
10/02/1998
JORNAL DO BRASIL
- Combate ao crime não satisfaz FH
- Em entrevista à TV Senado, o presidente Fernando Henrique Cardoso
disse que o problema da violência no Rio não está relacionado a problemas econômicos,
mas ao crescimento da influência do narcotráfico. "O Rio tem um dos menores
índices de desemprego do País. A criminalidade, lá, não vem do desemprego, mas do
narcotráfico. É um problema seríssimo, e eu não estou satisfeito com o que vem sendo
feito", disse o Presidente, que lamentou o efetivo reduzido da Polícia Federal.
"Estamos tentando fechar as fronteiras, mas temos apenas 5.000 policiais para
fiscalizar 16.000 quilômetros". Comentando a crise de abastecimento de energia no
estado do Rio, Fernando Henrique disse confiar que se trata de "uma situação
temporária", mas assumiu parte da culpa pelas falhas de atendimento das
recém-privatizadas Cerj e Light: "A responsabilidade é de todos, inclusive do meu
Governo, com a fiscalização". O Presidente ainda justificou o apoio do Governo
brasileiro à posição americana em relação ao Iraque: "O Brasil não assistirá
de braços cruzados à guerra bacteriológica". (pág. 1 e 3)
- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ontem, em entrevista à
Rádio Nacional, que a reforma da Previdência precisa ser aprovada já, antes que a
demora do Congresso comprometa alguns direitos adquiridos dos segurados. O déficit da
Previdência, segundo Malan, será maior em 1998 e ainda maior no ano que vem. (pág. 1 e
2)
- O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, anunciou a conclusão de
relatório que registra as ações do ministério em 1997, e disse que as deficiências do
setor não podem ser creditadas exclusivamente ao Governo federal: "Estados e
municípios têm que fazer sua parte". Há dois dias, no "JB", Albuquerque
denunciou a anarquia do sistema de saúde. (pág. 1 e 4)
- Foram presos sete dos encapuzados envolvidos no assassinato do
sem-terra Sebastião Camargo Filho, ocorrido durante ataque armado, no sábado, contra 110
famílias nas fazendas Santo Ângelo e Boa Sorte, no noroeste do Paraná. Um dos presos,
Augusto Barbosa da Costa, disse que o assassino foi o segurança Jair Fermino Borracha.
Segundo o delegado Eduardo Barbosa, os 30 seguranças, dos quais 10 armados, foram
arregimentados pelo detetive particular Osnir Sanchez, de Nova Londrina, contratado por
fazendeiros do município de Marilena. Os suspeitos de serem os mandantes são os donos
das fazendas, Teissin Tina e Toshio Konda, que estão desaparecidos. A polícia de Nova
Londrina localizou os sete jagunços na Fazenda Figueira, da Agropecuária Santa Maria, no
município de Guairaçá. O ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, condenou o ataque
dos pistoleiros e também o revide dos sem-terra. Jungmann isentou o Incra de
responsabilidade. (pág. 1 e 5)
- O presidente interino da Eletrobrás, Mário Santos, entregou ontem
ao ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, relatório defendendo a prorrogação do
horário de verão, para evitar problemas com o fornecimento de energia no Rio. Previsto
para acabar à meia-noite de sábado, o horário poderá ser estendido até a zero hora do
dia 2 ou até a meia-noite de 14 de março. A medida poderá valer apenas nos estados da
Região Sudeste. O ministro divulga hoje sua decisão. (pág. 1 e 20)
- O aumento da violência na Indonésia contra os nacionalistas do
Timor Leste - ex-colônia portuguesa no Pacífico, ocupada por tropas indonésias desde
1975 - levou o ex-ministro da Cultura e ex-embaixador em Portugal José Aparecido de
Oliveira a cobrar do Governo brasileiro mais empenho diplomático em favor da libertação
dos timorenses.
Aparecido acusou o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe
Lampreia, de privilegiar interesses comerciais do Brasil com a Indonésia, em detrimento
da solidariedade com o Timor Leste, onde os 750 mil habitantes também falam o português.
(...) (pág. 6)
- (San Jose, Costa Rica) - Os países do Mercosul estão representados
por um bloco de vice-ministros na reunião que prepara o primeiro texto oficial da Área
de Livre Comércio das Américas (Alca). Representantes de 34 países do continente
americano - só Cuba foi excluída - estão em San Jose, capital da Costa Rica, para a
reunião que começa hoje e se encerra na quinta-feira. O texto, a ser aprovado nesse
encontro de vice-ministros, será levado à reunião de ministros, entre 10 e 12 de março
também na Costa Rica e, finalmente, para a reunião de cúpula de presidentes marcada
para 14 a 19 de abril em Santiago, no Chile. (...) (pág. 15)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (fevereiro): R$ 120,00. Dólar
comercial: R$ 1,1247 (compra), R$ 1,1255 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,170 (compra), R$
1,180 (venda). Dólar turismo: R$ 1,1301 (compra), R$ 1,1309 (venda). TR do dia 10.01 a
10.02: 1,2521%. TBF do dia 06.02 a 06.03: 2,0518%. (pág. 1)
EDITORIAL
"RAIO X" - Mais do que desabafo, a
autocrítica do ministro Carlos Albuquerque, publicada no "Jornal do Brasil", é
uma verdadeira denúncia contra as "igrejinhas" que historicamente lotearam o
Ministério da Saúde. Hoje, estas "igrejinhas", divididas em grupos prontos a
roer verbas, trabalham contra a população, exclusivamente em proveito próprio. Sabia-se
disto, e não é de hoje. As filas diante dos postos de saúde e dos hospitais atestam a
insuficiência de um sistema que sobrevive falido e não demonstra ânimo de
recuperação.
Uma das frases do ministro faz o diagnóstico e resume o escândalo
permanente da saúde brasileira: "É uma anarquia onde as responsabilidades não
estão bem definidas e inexiste um esquema profissional de gestão". (...) Como
acrescentou um médico paulista, os donos de hospitais reclamam que o SUS paga pouco,
"mas eles estão todos ricos"... (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Depois de
ouvir de um amigo do peito de Itamar Franco todas as razões pelas quais o ex-embaixador
acha que, de fato, pode ser candidato pelo PMDB, a impressão que se tem é que ele está
como o dono de carro novo que antigamente circulava com um cartaz no vidro de trás:
"Motor amaciando". (...) O aviso tinha por objetivo pedir paciência aos outros
motoristas pela lerdeza e às vezes um certo titubeio do veículo, ainda não de todo
preparado para andar na velocidade do bólido ao lado.
Mas como de um acidente nem a mais poderosa das máquinas está livre,
eis que Itamar decidiu incluir seu nome na lista de espera. (...)
A decisão, jura por Deus e todos os santos o amigo de Itamar, não faz
parte de um jogo de cena pelo qual o ex-presidente busca se valorizar politicamente para
concorrer ao governo de Minas, atazanar Fernando Henrique Cardoso ou simplesmente arrumar
alguma coisa para fazer antes de assumir uma nova embaixada, quem sabe a de Roma. (pág.
2)
(Informe JB - Maurício Dias) - Os conflitos entre os Estados Unidos e
os países do Mercosul estão expostos mais uma vez na reunião que começa hoje em San
Jose, Costa Rica, preparatória da 2ª Cúpula das Américas, que será realizada no
Chile, em abril.
Para o Governo brasileiro, a 2ª Cúpula das Américas passou a ser um
ato de natureza puramente política, depois que o Congresso negou ao presidente Bill
Clinton o "fast track". Ou seja, a possibilidade de negociar sem autorização
do Legislativo.
Do encontro de San Jose sairá uma declaração que deverá ser
confirmada no Chile, com os princípios que regerão as negociações da Área de Livre
Comércio das Américas (Alca) a partir de 2005.
O Brasil e os países do Mercosul - que se norteiam pelo princípio da
simultaneidade, gradualidade e equilíbrio das negociações - forçam agora a
possibilidade de chegar na 2ª reunião de cúpula tendo posição comum com os países
andinos em torno da zona de livre comércio.
Discute-se também, em San Jose, sobre a sede da Alca para as
negociações: Miami, como querem os americanos, e Rio de Janeiro, como desejam o Brasil e
os países do Mercosul. Ficando no Rio, acredita-se que os Estados Unidos estarão sob
influência eficaz da opinião pública. (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Brasil capta dinheiro no exterior
- O Banco Central vendeu ontem na Europa US$ 543 milhões em bônus da
República. Foi a primeira captação internacional do País desde a crise da Ásia.
A operação significa aumento da dívida externa, mas a intenção do
Governo é mostrar ao mercado que o País tem crédito externo, apesar da crise asiática.
Os bônus serão resgatados em 2003, a juros de 8,625% ao ano - superiores aos vigentes
antes da crise de outubro.
A taxa, porém, é menor do que a obtida pela Argentina em lançamento
há duas semanas.
A volta do Brasil ao mercado internacional vinha sendo planejada há
duas semanas pelo Banco Central, como um teste para checar como os investidores estão
vendo o País.
Ao falar sobre a crise da Ásia, o ministro Pedro Malan (Fazenda) disse
que, "pelo menos por um ano, haverá grande grau de incerteza". (pág. 1 e 2-1)
- A emissão de eurobônus foi um sucesso, mas não mudou a percepção
do mercado sobre o risco do Brsil. Quanto maior o custo, maior o risco. Na comparação de
papéis emitidos em dólar com prazo semelhante, o custo do País é maior que o de
Venezuela, Argentina e México. (Celso Pinto, do Conselho Editorial) (pág. 1 e 1- 7)
- O Exército da Turquia lançou a operação no norte do Iraque para
deter um provável fluxo de refugiados curdos para seu território no caso de ofensiva
norte-americana contra Bagdá.
O governo dos EUA intensificou sua escalada militar no Golfo Pérsico.
O Pentágono informou que está enviando mais 3.000 soldados para o Kwait, vizinho do
Iraque. (pág. 1 e 1-10)
- A CUT e entidades de servidores pretendem
colocar 3.000 pessoas amanhã em frente ao Congresso para
protestar contra a votação da reforma administrativa, no
Senado, e da Previdência, na Câmara.
As entidades dizem que vão evitar invasões de plenário. O Congresso
será cercado por policiais militares.
Em São Paulo, um protesto deve atrasar o funcionamento de metrô e
ônibus. (pág. 1 e cad. Brasil)
- O "Guia de Livros Didáticos", distribuído pelo Governo
para as escolas públicas, melhorou a qualidade das publicações, dizem editoras e
professores. Eles reclamam, porém, de "autoritarismo" da elaboração do guia.
(pág. 1 e 3- 8)
EDITORIAL
"Policiais com vida dupla"- Uma atividade empresarial
cresce de maneira perversa no País. Trata-se de um caso em que a iniciativa privada
substitui de maneira indesejável o poder público. Está se falando do sucesso das
companhias de segurança, que progridem no vácuo da ineficácia da polícia estatal.
Como se já não bastasse ser tal sucesso prova de
que o Estado falha em uma de suas funções precípuas, reportagem da "Folha"
deste domingo confirma a suspeita de que policiais são grandes empresários do ramo. Isto
é, delegados, oficiais e praças da PM são os beneficiários do medo, da sensação
muito justa de insegurança, que deveriam ajudar a combater. (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Um cacique governista do PMDB diz que o
grupo tem hoje, em um levantamento realista sobre os 696 votos para a convenção de 8 de
março, 10 ou 20 a mais do que a ala oposicionista. Ou seja: a margem é muito apertada
para dar a certeza de vitória.
_* Governadores do PMDB, que chegam hoje para a reunião da ala
governista do partido, estão pedindo ao Planalto que sinalize claramente que, quem apoiar
a reeleição de FHC, terá espaço garantido (cargos e favores) no eventual 2º governo
do tucano.
_* Governo e OEA discutem como o País assumirá a culpa pela morte de
18 presos em delegacia paulista em 89. Em caso semelhante na Colômbia, o pedido de
desculpas foi feito pelo presidente em discurso. O Itamaraty prefere algo mais discreto.
(pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Brasil volta a vender bônus aos europeus
- O Governo brasileiro captou dinheiro no mercado europeu pela primeira
vez desde a crise que abalou parte da Ásia e afetou outras regiões. Foram lançados
ontem, em Londres, bônus da República no valor de R$ 543 milhões, com prazo de resgate
de cinco anos. Para garantir o sucesso da operação, o Tesouro Nacional pagou taxas mais
altas do que as alcançadas antes da crise asiática de outubro, porém consideradas pelo
Banco Central adequadas à situação do mercado internacional. Pelos papéis, o Brasil
vai arcar com juros anuais 4,17% superiores à rentabilidade dos títulos americanos do
mesmo prazo. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que os bônus são um teste e fazem
parte de estratégia para comprovar a maturidade do País diante de sua dívida externa.
Malan lembrou que os lançamentos ocorrem desde 95 e só foram interrompidos depois do
"crash" de Hong Kong. O BC recebeu ontem outra informação positiva sobre a
entrada de dólares: o Brasil teve, na semana passada, o melhor desempenho do mercado de
câmbio dos últimos quatro meses, chegando ao saldo líquido de US$ 1,15 bilhão. (pág.
1, B1 e B3)
- O estado de São Paulo pode perder metade da sua arrecadação de
impostos se for adotada a reforma tributária proposta pelo Ministério da Fazenda.
Cálculos da Secretaria Estadual de Fazenda mostram que a substituição do ICMS pelo
Imposto sobre Vendas a Varejo (IVV) e pelo Excise Tax significaria trocar R$ 22,191
bilhões por R$ 11 bilhões. "Isso equivale a dez vezes o impacto negativo da Lei
Kandir", afirmou o coordenador da Administração Tributária de São Paulo, Clóvis
Panzarini. (pág. 1 e A6)
- Não é pouco o dinheiro que o Governo concorda em deixar de receber
para aprovar a reforma da Previdência na Câmara. Pelas contas do Ministério da
Previdência, só a renúncia à contribuição dos inativos do serviço público vai
implicar uma receita menor da ordem de R$ 2 bilhões por ano. A renúncia, só nesse item,
pode ser maior, se abranger os inativos dos estados e municípios. Os técnicos da
Previdência ainda não fizeram as contas das despesas correspondentes aos outros pontos,
objeto de acordo do Governo com sua base. (pág. 1 e A4)
- O Senado deve aprovar hoje a reforma administrativa, em primeiro
turno, tendo como seguranças até agentes da Polícia Federal. A votação estava marcada
para amanhã, mas os tumultos ocorridos na Câmara, na semana passada, levaram o
presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), a antecipar a apreciação da
proposta. Assim, ele tenta evitar que Senado e Câmara votem, no mesmo dia, os dois
projetos mais polêmicos dos últimos três anos: as reformas administrativa e da
Previdência. (...) (pág. A5)
- O PT que seduziu o presidente Fernando Henrique Cardoso e ganhou
apoio oficial do PSDB mora no Acre e trabalha duro para derrotar o PFL, acusado de comprar
votos em favor da emenda da reeleição. Com a perspectiva real de vencer a eleição, o
PT acreano é o orgulho da direção nacional do partido, que aposta no ex-prefeito Jorge
Viana para derrotar o governador Orleir Cameli (PFL). (...) (pág. A6)
- O PSB paulista entrou em compasso de espera. Espremido entre a
decisão do congresso nacional do partido, que recomendou o apoio a uma candidatura de
centro-esquerda para a Presidência da República, e os movimentos dos outos diretórios
regionais - que, em sua maioria, fecharam alianças estaduais com o PT - a seção
paulista deve estender suas discussões internas até 8 de março, aguardando uma
definição do quadro nacional. Nesse dia, o PMDB decide, em convenção nacional, se
terá candidato próprio ou apoiará a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. (...)
(pág. A6)
- Capacidade de liderança e trabalho em equipe formam o perfil comum a
ser exigido este ano dos formandos de engenharia elétrica, jornalismo, letras e
matemática, estreantes no Exame Nacional de Cursos, o provão, marcado para 7 de junho.
Os conteúdos de matemática são bem detalhados, ao contrário dos de jornalismo, mais
abrangentes e voltados para a redação de textos para diferentes meios de comunicação.
O Ministério da Educação (MEC) divulgou ontem as portarias com os
conteúdos que deverão constar nas questões preparadas pelas fundações Carlos Chagas e
Cesgranrio. (...) (pág. A8)
- O Ministério da Educação eliminou 93 mil matrículas
injustificadas do ensino fundamental nos estados do Ceará, de Mato Grosso e do Maranhão.
Até o mês passado, já se calculava que seriam 84 mil os cortes, mas foram identificadas
em Mato Grosso outras 9 mil na lista das matrículas consideradas excessivas. O Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) considera terminada a fase de
auditorias. (...) (pág. A8)
EDITORIAL
"Ajuste interno evitará risco externo" - Bancos em ordem
continuarão a ser, nos próximos tempos, um fator importante para tranquilizar
investidores. O Governo brasileiro fez essa parte da lição e não há risco aparente de
retrocesso. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Primeiro, a reforma
ministerial seria em dezembro. Com a convocação extraordinária, passou para fevereiro.
Agora, é coisa para o final de março. Depois de conhecido o resultado da convenção do
PMDB, que será em 8 de março.
Os interesses estão convergindo: os partidos querem manter por maior
tempo possível seus cargos no Governo e FHC, como se sabe, não é lá muito chegado a
mudanças no Ministério. (pág. A6)
O
GLOBO
- FH diz que bicho e tráfico são as causas da violência no rio
- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o jogo do
bicho e o tráfico de drogas - e não o desemprego - são os principais responsáveis pela
violência no Rio. Segundo o Presidente, a contravenção está ligada ao tráfico:
"Basicamente, a questão da criminalidade no Rio de Janeiro está ligada ao jogo do
bicho, que se transformou em narcotráfico", disse ele, ressaltando o empenho do
governo do estado em resolver o problema. O secretário de Segurança, general Nilton
Cerqueira, informou que a Operação Molinete, cujo dossiê foi revelado domingo pelo
"Globo", já identificou 50 policiais acusados de receber suborno do bicho.
Desse total, 30 são militares e 20 civis, incluindo pelo menos cinco delegados. As
investigações indicam que pode chegar a cem o número de policiais envolvidos no esquema
de corrupção. (pág. 1 e 12 a 16)
- Sem certeza de aprovação da reforma da Previdência amanhã na
Câmara, os líderes governistas já cogitam deixar de fora a cobrança de contribuição
previdenciária dos servidores inativos. Se o dispositivo cair, pelo menos 372 mil
funcionários públicos aposentados ficarão livres do desconto de 11% em seus
benefícios, feito por medida provisória desde abril de 1996. O Tesouro deixará de
arrecadar R$ 3,8 bilhões anuais. Hoje, no Senado, será votada a reforma administrativa,
sob forte vigilância da Polícia Federal e da tropa de choque da PM. (pág. 1, 3 e 4)
- A polícia prendeu ontem sete pistoleiros na fazenda Figueira, em
Guairaçá, no Paraná. Um dos presos, Augusto Barbosa da Costa, confessou que o grupo
participou do ataque de sábado aos sem-terra que ocupavam as fazendas Boa Sorte e Santo
Ângelo. No ataque, um sem-terra morreu e 32 ficaram feridos a bala e coronhadas. (pág. 1
e 11)
- A Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos vai reexaminar o
processo sobre o pedido de indenização pela morte da estilista Zuzu Angel. O pedido foi
indeferido em agosto passado por falta de provas do envolvimento de policiais em sua
morte. Em depoimento secreto à comissão, ontem, o deputado José Luiz Clerot (PMDB-PB)
disse que uma testemunha contou-lhe ter visto o carro de Zuzu ser fechado por outros dois
na saída do Túnel Dois Irmãos, em 14 de abril de 1976, dia de sua morte. (pág. 1 e 10)
- O presidente interino da Eletrobrás, Mário Santos, apresentou ontem
ao ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, e ao diretor da Agência Nacional de
Energia Elétrica, José Mário Miranda Abdo, um estudo técnico sobre a prorrogação da
hora de verão por um prazo de 15 a 30 dias. O ministro decide hoje se aprova ou não a
medida. O governador Marcello Alencar afirmou que cobrará da Light e da Cerj os
prejuízos causados pela paralisação de elevatórias da Cedae, que entraram em pane
durante uma queda no fornecimento de energia. (pág. 1 e 20)
- Três meses após ter estremecido sob o impacto da crise na Ásia, o
Brasil voltou ao mercado internacional de títulos, testando a receptividade dos
investidores, e foi bem recebido. O lançamento de bônus de cinco anos de prazo na
Europa, no valor de 500 milhões de euros ou US$ 543 milhões, realizado ontem, foi
considerado pela diretoria do Banco Central um sucesso, tanto que já se pensa em lançar
papéis de dez anos. A operação, além de atrair grande número de investidores, o que
fez com que o BC dobrasse a quantidade inicial de títulos ofertados, teve um custo
inferior ao lançamento feito pela Argentina há duas semanas. As taxas pagas, porém,
ainda são mais altas do que as vigentes antes da crise. (pág. 1 e 21)
- O ano eleitoral não garantirá um aumento maior para o salário
mínimo. Em entrevista à TV Senado, o presidente Fernando Henrique disse ontem que 98
será um ano de austeridade para o Governo. Segundo o Presidente, o mínimo receberá o
aumento que for possível ser dado e lembrou que por um dos fatores que ajudam a empurrar
esse reajuste para baixo é a sua vinculação ao piso dos benefícios da Previdência.
Ele destacou que o déficit da Previdência este ano chegará a R$ 5 bilhões e poderá
dobrar em 99, o que exige a aprovação imediata da reforma previdenciária. Para Fernando
Henrique, qualquer postura no ano eleitoral que não seja de austeridade será burrice
política. (...) (pág. 5)
- (Porto Alegre) - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza,
atribuiu ontem a "divergências políticas entre prefeituras e governos" os
problemas ocorridos na implantação da campanha Toda Criança na Escola em Recife,
Belém, Rio e São Paulo. Paulo Renato negou que os episódios revelem um fracasso, uma
vez que, a seu ver, "não se pode avaliar uma campanha desenvolvida em 4.500
municípios só com base no que ocorreu em quatro cidades".
A coordenadora da campanha, Sônia Moreira, informou que o censo do
IBGE constatou em 1996 que existiam 2,7 milhões de crianças entre 7 e 14 anos fora da
escola, número que deve ter sido reduzido no ano passado para 1,8 milhão e que a
campanha quer diminuir ainda mais. (...) (pág. 8)
- O ex-superintendente executivo do Banco Nacional, Arnoldo de
Oliveira, e o ex-vice-presidente da Área de Controladoria, Clarimundo Sant'Anna, ficarão
frente à frente na Justiça no dia 20 de maio, quando serão acareados. O ex- presidente
do Banco Central, Gustavo Loyola, que negociou a compra do Nacional pelo Unibanco, também
irá depor no mesmo dia. A data foi marcada ontem pelo juiz Abel Fernandes Gomes, da 4ª
Vara Federal do Rio, encarregado de apurar a autoria das fraudes que levaram o Nacional a
um prejuízo de R$ 10,2 bilhões. (...) (pág. 23)
- Os quatro anos do Plano Real serão comemorados com um mês de
preços irreais em todo o Brasil. A partir de 1º de julho, produtos e serviços serão
oferecidos aos brasileiros com preços mais baixos que os praticados normalmente. O
tamanho do desconto ainda será decidido pelos comerciantes e empresários que embarcarem
na promoção batizada de "O Brasil no Real". Qualquer semelhança com o
"Rio no Real", que aconteceu em julho de 1996, está longe de ser mera
coincidência. A idéia, que naquela época foi concebida pela Associação Comercial do
Rio de Janeiro, está sendo adotada agora pelas 27 entidades do comércio de todos os
estados brasileiros. (...) (pág. 28)
- O Brasil está cada vez mais perto de defender, expressamente, um
ataque militar ao Iraque. Tudo depende do resultado das negociações internacionais para
convencer Saddam Hussein a permitir o trabalho dos inspetores de armas químicas e
biológicas das Nações Unidas no Iraque. Em entrevista ao "Globo", ontem, o
ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, disse que não pode haver
dúvidas por parte do Conselho de Segurança da ONU em relação ao uso da força, na
ausência de uma solução diplomática para o impasse. (...) (pág. 31)
EDITORIAL
"Falta de articulação" - (...) A crise da construção
naval também reflete um encolhimento das frotas das companhias brasileiras de
navegação. Ambos os setores prosperaram enquanto estiveram protegidos por reservas de
mercado e puderam se beneficiar de subsídios. Hoje não há mais espaço político para
reservas de mercado como as que existiram no passado. Diante do processo de
globalização, as empresas precisam ser competitivas e não é possível mais se
sustentar um determinado segmento econômico somente à base de elevados subsídios. (...)
(pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Itamar
Franco passou pelo Brasil como um furacão, mas ontem fechou-se uma porta de seu destino
político. O prefeito de Contagem, Newton Cardoso, anunciou ao PMDB sua candidatura a
governador de Minas. Se a decisão é para valer, reduz-se a margem de manobra do
presidente FH para "administrar o Itamar". E Itamar, para disputar a
Presidência, passa a depender da união de Minas, que atende pelo nome de Hélio Garcia.
(...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - As orelhas do Planalto e do Congresso devem arder,
hoje.
O Conselho Consultivo da Associação dos Magistrados do Brasil,
entidade que congrega 15 mil juízes em todo o País, reúne-se logo mais, em Brasília.
Vão desancar a reforma que capou os privilégios da classe.
_* A cúpula do Sindicato dos Armadores será recebido dia 16, em
Brasília, pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
É bom que ele abra o olho.
Ouvirá um pedido de anistia para a dívida de US$ 600 milhões que o
setor mantém junto ao Fundo de Marinha Mercante. (pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- A reforma da Previdência começa a ser votada
amanhã, no plenário da Câmara, com uma boa notícia para os funcionários públicos
aposentados: será retirado do texto o artigo que prevê a cobrança de uma contribuição
de 11%. Assim, os parlamentares que apóiam o Governo esperam diminuir as resistências ao
projeto e aprová-lo. Os problemas devem acontecer do lado de fora do Congresso: três mil
manifestantes estão chegando a Brasília, vindos de todo o País, para protestar contra a
reforma da Previdência. (pág. 1 e 12)
- O Banco Central captou ontem em Londres US$ 543 milhões com o
lançamento de títulos batizados de Euro, mesmo nome da moeda comum européia. Mas a um
custo salgado: prometendo aos compradores resgatá-los a uma taxa de 9,65% ao ano. É a
primeira captação de recursos no exterior desde a crise das bolsas asiáticas. Numa
operação de características semelhantes, em maio do ano passado, os encargos pagos para
atrair os investidores estrangeiros foram de 6,62%. O dinheiro da venda dos títulos vai
ser utilizado para pagamento da dívida interna. (pág. 1, 14 e 15)
- Na última sessão legislativa de 1997, os 24 deputados distritais
aprovaram uma verba extra de R$ 5.353,00 para cada um deles. O objetivo: empregar mais um
assessor em seus gabinetes. Agora, começaram a contratar os integrantes do "trem da
alegria", que não precisam fazer concurso público e, no total, representarão um
custo de R$ 1,7 milhão para o governo do Distrito Federal. Enquanto a verba de gabinete
de um deputado distrital chega a R$ 38 mil, a de um federal não passa de R$ 20 mil.
(pág. 1 e cad. Cidades, pág. 3)
- Presos, no Paraná, sete suspeitos do assassinato de um sem-terra no
sábado. Em Minas, ruralistas se unem para combater invasões. (pág. 1 e 7)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- Agência do petróleo estuda redução do preço da gasolina
- O presidente Fernando Henrique Cardoso recomendou ao diretor-geral da
Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylberstajn, que estude a redução dos
preços dos combustíveis. A quebra do monopólio de petróleo tende a reduzir os custos
da Petrobras, sem contar que outras empresas podem importar petróleo e combustíveis e o
Presidente acha que os benefícios devem ser repassados ao consumidor. (...) (pág. 1)
- Os governistas querem completar rápida e definitivamente - hoje e
amanhã - a aprovação das reformas administrativa, no Senado, e da Previdência, na
Câmara, encerrando o período de convocação extraordinária, que termina dia 13.
Lideranças parlamentares e o Palácio do Planalto mostravam-se otimistas, ontem à noite.
A situação no Senado é absolutamente tranquila. A maioria governista é ampla e está
articulada para a aprovação amanhã. Os líderes acham que podem iniciar a votação,
resistir aos discursos e recursos de obstrução da pequena bancada oposicionista e votar
amanhã mesmo. (...)
_* Os servidores públicos federais iniciam, às 10h de hoje, na
Esplanada dos Ministérios, com uma passeata, a mobilização contra as reformas
Administrativa e da Previdência. Eles vieram de todo o País e estão acampados em frente
à Catedral - local ocupado com autorização do GDF, que providenciou a instalação de
banheiros provisórios. A pressão contra os parlamentares começa no Aeroporto, onde
serão recepcionados por 300 manifestantes.
São 1,6 mil pessoas acampadas. Segundo os organizadores do movimento,
este número deve chegar a 6 mil amanhã, quando será votada a reforma da Previdência.
(...) (pág. 1, 3 e cad. Nossa Cidade, pág. 2)
ZERO
HORA
- As reformas administrativa e da Previdência,
consideradas fundamentais pelo Governo para a manutenção da estabilidade da economia,
devem ser votadas hoje e amanhã, respectivamente, em meio a um clima de tensão. O
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), só tem uma preocupação em mente: evitar
um novo vexame como o que ocorreu na última quinta-feira durante a votação da emenda da
Previdência na comissão especial. Na ocasião, cerca de 150 manifestantes, com o apoio
de alguns deputados da oposição, invadiram o plenário principal da Câmara por quase
uma hora na tentativa de retardar a votação do projeto da Previdência na comissão
especial. Por ordem de Temer, o espaço ao redor do Congresso ficará isolado, os 240
seguranças da Câmara trabalharão sem revezamento e a Polícia Militar do Distrito
Federal estará preparada para entrar em ação a qualquer momento. Tudo para garantir que
os deputados consigam iniciar a votação da Previdência, em primeiro turno, no
plenário. (pág. 6 e 8)
- Os trabalhadores estão descobrindo que podem recuperar o dinheiro do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) abocanhado pelos sucessivos programas
econômicos editados pelo Governo entre 1987 e 1991 - os planos Bresser, Verão, Collor e
Collor 2. A cada pacote as perdas foram se acumulando, atingindo 185%. Para obter a
reposição desse percentual é preciso entrar na Justiça contra a Caixa Econômica
Federal (CEF). Enquanto muitos trabalhadores estão movendo recursos contra a
instituição financeira, o Ministério Público (MP) já ingressou com uma ação civil
pública em nome dos gaúchos. Se julgada procedente, essa ação coletiva beneficiará a
todos. (pág. 18)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Termina hoje prazo para pagamento do IPTU com desconto
A TARDE (BA)
- Manifestantes acampam diante do congresso
DIARIO DE
PERNAMBUCO
- Trinta assassinatos no recife em apenas dois dias
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- Recife bate recorde em homicídios
ZERO HORA
(RS)
- Chuvas castigam fronteira e zona sul
ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |