25/09/1998

JORNAL DO BRASIL

- França propõe uma nova Ordem Econômica Mundial

- Diante da crise que está afetando duramente os países emergentes, o presidente da França, Jacques Chirac, propôs ontem em carta aos chefes de Estado do G-7, o grupo das sete nações mais ricas, um novo acordo para reger as relações econômico-financeiras no mundo. "Precisamos construir um novo Bretton Woods", diz a carta, numa referência ao acordo de 1944 que criou, logo após a Segunda Guerra, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, e estabeleceu critérios de paridade entre as moedas.

O governo francês discute o tema hoje com os europeus e quer apresentá-lo na reunião do FMI na próxima semana. Um alto funcionário do Fundo disse ontem que há recursos para atender o Brasil, se necessário, e negou a possibilidade de criação, pelos países ricos, de um fundo ao qual os países da América Latina teriam acesso sem acordo prévio com o FMI.

O primeiro-ministro da Alemanha, Helmut Kohl, enviou carta ao presidente Fernando Henrique elogiando a atuação do Governo brasileiro na crise e dizendo que, "tendo em vista a situação atual, estamos em estreito contato com nossos parceiros do Grupo dos Sete". (pág. 1, 8 e 13)

- O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Chemello, criticou as arquidioceses do Rio e de Niterói pela divulgação de listas que possam induzir o eleitor a não votar em determinados candidatos nas próximas eleições. "As listas tiram do povo a possibilidade de punir ou aprovar. Não queremos pôr cabresto em ninguém", disse. A CNBB manifestou-se a favor da revisão do instituto da reeleição na reforma política. "A possibilidade de reeleição cria riscos de abuso da máquina administrativa", afirmou dom Jaime Chemello. (pág. 1 e 6)

- Os governadores receberam com irritação o apelo do presidente Fernando Henrique Cardoso para que realizem um ajuste fiscal em suas contas públicas como parte do esforço do Governo federal para conter seu déficit. "O cinto está no último furo. Se apertar mais, morro estrangulado", disse o governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB). "Não dá para fazer mais do que já foi feito", protestou o governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB). (...) (pág. 2)

- Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência da República, teve que ceder ontem à noite um minuto de seu programa na TV ao comitê da reeleição do presidente Fernando Henrique. Foi um direito de resposta, por causa da trucagem que o partido fez com a imagem do Presidente abaixando a cabeça, sugerindo que Fernando Henrique "abaixa a cabeça para os agiotas internacionais". O locutor do PSDB discursou: "Sempre que o PT está em desvantagem na reta final de uma campanha eleitoral, Lula e seus aliados deixam de lado o confronto de idéias e partem para ataques pessoais. Quem pretende governador um país do tamanho do Brasil, num mundo turbulento como o de hoje, não pode perder o equilíbrio". (...) (pág. 3)

- (São Paulo) - O professor de Direito Roberto Mangabeira Unger, conselheiro do candidato do PPS, Ciro Gomes, para assuntos de economia, e o economista e ex- deputado Aloísio Mercadante, vice-presidente do PT, se uniram ontem em argumentos contra a atitude do Governo diante da crise financeira. Para eles, o País não deve e não precisa aceitar a recessão que vem aí, produzida pela alta dos juros e a redução dos gastos do setor público. (...) (pág. 3)

COTAÇÕES

- Salário mínimo (setembro): R$ 130,00. Dólar comercial: R$ 1,1827 (compra), R$ 1,1835 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,295 (compra), R$ 1,310 (venda). Dólar turismo: R$ 1,1851 (compra), R$ 1,1859 (venda). TR do dia 25.08 a 25.09: 0,4361%. TBF do dia 23.09 a 23.10: 2,3768%. (pág. 1)

EDITORIAL

"O BOM COMBATE" - Erra duplamente quem enxerga por trás da exortação do presidente Fernando Henrique ao esforço nacional pelo ajuste fiscal ameaça velada de aumento de impostos. Primeiro, por distorcer as palavras do candidato virtualmente reeleito. Segundo, por implicar capitulação prévia do contribuinte, que quer o setor público vivendo dos seus próprios meios, sem lhe apresentar conta adicional.

A crise financeira não apenas estreitou fortemente as portas do crédito internacional. A desconfiança em relação aos persistentes déficits do setor público, sobretudo na Previdência Social e nos orçamentos dos estados e municípios, gerou violenta fuga de capitais. Por isso, o presidente da República advertiu: é preciso dar um basta no excesso de despesas em relação à receita. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - O governador Marcello Alencar está propondo que o Governo federal abra um canal de interlocução oficial com o Poder Judiciário, talvez através do Supremo Tribunal Federal, para negociar cortes de despesas. Esse mesmo diálogo ele defende seja feito com o Legislativo que, no entanto, já tem uma convivência mais estreita com o Executivo. "A tendência natural do Judiciário é se isolar, por isso considero que o Presidente, cujo recado a respeito da necessidade do ajuste foi bastante claro, agora comece a criar as condições objetivas para fazer isso buscando o diálogo de forma institucional", diz Marcello.

Quando Fernando Henrique Cardoso falou em seu discurso de quarta-feira explicitamente sobre os gastos excessivos do Legislativo e do Judiciário nos estados e municípios tocou num ponto que há muito aflige os governadores. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - Acaba de ficar pronto o Anuário Estatístico do Etado do Rio de Janeiro de 1997, feito pela Secretaria Estadual de Planejamento.

É um livrão de 389 páginas com informações detalhadas sobre o estado, a maioria atualizada até dezembro do ano passado.

Traz ótimas e péssimas notícias. Eis um pequeno retrato do estado do Rio.

Entre 1995 e 1997, aumentou em 40% o número de infrações registradas pela Polícia Civil. Os roubos cresceram 12,9%. As lesões corporais, 21,3% e os furtos, 19,2%. Os registros de homicídios caíram 8,1%. (...)

A área de lavoura foi reduzida em 46% em dez anos. (...)

Noventa e quatro por cento das crianças vão à escola. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Governo estuda aumentar CPMF

- O Governo estuda aumentar a alíquota da CPMF (imposto do cheque) como uma das maneiras de elevar a arrecadação. A medida seria incluída na proposta de prorrogação do tributo, em discussão na Câmara. A receita adicional não seria vinculada à saúde, gerando sobras que seriam usadas na redução da dívida pública.

Também estão em estudo o aumento da contribuição previdenciária do servidor público civil e a retomada da contribuição dos funcionários inativos. O objetivo é reduzir o déficit entre a despesa do Tesouro com aposentadorias do serviço público e a contribuição de inativos, estimado em R$ 17,76 bilhões neste ano.

Outra medida seria a prorrogação da cobrança da alíquota de 27,5% do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha mais de R$ 1.800 ao mês. Pelas regras atuais, a cobrança seria válida apenas para 1998 e 1999. A idéia agora é ampliar esse prazo. A alíquota integra o pacote fiscal aprovado no ano passado. (pág. 1 e 2-1)

- O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, disse que estará pronto para ajudar o Brasil caso o País apresente "um programa forte e crível". Em comunicado oficial, Camdessus elogiou as promessas de Fernando Henrique Cardoso e garantiu que "não poupará esforços" para chegar ao acordo que FHC mencionou em seu discurso.

As condições impostas pelo FMI para uma ajuda incluem um programa de ajuste negociado, com metas, e o desembolso escalonado de recursos. Incluem também inspeções períodicas no País. (Clóvis Rossi, do Conselho Editoral) (pág. 1 e 1- 6)

- (Washington) - O Federal Reserve (banco central dos EUA) coordenou injeção de US$ 3,75 bilhões no LTCM, um dos maiores fundos de investimentos dos EUA, para evitar sua quebra. A operação elevou a preocupação sobre o sistema financeiro dos EUA diante da crise mundial e fez a Bolsa de Nova York fechar em baixa de 1,9% - com reflexo na Bovespa, que caiu 5,98%. (pág. 1 e 2-5)

- O governo do Irã anunciou ontem que suspendeu seu apoio ao prêmio de US$ 2,5 milhões, oferecido por uma fundação religiosa do país, pela morte do escritor anglo-indiano Salman Rushdie, autor de "Os Versos Satânicos". Rushdie foi condenado à morte em 89 pelo então líder do Irã, o aiatolá Khomeini, que considerou o livro uma blasfêmia. "Parece que acabou", disse Rushdie. O Reino Unido anunciou restabelecimento de relações com o Irã. (pág. 1 e 1-16)

- O economista Paul Krugman (Massachusetts Institute of Technology) acredita que as opções cambiais do Brasil contra a atual crise são "perigosas" e de "eficácia duvidosa". À "Folha", Krugman, que em 1994 previu turbulências na Ásia, afirmou que, mesmo se a atual pressão diminuir, o Brasil será forçado a manter os juros altos e a fazer profundos cortes nos gastos, causando recessão aguda em 1999. (pág. 1 e 1-5)

- O vice-premiê russo Aleksander Chokhin disse ontem que o país poderá suspender o pagamento de parte da dívida externa, caso não receba US$ 4,3 bilhões do empréstimo do FMI. A inflação do país em 98 ficará, segundo o governo, entre 240% e 290%, se o rublo continuar a se desvalorizar. A previsão baseia-se na hipótese, quase certa, de haver emissão de moeda para cobrir o déficit orçamentário. (pág. 1 e 2-10)

- Comissão da Câmara dos EUA marcou para o próximo dia 5 a votação que decide se haverá investigação parlamentar (audiências públicas) com vistas ao impeachment do presidente Bill Clinton. Até dia 9, o plenário votará o parecer da comissão - que rejeitou acordo com Clinton. (pág. 1-12)

- Cirurgiões de um hospital de Lyon (França) realizaram o primeiro transplante de mão e antebraço de um doador em uma outra pessoa. O doador estava em estado de morte cerebral. O receptor é o australiano Clint Hallam, 48. Segundo os médicos, o paciente reagiu bem. (pág. 1-15)

EDITORIAL

"OS EUA DIANTE DA CRISE" - Cresceram os rumores de que o banco central dos Estados Unidos, cujo comitê de política monetária reúne-se em uma semana, estuda a redução das taxas de juros. Alan Greenspan, presidente do Fed (banco central dos EUA), tem sido há pelo menos dois anos uma voz dissonante em meio à euforia financeira global. Na última terça-feira, entretanto, o "xerife" do sistema financeiro global mostrou-se sensível ao agravamento da crise internacional e, finalmente, admitiu com mais clareza a possibilidade de uma redução dos juros nos Estados Unidos. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - A campanha de FHC prepara homenagem a Sérgio Motta e a Luís Eduardo Magalhães no último programa de TV, na noite da próxima quinta. A idéia é ligar os dois personagens, mortos em abril, à ofensiva a fim de aprovar no Legislativo medidas duras de combate à crise ainda neste ano.

FHC tem dito a interlocutores que é fundamental que ACM jogue fechado com ele para que consiga aprovar o pacotaço no Congresso. O Presidente vem se esforçando mais para agradar ao principal cacique pefelista. (pág. 1-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Ajuste fiscal é calculado em R$ 20 bi

- O setor público brasileiro será obrigado a fazer um esforço fiscal de, no mínimo, R$ 20 bilhões em 1999, para ajustar-se à realidade financeira internacional, com substancial redução dos recursos destinados a países emergentes, de acordo com o economista Raul Velloso, um dos maiores especialistas em finanças públicas do País. Mas, de maneira diferente do frustrado pacote de novembro, o esforço fiscal do ano que vem terá de ser obtido basicamente com corte de gastos.

O economista considera que o aumento de impostos só será aceito pela sociedade caso se destine apenas a manter a arrecadação tributária deste ano. Velloso acredita que exista certo entendimento na comunidade financeira internacional de que o fluxo de recursos será reduzido pela metade. Os países emergentes estavam recebendo cerca de US$ 240 bilhões por ano e, com a nova situação, Velloso acha que o mais provável é que o total caia para US$ 120 bilhões em 1999. O Brasil este ano vai apresentar um déficit em transações correntes do seu balanço de pagamento - a conta que registra o saldo do comércio exterior e do recebimento e pagamento de juros e serviços - entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões.

Se a tendência atual de comportamento dessa conta fosse mantida no ano que vem, o déficit seria da ordem de US$ 40 bilhões, de acordo como economista Affonso Celso Pastore. "Se o fluxo de recursos externos for cortado pela metade, o déficit em transações correntes do Brasil só poderá ficar em US$ 20 bilhões", explicou Raul Velloso. "Ou seja, este será o déficit externo do Brasil que os investidores internacionais estarão dispostos a financiar". (pág. 1 e B1)

- O Governo tem esperança de que a ida do presidente do BNDES, André Lara Resende, aos Estados Unidos garanta uma operação de antecipação de receitas de privatização semelhante à oferecida pelo banco aos estados dispostos a vender suas estatais. Esse sistema deu grandes lucros ao BNDES e poderá ser agora usado por instituições internacionais.

O banco mantém a estratégia em sigilo, mas é provável que o próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, se encarregue de anunciar publicamente a confirmação da operação, que representará a entrada antecipada de dólares no Brasil.

As instituições estrangeiras que aderirem ao negócio receberão do País ações de empresas de produção de energia a serem privatizadas e o Governo poderá emitir títulos. Papéis da Telebrás entram na negociação. Ainda não se sabe o volume de dólares a ser atraído, mas o Palácio do Planalto está otimista. (pág. 1 e B8)

- A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança aprovou ontem a soja transgênica do Grupo Monsanto, por 13 votos a favor, 1 contra e 1 abstenção. Os especialistas de Brasília concluíram, assim, que o alimento geneticamente modificado não oferece risco ao ambiente nem à saúde. Essa decisão contesta argumentação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, que obteve na Justiça Federal, na semana passada, liminar contra o plantio de soja transgênica em escala comercial. Caberá ao Ministério da Agricultura definir a questão. (pág. 1 e A16)

- (Washington) - O FMI tem dinheiro para emprestar ao Brasil caso o Governo solicite a sua ajuda. Os recursos disponíveis, porém, estão reservados a um programa tradicional entre o País e a instituição e não ao "fundo de contingência" que o presidente Fernando Henrique Cardoso mencionou como desejável no discurso pronunciado quarta-feira. O esclarecimento foi prestado ontem por alto funcionário do FMI num encontro com jornalistas. "Temos o dinheiro de que precisamos", disse ele, referindo-se a um possível empréstimo ao Brasil, que ainda não foi solicitado. (pág. 1 e B9)

- Os governadores eleitos de todos os partidos serão convocados para uma reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, logo depois do segundo turno, em 25 de outubro. O objetivo do encontro é discutir as propostas de reforma tributária e o ajuste fiscal. Segundo o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, uma das sugestões em estudo é a criação de uma espécie de "gatilho", pelo qual seriam automaticamente acionados cortes no Orçamento toda vez que o déficit público atingisse certo limite. Sobre a possibilidade de elevação de tributos, o porta-voz disse: "A posição do Presidente é a de preferir que os impostos não sejam aumentados". (pág. 1, A4 e A5)

EDITORIAL

"Estávamos certos sobre Greenspan" - Não é razoável supor que Alan Greenspan tenha mudado de opinião sobre os juros em apenas uma semana, influindo nas bolsas de duas maneiras opostas. A inconsistência é de quem interpretou seus pronunciamentos. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - Na reta final da campanha, FHC está gravando dezenas de mensagens regionais por dia.

Com maior empenho para os estados onde ainda não é o "favoritíssimo". Como no Rio Grande do Sul - tradicional reduto petista - e no Ceará de Ciro Gomes.

A mulher foi assunto ontem dos programas eleitorais de Lula na televisão e de FHC no rádio.

Os tucanos ainda exaltaram a importância da mulher no mercado de trabalho, na terça-feira, e entrevistaram ontem Maria Sílvia, a executiva da CSN.

É que há poucos dias foi identificado que o apoio do eleitorado feminino a FHC não é assim tão expressivo.

Favorito nas pesquisas, Paulo Maluf não queria mesmo participar do debate na TV Cultura amanhã. Como Francisco Rossi anunciou que não vai, ele aproveitou para também desistir.

A equipe de Maluf sabe que sem Rossi no debate ele seria o alvo preferido dos demais candidatos. Principalmente de Covas. (pág. A6)

O GLOBO

- Quebra de fundo de risco nos EUA derruba as Bolsas

- O Federal Reserve, o banco central dos EUA, organizou ontem uma operação para salvar, com US$ 3,5 bilhões, um dos maiores fundos de investimentos do país, o Long-Term Capital Management (LTCM), que quebrou ontem. As dificuldades do fundo, administrado por estrelas do mercado e por dois Prêmios Nobel de Economia, derrubaram os pregões. Este fundo, que tinha patrimônio de US$ 4 bilhões, chegou a ter aplicações de cerca de US$ 100 bilhões em mercados de alto risco.

Seus principais credores eram os grandes bancos americanos. Com isso, a Bolsa de Nova York teve queda de 1,87% e a Bovespa recuou 5,98%. Os mercados sofreram ainda o impacto do relatório da First Call, especializada em análise de empresas, que prevê para este trimestre uma queda nos lucros das companhias americanas, o que não ocorre desde a recessão de 1991.

No Brasil, o Governo estuda a adoção de um corte automático de despesas, como um gatilho, toda vez que o déficit público ultrapassar os limites de gasto. Para acelerar a redução do déficit, o Governo espera que o Congresso aprove este ano a reforma da Previdência e a regulamentação da reforma administrativa. A coluna "Panorama Econômico" informa que, no exterior, os bancos começam a reduzir as linhas de crédito para exportadores e importadores brasileiros, agravando a situação da conta externa, que até o fim do ano terá vencimentos de US$ 20 bilhões em amortizações e juros. (pág. 1 e 19 a 23)

- O assentado Venceslau Pereira da Silva, ligado ao MST, foi assassinado ontem com seis tiros por dois homens na fazenda Nova Itália. Há dois anos, ele disputou pelo PT a prefeitura de Buritis, ficando em último lugar. A polícia suspeita que o crime foi motivado por uma disputa entre líderes do assentamento. A fazenda fica perto da propriedade do presidente Fernando Henrique em Buritis (MG). (pág. 2 e 11)

- A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança aprovou ontem a produção de soja transgênica no Brasil. A soja - que está presente misturada em grande parte dos produtos consumidos no dia-a-dia - será o primeiro alimento geneticamente modificado a ser vendido no País. Ela tem um gene de bactéria que a torna resistente ao herbicida Roundup. Grupos ambientalistas e de defesa do consumidor protestaram contra a decisão. Eles alegam que a soja pode oferecer riscos para a saúde e o meio ambiente. (pág. 1 e 30)

- Jorte Werthein, representante da Organização das Nações Unidas para Educação (Unesco) no Brasil, defendeu ontem, na abertura do seminário "Mobilização Política e Social: Educação para Todos", que as universidades públicas brasileiras cobrem dos alunos que possam pagar. Segundo Werthein, a medida contribuiria para financiar o estudo dos alunos que não têm recursos. (pág. 2 e 10)

- Os supermercados Carrefour, Pão de Açúcar e Sendas continuam resistindo à determinação do Ministério da Justiça para que todos os produtos tenham etiqueta com o preço. Juntas, estas redes faturarão este ano R$ 12 bilhões. As empresas já foram autuadas pela Secretaria de Direito Econômico, mas até ontem mantinham os preços apenas nas prateleiras e nos cartazes promocionais. (pág. 2 e 27)

- Nos nove dias que faltam para a eleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso vai intensificar a campanha para tentar garantir uma vitória já no primeiro turno. Os estrategistas de campanha detectaram uma queda de popularidade do presidente no Sul do País - ele perdeu dois pontos na última pesquisa O Globo/Ibope, mas ainda tem 14 pontos a mais do que a soma de seus adversários. Por isso, os próximos programas de TV terão parte dedicada à região. Além disso, no sábado Fernando Henrique fará dois comícios no Rio Grande do Sul, um em Passo Fundo e outro em Pelotas. Para investir nos votos do Rio Grande do Sul, o Presidente liberou o ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, que é gaúcho, para tirar férias e se dedicar à campanha. (...) (pág. 3)

- (São Paulo e Santa Maria, RS) - A possibilidade de o Governo ser forçado a aumentar impostos para enfrentar a crise mundial será a principal munição que o candidato da frente de esquerda à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, usará na reta final de sua campanha. Ontem mesmo o programa de Lula começou a explorar o pronunciamento do Presidente sobre a crise. O programa do PT sustentou que a alta de juros não surtiu efeito. (...) (pág. 3)

EDITORIAL

"O uso da máquina" - Com a multiplicação de denúncias do uso da máquina administrativa na campanha eleitoral, voltam as suspeitas de que existiria relação direta entre os abusos e a possibilidade de reeleição. Mas não resiste a uma análise objetiva a idéia de que haveria menos abusos se os governantes não pudessem se reeleger. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Na campanha de Fernando Henrique, diz- se que a oferta de sangue, suor e lágrimas do discurso de anteontem não resultará em prejuízos eleitorais. A campanha de Lula avalia diferente e trata de traduzir o discurso no curto tempo que resta. Já os candidatos a governador que são aliados do Presidente e enfrentarão um segundo turno estão apavorados. Temem que sobre para eles os efeitos nefastos das medidas econômicas pós- eleitorais. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - Não será tão simples para o Planalto manter o cofre fechado.

A chuva e o frio no Sul vão provocar uma quebra de 250 mil toneladas na safra de trigo deste ano.

Além de precisar comprar o produto no exterior, o Governo já começou a ser pressionado, para adiar a cobrança de dívidas dos agricultores.

Chega ao Brasil domingo o chefe da América Latina e Ásia no Departamento de Comércio da Casa Branca (USTR), Richard Fisher.

Trará um relatório no qual 1.200 fabricantes de programas de computador dos EUA apontam o Brasil como "refúgio de piratas de software", ao lado da Rússia, China e Argentina.

Fisher virá dizer que seu país abrirá um processo na OMC para denunciar o problema. (pág. 14)

CORREIO BRAZILIENSE

- Pernambuco: a história de dona Filizola, a eleitora que morreu de emoção no comício de Jarbas Vasconcelos, candidato a governador

- Os que estão chorando a morte de dona Filizola Medeiros, aos 82 anos, sabem que ela morreu feliz, pouco depois de escorregar dos braços do ídolo, o candidato do PMDB ao governo de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. Ela teve um infarto na noite de quarta-feira, no centro de Goiana, cidade a 60 quilômetros do Recife. Saiu de casa escondida da filha, Edilene Peixe, que havia pedido à mãe que não fosse ao comício de Jarbas. Temia que dona Filizola se emocionasse demais.

Passava das oito da noite quando ela escapou da vigilância de Edilene, destrancou o portão e andou dois quarteirões para ver o candidato. (...)

"Quando a abracei, senti que ela escorregava pelas minhas mãos. Pensei que tivesse apenas desmaiado por causa do calor. Mas era a vida dela que estava escorregando ali", contou Jarbas mais tarde, emocionado. (...) (pág. 1 e cad. Eleições, pág. 11)

- O banco central americano obrigou um grupo de bancos a emprestar US$ 3,7 bilhões para evitar a falência do fundo de investimento Long Term Capital Management. Foi a chegada da crise ao centro financeiro do mundo. A Bolsa de Nova York fechou em queda de 1,87%. São Paulo, -5,99%. (pág. 1 e 8)

- (Nova York) - O Brasil foi destaque nos jornais "The New York Times" e "Washington Post". O primeiro dedicou uma página inteira para o País. Sob o título "Brasil se recupera rápido de iminência de colapso econômico", uma das reportagens detalhou a rápida recuperação das bolsas de valores brasileiras e do sistema bancário em apenas duas semanas, no meio da crise mundial. (...)

O discurso de quarta-feira do Presidente também mereceu grande destaque no "Washington Post". Para o jornal, Fernando Henrique enviou sinais claros de que o Brasil pretende fechar um acordo com o FMI - uma instituição impopular no País, segundo o jornal. (...) (pág 9)

- Um novo título público vai chegar ao mercado financeiro na próxima semana. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou pedido do Banco Central (BC) para a criação do Bônus do Banco Central série A (BBC-A), um título misto. Isso significa que durante um período de no mínimo sete dias o papel terá rendimento pré-fixado (determinado no momento da compra e fixo durante o período). Depois deste prazo, passa a remunerar o comprador de acordo com a média dos juros dos papéis públicos negociados no mercado financeiro (taxa Selic), por 21 dias no mínimo. (...) (pág. 11)

ZERO HORA

- Com três comícios num só dia, na presença de milhares de simpatizantes, a União do Povo Muda Brasil deu ontem uma idéia de como a coligação se comportará nestes últimos dias de campanha. No mesmo palanque, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Leonel Brizola (PDT) reuniram os adversários pelo Palácio Piratini Olívio Dutra (PT) e Emília Fernandes (PDT) em torno de sua candidatura à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. (pág. 6)

- O projeto de criação de uma caixa de emergência para a América Latina está de fato sendo estudado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), à espera apenas de aprovação. Além do FMI, os bancos Mundial (Bird) e Interamericano de Desenvolvimento (BID) contribuíram para o Fundo que socorreria o Brasil e outros países da região. Mas, independentemente do acordo com outros organismos, o FMI teria dinheiro suficiente para emprestar ao Brasil. Segundo um alto funcionário da instituição, os recursos disponíveis estão reservados para um programa tradicional, e não para o fundo de contingência que o presidente Fernando Henrique Cardoso mencionou como desejável no discurso que fez na quarta-feira passada. (pág. 22)

- A Chemoil International, proprietária do navio Bahamas, que hoje completa um mês atracado no porto de Rio Grande, tem até as 17h para dar início à retirada das 6 mil toneladas de ácido sulfúrico misturadas à água que estão nos porões da embarcação. Se não cumprir o prazo estabelecido pela Justiça, Chemoil poderá ser multada em R$ 5 milhões por dia de atraso na transferência da carga contaminada. (pág. 45)

- Para muitos eleitores, as campanhas no Brasil parecem infindáveis. Não adianta, porém, trocar de país para se livrar de disputas políticas longas. Os três meses da campanha brasileira são modestos, se comparados às de outras nações, como os Estados Unidos. A temporada de caça aos votos no Brasil é adequada, entende o cientista político Marcos Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro. (Jornal da Eleição, capa)

CORREIO DO POVO

- Os candidatos da União do Povo - Muda Brasil à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a vice, Leonel Brizola, estiveram ontem no RS participando de comícios em Santa Maria, Pelotas e Caxias, juntamente com os candidatos ao governo do estado pelo PT, Olívio Dutra, e PDT, Emília Fernandes. À tarde, em Santa Maria, Lula disse que apresentará propostas, nos próximos dias, para o Brasil enfrentar a crise financeira internacional e também como resposta ao discurso do presidente Fernando Henrique. Ele antecipou que, entre as propostas, está "uma urgente política de contenção de importações e a redução da taxa de juros". (capa)

MANCHETES

ESTADO DE MINAS

- O fantasma do desemprego

HOJE EM DIA (MG)

- Minas cresce em ritmo menor

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Governo veta empréstimos a estados

O DIA (RJ)

- Prefeitura antecipa Pasep na folha

CORREIO DO POVO (RS)

- Taxas de juros não caem antes do fim do ano

ZERO HORA (RS)

- FMI prepara ajuda para América Latina

TELEJORNAIS

RECORD-JORNAL DA RECORD

- A Vigilância Sanitária de São Paulo fez uma vistoria na sede da botica Veado D'Ouro. Toda a documentação e os produtos à venda na farmácia foram fiscalizados. Na quarta-feira, a Vigilância interditou o laboratório Vea Farme, do mesmo grupo. A botica fabricava o remédio falso Androcur, para câncer de próstata, que matou muita gente.

- A portaria que obriga os supermercados a fixarem etiquetas nos produtos mostra que o Procon de São Paulo e o Ministério da Justiça não falam a mesma língua. O Ministério diz que a portaria não tem nada contra a automação e visa apenas garantir que o preço anunciado na prateleira seja o mesmo cobrado no caixa. Para isso, vai continuar fiscalizando. O problema está na falta de estrutura, pois em São Paulo apenas seis fiscais fazem o trabalho. O Procon não entende que a fixação dos preços nos produtos seja obrigatória.

- A Associação Paulista de Supermecados afirma que está cumprindo o Código de Defesa do Consumidor, fixando os preços de forma visível. Em relação à liminar derrubada pelo Ministério da Justiça, já entrou com recurso e está aguardando julgamento. Nos últimos dez dias, 100 supermercados foram multados em São Paulo.

- Durou pouco o ânimo dos mercados com a possibilidade de queda nos juros dos Estados Unidos. Com excessão da Ásia, a maioria dos mercados teve um dia de queda. As bolsas da Ásia subiram, animadas ainda com a fala do presidente do Banco Central americano. Tóquio subiu 3%. Em Hong Kong, a alta foi de mais de 4%. As bolsas da Europa caíram, com a retração dos investidores. No Brasil, a Bolsa de São Paulo encerrou com queda de 5,98% e no Rio, a queda foi de 3,8%.

- Melhoram as contas do governo. O Tesouro registrou um superávit de mais de R$ 5 bilhões em agosto. A venda da Telebrás ajudou. Em julho, o resultado primário teve um superávit de R$ 558 milhões. Em agosto, o superávit foi de R$ 5,843 bilhões. Nessa conta não entra o déficit da Previdência, que já tem um prejuízo acumulado de janeiro a agosto de R$ 3 bilhões. O desempenho negativo levou o secretário de Política Econômica, Amaury Bier, a fazer mais um apelo pelas reformas.

- A cobrança pelas reformas deu o tom também no encontro do secretário- executivo da Fazenda, Pedro Parente, com os empresários do comércio. Ele disse que sem a reforma tributária não há como acertar as contas públicas do país.

- Falando sobre o futuro da economia brasileira, o diretor do Banco Central, Francisco Lopes, disse depois da reunião do Conselho Monetário Nacional, que a política de controle da moeda vai continuar austera no próximo trimestre. Depois, suavizou a previsão, dizendo que a medida pode ser moderada se o ajuste fiscal do governo avançar.

- A taxa de juros de 49,75% está pesando no bolso dos consumidores. O aumento dos juros foi constatado em pesquisa do Procon feita entre os dias 16 e 17 deste mês em 14 instituições bancárias de São Paulo. Uma semana depois do aumento dos juros pelo Banco Central, o aumento já era repassado para os clientes dos bancos. Nos empréstimos pessoais, a taxa média de agosto pulou de 5,67% ao mês para 6,98% em setembro. Os clientes do cheque especial viram a taxa média de agosto subir de 10,60% ao mês para 11,47% em setembro. O repasse também chegou ao comércio, onde o aumento já é maior. Quem compra no crediário e no cartão, está pagando juros de 7% a 9% ao mês, dois pontos percentuais a mais. O comércio já prevê queda nas vendas no final do ano.

- Salette Lemos: "A melhor forma de escapar dessa armadilha é fugir do endividamento e cortar despesas. Como a rentabilidade das aplicações está atraente, vale a pena economizar. Com as vendas desaquecidas, a tendência, daqui para frente, é de maior queda nos preços, como no caso dos carros, por exemplo".

- O índice de desemprego na Grande São Paulo ficou praticamente estável em agosto. De acordo com o Dieese, a taxa alcançou 18,9%. A região tem um milhão 657 mil desempregados. Em julho, o desemprego atingia um milhão 750 mil trabalhadores. A pesquisa apurou que os desempregados levam nove meses, em média, para encontrar nova ocupação.

- Uma pesquisa feita pelo Ibope revela que o desemprego é a maior preocupação dos trabalhadores brasileiros. Duas mil pessoas foram ouvidas entre os dias 12 e 16 de setembro e 58% responderam que têm medo de perder o emprego. Sessenta por cento acham que o desemprego vai aumentar nos próximos três meses.

- O presidente Fernando Henrique Cardoso ganha direito de resposta de dois minutos no programa de Lula. E comemora a reação ao seu discurso pró-ajuste, numa solenidade com esportistas premiados na Olimpíada de Moscou, no Palácio do Planalto. O presidente avaliou que a reação a seu discurso, em geral, foi "madura".

- O candidato à Presidência Ciro Gomes criticou o pronunciamento do presidente Fernando Henrique sobre a crise. Segundo ele, o presidente não tem autoridade moral para pedir o corte de gastos a Estados e municípios porque fez exatamente o contrário, pilotando o maior déficit público da história do país. Para Ciro Gomes, FHC deixou o país em situação terminal e uma possível ajuda do FMI vai significar mais arrocho e recessão.

- Lula defendeu em São Paulo a renegociação da dívida brasileira sem moratória. No Rio Grande do Sul, onde concentrou sua campanha, nessa quinta-feira, o candidato afirmou que o governo provavelmente já fechou um acordo com o FMI, mas está com vergonha de anunciar.

- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse, em entrevista à TV Record que "cada um é livre para especular o que bem entender". Ele assegurou que o presidente Fernando Henrique determinou à equipe econômica a elaboração de um programa fiscal para o triênio 1999/2000/2001. "É o que estamos fazendo sob ritmo acelerado, de acordo com determinação do presidente", disse o ministro.

- Sobre uma possível recessão, Malan afirmou que, devido a crise internacional, teremos uma taxa de crescimento inferior à prevista. Mas ressaltou que isso não é privilégio dos países chamados emergentes. O ministro lembrou que o Japão, a segunda maior economia do mundo, está em recessão há três trimestres, tendo crescido apenas 1% nos últimos anos.

- O ministro Pedro Malan disse que a solução da crise vai depender de algo para o qual o presidente Fernando Henrique vem chamando a atenção desde 1995, com a crise do México. Seria uma ação mais coordenada dos principais países do mundo e dos principais países em desenvolvimento. "E nós não pedimos desculpas a ninguém, por considerar o Brasil um dos principais países em desenvolvimento do mundo. Para o ministro, o país "esteve, está e estará" participando de qualquer discussão nesse contexto, como agora, nas próximas duas semanas, em Washington, durante a reunião do G-7.

GLOBO-JORNAL NACIONAL-20H

- O escândalo da falsificação de remédios chega à mesa de cirurgia e faz novas vítimas. Uma mulher ficou sem um dedo, uma criança quase perdeu o pé e uma jovem de 16 anos não pode mais ter filhos. Gente que entrou na clínica para uma pequena cirurgia saiu de lá mutilada, depois de receber anestésico falsificado. Por ordem da Vigilância Sanitária, a produção da Lidocaína 2%, fabricada pelo laboratório Hypofarma, na região metropolitana de Belo Horizonte, está suspensa. As primeiras análises comprovam que algumas amostras do anestésico foram adulteradas. Das 25 amostras, 12 não tinham a substância anestésica mas apenas o cloreto de sódio, o sal de cozinha diluído em água.

- Um dia depois de interditar o laboratório que falsificava o Androcur, a Vigilância Sanitária fecha uma farmácia do mesmo grupo. A Vigilância fez uma visita de surpresa à sede da farmácia Veado D'Ouro, a quem pertence o laboratório Veafarm. A Vigilância já sabe que o Androcur falsificado era comercializado sem nota fiscal. A polícia desconfia da existêencia de um caixa- dois. Os falsificadores venderam o Androcur de açúcar a R$ 12,00. O verdadeiro não sai por menos de R$ 38,00.

- Surgem novas denúncias de remédios com comprimidos a menos. Dessa vez em Baurú (SP). A Vigilância Sanitária apreendeu uma cartela do anticoncepcional Minole, do laboratório White. No Rio, foi apreendida uma caixa do Triatec 5 miligramas, do laboratório Hoest. O remédio é contra pressão alta e a caixa tinha oito comprimidos a menos.

- O governo apressa as medidas para o corte de despesas. Os jornais de economia mais importantes do mundo consideraram positiva a determinação do presidente Fernando Henrique de controlar os gastos públicos. Mas o mercado financeiro sofreu um novo abalo com a quebra do fundo americano com aplicações de US$ 90 milhões, o que obrigou o banco central americano a montar uma operação de socorro de quase US$ 4 bilhões. A Bolsa de Nova Iorque caiu 1,8% e influenciou as Bolsas brasileiras. No Rio, a queda foi de 3,8%. Em São Paulo, de menos 5,9%. Em Brasília, o Banco Central anunciou que as reservas para enfrentar a crise estão em US$ 48 bilhões. O governo agora está preocupado em apressar as reformas. Em outubro, a Câmara vai retomar a votação da reforma da Previdência. O Ministério da Fazenda anunciou que está mudando a proposta de reforma tributária para facilitar sua aprovação no Congresso.

BANDEIRANTES-JORNAL DA BAND-20H

- A pesquisa do Sead mostra que o desemprego continua igual em agosto, na região metropolitana de São Paulo. O problema é que nessa época do ano, antes do Natal, as empresas deveriam contratar, mas não contratam. E o tempo que se gasta para conseguir um empreego bateu recorde. A taxa de desemprego em agosto é a mesma de julho: 19%. Isso significa que 1,5 milhão de trabalhadores não têm emprego. São 300 mil desempregados a mais do que no mesmo mês do ano passado. O tempo médio gasto para conseguir um novo emprego subiu para 38 semanas, quase 10 meses a procura de emprego. É o maior desde 1985.

- Se o governo brasileiro não cortar os gastos para reduzir o déficit público, vai desvalorizar o Real. É o que diz o mais respeitado jornal de economia da Europa, o Financial Times. O Brasil vai ser forçado a desvalorizar o Real se, depois das eleições, não apresentar uma estratégia convincente para cortar o déficit público, diz o Financial Times dessa quinta-feira.

- Para o prefeito de Planaltino (BA) a fome e a seca não são mais importantes do que ganhar a eleição. Há um mês a prefeitura recebeu um lote de cestas básicas. O prefeito Naice Gomes escondeu. Vai distribuir as cestas quatro dias antes da eleição. Planaltino fica no Vale do Jequiriçá, a 300 quilômetros de Salvador. O dinheiro das frentes de emergência - programa de ajuda aos flagelados - e as cestas básicas há meses não chegam a quem precisa. A comida chegou há um mês mas está trancada no clube de Planaltino.


ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

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