31/08/1998

JORNAL DO BRASIL

- Rússia continuará sem governo

- O acordo de transferência de poderes do presidente russo, Boris Yeltsin, para o Parlamento e o primeiro-ministro, que estava sendo negociado no fim de semana para superar a grave crise econômica e de governabilidade do país, foi por água abaixo ontem. Comunistas e vários partidos da oposição rejeitaram o nome de Victor Chernomirdin, indicado pelo Kremlin para primeiro-ministro. O impasse agrava a crise russa. Guenadi Ziuganov, o líder da bancada neocomunista, exige que sejam renegociados os termos dos acordos do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Bent Scowcroft, ex-assessor do governo americano, disse ao "New York Times" que Yeltsin enfrenta períodos de demência. No Brasil, as taxas de juros de empréstimos de longo prazo começaram a subir em consequência da crise internacional agravada pelo caso russo. (pág. 1, 7, 10 e 17)

- FH diz que é pobre

- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem no Rio que é "um professor, um pobre", ao justificar sua declaração de sábado a 1.500 moradores da Favela Parque Royal, na Ilha do Governador, de que "vida de rico, em geral, é muito chata".

Fernando Henrique afirmou que seu discurso foi "mal exposto" e que o objetivo do Governo é dar uma "vida digna e decente a todos os brasileiros". À tarde, depois de visita ao cardeal-arcebispo do Rio, Dom Eugênio Sales, descartou alteração no câmbio e nos juros e negou que o real esteja ameaçado. (pág. 1, 2 e 3)

- A tentativa de aproximar o ex-presidente Itamar Franco da ala governista do PMDB, promovida pelo ex-governador de Minas Newton Cardoso, fracassou. Newton juntou Itamar e os peemedebistas em sua fazenda, mas o ex-presidente evitou até ficar próximo do grupo durante as fotografias. (pág. 5)

- O Governo vai propor hoje à Câmara de Saúde Suplementar que os planos ambulatoriais, os mais baratos, cubram pelo menos 12 horas de internação dos pacientes que chegarem aos hospitais pele emergência. Tambem serão discutidos hoje critérios para cobertura de doenças preexistentes e faixas de preço de acordo com a idade. (pág. 1 e 14)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu, ontem, a representantes de universidades e centros de pesquisa, dedicar mais recursos a essas áreas num eventual próximo mandato, além de lutar pela aprovação no Congresso da Lei de Autonomia Universitária.

A reunião, realizada no Palácio Laranjeiras, foi considerada "muito proveitosa" pelo reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e presidente do Fórum de Reitores do Estado do Rio de Janeiro, Antônio Celso Pereira. Como exemplo de maior atenção ao ensino superior e à pesquisa, ainda de acordo com o reitor, Fernando Henrique sinalizou com estudos futuros para a manutenção e aumento do número de bolsas de pós-graduação. "Uma de nossas reivindicações mais importantes ao lado da autonomia universitária", afirmou. (pág. 2)

- Para o carioca domingo é dia de praia. Mas só quando não chove. Foi por causa da chuva, que o Encontro das Bandeiras reunindo militantes da coligação Muda Rio (PT-PDT-PSB-PCB-PC do B) para uma caminhada com Lula e Garotinho, do Leme ao Posto 10 em Ipanema, acabou suspenso. O mesmo aconteceu com uma outra caminhada, em apoio a César Maia (PFL), organizada pelo prefeito Paulo Conde.

Lula nem chegou a vir ao Rio. Quando foi informado sobre a chuva, que começou a cair na madrugada, cancelou a viagem. O candidato petista à Presidência aproveitou a manhã para descansar em casa e a tarde gravar programas eleitorais de rádio e TV. O pedetista Garotinho ainda teve um dia mais produtivo. Como não chovia em São Gonçalo, conseguiu fazer um rápido corpo-a-corpo na cidade. (pág. 4)

EDITORIAL

"Hora do parto" - O que se verifica hoje no planeta, traduzido em tempo real nas telas dos computadores da Bovespa, da New York Stock Exchange ou da Bolsa de Moscou, é o rearranjo estrutural de um mundo que já mudou, mas que não foi acompanhado pelas instituições que o regulam. O exemplo mais evidente é a incapacidade do Fundo Monetário Internacional para gerir uma crise que lhe escapa do controle e se aprofunda, anunciando que o acordo de Bretton Woods morreu.

O mundo que emergirá do terremoto que abala o sistema financeiro internacional não será mais o mesmo. Essas, em meio à insegurança que tira o sono de governos, empresários e cidadãos em todos os continentes, é a única certeza indiscutível. O que não autoriza, necessariamente, a conclusão de que esse mundo será pior. A virtude das grandes catástrofes é que convidam à reflexão e o que se reconstrói depois dela tem bases mais sólidas, para que não voltem a desmoronar. (...) (pág. 8)

COLUNAS

1 (Coisas da Política - Rosângela Bittar) - Chegamos à primeira semana de setembro, depois de 15 dias de propaganda maciça na televisão, sem que tenha havido mudança significativa do quadro eleitoral nos principais estados do País e sem que o eleitor tenha dado sinais de que o que diz agora aos pesquisadores dos institutos é produto de uma definição consolidadas para 4 de outubro. Onde as coisas já estavam claras, continuam claras. Onde estavam nebulosas, assim permanecem. (...)

"Para muitos eleitores ainda estamos numa etapa pre-eleitoral", diz Coimbra. Este eleitor reage a partir de noções vagas que tem a respeito de determinada personalidade, sem pensar naquele candidato como o futuro governador, o senador, o deputado. Junte-se a isso o fato de que as eleições presidenciais se definiram muito cedo, e mais: uma parcela grande do eleitorado está realmente alheia ao processo político.

A rápida definição da eleição presidencial, com a falta de emoção que se verifica nela, na opinião de Marcos Coimbra, acabou contaminando as outras. O eleitor, a seu ver, está desapaixonado, frio, distante. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - O fator sócioeconômico pesou muito mais na escolha do grupo Só Pra Contrariar para showmício do presidente Fernando Henrique Cardoso anteontem, no município de Nova Iguaçu (RJ), do que imaginam ardorosos fãs do cantor Alexandre Pires, namorado da loura Carla Perez.

O comando da campanha decidiu falar direto àquele eleitor que se beneficiou mais do Plano Real. (...)

Portanto, levar o Só Pra Contrariar era a melhor fórmula de fazer o Presidente falar direto para essa turma. Que, mostram as pesquisas qualitativas, está assustada com o desemprego, mas ainda acha que a vida hoje é melhor do que antes. (...)

Começou a guerra entre o PFL e o PSDB do Rio sobre quem foi mais beneficiado pela visita do Presidente.

Para os pefelistas, FH foi muito mais contundente na favela.

Os tucanos dizem que venceram por 2 a 1.

O PT dá como certa a eleição de pelo menos quatro senadores do partido - em Pernambuco, Alagoas, Acre e São Paulo.

E prevê aumento de 50 para, no mínimo, 60 deputados federais. (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Governo só gasta 29% das verbas contra seca

- O Governo gastou apenas 29% da verba disponível para obras contra a seca 60 dias após a decretação do estado de calamidade em oito estados do Nordeste e municípios do norte de Minas e do Espírito Santo.

Foram gastos até agora R$ 33,1 milhões dos R$ 114 milhões destinados pelo Orçamento da União para a construção de açudes e de barragens, perfuração de poços, irrigação e fornecimento de água para a região atingida pela seca. O dinheiro foi gasto em 30 obras.

De um total de 215 obras de abastecimento de água programadas para este ano, apenas 116 receberam o sinal verde para sua realização e 99 - 46% - ainda não saíram do papel.

Levantamento mostra que só 90 - 6,4% - dos 1.387 municípios em estado de calamidade receberam a verba integralmente.

O secretário nacional de Recursos Hídricos, Fernando Rodriguez, disse que o percentual da verba usada é pequeno por causa de planos malfeitos pelas prefeituras. (pág. 1 e 1-5)

- O PT apresentou às 20h50 de anteontem ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pedido de direito de resposta contra reportagem da "Folha" publicada no último dia 26 sob o título "Lula não registrou venda de terreno da mulher".

O PT defende a tese de que a reportagem violou a privacidade de Lula e "não diz respeito ao interesse público" por tratar de um negócio entre pessoas que não ocupam funções públicas. Os dados da reportagem não são contestados. (pág. 1 e cad. Eleições)

- O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiu ontem sete fazendas no estado de São Paulo.

Cerca de 1.700 famílias participaram das invasões, segundo o movimento. Gilmar Mauro, da liderança nacional do MST, disse que as invasões têm o objetivo de pressionar o Governo a retomar a reforma agrária no estado. (pág. 1 e 1- 5)

- O líder do Partido Comunista russo, Guennadi Ziuganov, rejeitou ontem um acordo para garantir hoje a aprovação de Viktor Tchernomirdin para o cargo de primeiro-ministro. A recusa agrava a crise na Rússia.

São necessários 226 votos para aprovar o primiê indicado por Boris Yeltsin. Neocomunistas e seus aliados têm 306 cadeiras no Parlamento. (pág. 1 e 1- 6)

- O novo presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Horacio Lafer Piva, 41, tem projetos ambiciosos para uma entidade marcada por anos de ineficiência e crises de representatividade.

Ele pretende buscar fontes alternativas para autofinanciamento da Fiesp. A instituição administra um orçamento anual de R$ 698 milhões (incluindo Ciesp, Sesi e Senai), recursos recolhidos da folha de pagamento das empresas.

Piva quer criar um banco de negócios e oferecer consultoria, com taxas de retorno, para negociar a inadimplência de pequenas e médias indústrias em crise.

"Queremos colocar a Fiesp no mercado", disse à "Folha", na sexta-feira, em seu comitê eleitoral. (...) (pág. 1-4)

- As reservas internacionais do Banco Central devem ficar em torno de US$ 67 bilhões no fechamento do mês de agosto, porque a saída de recursos externos registrada na última sexta-feira - US$ 1,463 bilhão - e o resultado do mercado de câmbio de hoje serão computados somente no mês de setembro.

A queda nas reservas deve chegar a US$ 3,210 bilhões em relação ao mês de julho, quando o BC registrou US$ 70,210 bilhões no conceito de liquidez internacional (recursos prontamente disponíveis mais compromissos de médio e longo prazos).

Essa é a maior redução nas reservas, na passagem de um mês para outro, desde que o Governo dobrou as taxas de juros em outubro do ano passado, no auge da crise asiática, para evitar a fuga de capital estrangeiro. (...) (pág.1- 5)

- A Polícia Federal começa amanhã a Operação Amistad (Amizade) 3, ação conjunta com as polícias do Peru e da Colômbia na região amazônica, para desmontar ações de narcotraficantes e para impedir tráfico de produtos químicos que são usados no refino de cocaína.

A ação será iniciada no dia seguinte à visita do presidente colombiano Andrés Pastrana ao Brasil. Ele se encontra hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir, entre outros assuntos, a segurança na fronteira da Amazônia. (...) (pág. 1-5)

- Os bancos internacionais estavam extremamente confiantes na Rússia no início deste ano e foram surpreendidos pela crise financeira desencadeada no país nas últimas semanas.

Tanto os bancos estavam dispostos a apostar na economia russa que emprestaram US$ 3,26 bilhões entre janeiro e março, quando créditos bancários para a Rússia somavam US$ 61,40 bilhões.

Também os russos demonstravam confiança no país, reduzindo os depósitos mantidos em outros países.

Já no caso brasileiro, os bancos também aumentaram seus empréstimos em US$ 9,59 bilhões (elevando o total para US$ 111,13 bilhões), mas a maioria dos créditos era de curto prazo. (...) (pág. 1-7)

EDITORIAL

"Contra-reforma policial" - Duas semanas de propaganda eleitoral bastaram para alimentar as suspeitas de que um dos aspectos importantes da política de segurança adotada no estado poderá sofrer um retrocesso. A contra-reforma seria patrocinada por um dos dois candidatos à frente na disputa pelo governo de São Paulo, Francisco Rossi e Paulo Maluf. Ambos já anunciaram que, se eleitos, será extinta uma das principais iniciativas dessa atual política, o programa conhecido como Proar (Programa de Acompanhamento de Policiais Envolvidos em Ocorrências de Alto Risco).

Criado em 1995, esse programa afasta por seis meses os policiais envolvidos em ocorrência com morte, que passam a realizar apenas o policiamento a pé, no qual a hipótese de confronto é supostamente menor. Durante esse período, o policial ainda recebe acompanhamento psicológico. Registre-se que um efeito imediato da adoção desse programa foi a redução do número de pessoas mortas em confronto com policiais.

As premissas que justificam o Proar são elementares: o uso da violência deve ser sempre subsidiário, e a morte nunca pode ser o resultado final pretendido. Polícia é para prevenir e não para matar. E, caso ocorra a morte de civis, é evidente que o policial responsável deverá, no mínimo, receber uma reciclagem adequada. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - Foi uma ducha de água fria na campanha de Mário Covas a pesquisa Datafolha mostrando empate de Paulo Maluf com Francisco Rossi em 27%. Covas só tem 14%. Já tem tucano perguntando o que fazer agora.

Apesar de não estar mais sozinho na liderança em São Paulo, Rossi gostou da pesquisa Datafolha, por causa da estagnação de Covas. Para ele, é mais importante chegar ao 2º turno do que estar à frente de Maluf. (pág. 1-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- MST invade dez fazendas em São Paulo

- Dez fazendas foram invadidas na madrugada de ontem por cerca de 1.800 trabalhadores de sete acampamentos do Movimento dos Sem-Terra (MST) no interior de São Paulo. Hoje está prevista a violação de outras três propriedades como parte do processo de retomada das invasões. A operação marcou o fim do período de trégua que há mais de um ano vinha sendo mantido. O MST diz protestar contra a lentidão do Governo em concretizar o assentamento das famílias. O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Milton Seligman, foi surpreendido com a notícia das invasões no estado, mas já adiantou que, nas fazendas invadidas, o processo de obtenção da terra será suspenso até que sejam desocupadas. (pág. 1 e A7)

- A crise econômica iniciada no Sudeste Asiático tornou os investidores mais conservadores. Investimentos, que até outubro atraíam mais adeptos pela elevada rentabilidade, não recuperaram o prestígio depois das perdas provocadas pela turbulência do fim de 1997. Dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos mostram que, em julho, os fundos de carteira livre e de ações somavam patrimônio líquido de R$ 14,2 bilhões, R$ 5,5 bilhões menos que em julho de 1997.

Os fundos de ações foram os mais atingidos. A crise de outubro derrubou pela metade o patrimônio líquido dessas aplicações. "O mercado ficou mais conservador e essa é a razão de o impacto da crise atual ser bem menor", afirmou o vice- presidente do Unibanco, Celso Scaramuzza. (pág. 1 e B1)

Quem decidir investir parte do patrimônio em ações dispõe de meios para diluir a margem de risco. (pág. 1 e cad. Suas Contas)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou ontem, no Rio, a possibilidade de desvalorizar a moeda brasileira ou elevar as taxas de juros para enfrentar a crise internacional. FHC afirmou ainda, para cerca de 30 empresários fluminenses, que está confiando numa vitória ainda no primeiro turno das eleições. (pág. 1, B1 e A6)

- O Ministério da Educação acredita que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), realizado ontem em 178 municípios de todo o Brasil, irá, progressivamente, substituir a conhecida fórmula do vestibular para o acesso ao ensino superior. Dos 157.148 inscritos, uma estimativa inicial aponta que 15% não compareceram aos locais de prova. No dia 10 de novembro, os estudantes deverão receber em suas casas a nota e um boletim interpretativo, pelo qual saberão em quais disciplinas tiveram melhor ou pior desempenho. (pág. 1 e A9)

- Os programas do horário eleitoral da TV neste ano repetem velhos truques: uma campanha audiovisual pasteurizada, com imagens forjadas de candidatos e técnicas usadas para vender sabão em pó. Como única novidade, abusam da simulação do telejornalismo. Essa foi a conclusão de cinco especialistas em comunicação que, a convite do "Estado", assistiram ao horário eleitoral de quinta-feira (reservado aos candidatos a presidente e deputado federal) em um restaurante da cidade.

A diretora do programa Jô Soares Onze e Meia, Diléa Frate, o cientista político Rubens Figueiredo, a jornalista e crítica de TV Leila Reis, o diretor de filmes publicitários Rafic Jorge Farah e a editora do Telejornal do"Estado", Fátima Cardeal, não gostaram do que viram. (...) (pág. A4)

- A Organização Mundial de Saúde (OMS) vem apelando para que os países prestem mais atenção ao impacto negativo dos transtornos mentais na vida da população. "É preciso que as políticas públicas considerem os anos perdidos de qualidade de vida", afirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Rogério Aguiar, que debateu o assunto durante a jornada de psiquiatria da Região Centro- Oeste, realizada em Brasília.

Pelas estimativas existentes, seis em cada cem pessoas sofrem, em algum momento, um episódio de depressão, um dos transtornos mais conhecidos. De cada seis deprimidos, só um procura tratamento. (...) (pág. A8)

EDITORIAL

"A crise e o papel do presidente" - Não houve pânico na sexta-feira nas bolsas mais importantes do mundo. Mas isso não significa que o pior já passou. No curto prazo, Fazenda e Banco Central precisam atuar sobre os mercados. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - Os números do TSE trazem, pelo menos, duas curiosidades. Empenhado em perseguir burgueses, o PSTU é o partido com o segundo maior número de candidatos a governador, 18. E o simpático, porém modesto, PV lidera na quantidade de candidatos a deputado federal em São Paulo: 67.

Os dados ainda mostram que, mesmo com a empolgação de certos formadores de opinião, continua reduzida a participação das mulheres nos partidos. Levando em conta a eleição de presidente, dos 14.417 candidatos do País, 1.778 são mulheres.

No eleitorado, porém, a conta é de empate técnico: estão aptos a votar em 4 de outubro 53.005.183 homens e 52.798.078 mulheres. (pág. A6)

O GLOBO

- FH garante que não mexe nos juros nem no câmbio

- O presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu ontem que o Governo não pretende desvalorizar o real nem aumentar os juros para proteger o País da crise que vem derrubando as bolsas de valores em todo o mundo. Segundo ele, a crise atual é diferente da ocorrida em outubro do ano passado e, portanto, não cabem mexidas nas taxas de câmbio e juros, pois isto só iria transtornar o dia-a-dia da população. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne para decidir o futuro das taxas de juros. Se nada de pior acontecer nas bolsas até lá, diz um integrante da equipe econômica, a taxa atual - de 19,75% ao ano - poderá até baixar. (pág. 1 e 19)

- O PSDB fluminense ficou revoltado com o tratamento privilegiado que o presidente Fernando Henrique deu a Cesar Maia ao conhecer anteontem o programa Favela-Bairro no Parque Royal, criado pelo pefelista, e cancelar visitas a obras do governador Marcello Alencar. Ontem, com o cardeal-arcebispo do Rio, Dom Eugenio Sales, o Presidente voltou a elogiar o projeto do PFL. O líder do PSDB na Câmara, Otávio Leite, reivindicou uma volta do Presidente ao Rio para conhecer as obras do PSDB.

Fernando Henrique, ao explicar a frase "vida de rico é muito chata", disse que é "professor e pobre". (pág. 1 e 3)

- Dos 38.315 estudantes do estado do Rio inscritos no primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado para avaliar o desempenho dos alunos, 40% faltaram. No País, a média de abstenção foi de 28%. "O Globo" publica hoje o gabarito. (pág. 1 e 9)

- Na quinta-feira, a Companhia Docas do Rio faz o leilão de arrendamento do Terminal de Contêineres (Tecon I) do Porto de Sepetiba, o último terminal a ser privatizado depois de 16 anos de obras públicas. O leilão será realizado na Bolsa do Rio e o lance mínimo é de R$ 92,2 milhões. Existem quatro grupos nacionais interessados, liderados por Vale, CSN, Andrade Gutierrez e grupo Libra. (pág. 2 e 22)

- Começa hoje e vai até sexta-feira a edição 98 da Comdex/Sucessu de São Paulo. A feira, que reúne 600 expositores nacionais e estrangeiros, é considerada a mais importante da América Latina. Os organizadores acreditam que 130 mil pessoas visitarão o Anhembi para conferir as novidades tecnológicas. Entre os lançamentos para usuários de terno e gravata, novas versões de sistemas operacionais de rede, monitores, placas e impressoras. (pág. 1)

- Em tom conciliatório, o presidente Fernando Henrique Cardoso preocupou-se ontem em minimizar as declarações da véspera, num almoço na Ilha do Governador, onde disse que não dará as mãos a quem está ligado a drogas. Depois de se encontrar com o cardeal-arcebispo do Rio, Dom Eugenio Sales, ele disse que trabalhará com os governantes eleitos que demonstrem a intenção de combater o tráfico. Ressaltou que a disposição não depende de filiação partidária. E evitou críticas aos candidatos da oposição.

"Claro que tenho minhas preferências. Agora, como presidente, tratarei com respeito qualquer governador que esteja olhando o interesse do povo".

- Apesar de não ter reagido, o presidente da Sony Music do Brasil, Roberto Augusto, de 48 anos, foi ferido com cinco tiros às 22h de sábado por um dos dois homens que o assaltaram na loja de conveniência do Posto BR da Catacumba, na Lagoa. Os bandidos queriam as chaves do Mercedes do executivo. O presidente da gravadora entregou as chaves, mas um dos homens disparou. Ferido na barriga, nos braços e na perna, ele foi levado em estado grave para o Hospital Miguel Couto e submetido a uma cirurgia. Ontem, foi transferido para o Hospital Samaritano e novamente operado. (pág. 1 e 12)

- (São Paulo) - A campanha do candidato da coligação União do Povo-Muda Brasil à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, entrou na fase do tudo ou nada para tentar mudar o quadro desfavorável, apontado pelas pesquisas que indicam a vitória de Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno, como há quatro anos. A avaliação é que Lula não tem mais nada a perder e por isso não deve mais gastar tempo de TV tentando amenizar sua imagem de radical. A ordem é radicalizar e "ir com o pé na porta".

A mais recente pesquisa do Ibope deu ao Presidente 46% e a Lula, 22%. No sábado, os coordenadores da campanha - que acompanhavam a gravação do pronunciamento de Lula à nação sobre a crise econômica mundial, transmitida no programa eleitoral da noite - garantiram que já têm petardos. O objetivo é tentar minar a credibilidade do Presidente, de olho no eleitorado que tende a votar em Fernando Henrique a contragosto, por achar que não tem opção. (pág. 5)

- (Salvador) - O presidente de Cuba, Fidel Castro, que estava sendo aguardado ontem de manhã, na Bahia, para uma escala técnica no vôo à Africa do Sul, só deveria desembarcar à 1h de hoje, na Base Aérea de Salvador. A escala, que inicialmente estava prevista para a manhã de sábado, chegou a ser transferida para às 8h de ontem, mas assessores do presidente cubano, que estão na Bahia desde o início da semana, comunicaram que ele só chegaria na madrugada de hoje.

Eles não explicaram os motivos do adiamento. Disseram apenas que a visita não tem caráter oficial. É apenas uma escala técnica, sujeita a imprevistos de uma hora - explicou um assessor do Cerimonial do Governo da Bahia. (pág. 9)

EDITORIAL

"Porta aberta" - A decisão do Ministério da Educação de criar cursos de nível superior, sem exigência de vestibular, com a duração de seis meses a um ano e meio, é a resposta a uma demanda crescente dos que não pretendem (ou não podem) gastar quatro ou mais anos para obter formação universitária completa. Os cursos, chamados de sequências, a serem lançados no próximo ano, permitirão a rápida inserção num mercado de trabalho que, principalmente em áreas técnicas, evolui muito rapidamente.

Com a medida o Governo está atendendo a uma necessidade do momento e criando condições para combater o desemprego e o subemprego, por meio de uma flexibilização oportuna do ensino superior. Existe hoje a possibilidade de trabalho em funções que exigem treinamento específico mas não toda uma formação universitária - técnicos em fibras óticas, por exemplo - e os cursos sequências são uma adaptação a esta realidade. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - João Domingos) - Quem habita região de cerrado sabe que o início de setembro geralmente é perigoso. É nesta época que ocorrem as trombas dágua que, de surpresa, arrastam tudo, derrubam árvores, reviram pedras e mudam cursos de rios. (...) Para a política, a primeira semana deste setembro de campanha eleitoral com quebradeira de países pelo mundo afora assemelha-se ao clima do cerrado. Todos esperam para ver se a enchente vai ser forte a ponto de depositar coivaras nos leitos dos rios ou se vai ficar nas trovoadas que fazem muito barulho mas, com o vento, acabam levando a tempestade para bem longe.

De amanhã em diante os programas na televisão do candidato das esquerdas à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, vão tentar identificar no presidente Fernando Henrique Cardoso um mau conselheiro, aquele que, na véspera da catástrofe, perde a iniciativa. Deverão ser mostrados sempre os casos do incêndio de Roraima e da seca do Nordeste, para, em um paralelo com a crise atual, dizer que o presidente-candidato à reeleição não sabe como enfrentar situações adversas. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - No início deste ano, a Receita Federal listou dezenas de brasileiros cujas contas nos bancos americanos podem revelar gordas provas de sonegação. As apurações, entretanto, não avançaram um milímetro. Empacaram à espera do decreto legislativo homologando o acordo Brasil/EUA para investigações recíprocas na área fiscal. O projeto está há oito meses parado no Congresso, em Brasília.

Em tempo: A lista de suspeitos inclui parlamentares.

O grupo que explora o aeroporto de Frankfurt, um dos cinco maiores do mundo, está de olho na privatização da Infraero. Pretende comprar Viracopos. O objetivo é transormá-lo no maior aeroporto de cargas do Mercosul. (pág. 14)

CORREIO BRAZILIENSE

- A propaganda eleitoral na televisão fez bem à candidatura de Luiz Estevão (PMDB) ao Senado. Ele disparou na intenção de votos, segundo a pesquisa Correio/Soma e tem agora 54% - um aumento de nove pontos percentuais em relação a última consulta. "Ele só perde se cair uma bomba atômica", garante o diretor da Soma, Ricardo Penna. A vice-governadora, Arlete Sampaio, candidata do PT, também ganhou novos eleitores: tem 21%, seis a mais que na pesquisa anterior. Augusto Carvalho, do PPS, tem 8% dos votos. (pág. 1 e 8)

- O senador José Roberto Arruda, candidato do PSDB ao governo, disse ontem que vai para o ataque e "virar o jogo". Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, Arruda disse a vários médicos que fizeram um churrasco em sua homenagem que não sofre "da síndrome de Ronaldinho". O senador esteve em Taguatinga, Ceilândia e Águas Lindas. Almoçou três vezes ontem, mantendo o ritmo intenso da campanha e a confiança em sua candidatura: "Vou chegar ao segundo turno e ganhar as eleições", disse. (pág. 1 e 8)

- Descobertos em uma galeria de São Paulo dois quadros - um de Monet e outro de Picasso - que teriam sido roubados de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. A descoberta foi feita pela comissão que apura a transferência para o Brasil de bens pilhados pelos nazistas. Pelo menos outras duas obras também estão sendo investigadas. O nome da galeria e a identificação das obras, além do valor dos quadros, serão divulgados esta semana pelo Ministério da Justiça. (pág. 1 e 10)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Presidente diz que juro não sobe

- Os juros não vão subir por conta da crise financeira mundial. O presidente Fernando Henrique, que passou o final de semana em campanha no Rio de Janeiro, garante que, apesar das incertezas provocadas pela crise, o Governo não vai aumentar o juro e nem pensa em desvalorizar a moeda. A declaração do Presidente sinaliza o comportamento do Comitê de Política Monetária, o Compom, que tem reunião marcada para esta quarta-feira para deliberar sobre a taxa de juros. O Comitê tem reduzido a taxa de juros desde o final do ano passado, mas, com o agravamento da crise mundial, criou-se a expectativa sobre o comportamento a ser adotado esta semana. O Presidente, no entanto, admitiu que a crise financeira mundial vai provocar redução do crescimento da economia brasileira. (pág. 1 e 9)

- As tribos indígenas do Parque Nacional do Xingu estão apavoradas com a possibilidade do incêndio que devasta florestas em Mato Grosso atingir a reserva. Entre os caciques, comenta-se que o fogo pode chegar ao parque no início desta semana. O Ibama decidiu deslocar cerca de 30 policiais para combater o fogo na região, mas ainda não tem uma avaliação precisa sobre o incêndio. As queimadas nessa época do ano, feitas inclusive dentro do próprio parque pelos índios como técnica para preparar a terra para o plantio, tornam permanente o risco de incêndios incontroláveis, como ocorreu em Roraima nos meses de maio e junho. (pág. 1 e 2)

ZERO HORA

- O presidente Fernando Henrique Cardoso recebe hoje, em Brasília, a primeira visita do novo presidente da Colômbia, Andrés Pastrana Arango. O presidente colombiano, empossado no último dia 7, ficará menos de seis horas na capital federal, mas vai aproveitar esse período para discutir formas de aumentar a integração econômica entre os dois países. O principal ponto da pauta da reunião é o Projeto Ancora, que prevê a implantação de projetos de siderurgia na região de La Guajira, no extremo norte da Colômbia, utilizando minério de ferro brasileiro. Em contrapartida, o Governo FH deverá intensificar a compra de carvão mineral colombiano, para abastecer usinas termelétricas no Nordeste. (pág. 6)

- A primeira-dama Ruth Cardoso participará hoje, em Santo Angelo, na Região das Missões, da posse dos reitores e diretores da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). A chegada da primeira-dama está prevista para as 17h, no Aeroporto Sepé Tiaraju. A cerimônia ocorre a partir das 19h, no salão de atos do campus da URI, e contará também com a presença do governador do estado, Vicente Bogo. (pág. 13)

- A segunda safra recorde de soja consecutiva que os Estados Unidos se preparam para colher e os elevados estoques impedem que os produtores e as indústrias brasileiras encaminhem exportações, um quadro que traz preocupação e reprime a demanda do complexo. Em consequência, os preços são baixos, as importadoras não precisam recorrer às compras e há estabilidade no consumo. A situação foi traçada no sábado à noite, durante o seminário "Analisando o Mercado com Quem Faz o Mercado", que reuniu na Casa RBS analistas, representantes de indústrias e de produtores e técnicos gaúchos. (pág. 39)

- É chato ser rico. Foi o que o presidente Fernando Henrique Cardoso informou no sábado a cerca de 1,5 mil moradores do Parque Royal, favela da Ilha do Governador urbanizada pela prefeitura carioca. Os moradores, que se aglomeraram por horas em volta da praça principal da favela à espera de Fernando Henrique, ouviram do candidato à reeleição uma declaração que trouxe perplexidade geral. (pág. 3/Jornal da Eleição)

MANCHETES

HOJE EM DIA (MG)

- FH descarta alta dos juros

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Balconista é estuprada em ônibus

ZERO HORA (RS)

- Preços de combustíveis caem em porto alegre

O DIA (RJ)

- Light será punida por apagões

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

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