenção do PMDB, em junho, mas os governistas não acreditam numa reversão
do processo. O Governo ganhará 22 minutos diários a mais na propaganda eleitoral
obrigatória de rádio e TV, tempo reservado ao PMDB. (pág. 1, A-4, A5 e A8)
- Cerca de um terço dos trabalhadores brasileiros trocou de emprego no
ano passado, segundo dados do Ministério do Trabalho. O ano de 1997 encerra-se com 24,1
milhões de trabalhadores empregados no setor formal da economia, com elevado índice de
rotatividade: no período, 8,457 milhões de assalariados foram demitidos, enquanto outros
8,421 milhões foram admitidos. "É uma taxa muito alta", observa o economista
Márcio Pochmann, diretor do Centro de Estudos Sindicais da Economia do Trabalho (Cesit)
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A rotatividade é maior na indústria.
(pág. 1 e B1)
- O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse ontem que
até o fim do mês anunciará um pacote de medidas para dar início à "Reforma
Agrária Verde", em que o plantio de florestas será incentivado com a criação de
empréstimos para assentados e pequenos agricultores. (pág. 1 e A9)
- O gerente do projeto de reestruturação das empresas elétricas,
Lindolfo Paixão, disse que a falta de investimentos coloca a Eletropaulo no pior posto
entre as empresas de distribuição de energia, ao lado da Ligth, do Rio. "A falta de
eletricidade em São Paulo indica má performance", diz. (pág. 1 e C1)
- O presidente francês, Jacques Chirac, pediu ontem uma ação
internacional "urgente e determinada" para aplacar a nova crise nos Bálcãs. A
secretária de Estado americana, Madeleine Albright, reuniu-se com o ministro de
Relações Exteriores da França, Hubert Vedrine, para discutir a situação. Nos últimos
15 dias, quase cem pessoas foram mortas por policiais sérvios em Kosovo. (pág. 1 e A12)
EDITORIAL
"A reforma do código penal" - São mais que respeitáveis
as razões que levam três juristas a se exonerar da comissão que elaboraria um
anteprojeto de Código Penal. Os juristas queriam um calendário menos rígido e a
ampliação da discussão das propostas. (pág. 1 e A13)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - O ministro Eliseu Padilha
reagiu com ironia à denúncia do deputado Chico Vigilante (PT-DF), de uso de verba do
Ministério dos Transportes para a compra das marmitas destinadas aos convencionais do
PMDB.
O ministro lembrou que Chico Vigilante não tem isenção para falar de
marmitas, porque o Governo do Distrito Federal, do PT, pagou as refeições dos
manifestantes contra FHC. Padilha lembrou também o caso das "gambiarras" -
denúncia de que o deputado petista teria usado serviços da Companhia Elétrica de
Brasília (CEB) no aniversário de seu filho. (pág. A5)
O
GLOBO
- PMDB sepulta candidatura própria e decide apoiar FH
- O PMDB decidiu ontem em sua convenção nacional, por 389 votos
contra 303, apoiar a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Com isso, fica
sepultada a hipótese de uma candidatura de Itamar Franco à Presidência da República,
encabeçando uma chapa de centro. Com o apoio do PMDB, Fernando Henrique ganha mais 22
minutos em seu programa de TV no horário eleitoral gratuito, além de contar com a
estrutura do partido para a campanha, vendo aumentadas sua chances de vencer a eleição
já no primeiro turno. A convenção foi marcada por tumultos e agressões físicas e
verbais entre parlamentares, convencionais, filiados ao partido e integrantes das claques
organizadas pelos dois lados em disputa. (...) (pág. 1 e 3 a 8)
- O governador Marcello Alencar decidiu anistiar as multas de Linha
Vermelha referentes a 1997. Ele quer alterar o limite de velocidade da via expressa dos
atuais 80km/h para 100km/h. Para isso, enviará um ofício ao Contran, pedindo permissão
para a mudança. Segundo o governador, o limite de 80km/h é baixo para a Linha Vermelha,
provocando engarrafamentos e até acidentes. (pág. 2 e 16)
- O Governo aceitou o preço do apoio do PMDB de Santa Catarina à
reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. O governador Paulo Afonso Vieira
espera, para os próximos dias, a liberação de R$ 200 milhões do BNDES - fundamentais
para o acordo da dívida do estado, de R$ 1,9 bilhão - e mais recursos para a
construção de uma via expressa em Florianópolis, a restauração da BR-282 e programas
habitacionais. Segundo o deputado Edinho Bez - coordenador da bancada de Santa Catarina -
o acordo foi fechado na semana passada, graças à intermediação do presidente da
Câmara, Michel Temer (SP), e do líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
Além das verbas, segundo o prefeito de Joinville, Luiz Henrique, Fernando Henrique
prometeu maior espaço para o partido no futuro Ministério, se for reeleito. (pág. 4)
- Além das queimadas visíveis, a floresta amazônica sofre o chamado
incêndio verde. A mata pega fogo por baixo, destruindo a biodiversidade e os bancos de
sementes, mas a copa permanece verde, dando a ilusão de que a área está intacta. O
corte seletivo de madeira abre fendas na mata, permitindo a penetração dos raios solares
até o chão repleto de folhas secas e restos florestais de alta combustão. (pág. 1 e 9)
- A Agência Nacional de Petróleo (ANP), que regulará as atividades
da indústria petrolífera, chega hoje ao Rio. Provisoriamente, ficará na sede do BB.
David Zylberzstajn, seu diretor, se mudará para a cidade. Até agosto, a ANP decidirá
que áreas a Petrobras continuará explorando. (pág. 1 e 18)
- O desabamento do Palace II expôs a profunda crise vivida pela
construção civil no País: só ao BB e à CEF, construtoras devem R$ 4 bilhões. Hoje
começam as negociações entre a Sersan, que construiu o Palace II, e os ex-moradores,
que criaram uma associação. (pág. 1 e 11 a 14)
- Durante o fim de semana, o presidente Fernando Henrique Cardoso
tentou aparentar despreocupação em relação à convenção do PMDB mas logo que soube
do resultado, telefonou para o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, o principal
articulador dos governistas, e deu-lhe os parabéns. Fernando Henrique passou o domingo no
Alvorada com a família. Até o início da noite não tinha recebido a visita de ministro
ou parlamentares, mas se manteve informado do desenrolar da convenção por telefone.
No fim da tarde, a assessoria do Planalto reiterou que o Presidente
não faria qualquer declaração sobre o resultado da convenção. Mas a previsão era a
de que os dois ministros peemedebistas - Íris Rezende (Justiça) e Eliseu Padilha - fosse
anunciar pessoalmente ao Presidente a decisão do partido. Independentemente do resultado
da convenção, a disposição de Fernando Henrique é a de solicitar aos dois ministros
que permaneçam no Governo. (pág. 4)
EDITORIAL
"Ineficaz" - O desabamento do edifício Palace II mostrou
com trágica eloquência que a sociedade precisa urgentemente de mecanismos para se
proteger de construtoras, empresários e engenheiros incompetentes, desonestos e
gananciosos. O Palace II não tinha "habite-se", a declaração pública de que
um imóvel é adequado para habitação. Mas isso não elimina nem diminui a
responsabilidade do poder público, pois o edifício desmanchou-se no ar depois de pronto
- com pessoas morando nele. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tales Faria) - O grande
vitorioso da convenção de ontem do PMDB chama-se Eliseu Padilha. O ministro dos
Transportes foi quem comandou, do gabinete do líder do PMDB na Câmara. Geddel Vieira
Lima, todas as articulações para derrubar a tese da candidatura própria no partido.
Padilha apostou todas as suas fichas e ganhou. A partir de hoje, seus aliados no PMDB
começam a trabalhar para fazê-lo coordenador político do Governo. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Fechou bem a primeira semana da balança comercial
de março. O número não oficial, sábado, era de US$ 55 milhões. E a exportação de
soja - vedete da temporada - só começa depois do dia 20.
_* Têm sido frequentes, no Planalto, as conversas sobre um terceiro
mandato para Fernando Henrique Cardoso. O Presidente renunciaria seis meses antes de
terminar seu segundo governo, em 2002, para sair candidato novamente. Ainda este mês,
através de consulta ao TSE, o PDT tentará fechar a porta ao sonho tucano. (pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- PMDB apoia reeleição de Fernando Henrique
- "Ganhamos!" Quem comemorava ao telefone, às 19h45 de
ontem, o resultado da convenção do PMDB, era o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Do outro lado da linha, o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Dê os parabéns a
todos os convencionais", respondeu o Presidente. A comemoração na primeira pessoa
mostra o quanto o Governo se empenhou em garantir que o PMDB não tivesse candidato
próprio na eleição presidencial de 4 de outubro. Padilha comandou pessoalmente a
pressão governista, instalado no gabinete do presidente da Câmara, Michel Temer.
A convenção começou com pancadaria entre as "tropas de
choque" dos dois lados e terminou com a promessa dos governistas de que o presidente
do PMDB, deputado Paes de Andrade - defensor da candidatura própria - será substituído
pelo senador Jader Barbalho, aliado do Governo. O ex-presidente Itamar Franco, candidato
dos oposicionistas, disse a amigos que apoiará a reeleição de Fernando Henrique. (pág.
1, 6 e 9)
- Com uma goleada de 4x0 sobre o Brasília, o Gama sagrou-se campeão
do primeiro turno do Campeonato Brasiliense. Apesar do sucesso, o técnico Paulo Roberto,
que chegou ao título invicto, foi demitido do cargo por causa de uma briga com o
supervisor Edvan Aires. No Maracanã, apenas 14 mil torcedores viram o Vasco derrotar o
Fluminense por 4x3 e disparar na liderança do Campeonato Carioca. No Mineirão, 60 mil
torcedores empurraram o Cruzeiro na virada contra o Atlético. Com a vitória de 2x1 o
time passou a dividir a liderança com o América. (pág. 1 e 24 a 26)
- Governo não vem cumprindo a meta de construir 129 usinas térmicas e
hidrelétricas até 2004. Licitações para obras estão atrasadas. (pág. 1 e 2)
- Administradoras de estradas privatizadas pelo Governo federal
arrecadaram no ano passado R$ 312 milhões com a cobrança de pedágio. (pág. 1 e 12)
- Na virada do milênio, mais uma revolução no país comunista: cerca
de quatro milhões de funcionários públicos podem ser demitidos. (pág. 1 e 13)
EDITORIAL
"Fim à impunidade" - Uma das mais graves deformações da
vida pública brasileira é o privilégio concedido aos parlamentares de não serem
processados pela prática de crime comum, salvo mediante prévia licença da Casa a que
pertencer. (...) Mantê-los imunes à ação da Justiça quando flagrados em crimes comuns
é instituir privilégio odioso, recusado aos cidadãos que os elegem e lhes pagam os
subsídios. Muitos com o sacrifício de impostos sobre os seus míseros salários. (...)
(pág. 10)
ZERO HORA
- Com a habitual sinceridade, o ministro das
Comunicações, Sérgio Motta, mandou um recado ao vice-governador do Rio Grande do Sul,
Vicente Bogo, que está em campanha para ser candidato a governador: o PSDB nacional tem
outros planos. Em entrevista exclusiva à RBS, Serjão disse que a prioridade do PSDB
nacional é a aliança com o governador Antônio Britto, a quem o ministro considera
"um irmão". E deixou no ar a possibilidade de uma intervenção no PSDB do Rio
Grande do Sul, se Bogo não for compreensivo. Durante quase uma hora, Serjão falou sobre
sua saúde, previu o fim do Ministério das Comunicações e acenou com uma reforma
partidária que deverá unir setores do PMDB ao PSDB. (pág. 16)
- O final de semana foi de preparativos nas duas áreas ainda ocupadas
por sem- terra no estado. Depois de acompanharem pelo rádio a desocupação da Fazenda
Capão do Leão, em Santo Antônio das Missões, no sábado, as 1,7 mil famílias
acampadas na Guabiju, em Jóia, passaram o domingo cavando trincheiras e esparramando
óleo sobre máquinas e benfeitorias da propriedade. Um esquema para enfrentar as forças
militares foi também traçado pelos colonos acampados na Fazenda Rubira, em Piratini,
caso a Justiça decida decretar a reintegração de posse ao proprietário. (pág. 42)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- PMDB sem candidato em convenção tumultuada
CORREIO DA
BAHIA
- PMDB decide apoiar reeleição de FHC
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- PMDB vai apoiar Fernando Henrique
DIARIO DE
PERNAMBUCO
- PMDB desiste de ter candidato
ZERO HORA
(RS)
- PMDB em guerra opta por FH
ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |