
13/01/1998
JORNAL DO BRASIL
- FH: "a crise externa é o meu maior problema"
- A crise asiática e seus desdobramentos imprevisíveis são hoje o
tormento do presidente Fernando Henrique Cardoso. "O meu maior problema é a crise
externa", disse ontem o Presidente, em conversa com o "Jornal do Brasil".
Na análise de desempenho que faz do Governo nas áreas eleitas como prioritárias -
saúde, educação, emprego, agricultura e segurança -, o Presidente tem avaliação
positiva, com exceção da segurança. "Esse ponto é mais complicado, não
avançamos no combate ao crime organizado", afirmou. Fernando Henrique assegura que
ainda este ano tomará providências radicais nesta área. Vai criar uma estrutura,
provavelmente ligada ao Palácio do Planalto, que centralize as informações e coordene
as ações de Governo no setor. Há também a preocupação de introduzir novos temas no
debate nacional, como meio ambiente, direitos humanos, organização urbana. "Não se
justifica que o Brasil não tenha entrado nesses temas, que são internacionais". O
Presidente considera que a campanha eleitoral pode ser uma grande oportunidade para o
lançamento desses assuntos à discussão. A despeito disso, a marca de sua campanha à
reeleição continuará sendo a estabilidade da economia. Ele acha que o Brasil está se
saindo bem no teste. (...) (pág. 1 e 3)
- O anúncio da liquidação de um dos maiores bancos de investimentos
da Ásia, o Peregrine Investment Holdings Ltd., ontem, em Hong Kong, na China, foi o
estopim para mais um dia de alta tensão no mercado financeiro. A bolsa de Hong Kong caiu
8,7%, levando junto o mercado acionário da maior parte da região e da Europa. Fundado em
1988, o Peregrine, símbolo do milagre da economia asiática, começou a ter problemas
depois de liberar grandes empréstimos a empresas da Indonésia, onde a moeda foi
desvalorizada em 39% somente este mês. No Brasil, e a Bolsa de São Paulo chegou a cair
7,5%, enquanto os juros e o dólar no mercado futuro disparavam. No final do dia os
mercados se acalmaram com a recuperação da Bolsa de Nova Iorque. A Bolsa de São Paulo
fechou em alta de 1,19%, e a do Rio com queda de 2,16%. (pág. 1, 11 e 12)
- O Banco do Brasil quer privatizar, ainda neste semestre, sua
distribuidora de títulos e valores mobiliários, a BB DTVM, e sua corretora em Londres, a
BB Securities. A proposta será submetida à assembléia de acionistas do banco no dia 22.
Carlos Gilberto Caetano, diretor financeiro, explica que a decisão de vender a BB DTVM,
líder no mercado nacional, deve-se ao aumento da concorrência, com o fortalecimento de
grupos que passaram por processo de fusão. (pág. 1 e 12)
- (São Paulo) - O presidente do PT, José Dirceu, conversou ontem por
telefone com o ex-governador Leonel Brizola, que está no Uruguai, e garantiu o apoio do
PDT à candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República,
nas eleições deste ano. "O acordo está fechado, o PDT vai indicar um nome para
vice na chapa do Lula", anunciou Dirceu. O vice poderá ser o próprio Brizola ou
quem ele indicar. (...) (pág. 2)
- O governador Cristovam Buarque não aceita as críticas de que o
governo do Distrito Federal, do PT, estaria sendo omisso, em termos de segurança, em
relação às manifestações de trabalhadores na Esplanada dos Ministérios. Cristovam
diz que não é omisso e transfere a responsabilidade pela falta de decisões, nesta
área, ao próprio Governo federal. Segundo o governador, há duas semanas ele próprio
levou ao presidente Fernando Henrique a proposta de criação de um batalhão, sob o
controle da Casa Militar da Presidência da República, para dar segurança à Esplanada
dos Ministérios. (...) (pág. 2)
- A campanha para a reeleição do presidente Fernando Henrique só
começa em agosto, apás a Copa do Mundo. A informação é do ministro das
Comunicações, Sérgio Motta, que ontem voltou a despachar em seu gabinete, depois de 45
dias de ausência, e deve coordenar a campanha para a reeleição. Ele também garantiu
que não é candidato à presidência do PSDB. (...) (pág. 2)
- Os ministros da Saúde, Carlos Albuquerque, e da Coordenação
Política, Luiz Carlos Santos, foram dispensados dos depoimentos que dariam no Senado,
sobre as denúncias do senador Roberto Requião (PMDB-PR), de manipulação política do
Orçamento. Ontem, o presidente da Casa, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), anunciou que
o esclarecimento dos ministros virá por escrito, conforme seu pedido. O senador Requião
informou que entrará, nos próximos dias, com ação no Supremo Tribunal Federal, por
crime de responsabilidade, contra o presidente Fernando Henrique e os dois ministros.
(pág. 2)
- A primeira-dama do País, Ruth Cardoso, disse ontem, ao participar,
no Rio, do embarque para São Luís, no Maranhão, dos primeiros 160 voluntários do
estado do projeto Universidade Solidária, que o programa Comunidade Solidária não será
usado na campanha da reeleição. "O Comunidade Solidária não será utilizado para
fins eleitoreiros nem afetado pelo ano eleitoral", afirmou Dona Ruth.
A primeira-dama disse ainda que não haverá prejuízos para as
atividades do programa em ano eleitoral porque ele não depende de recursos públicos e
sim da colaboração de instituições públicas e privadas. (...) (pág. 4)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (janeiro) R$ 120,00. Dólar
comercial: (compra) R$ 1,1184, (venda) R$ 1,1192. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,210,
(venda) R$ 1,225. Dólar turismo: (compra) R$ 1,1230, (venda) R$ 1,1238. TR do dia 13/12 a
13/1: 0,9041%. TBF do dia 9/1 a 9/2: 2,6898%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Espelhos quebrados" - A quebra de um banco de
investimentos asiático singularmente batizado como "Peregrino" foi o suficiente
para que os mercados daquele lado do mundo entrassem, uma vez mais, em polvorosa. Para
não fugir à regra, os mercados brasileiros reagiram de acordo com a enorme capacidade
nacional para o mimetismo: se cai a Ásia, caímos nós também.
Os bancos europeus e de outras partes do mundo que
se animaram como "rating" dos asiáticos devem estar com as barbas de molho,
pois alguma reverberação ocorrerá com a cascata de inadimplências. Nem na Europa nem
nos Estados Unidos, contudo, existem tantos catastrofistas de plantão quanto aqui. Por
quê?
Porque as grandes vítimas da Ásia são suas empresas, e isso é
problema dos asiáticos. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Perderá tempo
quem tentar puxar assunto com o presidente da República e, na suposição de que está
sendo gentil, quiser saber dele detalhes sobre sua campanha eleitoral a um segundo
mandato. Além de acoplar sempre um regulamentar e algo sarcástico "se" até à
hipótese de vir a concorrer, Fernando Henrique Cardoso avisa: "Quanto mais tarde
tratar desse assunto, para mim será melhor. Aliás, não tenho nada para tratar nem agora
nem depois".
Pelo simples fato de que o Presidente acha que campanha hoje em dia, e
ainda mais para uma reeleição, se dá através do horário eleitoral gratuito. (...)
(pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - As gravações apresentadas pelo
senador Roberto Requião, na semana passada, escancararam a forma como o Governo federal
utiliza a execução orçamentária para beneficiar aliados e prejudicar adversários.
Mas a denúncia do ilícito praticado no Governo FH - que, aos poucos,
vai se igualando aos governos passados, dos quais tanto queria se diferenciar - não pode
esconder o lado ruim da história. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Crise asiática adia queda dos juros
- Plano do Governo prevê adiar, pelo menos até junho, a redução dos
juros para os níveis de outubro - antes da duplicação -, caso o efeito da crise na
Ásia se acentue no País, relatam Clóvis Rossi e Valdo Cruz. Há pressão política,
porém, para redução até março, como pretendia o Banco Central. A desvalorização do
real seria acelerada para que chegue a 0,70% ao mês, contra 0,60% de 97. Haveria corte de
12% (R$ 4 bilhões) do Orçamento, quantia já passível de eliminação. Para Gustavo
Franco (Banco Central), porém, crash global é "coisa do fim do mundo", que
"pode levar alguns milhões de anos" para acontecer.
A crise voltou a se agravar. A Bolsa de Hong Kong caiu 8,7% - maior
recuo desde outubro - após a quebra da Peregrine Investments Holdings, uma das maiores
instituições da região, e atingiu mercados na Europa. Em São Paulo, a Bolsa caiu
7,18%, mas fechou com alta de 1,19% por influência de Nova York. (Dinheiro, pág. 1)
- Documento de comissão que assessora o governo britânico sobre
genética mostra razões pelas quais a clonagem humana pode beneficiar a humanidade. Se as
pesquisas tiverem apoio, a experiência pode ser autorizada já em 99. O Reino Unido não
participa de tratado europeu sobre veto à clonagem humana, firmado ontem. (pág. 1 e
1-11)
- Até março ou abril, o Governo deve apresentar projetos de reformas
previdenciária, fiscal e do trabalho. O Governo não tem ilusões de aprová-las em 97,
mas quer reforçar credencial de reformista para ver se escapa ileso da instabilidade
internacional. (pág. 1 e 1-9)
- A crise na Ásia continua. Não há nenhum indício de que as coisas
devam melhorar. Pelo contrário, o efeito dominó pode atingir o Japão. Nesse caso, seria
difícil evitar que a economia mundial viesse a passar por período de estagnação
prolongado. (pág. 1 e 1-2)
- Documento preparado pelo Vaticano condena a morosidade dos governos
na reforma agrária. O relatório, que será divulgado hoje e trata da questão em seu
aspecto global, afirma em determinado trecho que "o retardamento e adiamento da
reforma agrária tiram toda a credibilidade às ações de denúncia e de repressão das
ocupações de terra". (pág. 1 e 1-8)
- A arrecadação federal com o Imposto de Renda pago pelos
trabalhadores na fonte (retido diretamente nos salários) foi de R$ 12,813 bilhões em
1997, um aumento de 6,65% em relação a 1996. A quantia é só R$ 310 milhões inferior
ao IR pago pelas empresas e instituições financeiras, que registrou queda de 8,42% em
relação a 1996. No total, a Receita Federal arrecadou a soma recorde de R$ 115,509
bilhões. (pág. 1 e 2-3)
- Iraque e EUA voltaram a trocar ameaças sobre as comissões da ONU
para inspeção de armas iraquianas, informa Carlos Eduardo Lins da Silva. Bagdá vetou
comissão por entender que seu líder, um norte-americano, é espião. Os EUA disseram
esperar resposta "forte" da ONU. (pág. 1 e 1-10)
- O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), vai
enviar ofícios aos ministros Carlos Albuquerque (Saúde) e Luiz Carlos Santos (Assuntos
Políticos) pedindo explicações, por escrito, sobre denúncias de distribuição
política de verbas públicas. O pedido visa evitar que os dois tenham de ir ao Congresso
esclarecer o assunto. (pág. 1 e 1-4)
- O programa de demissões voluntárias da Volks teve adesão de 4.062
funcionários, 12,89% do total. A estimativa era de que até 10% aderissem. A Fiesp prevê
um aumento do desemprego no início deste ano. No balanço de 97, foram fechadas 113.104
vagas na indústria paulista, menos do que em 95 e 96. (pág. 1, 2-12)
- A polícia brasileira só conseguiu recuperar e devolver a seus donos
32,8% dos 1.484.440 veículos roubados nos últimos sete anos, segundo dados do Renavam
(Registro Nacinal de Veículos Automotores). O estado de São Paulo, que concentra 53,3%
desse tipo de ocorrência no País, teve 792.407 veículos roubados e 262.218, devolvidos.
Somente em novembro, houve 64 roubos a cada hora, em média. (...) (pág. 14)
EDITORIAL
"Semana decisiva na Ásia" - Nesta semana podem surgir
sinais mais claros de qual será o desfecho de tanta turbulência na Ásia. Pelo menos
três aspectos serão cruciais. O primeiro é a visita de dirigentes dos EUA e do FMI à
região. O segundo é a constatação agora inelutável (da agência de avaliação de
risco Moody's) de que a economia sul-coreana está, na prática, em moratória, débâcle
que se associa à quebra de uma das mais importantes casas financeiras de Hong Kong. O
terceiro é o envolvimento crescente da economia chinesa nas especulações sobre o futuro
da região. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - FHC não terá vida fácil na reforma
ministerial de abril. O Presidente não quer indicar figurões para não ter problemas na
hora de demiti- los ao formar o novo governo. Mas os partidos falam em pôr nomes
emblemáticos no centro do poder.
_* FHC pediu ao BNDES que apresse a liberação de R$ 300 mi para a
construção de 52 penitenciárias no País. As rebeliões de fim de ano, quase duas por
semana, fizeram o Governo redescobrir a urgência do problema. (pág. 1- 4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- NY e SP resistem à pressão da Àsia
- A Bolsa de Nova York resistiu ontem à turbulência provocada por
fortes quedas em Hong Kong, -8,7% - e Cingapura, -8,74% - e fechou em alta de 0,88%. Sob o
efeito de Wall Street, São Paulo fechou com alta de 1,19%, depois de registrar queda de
7,42%. Os pregões europeus, porém, não resistiram ao abalo em Hong Kong e Cingapura -
duas das mais sólidas economias asiáticas -, causado pela falência de um dos maiores e
mais agressivos bancos de investimentos da Ásia, o Peregrine. (...)
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem durante almoço com
jornalistas que os novos desdobramentos da crise asiática mostram que o problema é muito
mais amplo e profundo do que pareceu no início. Mesmo assim, Malan não acredita que o
País possa sofrer um ataque. "O risco hoje de um novo ataque especulativo contra o
real é bem menor do que no passado", disse. Para o presidente Fernando Henrique
Cardoso, é "pouco verossímil" a previsão do economista americano Alberto
Fishlow, publicada domingo pelo "Estado", de que em duas ou três semanas o real
será vítima de especuladores, segundo o porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral. (pág. 1
e B1)
- O Ministério da Aeronáutica busca uma área para construir um novo
aeroporto metropolitano, em substituição ao de Congonhas, em São Paulo. O crescimento
anual de 7% a 8% no tráfego aéreo na região preocupa as autoridades. Congonhas está
saturado, segundo o vice-diretor do Departamento de Aviação Civil (DAC),
major-brigadeiro Mayron dos Santos Pereira. Como Cumbica também é muito movimentado e
Viracopos fica longe da capital, a Aeronáutica decidiu construir outro aeroporto, em
área a ser escolhida. (pág. 1 e C3)
- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, informou ontem que o presidente
Fernando Henrique Cardoso encaminhará este ano ao Congresso o que chamou de segunda
geração de reformas. Essas novas mudanças vão abranger três tópicos: a reforma
fiscal, uma reestruturação profunda da Previdência Social e a reforma trabalhista, esta
a grande novidade do pacote. Malan não quis detalhar as mudanças nessa área:
"Serão para modernizar a legislação trabalhista". A reforma fiscal vai
prever, além das já conhecidas alterações em tributos, a extinção de contribuições
como a Cofins. (pág. 1 e A4)
- Os partidos aliados do Governo já começaram a trabalhar com a
hipótese de aprovar a proposta de reforma da Previdência Social apenas na comissão
especial, durante o período de sessão extraordinária do Congresso. O primeiro turno de
votação em plenário, anteriormente marcado para 11 de fevereiro, pode ser adiado para
depois do Carnaval, por causa dos prazos apertados e das resistências que existem em
relação à reforma da própria base de apoio do Governo. (...) (pág. A4)
- O deputado Zaire Resende (PMDB-MG) revelou ontem que emenda de sua
autoria destinando R$ 100 mil do Ministério da Saúde para a Faculdade de Medicina de
Uberaba também foi cancelado por motivos políticos. "Estava tudo certo, mas no
final de dezembro o reitor avisou-me que o dinheiro não sairia", relatou ao
"Estado". "No dia 29 liguei para um amigo no ministério e ele confirmou
que, infelizmente, meu nome constava da lista negra do Planalto". (...) (pág. 5)
- Cinco quilos mais gordo, bronzeado, irônico e de bom humor, o
ministro das Comunicações, Sérgio Motta, afirmou ontem que quer permanecer ministro
até pelo menos o meio do ano. Ele disse que não tem interesse na presidência do PSDB e
também não abre mão de apoiar a reeleição do governador Mário Covas. Quanto à
campanha presidencial, desconversou: "Só vamos mexer com a campanha a partir de
julho". (...) (pág. A5)
EDITORIAL
"O que se pode fazer sem reformas" - A economia de R$ 9
bilhões na Previdência, só com mudanças na legislação infraconstitucional, medidas
de racionalização e moralização, mostra que não tem sentido esperar de braços
cruzados pela votação das reformas. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Embora alguns tucanos ainda
achem que detentores de cargos do Executivo estão impedidos de comandar o partido - caso
de governadores e ministros -, esse impedimento não existe mais.
O estatuto do PSDB foi alterado justamente para permitir esses casos.
Ou seja, Sérgio Motta, se quiser, poderá assumir a presidência do partido sem ter de
deixar o ministério.
Esse assunto deverá ser tratado hoje, informalmente, na tradicional
reunião das terças-feiras dos dirigentes tucanos. Reunião da executiva, só na semana
que vem.
Eles pretendem levar o ministro Sérgio Motta. (pág. A6)
O
GLOBO
- Banco quebra em Hong Kong e abala bolsas no mundo
- Mais um dia de crise no mercado financeiro mundial. A falência, em
Hong Kong, do Peregrine Investments Holdings - o maior banco de investimentos da
ex-colônia inglesa - e uma alta dos juros fizeram a bolsa cair 8,7%, arrastando as de
Cingapura, Japão e Malásia e grande parte dos demais mercados do Planeta. Assim como
aconteceu no caso do banco inglês Barings, a quebra do Peregrine foi causada por
imprudência nos investimentos. Na Coréia do Sul, as ações só subiram devido à
presença no país do diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus. Na Europa, caíram as
bolsas de Frankfurt e Paris. A Bolsa de Nova York abriu em baixa, mas se recuperou e
fechou em alta de 0,65%. No Brasil, as ações seguiram Wall Street: o índice de São
Paulo chegou a cair 7,42%, mas fechou com valorização de 1,19%. Enquanto durar a crise
na Ásia, o Governo brasileiro não reduzirá os juros. (pág. 1 e 19 a 22)
- A Secretaria Estadual de Saúde decidiu ontem rever o controle de
testes de Aids, obrigando os laboratórios a fazer nova coleta de sangue se o resultado
for positivo. A decisão foi motivada por denúncia do "Fantástico", da TV
Globo: o exame da artista plástica Silvana Marins deu positivo, mas o sangue é de outra
pessoa. (pág. 1 e 10)
- O Ministério da Saúde fará a partir de fevereiro, o
recadastramento dos 117 hospitais públicos e privados credenciados para realizar
transplantes. Os hospitais que não atenderem às exigências, como ter equipes médicas
24 horas por dia, inclusive no Natal e no Carnaval, e UTIs equipadas serão
descredenciadas. (pág. 1 e 9)
- A Polícia Federal apreendeu em cidades da Região Amazônica mais 11
mil latas de leite aparentemente destinadas a crianças carentes e gestantes de alto risco
assistidas pela prefeitura do Rio. As latas, segundo a PF, trazem a inscrição
"Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro", e apesar de terem a venda proibida,
foram achadas por R$ 3,30 em mercearias do Acre, de Rondônia e do Amazonas. (pág. 1 e 8)
- A cúpula do PT e o presidente do PDT, Leonel Brizola, se reúnem
sexta-feira, no Rio, para fechar a aliança em torno da candidatura de Luiz Inácio Lula
da Silva à Presidência da República. Lula e o presidente do PT, José Dirceu, vão
pedir aos pedetistas para indicar o candidato a vice, que deverá ser Brizola. No Rio, a
senadora Benedita da Silva já aceita ser vice na chapa de Antony Garotinho. (pág. 2 e 8)
- O resultado acumulado do IGP-DI, medido pela Fundação Getúlio
Vargas, no ano passado ficou em 7,48%, o menor resultado desde 1957. No mês de dezembro,
a alta da inflação foi de 0,69%. No resultado do ano passado divulgado ontem, as tarifas
públicas voltaram a ser apontadas como responsáveis pelas maiores altas: só os
telefones (assinatura e pulsos) subiram 108,59%. (pág. 2 e 23)
- Os cariocas têm bom nível de educação mas ganham pouco, revela
pesquisa da Secretaria de Trabalho do Município do Rio. Segundo o estudo, o trabalhador
da cidade tem o maior nível de escolaridade dentre os seis centros urbanos brasileiros
pesquisados. São 7,9 anos de estudo contra 7,6 dos paulistas. Mas o rendimento médio
real no Rio era de R$ 527 em setembro de 97, contra R$ 711 de São Paulo. (pág. 2 e 26)
- O retorno do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, a Brasília
depois de 45 dias de ausência para tratamento de uma infecção pulmonar esquentou a
disputa pelo comando da campanha pela reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
À simples menção da hipótese de Motta ser o coordenador da campanha, o presidente do
PFL, deputado José Jorge (PE), reagiu reafirmando que o ministro é por demais vinculado
ao PSDB, o que traria problemas com outros partidos. (...) (pág. 3)
- Os caciques dos partidos aliados ficaram aliviados com a disposição
do presidente Fernando Henrique Cardoso de manter as mesmas pastas que eles têm hoje na
reforma ministerial a acontecer até abril. Mas não vão queimar os nomes de peso de seus
quadros num ministério-tampão, com duração de seis ou oito meses, sem garantias de
permanecer no segundo mandato do Presidente. Os nomes cotados para o Ministério
transitório começam a aparecer, mas o que se tem até agora em cada partido é o perfil
dos ministeriáveis: técnico ou parlamentar que não queira disputar novo mandato.
Também não deve ser senador com mandato de oito anos, o que criaria dificuldades para o
presidente quando fosse demiti-los para fazer a equipe do segundo mandato. (...) (pág. 3)
- O medo da rejeição nas urnas em outubro está levando os principais
partidos da base governista a iniciar um movimento para pressionar o Governo a baixar os
juros, reajustar os salários do funcionalismo, tomar medidas contra o desemprego e dar
aumento real de salário mínimo em maio. Hoje, eles reúnem-se no Palácio do Planalto
com o presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir o aumento do mínimo sem afetar o
combate à inflação. Os líderes do PFL, o maior partido de sustentação do Governo,
são os mais preocupados com os riscos para a reeleição. (...) (pág. 4)
- O presidente Fernando Henrique reassume hoje o comando das
articulações políticas para tentar aprovar as reformas da Previdência, na Câmara, e a
administrativa no Senado, ainda no período de convocação extraordinária.
A instalação da Comissão Especial que vai analisar a reforma da
Previdência está prevista para acontecer às 14h30. Logo em seguida, o presidente se
reúne com os líderes dos partidos aliados para discutir estratégias de combate às
obstruções da oposição e à tentativa dos peemedebistas rebeldes de mudar o texto
aprovado no Senado.
O PT vai apresentar um substitutivo global ao texto do Senado, além de
emendas pontuais. O PMDB se alia ao PPB e outros partidos da base para mudar pontos
importantes, entre eles a idade mínima de 60 anos para aposentadoria e 35 anos de
contribuição. (pág. 5)
EDITORIAL
"Pulso Firme" - Pichar fachadas e monumentos é um costume
primitivo e bárbaro. Foi mania em Nova York, décadas atrás, e espalhou-se pelo mundo
todo. Cada país combate a praga à sua maneira: uns, com sucesso, outros, nem tanto. No
Brasil, especialmente no Rio, não se pode falar em sucesso ou fracasso. A pichação
nunca foi cambatida; preferimos tratá-la como coisa menor, travessura de adolescente.
(...) (pág. 6)
COLUNA
(Ricardo Boechat) - Apodrece no pátio do Galeão um
Boeing 727.
Ele foi apreendido com contrabando em 1995 e acabou confiscado pela
Receita Federal.
O dono, o governador Orleir Cameli, do Acre, finge que não é com ele.
A Guerra de preços no ar.
Depois de a Varig e a Transbrasil anunciarem descontos de até 40% em
suas passagens, a Vasp partiu para o contra-ataque.
Baixará seus preços em 65%.
E incluirá na promoção alguns vôos diurnos - categoria que as
concorrentes não beneficiaram. (pág. 12)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Ronaldinho, 21 anos, recebeu pela segunda vez
consecutiva o prêmio de melhor jogador do planeta em eleição promovida pela Federação
Internacional de Futebol (Fifa). Foi uma goleada sobre os concorrentes. O artilheiro fez
480 pontos contra 65 do segundo lugar, o também brasileiro Roberto Carlos,
lateral-esquerdo do Real Madrid. Uma vitória das arrancadas e gols espetaculares do
atacante que brilhou no ano passado em três frentes. (...) Agora, Ronaldinho se prepara
para outro desafio na mesma França, país-sede da Eurodisney, onde o Brasil vai precisar
de seus gols na Copa para chegar ao penta. (pág. 1 e 22)
- O Conselho Pontifício Justiça e Paz da Santa Sé, presidido pelo
cardeal francês Roger Etchegaray, divulga hoje no mundo inteiro um documento criticando a
concetração de terras e pregando a implantação imediata da reforma agrária. "A
ocupação de terras é um sinal ugente para se efetivar uma reforma agrária
eficaz", recomenda o Vaticano, dirigindo-se principalmente ao Brasil. (pág. 1 e 10)
- A pedido do "Correio", o Instituto Soma Opinião e Mercado
fez uma pergunta a 810 brasilienses: quais dos atuais deputados federais estão fazendo o
melhor trabalho até o momento? Quase metade dos eleitores - 42% - não citou ninguém.
Pior: 23% responderam que não sabem e 19% disseram que nenhum está agradando. Entre os
deputados distritais, Luiz Estevão, do PMDB teve a aprovação de 34% dos entrevistados.
(pág. 1, Cidades, pág. 5)
EDITORIAL
"Trabalho escravo" - Além de imperativo de ordem ética e
moral, o banimento do trabalho escravo é, cada vez mais, imposição
político-econômica. Instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o
Banco Mundial tendem a estabelecer restrições comerciais e financeiras drásticas aos
países que, de algum modo, incidam naquele tipo de delito. O Brasil, lamentavelmente, é
ainda um deles. Possivelmente é o único País de seu porte - oitava economia do planeta
e detentor de razoável e sofisticado parque industrial - a exibir semelhante mazela.
(...) (pág. 20)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Especuladores atacaram cedo mas perderam fôlego à tarde
- A reversão de tendência da Bolsa de Nova Iorque, que abriu o
pregão em queda e recuperou-se para fechar em alta de 0,88%, mostrou ontem que Wall
Street funciona como "correia de transmissão" da crise asiática com o Brasil:
enquanto ela esteve em baixa, sob o impacto da nova queda das bolsas da Ásia, a Bolsa de
São Paulo abriu em baixa e chegou a cair 7,42%. Quando Nova Iorque reverteu, São Paulo
terminou fechando em alta de 1,19%.
O câmbio também começou sob forte pressão, mas o Banco Central
atuou firme e rapidamente, revertendo a expectativa de que a crise atingiria o Real. (...)
No Congresso, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, informou que não tinha
recebido pedidos para novas medida legislativas para enfrentar a crise: "O que já
aprovamos até agora foi suficiente". (pág. 1 e 3)
- O governador Cristovam Buarque inicia hoje cedo uma guerra que não
pretende perder: manter em suas mãos o controle da Segurança Pública do Distrito
Federal. Para isso terá de convencer os deputados a votarem contra o projeto do Executivo
que tira do GDF autonomia para nomear o secretário de Segurança Pública, o diretor da
Polícia Civil, o comandante da Política Militar e o comandante do Corpo de Bombeiros.
Pelo projeto, todas estas nomeações têm de passar pelo crivo do Ministério da Justiça
e do Ministério do Exército. Cristovam não aceita esta interferência. (...) (pág. 1 e
Nossa Cidade, pág. 11)
ZERO
HORA
- Com 57.746 mil processos julgados em 1997, as seis
turmas do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região reduziram, pela primeira vez
desde 1989, o número de processos remanescentes de anos anteriores. Foram realizadas
durante o ano 286 sessões, com a média de 2.510 ações julgadas por juiz. A presidente
do TRF, juíza Ellen Gracie Northfleet, aponta dois fatores que aceleraram as decisões no
tribunal e na primeira instância: o aparelhamento material (principalmente a
informatização) e humano, com a realização de concursos para preencher vagas na
Justiça Federal. (pág. 16)
- A Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa vai propor na
reunião do setor fumageiro, marcada para a próxima quinta-feira, em Santa Cruz do Sul, o
exame do índice de nicotina presente nas folhas de fumo denominadas pelos produtores de
"fumo louco". "Precisamos saber qual o parâmetro aceitável de nicotina
nas folhas e comparar com o resultado de testes", ponderou o presidente da Comissão,
deputado Paulo Azeredo (PDT). (...) (pág. 30)
CORREIO
DO POVO
- O Governo federal dará hoje um passo importante
em direção à criação do Ministério da Defesa. Vários representantes do Exército,
Marinha, Aeronáutica e Estado-Maior das Forças Armadas (Emfa) se reúnem, em Brasília,
para estabelecer os grupos de trabalho que prepararão, até março, as diretrizes do novo
ministério. A reunião será coordenada pelo general Ariel da Silveira. (capa)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- Vaticano pede reforma agrária com urgência
CORREIO DA
BAHIA
- Escolas reajustam mensalidade em até 7%
DIARIO DE
PERNAMBUCO
- Assaltante Nido Piloto é preso em minas gerais
ZERO HORA
(RS)
- Bolsa de São Paulo resiste a desastre na Ásia
- Agiotagem estremece economia de Bagé
CORREIO DO
POVO (RS)
- Crise asiática se agrava e governo garante que o brasil está preparado

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |