
15/01/1999
JORNAL DO BRASIL
- Itamar aumenta a aposta contra FH
- O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, mostrou ontem
disposição de acirrar o confronto com o presidente Fernando Henrique Cardoso, iniciado
com a moratória da dívida estadual. Cumprindo determinação de Itamar, o secretário de
Fazenda, Alexandre Dupeyrat, condicionou o pagamento da parcela de US$ 108 milhões dos
eurobônus emitidos pelo estado à liberação de recursos federais. "Se houver um
deliberado propósito de estrangular o estado financeiramente, aí tudo vai se tornar
inviável", ameaçou Dupeyrat.
Ao discursar na assembléia geral da Cemig, Itamar afirmou que a
empresa não será privatizada. O governador anunciou ter criado uma comissão para rever
a venda de 33% do capital votante da estatal a empresas privadas. Itamar prometeu também
lutar contra a privatização de Furnas. No Rio, o governador Anthony Garotinho disse que
está na hora de "sair do campo das palavras e entrar no campo das ações" e
encarar a questão da dívida dos estados "como um fato político, e não mais
econômico". (pág. 1, 3 e 24)
- O nervosismo imperou no mercado financeiro no segundo dia de
vigência da nova política cambial. As saídas de dólares beiraram US$ 1,8 bilhão. A
Bolsa de Valores de São Paulo voltou a cair 10%, teve o pregão interrompido e fechou em
- 9,96%. Foi a maior queda desde 10 de setembro, no auge da crise russa. As taxas de juros
bateram em 50% no mercado futuro. O pessimismo piorou com o rebaixamento do Brasil pela
agência de classificação de risco Standard _& Poor's.
A dívida brasileira tem agora a mesma classificação de países como
Venezuela, República Dominicana e Cazaquistão. Os títulos da dívida no mercado externo
desabaram. O pedido de demissão do diretor de Normas do Banco Central, Claudio Mauch, e
boatos de dificuldades de instituições financeiras também colaboraram para o aumento do
nervosismo. O ex-ministro argentino Domingo Cavallo criticou as medidas adotadas pelo
Governo. (pág. 1 e 13 a 17)
- O Brasil corre o risco de não cumprir a meta acertada com o Fundo
Monetário Internacional (FMI) de gerar US$ 20 bilhões com recursos de privatizações
este ano. O problema, segundo o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, é a dificuldade para encaminhar um acordo
sobre a forma de privatizar as empresas geradoras de energia elétrica.
Segundo ele, mesmo que as dúvidas se resolvam agora, as
privatizações nessa área só se efetivariam no final do ano, já que o processo de
cisão das empresas é lento e depende de assembléias de acionistas.
Em entrevista ao "Jornal do Brasil", Pio Borges disse que uma
de suas prioridades na presidência do banco é financiar a reestruturação de vários
setores que precisam ganhar economia de escala para se tornarem competitivos. Entre eles
estão siderurgia, petroquímica, papel e celulose, atividades comerciais em geral e
mineração. (pág. 1 e 19)
- O projeto que cria a contribuição previdenciária para servidores
inativos e pensionistas da União será votado na próxima semana por decisão dos
líderes do Governo. O texto prevê isenção para quem ganha até R$ 600, para quem tem
mais de 70 anos e para aposentados por invalidez que ganham ate R$ 3.000,00. (pág. 1 e 2)
- O Ministério da Saúde está estudando uma alteração na nova lei
sobre empresas de saúde para impedir que as seguradoras comercializem planos de saúde.
Segundo o ministro José Serra, as seguradoras são arrogantes e cometem "crueldade
social" quando elevam mensalidades de clientes com mais de 60 anos de idade. (pág. 1
e 18)
- Os empregados demitidos pela Ford ganharam um aliado de peso na
campanha para fazer a empresa recuar da decisão: o presidente do Congresso, senador
Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), pediu ao presidente Fernando Henrique uma reunião
para tratar da solução do problema. A informação é do deputado Jair Meneguelli
(PT-SP), integrante da comissão da Câmara encarregada de acompanhar a crise da Ford. Os
metalúrgicos defendem isenção de IPI para os carros como forma de aumentar as vendas e
evitar demissões no setor automotivo. (pág. 1 e 18)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso desistiu de voltar para a
Praia do Saco, em Sergipe, mas não abriu mão de descansar até domingo. Depois de ter as
suas férias interrompidas, na quarta-feira, pela fuga de dólares do País e pela
demissão do presidente do Banco Central, Gustavo Franco, o Presidente foi de helicóptero
ontem à tarde, para a sua fazenda em Buritis (MG), a 180 quilômetros de Brasília.
Segundo assessores, Fernando Henrique continua aparentando muito cansaço, e não viu
razão para abrir mão do descanso previsto para esta semana. (...) (pág. 4)
- (São Paulo) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da
Silva, aconselhou ontem o presidente Fernando Henrique a promover um debate nacional sobre
a crise econômica para evitar que o País caia de vez no caos que o ameaça.
"Fernando Henrique parace mais preocupado com os credores internacionais do que com o
Brasil e com os brasileiros", disse Lula, em entrevista à imprensa, depois de três
horas de reunião com dirigentes e economistas de seu partido.
Afirmando que o presidente da República não tem moral para culpar o
governador Itamar Franco, de Minas Gerais, por não ter pago uma dívida de US$ 80
milhões, enquanto o País já perdeu US$ 4 bilhões nos primeiros dias do ano. Lula
comparou Fernando Henrique ao ex-presidente da antiga União Soviética Mikhail Gorbachev,
"que em apenas sete anos conseguiu destruir a segunda potência do mundo".
Fernando Henrique, prevê Lula, "corre o risco de ser responsável de ter quebrado a
oitava economia mundial". (...) (pág. 3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (janeiro): R$ 130,00. Dólar
comercial: R$ 1,3186 (compra), R$ 1,3194 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,300 (compra), R$
1,330 (venda). Dólar turismo (Banco do Brasil - compra): R$ 1,24 (Banco do Brasil -
venda): R$ 1,35. TR do dia 15/12 a 15/01: 0,6765%. TBF do dia 13/01 a 13/02: 2,4309%.
(pág. 1)
EDITORIAL
"Urgência urgentíssima" - A desvalorização do real
não deixou o Brasil e os brasileiros apenas mais pobres. A medida impõe nova realidade e
exige esforço redobrado dos setores da economia e da vida pública para promover urgente
reestruturação do arcabouço institucional, político e empresarial. (...)
O Governo precisará de muita habilidade política e
paciência para recuperar a credibilidade internacional do Brasil. (...) (pág. 10)
COLUNAS
(Coisas da Política - Rosângela Bittar) - Tendo
assumido o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio em condições
politicamente desfavoráveis por razões mais do que conhecidas, o ministro Celso Lafer,
depois de duas semanas em ação, dá sinais de que conhece seus detratores do início,
sabe o que quer agora, para onde vai, e que tipo de salto lhe está sendo exigido para dar
a volta por cima. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Marcia Carmo) - Um dia depois da pior crise do Governo de
FH, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, era considerado um homem forte por seus aliados do
PFL, e um homem só por seus poderosos inimigos do próprio Governo.
Mas, apesar das boatarias sobre a sua queda, a convicção nos
principais gabinetes de Brasília é de que o ministro permanecerá no comando da
economia. Mesmo os que não são muito simpáticos a ele reconhecem que Malan é
"responsável" e "muito sério". Portanto, não abandonaria o barco.
Pelo menos por enquanto. (...) (pág. 6)
FOLHA
DE SÃO PAULO
- Brasil perde mais US$ 1,7 bi
- O País perdeu US$ 1,717 bilhão ontem, até as 20h15, um dia depois
do anúncio da desvalorização de 8,26% do real. Desde então, já saíram US$ 2,8
bilhões, um sinal de que os investidores não apostam no sucesso da mudança cambial. O
Banco Central atuou, vendendo dólares a R$ 1,32 - novo teto para a flutuação da moeda
norte-americana.
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em baixa de 9,96%. Chegou a
cair mais de 10%, acionando o "circuit breaker", que interrompe o pregão, pelo
segundo dia consecutivo. No início do dia, tentando aproveitar o otimismo depois da
aprovação de medidas do ajuste fiscal, o BNDES e fundos de pensão compraram ações, a
pedido do Governo, para elevar os preços, e a Bovespa chegou a registrar alta de 4,27%.
(pág. 1 e cad. Dinheiro)
- Mas rumores de que o câmbio poderia ser liberado pelo Governo
voltaram a deprimir o mercado. Essas especulações ajudaram a Bolsa de Nova York a recuar
2,45%. O novo presidente do Banco Central, Francisco Lopes, disse que os rumores são
"absolutamente improcedentes e inverídicos".
Contribuiu para o nervosismo do mercado o anúncio da saída do diretor
de Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch. Ele negou que sua demissão tenha
ocorrido em razão de prejuízos de bancos com a desvalorização do real.
O presidente Fernando Henrique Cardoso retomou seu descanso, suspenso
anteontem devido à crise. Ele viajou para sua fazenda, em Buritis (MG). Para seu porta-
voz, Sergio Amaral, "não há razão para não fazer a viagem". (pág. 1 e cad.
Dinheiro)
- O historiador e crítico Nelson Werneck Sodré morreu anteontem, em
Itu (SP), após sofrer falência múltipla de órgãos. Entre seus mais de 40 livros,
está "História Militar do Brasil". (pág. 1 e 4-11)
- O FMI admite que poderá rever as metas acertadas com o Brasil para a
liberação do pacote de ajuda de US$ 41,5 bilhões ao País. Segundo integrantes da
entidade, a revisão será necessária porque a maioria das metas foi fixada em dólar.
Investidores estrangeiros foram aconselhados a reduzir sua presença no
mercado brasileiro. A corretora Merril Lynch recomendou a clientes a venda de títulos de
dívida brasileira. Já a agência de classificação de risco Standard _& Poor's
rebaixou as notas da dívida do Governo federal. (pág. 2-1 e 2- 8)
- Nova proposta para a contribuição previdenciária de servidores,
considerada pelo Planalto fundamental para o ajuste fiscal, prevê cobrança escalonada.
Os inativos que ganham até R$ 600 terão isenção. Haverá alíquota de 11% para a faixa
de R$ 601 a R$ 1.200, de 20% para a faixa de R$ 1.201 a R$ 2.500 e de 25% para o que
exceder R$ 2.500. O Governo, que foi derrotado na Câmara nas quatro vezes em que tentou
aprovar a cobrança, quer votar o projeto neste mês. Para Inocêncio Oliveira (PFL-PE),
"a crise vai ajudar na votação". (pág. 1- 5)
- A Receita Federal arrecadou R$ 133,143 bilhões em 1998. O volume,
que inclui as receitas de R$ 11,1 bilhões procedentes da venda do sistema Telebrás, foi
recorde para o País.
Em comparação com 1997, o crescimento real da arrecadação foi de
13,85%. Desconsiderando os recursos da privatização em ambos os períodos, o aumento foi
de 5,98%. "Esse crescimento é uma coisa espetacular, já que não tivemos um aumento
significativo da atividade econômica no período", afirmou o secretário da Receita,
Everardo Maciel. (...) (pág. 1-4)
- O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA), disse ontem que a cobrança previdenciária dos servidores inativos "tem
que ser aprovada de qualquer maneira". Para ele, o Governo deve definir com calma o
momento certo de apresentar o projeto para não correr o risco de a proposta ser rejeitada
de novo.
"Esse projeto é indispensável até para a sobrevivência da
própria previdência", afirmou o senador.
De acordo com ACM, o risco de fuga em massa de capital criou um clima
positivo para a votação do ajuste fiscal no Congresso. (...) (pág. 1- 5)
- A alta das taxas de juros fez o déficit nominal do setor público
subir para 8,42% do PIB (Produto Interno Bruto, total dos bens e serviços produzidos no
País) nos 12 meses encerrados em outubro.
Esse déficit significa que no período entre novembro de 1997 e
outubro de 1998, os gastos da União, dos estados, dos municípios e das empresas estatais
superaram as receitas em R$ 75,729 bilhões. Em setembro, o déficit estava em 8,33% do
PIB.
O resultado de outubro está acima da meta do acordo com o FMI (Fundo
Monetário Internacional) para o fim do ano, que impõe um teto de R$ 72,879 bilhões.
(...) (pág. 1-4)
- A Câmara dos Deputados deverá votar na próxima semana a
prorrogação da medida que fixa os vencimentos dos parlamentares em R$ 8.000 e permite o
pagamento de até 19 salários por ano, quando há duas convocações extraordinárias.
Sem a prorrogação, os parlamentares que tomam posse no dia 1º de
fevereiro, quando se inicia a próxima legislatura, ficariam sem salário, porque ainda
não foi aprovado o projeto que fixará o teto salarial do serviço público.
A única mudança no texto que está em vigor será a referência ao
IPC (Instituto de Previdência dos Congressistas). Como o IPC foi extinto, o novo projeto
vai remeter à lei que trata do novo sistema de Previdência dos parlamentares. (...)
(pág. 1-5)
EDITORIAL
"Confusão e pânico" - O dia seguinte da mudança no
regime cambial não desanuvia em nada o horizonte brasileiro. Ontem, as bolsas do País
ensaiaram pela manhã uma recuperação, mas cederam depois, a ponto de novamente se
interromperem os pregões. O caldo da boataria foi engrossado pelas mais disparatadas
hipóteses de novas mudanças nas regras da política econômica. A batalha de
expectativas mal começou, mas começou mal. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - FHC avalia que, se o Congresso votar tudo
do ajuste que está previsto, não muda nada externamente. Mas, se deixar de votar apenas
uma das medidas, será um desastre. É preciso algo mais para reverter a expectativa:
aprovar logo a cobrança da contribuição dos inativos da União.
Animado com a resposta dada anteontem pelo Congresso, FHC decidiu jogar
todas as fichas para tentar votar a cobrança da contribuição dos inativos já na
próxima semana. "É matar ou morrer, vamos votar e o Congresso vai aprovar",
disse o Presidente a um líder partidário. (pág. 1-4)
O
ESTADO DE SÃO PAULO
- Mercado reage mal à mudança no Brasil
- Pelo segundo dia consecutivo, os mercados mundiais operaram em baixa
por causa das mudanças na política cambial brasileira que culminaram com a queda do
presidente do Banco Central, Gustavo Franco, substituído anteontem por Francisco Lopes.
Ontem, o BC sofreu nova baixa: o diretor de Fiscalização da instituição, Cláudio
Mauch, anunciou que está deixando o cargo, mas por motivos "estritamente
pessoais".
Tomada um dia depois da tumultuada saída de Franco, a decisão de
Mauch causou novas turbulências. A Bolsa de Valores de São Paulo, que abriu o pregão em
alta, chegando a subir 4,27%, caiu em seguida e fechou com desvalorização de 9,98%. Em
Nova York, o Índice Dow Jones perdeu todo o ganho obtido desde o início do ano e
encerrou o dia em queda de 2,45%, puxada por ações de bancos e empresas com
investimentos na América Latina, como a Kodak.
Os analistas brasileiros estão muito céticos quanto à possibilidade
de o BC conseguir sustentar a cotação do dólar em R$ 1,32. Novas desvalorizações da
moeda são vistas como inevitáveis. O fluxo cambial voltou a ficar negativo em pouco mais
de US$ 1 bilhão até as 19 horas de ontem.
Os reflexos negativos para o País das mudanças no sistema cambial
aumentaram com o anúncio do rebaixamento da dívida soberana do Brasil por uma das mais
importantes agências de classificação de risco, a Standard _& Poor's. (pág. 1, B1
e B4)
- Uma manifestação com mais de 2 mil pessoas reuniu ontem
representantes de 47 sindicatos de produtores e trabalhadores rurais e habitantes de
Antônio João, a 316 quilômetros de Campo Grande (MS), em protesto contra os
guaranis-caiovás. Há duas semanas, 250 índios invadiram uma fazenda e transformaram o
local em investidas contra lojas e residências do município. Eles reivindicam uma área
de 25 mil hectares, na linha da fronteira entre Antônio João e Pedro Juan Caballero, no
Paraguai, alegando que construirão ali uma nova nação para seu povo, tomada pelos
brancos desde o descobrimento do Brasil. (pág. 1 e A10)
- (Washington) - A equipe econômica do Governo Fernando Henrique
Cardoso perdeu credibilidade em Washington não apenas pela decisão inesperada de
acelerar a desvalorização do real, depois de ter garantido que a medida estava afastada,
mas pela maneira com que agiu, sem consultar previamente seus interlocutores no
Departamento do Tesouro dos EUA e no Fundo Monetário Internacional (FMI). A frustração
é maior por parte dos diretores do FMI e economistas americanos que puseram sua
reputação em jogo, em 98, quando apoiaram o acordo entre o Brasil e o Fundo com um
crédito de US$ 41,5 bilhões. Eles esperavam ser consultados e cobram agora ações
firmes do Governo FHC. (pág. 1 e B6)
- Revendedoras de automóveis receberam ontem consultas de grande
número de pessoas que tinham comprado veículos a prestações corrigidas pela cotação
do dólar e agora procuram alterar seu contrato ou antecipar o pagamento. Com a
desvalorização do real, cada parcela fica 9% mais cara. Entre os clientes,
principalmente de lojas de carros importados, existe preocupação quanto à possibilidade
de a moeda brasileira sofrer novas depreciações.
O Banco GM decidiu suspender todas as linhas de financiamento, mesmo em
reais, para estudar se altera os juros. As operações com leasing atreladas à variação
cambial já estavam paralisadas nos bancos Fiat e Volkswagen desde a fase mais aguda da
crise internacional de 98. (pág. 1 e B14)
- A Frente Nacional de prefeitos quer incluir a rolagem das dívidas
dos municípios na pauta do movimento pela renegociação dos débitos dos estados com a
União. Cerca de 12 prefeitos de capitais e de outras cidades grandes do País que apóiam
a posição do governador de Minas, Itamar Franco, participarão da reunião de
governadores de oposição, segunda-feira, em Belo Horizonte.
O prefeito de Betim, Jésus Lima (PT), desafiou: "A moratória
desencadeou um processo de ressurreição dos municípios". A estratégia de
pressões das prefeituras será intensificada hoje, na reunião entre sete secretários
estaduais da Fazenda, em Porto Alegre.
O vice-governador de Minas, Newton Cardoso, disse que a primeira
parcela da dívida do estado, que vence dia 10, será paga. O governador Itamar Franco
esteve na Cemig e garantiu que a empresa não será privatizada. (pág. 1 e A4)
EDITORIAL
"O 'efeito Itamar' e o Joaquim certo" -
São cada vez mais fundados os temores de que o desatino praticado pelo governador Itamar
Franco esteja incubando um desastre cuja extensão não há quem possa antecipar: o ataque
ao real. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - O presidente da Fiesp,
Horácio Lafer Piva, conta com a ajuda de amigos para marcar uma audiência com FHC. Um
dos intermediários é o deputado Fábio Feldman. Por enquanto, a alegação é de que o
Presidente está "esgotado".
O senador e empresário Pedro Piva (PSDB-SP) considera suficiente a
mexida no câmbio promovida pelo Governo e diz que a crise de confiança que vive o Brasil
só será sanada se o ajuste fiscal for para valer.
Mas o ajuste, salienta, implica também na aprovação da reforma
tributária. O senador lembra que, com a votação das últimas medidas provisórias com
aumento de imposto, a carga tributária brasileira corresponde a 32% do PIB. Ou seja, mais
de R$ 330 bilhões da economia brasileira vêm de impostos. (pág. A6)
O
GLOBO
- Mercado testa o governo e fuga de dólares aumenta
- Um dia após a desvalorização do real, o mercado brasileiro teve
ontem um dos seus piores dias de tensão e oscilação. O clima de otimismo da abertura
dos negócios - quando a bolsa chegou a registrar alta e o dólar ficou abaixo do limite
da banda cambial - deu lugar a uma queda-de-braço entre o Banco Central e o mercado.
"Estamos no meio de um jogo de pôquer", definiu um membro do Governo.
O rebaixamento dos títulos externos brasileiros por uma agência de
classificação de risco, o anúncio do pedido de demissão do diretor de Fiscalização
do BC e uma onda de rumores vindos do exterior sobre novas mudanças no câmbio provocaram
a derrubada das bolsas, que pelo segundo dia consecutivo interromperam os pregões. (...)
Os líderes governistas no Congresso vão aproveitar a crise para
consolidar o ajuste fiscal: eles decidiram votar na quarta-feira o novo projeto de
cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos. (pág. 1, 3 e 21 a
26)
- O deputado Robson Tuma, relator da comissão que apura a morte da
deputada Ceci Cunha, pedirá que só a PF investigue o caso. Ontem o deputado Talvane
Albuquerque, suspeito da morte, se recusou a ser acareado com o pistoleiro "Chapéu
de Couro". (pág. 1 e 9)
- Os juros altos voltaram a provocar estragos nas contas públicas. O
gasto de R$ 52 bilhões até outubro fez com que em dez meses o déficit nominal
consolidado chegasse a 7,45% do PIB. Cálculos do mercado financeiro mostram que em 12
meses o déficit nominal atingiu o índice recorde de 8,39% do PIB, contra os 8,3% de
setembro. A dívida líquida total do setor público atingiu 40,9% do PIB. (pág. 2 e 27)
- Com base em levantamento da bancada do PT na Câmara dos Vereadores,
o Ministério Público entrou com uma ação civil pública contra a prefeitura do Rio,
alegando que o município não investiu o que está declarado na prestação de contas. A
prefeitura terá que explicar à Justiça as contas do ano de 97, nas quais acusa despesas
com educação no valor de quase 36% de suas receitas. (pág. 2 e 15)
- O Governo federal deve conseguir pouco mais de R$ 100 milhões, hoje,
no leilão das empresas-espelho que vão competir com a Embratel e a Tele Norte Leste,
"holding" que inclui a Telerj. A abertura das propostas financeiras será feita
às 10h, na Bolsa do Rio. A Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações - confirmou
que a Fixcel SA está fora da disputa da Tele Norte Leste. (pág. 2 e 31)
- Dados preliminares do Ministério da Saúde mostram uma variação de
até 300% no preço de planos de saúde oferecidos por seguradoras, empresas de medicina
de grupo e cooperativas médicas. O levantamento foi feito com base na apresentação dos
pedidos das empresas para o registro provisório, que desde 4 de janeiro se tornou
necessário para a venda de novos produtos. (pág. 2 e 32)
- Os hospitais públicos serão obrigados a comprar remédios com
embalagens que apresentem o nome genérico da substância. A medida foi anunciada ontem,
em Brasília, pelo ministro da Saúde, José Serra. Segundo ele, está comprovado que os
remédios com o nome genérico (o do princípio ativo do medicamento) saem 40% mais
baratos do que os vendidos pelo nome de fantasia. (pág. 2 e 16)
- O ex-prefeito Cesar Maia está de volta à política e disposto a
assumir o comando do PFL do Rio para garantir sua candidatura a prefeito em 2000. Pela
primeira vez desde a derrota do ano passado para o governador Anthony Garotinho. Cesar
admitiu ontem se candidatar à sucessão do prefeito Luiz Paulo Conde (PFL). Para Cesar, o
PFL escolherá entre ele, Conde ou até um terceiro nome, dependendo da conjuntura
política de 2000. (...) (pág. 4)
- O Governo publicou ontem no "Diário Oficial" da União
medida provisória mudando a data de pagamento dos servidores públicos ativos e inativos.
O salário deixa de ser pago no dia 25 de cada mês e passa a ser pago integralmente, até
o quinto dia útil do mês seguinte. A mudança passa a valer já para o pagamento de
janeiro - o que significa que a apenas 11 dias antes do pagamento os servidores ficam
sabendo que não poderão pagar os compromissos assumidos para o fim do mês. A mudança
de datas vale tanto para os servidores federais civis da administração direta e indireta
quanto para os militares. (...) (pág. 4)
EDITORIAL
"Defesa da Moeda" - Sem apoio no câmbio, o Brasil jamais
teria conseguido debelar o processo de inflação crônica e aguda que infernizava a vida
da grande maioria da população do País e fazia com que o resto do mundo nos olhasse
como uma economia de segunda classe.
A estabilidade monetária revelou a enorme
potencialidade do mercado brasileiro, mas também retirou os tapumes que escondiam as
deficiências estruturais e as mazelas do País, entre às quais o forte desequilíbrio
nas contas públicas. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - João Domingos) - O
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio deverá transformar-se mesmo no
principal ponto de apoio do Governo na busca do crescimento. Na quarta-feira, ainda sob o
impacto da crise provocada pela saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central
e pela desvalorização do real, Celso Lafer reuniu-se com os principais líderes tucanos
para pedir apoio à sua atuação, que pretende marcar pela ousadia. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Lula avisou a Itamar Franco, ontem, que não irá a
Belo Horizonte, dia 18, para o ato em solidariedade à moratoria mineira. O líder petista
explicou que viajará para Cuba, na véspera, a convite de Fidel Castro. Talvez mande um
telegrama.
Nem era preciso juntar 16 governadores, em São Luís, para manifestar
solidariedade ao presidente da República. Bastava um - o paulista Mário Covas. Da
dívida total dos estados presentes à reunião, São Paulo, sozinho, é dono de 85%.
(pág. 14)
CORREIO
BRAZILIENSE
- OLÍVIO DUTRA VAI AO STF PARA NÃO PAGAR DÍVIDA
- O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, encontrou uma
fórmula inédita para tentar deixar de pagar a dívida do estado com a União sem
declarar moratória, como fez Itamar Franco, de Minas Gerais. Dutra encaminhou uma
proposta de renegociação da dívida ao Supremo Tribunal Federal, não ao Palácio do
Planalto.
Propôs uma "ação cautelar de caução": o estado deposita
em juízo o valor da parcela que vence hoje e vai discutir na Justiça o cumprimento do
acordo assinado pelo governador anterior, Antônio Britto, com o Governo federal.
O ministro Carlos Velloso, do STF, autorizou o depósito - o que abre
um precedente para outros governadores que reclamam das condições de pagamento das
dívidas estaduais. A manobra de Dutra é mais uma notícia ruim para o presidente
Fernando Henrique e sua equipe econômica, que tiveram ontem um dia cheio delas. (...)
(pág. 1 a 14)
- Na luta para não perder o emprego, os 8.700 metalúrgicos da General
Motors (GM) em São Caetano do Sul (SP) admitem até ganhar menos. E foi o próprio
sindicato dos trabalhadores que se antecipou à intenção da fábrica de cortar pessoal e
apresentou a proposta. (...) (pág. 1 e 15)
- O deputado republicano Henry Hyde admitiu que pretende convocar o
presidente norte-americano Bill Clinton para responder às acusações sobre o escândalo
sexual que deram origem ao processo de impeachment. O anúncio foi feito no primeiro dia
de julgamento político de Clinton. "Estamos todos interessados em ouvir o que o
presidente tem a dizer", disse Hyde, que lidera o grupo de 13 republicanos
encarregados de acusar Clinton no Senado. (pág. 1 e 10)
- A crise se tornou o combustível do Congresso Nacional. Depois de
obter com facilidade os votos para a aprovação de quatro medidas provisórias na noite
de quarta-feira, os líderes dos partidos governistas decidiram pagar para ver. Pretendem
votar ainda em janeiro, durante a convocação extraordinária, a polêmica proposta que
cria a contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas do serviço público.
(...) (pág. 5)
- O encontro foi rápido - pouco mais de 15 minutos - mas o governador
Joaquim Roriz (PMDB-DF) conseguiu do presidente Fernando Henrique Cardoso o aval para
negociar com o Ministério da Fazenda um prazo para amortização da dívida do governo do
Distrito Federal, calculada em R$ 974 milhões. (...) (pág. 8)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- Brasil perde mais US$ 1,6 bilhão
- Todos os números da economia brasileira - os chamados
"indicadores" - despencaram ontem pelo terceiro dia: as bolsas apresentaram
perdas de 9,96% (São Paulo) e 9,03% (Rio), enquanto os C-Bonds (os papéis da dívida
brasileira) se desvalorizaram ainda mais e já são cotados pela metade do seu valor de
face. A fuga de dólares - remetidos principalmente por empresas multinacionais - chegou a
US$ 1,6 bilhão reduzindo ainda mais as reservas nacionais, que podem cair abaixo dos US$
40 bilhões, já incluindo o empréstimo do FMI. (...) (pág. 1, 3, 4, 9, 10 e 11)
- Maurício Guedes ou Maurício Gomes Novaes, o famoso pistoleiro
"Chapéu de Couro", entrou ontem na Câmara dos Deputados como um verdadeiro
chefe de Estado. Cerca de 50 seguranças da Casa, além de agentes da Polícia Federal -
que o escoltaram em três carros - mantiveram-no em segurança, guardado numa sala nas
proximidades do Espaço Cultural da Câmara, longe de curiosos e da imprensa. Motivo: iria
depor contra o deputado Talvane Albuquerque (sem partido) na Comissão de Sindicância da
Câmara que investiga se houve falta de decoro parlamentar na morte da deputada Ceci Gomes
(PSDB-AL), assassinada em Maceió, no dia 16 de dezembro último (...) (pág. 1 e 2)
ZERO
HORA
- O aviso foi dado ontem pelo presidente argentino
Carlos Menen, ao rebater as suspeitas de que seu governo poderá finalmente desfazer-se do
câmbio fixo em que um peso vale US$ 1 desde abril de 1991.
"Não vamos desvalorizar", afirmou Menem. Em declarações à
imprensa, Menem disse que até agora não consegue entender a moratória do governador
Itamar Franco e que essa atitude "atinge os interesses do Brasil". Na
quarta-feira, a Bolsa de Buenos Aires despencou 10,23%. Ontem, teve queda de 4,36%. (pág.
14)
- O governo gaúcho obteve ontem à noite uma liminar no Supremo
Tribunal Federal (STF) autorizando o depósito em juízo o valor de R$ 31.260.537,09,
referente ao maior contrato de parcelamento da dívida com a União, que vence hoje. O
valor total da parcela que deveria ser paga hoje é de R$ 37 milhões, mas o que o
governador Olívio Dutra quis com essa ação foi descaracterizar a possível condição
de inadimplente, o que autorizaria uma eventual intervenção federal no Rio Grande do
Sul. A ação foi impetrada no início da noite pelo procurador-geral do estado, Paulo
Torelly, que está em Brasília. A decisão do vice-presidente do STF, ministro Carlos
Velloso, que está no comando do plantão do Supremo durante o período de recesso, saiu
pouco depois das 22h. (pág. 20)
- Cerca de 150 pessoas ocuparam o pátio da concessionária Montreal -
revendedora autorizada da Ford em Porto Alegre - durante toda a manhã de ontem para
protestar contra as 2,8 mil demissões na unidade da Ford de São Bernardo do Campo, no
ABC paulista, e a ameaça de dispensa de pelo menos 600 empregados da Ford Ipiranga, em
São Paulo. A manifestação pacífica, que dispensou intervenção policial, foi
organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre e contou com a participação
de representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) metropolitana, do Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e de trabalhadores de outros setores, como aeroviários,
bancários e funcionários públicos. (pág. 26)
CORREIO
DO POVO
- O governo do Rio Grande do Sul depositará em
juízo os R$ 31.260.537,09, referentes à parcela da dívida mobiliária que vence hoje. O
depósito judicial foi autorizado ontem à noite pelo vice-presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministro Carlos Velloso, atendendo à ação cível originária - ACO 545
-, apresentada pelo governo gaúcho no início da noite, em Brasília. A decisão do
ministro é válida por 30 dias. Após o prazo, o estado terá que entrar com outra ação
no STF, questionando o acordo da dívida mobiliária. "Estamos caucionando o valor da
dívida para garantir o direito de negociá-la administrativamente", explicou o
secretário da Fazenda, Arno Augustin, ressaltando a disposição do governo gaúcho de
dialogar com a União. O prazo da cautelar, segundo ele, será dedicado a negociações
com o Governo federal. (capa)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso falou ontem com o vice-gerente
do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer. Na conversa, Fernando Henrique
tentou transmitir otimismo. Ele afirmou que a situação está viável e que os
fundamentos da economia estão sob controle. Fernando Henrique considera que o mercado
financeiro está refletindo um "nervosismo exagerado" ao provocar nova queda nas
bolsas de valores do Rio de Janeiro e São Paulo após o anúncio do afastamento do
diretor de Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch. FHC viajou para sua fazenda em
Buritis (MG), onde ficará até domingo. (capa)
MANCHETES
ESTADO
DE MINAS
- Queda do Real não derruba crise
HOJE EM DIA (MG)
- Mais um dia de pânico
JORNAL DO
COMMERCIO (PE)
- País perde credibilidade e dólares
O DIA (RJ)
- Inativo é a próxima vítima
CORREIO DO
POVO (RS)
- Mais um dia de pavor nas bolsas
ZERO HORA
(RS)
- Mais um dia de ataque ao Real
TELEJORNAIS
RECORD-JORNAL
DA RECORD-19H30
- A Comissão de Sindicância da Câmara, que apura a morte da deputada
alagoana Ceci Cunha, quer que a Polícia Federal assuma a investigação. A comissão
ouviu o homem conhecido como "chapéu de couro", peça-chave para esclarecer o
caso. Maurício Novaes pode confirmar à comissão se o deputado Talvane Albuquerque
queria mesmo contratá-lo para matar Augusto Farias.
- O único sequestrador brasileiro do empresário Abílio Diniz pode
ser transferido de prisão a qualquer momento. A Justiça de São Paulo autorizou que
Raimundo Costa Freire cumpra o restante da pena de 17 anos no Instituto Penal de
Fortaleza. Raimundo aguarda apenas escolta policial e autorização médica, para voltar
ao Ceará. Ele está preso em São Paulo, junto com outros sete sequestradores do
empresário.
- Sindicalistas ocupam três revendas da Ford no Rio Grande do Sul, em
São Leopoldo, Caxias do Sul e Porto Alegre. Eles obrigaram os gerentes a mandar um fax à
direção da montadora, informando sobre a ocupação e pedindo a readmissão dos
metalúrgicos dispensados no Estado de São Paulo. Em outras duas cidades gaúchas - Santa
Cruz e Carazinho, também houve manifestações contra a Ford. Em São Bernardo do Campo,
o Sindicato dos Metalúrgicos orienta os demitidos a não receber as indenizações da
empresa.
- O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, Luiz
Marinho, defende a redução do IPI para estimular a venda de carros e gerar empregos. O
sindicalista levou a proposta ao ministro do Trabalho e ao presidente do Senado. O senador
Antônio Carlos Magalhães prometeu tentar uma reunião do presidente Fernando Henrique
com empresários, sindicalistas e parlamentares, para discutir a crise da Ford.
- A General Motors, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, dá três
alternativas para a manutenção da empresa: redução da jornada de trabalho e de
salário, o banco de horas - que afastaria o trabalhador por até seis meses com corte no
salário, e o plano de demissão voluntária. A GM quer demitir mil, dos 8.700 operários
da fábrica, para poder diminuir a produção de 32 para 25 carros por dia. O Sindicato
dos Metalúrgicos de São Caetano discute as propostas com a direção da GM.
- O mercado começa a se adaptar às mudanças do câmbio. Para o
Dieese, o ajuste cambial não deve promover remarcações de preço generalizadas,
controle impensado nos tempos de alta inflação, quando as desvalorizações eram
repassadas para todos os preços por pura inércia. O que hoje bloqueia esse movimento de
repasse é a queda do poder aquisitivo. O impacto da desvalorização do real sobre os
índices de inflação depende muito do próprio governo. Se os preços dos combustíveis
não forem aumentados, o impacto na inflação é pequeno. Já no preço dos remédios, o
peso dessa desvalorização cambial é maior, uma vez que a indústria se utiliza de
máterias primas importadas. No setor automibilistico, a desvalorização veio a calhar.
Há meses, os metalúrgicos pedem ao governo o aumento do imposto de importação dos
carros. Aumento que o governo substituiu pelo ajuste do câmbio. No aumento das
exportações está a esperança da volta do emprego.
- O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, diz que é
possível conviver com um pouco de inflação, se as medidas do governo funcionarem. ACM
visitou o senador José Sarney, internado no Instituto do Coração, em São Paulo. O ex-
presidente se internou na terça-feira, com fortes dores abdominais. Até o momento, não
foi diagnosticado nenhum problema.
- O presidente Fernando Henrique recebe sugestões do PPS, de Roberto
Freire, e do PP, de Fernando Gabeira, para superar a crise. O presidente decolou para sua
fazenda Buritis, onde deve descansar até domingo. Também deve viajar em breve o ministro
da Fazenda. Malan vai aos Estados Unidos para repetir aos investidores que o Brasil não
é a bola da vez.
- A equipe econômica quer negociar compensações com os Estados
quebrados, mas renegociar dívida continua fora de cogitação.
- O governador Itamar Franco evita comentar as novas medidas do governo
federal, enquanto participava de reunião dos acionistas da Cemig, a companhia energética
do Estado. Ele garantiu que a empresa não será privatizada. Itamar também anunciou a
criação de uma comissão para estudar a alienação de 33% das ações da Cemig.
- Ao contrário do governador Itamar Franco, o secretário de Fazenda
de Minas, Alexandre Dupeyrat, comenta a mudança no câmbio e coloca mais lenha na
fogueira. Segundo Dupeyrat, a dívida externa de Minas aumentou em R$ 72 milhões, com a
desvalorização do real, o que pode levar Minas a não pagar os eurobônus que vencem em
fevereiro. O vice-governador, Newton Cardoso, havia garantido que eles seriam pagos.
- Pelo terceiro dia consecutivo, a fuga de dólares atinge a casa do
bilhão. US$ 1 bilhão saíram do Brasil pelos câmbio comercial e flutuante, nessa
quinta- feira.
- Salette Lemos: "Essa saída de dólares mostra que a febre da
desconfiança continua elevada, apesar do apoio na aprovação do ajuste fiscal. Não
convencidos sobre a capacidade de sobrevivermos a novos ataques especulativos, os
investidores continuam deixando o Brasil e transferindo seus investimentos a portos menos
inseguros. Nessa quinta-feira, os títulos brasileiros foram novamente rebaixados, sob o
argumento de que essa desvalorização do real não é suficiente para a queda dos juros e
nem para a retomada da atividade econômica. No mercado financeiro essa avaliação fez
aumentar ainda mais as expectativas em torno de novas mexidas cambiais, a ponto de o Banco
Central ter de vir a público, em nota dirigida à imprensa, negar que esteja estudando a
adoção do regime de flutuação do câmbio, em vez do regime de bandas. Na nota, o BC
diz que para defender a política cambial vai usar as reservas e as taxas de juros."
GLOBO-JORNAL
NACIONAL-20H
- Mais um dia de nervosismo no mercado financeiro. O dólar só não
superou o teto da banda cambial (R$ 1,32) porque o Banco Central vendeu a moeda (cerca de
US$ 1 bilhão, em dois leilões) para segurar a cotação. O paralelo fechou o dia sendo
vendido a R$ 1,38. Nas bolsas o fechamento foi negativo, mais uma vez, no Rio de Janeiro
(- 9%) e em São Paulo, (- 9,9%). As bolsas abriram em alta mas despencaram, com a
notícia da saída do diretor de fiscalização do Banco Central e com o rebaixamento da
classificação do Brasil no exterior. Pelo segundo dia consecutivo, o Pregão da Bolsa de
São Paulo foi interrompido automaticamente. O mecanismo de alerta do mercado, o
"circuit-breaker", disparou também no Rio de Janeiro.
- O fluxo cambial continuou negativo para o Brasil. O Banco Central
registrou a saída de mais de US$ 1,5 bilhão em divisas.
- A Comissão de Sindicância da Câmara desiste da acareação entre o
deputado Talvane Albuquerque, acusado de mandar matar a deputada Ceci Cunha, e o
pistoleiro "chapéu de couro". O pistoleiro prestou depoimento por mais de
quatro horas, sob forte proteção policial. A polícia temia vingança contra o
pistoleiro Maurício Novaes. Ele confirmou ter recebido uma proposta para matar o deputado
Augusto Farias, irmão de PC, abrindo uma vaga para o suplente Talvane. A suspeita na
Câmara é de que esse mesmo plano falhou com o deputado Farias mas serviu para eliminar a
deputada Ceci. "Chapéu de couro" negou qualquer envolvimento no crime. E
Talvane se diz vítima de um complô político. O relator da comissão, Robson Tuma, disse
que, com o depoimento de "chapéu de couro", já tem elementos suficientes para
um relatório final sobre o caso, que deve ser apresentado na quarta-feira.
- O governo muda a data de pagamento aos funcionários públicos.
Ativos, inativos e militares receberão até o 5º dia útil de cada mês, e não mais no
dia 25.
- Posto de benefício do INSS em Contagem (MG) desrespeita a política
nacional do idoso e descumpre lei que determina tratamento preferencial a quem já chegou
à terceira idade. Lá o que vale é a ordem de chegada. Jovens são atendidos antes. Na
Delegacia do Idoso a estatística mostra que o desrespeito começa em casa. São 150
ocorrências por mês.
- A Bolsa de Nova Iorque fecha em baixa e mais uma vez os investidores
culpam o Brasil. As mudanças na banda cambial e no Banco Central foram destaques nos mais
importantes jornais dos Estados Unidos, nessa quinta-feira. "The New York Times"
trouxe cinco reportagens sobre o assunto. No editorial, disse que o Congresso e o governo
de Minas Gerais estão impedindo a implementação das reformas. Há poucos meses,
analistas diziam que era preciso ajudar o Brasil, que estava fazendo tudo certo. Agora,
estão dizendo que o Brasil recebeu empréstimo e não fez a parte dele, de promover o
ajuste fiscal.
- A maioria das bolsas européias abriu em alta, mas Londres e
Frankfurt acabaram fechando em baixa, puxada pelas quedas das bolsas de Nova Iorque e do
Brasil. Representantes do Grupo dos 7 países mais industrializados do mundo - G- 7,
disseram que estão confiantes na recuperação do Brasil. A mudança cambial brasileira
foi capa da revista inglesa "The Economist" desta semana, sob o título
"Nuvens negras vindas do Brasil".
- O governo de Minas Gerais anuncia que o pagamento da parte que falta
da primeira parcela dos eurobônus não está garantido. Os US$ 30 milhões que faltam
vencem dia 10 de fevereiro. Segundo a Secretaria de Fazenda de Minas, a mudança cambial
agravou a situação da dívida do Estado, aumentando essa parte a ser paga em US$ 2,4
milhões. No começo da semana, o governo de Minas disse que tinha condições de pagar,
na data do vencimento, essa parcela dos títulos do Estado negociados no exterior.
- O Banco Central divulga o tamanho do rombo dos Estados, prefeituras e
do governo federal. De janeiro a outubro do ano passado, União, Estados, municípios e
empresas estatais gastaram R$ 56 bilhões a mais do que arrecadaram. E o déficit está
aumentando. Em 1997, no mesmo período, o rombo foi de R$ 34 bilhões. Juntos, União,
Estados, municípios e estatais estão devendo R$ 368 bilhões. Para rolar essa dívida,
gastaram com juros R$ 58 bilhões, quatro vezes o que o governo federal gastou com saúde
no ano passado.
- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, diz que os juros devem cair para
bem menos de 18% ao ano, mas só se o ajuste fiscal avançar bem mais. O banco
Interamericano de Desenvolvimento - BID, afirmou que o Brasil merece o apoio da comunidade
internacional porque governo e Congresso estão cumprindo o programa de ajuste. Um grupo
de parlamentares norte-americanos se reuniu com o ministro Pedro Malan, e saiu dizendo que
o Brasil vai superar a crise.
- O presidente Fernando Henrique recebe parlamentares e diz que o
nervosisomo do mercado é exagerado. O presidente lembrou que os acordos internacionais
foram assinados e o ajuste fiscal está avançando. Depois, o presidente viajou para a
fazenda dele, onde descansa até domingo.
- Confiante, depois da vitória de quarta-feira no Congresso, o governo
trabalha para aprovar outros pontos importantes do ajuste fiscal. Quer por em votação,
na semana que vem, o novo projeto da contribuição previdenciária dos servidores
públicos inativos. Pelo projeto, aposentados por invalidez ou com idade acima de 70 anos,
que ganham até R$ 3.000,00, não vão pagar nada. O governo trabalha para que a Câmara
vote o projeto na quarta-feira. É a quarta tentativa. Mas desta vez tem o apelo da crise.
A contribuição dos inativos representa R$ 4,3 bilhões para o ajuste fiscal. Com o
acordo de líderes, basta assinar um pedido de urgência e o projeto da contribuição
pode ser votado no mesmo dia. É dada como certa a aprovação da CPMF em segundo turno no
Senado, na terça-feira.
- O diretor do Fundo Monetáriro Internacional, Michel Camdessus,
divulga nota de apoio às medidas adotadas pelo governo brasileiro. Camdessus considera as
mudanças essenciais à estabilização econômica do Brasil. E admite que as metas do
acordo de ajuda financeira podem ser revistas. O FMI confirma que nos próximos dias vai
se reunir com a equipe econômica do governo.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
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