
25/09/1998
JORNAL DO BRASIL
- França propõe uma nova Ordem Econômica Mundial
- Diante da crise que está afetando duramente os países emergentes, o
presidente da França, Jacques Chirac, propôs ontem em carta aos chefes de Estado do G-7,
o grupo das sete nações mais ricas, um novo acordo para reger as relações
econômico-financeiras no mundo. "Precisamos construir um novo Bretton Woods",
diz a carta, numa referência ao acordo de 1944 que criou, logo após a Segunda Guerra, o
Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, e estabeleceu critérios de paridade
entre as moedas.
O governo francês discute o tema hoje com os europeus e quer
apresentá-lo na reunião do FMI na próxima semana. Um alto funcionário do Fundo disse
ontem que há recursos para atender o Brasil, se necessário, e negou a possibilidade de
criação, pelos países ricos, de um fundo ao qual os países da América Latina teriam
acesso sem acordo prévio com o FMI.
O primeiro-ministro da Alemanha, Helmut Kohl, enviou carta ao
presidente Fernando Henrique elogiando a atuação do Governo brasileiro na crise e
dizendo que, "tendo em vista a situação atual, estamos em estreito contato com
nossos parceiros do Grupo dos Sete". (pág. 1, 8 e 13)
- O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
dom Jaime Chemello, criticou as arquidioceses do Rio e de Niterói pela divulgação de
listas que possam induzir o eleitor a não votar em determinados candidatos nas próximas
eleições. "As listas tiram do povo a possibilidade de punir ou aprovar. Não
queremos pôr cabresto em ninguém", disse. A CNBB manifestou-se a favor da revisão
do instituto da reeleição na reforma política. "A possibilidade de reeleição
cria riscos de abuso da máquina administrativa", afirmou dom Jaime Chemello. (pág.
1 e 6)
- Os governadores receberam com irritação o apelo do presidente
Fernando Henrique Cardoso para que realizem um ajuste fiscal em suas contas públicas como
parte do esforço do Governo federal para conter seu déficit. "O cinto está no
último furo. Se apertar mais, morro estrangulado", disse o governador da Paraíba,
José Maranhão (PMDB). "Não dá para fazer mais do que já foi feito",
protestou o governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB). (...) (pág. 2)
- Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência da
República, teve que ceder ontem à noite um minuto de seu programa na TV ao comitê da
reeleição do presidente Fernando Henrique. Foi um direito de resposta, por causa da
trucagem que o partido fez com a imagem do Presidente abaixando a cabeça, sugerindo que
Fernando Henrique "abaixa a cabeça para os agiotas internacionais". O locutor
do PSDB discursou: "Sempre que o PT está em desvantagem na reta final de uma
campanha eleitoral, Lula e seus aliados deixam de lado o confronto de idéias e partem
para ataques pessoais. Quem pretende governador um país do tamanho do Brasil, num mundo
turbulento como o de hoje, não pode perder o equilíbrio". (...) (pág. 3)
- (São Paulo) - O professor de Direito Roberto Mangabeira Unger,
conselheiro do candidato do PPS, Ciro Gomes, para assuntos de economia, e o economista e
ex- deputado Aloísio Mercadante, vice-presidente do PT, se uniram ontem em argumentos
contra a atitude do Governo diante da crise financeira. Para eles, o País não deve e
não precisa aceitar a recessão que vem aí, produzida pela alta dos juros e a redução
dos gastos do setor público. (...) (pág. 3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (setembro): R$ 130,00. Dólar
comercial: R$ 1,1827 (compra), R$ 1,1835 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,295 (compra), R$
1,310 (venda). Dólar turismo: R$ 1,1851 (compra), R$ 1,1859 (venda). TR do dia 25.08 a
25.09: 0,4361%. TBF do dia 23.09 a 23.10: 2,3768%. (pág. 1)
EDITORIAL
"O BOM COMBATE" - Erra duplamente quem enxerga por trás da
exortação do presidente Fernando Henrique ao esforço nacional pelo ajuste fiscal
ameaça velada de aumento de impostos. Primeiro, por distorcer as palavras do candidato
virtualmente reeleito. Segundo, por implicar capitulação prévia do contribuinte, que
quer o setor público vivendo dos seus próprios meios, sem lhe apresentar conta
adicional.
A crise financeira não apenas estreitou fortemente as portas do
crédito internacional. A desconfiança em relação aos persistentes déficits do setor
público, sobretudo na Previdência Social e nos orçamentos dos estados e municípios,
gerou violenta fuga de capitais. Por isso, o presidente da República advertiu: é preciso
dar um basta no excesso de despesas em relação à receita. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - O governador Marcello Alencar
está propondo que o Governo federal abra um canal de interlocução oficial com o Poder
Judiciário, talvez através do Supremo Tribunal Federal, para negociar cortes de
despesas. Esse mesmo diálogo ele defende seja feito com o Legislativo que, no entanto,
já tem uma convivência mais estreita com o Executivo. "A tendência natural do
Judiciário é se isolar, por isso considero que o Presidente, cujo recado a respeito da
necessidade do ajuste foi bastante claro, agora comece a criar as condições objetivas
para fazer isso buscando o diálogo de forma institucional", diz Marcello.
Quando Fernando Henrique Cardoso falou em seu discurso de quarta-feira
explicitamente sobre os gastos excessivos do Legislativo e do Judiciário nos estados e
municípios tocou num ponto que há muito aflige os governadores. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - Acaba de ficar pronto o Anuário
Estatístico do Etado do Rio de Janeiro de 1997, feito pela Secretaria Estadual de
Planejamento.
É um livrão de 389 páginas com informações detalhadas sobre o
estado, a maioria atualizada até dezembro do ano passado.
Traz ótimas e péssimas notícias. Eis um pequeno retrato do estado do
Rio.
Entre 1995 e 1997, aumentou em 40% o número de infrações registradas
pela Polícia Civil. Os roubos cresceram 12,9%. As lesões corporais, 21,3% e os furtos,
19,2%. Os registros de homicídios caíram 8,1%. (...)
A área de lavoura foi reduzida em 46% em dez anos. (...)
Noventa e quatro por cento das crianças vão à escola. (...) (pág.
6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Governo estuda aumentar CPMF
- O Governo estuda aumentar a alíquota da CPMF (imposto do cheque)
como uma das maneiras de elevar a arrecadação. A medida seria incluída na proposta de
prorrogação do tributo, em discussão na Câmara. A receita adicional não seria
vinculada à saúde, gerando sobras que seriam usadas na redução da dívida pública.
Também estão em estudo o aumento da contribuição previdenciária do
servidor público civil e a retomada da contribuição dos funcionários inativos. O
objetivo é reduzir o déficit entre a despesa do Tesouro com aposentadorias do serviço
público e a contribuição de inativos, estimado em R$ 17,76 bilhões neste ano.
Outra medida seria a prorrogação da cobrança da alíquota de 27,5%
do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha mais de R$ 1.800 ao mês. Pelas
regras atuais, a cobrança seria válida apenas para 1998 e 1999. A idéia agora é
ampliar esse prazo. A alíquota integra o pacote fiscal aprovado no ano passado. (pág. 1
e 2-1)
- O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, disse que estará pronto
para ajudar o Brasil caso o País apresente "um programa forte e crível". Em
comunicado oficial, Camdessus elogiou as promessas de Fernando Henrique Cardoso e garantiu
que "não poupará esforços" para chegar ao acordo que FHC mencionou em seu
discurso.
As condições impostas pelo FMI para uma ajuda incluem um programa de
ajuste negociado, com metas, e o desembolso escalonado de recursos. Incluem também
inspeções períodicas no País. (Clóvis Rossi, do Conselho Editoral) (pág. 1 e 1- 6)
- (Washington) - O Federal Reserve (banco central dos EUA) coordenou
injeção de US$ 3,75 bilhões no LTCM, um dos maiores fundos de investimentos dos EUA,
para evitar sua quebra. A operação elevou a preocupação sobre o sistema financeiro dos
EUA diante da crise mundial e fez a Bolsa de Nova York fechar em baixa de 1,9% - com
reflexo na Bovespa, que caiu 5,98%. (pág. 1 e 2-5)
- O governo do Irã anunciou ontem que suspendeu seu apoio ao prêmio
de US$ 2,5 milhões, oferecido por uma fundação religiosa do país, pela morte do
escritor anglo-indiano Salman Rushdie, autor de "Os Versos Satânicos". Rushdie
foi condenado à morte em 89 pelo então líder do Irã, o aiatolá Khomeini, que
considerou o livro uma blasfêmia. "Parece que acabou", disse Rushdie. O Reino
Unido anunciou restabelecimento de relações com o Irã. (pág. 1 e 1-16)
- O economista Paul Krugman (Massachusetts Institute of Technology)
acredita que as opções cambiais do Brasil contra a atual crise são
"perigosas" e de "eficácia duvidosa". À "Folha", Krugman,
que em 1994 previu turbulências na Ásia, afirmou que, mesmo se a atual pressão
diminuir, o Brasil será forçado a manter os juros altos e a fazer profundos cortes nos
gastos, causando recessão aguda em 1999. (pág. 1 e 1-5)
- O vice-premiê russo Aleksander Chokhin disse ontem que o país
poderá suspender o pagamento de parte da dívida externa, caso não receba US$ 4,3
bilhões do empréstimo do FMI. A inflação do país em 98 ficará, segundo o governo,
entre 240% e 290%, se o rublo continuar a se desvalorizar. A previsão baseia-se na
hipótese, quase certa, de haver emissão de moeda para cobrir o déficit orçamentário.
(pág. 1 e 2-10)
- Comissão da Câmara dos EUA marcou para o próximo dia 5 a votação
que decide se haverá investigação parlamentar (audiências públicas) com vistas ao
impeachment do presidente Bill Clinton. Até dia 9, o plenário votará o parecer da
comissão - que rejeitou acordo com Clinton. (pág. 1-12)
- Cirurgiões de um hospital de Lyon (França) realizaram o primeiro
transplante de mão e antebraço de um doador em uma outra pessoa. O doador estava em
estado de morte cerebral. O receptor é o australiano Clint Hallam, 48. Segundo os
médicos, o paciente reagiu bem. (pág. 1-15)
EDITORIAL
"OS EUA DIANTE DA CRISE" - Cresceram os rumores de que o
banco central dos Estados Unidos, cujo comitê de política monetária reúne-se em uma
semana, estuda a redução das taxas de juros. Alan Greenspan, presidente do Fed (banco
central dos EUA), tem sido há pelo menos dois anos uma voz dissonante em meio à euforia
financeira global. Na última terça-feira, entretanto, o "xerife" do sistema
financeiro global mostrou-se sensível ao agravamento da crise internacional e,
finalmente, admitiu com mais clareza a possibilidade de uma redução dos juros nos
Estados Unidos. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - A campanha de FHC prepara homenagem a Sérgio Motta e a
Luís Eduardo Magalhães no último programa de TV, na noite da próxima quinta. A idéia
é ligar os dois personagens, mortos em abril, à ofensiva a fim de aprovar no Legislativo
medidas duras de combate à crise ainda neste ano.
FHC tem dito a interlocutores que é fundamental que ACM jogue fechado
com ele para que consiga aprovar o pacotaço no Congresso. O Presidente vem se esforçando
mais para agradar ao principal cacique pefelista. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Ajuste fiscal é calculado em R$ 20 bi
- O setor público brasileiro será obrigado a fazer um esforço fiscal
de, no mínimo, R$ 20 bilhões em 1999, para ajustar-se à realidade financeira
internacional, com substancial redução dos recursos destinados a países emergentes, de
acordo com o economista Raul Velloso, um dos maiores especialistas em finanças públicas
do País. Mas, de maneira diferente do frustrado pacote de novembro, o esforço fiscal do
ano que vem terá de ser obtido basicamente com corte de gastos.
O economista considera que o aumento de impostos só será aceito pela
sociedade caso se destine apenas a manter a arrecadação tributária deste ano. Velloso
acredita que exista certo entendimento na comunidade financeira internacional de que o
fluxo de recursos será reduzido pela metade. Os países emergentes estavam recebendo
cerca de US$ 240 bilhões por ano e, com a nova situação, Velloso acha que o mais
provável é que o total caia para US$ 120 bilhões em 1999. O Brasil este ano vai
apresentar um déficit em transações correntes do seu balanço de pagamento - a conta
que registra o saldo do comércio exterior e do recebimento e pagamento de juros e
serviços - entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões.
Se a tendência atual de comportamento dessa conta fosse mantida no ano
que vem, o déficit seria da ordem de US$ 40 bilhões, de acordo como economista Affonso
Celso Pastore. "Se o fluxo de recursos externos for cortado pela metade, o déficit
em transações correntes do Brasil só poderá ficar em US$ 20 bilhões", explicou
Raul Velloso. "Ou seja, este será o déficit externo do Brasil que os investidores
internacionais estarão dispostos a financiar". (pág. 1 e B1)
- O Governo tem esperança de que a ida do presidente do BNDES, André
Lara Resende, aos Estados Unidos garanta uma operação de antecipação de receitas de
privatização semelhante à oferecida pelo banco aos estados dispostos a vender suas
estatais. Esse sistema deu grandes lucros ao BNDES e poderá ser agora usado por
instituições internacionais.
O banco mantém a estratégia em sigilo, mas é provável que o
próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, se encarregue de anunciar publicamente a
confirmação da operação, que representará a entrada antecipada de dólares no Brasil.
As instituições estrangeiras que aderirem ao negócio receberão do
País ações de empresas de produção de energia a serem privatizadas e o Governo
poderá emitir títulos. Papéis da Telebrás entram na negociação. Ainda não se sabe o
volume de dólares a ser atraído, mas o Palácio do Planalto está otimista. (pág. 1 e
B8)
- A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança aprovou ontem a soja
transgênica do Grupo Monsanto, por 13 votos a favor, 1 contra e 1 abstenção. Os
especialistas de Brasília concluíram, assim, que o alimento geneticamente modificado
não oferece risco ao ambiente nem à saúde. Essa decisão contesta argumentação do
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, que obteve na Justiça Federal, na semana
passada, liminar contra o plantio de soja transgênica em escala comercial. Caberá ao
Ministério da Agricultura definir a questão. (pág. 1 e A16)
- (Washington) - O FMI tem dinheiro para emprestar ao Brasil caso o
Governo solicite a sua ajuda. Os recursos disponíveis, porém, estão reservados a um
programa tradicional entre o País e a instituição e não ao "fundo de
contingência" que o presidente Fernando Henrique Cardoso mencionou como desejável
no discurso pronunciado quarta-feira. O esclarecimento foi prestado ontem por alto
funcionário do FMI num encontro com jornalistas. "Temos o dinheiro de que
precisamos", disse ele, referindo-se a um possível empréstimo ao Brasil, que ainda
não foi solicitado. (pág. 1 e B9)
- Os governadores eleitos de todos os partidos serão convocados para
uma reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, logo depois do segundo turno, em
25 de outubro. O objetivo do encontro é discutir as propostas de reforma tributária e o
ajuste fiscal. Segundo o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, uma das sugestões em
estudo é a criação de uma espécie de "gatilho", pelo qual seriam
automaticamente acionados cortes no Orçamento toda vez que o déficit público atingisse
certo limite. Sobre a possibilidade de elevação de tributos, o porta-voz disse: "A
posição do Presidente é a de preferir que os impostos não sejam aumentados".
(pág. 1, A4 e A5)
EDITORIAL
"Estávamos certos sobre Greenspan" - Não é razoável supor
que Alan Greenspan tenha mudado de opinião sobre os juros em apenas uma semana, influindo
nas bolsas de duas maneiras opostas. A inconsistência é de quem interpretou seus
pronunciamentos. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Na reta final da campanha, FHC está gravando
dezenas de mensagens regionais por dia.
Com maior empenho para os estados onde ainda não é o
"favoritíssimo". Como no Rio Grande do Sul - tradicional reduto petista - e no
Ceará de Ciro Gomes.
A mulher foi assunto ontem dos programas eleitorais de Lula na
televisão e de FHC no rádio.
Os tucanos ainda exaltaram a importância da mulher no mercado de
trabalho, na terça-feira, e entrevistaram ontem Maria Sílvia, a executiva da CSN.
É que há poucos dias foi identificado que o apoio do eleitorado
feminino a FHC não é assim tão expressivo.
Favorito nas pesquisas, Paulo Maluf não queria mesmo participar do
debate na TV Cultura amanhã. Como Francisco Rossi anunciou que não vai, ele aproveitou
para também desistir.
A equipe de Maluf sabe que sem Rossi no debate ele seria o alvo
preferido dos demais candidatos. Principalmente de Covas. (pág. A6)
O
GLOBO
- Quebra de fundo de risco nos EUA derruba as Bolsas
- O Federal Reserve, o banco central dos EUA, organizou ontem uma
operação para salvar, com US$ 3,5 bilhões, um dos maiores fundos de investimentos do
país, o Long-Term Capital Management (LTCM), que quebrou ontem. As dificuldades do fundo,
administrado por estrelas do mercado e por dois Prêmios Nobel de Economia, derrubaram os
pregões. Este fundo, que tinha patrimônio de US$ 4 bilhões, chegou a ter aplicações
de cerca de US$ 100 bilhões em mercados de alto risco.
Seus principais credores eram os grandes bancos americanos. Com isso, a
Bolsa de Nova York teve queda de 1,87% e a Bovespa recuou 5,98%. Os mercados sofreram
ainda o impacto do relatório da First Call, especializada em análise de empresas, que
prevê para este trimestre uma queda nos lucros das companhias americanas, o que não
ocorre desde a recessão de 1991.
No Brasil, o Governo estuda a adoção de um corte automático de
despesas, como um gatilho, toda vez que o déficit público ultrapassar os limites de
gasto. Para acelerar a redução do déficit, o Governo espera que o Congresso aprove este
ano a reforma da Previdência e a regulamentação da reforma administrativa. A coluna
"Panorama Econômico" informa que, no exterior, os bancos começam a reduzir as
linhas de crédito para exportadores e importadores brasileiros, agravando a situação da
conta externa, que até o fim do ano terá vencimentos de US$ 20 bilhões em
amortizações e juros. (pág. 1 e 19 a 23)
- O assentado Venceslau Pereira da Silva, ligado ao MST, foi
assassinado ontem com seis tiros por dois homens na fazenda Nova Itália. Há dois anos,
ele disputou pelo PT a prefeitura de Buritis, ficando em último lugar. A polícia
suspeita que o crime foi motivado por uma disputa entre líderes do assentamento. A
fazenda fica perto da propriedade do presidente Fernando Henrique em Buritis (MG). (pág.
2 e 11)
- A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança aprovou ontem a
produção de soja transgênica no Brasil. A soja - que está presente misturada em grande
parte dos produtos consumidos no dia-a-dia - será o primeiro alimento geneticamente
modificado a ser vendido no País. Ela tem um gene de bactéria que a torna resistente ao
herbicida Roundup. Grupos ambientalistas e de defesa do consumidor protestaram contra a
decisão. Eles alegam que a soja pode oferecer riscos para a saúde e o meio ambiente.
(pág. 1 e 30)
- Jorte Werthein, representante da Organização das Nações Unidas
para Educação (Unesco) no Brasil, defendeu ontem, na abertura do seminário
"Mobilização Política e Social: Educação para Todos", que as universidades
públicas brasileiras cobrem dos alunos que possam pagar. Segundo Werthein, a medida
contribuiria para financiar o estudo dos alunos que não têm recursos. (pág. 2 e 10)
- Os supermercados Carrefour, Pão de Açúcar e Sendas continuam
resistindo à determinação do Ministério da Justiça para que todos os produtos tenham
etiqueta com o preço. Juntas, estas redes faturarão este ano R$ 12 bilhões. As empresas
já foram autuadas pela Secretaria de Direito Econômico, mas até ontem mantinham os
preços apenas nas prateleiras e nos cartazes promocionais. (pág. 2 e 27)
- Nos nove dias que faltam para a eleição, o presidente Fernando
Henrique Cardoso vai intensificar a campanha para tentar garantir uma vitória já no
primeiro turno. Os estrategistas de campanha detectaram uma queda de popularidade do
presidente no Sul do País - ele perdeu dois pontos na última pesquisa O Globo/Ibope, mas
ainda tem 14 pontos a mais do que a soma de seus adversários. Por isso, os próximos
programas de TV terão parte dedicada à região. Além disso, no sábado Fernando
Henrique fará dois comícios no Rio Grande do Sul, um em Passo Fundo e outro em Pelotas.
Para investir nos votos do Rio Grande do Sul, o Presidente liberou o ministros dos
Transportes, Eliseu Padilha, que é gaúcho, para tirar férias e se dedicar à campanha.
(...) (pág. 3)
- (São Paulo e Santa Maria, RS) - A possibilidade de o Governo ser
forçado a aumentar impostos para enfrentar a crise mundial será a principal munição
que o candidato da frente de esquerda à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, usará
na reta final de sua campanha. Ontem mesmo o programa de Lula começou a explorar o
pronunciamento do Presidente sobre a crise. O programa do PT sustentou que a alta de juros
não surtiu efeito. (...) (pág. 3)
EDITORIAL
"O uso da máquina" - Com a multiplicação de denúncias do
uso da máquina administrativa na campanha eleitoral, voltam as suspeitas de que existiria
relação direta entre os abusos e a possibilidade de reeleição. Mas não resiste a uma
análise objetiva a idéia de que haveria menos abusos se os governantes não pudessem se
reeleger. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Na campanha de Fernando
Henrique, diz- se que a oferta de sangue, suor e lágrimas do discurso de anteontem não
resultará em prejuízos eleitorais. A campanha de Lula avalia diferente e trata de
traduzir o discurso no curto tempo que resta. Já os candidatos a governador que são
aliados do Presidente e enfrentarão um segundo turno estão apavorados. Temem que sobre
para eles os efeitos nefastos das medidas econômicas pós- eleitorais. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Não será tão simples para o Planalto manter o
cofre fechado.
A chuva e o frio no Sul vão provocar uma quebra de 250 mil toneladas
na safra de trigo deste ano.
Além de precisar comprar o produto no exterior, o Governo já começou
a ser pressionado, para adiar a cobrança de dívidas dos agricultores.
Chega ao Brasil domingo o chefe da América Latina e Ásia no
Departamento de Comércio da Casa Branca (USTR), Richard Fisher.
Trará um relatório no qual 1.200 fabricantes de programas de
computador dos EUA apontam o Brasil como "refúgio de piratas de software", ao
lado da Rússia, China e Argentina.
Fisher virá dizer que seu país abrirá um processo na OMC para
denunciar o problema. (pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Pernambuco: a história de dona Filizola, a eleitora que morreu de
emoção no comício de Jarbas Vasconcelos, candidato a governador
- Os que estão chorando a morte de dona Filizola Medeiros, aos 82
anos, sabem que ela morreu feliz, pouco depois de escorregar dos braços do ídolo, o
candidato do PMDB ao governo de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. Ela teve um infarto na
noite de quarta-feira, no centro de Goiana, cidade a 60 quilômetros do Recife. Saiu de
casa escondida da filha, Edilene Peixe, que havia pedido à mãe que não fosse ao
comício de Jarbas. Temia que dona Filizola se emocionasse demais.
Passava das oito da noite quando ela escapou da vigilância de Edilene,
destrancou o portão e andou dois quarteirões para ver o candidato. (...)
"Quando a abracei, senti que ela escorregava pelas minhas mãos.
Pensei que tivesse apenas desmaiado por causa do calor. Mas era a vida dela que estava
escorregando ali", contou Jarbas mais tarde, emocionado. (...) (pág. 1 e cad.
Eleições, pág. 11)
- O banco central americano obrigou um grupo de bancos a emprestar US$
3,7 bilhões para evitar a falência do fundo de investimento Long Term Capital
Management. Foi a chegada da crise ao centro financeiro do mundo. A Bolsa de Nova York
fechou em queda de 1,87%. São Paulo, -5,99%. (pág. 1 e 8)
- (Nova York) - O Brasil foi destaque nos jornais "The New York
Times" e "Washington Post". O primeiro dedicou uma página inteira para o
País. Sob o título "Brasil se recupera rápido de iminência de colapso
econômico", uma das reportagens detalhou a rápida recuperação das bolsas de
valores brasileiras e do sistema bancário em apenas duas semanas, no meio da crise
mundial. (...)
O discurso de quarta-feira do Presidente também mereceu grande
destaque no "Washington Post". Para o jornal, Fernando Henrique enviou sinais
claros de que o Brasil pretende fechar um acordo com o FMI - uma instituição impopular
no País, segundo o jornal. (...) (pág 9)
- Um novo título público vai chegar ao mercado financeiro na próxima
semana. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou pedido do Banco Central (BC) para a
criação do Bônus do Banco Central série A (BBC-A), um título misto. Isso significa
que durante um período de no mínimo sete dias o papel terá rendimento pré-fixado
(determinado no momento da compra e fixo durante o período). Depois deste prazo, passa a
remunerar o comprador de acordo com a média dos juros dos papéis públicos negociados no
mercado financeiro (taxa Selic), por 21 dias no mínimo. (...) (pág. 11)
ZERO
HORA
- Com três comícios num só dia, na presença de milhares de
simpatizantes, a União do Povo Muda Brasil deu ontem uma idéia de como a coligação se
comportará nestes últimos dias de campanha. No mesmo palanque, os candidatos Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e Leonel Brizola (PDT) reuniram os adversários pelo Palácio
Piratini Olívio Dutra (PT) e Emília Fernandes (PDT) em torno de sua candidatura à
sucessão de Fernando Henrique Cardoso. (pág. 6)
- O projeto de criação de uma caixa de emergência para a América
Latina está de fato sendo estudado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), à espera
apenas de aprovação. Além do FMI, os bancos Mundial (Bird) e Interamericano de
Desenvolvimento (BID) contribuíram para o Fundo que socorreria o Brasil e outros países
da região. Mas, independentemente do acordo com outros organismos, o FMI teria dinheiro
suficiente para emprestar ao Brasil. Segundo um alto funcionário da instituição, os
recursos disponíveis estão reservados para um programa tradicional, e não para o fundo
de contingência que o presidente Fernando Henrique Cardoso mencionou como desejável no
discurso que fez na quarta-feira passada. (pág. 22)
- A Chemoil International, proprietária do navio Bahamas, que hoje
completa um mês atracado no porto de Rio Grande, tem até as 17h para dar início à
retirada das 6 mil toneladas de ácido sulfúrico misturadas à água que estão nos
porões da embarcação. Se não cumprir o prazo estabelecido pela Justiça, Chemoil
poderá ser multada em R$ 5 milhões por dia de atraso na transferência da carga
contaminada. (pág. 45)
- Para muitos eleitores, as campanhas no Brasil parecem infindáveis.
Não adianta, porém, trocar de país para se livrar de disputas políticas longas. Os
três meses da campanha brasileira são modestos, se comparados às de outras nações,
como os Estados Unidos. A temporada de caça aos votos no Brasil é adequada, entende o
cientista político Marcos Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de
Janeiro. (Jornal da Eleição, capa)
CORREIO
DO POVO
- Os candidatos da União do Povo - Muda Brasil à Presidência da
República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a vice, Leonel Brizola, estiveram ontem no RS
participando de comícios em Santa Maria, Pelotas e Caxias, juntamente com os candidatos
ao governo do estado pelo PT, Olívio Dutra, e PDT, Emília Fernandes. À tarde, em Santa
Maria, Lula disse que apresentará propostas, nos próximos dias, para o Brasil enfrentar
a crise financeira internacional e também como resposta ao discurso do presidente
Fernando Henrique. Ele antecipou que, entre as propostas, está "uma urgente
política de contenção de importações e a redução da taxa de juros". (capa)
MANCHETES
ESTADO DE
MINAS
- O fantasma do desemprego
HOJE EM DIA
(MG)
- Minas cresce em ritmo menor
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- Governo veta empréstimos a estados
O DIA (RJ)
- Prefeitura antecipa Pasep na folha
CORREIO DO
POVO (RS)
- Taxas de juros não caem antes do fim do ano
ZERO HORA (RS)
- FMI prepara ajuda para América Latina
TELEJORNAIS
RECORD-JORNAL
DA RECORD
- A Vigilância Sanitária de São Paulo fez uma vistoria na sede da
botica Veado D'Ouro. Toda a documentação e os produtos à venda na farmácia foram
fiscalizados. Na quarta-feira, a Vigilância interditou o laboratório Vea Farme, do mesmo
grupo. A botica fabricava o remédio falso Androcur, para câncer de próstata, que matou
muita gente.
- A portaria que obriga os supermercados a fixarem etiquetas nos
produtos mostra que o Procon de São Paulo e o Ministério da Justiça não falam a mesma
língua. O Ministério diz que a portaria não tem nada contra a automação e visa apenas
garantir que o preço anunciado na prateleira seja o mesmo cobrado no caixa. Para isso,
vai continuar fiscalizando. O problema está na falta de estrutura, pois em São Paulo
apenas seis fiscais fazem o trabalho. O Procon não entende que a fixação dos preços
nos produtos seja obrigatória.
- A Associação Paulista de Supermecados afirma que está cumprindo o
Código de Defesa do Consumidor, fixando os preços de forma visível. Em relação à
liminar derrubada pelo Ministério da Justiça, já entrou com recurso e está aguardando
julgamento. Nos últimos dez dias, 100 supermercados foram multados em São Paulo.
- Durou pouco o ânimo dos mercados com a possibilidade de queda nos
juros dos Estados Unidos. Com excessão da Ásia, a maioria dos mercados teve um dia de
queda. As bolsas da Ásia subiram, animadas ainda com a fala do presidente do Banco
Central americano. Tóquio subiu 3%. Em Hong Kong, a alta foi de mais de 4%. As bolsas da
Europa caíram, com a retração dos investidores. No Brasil, a Bolsa de São Paulo
encerrou com queda de 5,98% e no Rio, a queda foi de 3,8%.
- Melhoram as contas do governo. O Tesouro registrou um superávit de
mais de R$ 5 bilhões em agosto. A venda da Telebrás ajudou. Em julho, o resultado
primário teve um superávit de R$ 558 milhões. Em agosto, o superávit foi de R$ 5,843
bilhões. Nessa conta não entra o déficit da Previdência, que já tem um prejuízo
acumulado de janeiro a agosto de R$ 3 bilhões. O desempenho negativo levou o secretário
de Política Econômica, Amaury Bier, a fazer mais um apelo pelas reformas.
- A cobrança pelas reformas deu o tom também no encontro do
secretário- executivo da Fazenda, Pedro Parente, com os empresários do comércio. Ele
disse que sem a reforma tributária não há como acertar as contas públicas do país.
- Falando sobre o futuro da economia brasileira, o diretor do Banco
Central, Francisco Lopes, disse depois da reunião do Conselho Monetário Nacional, que a
política de controle da moeda vai continuar austera no próximo trimestre. Depois,
suavizou a previsão, dizendo que a medida pode ser moderada se o ajuste fiscal do governo
avançar.
- A taxa de juros de 49,75% está pesando no bolso dos consumidores. O
aumento dos juros foi constatado em pesquisa do Procon feita entre os dias 16 e 17 deste
mês em 14 instituições bancárias de São Paulo. Uma semana depois do aumento dos juros
pelo Banco Central, o aumento já era repassado para os clientes dos bancos. Nos
empréstimos pessoais, a taxa média de agosto pulou de 5,67% ao mês para 6,98% em
setembro. Os clientes do cheque especial viram a taxa média de agosto subir de 10,60% ao
mês para 11,47% em setembro. O repasse também chegou ao comércio, onde o aumento já é
maior. Quem compra no crediário e no cartão, está pagando juros de 7% a 9% ao mês,
dois pontos percentuais a mais. O comércio já prevê queda nas vendas no final do ano.
- Salette Lemos: "A melhor forma de escapar dessa armadilha é
fugir do endividamento e cortar despesas. Como a rentabilidade das aplicações está
atraente, vale a pena economizar. Com as vendas desaquecidas, a tendência, daqui para
frente, é de maior queda nos preços, como no caso dos carros, por exemplo".
- O índice de desemprego na Grande São Paulo ficou praticamente
estável em agosto. De acordo com o Dieese, a taxa alcançou 18,9%. A região tem um
milhão 657 mil desempregados. Em julho, o desemprego atingia um milhão 750 mil
trabalhadores. A pesquisa apurou que os desempregados levam nove meses, em média, para
encontrar nova ocupação.
- Uma pesquisa feita pelo Ibope revela que o desemprego é a maior
preocupação dos trabalhadores brasileiros. Duas mil pessoas foram ouvidas entre os dias
12 e 16 de setembro e 58% responderam que têm medo de perder o emprego. Sessenta por
cento acham que o desemprego vai aumentar nos próximos três meses.
- O presidente Fernando Henrique Cardoso ganha direito de resposta de
dois minutos no programa de Lula. E comemora a reação ao seu discurso pró-ajuste, numa
solenidade com esportistas premiados na Olimpíada de Moscou, no Palácio do Planalto. O
presidente avaliou que a reação a seu discurso, em geral, foi "madura".
- O candidato à Presidência Ciro Gomes criticou o pronunciamento do
presidente Fernando Henrique sobre a crise. Segundo ele, o presidente não tem autoridade
moral para pedir o corte de gastos a Estados e municípios porque fez exatamente o
contrário, pilotando o maior déficit público da história do país. Para Ciro Gomes,
FHC deixou o país em situação terminal e uma possível ajuda do FMI vai significar mais
arrocho e recessão.
- Lula defendeu em São Paulo a renegociação da dívida brasileira
sem moratória. No Rio Grande do Sul, onde concentrou sua campanha, nessa quinta-feira, o
candidato afirmou que o governo provavelmente já fechou um acordo com o FMI, mas está
com vergonha de anunciar.
- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse, em entrevista à TV Record
que "cada um é livre para especular o que bem entender". Ele assegurou que o
presidente Fernando Henrique determinou à equipe econômica a elaboração de um programa
fiscal para o triênio 1999/2000/2001. "É o que estamos fazendo sob ritmo acelerado,
de acordo com determinação do presidente", disse o ministro.
- Sobre uma possível recessão, Malan afirmou que, devido a crise
internacional, teremos uma taxa de crescimento inferior à prevista. Mas ressaltou que
isso não é privilégio dos países chamados emergentes. O ministro lembrou que o Japão,
a segunda maior economia do mundo, está em recessão há três trimestres, tendo crescido
apenas 1% nos últimos anos.
- O ministro Pedro Malan disse que a solução da crise vai depender de
algo para o qual o presidente Fernando Henrique vem chamando a atenção desde 1995, com a
crise do México. Seria uma ação mais coordenada dos principais países do mundo e dos
principais países em desenvolvimento. "E nós não pedimos desculpas a ninguém, por
considerar o Brasil um dos principais países em desenvolvimento do mundo. Para o
ministro, o país "esteve, está e estará" participando de qualquer discussão
nesse contexto, como agora, nas próximas duas semanas, em Washington, durante a reunião
do G-7.
GLOBO-JORNAL
NACIONAL-20H
- O escândalo da falsificação de remédios chega à mesa de cirurgia
e faz novas vítimas. Uma mulher ficou sem um dedo, uma criança quase perdeu o pé e uma
jovem de 16 anos não pode mais ter filhos. Gente que entrou na clínica para uma pequena
cirurgia saiu de lá mutilada, depois de receber anestésico falsificado. Por ordem da
Vigilância Sanitária, a produção da Lidocaína 2%, fabricada pelo laboratório
Hypofarma, na região metropolitana de Belo Horizonte, está suspensa. As primeiras
análises comprovam que algumas amostras do anestésico foram adulteradas. Das 25
amostras, 12 não tinham a substância anestésica mas apenas o cloreto de sódio, o sal
de cozinha diluído em água.
- Um dia depois de interditar o laboratório que falsificava o
Androcur, a Vigilância Sanitária fecha uma farmácia do mesmo grupo. A Vigilância fez
uma visita de surpresa à sede da farmácia Veado D'Ouro, a quem pertence o laboratório
Veafarm. A Vigilância já sabe que o Androcur falsificado era comercializado sem nota
fiscal. A polícia desconfia da existêencia de um caixa- dois. Os falsificadores venderam
o Androcur de açúcar a R$ 12,00. O verdadeiro não sai por menos de R$ 38,00.
- Surgem novas denúncias de remédios com comprimidos a menos. Dessa
vez em Baurú (SP). A Vigilância Sanitária apreendeu uma cartela do anticoncepcional
Minole, do laboratório White. No Rio, foi apreendida uma caixa do Triatec 5 miligramas,
do laboratório Hoest. O remédio é contra pressão alta e a caixa tinha oito comprimidos
a menos.
- O governo apressa as medidas para o corte de despesas. Os jornais de
economia mais importantes do mundo consideraram positiva a determinação do presidente
Fernando Henrique de controlar os gastos públicos. Mas o mercado financeiro sofreu um
novo abalo com a quebra do fundo americano com aplicações de US$ 90 milhões, o que
obrigou o banco central americano a montar uma operação de socorro de quase US$ 4
bilhões. A Bolsa de Nova Iorque caiu 1,8% e influenciou as Bolsas brasileiras. No Rio, a
queda foi de 3,8%. Em São Paulo, de menos 5,9%. Em Brasília, o Banco Central anunciou
que as reservas para enfrentar a crise estão em US$ 48 bilhões. O governo agora está
preocupado em apressar as reformas. Em outubro, a Câmara vai retomar a votação da
reforma da Previdência. O Ministério da Fazenda anunciou que está mudando a proposta de
reforma tributária para facilitar sua aprovação no Congresso.
BANDEIRANTES-JORNAL
DA BAND-20H
- A pesquisa do Sead mostra que o desemprego continua igual em agosto,
na região metropolitana de São Paulo. O problema é que nessa época do ano, antes do
Natal, as empresas deveriam contratar, mas não contratam. E o tempo que se gasta para
conseguir um empreego bateu recorde. A taxa de desemprego em agosto é a mesma de julho:
19%. Isso significa que 1,5 milhão de trabalhadores não têm emprego. São 300 mil
desempregados a mais do que no mesmo mês do ano passado. O tempo médio gasto para
conseguir um novo emprego subiu para 38 semanas, quase 10 meses a procura de emprego. É o
maior desde 1985.
- Se o governo brasileiro não cortar os gastos para reduzir o déficit
público, vai desvalorizar o Real. É o que diz o mais respeitado jornal de economia da
Europa, o Financial Times. O Brasil vai ser forçado a desvalorizar o Real se, depois das
eleições, não apresentar uma estratégia convincente para cortar o déficit público,
diz o Financial Times dessa quinta-feira.
- Para o prefeito de Planaltino (BA) a fome e a seca não são mais
importantes do que ganhar a eleição. Há um mês a prefeitura recebeu um lote de cestas
básicas. O prefeito Naice Gomes escondeu. Vai distribuir as cestas quatro dias antes da
eleição. Planaltino fica no Vale do Jequiriçá, a 300 quilômetros de Salvador. O
dinheiro das frentes de emergência - programa de ajuda aos flagelados - e as cestas
básicas há meses não chegam a quem precisa. A comida chegou há um mês mas está
trancada no clube de Planaltino.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |