
13/07/1999
JORNAL DO BRASIL
- Covas quer que reforma venha rápido
- O governador de São Paulo, Mário Covas,
do PSDB, disse ontem que a reforma ministerial terá de ser "rápida, rasteira, e
fazer as mudanças que o Presidente quer". Covas defendeu a substituição do
ministro da Justiça, Renan Calheiros, do PMDB.
"Não é um bom ministro",
afirmou o governador, acrescentando que o episódio em que Renan "contestou o direito
de o presidente da República nomear o diretor da Polícia Federal foi decisivo".
O ministro da Justiça rebateu em Brasília
as críticas de Covas. "Sobre o meu desempenho, várias pesquisas de opinião
pública dizem o contrário da avaliação feita pelo governador", afirmou Renan,
referindo-se aos ataques do PSDB. Segundo o ministro, "a sociedade está cansada
destas questiúnculas". Renan disse que tem "mais o que fazer". (pág. 1 e
3)
- A queda de 8,6% na bolsa argentina - pior
desempenho desde janeiro, quando o real foi desvalorizado - , combinada com a crise
política, causou um efeito-dominó nos mercados da América Latina.
No Brasil, o dólar subiu até R$ 1,8350,
mas recuou no fechamento para R$ 1,8330, com alta de 2% em relação à véspera. A queda
nas bolsas foi provocada pelas declarações do candidato peronista à Presidência,
Eduardo Duhalde, que pedirá ajuda ao papa João Paulo II para conseguir a moratória da
dívida externa.
A instabilidade causada pela reforma
ministerial brasileira também afetou os mercados. A Bovespa fechou em queda de 2%. (pág.
1 e 12)
- O relatório da Organização das
Nações Unidas (ONU) sobre a qualidade de vida no mundo, que rebaixou o Brasil da 62ª
para a 79ª posição na classificação geral, provocou reação do Governo brasileiro.
O presidente da Fundação Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Martins, qualificou a metodologia usada no
documento de "esquizofrênica". (pág. 1 e 4)
- Pesquisa da consultoria KP-MG mostra que
no primeiro semestre deste ano ocorreram no País 142 fusões e aquisições, 100 delas de
capital estrangeiro. Cada negócio movimentou em média US$ 35 milhões que, somados à
receita de US$ 1,5 bilhão com as privatizações, chegaram a US$ 4,7 bilhões nos
primeiros seis meses de 1999. (pág. 1 e 11)
- O comércio no estado do Rio de Janeiro
parou de demitir e alguns setores, como supermercados e lojas de móveis e
eletrodomésticos, já estão começando a contratar novamente. Esses são os principais
resultados da pesquisa IBGE sobre o comércio divulgada ontem. O motivo, segundo
avaliação do instituto, são as recentes fusões entre redes de supermercados, o
acirramento na disputa pelos serviços 24 horas e a entrada no mercado fluminense de
empresas paulistas.
Apesar disso, centenas de desempregados
continuam fazendo fila no Centro do Rio, respondendo a anúncios de agências de emprego.
Na construção civil, 10 mil pessoas já perderam o emprego nos últimos 12 meses. Mas,
para especialistas, o segundo semestre será melhor. (pág. 1 e 15)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
afirmou ontem que o Governo ainda estuda a melhor maneira de manter a instalação da
fábrica da Ford na Bahia, apesar das eventuais restrições que o País poderá ter da
Organização Mundial de Comércio (OMC) e do Mercosul.
"As áreas competentes estão
estudando a melhor maneira de manter a fábrica no Nordeste sem afetar compromissos
internacionais", afirmou o porta-voz da Presidência, Georges Lamazière. "O
Presidente sempre foi favorável à descentralização industrial", completou. (...)
(pág. 2)
- O presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, disse ontem que o
empréstimo para a instalação da fábrica da Ford na Bahia está garantido, mas que não
há planos de elevar o volume destinado ao projeto. Para se instalar em Camaçari (BA), a
Ford receberá um empréstimo do banco no valor de R$ 700 milhões, 30% acima do que
receberia caso se instalasse em Guaíba, no Rio Grande do Sul. (...) (pág. 2)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (julho): R$ 136,00.
Dólar comercial: R$ 1,8182 (compra), R$ 1,8190 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,810
(compra), R$ 1,830 (venda). TR do dia 13/06 a 13/07: 0,2889%. TBF do dia 09/07 a 09/08:
1,4811%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Ventos de guerra" - Os
incidentes na Colômbia ultrapassaram a fase de guerrilha simples e se transformaram em
verdadeira guerra entre as Forças Armadas Revolucionárias (Farc) e o governo. Mais do
que isto, a Colômbia está à beira da ruptura. O caldeirão, herdado do governo
anterior, de Ernesto Samper, está explodindo.
O atual presidente, o conservador Andrés
Pastrana, vencedor da eleição de maio do ano passado, cumpriu a principal promessa de
campanha, de negociar com as Farc, mas entrou nas conversações com boa-fé e inocência.
(...)
O avanço implacável da guerrilha é uma
questão militar também para os vizinhos, especialmente o Brasil que observa o
desenvolvimento da situação com bastante cautela. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - O
Governo federal vem procurando não mergulhar na lógica do profeta do apocalipse no que
se refere aos efeitos do "bug do milênio" mas, por via das dúvidas, o
Ministério da Defesa vai coordenar um plano de ação imediata para corrigir problemas
que possam vir a ocorrer em serviços públicos em função de erros nos programas de
computador que não registrarem corretamente a virada para o ano 2000. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Marcia Carmo Karam) - Uma
pane que deixou mudo os telefones do Ministério da Justiça, em Brasília, ontem à
tarde, levou os funcionários a encontrarem logo um culpado e a afirmarem com ironia:
"Isso é coisa do Pimenta". O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. O
episódio traduz, de certa forma, o clima de disputas que cresce no Governo Fernando
Henrique, enquanto a reforma ministerial não vem. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Crise argentina abala mercados
- A instabilidade econômica e política na
Argentina, cuja bolsa caiu 8,66% ontem, provocou queda de 2,04% na Bovespa e alta de 1,94%
do dólar, que atingiu R$ 1,835 - a maior cotação desde 24 de março.
Além disso, os títulos da dívida externa
brasileira caíram 2,36%, e os juros futuros saltaram para 24,69% ao ano, contra a taxa
básica atual de 21%.
O diretor de Política Monetária do Banco
Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse que o nervosismo do mercado foi
"exagerado" e negou a possibilidade de elevar os juros.
A crise argentina - que, a exemplo da
brasileira em 98, da sul-coreana em 97 e da mexicana em 94, ocorre em ano eleitoral -
ampliou-se devido a rumores de que o país não conseguirá honrar seus compromissos.
Candidatos à Presidência deram a entender que o governo poderá suspender o pagamento de
dívidas. Além disso, cresceram o déficit fiscal e o desemprego - que pode fechar o ano
em cerca de 15%, contra 12,4% em 98. (pág. 1 e cad. Dinheiro)
- A Anatel decidiu não divulgar mais o
balanço diário de sucesso dos interurbanos no País. Segundo a agência, a divulgação
não é mais necessária porque as falhas no sistema terminaram. Mas ontem, ainda foram
registrados problemas em ligações feitas em vários estados, inclusive São Paulo.
Procon, Telefônica, Embratel e Anatel
fazem reunião hoje em São Paulo para discutir o ressarcimento de usuários que foram
prejudicados. (pág. 1 e 3-1)
- O geneticista Francisco Mauro Salzano,
classificou como "medieval" a tentativa do governo gaúcho de proibir o plantio
de soja modificada por engenharia genética. Salzano é o principal homenageado da 51ª
reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que se realiza
em Porto Alegre (RS).
Para o governador Olívio Dutra (PT), os
transgênicos servem a "interesses economicamente poderosos". (pág. 1 e 1-12)
- O representante no Brasil da ONU, o
equatoriano Walter Franco, afirmou ontem que não houve avanço na distribuição de renda
no País, "embora os indicadores de educação e saúde tenham melhorado", de
acordo com a entidade.
Ontem, foi divulgado oficialmente o
relatório de 99 do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que colocou o Brasil em 79º
lugar. O presidente do Ipea, Roberto Martins, criticou a nova metodologia do indicador.
(pág. 1 e 1-9)
- O Brasil caiu do 46º para o 51º lugar
entre os 59 países do ranking de competitividade, a ser divulgado hoje pelo Fórum
Econômico Mundial, na Suíça.
De 97 para 98, o Brasil perdeu dez
posições e ficou atrás de Vietnã e Egito. Está em antepenúltimo, por exemplo, em
porcentagem de trabalhadores com educação secundária. O relatório, porém, não
considera correção cambial e o recuo dos juros brasileiros. (pág. 1 e 2-9)
- O prefeito de Guarulhos, Jovino Cândido
(PV), afirmou que pediu proteção especial para a Secretaria da Segurança Pública por
ter recebido ameaças de morte. Segundo Cândido, pistoleiros receberam R$ 80 mil para
assassiná-lo. Em gravações, o prefeito acusou 19 vereadores de exigir benefícios em
troca do apoio. (pág. 1 e 3-4)
- O governador baiano, César Borges (PFL),
chamou seu colega paulista, Mário Covas (PSDB), de "provinciano e
preconceituoso", devido às críticas do tucano à concessão de incentivos à Ford
na Bahia.
Afilhado político do senador Antonio
Carlos Magalhães (PFL-BA), Borges insinuou que Covas não tem condições de concorrer à
Presidência. "Ele não está nem à altura de ser governador de São Paulo."
O governador paulista afirmou ontem que o
acordo para a instalação da fábrica é "lesivo aos interesses fiscais do
País". Ele disse que os defensores dos seus termos introduzem "preconceito na
discussão".
Covas defendeu a saída de Renan Calheiros
do Ministério da Justiça. Para ele, o ministro contestou a autoridade presidencial na
crise da Polícia Federal. "Não vou bater boca", disse Calheiros. (pág. 1, 1-5
e 1-6)
EDITORIAL
"Tumulto na vizinhança" - Os
mercados financeiros no Brasil voltaram ontem a exibir sinais de desassossego, para usar
uma palavra branda, atribuídos desta vez ao agravamento da crise na Argentina.
É até possível que, em curtíssimo
prazo, as dificuldades no país vizinho possam afetar o sensível mercado financeiro
nacional. Mas não convém superdimensionar ou subestimar os efeitos dos problemas
externos sobre a estabilidade brasileira. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Ao deixar o PMDB à margem das
negociações sobre a reforma ministerial, FHC abalou a unidade do partido. O Presidente
conversou com Padilha (Transportes), mas o ministro nada relatou a Jader Barbalho (PA) e
em seguida saiu de férias.
* Jader foi procurado por Moreira Franco,
assessor de FHC, mas cortou qualquer conversa sobre reforma. Como presidente do PMDB, o
paraense acha que é com ele, e não com o ministro dos Transportes, que o Presidente
deveria conversar.
* De concreto, a reforma ministerial de FHC
apontava ontem na direção da criação da Secretaria de Governo. Nome cotado: Arnaldo
Madeira, que tem conversado muito com outros tucanos sobre o que fazer para acertar a
coordenação política. (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Incerteza na Argentina afeta bolsa e câmbio
- Declarações de Eduardo Duhalde,
candidato governista à presidência argentina, causaram pânico nos investidores e
derrubaram a Bolsa de Buenos Aires, que fechou o pregão de ontem com baixa de 8,66%, na
pior queda desde 13 de janeiro, data da desvalorização do real.
Duhalde afirmou estar disposto a pedir ao
papa João Paulo II que interceda para que a Argentina suspenda, por um ano, o pagamento
de sua dívida externa, cujos títulos terminaram o dia com desvalorização de 1,82%.
Em declínio nas pesquisas, o candidato
inspirou-se em exortação do Papa para que os países ricos perdoassem os débitos dos
países pobres. Diante da reação do mercado, Duhalde recuou e disse que "as
dívidas devem ser pagas".(...)
Ficou comprometido, ainda, o leilão de
Letras do Tesouro Nacional (LTNs), marcado para hoje. Os juros subiram e é grande a
expectativa em relação às taxas que o Governo pagará no leilão, principalmente depois
das declarações ao Estado do diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo, de que, em momentos
de maior tensão, seria normal pagar juro mais alto. (pág. 1, B1, B3 e B8)
- O secretário de Assistência à Saúde,
Renilson Rehem, recomendou ontem que o consumidor espere para adaptar seu contrato de
plano de saúde à lei. Segundo Rehem, a espera, além de cautelosa, dá tempo para o
Ministério da Saúde rever alguns pontos da lei, que estão sendo debatidos com o
Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e o Procon. (pág. 1 e A12)
- O secretário do Tesouro, Fábio Barbosa,
e o diretor do Banco Central Paolo Zaghen negaram ontem ao prefeito Celso Pitta, em
Brasília, a possibilidade de conceder mais de dez anos de prazo de rolagem para R$ 6,1
bilhões em precatórios se o Tribunal de Contas do município não atestar a regularidade
dos títulos. O prefeito queria 30 anos de prazo. (pág. 1 e A11)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
criticou ontem a nova metodologia do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. A
avaliação tirou o Brasil do grupo de países em alto IDH, apesar de ter havido progresso
em vários indicadores, observou FHC por meio de porta-voz. Para ele, o índice
"falseia a comparação". (pág. 1 e A15)
- O governador Mário Covas voltou a
criticar ontem a concessão de incentivos fiscais pela União para a instalação de uma
fábrica da Ford na Bahia e condenou a tentativa de reduzir a questão da guerra de
subsídios à tese de que os paulistas estão contra o Nordeste. Esta é a interpretação
dada pelo senador baiano Antonio Carlos Magalhães, que em entrevista ao Estado no domingo
não poupou a elite paulista.
Ontem, a Fiesp devolveu, argumentando que
ACM só está abrindo essa polêmica para tirar Mário Covas de seu caminho na sucessão
presidencial. As posições do senador baiano também foram duramente criticadas pelo
economista Celso Furtado, criador da Sudene. Ele observou que subsídios seriam concedidos
a uma indústria que, hoje, só desemprega. (pág. 1, A7 a A10)
EDITORIAL
"A primeira vítima é a razão"
- O primeiro e mais poderoso argumento racional para recomendar que não se ressuscite a
lei de incentivos especiais para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste é que isso
comprometeria a estratégia de comércio internacional, política externa e
desenvolvimento. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - A grande dificuldade
do presidente Fernando Henrique em fazer a reforma ministerial está justamente no PSDB. A
pressão tucana em fazer uma reforma ampla é vista como fator fundamental para a boa
sobrevivência do partido.
A posição de seus principais caciques -
como Covas, Tasso e Pimenta da Veiga - em cobrar publicamente uma posição mais
afirmativa do Presidente, nada mais é do que um instinto de preservação da espécie
tucana, para que em breve esta ave bicuda dos trópicos não vire um animal em extinção.
(...) (pág. A7)
O GLOBO
- Crise política argentina derruba mercados na AL
- A incerteza sobre os rumos da Argentina,
que tem eleição presidencial marcada para outubro, derrubou ontem o mercado financeiro
de toda a América Latina. Bastou uma declaração do candidato Eduardo Duahalde -
peronista como o presidente Carlos Menem - dizendo que pretende pedir ao Papa que defenda
a suspensão por um ano do pagamento da dívida dos países que enfrentem problemas
econômicos, para contaminar toda a região.
À declaração de Duahalde se somaram a
informação de que o desemprego deve alcançar 15% da população argentina e os boatos
sobre a queda do ministro Roque Fernández. A bolsa de Buenos Aires fechou com queda de
8,67%.
O peso chileno atingiu sua pior cotação
da história: cada dólar vale agora 519,95 pesos. No Brasil, a Bovespa fechou com queda
de 2,6% e o dólar pulou para R$ 1,84, a pior cotação desde março deste ano.
Os juros nos mercados futuros dispararam,
passando de 21,5% para 24,7% nos contratos do mês de agosto. O impacto da crise argentina
foi tema de duas reuniões do presidente Fernando Henrique Cardoso com toda a equipe
econômica. (pág. 1 e 19 a 21)
- O sistema da Receita Federal não
funcionou no primeiro dia de recadastramento do CPF e entrega da declaração de isentos.
Tanto a página da Internet quanto o ReceitaFone ficaram fora do ar grande parte do dia
por causa de um problema técnico.
Apesar das falhas, nove mil pessoas
conseguiram entregar a declaração à Receita. Cinco mil contribuintes entregaram o
documento em casas lotéricas e quatro mil pela Internet ou pelo telefone. (pág. 1 e 25)
- A possibilidade de novo adiamento da
reforma ministerial gerou tensão no Governo. O ministro Renan Calheiros trocou farpas com
o governador Mário Covas e o líder Arthur Virgílio reclamou do ministro Pimenta da
Veiga, que o desautorizou sobre a data da reforma. (pág. 1 e 3)
- O general Sérgio Ernesto Alves Conforto,
diretor de Formação e Aperfeiçoamento do Exército, é o encarregado do novo inquérito
policial-militar sobre o caso Riocentro. O primeiro inquérito havia sido conduzido por um
oficial de patente inferior, o coronel Job Lorena. (pág. 1 e 11)
- O ministro José Serra chamou de mal
intencionadas e vagabundas as empresas de planos de saúde que deram aumentos abusivos de
preços. O Governo estuda ampliar de dezembro de 99 para 2002 o prazo de migração para
os novos contratos. (pág. 1e 25)
- O presidente do PT carioca, André Braga,
disse ontem que há indícios de fraude em cerca de mil das dez mil novas filiações que
chegaram ao partido semana passada. Segundo Braga, as filiações com sinais de
irregularidade foram feitas pela Articulação, corrente da vice-governadora Benedita da
Silva. Dirigentes da Articulação negam a acusação. (pág. 2 e 4)
- O fazendeiro Darly Alves da Silva,
condenado como mandante do assassinato, em 1989, do líder seringueiro Chico Mendes, já
conquistou o direito ao regime semi-aberto. Há um mês ele tem cerca de oito horas
diárias de liberdade nos dias úteis. Está varrendo ruas e pintando meios-fios para o
governo do Distrito Federal e recebe R$ 277 por mês. (pág. 2 e 9)
- A Embratel pode ser multada hoje em R$ 1
milhão, se não veicular campanha na TV para divulgar o valor de suas tarifas. Ontem,
órgãos de defesa do consumidor moveram uma ação civil pública contra a Telemar e a
Embratel, pedindo o bloqueio de R$ 100 milhões da receita das duas empresas para cobrir
indenizações de consumidores. (pág. 2 e 25)
- A nova alíquota de contribuição
previdenciária dos militares deverá começar a ser cobrada somente em janeiro de 2000. O
Governo quer primeiro, provavelmente em agosto, aprovar a medida provisória que criou o
Ministério da Defesa e aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) das
novas alíquotas do setor público.
Só então pretende levar à votação o
projeto de lei que institui desconto de 6% de contribuição previdenciária dos 516 mil
militares da ativa e da reserva e pensionistas. Somada ao percentual de assistência
social e à saúde, já recolhido pelos militares, a contribuição chegará a 11%. (...)
(pág. 5)
EDITORIAL
"A nota da ONU" - O Brasil teve
desempenho ambíguo no provão deste ano do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento. Por um lado, perdeu o lugar, conquistado no ano passado, no grupo dos
países com alto índice de desenvolvimento. Por outro, constatou-se que, segundo dados de
1997, elevaram-se todos os indicadores econômicos e sociais, em comparação com
levantamento de 1995.
Nada há a celebrar ou lamentar: como houve
mudança importante no peso dado à renda per capita na nota de cada país, a ONU nega
validade a comparações entre os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) de um ano para
outro. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A
adrenalina sobe na Esplanada dos Ministérios. As mudanças esperadas para amanhã podem
ficar para depois. E o que é pior, ninguém recebe uma indicação clara do que
acontecerá. Está de novo em curso um processo decisório típico do presidente Fernando
Henrique, que mesmo não sendo intencional, resulta da fritura impiedosa dos que estão
destinados a deixar de servi-lo. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - A Caixa Econômica
assina hoje, em Salvador, seu primeiro contrato de financiamento para reforma de
condomínios.
Na festa, uma surpresa:
A taxa anual desses empréstimos será
menor que a prevista: juros de 12% ao ano.
* Dias depois de ter ameaçado processar
facções radicais dos sem-terra, o Governo mostra sua face moderada.
Amanhã, o ministro Raul Jugmann ocupará
cadeia de TV ao lado de assentados do Incra.
Vai entregar-lhes os primeiros títulos de
propriedade definitiva de terra da era FH. (pág. 14)
GAZETA MERCANTIL
- Grandes lucros com os papéis de segunda linha
- (São Paulo) - A recuperação da demanda
no mercado externo, em especial no Japão e na Ásia, estimulou a valorização de ações
de empresas do setor de commodities, premiando os fundos de investimento que apostaram
nesse segmento.
De quebra, esses setores ainda se
beneficiaram da desvalorização da moeda brasileira, que tornou mais competitivos os
produtos do País no exterior. "As valorizações de ações de setores cíclicos
duram mais tempo do que costumam durar as altas nos demais setores, além disso, o
crescimento da economia mundial mostra-se cada vez mais certo", disse Patrick
O´Grady, gestor da Pactual Asset Management. (...) (pág. 1 e B-1)
- O Governo vai reduzir os prazos de
pagamento do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) para uma série de
produtos. As mudanças, a serem adotadas tanto para a modalidade financiamento como para a
equalização, valerão também para as vendas externas de pacotes de produtos com prazos
diferentes de pagamento.
O objetivo é aproximar os prazos dos
estabelecidos pelo mercado financeiro e acabar com o chamado Proex sintético - o ganho de
algumas empresas com a diferença entre os prazos oficiais e os de mercado. (...) (pág. 1
e A-6)
- (São Paulo) - O Brasil caiu do 46º para
o 51° lugar no ranking da competitividade que o Fórum Econômico Mundial (WEF) divulga
hoje na Suíça. O relatório analisa a situação de 59 países. (...) (pág. 1 e A-5)
CORREIO BRAZILIENSE
- GDF corta pagamento de 1.500 servidores inativos
- Para voltar a receber proventos, eles
deverão provar que não são fantasmas. (pág. 1 e 2)
- As pessoas que tiveram rendimentos
inferiores a R$ 10.800 no ano passado devem apresentar a Declaração de Isento à Receita
Federal até o dia 15 de outubro. As informações ao Fisco podem ser dadas por meio de
telefone, pela Internet ou em formulário vendido por R$ 0,50 nas casas lotéricas.
Quem não se recadastrar no prazo terá seu
CPF cancelado e não poderá abrir conta em bancos ou comprar a prazo.
* Leliana Maria Rolim Pontes, ex-delegada
da Receita Federal em Brasília, admite que revisou a defesa de empresa investigada pelo
Fisco, mas nega qualquer envolvimento em fraude.
A empresa foi autuada em R$ 114 milhões
por irregularidades fiscais. Leliana foi afastada do cargo no domingo pelo secretário da
Receita, Everardo Maciel. (pág. 1 e 14)
- Aluno da Universidade de Teerã mostra a
camiseta manchada de sangue de um colega espancado pela polícia, durante protesto
estudantil no campus universitário. As forças de segurança iranianas invadiram o campus
ontem à noite. Também atacaram manifestantes que exigiam mais liberdade em outros pontos
da capital, no mais sério desafio ao regime islâmico do Irã.
Mais de 20 jornais do país não
circularão amanhã, em protesto contra o fechamento do diário reformista Salam. (pág. 1
e 4)
- Mesmo com data marcada para começar a
negociar a paz, no dia 20, guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc) e o Exército travaram até domingo sangrentas batalhas, que deixaram mais de 200
mortos em cinco dias. (pág. 1 e 3)
- Uma declaração de Eduardo Duhalde,
candidato à sucessão do presidente Carlos Menem, causou estragos no mercado financeiro
da Argentina -, e, por tabela, no brasileiro. Duhalde disse que pretende pedir apoio ao
Papa para suspender por um ano o pagamento da dívida externa de seu país.
"Se um aliado de Menem pensa em obter
o aval de uma moratória de forma tão populista, é porque a situação financeira da
nação não está nada boa", comentou o diretor de um banco europeu em São Paulo.
(...) (pág. 1 e 15)
- Dados do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) mostram que 11,6% dos eleitores da região Norte não votaram nas últimas três
eleições. São grandes as possibilidades de eles serem eleitores fantasmas, ou seja,
pessoas que já morreram ou se mudaram e continuam cadastradas. No País inteiro há 6,1
milhões de eleitores nesta situação, o que equivale a 5,78% do eleitorado de todo o
País. (...) (pág. 10)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Candidato argentino provoca instabilidade nas bolsas
- As declarações do candidato peronista
argentino Eduardo Duhalde, de suspender o pagamento da dívida externa durante um ano,
provocaram uma queda de 8,67% na bolsa de Buenos Aires e de 2,04% na de São Paulo. (...)
(pág. 1 e 9-A)
- Como a União Européia, o Mercosul é
baseado na normalidade institucional dos seus membros. Sem renunciar à soberania,
concordam em obedecer princípios elementares, como respeito à democracia e direitos
humanos, e se preparam para chegar algum dia à unidade monetária. No Mercosul, a
estabilidade política e econômica é valiosa como patrimônio e precisa ser preservada
apesar das campanhas eleitorais. O candidato peronista, Eduardo Duhalde, disse em
Brasília ao presidente Fernando Henrique Cardoso, no fim do ano passado, que pretendia
aprofundar a integração.
Mas o avanço da oposição o obriga, cada
vez mais, a se distanciar das posições do presidente Carlos Menem. Na ânsia de vitória
chegou a prometer ao eleitorado a suspensão dos pagamentos da dívida externa, com a nada
ortodoxa benção do Papa. Suas declarações causaram forte impacto negativo também no
Brasil. (pág. 1)
ZERO HORA
- Por determinação do presidente Fernando Henrique
Cardoso, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, terá de encontrar até sexta-feira uma
fórmula que possibilite a instalação da fábrica da Ford na Bahia. A principal
dificuldade que a área técnica está encontrando para fechar a proposta de incentivos
fiscais à fábrica da Ford na Bahia é o tratamento a ser dado a dois tributos: a
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Programa de
Integração Social (PIS). (pág. 6)
- A delicada situação da Argentina,
abalada pela desvalorização do real - que afetou suas exportações - e pela disputa
presidencial das eleições de 24 de outubro, ganhou novo fator de intranqüilidade com os
rumores de que o ministro da Economia, Roque Fernández, teria ameaçado deixar o cargo.
(...) (pág. 18)
- Um acordo inédito entre os portos de Rio
Grande e Montevidéu, no Uruguai, permitirá a troca de informações comerciais,
econômicas e operacionais entre os dois países. O interesse da parceria partiu da
direção do porto da capital uruguaia, que pretende seguir o exemplo de desenvolvimento
do porto gaúcho. O documento será assinado durante o seminário Porto do Rio Grande: Os
Desafios da Próxima Década, que ocorrerá amanhã e quinta-feira no Teatro Municipal da
cidade. (pág. 29)
MANCHETES
A TARDE (BA)
- Planos de saúde reajustados em até 400%
CORREIO DA BAHIA
- Presidente quer a Ford na Bahia
HOJE EM DIA (MG)
- Plano de saúde vai mudar
O POPULAR (GO)
- Governo abre caça ao jogo do bicho
O DIA (RJ)
- Prefeitura faz acordo com o tráfico
ZERO HORA (RS)
- Abalo na economia argentina faz dólar
subir no Brasil
TELEJORNAIS
NACIONAL - REDE BRASIL -
18H30
O Brasil cai em 17 posições no ranking de
desenvolvimento humano que avalia a qualidade de vida da população. O relatório das
Nações Unidas atesta avanços em áreas sociais mas a mudança de metodologia acabou
rebaixando o país. Em 1999 foi adotado o princípio de que aumento de rendimento de quem
tem muito vale bem menos do que para quem tem pouco.
O contribuinte que não declarou Imposto de
Renda tem até o dia 15 de outubro para entregar a declaração de isento, que pode ser
feita nas unidades da Receita Federal, pelo site da Receita na Internet ou pelo telefone
0300 78 0300. É preciso estar com o CPF e o Título de Eleitor à mão. A ligação custa
R$ 0,27 o minuto. A declaração pode ser feita também em casas lotéricas, através de
formulários próprios. A Receita calcula que pelo menos 110 milhões de brasileiros não
precisem declarar IR.
A delegada afastada da Receita Federal em
Brasília, Liliana Pontes Vieira, nega envolvimento no esquema de corrupção de fiscais
em Goiânia mas admite ter corrigido o parecer da Receita que multou uma empresa em
Goiás. Os fiscais são acusados de receber propina de empresários. O secretário da
Receita, Everardo Maciel, pediu o afastamento da funcionária mas antes que isso
acontecesse ela própria pediu exoneração.
BANDEIRANTES -
JORNAL DA BAND - 19H30
Vinte e três pessoas desaparecem a cada
hora no Brasil. Para desespero das famílias, apenas sete delas voltam para casa. O
número é de uma pesquisa é do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Seis em cada 10
pessoas que desaparecem são homens e jovens entre 12 e 18 anos. Os organizadores da
pesquisa querem delegacias especializadas em todos os Estados e que elas sejam
interligadas através de um Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas.
No Rio Grande do Norte trabalhadores rurais
protestam contra a política de financiamento agrícola do governo federal. O Grito da
Seca reuniu em Natal oito mil pessoas com o objetivo de chamar a atenção dos políticos
para o abandono da agricultura no nordeste. Os trabalhadores pedem mais recursos para a
região.
GLOBO - JORNAL
NACIONAL - 20H15
Doentes que precisam de cirurgias caras
são vítimas de cobrança indevida dentro do Hospital Evangélico de Vila Velha,
conveniado ao SUS, município da Grande Vitória, no Espírito Santo. O diretor do
hospital, José Carone Júnior, vai abrir uma sindicância para investigar a denúncia mas
diz que se a cobrança existe é feita sem a autorização da diretoria. O médico
denunciado admite que a cobrança é feita e explica que esse é o preço que o paciente
do SUS precisa pagar para ter um atendimento diferente.
O telefone para denúncias de
irregularidades na saúde é 0800 61 1997. O Conselho Federal de Medicina informou que
médicos que cobram indevidamente de pacientes podem ser processados e ter o diploma
cassado. E a pessoa lesada pode entrar na Justiça para ter o dinheiro de volta.
A Bolsa de Buenos Aires despencou nessa
segunda-feira. A queda de 8,6% despertou desconfiança nos países vizinhos. No Brasil a
Bolsa de Valores de São Paulo caiu 3,6%. Os juros subiram no mercado futuro e o real se
desvalorizou. A cotação do dólar fechou em R$ 1,83.
TV! - PRIMEIRA
EDIÇÃO - 20H30
A Embratel e a Telemar poderão ter R$ 100
milhões bloqueados para o pagamento de quem teve prejuízo com a crise nos telefones. O
Procon e a Associação Brasileira do Consumidor entraram com ação cívil pública
contra as duas empresas. A Embratel informou que vai cumprir as decisões da Justiça. Já
a Telemar disse que só irá avaliar o que fazer quando receber oficialmente a
comunicação.
Programa da Caixa Econômica Federal vai
garantir moradia para os sem-teto. O programa de arrendamento residencial é como se fosse
um leasing imobiliário no valor de até R$ 20 mil por apartamento ou casa. A família vai
pagar uma parcela em torno de R$ 120 por mês durante 15 anos. No final do prazo, o
morador se torna dono do imóvel.
As bolsas de valores argentinas despencam.
Um dos motivos para a queda foi a decisão do congresso argentino de adiar o pagamento do
imposto sobre veículos depois que os caminhoneiros fizeram uma greve de três dias. O
adiamento criou uma desconfiança quanto à capacidade do governo Menem de controlar as
contas públicas até as eleições de outubro.
O governo brasileiro anunciou que as
reservas internacionais estão estáveis, com mais de US$ 41 bilhões, e que por isso
acompanhou com tranquilidade os reflexos da crise argentina no mercado brasileiro. Apesar
da alta do dólar que fechou o dia cotado em R$ 1,83 e da queda registrada nas bolsas de
valores do Rio e de São Paulo, o Banco Central não agiu. Um edital deve ser divulgado
para a venda de títulos cambiais nesta terça-feira, como forma de acalmar o mercado.
Denise Campos de Toledo: "Só este
mês o dólar subiu 4,7%. Além das expectativas em relação à Argentina, alguns fatores
já estavam empurrando as cotações para cima. Este mês já havia um desequilíbrio
previsto entre a oferta e a demanda por dólares no mercado. Um dos motivos é que com o
aumento dos impostos, a entrada de investimentos externos de curto prazo diminuiu."
Um esquema de fraude montado por
funcionários da Receita Federal dá um prejuízo de mais de R$ 5 milhões aos cofres
públicos. A delegada Liliana Pontes Vieira, acusada de envolvimento, foi exonerada do
cargo e pode perder o emprego. O funcionário da Receita que conseguiu fugir é o ex-chefe
da fiscalização em Goiânia Antônio Luiz dos Santos.
Seis mil agências lotéricas em todo o
país começam a receber a declaração do Imposto de Renda dos contribuintes isentos que
têm CPF. Este é o segundo ano que os contribuintes isentos com CPF são obrigados a
entregar a declaração de renda. A Receita vai receber as declarações por telefone, via
Internet, nas agências dos Correios e nas casas lotéricas, por um cartão parecido com o
das loterias. O contribuinte isento que não fizer a declaração de 1999 até 30 de
setembro vai ter o CPF suspenso.
O presidente Fernando Henrique não
consegue costurar a reforma ministerial. Está difícil agradar a todos os partidos que
formam a base de apoio do governo. O peemedebista Renan Calheiros aparece em todas as
listas como carta fora do baralho. O Ministério da Justiça iria para o tucano Pimenta da
Veiga, que deve sair do Ministério das Comunicações. Outro tucano, André Mattarazzo,
é nome quase certo para ocupar o Ministério das Comunicações, que deixaria de ser o QG
da articulação política do governo, que voltaria a ser comandada no Gabinete Civil da
Presidência da República. Clóvis Carvalho, cada vez mais criticado pelas lideranças
partidárias, sairia do Gabinete Civil para ocupar apenas uma função administrativa no
Palácio do Planalto.
O anúncio do novo ministério chegou a ser
marcado para quarta-feira, mas diante de tantas indefinições, essa data não é
confirmada pelo Palácio do Planalto. Líderes do PMDB alegam que ainda não foram ouvidos
e que por isso o processo não está tão avançado assim. De qualquer forma, segue firme
a fritura de ministros.
Carlos Chagas: "Da reforma
ministerial, por enquanto, é quase tudo especulação. Menos a saída do ministro Renan
Calheiros, da Justiça. Injustiça, aliás. Porque ele tem sido o melhor dos ministros da
Justiça desde a posse do primeiro mandado do presidente Fernando Henrique. No fundo de
tudo está a briga entre os partidos que, num primeiro momento, querem mais espaço no
governo. Mas num segundo momento, já estão disputando a Presidência da República de
2002."
Villas Boas Corrêa: "O sentido da
reforma ninguém sabe. Seria hora de o governo comparecer perante o público para explicar
se vai ou não fazer reforma ministerial e para quê. O líder do governo, Artur
Virgílio, disse na semana passada que a reforma seria anunciada quarta-feira. Uma reforma
que já tem até data certa para ser anunciada já está mais do que alinhavada. Está na
fase final de acabamento. Já se tem um projeto. De repente o Planalto volta atrás e já
não sabe mais nem se vai haver reforma. E não se sabe porque vai haver reforma. Para
acertar a base do governo não é, porque ela só está desacertando. Para realizar algum
projeto novo também não é porque não se tem notícia desse projeto. Para enxugar o
governo seria reforma administrativa. É uma reforma que até agora não disse a que veio
e não se sabe ao certo se virá. É uma reforma fantasma."
GLOBO - JORNAL DA
GLOBO - 23H40
A Bolsa de Buenos Aires caiu 8,7%. Foi a
maior queda do ano desde 13 de janeiro, dia da desvalorização do real. O presidente
Carlos Menem tentou minimizar o problema dizendo que a Argentina não é uma ilha e que
está sofrendo o impacto das crises vividas pelos países vizinhos. O nervosismo no
mercado começou por causa de uma entrevista ao jornal Clarín, de Buenos Aires, do
candidato à presidência pelo partido de Menem, Eduardo Duhalde. Ele disse que vai pedir
ao Papa a suspensão por um ano do pagamento das dívidas externas dos países em crise,
como a Argentina. A dívida argentina está em US$ 140 bilhões e Duhalde é o segundo
colocado nas pesquisas de intenção de voto. A declaração derrubou a bolsa.
O mercado brasileiro sofreu e muito por
causa do nervosismo da Argentina. As bolsas caíram 2% em São Paulo e 2,2% no Rio. O
dólar subiu 1,7%, para R$ 1,83. Desde 24 de março que o dólar não estava tão caro. Os
juros no mercado onde os corajosos fazem apostas sobre o futuro também mostraram nítida
tendência ou expectativa de alta. As taxas projetadas para agosto subiram de 21,9% para
24,7%. Assim como o real em relação ao dólar, os Cibons, principais títulos da dívida
externa brasileira também não valiam tão pouco no exterior desde 24 de março. Foram
negociados por apenas 60,9% do seu valor original.
Uma lei estadual recente restringe as
compras em outros Estados de empresas paulistas que faturam muito pouco. As chamadas
pequenas e micros. A medida beneficia a arrecadação de são Paulo mas gera protestos em
outros Estados. No Paraná, quem fabrica móveis sofre com a queda nas encomendas e volta
a falar em demissões. Os comerciantes de São Paulo são os segundos maiores compradores
dos móveis produzidos em Arapongas (PR). Os representantes dos lojistas do Estado de São
Paulo estão entrando com ação direta de inconstitucionalidade contra a nova lei. A
restrição só se aplica às empresas que se beneficiam do SIMPLES, o sistema
simplificado de pagamento de impostos.
Mais um problema nos contratos do Sistema
Financeiro de Habitação. Agora é o seguro embutido no valor da prestação. Em vez de
fazer pesquisa de mercado e escolher a seguradora mais barata, a Caixa Econômica Federal
tem contrato de exclusividade com a Sassi, empresa privada ligada à Caixa. O monopólio
deixa o mutuário sem alternativa. Segundo o Procon de Belo Horizonte, o que a Caixa faz
é venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Ninguém deve aceitar aumentos considerados
abusivos nas mensalidades dos planos de saúde na hora de mudar os contratos, de acordo
com a nova lei. O IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor de São Paulo confirma que as
empresas de planos de seguro de saúde estão pressionando os segurados a assinar novos
contratos. O pretexto é que dia 2 de dezembro acaba o prazo dado pelo governo para a
adaptação às novas regras. O ministro José Serra disse que o consumidor que optar por
um plano mais completo não deve se sujeitar a aumentos abusivos. Se isso acontecer, ele
deve procurar um órgão de defesa do consumidor ou o próprio ministério através do
disque-saúde: 0800 61 1997.
O Brasil, de acordo com o relatório da ONU
sobre qualidade de vida, melhorou em educação, saúde e renda entre 1995 e 1997
melhorou. Mas por causa dos novos critérios adotados pela ONU, o país foi rebaixado do
grupo de nações de alto desenvolvimento para as de médio desenvolvimento.
Arnaldo Jabor: A análise da ONU sobre
economia global é correta mas é inútil, porque a própria ONU está antiga. A ONU não
manda mais em nada, está virando um castelo de palavras vazias. Estamos marchando para
uma economia sem nações. A verdadeira dona do mundo é cada vez mais a América
corporativa e seus sócios. Estão querendo reescrever no escuro a continuação do acordo
multilateral para investimentos, um tratado que quer proibir qualquer limite dos governos
nacionais às companhias do mundo, acabando com a velha idéia de países soberanos. É
exatamente o contrário do que a ONU quer. Mas o mercado não tem ouvido. E o mundo está
sendo dividido entre consumidores de um lado e famintos de outro. Ninguém sabe o que
fazer. Nossa única esperança é que uma crise detenha essa arrogância no capitalistmo
de fim de século. Se não, a ONU do futuro vai se chamar OCU - Organização das
Corporações Unidas.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |