
11/01/1998
JORNAL DO BRASIL
- FH desiste de demitir servidores
- O Governo do presidente Fernando Henrique desistiu da demissão dos
33 mil servidores não-estáveis e da redução do limite de compras nos free shops dos
aeroportos. Essas eram duas das 51 medidas anunciadas em novembro como necessárias para o
ajuste fiscal. De todo o pacote, só 34 medidas estão em vigor e meia dúzia delas são
antigas. A impossibilidade de definir critérios obrigou a área econômica a recuar nas
demissões. (...) O pacote previa também a redução de US$ 500 para US$ 300 no valor das
compras isentas de imposto nos free shops. (...) A Receita Federal mostrou que a economia
seria insignificante. "Fizemos os cálculos e concluímos que a receita seria
irrisória", disse a secretária- adjunta, Lytha Spíndola. A média de compra de
importados nos aeroportos é de US$ 100. (pág. 1 e 3)
- Com diárias extras, convocações extraordinárias e outras despesas
variáveis, a Câmara e o Senado gastaram, no ano passado, R$ 141,22 milhões - o
equivalente a 8,5% do valor total do orçamento das duas casas, de R$ 1,6 bilhão. O valor
inclui as ajudas de custo pagas aos parlamentares pelas duas vezes em que o Congresso foi
convocado pelo presidente Fernando Henrique.
Na contabilidade das despesas variáveis, entram as diárias extras dos
funcionários que trabalham quando há sessões após as 19h. (...) (pág. 2)
- A usina nuclear de Angra 2, a primeira de oito previstas em acordo
com a Alemanha assinado pelo ex-presidente Ernesto Geisel, em 1974, será ligada em
dezembro. O Governo está gastando R$ 1,4 bilhão na conclusão, e as obras já estão em
ritmo acelerado. A usina vai gerar 1.300MWh, o suficiente para iluminar uma cidade como
Curitiba. (pág. 1, 21 e 22)
- Os preços dos cigarros estão mais baixos desde ontem no Rio. Um
maço de Hollywood, a marca mais popular da Souza Cruz, passou dos R$ 3,15 cobrados na
quinta e sexta-feira, para R$ 2,10, reduzindo de 97,2 para 32,7 o percentual de aumento em
relação aos R$ 1,60 cobrados anteriormente. A marca mais barata, o Derby, agora custa R$
1,45, e a mais cara, Capri, R$ 3,30. O Marlboro da Philip Morris, também já custa R$
2,10. (pág. 1)
- Um dos pais do Plano Real e mais novo ministeriável do Governo, o
economista André Lara Resende embarcou em um helicóptero ontem com o presidente Fernando
Henrique Cardoso para uma visita à fazenda deste em Buritis. O ministro da Fazenda, Pedro
Malan, acompanhou os dois.
Desde que assumiu o posto de conselheiro da Presidência em assuntos
econômicos, Resende e sua equipe de técnicos têm falado em uma nova reforma da
Previdência Social, o que poderá ser debatido informalmente agora nesta reunião com
Malan. Outros membros do Governo que foram à fazenda são o ministro das Relações
Exteriores, Luís Felipe Lampreia, e o embaixador, Gelson Oliveira.
Outro tema que pode estar na pauta da conversa na fazenda é a segunda
rodada da crise asiática, que, por enquanto não vem tendo efeitos sobre a política
cambial brasileira. (pág. 2)
- Com o caixa engordado por um financiamento de R$ 450 milhões do
governo francês e pelas receitas do recém-criado Fundo de Reaparelhamento Policial
(Funapol), a Polícia Federal vai às compras em 1998 e já tem uma lista de produtos que
gostaria de incorporar aos seus equipamentos. Uma das novidades é uma arma de guerra de
alta potência, o fuzil Hecate 2.
Fabricado na França, o Hecate 2 é uma arma de alta precisão com
balas de calibre 12.7 milímetros, equivalente ao calibre 50 usado em metralhadoras das
Forças Armadas. Para se ter uma idéia do poder de fogo, um fuzil FAL, usado pelo
Exército e por traficantes do Rio, tem calibre 7,62 mm, enquanto o badalado AR- 15 não
passa de 5.56 mm. (pág. 5)
- (São Paulo) - Há pouco menos de dez meses das eleições, o
principal partido governista e a mais forte legenda de oposição começam a se preocupar
com o discurso que vão levar aos palanques. O PT pretende se atualizar para incluir
questões emergenciais como o combate ao neoliberalismo e a revisão das privatizações,
mas as idéias que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva defenderá na campanha
presidendial deste ano não serão muito diferentes daquelas que apresentou na eleição
de 1994. (...) (pág. 4)
EDITORIAL
"Previdência e desemprego"- A velocidade com que irá
caminhar o desemprego no Brasil é proporcional à capacidade dos parlamentares de brecar
ou acelerar a reforma na Previdência.
Pode-se chamar a oposição a esse projeto de
"construtiva"; podem-se atribuir boas intenções ao deputado José Genoíno
(PT-SP) e todos os que querem devolver o projeto ao Senado; pode-se considerar destrutiva
a oposição de uns ou "inteligente" a de outros espalhados pelo PDT, PC do B,
PMDB e demais partidos; mas o somatório dos freios de qualquer natureza na reforma da
Previdência tem uma única tradução: desemprego. (...) (pág. 10)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - As pesquisas
eleitorais deste começo de ano confirmam a avaliação de governistas cautelosos -
tucanos e pefelistas - que no particular sempre consideraram uma temeridade a
possibilidade da candidatura Ciro Gomes. O ex-ministro da Fazenda fechou 1997 sendo
avaliado quase como carta de descarte certo.
Entrou no minúsculo PPS, distribuiu pescoções à direita e à
esquerda, tudo indicava que dera passos errados e, quando se abriram as primeiras
avaliações populares de 1998, eis que Ciro aparece com índices altíssimos. Para suas
circunstâncias, 9% são uma marca de respeito. Aparece em quarto lugar, atrás de
Fernando Henrique, Lula e Sarney.
Passa, portanto, a fazer parte de uma lista que os cautelosos acima
referidos sempre temeram que viessem a integrar. (...) (pág. 6)
(Informe JB - Maurício Dias) - Para quem não sabe o que faz a
Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo, aí vai um exemplo de uma das ocupações
da SAE.
Em outubro, a secretaria concluiu um estudo chamado Cenários
Exploratórios do Brasil 2020, onde constrói três cenários para o futuro do País.
Todos batizados com nomes indígenas.
O primeiro - Abatiapé - faz uma previsão bem otimista. Aponta o
Brasil como uma "potência econômica média, sólida e modernizada", com renda
"per capita" de US$ 20 mil, PIB de US$ 3,9 trilhões e com 4% da população
vivendo abaixo do nível de pobreza.
No segundo - Baboré - O Brasil se tornaria um país "socialmente
menos desequilibrado", com renda "per capita" de US$ 14,9 mil, PIB de US$
2,9 trilhões e com 7% dos brasileiros abaixo do nível de pobreza.
Finalmente no terceiro cenário - intitulado Caaetê - , o País
estaria vivendo um "clima de instabilidade com a economia estagnada a longo
prazo". A renda ficaria em US$ 7.500, o PIB em US$ 1,4 trilhão e 14% da população
estaria vivendo em situação miserável.
Para alcançar este patamar é preciso correr muito. O Brasil dispõe
apenas de 22 anos para dobrar não só o PIB atual, calculado em US$ 600 bilhões, como
também a renda "per capita" de US$ 3.500.
O esforço, em desesperada corrida contra o tempo, será feito apenas
para deixar o País mais ou menos na mesma situação em que está.
_* Para desafogar os Tribunais Superiores, em Brasília, o Governo tem
no forno uma emenda suprimindo da Constituição os requisitos de admissibilidade dos
recursos especiais.
Caberia ao Superior Tribunal de Justiça definir, em lei ordinária, as
matérias sobre as quais caberiam recursos.
A proposta pretende também fortalecer os tribunais locais, tirando do
STJ o status de terceira instância. (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Dívida de 22 estados supera receita
- Das 27 unidades da Federação, 22 teriam de gastar tudo o que
arrecadam com impostos durante pelo menos um ano para quitar suas dívidas. No caso de
Goiás e Mato Grosso, seriam necessários três anos.
Se optassem pelo pagamento, esse 22 estados não teriam como fazer
investimentos. Nem os salários dos servidores públicos poderiam ser pagos.
Embora os estados não tenham de pagar suas dívidas de uma vez, o
valor dos débitos se multiplica rapidamente devido aos juros de cerca de 40% ao ano. Isso
os obriga a renegociações quase anuais.
As quatro unidades que têm dívidas totais menores do que a receita
líquida anual são Paraná, Espírito Santo, Pará e Distrito Federal, segundo
informações da Secretaria do Tesouro Nacional. (pág. 1 e 1-6)
- Após o Real, dobraram as fusões e aquisições entre empresas
nacionais e estrangeiras, revela estudo da Fipe sobre efeitos da globalização na
economia. Em 1994, ocorreram 94 dessas operações, contra 186 em 1997. (pág. 1, 2-1 e 2-
9)
- Nova gravação divulgada ontem indica que o ministro Carlos
Albuquerque (Saúde) sabia que emendas ao Orçamento seguiam critérios políticos. Na
primeira gravação, um assessor dizia que emendas foram barradas pelo Planalto. (pág. 1
e 1-5)
- O desaparecimento de formulários enviados pela Fifa à CBF ameaça a
lisura do credenciamento dos jornalistas brasileiros para a Copa da França.
A Fifa mandou 120 formulários. A Associação Brasileira dos Cronistas
Esportivos recebeu apenas 90 da CBF, cujos diretores não foram encontrados para comentar.
A "Folha" apurou que a presidência da CBF reteve a diferença. (pág. 1 e 4- 3)
EDITORIAL
"Crise asiática, fase 2" - Termina-se a primeira semana
de 98 com a nítida percepção de que está em curso uma espécie de segunda fase da
crise asiática, na qual o foco de inquietações volta-se para os países que foram as
primeiras vítimas da turbulência, em meados de 97.
Mas não se trata de mera reprise. Consolida-se, ao
contrário, a sensação de que o risco de contágio do resto do planeta pelo vírus da
turbulência não depende só do agravamento da crise em países mais ricos, como Coréia
e, especialmente, Japão. (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Passou pelo crivo do Planalto a relação
das mais de 600 prefeituras que receberam R$ 120 mil da Secretaria de Políticas Regionais
no apagar das luzes de 97. Os tucanos negociaram sua cota diretamente com a Presidência.
_* Depois de torrar em apenas dois dias R$ 120 milhões, partilhados
por centenas de municípios, o secretário Fernando Catão (Políticas Regionais) já fala
em se candidatar a uma vaga na Câmara. Pelo PMDB da Paraíba. (pág. 1- 4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Bird alertou para enchentes no rio
- O programa de Reconstrução do Rio, executado a partir de 1988,
após catástrofe provocada pelas enchentes na cidade, consumiu mais de US$ 400 milhões
até 1995, em obras contra as cheias. Relatório confidencial do Banco Mundial (Bird), que
financiou parte das obras, editado em 1996 e obtido pelo "Estado", considera o
trabalho "satisfatório", mas adverte que deixou de lado projetos fundamentais
para garantir a "sustentabilidade" das obras.
O desastre das chuvas dos últimos dias dá ao relatório um ar de
profecia. O banco relata que o governo estadual e a prefeitura conseguiram concluir as
obras mais caras, mas executaram apenas parcialmente ações de menor custo, embora fossem
as mais necessárias para assegurar a continuidade e o sucesso do programa, como a coleta
e despejo do lixo sólido e o reflorestamento. (...) (pág. 1 e C1)
- A maioria dos paulistanos - 79% - manifesta intenção de doar seus
órgãos para transplante, revela pesquisa InformEstado. No entanto, a porcentagem dos que
aprovam a lei que torna compulsória a doação após a morte é de 57%. Entre os que se
disseram contra a medida, 23% consideraram a possibilidade de ela tornar-se fonte de
comércio de órgãos. (...) (pág. 1 e A14)
- O litoral paulista não está preparado para receber neste verão os
milhões de turistas que procuram as praias. No feriado de réveillon faltou água em
Itanhaém, Peruíbe, Mongaguá, Praia Grande, Guarujá e Bertioga, o trânsito nas
estradas ficou lento e a produção de lixo aumentou até cinco vezes. Esses problemas
dificilmente serão resolvidos nesta temporada e a previsão é de que no Carnaval eles
voltarão a se repetir. (...) (pág. 1, C4 e C5)
Em texto que o "Estado" publica na íntegra, o
"chairman" do Federal Reserve, o banco central americano, Alan Greenspan,
observa que taxas moderadas de deflação, a exemplo de uma inflação, podem tolher a
economia. "Uma deflação", diz, "iria distorcer a alocação de recursos e
interferir na capacidade da economia para atingir seu potencial máximo. (....) (pág. 1 e
B10)
- A disposição do governador Mário Covas de não disputar a
reeleição paralisou o PSDB em São Paulo, abriu caminho para a oposição e pode
prejudicar a campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso no maior colégio eleitoral
do País. Os tucanos alimentam a esperança de que o governador mudará de idéia e não
preparam um nome alternativo. A estratégia de atrasar ao máximo a corrida eleitoral vem
garantindo ao ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) a liderança isolada nas pesquisas de opinião
e tem permitido que o pepebista ganhe espaço no PFL. (...) (pág. 1, A8 e A9)
- Se a arrecadação cair no decorrer deste ano, os cortes aplicados ao
Orçamento poderão alcançar R$ 8 bilhões, o dobro do valor anunciado na semana passada
pelo Governo. Nem os programas sociais, inclusive os do Brasil em Ação, estarão livres
da politica de contenção. Segundo cálculos da Comissão Mista de Orçamento, o
Ministério da Saúde poderá contribuir com 30% da economia máxima pretendida pelo
Governo. Com o aperto sobre a folha de pagamento, com o qual se pretende obter uma
economia de R$ 2,2 bilhões em 1998, o total dos cortes poderá ultrapassar R$ 10
bilhões. O corte adicional poderá ser revertido ainda no primeiro bimestre, caso não se
confirme a queda de receita. (...) (pág. A4)
- O Governo planeja liberar até o início do período de propaganda
eleitoral, em agosto, 65% das verbas orçamentárias reservadas para o programa Brasil em
Ação, carro-chefe da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição. O
dinheiro para as obras incluídas no Orçamento pelos aliados do Palácio do Planalto
também chegará aos municípios antes de os eleitores colocarem o voto nas urnas. (...)
(pág. A4)
- Os cortes previstos para o programa Brasil em Ação poderão atingir
R$ 632 milhões - e não apenas R$ 200 milhões, como foi anunciado na semana passada -,
caso o Governo execute até o limite sua proposta de contingenciamento de verbas para
custeio e investimento em obras. Considerado o carro-chefe da campanha do presidente
Fernando Henrique Cardoso à reeleição, 85% dos recursos do Brasil em Ação foram
preservados de cortes. (...) (pág. A4)
EDITORIAL
"Governo obedece à lei do mais forte" - A decisão do
Governo de mudar regras para concessão de créditos, dispensando garantias mínimas, para
atender o MST, reforça a noção de que seus militantes são intocáveis e conseguem tudo
o que querem por meio da força. (pág 1 e 3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - O PMDB deverá sair nos
próximas dias da modorrenta disputa entre o presidente Paes de Andrade e a ala governista
do partido. José Sarney, ainda que indiretamente, será o motivo de movimentos mais
agitados dos peemedebistas que defendem o apoio à reeleição de Fernando Henrique. (...)
A intenção do PMDB de ter Jáder Barbalho ou Íris Resende no comando
da campanha da reeleição - mesmo que sejam confirmados como candidatos a governador -
não deverá ser concretizada. Se FHC aceitar essas indicações do PMDB, terá de fazer o
mesmo com o PPB e incluir Paulo Maluf no conselho político. Ao PPB já foi dito que Maluf
não poderá estar no comando da campanha, porque é candidato a governador. (...) (pág.
A6)
O
GLOBO
- Conde: não há solução mágica contra enchentes
- Apesar das críticas recebidas após as chuvas que alagaram o Rio na
semana passada, o prefeito Luiz Paulo Conde se recusa a apontar uma saída rápida para o
drama dos cariocas: "Não gosto de mentir. Moro no Rio há 63 anos e sei que não há
solução mágica", diz. Ele nega que tenha usado de ironia ao pedir ao povo carioca
que rezasse: "Rezo porque acredito em Deus. Rezo para as pessoas não morrerem".
Ele garante que a melhor coisa a fazer é aprimorar o aparato de
socorro às pessoas nos momentos de emergência, exatamente como acontece nas grandes
cidades do mundo. Para o prefeito, a União tem de dividir com a prefeitura a
responsabilidade pela melhoria do serviço público da cidade, não apenas com medidas
emergenciais, mas através de uma parceria de longo prazo: "O Governo federal tem de
ajudar o Rio". (pág. 1 e 22)
- A falta de reajuste salarial durante três anos mudou o cenário no
serviço público federal. Os servidores buscam cada vez mais dinheiro nos agiotas, vendem
os vales-transporte e fazem bicos nos momentos de folga para complementar os salários.
Eles já são responsáveis pela metade dos empréstimos na cidade, apesar de não
representarem nem um quarto da população economicamente ativa. (pág. 2 e 13)
- O esperado aumento na oferta de órgãos para transplante esbarra num
sério obstáculo: o despreparo da rede pública de saúde para fazer esses órgãos
chegarem aos pacientes que deles necessitam. Faltam, por exemplo, neurologistas que
confirmem a morte cerebral do doador, centros de captação só existem em dez estados;
fígados só são transplantados em clínicas privadas, ao custo de R$ 60 mil. (pág. 1,
14 a 17)
- (São Paulo) - O maior entusiasta da candidatura de Marta Suplicy ao
governo de São Paulo é o marido, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). E ele não esconde
um outro sonho acalentado pelo casal: chegar à Presidência. A dúvida é qual dos dois
terá mais chance em 2002. A possível eleição de Marta como governadora poderá ajudar
a credenciá-la para concorrer ao Palácio do Planalto. (...) (pág. 4)
- Principais partidos da base governista, PSDB e PFL, assumiram o
cobiçado comando das agências que fiscalizarão os setores de petróleo,
telecomunicações e energia elétrica. O Governo federal concluiu, na semana passada, a
indicação dos diretores das três agências, dividindo os 15 cargos entre os dois
partidos. Só que o rateio foi inversamente proporcional ao tamanho das bancadas no
Congresso. E a disputa está longe de acabar. (...) (pág. 5)
- A Polícia Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e
o Incra iniciam nos próximos dias uma operação para coibir o desmatamento e a
violência em áreas destinadas à reforma agrária. A operação terá início no Pará e
poderá estender-se a outros estados onde haja a exploração ilegal de madeira. O
presidente do Incra e ministro interino da Reforma Agrária, Milton Seligman, disse ao
"Globo" que muitos madeireiros estão aproveitando-se para desmatar áreas de
assentamentos, causando clima de instabilidade e violência em áreas desapropriadas.
(pág. 12)
- Um novo pedido de extradição dos sequestradores canadenses do
empresário Abílio Diniz, presos na Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, pode
azedar a visita do primeiro-ministro do Canadá, Jean Chrétien, que desembarca em
Brasília dia 14. A embaixada canadense já anunciou que um novo pedido de extradição
deve ser objeto de negociações entre os dois governos. (pág. 8)
- Cansada de esperar iniciativas do Governo, particularmente da Sudene,
a bancada nordestina no Senado anunciará nos próximos dias uma estratégia de
desenvolvimento para a região. Presidente da Comissão de Políticas para o
Desenvolvimento do Nordeste, o senador Waldeck Ornellas (PFL-BA), que lidera o movimento
por indicação do presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), já tem
projeto praticamente pronto, com a preocupação básica de inserir os estados nordestinos
na economia internacional. Eles estão de olho no Mercosul. (...) (pág. 19)
- (São Paulo) - A discussão sobre o custo do trabalho no País está
aberta. O economista José Pastore defende a redução dos encargos sociais para que o
Brasil ganhe competitividade no mercado internacional. O Brasil é campeão em encargos
sociais entre os quatro países do Mercosul. Segundo Pastore, eles representam 102,6% da
folha de salários das indústrias, enquanto na Argentina somam 70,27%, no Uruguai,
48,06%; e no Paraguai, 41%.
No Brasil, uma série de contribuições feitas sobre a folha salarial
das empresas pode ser eliminada sem redução de salários. São recolhimentos ao Governo
e contribuições repassadas para entidades patronais de assistência e formação
profissional. (...) (pág. 41)
- O Governo espera atenuar a crise no emprego com a aprovação esta
semana do projeto de lei que cria o contrato de trabalho por tempo determinado e o banco
de horas. Aprovado quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado,
o projeto vai a plenário terça-feira, e a expectativa do líder do Governo no Senado,
Élcio Álvares (PFL-ES), é aprová-lo com grande maioria. Com a mudança na legislação
trabalhista, o contrato temporário será estendido a todos os trabalhadores. As empresas
que aderirem ao sistema serão beneficiadas com redução de encargos sociais. (pág. 41)
EDITORIAL
"Urgência" - Para que a reforma previdenciária seja
promulgada, a Câmara deve referendar ou rejeitar as alterações feitas pelo Senado no
texto da emenda constitucional inicialmente aprovado pelos deputados. Não há como se
postergar uma decisão diante do tema pois o País está diante de um problema premente: o
déficit potencial da previdência em 1998 pode chegar a R$ 4 bilhões. O Tesouro Nacional
não tem como cobrir tamanho rombo. Além disso, no caso do setor público, as folhas com
pagamento de inativos têm crescido exponencialmente. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - O Senado
vota depois de amanhã o projeto de lei que cria o contrato temporário de trabalho. Mal
debatido, como a Lei da Doação de Órgãos, que está dando chabu nacional, o projeto
reduz os encargos trabalhistas no intuito de gerar empregos. A CUT acha que o resultado
pode ser inverso. Que as empresas acabarão demitindo mais, trocando seus empregados por
biscateiros com direito à Previdência. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Quinta-feira no Planalto, a Câmara de
Infra-Estrutura deve tomar uma decisão importante. O órgão vai rever o limite da
participação estrangeira no capital das empresa aéreas nacionais. O teto fixado em 20%
pelo Código Aeronáutico, poderá dobrar. (pág. 28)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Roriz cai e aumenta a rejeição aos candidatos
- Ex-governador perde 7 pontos percentuais e cresce número de
eleitores que não votariam em ninguém. (pág. 1, 4 e 5)
- O que já era mais do que sabido, e foi denunciado semana passada
pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), o "Diário Oficial da União" (DOU) de
31 de dezembro de 1997 confirmou: o Governo federal privilegia os aliados políticos no
Congresso com a maior parte dos recursos de que dispõe para investimentos no País.
Naquele dia, em quase 300 páginas, saiu publicada no DOU a distribuição dos convênios
do Ministério do Planejamento com cerca de quatro mil prefeituras. E os parlamentares
amigos levaram quase tudo. O líder do PTB na Câmara, deputado Paulo Heslander (MG), que
teve seis emendas aprovadas no valor de R$ 1,2 milhão, não nega o privilégio: "O
Governo ajuda quem é aliado". (pág. 1 e 5)
- Nos últimos dois anos, o número de incêndios na Floresta
Amazônica pode ter diminuído artificialmente. O próprio Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe), responsável pelo monitoramento das queimadas, admite essa
possibilidade. Alberto Sotzer, engenheiro da Divisão de Sensoriamento do órgão, explica
que isso é possível porque o novo satélite utilizado para a fiscalização capta
imagens da Amazônia apenas no início da noite - quando o número de queimadas é bem
menor. Resultado: se em 1995 os focos de incêndios foram 75.428, em 1996, caíram para
25.365 e em 1997 não passaram de 34 mil. (pág. 1 e 12)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- Começa dia 13 contagem regressiva para fim dos Ministérios
militares
- Presidente já aprovou estrutura do novo Ministério da Defesa. Dez
grupos proporão em 60 dias reorganização das Forças Armadas. Chefe da Casa Militar,
general Cardoso, aposta em otimização de recursos. Os quatro atuais ministros militares
- do Exército, Marinha, Aeronáutica e EMFA - serão reduzidos a um único (que é até
melhor que seja civil para evitar ciúmes entre as três forças) ministro da Defesa e o
prazo para essa reorganização das Forças Amadas brasileiras começa a ser contado a
partir de terça-feira, dia 13.
Nesta data serão instalados os dez grupos de trabalho que em 60 dias
estudarão as formas de integração das 62 atividades desenvolvidas simultânea e
cumulativamente pelo Exército, Marinha e Aeronáutica. Todo o processo de criação do
Ministério da Defesa já foi aprovado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (que
aceitou proposta do general Benedito Bezerra Leonel, chefe do EMFA). Todos os obstáculos
e reações possíveis - que não sejam reações individuais ou de grupos, passíveis de
serem punidas como indisciplina e que são esperadas - já estão superadas e é uma
decisão política ireversível do Presidente da República. (...) (pág. 1 e 3)
- Um almoço ultra-reservado na fazenda do presidente Fernando Henrique
Cardoso, em Buritis (MG), a 130 km de Brasília - para preparar a reação brasileira ao
imprevisível que vier a acontecer amanhã, segunda-feira, quando reabrirem os mercados
dominados pela nova onda da crise asiática - foi transferido, pelo mau tempo, para o Iate
Clube de Brasília.
Presidente, mais os ministros da Fazenda e das Relações Exteriores, o
embaixador Gelson Fonseca e o economista André Lara Rezende, seus conselheiros pessoais,
não fizeram declarações mas conversaram longamente. Eles chegaram a embarcar no
helicóptero, que levantou vôo para Buritis, mas tiveram de voltar ao Palácio do
Planalto, de onde saíram para o almoço no Iate. Há divergências sobre a intensidade do
risco de transformação da crise bancária e localizada em ataque especulativo ao Real.
(pág. 1)
ZERO
HORA
- Um financiamento a juros baixos, uma assessoria
técnica que ensina as famílias até como organizar o estatuto interno da associação e
a oportunidade de vender a produção em grandes feirões. A fórmula contra o desemprego
do Projeto Esperança - promovido pela Diocese de Santa Maria, em parceria com prefeituras
da região - completa 11 anos em março com um saldo de 70 pequenos grupos beneficiados em
22 municípios. No total, o projeto de cooperativismo alternativo, que oferece a
oportunidade a desempregados de serem donos do próprio negócio, gera trabalho hoje para
cerca de 4,6 mil pessoas na área urbana e rural da Região Central do estado. (pág. 12)
- Os gaúchos começam em janeiro a provar de um amargo coquetel que
mistura o desequilíbrio das contas do estado com a crise internacional provocada pelas
bolsas de valores da Ásia. As dificuldades de caixa tanto do Governo federal como do
estadual se converteram em aumentos de impostos que passaram a vigorar no primeiro dia de
1998. Num ano desenhado pela sombria previsão de economia como pé no freio, lojistas,
donos de supermercados e economistas concordam que a tendência é a mão pesada do fisco
espremer um pouco mais o bolso dos consumidores. (pág. 4 e Cad. Economia)
- O fantasma do desemprego começa 1998 ainda mais assustador.
Exorcizar esse espectro é possível, mas a tarefa exige coragem e dedicação. Com os
índices de desocupação batendo em quase 17% na Grande São Paulo e em 12% na Região
Metropolitana de Porto Alegre, cada vaga aberta representa uma disputa renhida. "Como
há uma grande oferta de mão-de-obra, as empresas estão cada vez mais exigentes",
avisa Juvenal Herrera Ferreira, coordenador do posto central do Sistema Nacional de
Emprego (Sine) em Porto alegre. Nos dias úteis, entre 400 e 500 pessoas começam a se
alinhar diante do maior centro de atendimento do Sine no estado, a partir das 5h da
madrugada, na esperança de abandonar as estatísticas dos sem-trabalho. (pág. central e
Cad. Economia)
MANCHETES
GAZETA DO POVO (PR)
- Saem as tabelas para o pagamento do IPVA em 1998
- O brasil perde mercado com os altos encargos
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- A insegurança é total no interior
ZERO HORA
(RS)
- Municípios reorientam o combate à pobreza
- Cooperação substitui o paternalismo
A vida na morte - O médico paulista diz que a nova lei de transplante é boa e que as
pessoas que se recusam a doar órgãos são egoístas. (pág. 9 a 11)
A revolta do transplante - Se o País tem de suportar doenças do tempo da guerra da
vacina, suas opiniões também podem ser as mesmas de 1904. (pág. 16)
Aliança do barulho - Fazendeiros e trabalhadores sem-terra transformam latifúndios
improdutivos em negócios milionários. (pág. 22 a 24)
Mais um fantasma na Ásia - A Indonésia, quebrada, desobedece ao FMI e provoca uma
onda de pânico que desvaloriza a moeda e derruba a bolsa. (pág. 66 e 67)
O amigo americano - Ex-funcionário que acusa Consulado dos EUA de discriminação
obtém vitória na Justiça. (pág. 25)
REVISTAS
ISTOÉ
TÍTULO DE
CAPA
- Ritmo quente: o brasil inteiro sacode ao som da Axé Music e do
pagode
Pitta ameaça apitar - Herdeiro da dívida de Maluf, prefeito dá calote na educação
e nos funcionários e quer mandar em 1998. (pág .20 e 21)
Dr. Abodrinha ataca - Mário Covas inventa taxa em contas de luz para arrecadar o que
cortou do orçamento da TV Cultura. (pág. 22)
Primeiro tiro do ano - Senador Requião acusa ministro de FH de embargar verbas de
adversários. (pág. 23)
Existencialista de sobral - Ciro Gomes critica a monogamia, defende a legalização do
aborto e tenta provocar um rebuliço no meio político.
Arrumando a casa - Atingida pelos cortes do pacote fiscal, Sudam busca novos recursos
para manter investimentos. (pág. 28 e 29)
Com medo de doar - A nova lei reduz o número de doadores de órgãos e mostra que o
cidadão desconfia dos médicos, dos hospitais, do Brasil. (pág. 32 a 34)
Beleza guardada - Livro do Ibama expõe os paraísos dos parques nacionais brasileiros
que o ecoturismo começa a descobrir. (pág. 42 e 43)
Hóspedes do planalto - Redes de hotéis internacionais descobrem Brasília e planejam
oferecer conforto para os visitantes do poder. (pág. 64)
Desperdício flutuante - Leilão de seis navios do Lloyd Brasileiro procura minimizar
perdas do Governo com naufrágio de estatal. (pág. 65)
Mudança de rota - Governo quer tirar poder de militares na definição de preços de
passagens. (pág. 67)
Verão do remelexo- O pagode e a axé music invadem o País, vendem milhares de discos
e se transformam no som do momento. (pág. 76 a 82)

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |