
10/01/1998
JORNAL DO BRASIL
- FH reforça direitos humanos
- O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem que a
Secretaria Nacional de Direitos Humanos, comandada por José Gregori, terá maior peso
institucional nos próximos quatro anos. "Os direitos humanos continuarão sendo
prioridade no segundo mandato. Penso mesmo em fortalecer institucionalmente a secretaria,
dando a ela um status mais condizente com o que é necessário para sinalizar à
população sobre a importância que o Governo atribui a essa matéria", disse o
Presidente, na cerimônia de entrega do Prêmio Direitos Humanos 1998, no Palácio do
Planalto.
"Foi uma grande notícia", comemorou Gregori, que receberá
em Nova Iorque, amanhã - dia do cinquentenário da Declaração Universal dos Direitos
Humanos -, prêmio da ONU. A secretaria, segundo José Gregori, poderá ser transformada
em ministério extraordinário.
O presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, José
Arthur Gianotti, disse ontem que o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique
"foi mais tecnocrata que social-democrata", e que "uma boa combinação de
política de estabilização e política desenvolvimentista" poderá levar a esquerda
ao poder. (pág. 1. 4 e 7)
- A projeção de um superávit de US$ 2,8 bilhões na balança
comercial do próximo ano, fixada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), é apenas uma
meta indicativa, segundo informou ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, descartando
qualquer alteração na política cambial para que essa meta seja atingida.
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado vota hoje os textos do
empréstimo de US$ 41,5 bilhões, a ser concedido pelo FMI, Banco Mundial, Banco
Interamericano de Deenvolvimento, Banco de Compensações Internacionais e Banco do
Japão. (pág. 1 e 13)
- Os presidentes dos países do Mercosul se reúnem hoje no Rio mais
perto de um acordo para a liberação do comércio de açúcar. Há dois anos, o Congresso
argentino votou uma lei criando um imposto de 23% sobre o açúcar importado do Brasil,
Uruguai e Paraguai. Desde então, as negociações diplomáticas estavam suspensas.
Ontem, na reunião do Grupo de Mercado Comum, representantes do bloco
acertaram a reativação de um grupo especial de trabalho para discutir o assunto. Essa
comissão fora extinta por causa de uma queixa formal feita por usineiros de açúcar de
São Paulo.
"Brasil e Argentina mudaram a forma de encarar o assunto, prova
disso é a retomada deste grupo", comentou o secretário argentino de Relações
Internacionais, Jorge Campbell. (pág. 1 e 16)
- A Polícia Federal está com as fitas apreendidas com o coronel da
reserva da Aeronáutica Eudo Santos Costa e investigará se ele está envolvido com
escutas telefônicas clandestinas no Rio. O delegado Eduardo Matta, da Delegacia de
Combate ao Crime Organizado, ouviu algumas fitas e disse que "existe diálogo"
nelas.
O militar depôs ontem e explicou que as 2.000 fitas apreendidas em seu
poder são usadas para detectar transmissões clandestinas de vestibulandos. A Uerj
informou que já usou o serviço do coronel, dono da empresa Air Phoenix Sistema de
Segurança. (pág. 1 e 24)
- O Governo desistiu de regulamentar a reforma da Previdência por meio
da medida provisória que, entre outros itens, acaba com a isenção tributária de parte
das entidades filantrópicas. A ameaça da base aliada no Congresso de impor nova derrota
ao Governo fez o Executivo retirar da MP alterações nos artigos das Leis de Custeio e
Benefício da Previdência.
A nova medida, que será votada hoje, trata apenas de isenção
patronal das entidades filantrópicas para a Previdência, do aumento do teto para
pequenas empresas que recolhem imposto pelo sistema Simples. (pag. 1 e 3)
- A criação do novo imposto seletivo sobre os combustíveis deverá
gerar uma arrecadação entre R$ 15 bilhões e R$ 25 bilhões ao Governo. E será o
consumidor de gasolina quem vai, mais uma vez, pagar o aumento de arrecadação do
Governo.
Segundo o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, o novo tributo, que
está sendo estudado pelo Ministério da Fazenda, deverá ter alíquotas maiores incidindo
mais sobre a gasolina do que sobre os demais derivados do petróleo, como o óleo diesel.
Cerca de 20% do total que será arrecadado com o imposto vão para o
Fundo Nacional dos Transportes. O novo imposto será cobrado nas refinarias e nos portos
para evitar sonegação. (pág. 1 e 19)
- O futuro secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner
Victer, indicado pelo governador eleito Anthony Garotinho, disse ontem ao "Jornal do
Brasil" que incrementará um plano de ação a curto prazo para reativar os setores
de sua pasta, principalmente a indústria naval e de plataformas de petróleo. Wagner
Victer quer evitar o retorno, ainda este ano, de R$ 360 milhões do Fundo de Marinha
Mercante, e que por falta de encomendas aos estaleiros estes recursos são enviados ao
Tesouro Nacional.
Uma nova política para os hospitais foi tratada no primeiro encontro
oficial entre Garotinho e Conde. Garotinho anunciou que cancelará contratos com todas as
empresas que gerenciam os hospitais terceirizados por Marcello Alencar. Ontem o Senado deu
sinal verde para o empréstimo de R$ 296,6 milhões para pagamento do 13º dos servidores.
(pág. 1, 5 e 23)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (dezembro): R$ 130,00. Dólar
comercial: R$ 1,2027 (compra), R$ 1,2035 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,220 (compra), R$
1,230 (venda). Dólar turismo (Banco do Brasil - compra) R$ 1,16 (Banco do Brasil -
venda): R$ 1,22. TR do dia 09/11 a 09/12: 0,6627%. TBF do dia 07/12 a 07/01: 2,1545%.
(pág. 1)
EDITORIAL
"Dívida social" - Entre a Justiça e a opinião pública
criou-se uma zona de constrangimento que a lentidão exasperadora na reforma do
Judiciário só faz aumentar. O Dia da Justiça, ontem, refletiu desencontro de opiniões
que inibe o debate. Não há, no entanto, que discorde da necessidade de reforma do
Judiciário, cuja discussão se passa à margem da sociedade, ora nos limites técnicos
que escapam ao conhecimento leigo, ora no Congresso Nacional com focos políticos
divergentes.
A sensação de que o Brasil é o país da
impunidade sobrecarrega a imagem da Justiça com uma crítica de efeito retórico geral,
que exprime, ao mesmo tempo, excesso de leis, recursos protelatórios e o mais consabido,
sobre um denominador comum que responsabiliza o Executivo, o Legislativo e o Judiciário
por um país de justiça para poucos. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - O presidente
Fernando Henrique Cardoso trombou em cheio com a Justiça exatamente no dia e na hora em
que se fazia no Palácio do Planalto a celebração desse conceito tão caro à
humanidade. Na solenidade de comemoração dos 50 anos da Declaração Universal dos
Direitos Humanos, o Presidente surpreendeu todo mundo, incluindo aí autoridades do
Governo federal, ao se referir aos sequestradores do empresário Abílio Diniz, em 1989,
como prisioneiros políticos.
Horas depois, ao se dar conta do que tinha dito, o Presidente
determinou que seu porta-voz explicasse que, no improviso do discurso, fora cometido um
equívoco. "O Presidente se confundiu", justificou o Palácio do Planalto que,
ao mesmo tempo, providenciou a supressão do trecho da reprodução da fala que foi
distribuída pelo serviço de comunicação oficial. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Marcia Carmo) - Brasileiros e argentinos estão,
finalmente, fazendo coro dentro das discussões do Mercosul - que reúne ainda Uruguai e
Paraguai.
No Rio até amanhã, presidentes, ministros da área econômica e
titulares dos bancos centrais vão repetir que, em meio à crise mundial, o bloco se
diferencia de outras regiões.
"Como? Não modificando suas políticas macroeconômicas,
reafirmando a importância do Mercosul e lembrando que a região é hoje o primeiro
destino dos recursos dos países, desenvolvidos para os subdesenvolvidos. O Mercosul
representa 15% dos investimentos no mundo", diz o embaixador Jorge Campbell,
secretário de Relações Econômicas Internacionais da Argentina.
Do lado do Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe
Lampreia, afirma que o importante é mostrar, aqui no Rio, que o Mercosul está "nos
trilhos". No cotidiano dos números, porém, os dois países estão sofrendo reflexos
da crise. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Malan admite que país é vulnerável
- O ministro Pedro Malan (Fazenda) disse que a percepção dos
investidores sobre a "vulnerabilidade" da economia brasileira "não é
incorreta".
Em depoimento ao Senado sobre o acordo com o FMI, Malan afirmou que há
dificuldade de "caminhar para uma solução duradoura do desequilíbrio crônico da
parte fiscal".
Segundo o ministro, a "grave situação" após a moratória
da Rússia foi afastada, "o que não quer dizer que a crise tenha sido
superada". Malan informou que, em novembro, o País perdeu US$ 1 bilhão das reservas
em dólar. Somente ontem, houve saída líquida de cerca de US$ 340 milhões, e a bolsa
paulista caiu 3,98%. (pág. 1 e cad. Dinheiro)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou do Judiciário rapidez
na decisão sobre a revisão da condenação e das penas dos cinco sequestradores chilenos
de Abílio Diniz.
O Presidente se referiu ao protesto dos presos como "uma greve de
fome de prisioneiros políticos". Mas tarde, a assessoria da Presidência disse que a
expressão havia sido usada incorretamente. (pág. 1 e 3-4)
- O Governo adiou até dezembro de 98, por meio de medida provisória,
o prazo para que as empresas de saúde ofereçam os planos completos de assistência, com
atendimento ambulatorial, hospitalar e odontológico. O novo prazo coincide com o período
para a adaptação dos contratos antigos. (pág. 1 e 2- 11)
- O Governo anunciou ontem novo corte, de R$ 660 milhões, no
Orçamento deste ano para tentar garantir, até o fim de dezembro, um superávit primário
de R$ 5 bilhões em 98.
A falta de acordo entre líderes governistas e o ministro da
Previdência, Waldeck Ornélas, ameaça a aprovação da medida provisória que prevê a
contribuição de entidades filantrópicas. (pág. 1, 1-14 e 1- 15)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse não ser
"favorável a nenhum ditador", em sua primeira declaração sobre Augusto
Pinochet desde que o general chileno foi detido em Londres, em outubro. Sobre os 30 anos
do AI-5, FHC disse que o então presidente Costa e Silva "era gente", por ter
expressado preocupação com as consequências da medida. (pág. 1, 1-14 e 1-18)
- O governador reeleito de São Paulo, Mário Covas, 68, disse que não
está "tão mal quanto pintam". No Incor, internado devido a um tumor maligno na
bexiga, detectado anteontem, Covas afirmou confiar em sua recuperação por já ter
vencido "adversários perigosos".
A cirurgia do governador, marcada para amanhã, poderá ser adiada
devido a atraso dos resultados de exames, segundo os médicos. (pág. 1 e cad. Brasil)
- O Ministério da Saúde estuda processar companhias de cigarros por
danos à saúde da população. A idéia do Governo é seguir modelos adotados nos EUA. A
história envolve dezenas de bilhões de reais e a contratação de dois escritórios de
advocacia americanos. (pág. 1 e col. Joyce Pascowitch)
- Comissão científica oficial do Reino Unido recomendou ao governo
britânico a aprovação da clonagem de embriões humanos para pesquisas médicas,
mantendo o veto ao processo com fins reprodutivos.
Para a comissão, clonar embriões humanos "poderia ajudar a repor
células e tecidos danificados". (pág. 1 e 1-17)
EDITORIAL
"Contas que não fecham"- Sem contas públicas
equilibradas, não há estabilidade duradoura da moeda. Mas, nas condições atuais, a
defesa da moeda aumentou o desequilíbrio das contas públicas. Essa é a realidade,
contraditória, da economia brasileira hoje.
O déficit público continua superando até mesmo as
previsões dos economistas mais céticos. Os gastos com juros, ou seja, o custo de
defender o real contra a especulação cambial, estão em primeiro lugar entre os fatores
de desequilíbrio. (...) (pág. 2)
COLUNA
(Painel) - Não foi por ter certeza da vitória na
votação da MP das filantrópicas que os governistas desprezaram eventual aliança com a
oposição, favorável a parte da medida provisória. O motivo: ficariam sem força para
pressionar FHC e obter a exclusão de instituições a que são ligados.
Exemplo de até onde foi a chantagem dos governistas por causa da MP
das entidades filantrópicas: ontem, para a surpresa da oposição, a própria base de FHC
obstruiu votação de projeto do Executivo sobre o plano de carreira de procuradores.
O desentendimento entre os líderes governistas na Câmara continuou
ontem na negociação da medida provisória das entidades filantrópicas. FHC, que sabe
que o clima foi decisivo para sua derrota semana passada, não arrumou a coordenação
política. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Governo tenta conter gastos nos ministérios
- O Palácio do Planalto determinou ontem que os ministérios deverão
limitar seus gastos até o dia 31, mesmo que tenham dinheiro em caixa.
A decisão deverá resultar em corte adicional de R$ 661 milhões nas
despesas do Governo. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães,
vários ministérios vinham registrando um volume de despesas superior ao previsto, por
terem receita própria decorrente da cobrança de taxas pelos seus serviços, o que
ameaçava a meta de superávit primário do setor público, de R$ 5,5 bilhões, fixada
para este ano. "Com essa medida, a meta estará assegurada", afirmou. Até
agora, o Governo vinha estabelecendo limites apenas para as liberações de recursos
feitos pelo Tesouro.
O Senado deverá aprovar amanhã, em regime de urgência, os termos do
acordo do Brasil com as instituições financeiras, entre elas o Fundo Monetário
Internacional (FMI). Ainda hoje, 48 horas depois de terem sido entregues pelo ministro da
Fazenda, Pedro Malan, os documentos devem ser votados na Comissão de Assuntos Econômicos
do Senado. (Pág. 1 e B1)
- A base do Governo na Câmara, temendo nova derrota no Congresso,
propôs ontem ao Palácio do Planalto um recuo estratégico na votação da medida
provisória sobre entidades filantrópicas. Pela proposta, a MP 1.729 será desmembrada em
quatro partes, das quais só duas deverão ir a votação hoje: a reformulação do
conceito de entidades filantrópicas e a ampliação da alíquota especial do Imposto
Simples para pequenas e microempresas que faturam até R$ 1,2 milhão por ano.
O recuo da base governista acabou ocorrendo depois de a oposição ter
levantado a tese de que a MP é muito ampla. O líder do Governo na Câmara, deputado
Arnaldo Madeira (PSDB-SP), admitiu fazer aquela alteração. (pág. 1 e A6)
- O Governo prorrogou ontem o prazo para entrada em vigor dos planos de
saúde mais completos, os que reunirão atendimento ambulatorial, hospitalar e
odontológico. Uma medida provisória autoriza as operadoras a deixar para dezembro de
1999 a vigência dessa modalidade, que começaria já no próximo mês. (pág. 1 e A16)
- O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, irá de helicóptero
de Tel-Aviv para a área da Autoridade Palestina, segunda-feira, e desembarcará no novo
Aeroporto de Gaza. A decisão provocou mal-estar em Israel. Clinton voltará ao
território israelense para reunião com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o líder
palestino Yasser Arafat. (pág. 1 e A17)
EDITORIAL
"O sentido político da lei fiscal" - Disciplinar a vida
financeira dos estados e dos municípios é reafirmar a unidade da Nação. Não implica
negar a Federação. Cada governo estadual ou municipal deve cuidar de manter em bom
estado suas contas. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Por conta das negociações
políticas para facilitiar a aprovação da MP das entidades filantrópicas, hoje, o
Governo vai abrir mão de um aumento de arrecadação de R$ 900 milhões.
Com a cobrança de contribuição do setor de saúde (Santas Casas) o
Governo teria receita adicional de R$ 600 milhões e outros R$ 300 milhões viriam das
contribuições do setor rural. A MP, que poderia gerar R$ 2,3 bilhões por ano, ficou com
a receita reduzida a R$ 1,4 bilhão.
Outra bateria de críticas à política econômica será promovida hoje
na Comissão de Agricultura da Câmara, onde o ministro Francisco Turra ouvirá dos
deputados queixas sobre os danos à cadeia produtiva da pecuária de leite causados
"por importações desnecessárias".
O presidente da comissão, Roberto Balestra (PPB-GO), lembra que,
apesar de medidas já adotadas, a importação de leite e derivados aumentou 18% de
janeiro a junho deste ano. (pág. A6)
O
GLOBO
- Acordo dará a escolas isenção proporcional de impostos
- O Governo rendeu-se aos argumentos da oposição e, para evitar nova
derrota, dividiu a MP da Filantropia, pondo em votação hoje apenas os artigos que
restringem a isenção previdenciária para as entidades filantrópicas e os que facilitam
o acesso de empresas de pequeno porte às alíquotas especiais do imposto Simples. Os
líderes governistas aceitaram estender às escolas e entidades de assistência social a
isenção proporcional da contribuição previdenciária que já haviam concedido aos
hospitais da rede do SUS.
A escola que tiver, por exemplo, dez mil alunos e conceder mil bolsas
terá direito a isenção de 10%. O lobby das escolas, sobretudo as católicas, foi forte,
com ameaças de corte de bolsas de estudo e aumento de mensalidade. A socialite
brasiliense Moema Leão, sogra de Nelson Piquet, conseguiu ontem registro de entidade
filantrópica para a Fundação Moema Leão de Souza, criada por ela em 1995. Sua
principal atividade beneficente é um curso de patchwork (costura de retalhos) a um grupo
de dez meninas carentes. (pág. 1 e 3)
- Os economistas garantem que de todas as promessas que o Governo
brasileiro fez ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a mais difícil de cumprir será a
redução do déficit público nominal dos atuais R$ 72,8 bilhões para R$ 42,5 bilhões
em 99. Ontem, ao depor no Senado, o ministro Pedro Malan disse que o acordo não prevê
alteração da política cambial no ano que vem. (...) (pág. 1, 29 e 31)
- O representante do Unicef no Brasil, Agop Kayayan, deu nota 5 para a
educação no Brasil, ao divulgar o relatório Situação Mundial da Infância 1999. Ele
elogiou o Brasil por ser o país em desenvolvimento que mais avançou na garantia do
acesso à escola, com 95% de matrículas entre os 7 e 14 anos. Mas advertiu que a evasão
e a repetência escolar são altas. (pág. 1 e 11)
- A Volkswagen e os sindicatos de metalúrgicos do ABC e de Taubaté
fecharam ontem um acordo que prevê a redução de 15% na jornada semanal de trabalho e de
15% nos salários acima de R$ 2.416 - 20% dos empregados da montadora. Em troca, não
haverá demissões nas fábricas. A proposta depende de aprovação em assembléia de
26.300 funcionários das fábricas. A nova jornada será de três semanas de quatro dias e
uma de cinco dias. Ganhos do dissídio da categoria não serão incorporados ao salário.
(pág. 1 e 35)
- Ao investigar se as duas mil fitas pertencentes ao coronel da reserva
Eudo Santos Costa, detido anteontem, tem ligação com o grampo telefônico no BNDES, a
polícia descobriu que ele tem uma empresa especializada em rastrear cola eletrônica.
Essa modalidade de fraude é feita com pagers e walkie-talkies. Entre seus clientes está
a Uerj, que contratou a firma para atuar em seu vestibular este ano. (pág. 1 e 14)
- O presidente Fernando Henrique quebrou o silêncio sobre a prisão do
general Augusto Pinochet: "Nunca fui favorável a nenhuma ditadura e não sou
favorável a nenhum ditador. E vocês conhecem bem a minha posição pessoal". A
afirmativa representa uma indicação de que ele não interferirá por Pinochet, como
queria o governo do Chile. (pág. 1 e 46)
- O governador Mário Covas, internado no Incor, em São Paulo, com
câncer na bexiga, recebeu ontem a imprensa e se mostrou confiante na recuperação. Ele
já foi submetido a uma cirurgia para retirar tumor benigno na próstata e deverá ser
operado de novo sexta-feira ou sábado. O presidente Fernando Henrique Cardoso, que
conversou com Covas por telefone, disse que ele está bem. (pág. 2 e 9)
- Os Estados Unidos negaram novamente permissão para que o deputado
Fernando Gabeira (PV-RJ) entre no país, onde o parlamentar queria assistir à sessão em
curso da Assembléia Geral da ONU. Esta foi a quarta vez que Gabeira tentou obter o visto,
sempre negado por ter ele participado do sequestro, no Rio, do embaixador americano
Charles Elbrick, em 1969. (pág. 2 e 9)
- A Assembléia Legislativa aprovou ontem a abertura de uma CPI para
apurar a denúncia de que o estado tentou subornar parlamentares, com o objetivo de
garantir a realização do leilão da Cedae. A Procuradoria Geral de Justiça determinou
abertura de investigação penal sobre o caso. Peritos receberão hoje cópia das
gravações que, supostamente, provam a tentativa de corrupção. (pág. 2 e 24)
- O estado do Rio poderá receber o empréstimo de R$ 297 milhões
esperado pelo governador Marcello Alencar para pagar o 13º salário dos servidores
estaduais. A Resolução 78, que impedia a concessão de novos empréstimos para os
estados endividados, foi modificada ontem pelo Senado. O empréstimo havia sido prometido
pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. (pág. 2 e 26)
- A Receita Federal apreendeu US$ 250 mil em mercadorias durante a
megaoperação realizada em conjunto com as polícias Federal e Aeronaútica, domingo e
segunda- feira, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Por conta dos transtornos
causados nos dois dias, a Receita suspendeu ontem a blitz para revistar passageiros após
a saída do aeroporto, mas manteve a revista no terminal de carga. (pág. 2 e 39)
EDITORIAL
"Falta disciplina" - Em geral, políticos não são
famosos por se empenharem no saneamento das finanças públicas: constumam acreditar que a
tarefa é inglória: é área em que os êxitos não são recompensados com a gratidão
dos eleitores.
Poucos estados se engajaram em programas de
privatização tendo como objetivo principal o saneamento financeiro. A maioria dos
governadores vislumbrou apenas uma fonte de recursos para investimentos. Alguns até
propiciarão aumento da arrecadação no futuro, ajudando a pagar dívidas. Teria sido
melhor, no entanto, se a iniciativa fosse conjugada a abatimento de dívidas onerosas, que
consomem as receitas disponíveis dos tesouros. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político) - Há uma grande diferença
entre a eleição presidencial consumada este ano e a sucessão de 2002. Há quatro anos,
quando Fernando Henrique tomou posse, já se falava em reeleição e poucos duvidavam de
que seria reeleito. Hoje, olhando para 2002, ninguém arrisca previsões. A doença do
governador Mário Covas, que se vinha firmando como alternativa das forças de
centro-esquerda, torna o quadro ainda mais incerto. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - O Conselho de Marinha Mercante aprovou ontem, de
uma só tacada, financiamentos de R$ 600 milhões para a construção de dez navios
mercantes em estaleiros nacionais. Se o dinheiro não recebesse um destino logo, teria que
ser devolvido ao Tesouro dia 30. (pág. 18)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Congresso dificulta cada vez mais o ajuste fiscal
- Pela segunda vez em oito dias o Governo teve de recuar para tentar
aprovar propostas do pacote fiscal. Primeiro foi a medida provisória que criava a
contribuição previdenciária para os aposentados e aumentava o desconto dos
funcionários em atividade. Um dia antes da votação, o Governo ofereceu isenções, mas
mesmo assim acabou derrotado.
Ontem, líderes da base governista reagiram a outra proposta. Ao mesmo
tempo que sugeria a revisão do conceito de entidade filantrópica, a MP 1.729 incluía
mais de 20 outras modificações polêmicas no sistema previdenciário. Propunha, por
exemplo, que fosse criado um prazo de carência para a mulher ter direito à
licença-maternidade.
Um acordo feito no final do dia alterou a proposta. Os pontos de
difícil aprovação foram excluídos e a MP vai à votação hoje tratando apenas das
entidades filantrópicas e das faixas de renda para empresas que pagam imposto
simplificado. (...) (pág. 1, 12 e 13)
- O Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, teme que o
corte de R$ 650 milhões no dinheiro destinado à educação em 1999 prejudique o ensino
no Brasil. "Todo governo tem coisas menos importantes que podem ser cortadas",
disse Agop Kayayan, representante do Unicef no País, ao apresentar ontem o relatório
Situação Mundial da Infância. (...) (pág. 1, 6, 7 e 8)
- O Chile não terá o aval do Brasil a uma possível declaração
conjunta dos principais países da América Latina a favor da libertação do general
Augusto Pinochet. É isso que o presidente chileno Eduardo Frei deve ouvir de Fernando
Henrique Cardoso hoje no encontro reservado que os dois terão durante a Cúpula do
Mercosul, no Rio. Na sexta-feira, Jack Straw, ministro britânico do Interior, decide se
Pinochet será ou não extraditado para a Espanha. (pág. 1 e 3)
- A Polícia Federal começa hoje a procurar 60 mil estrangeiros
clandestinos, depois de três meses de campanha de anistia aos estrangeiros em situação
ilegal. Ao fazer um balanço da campanha, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, disse
que, nesse período, 40 mil imigrantes regularizaram sua condição. (...) (pág. 11)
- (Rio) - A incerteza ainda prevalece no cenário externo e preocupa os
países do Mercosul. Essa insegurança em relação ao futuro foi claramente manifestada
na reunião conjunta de ministros da Economia e presidentes de bancos centrais dos quatro
países do bloco, realizada ontem. Como também foi reforçado o compromisso de uma
atuação coesa desses países para enfrentar a crise, com políticas macroeconômicas
convergentes. (...) (pág. 14)
- (Rio) - A produção industrial em outubro caiu 9,2% em relação a
igual período do ano passado, correspondendo, desde o início do ano, à maior queda
registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (...)
O analista de conjuntura do IBGE, Reginaldo Carvalho, disse que a queda
da produção industrial deve ser de pelo menos 2,7% até o fim deste ano. "Nos
últimos dois meses, não há continuidade de produção, porque as encomendas para essa
época já teriam de ser feitas com antecedência", explicou. (...) (pág. 16)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- Líderes enxugam a MP das filantrópicas para evitar derrota na
votação de hoje
- O Governo deve aprovar com muita facilidade hoje, no Congresso, a MP
1.729, que em 44 artigos alterava sete lei e regulava as isenções para as entidades
filantrópicas, a contribuição previdenciária dos pequenos produtores rurais e dos
planos de saúde, além de reduzir pensões e benefícios da Previdência. Mas para chegar
a esse consenso, que pode incluir até a oposição, o Palácio do Planalto teve de recuar
e mutilar a medida provisória, votando apenas a parte das entidades filantrópicas
(inclusive as instituições educacionais) e a faixa de abrangência do Imposto Simples.
(...) (pág. 1 e 3)
- O vice Marco Maciel não será mais ministro da Defesa. Atende a um
apelo do seu partido. O PFL não quer o Ministério da Defesa na sua quota de cargos no
segundo mandato de Fernando Henrique. O Presidente considerava Maciel o mais adequado para
a implantação do Ministério da Defesa, quando dezenas de leis e decretos devem sofrer
adaptação delicada, na medida em que afetam a rotina do Exército, Marinha e
Aeronáutica.
E Maciel é um político paciente e hábil negociador. Mas, mesmo sem
tê-lo, Fernando Henrique garante que, dia 1º de janeiro, apresentará seu Ministério
completo, quer dizer, com os novos ministros da Defesa e da Produção. Serão suas
escolhas mais difíceis, embora ainda restem muitas surpresas, porque até agora ele não
anunciou a ninguém - a ninguém, é bom frisar - o Ministério completo. (pág. 1 e 3)
ZERO
HORA
- Cerca de 90% das 1.532 entidades filantrópicas
gaúchas serão atingidas pela possível aprovação da Medida Provisória (MP) que torna
mais difícil a isenção previdenciária, conforme dados do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) no estado.
A votação da MP está marcada para hoje no Congresso. O Rio Grande do
Sul é o segundo estado no País em renúncia fiscal nessa categoria, com um total
estimado em R$ 266,93 milhões em 1998. A mudança, se aprovada, terá efeito sobre
instituições de ensino e hospitais sem vínculo com o SUS. (pág. 1 e 22)
- Os deputados estaduais aprovaram ontem, por 33 votos a nove, um
aumento salarial que varia de 70% a 133% para os 429 servidores efetivos da Assembléia
Legislativa, extensivos aos inativos e pensionistas. (...) Com as mudanças, o Legislativo
passará a gastar pelo menos mais R$ 549 mil com sua folha de pagamento mensal, que hoje
é de R$ 4,5 milhões. (...) (pág. 6)
- O vice-governador Vicente Bogo e seu sucessor, Miguel Rossetto,
acertaram a retomada do processo de transição a partir de amanhã. Os encontros
previstos para ontem entre os atuais e os futuros secretários de Estado foram suspensos
porque o PT não havia sido consultado e tinha um seminário da equipe de governo de
Olívio Dutra durante a manhã. Mesmo comunicado de que seu sucessor não compareceria à
reunião agendada pelo Palácio Piratini, o atual titular da pasta do Desenvolvimento e
Assuntos Internacionais, Nelson Proença, esperou meia hora no gabinete do
vice-governador, local dos encontros. "fixamos um calendário para repassar
informações aos secretários, mas, se o futuro governo tem dificuldades de participar
das reuniões, não há porque não sermos compreensivos e examinar novas propostas",
disse Bogo, depois de receber um telefonema de Rossetto. (pág. 16)
CORREIO
DO POVO
- Influenciadas pela apreensão em relação à
aprovação da medida provisória de contribuição previdenciária de entidades
filantrópicas no Congresso, as bolsas brasileiras tiveram fortes quedas ontem. A Bolsa de
Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem com baixa de 3,98%, depois de ter subido
4,18% na segunda-feira. A Bolsa do Rio registrou desvalorização de 3,1%. O mercado
operou na expectativa da votação da MP das entidades filantrópicas porque seria a prova
de fogo para o Governo mostrar que ainda tem força no Congresso. Além disso, o mercado
acionário brasileiro acompanhou o mau desempenho da Bolsa de Valores de Nova Iorque.
(capa)
MANCHETES
ESTADO DE MINAS
- Tortura com extorsão
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- Aprovada no senado ajuda aos estados
O DIA (RJ)
- Desconto de 60% na casa própria só vale até dia 30
CORREIO DO
POVO (RS)
- Governo recua e divide MP da previdência
ZERO HORA
(RS)
- MP afetará 90% das entidades filantrópicas do RS

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |