13/01/1998

JORNAL DO BRASIL

- FH: "a crise externa é o meu maior problema"

- A crise asiática e seus desdobramentos imprevisíveis são hoje o tormento do presidente Fernando Henrique Cardoso. "O meu maior problema é a crise externa", disse ontem o Presidente, em conversa com o "Jornal do Brasil". Na análise de desempenho que faz do Governo nas áreas eleitas como prioritárias - saúde, educação, emprego, agricultura e segurança -, o Presidente tem avaliação positiva, com exceção da segurança. "Esse ponto é mais complicado, não avançamos no combate ao crime organizado", afirmou. Fernando Henrique assegura que ainda este ano tomará providências radicais nesta área. Vai criar uma estrutura, provavelmente ligada ao Palácio do Planalto, que centralize as informações e coordene as ações de Governo no setor. Há também a preocupação de introduzir novos temas no debate nacional, como meio ambiente, direitos humanos, organização urbana. "Não se justifica que o Brasil não tenha entrado nesses temas, que são internacionais". O Presidente considera que a campanha eleitoral pode ser uma grande oportunidade para o lançamento desses assuntos à discussão. A despeito disso, a marca de sua campanha à reeleição continuará sendo a estabilidade da economia. Ele acha que o Brasil está se saindo bem no teste. (...) (pág. 1 e 3)

- O anúncio da liquidação de um dos maiores bancos de investimentos da Ásia, o Peregrine Investment Holdings Ltd., ontem, em Hong Kong, na China, foi o estopim para mais um dia de alta tensão no mercado financeiro. A bolsa de Hong Kong caiu 8,7%, levando junto o mercado acionário da maior parte da região e da Europa. Fundado em 1988, o Peregrine, símbolo do milagre da economia asiática, começou a ter problemas depois de liberar grandes empréstimos a empresas da Indonésia, onde a moeda foi desvalorizada em 39% somente este mês. No Brasil, e a Bolsa de São Paulo chegou a cair 7,5%, enquanto os juros e o dólar no mercado futuro disparavam. No final do dia os mercados se acalmaram com a recuperação da Bolsa de Nova Iorque. A Bolsa de São Paulo fechou em alta de 1,19%, e a do Rio com queda de 2,16%. (pág. 1, 11 e 12)

- O Banco do Brasil quer privatizar, ainda neste semestre, sua distribuidora de títulos e valores mobiliários, a BB DTVM, e sua corretora em Londres, a BB Securities. A proposta será submetida à assembléia de acionistas do banco no dia 22. Carlos Gilberto Caetano, diretor financeiro, explica que a decisão de vender a BB DTVM, líder no mercado nacional, deve-se ao aumento da concorrência, com o fortalecimento de grupos que passaram por processo de fusão. (pág. 1 e 12)

- (São Paulo) - O presidente do PT, José Dirceu, conversou ontem por telefone com o ex-governador Leonel Brizola, que está no Uruguai, e garantiu o apoio do PDT à candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, nas eleições deste ano. "O acordo está fechado, o PDT vai indicar um nome para vice na chapa do Lula", anunciou Dirceu. O vice poderá ser o próprio Brizola ou quem ele indicar. (...) (pág. 2)

- O governador Cristovam Buarque não aceita as críticas de que o governo do Distrito Federal, do PT, estaria sendo omisso, em termos de segurança, em relação às manifestações de trabalhadores na Esplanada dos Ministérios. Cristovam diz que não é omisso e transfere a responsabilidade pela falta de decisões, nesta área, ao próprio Governo federal. Segundo o governador, há duas semanas ele próprio levou ao presidente Fernando Henrique a proposta de criação de um batalhão, sob o controle da Casa Militar da Presidência da República, para dar segurança à Esplanada dos Ministérios. (...) (pág. 2)

- A campanha para a reeleição do presidente Fernando Henrique só começa em agosto, apás a Copa do Mundo. A informação é do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que ontem voltou a despachar em seu gabinete, depois de 45 dias de ausência, e deve coordenar a campanha para a reeleição. Ele também garantiu que não é candidato à presidência do PSDB. (...) (pág. 2)

- Os ministros da Saúde, Carlos Albuquerque, e da Coordenação Política, Luiz Carlos Santos, foram dispensados dos depoimentos que dariam no Senado, sobre as denúncias do senador Roberto Requião (PMDB-PR), de manipulação política do Orçamento. Ontem, o presidente da Casa, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), anunciou que o esclarecimento dos ministros virá por escrito, conforme seu pedido. O senador Requião informou que entrará, nos próximos dias, com ação no Supremo Tribunal Federal, por crime de responsabilidade, contra o presidente Fernando Henrique e os dois ministros. (pág. 2)

- A primeira-dama do País, Ruth Cardoso, disse ontem, ao participar, no Rio, do embarque para São Luís, no Maranhão, dos primeiros 160 voluntários do estado do projeto Universidade Solidária, que o programa Comunidade Solidária não será usado na campanha da reeleição. "O Comunidade Solidária não será utilizado para fins eleitoreiros nem afetado pelo ano eleitoral", afirmou Dona Ruth.

A primeira-dama disse ainda que não haverá prejuízos para as atividades do programa em ano eleitoral porque ele não depende de recursos públicos e sim da colaboração de instituições públicas e privadas. (...) (pág. 4)

COTAÇÕES

- Salário mínimo: (janeiro) R$ 120,00. Dólar comercial: (compra) R$ 1,1184, (venda) R$ 1,1192. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,210, (venda) R$ 1,225. Dólar turismo: (compra) R$ 1,1230, (venda) R$ 1,1238. TR do dia 13/12 a 13/1: 0,9041%. TBF do dia 9/1 a 9/2: 2,6898%. (pág. 1)

EDITORIAL

"Espelhos quebrados" - A quebra de um banco de investimentos asiático singularmente batizado como "Peregrino" foi o suficiente para que os mercados daquele lado do mundo entrassem, uma vez mais, em polvorosa. Para não fugir à regra, os mercados brasileiros reagiram de acordo com a enorme capacidade nacional para o mimetismo: se cai a Ásia, caímos nós também.

Os bancos europeus e de outras partes do mundo que se animaram como "rating" dos asiáticos devem estar com as barbas de molho, pois alguma reverberação ocorrerá com a cascata de inadimplências. Nem na Europa nem nos Estados Unidos, contudo, existem tantos catastrofistas de plantão quanto aqui. Por quê?

Porque as grandes vítimas da Ásia são suas empresas, e isso é problema dos asiáticos. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Perderá tempo quem tentar puxar assunto com o presidente da República e, na suposição de que está sendo gentil, quiser saber dele detalhes sobre sua campanha eleitoral a um segundo mandato. Além de acoplar sempre um regulamentar e algo sarcástico "se" até à hipótese de vir a concorrer, Fernando Henrique Cardoso avisa: "Quanto mais tarde tratar desse assunto, para mim será melhor. Aliás, não tenho nada para tratar nem agora nem depois".

Pelo simples fato de que o Presidente acha que campanha hoje em dia, e ainda mais para uma reeleição, se dá através do horário eleitoral gratuito. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Maurício Dias) - As gravações apresentadas pelo senador Roberto Requião, na semana passada, escancararam a forma como o Governo federal utiliza a execução orçamentária para beneficiar aliados e prejudicar adversários.

Mas a denúncia do ilícito praticado no Governo FH - que, aos poucos, vai se igualando aos governos passados, dos quais tanto queria se diferenciar - não pode esconder o lado ruim da história. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Crise asiática adia queda dos juros

- Plano do Governo prevê adiar, pelo menos até junho, a redução dos juros para os níveis de outubro - antes da duplicação -, caso o efeito da crise na Ásia se acentue no País, relatam Clóvis Rossi e Valdo Cruz. Há pressão política, porém, para redução até março, como pretendia o Banco Central. A desvalorização do real seria acelerada para que chegue a 0,70% ao mês, contra 0,60% de 97. Haveria corte de 12% (R$ 4 bilhões) do Orçamento, quantia já passível de eliminação. Para Gustavo Franco (Banco Central), porém, crash global é "coisa do fim do mundo", que "pode levar alguns milhões de anos" para acontecer.

A crise voltou a se agravar. A Bolsa de Hong Kong caiu 8,7% - maior recuo desde outubro - após a quebra da Peregrine Investments Holdings, uma das maiores instituições da região, e atingiu mercados na Europa. Em São Paulo, a Bolsa caiu 7,18%, mas fechou com alta de 1,19% por influência de Nova York. (Dinheiro, pág. 1)

- Documento de comissão que assessora o governo britânico sobre genética mostra razões pelas quais a clonagem humana pode beneficiar a humanidade. Se as pesquisas tiverem apoio, a experiência pode ser autorizada já em 99. O Reino Unido não participa de tratado europeu sobre veto à clonagem humana, firmado ontem. (pág. 1 e 1-11)

- Até março ou abril, o Governo deve apresentar projetos de reformas previdenciária, fiscal e do trabalho. O Governo não tem ilusões de aprová-las em 97, mas quer reforçar credencial de reformista para ver se escapa ileso da instabilidade internacional. (pág. 1 e 1-9)

- A crise na Ásia continua. Não há nenhum indício de que as coisas devam melhorar. Pelo contrário, o efeito dominó pode atingir o Japão. Nesse caso, seria difícil evitar que a economia mundial viesse a passar por período de estagnação prolongado. (pág. 1 e 1-2)

- Documento preparado pelo Vaticano condena a morosidade dos governos na reforma agrária. O relatório, que será divulgado hoje e trata da questão em seu aspecto global, afirma em determinado trecho que "o retardamento e adiamento da reforma agrária tiram toda a credibilidade às ações de denúncia e de repressão das ocupações de terra". (pág. 1 e 1-8)

- A arrecadação federal com o Imposto de Renda pago pelos trabalhadores na fonte (retido diretamente nos salários) foi de R$ 12,813 bilhões em 1997, um aumento de 6,65% em relação a 1996. A quantia é só R$ 310 milhões inferior ao IR pago pelas empresas e instituições financeiras, que registrou queda de 8,42% em relação a 1996. No total, a Receita Federal arrecadou a soma recorde de R$ 115,509 bilhões. (pág. 1 e 2-3)

- Iraque e EUA voltaram a trocar ameaças sobre as comissões da ONU para inspeção de armas iraquianas, informa Carlos Eduardo Lins da Silva. Bagdá vetou comissão por entender que seu líder, um norte-americano, é espião. Os EUA disseram esperar resposta "forte" da ONU. (pág. 1 e 1-10)

- O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), vai enviar ofícios aos ministros Carlos Albuquerque (Saúde) e Luiz Carlos Santos (Assuntos Políticos) pedindo explicações, por escrito, sobre denúncias de distribuição política de verbas públicas. O pedido visa evitar que os dois tenham de ir ao Congresso esclarecer o assunto. (pág. 1 e 1-4)

- O programa de demissões voluntárias da Volks teve adesão de 4.062 funcionários, 12,89% do total. A estimativa era de que até 10% aderissem. A Fiesp prevê um aumento do desemprego no início deste ano. No balanço de 97, foram fechadas 113.104 vagas na indústria paulista, menos do que em 95 e 96. (pág. 1, 2-12)

- A polícia brasileira só conseguiu recuperar e devolver a seus donos 32,8% dos 1.484.440 veículos roubados nos últimos sete anos, segundo dados do Renavam (Registro Nacinal de Veículos Automotores). O estado de São Paulo, que concentra 53,3% desse tipo de ocorrência no País, teve 792.407 veículos roubados e 262.218, devolvidos. Somente em novembro, houve 64 roubos a cada hora, em média. (...) (pág. 14)

EDITORIAL

"Semana decisiva na Ásia" - Nesta semana podem surgir sinais mais claros de qual será o desfecho de tanta turbulência na Ásia. Pelo menos três aspectos serão cruciais. O primeiro é a visita de dirigentes dos EUA e do FMI à região. O segundo é a constatação agora inelutável (da agência de avaliação de risco Moody's) de que a economia sul-coreana está, na prática, em moratória, débâcle que se associa à quebra de uma das mais importantes casas financeiras de Hong Kong. O terceiro é o envolvimento crescente da economia chinesa nas especulações sobre o futuro da região. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - FHC não terá vida fácil na reforma ministerial de abril. O Presidente não quer indicar figurões para não ter problemas na hora de demiti- los ao formar o novo governo. Mas os partidos falam em pôr nomes emblemáticos no centro do poder.

_* FHC pediu ao BNDES que apresse a liberação de R$ 300 mi para a construção de 52 penitenciárias no País. As rebeliões de fim de ano, quase duas por semana, fizeram o Governo redescobrir a urgência do problema. (pág. 1- 4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- NY e SP resistem à pressão da Àsia

- A Bolsa de Nova York resistiu ontem à turbulência provocada por fortes quedas em Hong Kong, -8,7% - e Cingapura, -8,74% - e fechou em alta de 0,88%. Sob o efeito de Wall Street, São Paulo fechou com alta de 1,19%, depois de registrar queda de 7,42%. Os pregões europeus, porém, não resistiram ao abalo em Hong Kong e Cingapura - duas das mais sólidas economias asiáticas -, causado pela falência de um dos maiores e mais agressivos bancos de investimentos da Ásia, o Peregrine. (...)

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem durante almoço com jornalistas que os novos desdobramentos da crise asiática mostram que o problema é muito mais amplo e profundo do que pareceu no início. Mesmo assim, Malan não acredita que o País possa sofrer um ataque. "O risco hoje de um novo ataque especulativo contra o real é bem menor do que no passado", disse. Para o presidente Fernando Henrique Cardoso, é "pouco verossímil" a previsão do economista americano Alberto Fishlow, publicada domingo pelo "Estado", de que em duas ou três semanas o real será vítima de especuladores, segundo o porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral. (pág. 1 e B1)

- O Ministério da Aeronáutica busca uma área para construir um novo aeroporto metropolitano, em substituição ao de Congonhas, em São Paulo. O crescimento anual de 7% a 8% no tráfego aéreo na região preocupa as autoridades. Congonhas está saturado, segundo o vice-diretor do Departamento de Aviação Civil (DAC), major-brigadeiro Mayron dos Santos Pereira. Como Cumbica também é muito movimentado e Viracopos fica longe da capital, a Aeronáutica decidiu construir outro aeroporto, em área a ser escolhida. (pág. 1 e C3)

- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, informou ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso encaminhará este ano ao Congresso o que chamou de segunda geração de reformas. Essas novas mudanças vão abranger três tópicos: a reforma fiscal, uma reestruturação profunda da Previdência Social e a reforma trabalhista, esta a grande novidade do pacote. Malan não quis detalhar as mudanças nessa área: "Serão para modernizar a legislação trabalhista". A reforma fiscal vai prever, além das já conhecidas alterações em tributos, a extinção de contribuições como a Cofins. (pág. 1 e A4)

- Os partidos aliados do Governo já começaram a trabalhar com a hipótese de aprovar a proposta de reforma da Previdência Social apenas na comissão especial, durante o período de sessão extraordinária do Congresso. O primeiro turno de votação em plenário, anteriormente marcado para 11 de fevereiro, pode ser adiado para depois do Carnaval, por causa dos prazos apertados e das resistências que existem em relação à reforma da própria base de apoio do Governo. (...) (pág. A4)

- O deputado Zaire Resende (PMDB-MG) revelou ontem que emenda de sua autoria destinando R$ 100 mil do Ministério da Saúde para a Faculdade de Medicina de Uberaba também foi cancelado por motivos políticos. "Estava tudo certo, mas no final de dezembro o reitor avisou-me que o dinheiro não sairia", relatou ao "Estado". "No dia 29 liguei para um amigo no ministério e ele confirmou que, infelizmente, meu nome constava da lista negra do Planalto". (...) (pág. 5)

- Cinco quilos mais gordo, bronzeado, irônico e de bom humor, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, afirmou ontem que quer permanecer ministro até pelo menos o meio do ano. Ele disse que não tem interesse na presidência do PSDB e também não abre mão de apoiar a reeleição do governador Mário Covas. Quanto à campanha presidencial, desconversou: "Só vamos mexer com a campanha a partir de julho". (...) (pág. A5)

EDITORIAL

"O que se pode fazer sem reformas" - A economia de R$ 9 bilhões na Previdência, só com mudanças na legislação infraconstitucional, medidas de racionalização e moralização, mostra que não tem sentido esperar de braços cruzados pela votação das reformas. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - Embora alguns tucanos ainda achem que detentores de cargos do Executivo estão impedidos de comandar o partido - caso de governadores e ministros -, esse impedimento não existe mais.

O estatuto do PSDB foi alterado justamente para permitir esses casos. Ou seja, Sérgio Motta, se quiser, poderá assumir a presidência do partido sem ter de deixar o ministério.

Esse assunto deverá ser tratado hoje, informalmente, na tradicional reunião das terças-feiras dos dirigentes tucanos. Reunião da executiva, só na semana que vem.

Eles pretendem levar o ministro Sérgio Motta. (pág. A6)

O GLOBO

- Banco quebra em Hong Kong e abala bolsas no mundo

- Mais um dia de crise no mercado financeiro mundial. A falência, em Hong Kong, do Peregrine Investments Holdings - o maior banco de investimentos da ex-colônia inglesa - e uma alta dos juros fizeram a bolsa cair 8,7%, arrastando as de Cingapura, Japão e Malásia e grande parte dos demais mercados do Planeta. Assim como aconteceu no caso do banco inglês Barings, a quebra do Peregrine foi causada por imprudência nos investimentos. Na Coréia do Sul, as ações só subiram devido à presença no país do diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus. Na Europa, caíram as bolsas de Frankfurt e Paris. A Bolsa de Nova York abriu em baixa, mas se recuperou e fechou em alta de 0,65%. No Brasil, as ações seguiram Wall Street: o índice de São Paulo chegou a cair 7,42%, mas fechou com valorização de 1,19%. Enquanto durar a crise na Ásia, o Governo brasileiro não reduzirá os juros. (pág. 1 e 19 a 22)

- A Secretaria Estadual de Saúde decidiu ontem rever o controle de testes de Aids, obrigando os laboratórios a fazer nova coleta de sangue se o resultado for positivo. A decisão foi motivada por denúncia do "Fantástico", da TV Globo: o exame da artista plástica Silvana Marins deu positivo, mas o sangue é de outra pessoa. (pág. 1 e 10)

- O Ministério da Saúde fará a partir de fevereiro, o recadastramento dos 117 hospitais públicos e privados credenciados para realizar transplantes. Os hospitais que não atenderem às exigências, como ter equipes médicas 24 horas por dia, inclusive no Natal e no Carnaval, e UTIs equipadas serão descredenciadas. (pág. 1 e 9)

- A Polícia Federal apreendeu em cidades da Região Amazônica mais 11 mil latas de leite aparentemente destinadas a crianças carentes e gestantes de alto risco assistidas pela prefeitura do Rio. As latas, segundo a PF, trazem a inscrição "Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro", e apesar de terem a venda proibida, foram achadas por R$ 3,30 em mercearias do Acre, de Rondônia e do Amazonas. (pág. 1 e 8)

- A cúpula do PT e o presidente do PDT, Leonel Brizola, se reúnem sexta-feira, no Rio, para fechar a aliança em torno da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Lula e o presidente do PT, José Dirceu, vão pedir aos pedetistas para indicar o candidato a vice, que deverá ser Brizola. No Rio, a senadora Benedita da Silva já aceita ser vice na chapa de Antony Garotinho. (pág. 2 e 8)

- O resultado acumulado do IGP-DI, medido pela Fundação Getúlio Vargas, no ano passado ficou em 7,48%, o menor resultado desde 1957. No mês de dezembro, a alta da inflação foi de 0,69%. No resultado do ano passado divulgado ontem, as tarifas públicas voltaram a ser apontadas como responsáveis pelas maiores altas: só os telefones (assinatura e pulsos) subiram 108,59%. (pág. 2 e 23)

- Os cariocas têm bom nível de educação mas ganham pouco, revela pesquisa da Secretaria de Trabalho do Município do Rio. Segundo o estudo, o trabalhador da cidade tem o maior nível de escolaridade dentre os seis centros urbanos brasileiros pesquisados. São 7,9 anos de estudo contra 7,6 dos paulistas. Mas o rendimento médio real no Rio era de R$ 527 em setembro de 97, contra R$ 711 de São Paulo. (pág. 2 e 26)

- O retorno do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, a Brasília depois de 45 dias de ausência para tratamento de uma infecção pulmonar esquentou a disputa pelo comando da campanha pela reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. À simples menção da hipótese de Motta ser o coordenador da campanha, o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), reagiu reafirmando que o ministro é por demais vinculado ao PSDB, o que traria problemas com outros partidos. (...) (pág. 3)

- Os caciques dos partidos aliados ficaram aliviados com a disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso de manter as mesmas pastas que eles têm hoje na reforma ministerial a acontecer até abril. Mas não vão queimar os nomes de peso de seus quadros num ministério-tampão, com duração de seis ou oito meses, sem garantias de permanecer no segundo mandato do Presidente. Os nomes cotados para o Ministério transitório começam a aparecer, mas o que se tem até agora em cada partido é o perfil dos ministeriáveis: técnico ou parlamentar que não queira disputar novo mandato. Também não deve ser senador com mandato de oito anos, o que criaria dificuldades para o presidente quando fosse demiti-los para fazer a equipe do segundo mandato. (...) (pág. 3)

- O medo da rejeição nas urnas em outubro está levando os principais partidos da base governista a iniciar um movimento para pressionar o Governo a baixar os juros, reajustar os salários do funcionalismo, tomar medidas contra o desemprego e dar aumento real de salário mínimo em maio. Hoje, eles reúnem-se no Palácio do Planalto com o presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir o aumento do mínimo sem afetar o combate à inflação. Os líderes do PFL, o maior partido de sustentação do Governo, são os mais preocupados com os riscos para a reeleição. (...) (pág. 4)

- O presidente Fernando Henrique reassume hoje o comando das articulações políticas para tentar aprovar as reformas da Previdência, na Câmara, e a administrativa no Senado, ainda no período de convocação extraordinária.

A instalação da Comissão Especial que vai analisar a reforma da Previdência está prevista para acontecer às 14h30. Logo em seguida, o presidente se reúne com os líderes dos partidos aliados para discutir estratégias de combate às obstruções da oposição e à tentativa dos peemedebistas rebeldes de mudar o texto aprovado no Senado.

O PT vai apresentar um substitutivo global ao texto do Senado, além de emendas pontuais. O PMDB se alia ao PPB e outros partidos da base para mudar pontos importantes, entre eles a idade mínima de 60 anos para aposentadoria e 35 anos de contribuição. (pág. 5)

EDITORIAL

"Pulso Firme" - Pichar fachadas e monumentos é um costume primitivo e bárbaro. Foi mania em Nova York, décadas atrás, e espalhou-se pelo mundo todo. Cada país combate a praga à sua maneira: uns, com sucesso, outros, nem tanto. No Brasil, especialmente no Rio, não se pode falar em sucesso ou fracasso. A pichação nunca foi cambatida; preferimos tratá-la como coisa menor, travessura de adolescente. (...) (pág. 6)

COLUNA

(Ricardo Boechat) - Apodrece no pátio do Galeão um Boeing 727.

Ele foi apreendido com contrabando em 1995 e acabou confiscado pela Receita Federal.

O dono, o governador Orleir Cameli, do Acre, finge que não é com ele.

A Guerra de preços no ar.

Depois de a Varig e a Transbrasil anunciarem descontos de até 40% em suas passagens, a Vasp partiu para o contra-ataque.

Baixará seus preços em 65%.

E incluirá na promoção alguns vôos diurnos - categoria que as concorrentes não beneficiaram. (pág. 12)

CORREIO BRAZILIENSE

- Ronaldinho, 21 anos, recebeu pela segunda vez consecutiva o prêmio de melhor jogador do planeta em eleição promovida pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). Foi uma goleada sobre os concorrentes. O artilheiro fez 480 pontos contra 65 do segundo lugar, o também brasileiro Roberto Carlos, lateral-esquerdo do Real Madrid. Uma vitória das arrancadas e gols espetaculares do atacante que brilhou no ano passado em três frentes. (...) Agora, Ronaldinho se prepara para outro desafio na mesma França, país-sede da Eurodisney, onde o Brasil vai precisar de seus gols na Copa para chegar ao penta. (pág. 1 e 22)

- O Conselho Pontifício Justiça e Paz da Santa Sé, presidido pelo cardeal francês Roger Etchegaray, divulga hoje no mundo inteiro um documento criticando a concetração de terras e pregando a implantação imediata da reforma agrária. "A ocupação de terras é um sinal ugente para se efetivar uma reforma agrária eficaz", recomenda o Vaticano, dirigindo-se principalmente ao Brasil. (pág. 1 e 10)

- A pedido do "Correio", o Instituto Soma Opinião e Mercado fez uma pergunta a 810 brasilienses: quais dos atuais deputados federais estão fazendo o melhor trabalho até o momento? Quase metade dos eleitores - 42% - não citou ninguém. Pior: 23% responderam que não sabem e 19% disseram que nenhum está agradando. Entre os deputados distritais, Luiz Estevão, do PMDB teve a aprovação de 34% dos entrevistados. (pág. 1, Cidades, pág. 5)

EDITORIAL

"Trabalho escravo" - Além de imperativo de ordem ética e moral, o banimento do trabalho escravo é, cada vez mais, imposição político-econômica. Instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial tendem a estabelecer restrições comerciais e financeiras drásticas aos países que, de algum modo, incidam naquele tipo de delito. O Brasil, lamentavelmente, é ainda um deles. Possivelmente é o único País de seu porte - oitava economia do planeta e detentor de razoável e sofisticado parque industrial - a exibir semelhante mazela. (...) (pág. 20)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Especuladores atacaram cedo mas perderam fôlego à tarde

- A reversão de tendência da Bolsa de Nova Iorque, que abriu o pregão em queda e recuperou-se para fechar em alta de 0,88%, mostrou ontem que Wall Street funciona como "correia de transmissão" da crise asiática com o Brasil: enquanto ela esteve em baixa, sob o impacto da nova queda das bolsas da Ásia, a Bolsa de São Paulo abriu em baixa e chegou a cair 7,42%. Quando Nova Iorque reverteu, São Paulo terminou fechando em alta de 1,19%.

O câmbio também começou sob forte pressão, mas o Banco Central atuou firme e rapidamente, revertendo a expectativa de que a crise atingiria o Real. (...) No Congresso, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, informou que não tinha recebido pedidos para novas medida legislativas para enfrentar a crise: "O que já aprovamos até agora foi suficiente". (pág. 1 e 3)

- O governador Cristovam Buarque inicia hoje cedo uma guerra que não pretende perder: manter em suas mãos o controle da Segurança Pública do Distrito Federal. Para isso terá de convencer os deputados a votarem contra o projeto do Executivo que tira do GDF autonomia para nomear o secretário de Segurança Pública, o diretor da Polícia Civil, o comandante da Política Militar e o comandante do Corpo de Bombeiros. Pelo projeto, todas estas nomeações têm de passar pelo crivo do Ministério da Justiça e do Ministério do Exército. Cristovam não aceita esta interferência. (...) (pág. 1 e Nossa Cidade, pág. 11)

ZERO HORA

- Com 57.746 mil processos julgados em 1997, as seis turmas do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região reduziram, pela primeira vez desde 1989, o número de processos remanescentes de anos anteriores. Foram realizadas durante o ano 286 sessões, com a média de 2.510 ações julgadas por juiz. A presidente do TRF, juíza Ellen Gracie Northfleet, aponta dois fatores que aceleraram as decisões no tribunal e na primeira instância: o aparelhamento material (principalmente a informatização) e humano, com a realização de concursos para preencher vagas na Justiça Federal. (pág. 16)

- A Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa vai propor na reunião do setor fumageiro, marcada para a próxima quinta-feira, em Santa Cruz do Sul, o exame do índice de nicotina presente nas folhas de fumo denominadas pelos produtores de "fumo louco". "Precisamos saber qual o parâmetro aceitável de nicotina nas folhas e comparar com o resultado de testes", ponderou o presidente da Comissão, deputado Paulo Azeredo (PDT). (...) (pág. 30)

CORREIO DO POVO

- O Governo federal dará hoje um passo importante em direção à criação do Ministério da Defesa. Vários representantes do Exército, Marinha, Aeronáutica e Estado-Maior das Forças Armadas (Emfa) se reúnem, em Brasília, para estabelecer os grupos de trabalho que prepararão, até março, as diretrizes do novo ministério. A reunião será coordenada pelo general Ariel da Silveira. (capa)

MANCHETES

A TARDE (BA)

- Vaticano pede reforma agrária com urgência

CORREIO DA BAHIA

- Escolas reajustam mensalidade em até 7%

DIARIO DE PERNAMBUCO

- Assaltante Nido Piloto é preso em minas gerais

ZERO HORA (RS)

- Bolsa de São Paulo resiste a desastre na Ásia

- Agiotagem estremece economia de Bagé

CORREIO DO POVO (RS)

- Crise asiática se agrava e governo garante que o brasil está preparado

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br