
21/02/1998
JORNAL DO BRASIL
- Em noite de chuva só 12 homens policiam trânsito
- O prefeito Luiz Paulo Conde deu continuidade ontem a duas fantasias
cariocas: abriu oficialmente, à tarde, o carnaval, entregando a chave da cidade ao Rei
Momo, e anunciou "uma solução real" para o problema das enchentes no verão.
Vai criar o Instituto Rio-Água, mais um órgão burocrático que "pensará o
problema da água na cidade", da poluição das praias às enchentes nas ruas. Conde
foi vaiado por várias pessoas que assistiram no Centro à abertura do carnaval.
"Olha a chuva", gritavam. "Perdi tudo o que havia na minha casa graças a
este homem", dizia uma moradora de Jacarepaguá. Desapontado, o prefeito saiu às
pressas e, olhando para o céu azulado, disse mais uma das frases de seu repertório de
verão: "Vamos torcer para que durante o carnaval este tempo continue". As
previsões, no entanto, indicam que uma frente fria chega hoje à noite. (...) (pág. 1 e
16 a 19)
- A descoberta de que o Orçamento da União tem uma folga estimada em
R$ 2 bilhões para pagamento de pessoal animou os servidores civis, que esperam ver
atendidos seus pedidos de reajuste e isonomia salarial com os militares, que receberam
aumento de 18% esta semana. (pág. 1 e 3)
- O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse ontem ao desembarcar em
Bagdá que tem o "dever sagrado" de evitar um ataque militar contra o Iraque. A
visita de três dias está sendo considerada a última chance de que a crise, provocada
pela recusa do Iraque em colaborar com os inspetores de armas da ONU, tenha uma solução
diplomática em vez de um desfecho armado. (pág. 1 e 7)
- O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da
Silva, cobrou o engajamento dos prefeitos do PT em sua campanha, no encerramento de
encontro dos administradores do partido, realizado esta semana em Brasília para debater a
crise fiscal. "Quero saber com quanto cada prefeito pode contribuir financeiramente e
materialmente para minha campanha. Não basta declarar o voto, quero saber o que fará
para ganhar os votos da cidade que ele administra", disse Lula, na noite de
quinta-feira. O partido administra 112 prefeituras no País e tem o vice de outras 142
cidades. (...) (pág. 2)
- (Porto Alegre) - O ex-governador Leonel Brizola cutucou ontem, com
vara curta, a formação de acampamentos de trabalhadores sem terra iniciada esta semana
no Rio Grande do Sul. Os acampamentos, com cerca de 3 mil famílias, estão nos
municípios de Jóia e de Piratini. Brizola afirmou que o Partido dos Trabalhadores - com
quem estuda aliança para a eleição tanto no Rio Grande do Sul como para a Presidência
- terá que considerar que as invasões de terras funcionam "como um inconveniente
eleitoral".
Num recado direto ao PT, acrescentou que seu partido, o PDT, "é
100% favorável à reforma agrária, mas 100% contrário às invasões de terras", e
reforçou sua posição legalista sobre o assunto: "Não se pode passar o alambrado,
a não ser coberto pela lei". (...) (pág. 2)
- A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está preparando
uma grande mobilização para mudar o Código Eleitoral e a Lei das Inelegibilidades e
assim combater a corrupção nas eleições. A campanha da CNBB será discutida durante a
Assembléia Nacional dos Bispos do Brasil, em abril, em Itaici, São Paulo. Os bispos
irão analisar a proposta de enviar ao Congresso um projeto de lei de iniciativa popular
que está sendo preparado pela Comissão de Justiça e Paz. (...) (pág. 3)
- A decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de voltar a
isentar os taxistas do IPI sobre a compra de carros novos foi festejada não só pela
classe, principal interessada no projeto. As quatro maiores montadoras do Brasil - GM,
Ford, Volks e Fiat - também comemoraram. Afinal, nos meses em que o IPI voltou a incidir
sobre as compras de carros, os taxistas deixaram as concessionárias às moscas.
Concessionárias, como a Sincauto (GM), por exemplo, não venderam
nenhum carro durante o período em que os taxistas tiveram que pagar IPI. "Se um
carro custa R$ 20 mil, com isenção de IPI ele passa a custar R$ 12 mil. Ninguém é
maluco de jogar R$ 8 mil pela janela", diz Lincoln Braga, gerente-geral de vendas da
concessionária. (...) (pág. 12)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (fevereiro) R$ 120,00. Dólar
comercial: (compra) R$ 1,1287, (venda) R$ 1,1295. Dólar paralelo: (compra) 1,170, (venda)
R$ 1,190. Dólar turismo: (compra) R$ 1,1341, (venda) R$ 1,1349. TR do dia 21.01 a 21.02:
1,4122%. TBF do dia 19.02 a 19.03: 1,8858%. (pág. 1)
EDITORIAL
"A pão e água"- Enchentes sucessivas, nos últimos dias,
no Rio e em São Paulo, mostraram que as duas maiores regiões metropolitanas, com 30
milhões de habitantes (um quinto da população nacional) foram jogadas à própria sorte
e abandonadas pelo Governo federal. Problemas urbanos avultaram com violência tal que
hoje em dia bastam alguns minutos de chuva para desventrar bairros inteiros, onde carros
bóiam sem rumo e milhares de pessoas ficam desabrigadas, à espera de auxílio que
ninguém sabe se virá de autoridades municipais, estaduais ou federais. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Um assunto
promete render boa polêmica no encontro nacional extraordinário que o PT fará na
segunda semana de março, em São Paulo. Entre outros temas o partido vai decidir o
destino do governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, à luz do instituto da
reeleição.
O direito que ele tem de se candidatar, pelo menos por enquanto, não
está em discussão. Parece haver um consenso entre as lideranças de que uma vez aprovada
a lei - emendada a Constituição - seria uma tolice o PT ignorar a realidade. Equivaleria
ao não-cumprimento de outras leis das quais o partido discordava mas que, ainda assim,
foram aprovadas.
O problema é outro. O debate se dará em torno do seguinte: ou o
partido decide que Cristovam deve deixar o governo seis meses antes para concorrer fora do
cargo ou o PT terá de abrir mão de fazer a denúncia permanente dos atos de Fernando
Henrique Cardoso como candidado no exercício do cargo e do direito de apresentar como bem
queira as realizações de seu governo. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - O ex-ministro Ciro Gomes pisou no
acelerador das críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na semana passada, respondendo a um ouvinte de uma rádio em João
Pessoa, na Paraíba, Ciro traçou um paralelo entre o presidente Fernando Henrique Cardoso
e o ex-presidente Itamar Franco.
"O que há em comum entre Fernando Henrique e Itamar é que são
homens honestos. O Fernando Henrique, por todo adversário que eu seja, não serei leviano
de não apontar que ele é homem honesto" - explicou.
Quando parecia que ia aterrissar, Ciro arremessou:
"Mas ele não cumpre a tarefa de homem de Estado honesto, que é
combater a roubalheira. Ele deixa roubar".
Para o ex-ministro da Fazenda, a explicação está "na
politicagem" e nas "alianças malucas que ele fez", que estariam deixando o
Presidente, "meio de olho fechado", permitir "acontecer o roubo".
Uma fita de áudio com a entrevista de Ciro circula no meio político
provocando inquietação.
Embora seus comentários tenham ressalvado a honestidade pessoal do
Presidente, eles marcam uma mudança no tom do ex-ministro e projetam o que poderá
acontecer no calor da campanha eleitoral. (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Suspensa a privatização da CESP
- O governo paulista adiou a privatização da Elektro, criada para
operar a área de distribuição de energia elétrica da Cesp. Marcado para 18 de março,
o leilão deve atrasar um mês. A decisão resulta das críticas da CVM (Comissão de
Valores Mobiliários) ao modelo de privatização, que oferece ações da Elektro a
acionistas minoritários da Cesp antes do leilão. Para a CVM, isso prejudica os
acionistas se houver ágio.
O cancelamento exigirá que o governo divulgue um novo edital. Além
disso, se for mantida a oferta de ações aos minoritários, novo prazo de 30 dias terá
de ser aberto para que esses acionistas exerçam o direito de participar do capital da
Elektro.
Para o secretário André Franco Montoro Filho (Planejamento), a CVM
não teve tempo de entender o modelo de venda. "Colocamos um pouco de pimenta".
(pág. 1, 1-10 e 1-11)
- (Bagdá) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, iniciou ontem o
que chamou de "missão sagrada" em Bagdá. Sua visita é vista como a última
chance diplomática para evitar um ataque dos EUA contra o Iraque. Annan se disse
"razoavelmente otimista".
Ele não anunciou que proposta fará aos iraquianos para que a ONU
possa vistoriar palácios presidenciais à procura de armas - o que Bagdá considera
violação de sua soberania. Uma das possibilidades é a participação de diplomatas de
países do Conselho de Segurança da ONU na fiscalização. (pág. 1 e 1- 14)
- (Tóquio) - O Japão anunciou seu quarto pacote econômico desde a
crise asiática, em outubro. Ele permite que bancos fechem balanços no azul em março,
apesar de possuírem US$ 700 bilhões em créditos "podres", e dá ajuda de US$
2,38 bilhões a países asiáticos. (pág. 1 e 2-8)
- A massa de rendimentos da população ocupada na Grande São Paulo
caiu de R$ 6,5 bilhões em dezembro de 96 para R$ 6 bilhões no mesmo mês em 97.
Pesquisa Seade/Dieese mostra que o rendimento médio mensal caiu de R$
894 para R$ 841. Janeiro registrou taxa de desemprego de 16,6%, recorde para o mês.
(pág. 1 e 2-1)
- O Contru liberou o Aeroporto de Congonhas sem nova vistoria. O
órgão da prefeitura, que verifica segurança em imóveis de São Paulo, havia dado 24
horas para que fossem corrigidas falhas que poderiam causar incêndio no local. A
administração de Congonhas disse que as corrigiu, e o Contru aceitou a informação.
(pág. 1 e 3-7)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniu ontem com o
governador tucano Marcello Alencar, no Rio de Janeiro, para articular aliança entre PSDB
e PFL na disputa pelo governo do estado, conforme a "Folha" apurou. Os dois
principais partidos de sustentação de FHC estão em conflito no Rio.
A intervenção de FHC ocorreu devido a um pedido do presidente do PFL
do Rio, deputado Arolde de Oliveira, ao ministro das Comunicações, Sérgio Motta, feito
num encontro em Brasília, há cerca de três semanas. (...) (pág. 1-4)
- O líder pedetista Leonel Brizola condenou ontem as invasões de
terras como forma de pressionar o Governo para acelerar a reforma agrária. Eventual
candidato a vice-presidente numa aliança com o PT, Brizola disse que o PDT "é 100%
contra invasão".
"Temos de insistir com reivindicações pacíficas para não
perdermos o apoio que temos de toda a população nessa questão específica da reforma
agrária", afirmou.
O pedetista considerou que as invasões podem gerar prejuízos
eleitorais ao PT. Ele concedeu entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre (RS).
"Elas (as invasões) se constituem num ponto que o próprio PT vai considerar um
inconveniente sob todos os aspectos e, principalmente, um inconveniente eleitoral",
afirmou. (...) (pág. 1-4)
EDITORIAL
"Propaganda eleitoreira" - As eleições deste ano vão
inaugurar a séria mudança institucional que é a permissão para os atuais mandatários
do Executivo se recandidatarem a seus cargos. Que os eleitores tenham a possibilidade de
reeleger os governadores e o presidente é um fator que enriquece o pleito. Abre- se o
leque de opções políticas e cresce a liberade de competição, além de se permitir que
o cidadão disponha do justo direito de condenar ou referendar um governante. (...) (pág.
1-2)
COLUNA
(Painel) - Um ministro diz que é muito forte a
pressão para que FHC dê uma paulada para baixo nas taxas de juros. Covas e ACM, além de
empresários, são os que mais gritam. A taxa, hoje em torno de 34,5% ao ano, pode cair
até cinco pontos no começo de março.
_* Na avaliação de um setor da área econômica, o cenário
internacional permite baixar significativamente os juros. Mas não da forma rápida como
querem políticos governistas, que só pensam nas eleições de outubro. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- São Paulo adia privatização da CESP
- A Comissão de Valores Mobiliário (CVM) apontou três itens que
poderiam prejudicar a privatização do setor de distribuição da Companhia Energética
de São Paulo (Cesp), o que levou o governo do estado a cancelar o leilão marcado para o
dia 18. As questões dizem respeito à transferência do direito de preferência, à
oportunidade de todos os acionistas no exercício desse direito e à diluição da
participação dos acionistas minoritários. Em seu documento, a entidade recomendou o
"cancelamento imediato da operação" e a apresentação de um novo modelo para
"preservar os legítimos interesses de todas as partes envolvidas". A decisão
foi tomada na madrugada de ontem, após cinco horas de uma tensa reunião do conselho do
Programa Estadual de Desestatização (PED), da qual participou o governador Mário Covas.
A suspensão será mantida até que as dúvidas em torno da forma de definição da venda
sejam esclarecidas.
O leilão da empresa denominada Elektro, Eletricidade e Serviços,
subsidiária criada pela Cesp, marcaria o início do processo de desestatização da maior
e mais importante empresa de energia do País, que acumula dívida de US$ 11 bilhões.
Negócios com as ações da Cesp continuaram proibidos nas bolsas de valores pelo terceiro
dia consecutivo. A suspensão das transações foi determinada pela CVM e pela Bolsa de
Valores de São Paulo (Bovespa), depois que as ações entraram em turbulenta queda no
início da semana, por causa de dúvidas surgidas no mercado em relação à forma
escolhida pelo governo para a venda da Elektro. A queda acumulada desde o início do ano
chegou a 42%, com prejuízo para os acionistas. (pág. 1 e B1)
- O PT gaúcho deve recorrer à Justiça contra o empréstimo de R$
38,6 milhões que o BNDES concedeu ao Rio Grande do Sul, contrariando parecer técnico do
Banco Central e do Tesouro. Ao renegociar sua dívida de R$ 6,7 bilhões com a União, o
governador Antônio Britto comprometeu-se a não contrair novas dívidas até 2008.
"Esse é o típico empréstimo eleitoreiro para fortalecer o presidente Fernando
Henrique Cardoso e seus aliados onde o governo está em dificuldades", acusa o
deputado Paulo Paim (PT-RS). Os recursos serão destinados à instalação de um sistema
de transporte coletivo na região metropolitana de Porto Alegre, onde as pesquisas
eleitorais dão vantagem a Olívio Dutra e Tarso Genro, adversários petistas de Britto na
luta pela reeleição. (pág. 1 e A4)
- Pesquisa da Seade e do Dieese constatou estabilidade no índice de
desemprego na região metropolitana de São Paulo, que em janeiro repetiu os 16,6%
registrados em dezembro e novembro. O resultado surpreendeu porque o comportamento normal
para esta época do ano é de aumento no número de desempregados. (pág. 1 e B4)
- O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, mostrou ontem relativo
otimismo ao chegar a Bagdá e procurou afastar o temor iraquiano de que ele tenha levado
um ultimato e não uma proposta pacífica. "Espero deixar Bagdá com um pacote que
seja aceitável para todos", disse. Annan não deu detalhes, mas os países do
Conselho de Segurança já se dispuseram a permitir que, como quer o Iraque, diplomatas da
ONU acompanhem os peritos nas inspeções de armas. Além disso, Londres acenou com a
possibilidade do fim do embargo econômico se o país deixar que inspetores entrem em
recintos-chave. (pág. 1 e A14)
EDITORIAL
"A timidez diante da crise" - É decepcionante o pacote
econômico anunciado pelo governo japonês. Com essas medidas, dificilmente a economia do
país crescerá. O representante do Japão ouvirá cobranças na reunião do G-7. (pág. 1
e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - A Fundação Instituto de
Pesquisa Econômica (Fipe) fará em abril estudo sobre o fluxo de turismo interno.
O Governo quer intensificar o turismo doméstico: em 99, passar de 22
milhões para 25 milhões o número de desembarques em aeroportos brasileiros e receber
3,8 milhões de turistas estrangeiros por ano.
O PSDB parece que gosta mesmo de adiar decisões. Mesmo quando a
situação lhe é favorável, como agora em Minas Gerais.
Dirigentes do PSDB nacional querem que os mineiros aproveitem a
indefinição dos outros partidos em Minas (PMDB, à espera da convenção do dia 8, e
PSB, do prefeito Célio de Castro, dividido no apoio ao PT) para dar impulso à
recandidatura de Eduardo Azeredo. Mas os tucanos mineiros ainda não entraram no clima.
(pág. A6)
O
GLOBO
- Conde muda de idéia e cria órgão contra as enchentes
- Um dia depois de dizer que as enchentes no Rio são irreversíveis, o
prefeito Luiz Paulo Conde mudou de idéia e anunciou ontem a criação do Instituto
Rio-Água e de um Plano Diretor de Macrodrenagem do Rio. A prioridade número um será
elaborar um projeto que acabe de vez com as enchentes na Praça da Bandeira, onde
anteontem morreu um rapaz eletrocutado. (...) (pág. 1, 8, 11 e 12)
- A partir de 15 de março, laboratórios e farmácias terão de
reduzir em 30% a produção e venda de 40 remédios psicotrópicos, ansiolíticos,
antidepressivos e anorexígenos. A Vigilância Sanitária decidiu coibir o consumo abusivo
desses medicamentos, que chegou a 37 toneladas em 96. As farmácias vão ter que informar
a quantidade de remédios adquirida, os fornecedores e até os médicos que receitou.
(pág. 1 e 5)
- O presidente Fernando Henrique reiterou ontem no Rio que a Infraero
fará o mais rapidamente possível obras de recuperação no Santos Dumont. O governador
Marcello Alencar ouviu do Presidente promessa de rapidez na liberação de empréstimos de
R$ 290 milhões para compensar perdas com repasses do Fundo de Valorização do
Magistério. (pág. 1 e 15)
- Os EUA autorizaram ontem a saída dos familiares de seus diplomatas
baseados no Kuwait e em Israel, dois países na linha de frente de um possível confronto
com o Iraque. O governo também pediu que cidadãos americanos deixem a região. O
secretário-geral da ONU, Kofi Annan, chegou a Bagdá para tentar persuadir Saddam Hussein
a acatar as ordens do Conselho de Segurança. A ONU aumentou a quantidade de petróleo que
o Iraque pode vender para comprar remédios e comida. (pág. 1 e 27)
- O saque das cadernetas de poupança superou o total de depósitos em
R$ 2 bilhões, apenas nos 16 primeiros dias de fevereiro. O volume de retiradas vem
aumentando desde o início do mês, quando mudou a fórmula de cálculo do redutor da TR,
deixando o rendimento da poupança menor que o de outras aplicações. (pág. 1 e 20)
- O aumento progressivo da Gratificação de Condição Especial de
Trabalho (GCET) concedido pelo Governo aos militares esta semana divide integrantes do
Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros consultados ontem pelo "Globo"
consideraram ilegal o procedimento do Planalto, que baixou em três dias consecutivos
normas para regularizar o aumento de uma gratificação - responsável por um aumento
médio de 20% para todas as patentes - que está no contracheque dos militares antes mesmo
de ser aprovada pelo Congresso. Esses ministros do STF dizem que o Governo não pode
conceder reajuste aos militares sem o amparo numa lei aprovada. E lembram que o aumento
só foi transformado em adiantamento por decreto publicado no "Diário Oficial"
da União depois de os militares receberem os contracheques com o novo valor. Na prática,
o decreto retroage para justificar um fato consumado: o aumento salarial.
Esses ministros vão além: a própria existência de aumento
diferenciado para os militares, em detrimento dos servidores civis que permanecem há
três anos sem reajuste, poderá ser derrubado pelo STF. A Central Única dos
Trabalhadores (CUT) estuda a possibilidade de entrar com ação no STF contra o aumento
diferenciado. (...) (pág. 3)
- O Ministério da Previdência ainda não sabe como cumprir o acordo
negociado na Câmara que permitirá o fim do pagamento de contribuição previdenciária a
quem completar 35 anos de serviço (homens) e 30 anos (mulheres) e continuar trabalhando
até atingir a idade limite para aposentadoria - 60 anos para homens e 55 anos para
mulheres. O compromisso foi feito verbalmente pelos líderes dos partidos governistas
durante a negociação para aprovar o texto-base da reforma da Previdência, semana
passada, mas enfrenta dificuldades técnicas e legais para ser cumprido. Para que o acordo
vire realidade, técnicos da Previdência estudam novas regras de aposentadoria que
deverão constar do projeto de regulamentação da reforma a ser enviado ao Congresso
somente em 1999. (...) (pág. 3)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso, que até agora evitou
encontrar-se com a namorada do seu filho Paulo Henrique, fez questão ontem de prestigiar
a ex- nora, a empresária Ana Lúcia Magalhães Pinto. Ana Lúcia e Paulo Henrique se
separaram no ano passado e o filho do Presidente passou a ser citado em colunas sociais
devido ao seu namoro com Thereza Collor, viúva de Pedro Collor, o irmão que em 1992
denunciou o esquema de corrupção do então presidente Fernando Collor. (...) (pág. 4)
- (São Paulo) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse
ontem que não há nada que faça o presidente Fernando Henrique perder a próxima
eleição, nem mesmo as altas taxas de juros. Covas subestimou a candidatura do
ex-prefeito Paulo Maluf à sua sucessão. Segundo ele, a facilidade da disputa no nível
federal vai se repetir com o candidato que o PSDB escolher para disputar o governo de São
Paulo:
"De Maluf é fácil ganhar".
Mais uma vez, no entanto, ele negou que será candidato à reeleição.
Mas, em ritmo de campanha, assinou 122 convênios com entidades de assistência social da
capital. As 88 entidades beneficiada vão receber R$ 21 milhões do governo estadual.
(...) (pág. 4)
- (São Paulo) - A desconfiança de que o governador Miguel Arraes
teria feito um acordo de neutralidade com o presidente Fernando Henrique tomou conta de
boa parte do PSB, que está ameaçado de perder uma de suas principais estrelas: o
prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro. A resistência de Arraes a apoiar o petista
Luiz Inácio Lula da Silva e sua aproximação com o Presidente - evidenciada pela
liberação de verbas do Governo para Pernambuco - deixou os setores do partido que
apóiam a candidatura Lula irritados e ameaçando provocar um racha. (...) (pág. 4)
- A renegociação da dívida dos estados acabou contribuindo para
aumentar o déficit público no ano passado. Os 21 estados que receberam
empréstimos-ponte da Caixa Econômica Federal não pagaram no vencimento, no fim de 1997,
porque conseguiram incluir esse novo débito na rolagem global, feita com a União. Desde
que a negociação das dívidas começou, em 95, a CEF já emprestou mais de R$ 9 bilhões
aos estados. (...) (pág. 20)
EDITORIAL
"O uso da força" - Saddam Hussein não nasceu para ser
diplomata. Diplomacia é uma ferramenta de política internacional que enferruja em suas
mãos: ele não a compreende e portanto não a usa. A linguagem que ele entende é a
força - e a tem usado com liberalidade dentro e fora do Iraque. Os exemplos são
numerosos, mas basta lembrar a tentativa de anexação do Kuwait, de onde foi retirado a
poder de fogo. Antes de invadir o pequeno emirado, ele fez ameaças, e como ninguém o
conteve, achou que tinha passe livre.
Deu-se mal mas não se deu por vencido. Mesmo
derrotado, usou armas químicas contra seu próprio povo - os curdos no Norte do país e
os xiitas do Sul. Por causa disso, hoje a maior parte do território iraquiano é
patrulhada dia e noite por caças e satélites americanos. Na folga que lhe sobra dessa
camisa-de-força, Saddam, clandestinamente, fabrica armas químicas e biológicas e se
esquiva da vigilância dos inspetores da ONU encarregados de eliminar os arsenais
iraquianos de armas de destruição em massa. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Uma regra
aprovada lá atrás, em nome do enxugamento do quadro partidário, está apavorando os
pequenos partidos. Já na eleição deste ano, entra em vigor a cláusula de barreira. As
siglas que não alcançarem 1% dos votos válidos em todo País "perderão o direito
ao funcionamento parlamentar". Não está bem claro se isso significa que os eleitos
não tomarão posse ou se serão deputados avulsos. De todo modo, o susto é grande. (...)
(pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Caiu para US$ 90 milhões o déficit da balança
comercial de fevereiro.
Na primeira quinzena do mês, o buraco estava perto dos US$ 130
milhões.
O Governo está jogando duro no controle das licenças de importação.
(pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Chuva ameaça desfile no rio
- Escolas podem adiar apresentação se a frente fria que chega amanhã
provocar novos temporais. (pág. 1 e 8)
- Secretário da ONU chega a Bagdá confiante em acordo. No Golfo,
tropas americanas continuam de prontidão para ataque ao Iraque. (pág. 1, 3 e 4)
- Dona Ruth Cardoso assina documento pela criação de imposto sobre
transações no mercado financeiro para acabar com a pobreza no mundo. (pág. 1 e 15)
ZERO
HORA
- As perdas da poupança até o dia 16 de fevereiro
chegaram a R$ 2,02 bilhões. Esse é o saldo negativo da diferença entre os depósitos e
os saques na caderneta, acelerados em fevereiro com a decisão do Banco Central (BC) de
reduzir os ganhos das aplicações a partir de março. Um confronto com janeiro último,
quando os depósitos ainda superavam as retiradas, dá a medida da fuga. Naquele mês, o
saldo foi positivo em R$ 933 milhões. Conforme os dados divulgados ontem pelo BC, a
tendência é de as perdas chegarem a R$ 3 bilhões até o final de fevereiro. (pág. 14)
- Dois anos depois de cerca de 100 mil produtores terem recebido R$ 400
por família em consequência da estiagem que castigou a safra de 95/96, os pequenos
agricultores gaúchos promoverão protestos, em março, para pedir anistia no pagamento do
empréstimo de emergência. Essa será uma das três reivindicações do movimento, que
será realizado de 10 a 13 de março, em Porto Alegre. (pág. 22)
CORREIO
DO POVO
- O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi
Annan, chegou ontem a Bagdá declarando que sua missão de tentar resolver a crise entre a
ONU e o Iraque é uma "tarefa sagrada". Ele procurou acabar com o temor
iraquiano de que estivesse levando um ultimato e não uma oferta de compromisso.
"Estou razoavelmente otimista. Espero deixar Bagdá com as bases de um acordo
aceitável para todos", acrescentou. O vice-premiê do Iraque, Tariq Aziz, que junto
com outras autoridades foi receber Annan no aeroporto, afirmou que compartilhava o
otimismo do secretário-geral quanto à resolução pacífica da crise. Ele disse que seu
país exige uma "solução justa e equilibrada" para a questão. Os Estados
Unidos já avisaram que não aceitarão "qualquer acordo", mas a França
ressaltou ontem que, se Annan firmar um compromisso com o Iraque, todos os integrantes do
Conselho de Segurança da ONU terão de aceitá-lo. (capa)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- É só carnaval
CORREIO DA
BAHIA
- Alegria, alegria
DIARIO DE
PERNAMBUCO
- Contribuinte vai bancar a dívida de grandes fazendeiros
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- Azulão arrebenta. que venha o galo!
CORREIO DO
POVO (RS)
- ONU começa a negociar com o Iraque
ZERO HORA
(RS)
- Bafômetros patrulham o carnaval nas estradas

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |