
28/01/1998
JORNAL DO BRASIL
- Hillary denuncia complô da direita contra Clinton
- A primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton, denunciou ontem
"uma vasta conspiração da direita" por trás do escândalo do suposto
envolvimento sexual do presidente Bill Clinton com uma ex-estagiária da Casa Branca.
Conhecida por sua combatividade em defesa dos interesses políticos do marido, Hillary
acusou o investigador independente Kenneth Starr de ter "motivações
políticas" e sustentou que também participariam do complô os senadores Jesse Helms
e Lauch Fairchloth e o "tele-evangelista" Jerry Falwell. A secretária
particular de Clinton, Betty Currie, esteve ontem entre as primeiras testemunhas chamadas
a depor na primeira instância judiciária do caso, o grande júri. Ao lado da
repercussão internacional do episódio, aumenta a do outro "escândalo", a
avidez com que a mídia americana reproduz alegações graves sem verificação ou
invocando fontes vagas, a pretexto de fazer jornalismo investigativo. (pág. 1 e 10)
- Sem nenhum alarde, o Governo vem adotando medidas burocráticas na
liberação de guias de importação. O Ministério da Indústria, do Comércio e do
Turismo está ampliando o número de produtos que precisam de anuência prévia do
Departamento de Comércio Exterior (Decex), para a concessão de guia de importação. Há
um ano, 5% da pauta de compras no exterior precisavam da guia. Hoje, já são pelo menos
50%. (pág. 1 e 17)
- A Indonésia anunciou a suspensão, por dois anos, do pagamento da
dívida externa do setor privado, estimada em US$ 65 bilhões. O governo está dando aos
credores garantia do pagamento de todos os empréstimos e os depósitos nos bancos. As
medidas foram bem recebidas, e as bolsas fecharam em alta. Em Tóquio, o ministro das
Finanças, Hiroshi Mitsuzuka, pediu demissão depois que funcionários foram presos por
receber suborno. (pág. 1 e 11)
- A exclusão, pelo Senado, da concessão de aposentadoria integral aos
magistrados na reforma administrativa resultou em uma crise com a Câmara, que ameaça
modificar a reforma da Previdência, atrasando sua aprovação. O líder do PFL,
Inocêncio Oliveira, reclamou de quebra de acordo. O Senado não modificaria a reforma
administrativa, e a Câmara faria o mesmo com a previdenciária. "Não podíamos
frustrar a opinião pública", afirmou o presidente do Senado, Antônio Carlos
Magalhães. Paulo Maluf (PPB) anunciou o apoio do PFL à sua candidatura ao governo de
São Paulo. (pág. 1, 2, 3 e Informe JB, pág. 6)
- Foram apenas 30 minutos à frente das câmeras da rede americana CNN,
mas o suficiente para impressionar a oposição. O deputado José Genoíno (PT-SP) elogiou
o desempenho do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Ele mostrou que é o grande
embaixador da política externa presidencialista brasileira", avaliou. "Uma das
grandes contribuições de Fernando Henrique ao Brasil é a imagem que ele passa do País
lá fora", disse o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). (...) (pág. 4)
- Numa cerimônia simples, mas prestigiada por dezenas de parlamentares
do PMDB e do PFL, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, assumiu ontem
à noite a Presidência da República, para cobrir o período em que o presidente Fernando
Henrique Cardoso ficará no exterior. (...) (pág. 4)
- Os partidos governistas e de oposição voltam a se reunir hoje para
tentar fechar um acordo para votar o projeto de lei sobre crimes ambientais. Ontem, nas
negociações feitas durante todo o dia, o Governo cedeu às pressões dos ruralistas,
concordando em retirar do texto a responsabilidade criminal dos acionistas de empresas
envolvidas em agressões ao meio ambiente. (...) (pág. 5)
- A existência de 47 fitas com informações sigilosas obtidas por
meio de escuta telefônica pode alterar os rumos do inquérito que apura quem foram os
responsáveis pelo rombo de cerca de R$ 10 bilhões nas contas do Banco Nacional, de 1988
até novembro de 1995, quando a instituição foi à lona. A parte boa foi comprada pelo
Unibanco e o restante ficou com o Banco Central, que decretou regime de administração
temporária. As fitas foram a grande surpresa no depoimento de 18 indiciados por gestão
temerária, de acordo com a Lei do Colarinho Branco, tomados ontem pelo juiz Abel
Fernandes Gomes, da 4ª Vara Federal. (...) (pág. 14)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: R$ 120,00. Dólar comercial: R$ 1,1216 (compra), R$
1,1224 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,190 (compra), R$ 1,210 (venda). Dólar turismo: R$
1,1271 (compra), R$ 1,1279 (venda). TR do dia 28.12 a 28.01: 1,1094%. TBF do dia 26.01 a
26.02: 2,4995%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Estados paralelos" - A "querela dos generais"
sobre a segurança no Rio leva a todos os caminhos e não leva a lugar nenhum. Segundo o
chefe do Gabinete Militar, de Brasília, os traficantes do Rio já formaram Estado
paralelo. Segundo o secretário de Segurança, do Rio, não existe este Estado paralelo e
a polícia entra em qualquer lugar. Em suma, o general de Brasília usou metáfora para
explicar que é preciso combater o tráfico antes que atinja ponto de não retorno. O
general do Rio toma as estatísticas no sentido literal e garante que a pressão da
criminalidade diminuiu em sua gestão.
Melhor ou pior, Estado paralelo ou não, o fato é que a situação da
segurança no Brasil, conforme reconheceu o próprio presidente Fernando Henrique, ficou
insustentável e deve ser encarada sob ótica emergencial, sob coordenação federal.
(...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - A quem interessa que as
eleições presidenciais sejam decididas apenas no segundo turno? À oposição, certo?
Digamos que a resposta correta seria que interessa também à oposição. E se
considerarmos que naquele campo os interesses envolvidos não são grandiosos, porque a
perspectiva de derrota é real, jogo aberto na mesa, diríamos ainda que há outro setor
bem mais aflito com a hipótese de Fernando Henrique Cardoso vencer no primeiro turno.
Os integrantes desse grupo sentam-se todos ao lado direito do
todo-poderoso. São os aliados que, absolutamente desconfortáveis com os sinais que o
presidente da República vem dando de que a promessa de neutralidade nas campanhas pelos
governos dos estados não será, de fato, cumprida, já começam a providenciar eles
próprios uma estratégia de neutralidade com vistas a fazer o feitiço cair na cabeça do
grande feiticeiro.
Como? Não fazendo a campanha presidencial nos palanques estaduais no
primeiro turno. O raciocínio é o de que, uma vez eleito na primeira etapa, FH vai se
considerar livre e desimpedido para ajudar os tucanos nos estados. Exato como aconteceu na
eleição passada. Por essa análise, Mário Covas, Marcello Alencar e Eduardo Azeredo,
por exemplo, todos eleitos em segundo turno, teriam Fernando Henrique como cabo eleitoral,
enquanto que os outros candidatos, também participantes da aliança mas não tucanos,
seriam abandonados às próprias sortes. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Maurício Dias) - Estourou um novo problema entre o
Senado e a Câmara, com a decisão do senador Antônio Carlos Magalhães de suprimir o
artigo da reforma administrativa que mantinha a aposentadoria especial da magistratura.
ACM interpretou que a alteração do projeto por supressão não
implicaria a volta do texto à Câmara. A decisão vai ricochetear na reforma da
Previdência, que está em votação na Câmara. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Câmbio não muda após eleição, diz FHC
- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o câmbio não muda
"nem neste nem no outro mandato".
Em entrevista à "Folha", FHC afirmou que a política de
desvalorização gradual do real "está estabelecida". Para ele, em um ajuste
com desvalorização cambial, "quem paga são os assalariados".
FHC disse também que cumprirá promessa de dobrar o salário mínimo
no atual mandato, mas que "pode não ser agora". Segundo ele, "decisões
desse tipo não podem ser demagógicas".
O Presidente, que inicia hoje visita à Suíça, reiterou que o ritmo
de queda nos juros será definido pelo cenário internacional. "E não é só a
gente. É todo o mundo. Até os EUA".
Sobre a reforma ministerial, afirmou que o PMDB "tem de se definir
se fica (com ele) ou não". Ao falar sobre seu plano de governo para um eventual
segundo mandato, FHC disse que gostaria de ter um Plano Real voltado para a área social.
(pág. 1 e 1-4)
- (Washington) - A primeira-dama dos EUA, Hillary Clinton, disse que as
acusações contra seu marido são parte de "vasta conspiração da extrema
direita".
Para ela, o promotor que investiga a suspeita de que Bill Clinton
forçou a ex- estagiária a mentir sobre caso entre eles está "politicamente
motivado". (pág. 1, 1-9 e 1-10)
- O bancário J.A.S. ficou, na madrugada de sábado, duas horas e meia
em poder de dois homens armados que decidiram esperar até 6h para poder sacar, de um
caixa eletrônico, além do limite de R$ 100.
Esse é o valor máximo que alguns bancos de São Paulo impõem para
saques, com o objetivo de inibir assaltos, entre 22h e 6h. Os assaltantes levaram R$ 350
do bancário. (pág. 1 e 3-1)
- O Senado Federal decidiu, em votação simbólica, retirar do texto
da reforma administrativa o dispositivo que assegurava aposentadoria integral aos juízes.
A decisão pode fazer com que a reforma da Previdência seja alterada
na Câmara.
Os senadores também aprovaram o regime especial para os servidores
militares. (pág. 1 e 1-5)
- Há algo de poético na nova lei de trânsito. Em seus 341 artigos,
exprime-se uma utopia: a de que o Brasil vire uma Suíça. Essas punições, esses rigores
são tão extremos pelo simples fato de que, na verdade, não somos suíços. Mas sem essa
utopia nenhuma regra entraria em vigor. (Marcelo Coelho, da Equipe de Articulistas) (pág.
1 e 4-5)
- Pesquisa do Procon registrou, nos preços de material escolar na
cidade de São Paulo, variação de até 520% - caso de etiquetas adesivas. Cadernos podem
ser encontrados com diferença de até 400%.
O levantamento mostra que há diferença de preço em todos os produtos
das listas exigidas pelas escolas. (pág. 1 e 3-5)
- O número de cáries em crianças de 12 anos caiu 54% em dez anos,
segundo pesquisa do Ministério da Saúde.
Em média, cada criança tinha 6,7 dentes cariados, perdidos ou
obturados em 1986. O índice recuou para 3,06 dentes em 1996. (pág. 1 e 3-2)
- Empresas que negociam contratos de parceria para a engorda de bois e
frangos terão 90 dias para virar sociedades anônimas, determinou a Comissão de Valores
Mobiliários. O objetivo é fiscalizar os negócios.
Caso não atenda às regras, o setor, com movimentação estimada em R$
80 milhões, será considerado ilegal. (pág. 1 e 2-4)
- O governo da Indonésia anunciou ontem uma "pausa
temporária" no pagamento de débitos externos das empresas do país - uma espécie
de moratória do setor privado. Essas dívidas estão calculadas em cerca de US$ 66
bilhões.
O anúncio foi acompanhado por um pacote de medidas que inclui garantia
governamental, por dois anos, para depósitos em bancos do país e para as dívidas dessas
instituições.
O objetivo é sanear o sistema financeiro e conter a queda da moeda
local, a rupia, que perdeu 78% do valor desde julho.
Ontem, subiu cerca de 12%.
O custo da garantia ficará entre 10% e 12% do PIB - soma das riquezas
produzidas no país -, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A Bolsa local subiu 0,5%, mesma taxa de Tóquio. Hong Kong teve alta de
3%. O presidente do BC, Gustavo Franco, classificou o pacote de Indonésia de "bom
sinal". (pág. 1 e cad. Dinheiro)
EDITORIAL
"Ásia paga quando puder" - A evolução da crise asiática
tem surpreendido os observadores, mas talvez nada seja tão impressionante quanto a
mudança que ela provoca no padrão de monitoramento e intervenção de organismos como o
Fundo Monetário Internacional. Primeiro a Coréia do Sul, e, agora, a Indonésia têm na
prática decretado moratórias brancas com o apoio do FMI.
O contraste é gritante principalmente com o modelo de gerenciamento da
crise que marcou a década de 80 na América Latina. Aqui se evitava a todo o custo a
interrupção de pagamentos, ainda que impondo recessões brutais às economias. Agora,
entretanto, ganha força a percepção de que o ajuste recessivo apenas piora as coisas e
de que os calotes "temporários" são um mal menor.
O presidente da Coréia do Sul chegou ao ponto de ameaçar os credores
sugerindo que o país não teria como pagar as contas externas. Ato contínuo, governos
ocidentais e banqueiros reuniram-se para evitar a quebra coreana e, desde então, estão
renegociando as dívidas. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - O Planalto convenceu Marcello Alencar a aceitar um acordo
com Cesar M aia na eleição do Rio. O governador tucano quer ser candidato ao Senado,
exige que o pefelista pare de criticá-lo e pede apoio para que o filho Marco Aurélio se
eleja deputado. (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Código tornará ilegais milhões de automóveis
- Exageros do novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) podem deixar
milhões de carros fora da lei a partir de 1º de janeiro de 1999, porque alguns artigos -
como os que tratam da obrigatoriedade do uso do cinto de três pontos e dos encostos de
cabeça para o banco traseiro - não podem ser cumpridos por falta de condições
técnicas dos veículos. Em mais de 30 lojas de acessórios e reformas de veículos,
ontem, a reportagem do "Estado" encontrou apenas um estabelecimento capaz de
instalar cintos de três pontos no banco traseiro de alguns modelos. Os modelos mais
antigos de carros da Ford, Volkswagen, Fiat e Chevrolet não dispõem de pontos de
fixação para os cintos nem têm largura de coluna suficiente para afixá-los, dizem os
mecânicos. O coordenador da Comissão de Segurança Veicular da Associação Brasileira
de Engenharia Automotiva, Alexandre Benedito Novaes, pretende sugerir ao Conselho Nacional
de Trânsito a revisão desse ponto. O consultor Luiz Célio Botura, que participou da
discussão do novo código, criticou a exigência de sinalização dos radares. "Sou
a favor de reforçar a sinalização com o limite de velocidade e, aí, vai caber ao
motorista cumprir a lei e não apenas onde sabe haver radar". (pág. 1, C1 e C4)
- O juiz da 12ª Vara Federal de Brasília, Marcos Vinícios Bastos,
autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal do embaixador Júlio César Gomes dos
Santos, ex-chefe do Cerimonial do Planalto e atual representante do Brasil no Fundo para a
Agricultura e Alimentação (FAO) da ONU, suspeito de ter tentado beneficiar a empresa
Raytheon na licitação para o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Também será
quebrado o sigilo da namorada de Júlio César, Flávia Correia Lima, e do dono da Líder
Táxi Aéreo, José Afonso Assumpção. (pág. 1 e A9)
- O governo do Amazonas engavetou projetos de investimentos de US$ 250
milhões de madeireiras asiáticas que pretendem instalar-se no estado. Segundo o
presidente do Instituto de Proteção Ambiental, Vicente Nogueira, o bloqueio foi
determinado pelo governador Amazonino Mendes. As sete madeireiras estrangeiras existentes
compraram 1,2 milhão de hectares de terra para exploração, dos quais 81% estão em
poder dos asiáticos. "O governador está descontente com o comportamento das
empresas", disse Nogueira. (pág. 1 e A13)
- O Governo decidiu instalar um fórum tripartite, com a participação
de seus próprios representantes, empresários e sindicalistas, na tentativa de criar um
modelo de política industrial destinado a adequar o País ao contexto da competitividade
mundial. Essa idéia foi consolidada no encontro entre o presidente Fernando Henrique
Cardoso e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, na semana
passada. Por determinação de FHC, o ministro do Trabalho, Paulo Paiva, começa a
delinear a formação do fórum. Ainda nesta semana, Paiva terá uma reunião com membros
de ministérios da área econômica para levar adiante o projeto. Ao contrário do que
aconteceu com as câmaras setoriais, como a que uniu, em 92, setores da indústria
automobilística, desta vez o grupo, sob a coordenação de Paiva, vai além: buscará a
troca dos benefícios protecionistas pela modernização dos parques industriais, por meio
de financiamentos. (pág. 1 e B1)
- O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), assumiu
ontem a Presidência da República com discrição. Nos cinco dias em que ocupará o posto
por causa da viagem de Fernando Henrique Cardoso à Suíça e do vice, Marco Maciel, à
América Central, Temer não vai sentar-se na cadeira do titular. (pág. 1 e A6)
- A Fundação Nacional do Índio (Funai) deu prazo até domingo para
que o cacique caiapó Panhrá, de São Félix do Xingu - 752 km ao sul de Belém -,
devolva a fazenda Fortaleza, de 32 mil hectares, que ele invadiu e ocupa há mais de três
anos com a mulher e quatro filhos. O dono da fazenda, Aloísio Viana, acusa Panhrá de ter
assassinado um vaqueiro e diz que havia 4,5 mil cabeças de gado na propriedade, mas hoje
só restam 3,1 mil. (...) (pág. 1 e A12)
- O secretário de Segurança Pública de Alagoas, general José
Siqueira, pediu demissão do cargo depois de ter denunciado o envolvimento de políticos,
empresários e juízes em crimes de morte, assalto a bancos e roubo de automóveis. Nos
últimos dias, Siqueira vinha recebendo ameaças de morte. "Ele caiu por causa de
suas declarações e das pressões vindas até do palácio do governo", disse a
prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB). (...) (pág. 1 e A9)
- O Ministério Público (MP) do estado de São Paulo investigará a
atuação de clínicas de diálise que deixam de cumprir normas técnicas do Ministério
da Saúde para prestação desse serviço no País. Algumas clínicas reutilizam filtros
sanguíneos de hemodiálise de modo abusivo e cometem outras irregularidades. (pág. 1 e
A14)
EDITORIAL
"Levando a liberdade aos cativos" - Fidel Castro ouviu do
Papa, em atitude reverente e quase humilde, o que jamais alguém ousara dizer-lhe em 40
anos de poder absoluto. O Papa pôs o dedo nas chagas do regime que Castro implantou e
encarna. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - A Câmara vive nestes dias de expectativa sobre
a reforma da Previdência o mesmo cenário de dificuldades que prevaleceu para a
aprovação da reforma administrativa. As resistências são muitas, até mesmo na base
aliada, mas os líderes governistas já sabem que a prática que domina hoje é a mesma de
sempre: cria-se dificuldades para depois vender facilidades. (...) (pág. A6)
O GLOBO
- Senado acaba com privilégio de juizes e abre crise com a câmara
- Ao retirar do texto da reforma administrativa o privilégio que
garantia aposentadoria integral aos juizes, o Senado abriu ontem uma crise com a Câmara,
o que poderá atrasar ainda mais a aprovação da reforma da Previdêmcia. Liderados por
Antônio Carlos Magalhães, os senadores argumentam que já tinham eliminado o privilégio
quando a emenda da Previdência passou pela Casa. Com isso, não poderia ter havido a
alteração feita pela Câmara. Mas os deputados acham que, como houve alteração, a
emenda precisa voltar à Câmara. O presidente da Câmara, Michel Temer, pode se recusar a
promulgar a emenda da reforma administrativa. "O Senado ficaria muito mal se fosse
mantido este privilégio", disse Antônio Carlos Magalhães. (pág. 1 e 3)
- Em sua mais eloquente demonstração de apoio ao marido, a
primeira-dama dos EUA, Hillary Clinton, denunciou que por trás do escândalo sexual
envolvendo Monica Lewinsky há uma conspiração de direita para derrubar o presidente. Em
entrevista na TV, Hillary acusou o promotor Kenneth Starr de ter motivações políticas e
citou os senadores republicanos Jesse Helms e Lauch Faircloth. (pág. 1, 31 e 32)
- Após uma desvalorização de 80% da rupia frente ao dólar, a
Indonésia declarou a moratória da dívida de suas empresas com os bancos privados, que
atinge US$ 52 bilhões. No Japão, o ministro das Finanças, Hiroshi Mitsuzuka, pediu
demissão, depois da prisão de dois funcionários do ministério acusados de corrupção.
(pág. 1, 21 e 22)
- A apresentação de 47 fitas de ligações obtidas por meio de
grampos nos telefones de quatro réus atrasará os depoimentos dos envolvidos nas fraudes
do Banco Nacional. Ontem, o ex-presidente da instituição Marcos Magalhães Pinto
reivindicou junto ao juiz Abel Fernandes o direito legal de não depor, já que não
conhecia o conteúdo das fitas. (pág. 1 e 28)
- Candidato pelo PPB ao governo de São Paulo, o ex-prefeito Paulo
Maluf, foi ontem a Brasília cobrar isenção do presidente Fernando Henrique nas
eleições paulistas e oferecer em troca a ajuda para aprovar a reforma da Previdência.
Sem afirmar claramente que Fernando Henrique prometera isenção, Maluf deixou claro que o
pacto fora firmado em troca da retirada da sua candidatura à Presidência durante uma
conversa entre Maluf e Fernando Henrique no Alvorada. Após a conversa, Maluf anunciou que
seria candidato em São Paulo e trouxe de volta o PPB para a base do Governo. (...) (pág.
4)
- Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva sofre para juntar a esquerda, o
presidente Fernando Henrique Cardoso enfrenta um racha praticamente insuperável em sua
base no terceiro colégio eleitoral do País. A montagem de um palanque único do PFL, e
do PSDB no Rio - onde a união da esquerda em torno do Anthony Garotinho (PDT) é dada
como certa - está cada vez mais difícil, apesar dos esforços das cúpulas partidárias.
O ex-prefeito César Maia (PFL) e o governador Marcello Alencar (PSDB) voltaram a trocar
agressões ontem, afastando a hipótese do palanque único. (...) (pág. 5)
- (Recife e Porto Alegre) - Com o PDT rachado no Rio Grande do Sul, e
enfrentando restrições no PSB em estados importantes, como São Paulo e Pernambuco, Luiz
Inácio Lula da Silva sonha agora com o PMDB de Paes de Andrade. Ele ontem tentou
apresentar a política de alianças do PT como mais ampla este ano. A realidade, no
entanto, é diferente e ainda existem muitas dificuldades.
Em Pernambuco, onde Lula quer o apoio do governador Miguel Arraes,
presidente do PSB, há um setor do PT que não aceita aliar-se ao PSB no estado. (...)
(pág. 5)
- (Maceió e Brasília) - Sitiada por denúncias de corrupção e
crimes cometidos por policiais, a capital alagoana amanheceu ontem surpresa com o pedido
de exoneração do secretário de Segurança, general José Siqueira da Silva, indicado
para o cargo pelo Governo federal no ano passado, logo após o conflito provocado pela
greve de policiais militares do dia 17 de julho. O general pediu demissão 12 horas depois
de declarar em Maceió que "a máfia de Alagoas pode envolver juízes, empresários e
políticos". Na semana passada, em entrevista ao "Globo", o general
comparou Maceió à Chicago dos anos 20, dominada por Al Capone. (...) (pág. 8)
- (Brasília e Zurique) - A crise na Ásia e os seus efeitos sobre a
economia do mundo serão temas dominantes da reunião anual do Fórum Econômico Mundial,
que começa amanhã em Davos, uma estação de esqui na Suíça. Pela primeira vez um
chefe de Estado brasileiro vai participar do encontro e, na sexta-feira, o presidente
Fernando Henrique Cardoso vai falar por meia hora na sessão especial que tratará do
Brasil, denominada pelos organizadores de "A construção de um gigante
continental". Ele deverá enfatizar as oportunidades de investimentos no País para
uma platéia de cerca de cem participantes do Fórum, que reunirá dois mil empresários,
investidores, chefes e funcionários graduados de governos e especialistas em diferentes
assuntos. (...) (pág. 24)
- (Zurique) - Administradores de fundos da Suíça, especialmente os
que aplicam o dinheiro dos pequenos e médios investidores suíços, estão apostando alto
na primeira visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao país, para decidir se
retiram, reduzem ou mantêm os investimentos de seus clientes no Brasil. Essa expectativa
foi confirmada por Alfredo Signer, vice-presidente do setor internacional do UBS, o maior
banco da Suíça e um dos maiores do mundo. (...) (pág. 24)
EDITORIAL
"Válida, se transparente" - A renúncia fiscal nem sempre
deve ser interpretada como uma perda de arrecadação, pois provavelmente sem o Fisco
abrir mão da cobrança de impostos as atividades geradoras do tributo não existiriam.
Não se pode dizer então que houve renúncia sobre uma receita que
dificilmente seria gerada, não fosse a própria renúncia.
Essa é a razão da concessão de incentivos fiscais para regiões
pobres ou para setores que o País tem interesse em desenvolver. Sem tais incentivos, o
Nordeste e a Amazônia (em especial a Zona Franca de Manaus) levariam muito mais tempo
para atrair indústrias ou empresas que naturalmente iriam se localizar junto aos grandes
mercados para seus produtos.
Há de fato o risco de esse tipo de política criar situações muito
artificiais que nunca consigam se sustentar sem o apoio dos incentivos fiscais. Por isso,
ainda é discutível se é válido estimular a produção de componentes da indústria de
informática no coração do Amazonas, por exemplo. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tales Faria) - Ao bancar a retirada da reforma
administrativa do dispositivo que garantia aposentadoria integral aos magistrados, o
presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, colocou em xeque o presidente da
Câmara, Michel Temer, e o Poder Judiciário. E deixou apreensivo o Executivo sobre
quando, enfim, a reforma entrará em vigor. Mas ACM entrou na confusão sabendo de uma
coisa: qualquer que seja o resultado, ele será o vencedor. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Considerada uma das mais respeitadas publicações
do setor, a revista americana "Petroleum Inteligency Weekly" está divulgando,
esta semana, o novo ranking das maiores empresas petrolíferas do mundo.
A boa surpresa ficou por conta da posição da Petrobras, que passou do
16º para 15º lugar, sua melhor posição até hoje.
A classificação é baseada em reservas, faturamento, produção e
mais duas dezenas de itens.
Detalhe: os números da atual edição foram fechados antes de a
estatal brasileira alcançar a produção de 1 milhão de barris/dia. (pág. 15)
CORREIO BRAZILIENSE
- ACM desafia a justiça e nega aumento a servidor
- Se depender de Antônio Carlos Magalhães, presidente do Congresso,
os dez mil servidores do Legislativo não vão receber o reajuste salarial de 11,98%
concedido pela 18ª Vara Federal de São Paulo. "Estou defendendo o erário. Não
pago e vou recorrer até a última instância", disse o senador. O reajuste
reivindicado pelos funcionários, e autorizado pela Justiça em dezembro de 1997, repõe
as perdas salariais que eles tiveram em março de 1994. Na época, o cruzeiro real foi
convertido em URV com base no valor do último dia do mês. Como os salários só eram
pagos no dia 20, os servidores alegam ter perdido parte da remuneração. (pág. 1 e 12)
- O Senado tomou duas decisões importantes. A primeira: retirou do
texto da reforma administrativa o artigo que mantinha a aposentadoria especial dos juízes
e detonou uma crise com a Câmara, que ameaça também mudar a reforma da Previdência. A
segunda: acabou com a isonomia entre os servidores militares e civis. Agora, o Governo
poderá conceder reajustes salariais diferentes para as duas categorias. (pág. 1, 2 e 14)
- Nos três anos de Governo Fernando Henrique Cardoso, o Presidente
conseguiu inverter os papéis dos poderes da República. Das 429 leis aprovadas pelo
Congresso, muitas mudando a vida dos cidadãos, como é o caso do Código de Trânsito,
218 foram propostas pelo Governo. Isso sem falar nas 1.610 medidas provisórias que têm
força de lei. Ou seja: o Executivo tomou o lugar do Legislativo. (pág. 1 e 7)
- Pesquisa realizada no Brasil comprova o que já se sabia nos Estados
Unidos desde setembro: medicamentos contra a obesidade compostos por fenfluramina e
dexfenfluramina causam problemas às válvulas do coração. Mesmo assim, os remédios com
essa fórmula são vendidos livremente nas farmácias brasileiras. (pág. 1 e 9)
- As exigências do novo Código de Trânsito estão se transformando
em lucro para as lojas de autopeças. Carros e até bicicletas têm que ser equipados com
vários acessórios de segurança - de encostos de cabeça a buzina -, mas o que mais
impressiona os vendedores é a procura por marcadores de combustível. (pág. 1 e Cidades,
pág. 4)
- A Indonésia suspendeu o pagamento das dívidas das suas empresas
privadas e vai negociar o saldo devedor com os bancos estrangeiros. O "calote",
no entanto, deve fortalecer a moeda local, a rupia, já que os empresários não precisam
mais recorrer às sucessivas trocas de rupias por dólar para pagar contas no exterior.
(pág. 1 e 13)
- Mulher do presidente americano diz que Bill Clinton, envolvido em
escândalo sexual, é vítima do complô da oposição. (pág. 1 e 3 a 5)
- Catorze países do mundo, inclusive o Brasil, construirão este ano
uma estação orbital que será lançada ao espaço em 2003. (pág. 1 e 6)
- Juiz Federal de Brasília quebra sigilo bancário do embaixador
Júlio César, ex-chefe de cerimonial do Palácio do Planalto. (pág. 1 e 8)
ZERO HORA
- A campanha desencadeada pelo ex-governador Alceu Collares contra a
aliança do PDT com o PT no Rio Grande do Sul não intimidou o presidente nacional do PDT,
Leonel Brizola. Menos de 12 horas depois de Collares ter trocado farpas com Brizola diante
de 450 filiados ao partido, um café da manhã no apartamento 1410 do Hotel Plaza São
Rafael resultou em novos e importantes acertos para a coligação. Antes de seguir viagem
para sua fazenda, no Uruguai, Brizola recebeu em seu apartamento no hotel o presidente
regional do PT, Júlio Quadros, e os pré-candidatos ao Palácio Piratini, Tarso Genro e
Olívio Dutra. (...) (pág. 6)
- Os senadores decidiram ontem, em votação simbólica, retirar do
texto da reforma administrativa o artigo que mantinha a aposentadoria especial, com
salário integral, para os magistrados. A medida enquadra os juízes, ministros de
tribunais superiores e demais integrantes do Poder Judiciário nas regras que já estão
no texto da reforma da Previdência em relação à aposentadoria dos servidores públicos
civis e na pensão de seus dependentes. Quem recebe salários acima de R$ 1,2 mil se
sujeitará ao redutor de até 30% no valor da aposentadoria. (pág. 12)
- Nem a sólida economia japonesa atravessa imune à crise que avassala
nações do Oriente e Ocidente. Depois de assumir a responsabilidade sobre o escândalo
que abala sua pasta, o ministro japonês das Finanças, Hiroshi Mitsuzuka, confirmou ontem
que colocou seu cargo à disposição do primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto. (pág. 26)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- Sergipe decreta emergência contra dengue
CORREIO DA BAHIA
- Juízes perdem privilégios na aposentadoria
JORNAL DO COMMERCIO (PE)
- General deixa a SSP de Alagoas sob ameaça do crime organizado
ZERO HORA (RS)
- Pesquisa revela riscos de álcool no trânsito

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |