
17/07/1999
JORNAL DO BRASIL
- FH nega influência em novo Ministério
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
anunciou ontem, depois de três dias de grande expectativa e muitas reuniões, a prometida
reforma ministerial. Às 15h30, três horas e meia após o horário marcado e com um dia
de atraso em relação à previsão oficial, Fernando Henrique comunicou que as mudanças
foram fruto de escolha pessoal, não sofreram influência das disputas entre os partidos
governistas e fazem parte de seu próprio esforço de reoganização dos mecanismos
gerenciais do Governo para a retomada do desenvolvimento e a redução do desemprego, sem
pôr em risco a estabilidade do real.
"Enganam-se os que pensam que nesses
três dias hesitei. Enganam-se os que pensam que nesses três dias o Presidente estaria em
considerações para acomodar. O Presidente só teve um pensamento: tentar não errar para
corresponder aos anseios do País", afirmou.
As mudanças pouco alteraram o equilíbrio
de forças entre os partidos da base governista. Dos cinco ministérios cujos titulares
foram trocados, só a Justiça tem novo perfil político: o peemedebista Renan Calheiros
deu lugar ao jurista José Carlos Dias, da cota pessoal do Presidente. (pág. 1 a 5)
- O deputado Franco Montoro, 83 anos,
presidente de honra do PSDB, morreu ontem, à 1h30 da madrugada, no Instituto do
Coração, em São Paulo. Durante a carreira política iniciada em 1950 como vereador,
Montoro, que foi governador e senador, teve como marca a coerência democrática e a
defesa do sistema parlamentarista. No regime militar, participou da fundação do MDB e
liderou, em 1984, a campanha das Diretas-Já. O presidente Fernando Henrique Cardoso,
políticos e empresários estiveram no velório, no Palácio dos Bandeirantes. (...)
(pág. 1 e 6)
- O dólar voltou a cair ontem e fechou a
R$ 1,7940, ficando abaixo de R$ 1,80 pela primeira vez desde quinta-feira da semana
passada. A Bolsa de São Paulo fechou em alta de 0,39%, mostrando que a reação do
mercado financeiro à reforma ministerial foi de tranqüilidade. O Banco Central divulgou
as contas do setor público até maio, que resultaram em superávit primário (excluídas
despesas com juros) de R$ 10,9 bilhões. (pág. 1 e 13)
- O Exército chinês entrou em alerta
máximo e Formosa mobilizou suas forças em nova crise surgida depois que Taipé exigiu
tratamento de Estado. Pequim considera Formosa apenas uma província rebelde da China. A
Bolsa de Taipé teve a pior queda em 9 anos. (pág. 1 e 9)
- (Angra dos Reis, RJ) - O secretário de
Energia do Ministério de Minas e Energia, Benedito Carraro, disse aos secretários
estaduais de Energia que a construção da usina nuclear Angra 3 está nos planos do
Governo.
Antes do anúncio o diretor-geral da
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, destacou a importância
do projeto para o abastecimento do estado do Rio de Janeiro e da região Sudeste.
"Gerar 1.300 megawatts junto a um centro de carga importante como o Rio de Janeiro é
extremamente relevante", assinalou Abdo, convidado para o Fórum Nacional de
Secretários de Estado de Energia. (...) (pág. 14)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (julho) R$ 136,00.
Dólar comercial: (compra) R$ 1,8099, (venda) R$ 1,8107. Dólar paralelo: (compra) R$
1,810, (venda) R$ 1,840. TR do dia 17.06 a 17.07: 0,3221%. TBF do dia 15.07 a 15.08:
1,6201%. (pág. 1)
EDITORIAL
"O Segundo Desafio" - A demora em
anunciar a nova formação do Ministério, prolongando por um dia as expectativas, gerou
impressão de dificuldade mas confirmou o trabalho artesanal do próprio presidente
Fernando Henrique, que ao apresentar à Nação os ministros assumiu a responsabilidade
pela escolha.
Negou interferência de partidos e pressão
de facções políticas. A preferência presidencial se orientou pelo critério de nomes
adequados a funções definidas como prioridades, tendo em vista as necessidades que o
Governo quer atender. (...)
O Ministério, em sua nova feição,
corresponde na expectativa geral ao que se esperava em janeiro: seleção de nomes para
desempenhar tarefas definidas e atender a necessidades conhecidas. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Se a
nova arrumação do Governo vai funcionar e as coisas vão realmente melhorar são
quinhentos que ao futuro pertencem. Mas de um fato não se pode fugir: Fernando Henrique
Cardoso antecipou e cumpriu a intenção de formar uma equipe com marca própria, promover
mudanças com significado lógico e deslocar do Congresso para o Brasil o foco de suas
ações. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Marcia Carmo Karam) - Pode
ter sido emoção ou cansaço. Mas no discurso de ontem o presidente Fernando Henrique
cometeu um deslize que contraria sua decisão de ter não só o comando da situação, mas
papel definido de cada colaborador, evitando atritos ridículos dentro da própria equipe.
Traduzindo: assim como superou dificuldade
pessoal para substituir amigos de longa data como Bresser Pereira, da Ciência e
Tecnologia, e Celso Lafer, do Desenvolvimento, ele terá que ultrapassar a barreira
"do continuar fazendo agrado", como disse quem bem o conhece. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- FHC reforça sua cota de ministros
- O novo Ministério de Fernando Henrique
Cardoso, anunciado ontem, indica reforço da conta pessoal do Presidente com sua equipe.
Os nomes de FHC entre os novos ministros são os de José Carlos Dias (Justiça), Aloysio
Nunes Ferreira (Secretaria Geral da Presidência), Pedro Parente (Casa Civil) e Martus
Tavares (Orçamentos).
FHC manteve em sua equipe os ministros
Waldeck Ornélas (Previdência) e Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), indicados pelo
presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Já a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL)
da Justiça atendeu a pressão do PSDB e do governador tucano Mário Covas (SP). O PMDB,
por sua vez, não foi consultado sobre as mudanças e perdeu a Justiça.
FHC disse que seu novo Ministério não
terá "brigas e futricas". "Todos os ministros foram escolhidos por mim,
sou por eles responsável, e eles devem lealdade exclusivamente ao País e a mim",
afirmou o Presidente. (pág. 1 e 1-4 a 1-12)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
fez a reforma ministerial por pressão dos tucanos, relatam Eliane Cantanhêde e Carlos
Eduardo Lins e Silva. Eles queriam afastar Clóvis Carvalho da Casa Civil, tirar Renan
Calheiros (Justiça) e assumir o Desenvolvimento.
FHC surpreendeu os líderes tucanos e cedeu
em parte - impôs Carvalho no Desenvolvimento, selando a sorte do amigo Celso Lafer.
(pág. 1 e 1-6)
- O superávit primário do setor público
- quantia economizada para pagar dívidas - chegou a R$ 10,963 bilhões entre janeiro e
maio. O resultado é R$ 1,513 bilhão maior que o projetado pelo FMI, que estabeleceu meta
de R$ 12,883 bilhões no primeiro semestre.
Já as despesas com juros da dívida
pública consumiram R$ 10,368 bilhões em maio - aumento de 171,2% em relação ao gasto
no mês anterior. (pág. 1 e 2-1)
- O deputado federal André Franco Montoro,
83, que governou São Paulo (1983-87) e foi ministro de João Goulart (1961-62), morreu
ontem em São Paulo, após um infarto.
Eleito senador em 1970, foi um dos líderes
na defesa da redemocratização do País. Em 1984, integrou o movimento Direta-Já, que
pregava eleições presidenciais diretas.
Em 1989, ajudou a fundar o PSDB com
ex-integrantes de seu governo em São Paulo, que hoje assessoram o presidente Fernando
Henrique Cardoso - seu suplente no Senado.
"É bonito morrer lutando pelo que se
acredita. E assim morreu Montoro", disse FHC, que atribuiu a ele o início de sua
vida na política. Montoro será enterrado hoje. (pág. 1 e cad. Brasil)
EDITORIAL
"Montoro, o republicano" - De
André Franco Montoro, morto ontem, pode-se dizer, sem correr o risco de exagerar, que se
tratava de uma rara figura republicana na política brasileira. Ou, mais objetivamente, de
um político genuinamente preocupado com a coisa pública.
Chega a ser até uma cruel ironia o fato de
o seu destino político ter sido negativamente afetado justamente por esse tipo de
preocupação. Quando se elegeu governador de São Paulo, em 1982, Montoro poderia ter
seguido a linha de boa parte de seus antecessores (e que, de resto, seria retomada por seu
sucessor), de buscar o prestígio graças à execução de obras, sem prestar atenção
às possibilidades reais do erário.
Fez o inverso. Preferiu sanear as finanças
de São Paulo, mesmo em uma época em que equilíbrio orçamentário ainda não era uma
regra de ouro na condução dos negócios públicos. Essa atitude lhe custou muito,
política e eleitoralmente.
Não obstante, a melhor memória que
Montoro deixará para a história será a sua dedicação sem descanso à campanha das
"direta-já", que ajudou a sitiar o regime militar e contribuiu poderosamente
para a transição para a democracia.
Não se trata de uma obra física. Não é
algo que receba uma placa comemorativa. Mas, para um defensor do bem público, é talvez a
mais inestimável das contribuições. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Mesmo tendo ficado à margem da
reforma ministerial, ACM acabou se beneficiando de seu resultado. Ganhou de presente dois
interlocutores dentro do Palácio do Planalto, onde, antes, só falava com FHC: Pedro
Parente na Casa Civil e Aloysio Nunes Ferreira (seu relator na reforma do Judiciário) na
Secretaria Geral.
* Presidente do PPB, Maluf não quis falar
com ninguém sobre o novo Ministério. Amuado, hoje parte para mais uma viagem de veraneio
na Europa. Detalhe: Pratini (Agricultura) é da ala do partido que mais o detona. (pág.
1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- FHC anuncia nomes e cobra fim de intrigas
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
assumiu toda a responsabilidade pelas mudanças no Ministério, que anunciou ontem, e
cobrou dos novos auxiliares o fim das intrigas no Governo. "Eles devem lealdade
única e exclusivamente ao País e a mim", disse. "Os incomodados podem sempre
se retirar." As alterações foram recebidas com razoável indiferença pela Bolsa de
São Paulo, cujo pregão fechou com alta de 0,39%. E o dólar caiu, apesar de notícias
desencorajadoras sobre o desempenho das finanças públicas. (...) (pág. 1, A4,A5 e B12)
- Morreu na madrugada de ontem, aos 83
anos, em São Paulo, vítima de enfarte, o deputado Franco Montoro. Eleito vereador em
1952, seu primeiro mandato, teve papel fundamental na redemocratização do País durante
os anos 70 e 80.
Nesse período conquistou a cadeira de
senador e tornou-se o primeiro governador de São Paulo eleito pelo voto direto após o
movimento militar de 1964. Conhecido pela tolerância, Montoro cumpriu uma carreira
política coerente, mantendo-se fiel aos princípios da democracia cristã.
O corpo de Montoro foi velado no Palácio
dos Bandeirantes. O enterro está marcado para as 10 horas de hoje, no Cemitério
Gethsemani. (pág. 1, A10 e A11)
- As despesas com juros nominais passaram
de R$ 3,82 bilhões em abril para R$ 10,36 bilhões em maio. Um aumento de 171%. Os juros
em maio ficaram próximos do superávit primário (receita menos despesa) das contas
públicas obtido nos cinco primeiros meses do ano, que foi de R$ 10,96 bilhões.
Os estados e os municípios foram
responsáveis pelo superávit de R$ 379 milhões em maio. Enquanto o Governo federal
aumentou suas despesas e saiu de um resultado positivo de R$ 1,41 bilhão, em abril, para
um saldo negativo de R$ 9 milhões em maio, os governos regionais fizeram o caminho
inverso.
Saltaram de um déficit de R$ 190 milhões
para um superávit de R$ 387 milhões. Apesar do resultado positivo dos estados, maio
registrou o pior desempenho do setor público no ano. (pág. 1, B1 e B3)
- O candidato do governo à presidência da
Argentina, Eduardo Duhalde, é o primeiro político do país a mostrar uma posição menos
rígida em defesa da paridade entre o peso e o dólar. O candidato disse que perguntou a
autoridades brasileiras se o real seria desvalorizado. "Disseram o mesmo que digo a
vocês: Não." Rindo, evitou comentários. (pág. 1 e B10)
- São Paulo liderou o ranking brasileiro
de registros de tuberculose em 1998, com 18.387 doentes e 1,5 mil mortes, conforme
estatística parcial do Governo. O Rio de Janeiro, com população menor, teve 10.650
casos. O Brasil é o quarto país com maior número de doentes (85.869 registros), segundo
a Organização Mundial de Saúde. A previsão é de que, neste ano, o número de casos
supera 90 mil, com 6 mil mortes. (pág. 1 e a14)
EDITORIAL
"O sentido da reforma
ministerial" - Sem um plano claro de ações destinadas a fazer o País superar os
problemas que travam o crescimento, a coalizão de partidos que formalmente apóia o
Governo perdeu a pouca coesão que tinha e isso se refletiu no Ministério, virtualmente
dividido em feudos e grupos. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - O presidente
Fernando Henrique deu ontem um grande passo para afirmar sua autoridade de governante
frente aos partidos. Em seu discurso, ele deixou claro que os ministros devem lealdade ao
Presidente e ao povo.
Dessa forma, encostou na parede todos
aqueles que pensavam em fatiar seu Governo pensando em projetos pessoais ou partidários.
FHC foi além, chegando a dar um ultimato
aos aliados. "Os incomodados podem sempre se retirar", disse ele, determinando o
fim das "brigas e futricas". (...) (pág. A10)
O GLOBO
- Reforma fortalece o PSDB e a equipe econômica
- Ao anunciar seu novo Ministério, com
nítido fortalecimento do PSDB e de sua equipe econômica, o presidente Fernando Henrique
disse que não admitirá mais brigas e intrigas no Governo. Aos possíveis descontentes -
que pela frieza das reações são PMDB e o senador Antônio Carlos Magalhães - o
Presidente mandou um duro recado: "Naturalmente, os incomodados podem sempre se
retirar."
Fernando Henrique manteve a área
econômica com idéias comuns e sem grandes dispersões, e disse que quer promover o
crescimento com estabilidade. Para isso, está reforçando o setor exportador, com a
indicação de Clóvis Carvalho para o Ministério do Desenvolvimento.
"O exportador brasileiro agora sabe em
que porta bater", disse FH. O PSDB ganhou mais um ministro com a nomeação do
deputado Aloysio Nunes para a Secretaria de Governo da Presidência. O ministro da
Justiça será José Carlos Dias, advogado também ligado aos tucanos. (pág. 1, 3 a 9)
- As contas públicas apresentaram, em
maio, o pior resultado primário do ano. De abril para maio, superávit primário caiu de
R$ 1,2 bilhão para R$ 379 milhões. A queda, segundo o Banco Central, foi provocada pelo
aumento dos gastos das estatais federais. Só no mês de maio, os gastos com juros da
dívida chegaram a R$ 10,3 bilhões, quase o total dos R$ 10,9 bilhões de superávit
primário acumulado no ano. (pág. 1 e 23)
- Franco Montoro, deputado federal,
ex-governador de São Paulo e um dos fundadores do PSDB, morreu ontem, do coração.
"É bonito morrer lutando pelo que se acredita. Assim morreu Montoro. E eu me
emociono", disse FH. (pág. 1 e 21)
- O secretário-geral da ONU, Kofi Annam,
anunciou ontem que o número de membros de seu Conselho de Segurança aumentará de 15
para 20 a 26. O grupo de cinco membros permanentes ganhará outros cinco representantes,
três deles de países em desenvolvimento. O Brasil tem interesse em se tornar membro
permanente do Conselho da ONU. (pág. 2 e 34)
- (Brasília, São Paulo e Porto Alegre) -
A reforma anunciada ontem reduziu o número de ministros filiados ao PSDB, mas aumentou a
capacidade de influência dos tucanos no Governo. O PSDB considera que a reforma
privilegiou exatamente o que o partido defende: a reorganização do Governo, com a
filosofia da retomada do projeto de desenvolvimento. Tanto é que os líderes do PSDB na
Câmara e no Congresso - Arnaldo Moreira (SP), e Arthur Virgílio Neto (AM) - estavam
ontem eufóricos. (...) (pág. 12)
- O Banco Central fechou as portas para os
bancos estrangeiros que quiserem criar novas instituições financeiras no País. A partir
de agora, os grupos internacionais que quiserem atuar no Brasil terão de se unir a
empresários brasileiros ou adquirir instituições existentes.
A abertura de instituições novas será
autorizada só em casos excepcionais. Segundo o diretor de Normas do BC, Sérgio Darcy, a
prioridade do Governo a partir de agora é aumentar a tecnologia no setor, a qualidade e
diversidade nos serviços. (...) (pág. 28)
EDITORIAL
"Depois do parto" - Uma reforma
no Ministério pode servir a três fins. Primeiro, reforçar ou ampliar a base política
do Governo, num sistema de quotas em que o presidente da República abre mão de uma
parcela de seu direito de escolher auxiliares em troca de garantir a aprovação pelo
Congresso de projetos vitais para o Executivo. O atual Ministério nasceu assim e ajudou
na aprovação de muitas iniciativas nascidas no Planalto (embora não todas, e nem sempre
na forma desejada).
Segundo, mexer no programa de ação do
próprio Executivo, para modificá-lo ou dinamizá-lo. Uma reforma que tenha essa
intenção e nenhuma outra quase automaticamente encolhe a base política do Governo.
(...)
Terceiro, criar, com um jogo de cadeiras e
dois ou três nomes de inesperados, a aparência de mudança radical - e assim melhorar a
imagem.
A reforma ontem anunciada dá a impressão
de uma mistura desses três objetivos. (..) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) -
Apesar dos erros de procedimentos e das dificuldades decisórias já conhecidas da
Galáxia, pode o presidente Fernando Henrique produzir agora mudanças em áreas vitais de
seu Governo. A presença leve de Aloysio Nunes Ferreira pode arejar o Planalto, de onde
Clóvis Carvalho é transferido com a missão de dar mais ênfase à retomada do
crescimento econômico. (...) (pág. 2)
(Nhenhenhém - Jorge Bastos Moreno) - Em
meio a todo o nervosismo e a trapalhadas da reforma ministerial, FH recebeu no Palácio da
Alvorada o médico Raul Cutalt, cuja audiência fora marcada com muita antecedência, para
tratar de questões administrativas do Hospital Sírio Libanês.
Terminada a audiência, FH pede, de
brincadeira, ao médico: "Vamos deixar o Serra louco. Faça mistério, na saída, com
os jornalistas. Eles nunca sabem de nada mesmo".
Não deu outra. Só que Serra, chamado
também ao Alvorada, chegou quando Cutalt já havia saído. Mas estava tão sonolento que
custou a entender a brincadeira de FH. (...) (pág. 12)
(Ricardo Boechat) - Em seu discurso no
Planalto, ontem, FH citou todos os estados do Centro-Oeste.
Menos Mato Grosso do Sul.
O governador Zeca do PT, não perdeu tempo:
"Se até o Presidente esquece, é
porque está na hora de mudar o nome."
Ele quer que o estado passe a se chamar
Pantanal. (Pág. 16)
CORREIO BRAZILIENSE
- Começa o segundo mandato
- Os nomes são só quatro. Outros cinco
ministros mudaram de pasta, mas o sentido da reforma ministerial anunciada ontem é claro:
ela sinaliza, na prática, o início do segundo mandato do presidente Fernando Henrique
Cardoso, descontados os seis meses e meio de sucessivas crises que desgastaram seu
Governo.
O Presidente procurou manter a
distribuição de poder entre os partidos que o apóiam mas exigiu fidelidade dos
ministros. (...) (pág. 1 e 10 a 19)
EDITORIAL
- O objetivo da reforma ministerial está
além da simples troca de nomes nessa ou naquela função. O Presidente busca a
unificação do discurso oficial, o recomeço de seu Governo, a unidade de sua equipe e,
sem dúvida, difundir maior confiança entre os brasileiros quanto à sua capacidade de
agir.
Fazer política é, também, criar
expectativas. Neste momento, Fernando Henrique lançou as bases de novo pacto e chamou
para si a responsabilidade de sua execução.
Merece crédito de confiança por isso. A
longa marcha começa com o primeiro passo. (pág. 1)
- Para atrair o consumidor e baixar
estoques, comerciantes de Brasília oferecem o que parecia impossível: vendas a prazo,
sem juros. A oferta é feita tanto por revendedores de carro quanto por lojas de óculos.
(...) (pág. 1 e 22)
- A greve que paralisou o Equador durante
12 dias foi encerrada, mas a situação do presidente Jamil Mahuad continua instável.
(pág. 1 e 3)
- Documentos liberados pela CIA mostram
como a ditadura comandada pelo general Pinochet usava a violência. (pág. 1, 4 e 5)
- A presença de um coordenador político
no Palácio do Planalto sempre foi um pedido dos aliados do presidente Fernando Henrique
Cardoso. Sobretudo depois das mortes de seus dois principais operadores, o ministro
Sérgio Motta e o deputado Luís Eduardo Magalhães. A dupla tinha delegação do
Presidente para tratar com o Congresso e articulou a aprovação da emenda da reeleição.
(...)
Com a nomeação do deputado Aloysio Nunes
Ferreira Filho, tucano e paulista, o Presidente espera ter tempo para governar. (...)
(pág. 19)
ZERO HORA
- O presidente Fernando Henrique Cardoso oficializou ontem
a reforma ministerial. Ele extinguiu quatro secretarias e um ministério, nomeou quatro
ministros e remanejou cinco. O impasse no Ministério da Justiça foi resolvido com a
indicação do advogado criminalista José Carlos Dias.
A pasta da Integração Nacional ficará
com Fernando Bezerra e a Secretaria Geral da Presidência, com Aloysio Nunes Ferreira. O
Rio Grande do Sul permanece representado por três ministros: Eliseu Padilha, dos
Transportes, Paulo Renato Souza, da Educação e Pratini de Moraes, da Agricultura. (pág.
1 e 4 a 10)
- Um enfarte matou, aos 83 anos, André
Franco Montoro, deputado federal, ex-ministro, ex-senador, fundador do MDB e do PSDB. Ele
será enterrado hoje. (pág. 1 e 12)
- (Novo Hamburgo) - Os fabricantes
argentinos de calçados não conseguiram ontem a aprovação de sua proposta de
limitação das exportações brasileiras, o que seria uma alternativa mais amena à
imposição de barreiras, como as anunciadas pelo governo do presidente Carlos Menem para
os têxteis na semana passada.
Nas cinco horas de reunião a portas
fechadas, na Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), em Novo
Hamburgo, os parceiros do Mercado Comum do Sul (Mercosul) chegaram a ameaçar com
denúncias de dumping - os brasileiros estariam vendendo produtos com preços abaixo do
custo.
A primeira proposta apresentada, de limitar
em aproximadamente 4 milhões de pares/ano as exportações àquele país, foi rechaçada
por Nestor de Paula, prsidente da Abicalçados. Neste ano, a indústria nacional prevê a
venda de 16 milhões de pares aos argentinos.
As restrições ao comércio dos
calçadistas, que só agora voltam a ser uma balança comercial equilibrada em relação
à Argentina, é a mais recente ameaça no bloco do Mercosul. (...) (pág. 18)
- O economista gaúcho Marcus Vinícius
Pratini de Moraes, confirmado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para o cargo
de ministro da Agricultura, recebeu a incumbência de melhorar as condições de
exportação dos produtos agrícolas, uma tarefa que pretende cumprir à risca na vaga
deixada pelo também gaúcho Francisco Turra.
O ex-ministro e o indicado para a cargo
têm um encontro de trabalho na próxima segunda-feira, em Brasília, a convite do
Presidente. Pratini tomará posse antes do encontro, e os dois vão acertar a data e o
horário da transmissão do cargo. (pág. 30)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- FHC anuncia Ministério e pede lealdade
HOJE EM DIA (MG)
- FH agora exige lealdade
O DIA (RJ)
- FH aperta o cinco do servidor
ZERO HORA (RS)
- FH troca nove ministros e acalma partidos
aliados
TELEJORNAIS
NACIONAL - REDE BRASIL -
18H30
O anúncio da reforma ministerial derruba o
dólar que encerra o dia com baixa de 0,71%, cotado a R$ 1,79. Apesar do pouco movimento,
os investidores das bolsas do Rio e de São Paulo mostraram otimismo. O índice Bovespa
fechou em alta de 0,40%. A Bolsa do Rio registrou aumento de 1,06% no volume de negócios.
Acaba o suspense em torno da reforma
ministerial. O presidente Fernando Henrique anuncia as mudanças e dá o tom da nova fase
do governo. "Quem manda no ministério sou eu", disse. Sózinho na sala de
audiências, sem a presença de ministros ou auxiliares próximos, o presidente disse
esperar da nova equipe lealdade, unidade e capacidade de levar adiante as propostas de
desenvolvimento do país. E foi enfático ao frisar que não quer mais saber de fofocas na
equipe de governo: "os incomodados podem sempre se retirar".
A usina nuclear de Angra II entra em
operação em maio do ano que vem depois de 22 anos em construção. Quem garante é o
presidente da Eletronuclear, Ronaldo Fabrício. Segundo informou, além dos R$ 10 bilhões
já consumidos pela usina ainda serão gastos R$ 800 milhões nos próximos meses.
O novo Ministério da Integração Nacional
vai ter três agências para incentivar o desenvolvimento das regiões norte, nordeste e
centro-oeste. A idéia é criar um novo modelo de integração regional. Já como
ministro, o ex-líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, anunciou propostas
polêmicas. A principal delas é a transposição do Rio São Francisco para combater a
seca no nordeste. A idéia é antiga e tem como um dos grandes opositores o presidente do
Congresso, Antônio Carlos Magalhães.
O governo reduz até o fim do mês 10% das
vagas com funções gratificadas para diminuir despesas com pessoal. Segundo o presidente
Fernando Henrique, o novo ministério continuará praticando uma política de contenção
de gastos.
O presidente da Câmara, Michel Temer,
comentou a reforma ministerial e disse que o espaço do PMDB ficou do mesmo tamanho. Do
ponto de vista político, a relação do partido com o presidente terá que ser avaliada
em reunião da cúpula do partido. O presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães, que
é do PFL, comentou que Fernando Henrique teve liberdade para escolher a equipe. Foi o
ministério que ele queria, disse Antônio Carlos Magalhães.
Dora Kramer: "Só o presidente
Fernando Henrique pode levar os bônus ou os ônus dessa reforma. Uma figura, no entanto,
já merece destaque. É o novo ministro da Justiça, José Carlos Dias. Ele é um homem de
movimentos sociais, ligado à organizações não governamentais e até a partidos de
esquerda. A esquerda espera, inclusive, que José Carlos Dias possa construir a ponte
entre o governo Fernando Henrique e a interlocução com toda a sociedade, incluindo os
partidos de esquerda. Para esses partidos, José Carlos Dias simboliza um início positivo
desse segundo mandado de Fernando Henrique."
Poucas surpresas na lista de novos
ministros anunciada pelo presidente Fernando Henrique. Os novos ministros são Pratini de
Moraes na Agricultura, em lugar de Francisco Turra. José Carlos Dias na Justiça, na vaga
de Renan Calheiros. Martus Tavares no Orçamento e Gestão substitui Pedro Parente,
nomeado para a Casa Civil. O senador Fernando Bezerra (PMDB/RN) ocupa o novo Ministério
da Integração Nacional. O deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) fica com a
Secretaria Geral da Presidência e é o novo articulador político do governo. Ronaldo
Sardemberg vai para a Ciência e Tecnologia no lugar de Bresser Pereira. Mudaram de cargo
Clóvis Carvalho, que deixou a Casa Civil pelo Ministério do Desenvolvimento, que era de
Celso Lafer, e Ovídeo de Angelis, que sai da Secretaria de Políticas Regionais para a de
Política Urbana. Continuam no ministério Pedro Malan, na Fazenda, Élcio Álvares, na
Defesa, Eliseu Padilha, nos Transportes, José Serra, na Saúde, Paulo Renato, na
Educação, Pimenta da Veiga, nas Comunicações, Francisco Dornelles, no Trabalho, Sarney
Filho, no Meio Ambiente, Raul Jungmann, na Reforma Agrária, Luiz Felipe Lamprea, nas
Relações Exteriores, Rodolpho Tourinho, nas Minas e Energia, Waldec Ornellas, na
Previdência, Francisco Weffort, na Cultura, e Raffael Grecca no Esporte e Turismo.
Marcado para às 10 horas deste sábado em
São Paulo o sepultamento do corpo do deputado federal e ex-governador paulista André
Franco Montoro. Ele morreu na madrugada de sexta, aos 83 anos, depois de um infarto. O
corpo está sendo velado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
Antes de concluir o anúncio da reforma
ministerial, o presidente Fernando Henrique falou da perda do amigo e não escondeu a
emoção. O presidente lembrou ter ligado um dia antes para Montoro para felicitá-lo pela
passagem do aniversário. Montoro teria dito que estava embarcando para o México, onde
iria discutir a volatilidade dos capitais, e que Fernando Henrique seria autor citado.
"E falou com entusiasmo juvenil, com uma crença imensa nas suas convicções,
naquilo que ele acreditava ser bom para o Brasil", contou o presidente.
O suplente Antônio Carlos Mendes vai
assumir a vaga de Franco Montoro na Câmara dos Deputados.
RECORD - JORNAL DA
RECORD - 19H20
Adiada mais uma vez a conclusão do novo
inquérito sobre a morte de PC Farias e Suzana Marcolino. Os delegados que investigam o
caso conseguiram a quebra do sigilo telefônico da torre de celular da praia de Guaxuma,
local da casa de PC. Os técnicos vão peneirar mais de mil ligações dos dias 22 e 23 de
julho de 1996, quando os corpos foram encontrados. O celular de Suzana, que está
desaparecido até hoje, também teve o sigilo quebrado.
Morre à uma e meia da madrugada de sexta o
ex-governador de São Paulo, André Franco Montoro. Ele lutou contra a morte durante 24
horas, desde que foi internado no Instituto do Coração, em São Paulo, após um infarto
agudo do miocárdio. A família do deputado estava confiante na recuperação dele, depois
de comemorar o aniversário de 83 anos na quarta-feira. O deputado é lembrado pelos
amigos por sua luta no aperfeiçoamento das instituições democráticas.
Boris Casoy: "O ex-governador André
Franco Montoro era um político respeitadíssimo. Deixa uma profícua folha de serviços
prestados ao país. Montoro era acima de tudo, na convicção e na prática, um
democrata."
O presidente Fernando Henrique anuncia a
reforma ministerial. São quatro novos ministros. O senador Fernando Bezerra (PMDB) vai
ficar à frente do novo Ministério da Integração Nacional, que está sendo criado. Ele
é engenheiro e empresário, preside a Confederação Nacional da Indústria e é líder
do governo no Senado. O advogado José Carlos Dias assume o Ministério da Justiça. Ele
se destacou na defesa de presos políticos perseguidos pela ditadura militar. Foi
secretário da Justiça de São Paulo no governo Franco Montoro e não é filiado a nenhum
partido. Pratini de Moraes vai para o Ministério da Agricultura. Ele é advogado, filiado
ao PPB, e foi ministro nos governos Médici e Collor. No momento, preside a Associação
de Comércio Exterior. O deputado federal tucano Aloysio Nunes Ferreira assume a
Secretaria Geral da Presidência da República. Ele participou da luta armada ao lado de
Mariguela no início dos anos 70, foi vice-governador de São Paulo e, em 1994, apoiou
Orestes Quércia à presidência. É relator da reforma do Judiciário.
Cinco ministros mudam de pasta. Clóvis
Carvalho sai da Casa Civil e vai para o Ministério do Desenvolvimento. Pedro Parente
deixa o Ministério do Planejamento e assume a Casa Civil. Ronaldo Sardenbereg sai do
Ministério de Projetos Especiais e passa a ser ministro da Ciência e Tecnologia. Martus
Tavares era secretário-executivo e assume o Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão. Ovídio de Angelis era secretário de Políticas Regionais e vai para a
Secretaria de Política Urbana.
Os ministros que ficam são Pedro Malan
(Fazenda), José Serra (Saúde), Pimenta da Veiga (Comunicações), general Alberto
Cardoso (Casa Militar), Élcio Álvares (Defesa), Eliseu Padilha (Transportes), Francisco
Dornelles (Trabalho), José Sarney Filho (Meio Ambiente), Luiz Felipe Lamprea (Relações
Exteriores), Paulo Renato Souza (Educação), Rafael Grecca (Esportes), Raul Jungmann
(Política Fundiária), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), Waldecc Ornellas
(Previdência), Francisco Weffort (Cultura), Andrea Matarazzo (Secretaria de Comunicação
do Governo), Walter Maierovitch (Secretaria Nacional Antidrogas), Wanda Engel (Secretaria
de Assistência Social), José Botafogo (Secretaria da Câmara de Comércio Exterior) e
José Gregori (Secretaria dos Direitos Humanos).
Quatro ministros deixam o cargo: Celso
Lafer (Desenvolvimento), Renan Calheiros (Justiça), Francisco Turra (Agricultura) e
Bresser Pereira (Ciência e Tecnologia). Foram extintas quatro secretarias:
Administração e Patrimônio, Desenvolvimento Urbano, Relações Institucionais,
Planejamento e Avaliação.
O presidente cobra lealdade da nova equipe
de governo e diz que brigas e futricas não vão ser toleradas. "São ministros que
foram escolhidos por mim, sou por eles responsável e eles devem lealdade única e
exclusivamente ao país e a mim. Isso requer um governo unido e coeso, apoiado
incondicionalmente pelos partidos que compõem a base do governo, e não um governo
partido em facções que se perca numa infinidade de brigas e disputas por espaço",
disse Fernando Henrique. Sobre a demora na definição do novo ministério o presidente
disse que não existe outra preocupação nessa reformulação se não a de aprimorar.
O presidente Fernando Henrique espera
conseguir com a reformulação no ministério aumentar as exportações brasileiras. Para
isso mexeu em dois ministérios. A pasta da Agricultura ganhou o controle das políticas
de açúcar, café e álcool. Pratini de Moraes vai ter que trabalhar em conjunto com o
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio que ganha força com a indicação
do ministro Clóvis Carvalho. O Ministério vai absorver a Câmara de Comércio Exterior e
coordenar toda a política de exportações. Isso atende às reivindicações dos
empresários, que pediram o fortalecimento dessa área no governo.
A troca de cargos de Clóvis Carvalho abre
espaço para uma mudança de estilo no Palácio do Planalto. Quem assume a Casa Civil é
um técnico, o ministro Pedro Parente, que até hoje cuidava do orçamento do governo. No
novo cargo Parente deve continuar de olho nos gastos, trabalhando em conjunto com o
Ministério da Fazenda. E ele já recebeu a primeira missão: fazer com que os
ministérios cumpram a promessa do início do governo, de cortar 10% das funções
gratificadas em todos os órgãos públicos. A outra mudança é política. O deputado
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) assume a Secretaria Geral da Presidência da República, com
a função de fazer a coordenação política do governo no Congresso.
Cai o presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social. Oficialmente, Pio Borges pediu demissão do cargo.
Ele ocupava a presidência do BNDES desde o escândalo do grampo que derrubou André Lara
Resende e Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações. Extra
oficialmente, a informação é de que o atual presidente do Banco do Brasil, Andrea
Callabi, é o nome mais cotado para o cargo.
A oposição reage à reforma ministerial
dizendo que nada mudou. Líderes do PMDB mostram cautela e os demais aliados garantem que
Fernando Henrique saiu fortalecido. O ministro Paulo Renato destaca que a marca da reforma
é a contemplação dos partidos com nomeações pessoais do presidente. O governador da
Bahia, César Borges, se dá por satisfeito ao ver seu Estado manter a posição forte que
já ocupava anteriormente. Para o governador Mário Covas a posição dos partidos no
governo é totalmente secundária. O líder do PT na Câmara, José Genoíno, acha que a
reforma vai dar algum fôlego ao governo mas não vai resolver os problemas de fundo. É
quase o pensamento do deputado Geddel Vieira Lima, líder do PMDB. Para ele, a reforma
não é solução para nada. Pode criar uma motivação mas nada se resolverá se o
presidente não exercer como deve.
Boris Casoy: "Essa reforma do
ministério foi tímida. O equilíbrio na base parlamentar continuou praticamente o mesmo
e o presidente, até agora, não foi para o confronto direto com o senador Antônio Carlos
Magalhães. Os ministros pefelistas que ele indicou foram mantidos, a não ser pela saída
de Pio Borges do BNDES, posição importante que ACM perdeu. O deslocamento de Clóvis
Carvalho para o Ministério do Desenvolvimento foi uma compensação. Havia pressões
políticas para sua saída da Casa Civil. E ao tirá-lo Fernando Henrique o colocou numa
pasta para a qual ele não tem afinidade nenhuma."
Sem grandes sustos com a reforma
ministerial o mercado financeiro encerrou a semana apático. O dólar até caiu. O
comercial ficou cotado a R$ 1,79 com queda de 0,7%. A Bolsa de São Paulo movimentou o
segundo menor volume do mês: apenas R$ 349 milhões. O Pregão subiu 0,4%. No Rio a alta
foi de 1%.
Piora o desempenho das contas públicas. As
despesas com juros em maio contribuiram para o pior déficit registrado desde fevereiro:
R$ 10 bilhões. A desvalorização cambial elevou a dívida em títulos para R$ 483
bilhões. Mesmo assim, o país está cumprindo as metas do FMI. Sem contar os gastos com
juros entre janeiro e maio, o setor público teve um superávit de R$ 11 bilhões, R$ 1,5
bilhão acima do valor acertado com o Fundo para esse mesmo período.
Salette Lemos: "O controle das contas
públicas depende das reformas constitucionais, que dependem da base parlamentar de apoio
ao governo, que continua praticamente como estava, ou seja, enfraquecido. Atribuir
unicamente a Pedro Parente essa responsabilidade é negligenciar com a gravidade do
problema, que ganhou proporções nos últimos dois meses com o crescimento da dívida
interna e externa. Estamos empurrando o problema com a barriga do FMI. Enquanto não
acontecerem as eleições na Argentina a ordem parece que é deixar tudo como está. Pelo
menos até o fim do ano a equipe econômica não deve ter problema para o financiamento
dos rombos cada vez maiores dos cofres públicos que continuam sangrando, ora pela
pressão de governadores, ora dos municípios, ora pelo toma lá dos acordos políticos,
que acabam sempre pagos por nós, contribuintes."
BANDEIRANTES -
JORNAL DA BAND - 19H30
Sai a reforma ministerial. São sete novos
ministros e dois secretários. Um novo ministério e uma secretaria foram criados. O
presidente Fernando Henrique disse que vai cobrar lealdade ao governo.
O promotor de Justiça de Alagoas, Luiz
Vasconcelos, ameaça não aceitar o indiciamento de Augusto Farias, irmão de PC. Ele foi
o primeiro a chegar ao local do crime logo após os corpos terem sido encontrados. A
polícia desconfia do interesse de Augusto Farias em defender os únicos suspeitos do
crime. Augusto pagou os advogados dos quatro ex-seguranças de PC Farias e é suspeito de
ter contratado um detetive para seguir os passos de Suzana.
Os novos ministros e secretários tomam
posse na segunda-feira. Os partidos que apóiam o governo contabilizam perdas e lucros. O
PFL de Antônio Carlos Magalhães ganhou com a ida de Pedro Parente para o Gabinete Civil.
O PSDB se fortaleceu com Clóvis Carvalho no Desenvolvimento mas o tucano Pimenta da Veiga
saiu perdendo. Queria o lugar escolhido para Clóvis Carvalho e ainda vai ter que dividir
a coordenação política com o deputado Aloysio Nunes Ferreira. O PMDB manteve o mesmo
número de ministros mas nem assim o presidente do partido, Jader Barbalho, ficou
satisfeito. Da Itália, onde passa férias, mandou indignado uma nota dizendo que não tem
nada a ver com os ministros escolhidos por Fernando Henrique.
O presidente do BNDES, Pio Borges, pede
demissão do cargo. Ele vai ser substituído pelo presidente do Banco do Brasil, Andrea
Callabi. O ministro Pedro Malan tem carta branca do presidente Fernando Henrique para
indicar o novo presidente do Banco do Brasil.
O Brasil perde um democrata. O corpo do
deputado e ex-governador de São Paulo, André Franco Montoro, está sendo velado no
Palácio dos Bandeirantes. O enterro é às 11 horas deste sábado. Ele fez 83 anos na
última quarta-feira, dia em que sofreu um infarto. Parlamentarista convicto, seu primeiro
mandato foi aos 34 anos, como vereador de São Paulo pelo PDC - Partido Democrata
Cristão.
A Anatel manda as operadoras indenizarem os
consumidores pelos danos causados na implantação do novo sistema de interurbanos e avisa
que elas terão que pagar primeiro para depois recorrer.
GLOBO - JORNAL
NACIONAL - 20H20
O presidente Fernando Henrique anuncia sete
novos ministros e dois secretários. Entre os partidos que formam a base do governo o PSDB
sai fortalecido, com o Ministério da Justiça e a articulação política. O PFL e o PPB
continuam com o mesmo número de ministérios. Já o PMDB perde espaço. O presidente do
partido, Jader Barbalho, divulgou nota em que afirma que os três ministros peemedebistas
são agora de exclusiva responsabilidade do presidente Fernando Henrique. Responsabilidade
que o presidente fez questão de assumir, ao anunciar o ministério. O presidente cobrou
união da nova equipe. "Preciso de um governo composto por pessoas que estejam
efetivamente ocupadas com os problemas a resolver e que não se perca numa infinidade de
brigas, de futricas e de disputas por espaço.
Arnaldo Jabor: "Ministério não é
obra, é motor. E o motor do ministério terá de ser Fernando Henrique. Nenhum
ministério é bom antes, só depois. Nosso grande perigo são os desacontecimentos. As
coisas aqui começam, crescem e desacontecem por causa da inércia burocrática, da
inércia dos interesses partidários e da inércia do próprio presidente. A alma do chefe
se derrama sobre os comandados. Até hoje Fernando Henrique se adaptou ao desejo dos
aliados. Está na hora de os aliados se adaptarem a seus desejos. Afinal, os sinais de
nova crise já estão no ar. O Brasil e o mercado internacional continuam esperando o
ajuste fiscal e as reformas atoladas. Vamos dar um voto de confiança a Fernando Henrique.
Se ele não tiver mão forte pode passar à história como o governante mais preparado que
já tivemos, mas que morreu na praia por vacilação. Mais importante que a reforma do
ministério é a reforma do ânimo do próprio presidente da República."
O amianto, produto tóxico proibido na
maioria dos países desenvolvidos, continua sendo usado no Brasil. Os médicos dizem que a
fibra desse material pode provocar doenças incuráveis no pulmão, como por exemplo um
tipo raro de câncer na membrana em volta do pulmão. Mata em no máximo dois anos. Ele
está no freio do carro, na caixa d'água, nas telhas mais comuns das casas brasileiras e
em mais três mil produtos. A maior mina do Brasil e a quarta do mundo fica no interior de
Goiás.
Sem-terra estão devastando a mata do maior
assentamento do Paraná. As árvores são cortadas sem autorização do instituto
ambiental e vendidas por um preço abaixo do mercado. São espécies nativas como canela,
cedro e marfim. Para fugir da fiscalização o transporte das toras é feito à noite. A
área de onde são tiradas as árvores foi ocupada pelos sem-terra há três anos e
desapropriada para reforma agrária. Mil e 500 famílias vivem nos lotes e o desmatamento
está fora de controle. A derrubada abre clareiras e atinge faixas de preservação
permanente, como as margens do rio Iguaçú. Até uma serraria clandestina foi
construídano assentamento.
Morre em São Paulo o ex-governador Franco
Montoro. Ele fez 83 anos quarta-feira, mesmo dia em que teve um infarto. Atualmente, era
deputado federal. Montoro está sendo velado no palácio que ocupou entre 1983 e 1987 como
um dos primeiros governadores eleitos pelo povo depois de quase 20 anos de regime militar.
Foram dias em que o Palácio dos Bandeirantes teve uma importância política sem
precedentes, como centro de articulação da campanha das Diretas Já e dos grandes
comícios. Com a abertura, Montoro ajudou a construir o PMDB, e depois, discordando dos
rumos do partido, criou o PSDB junto com o governador Mário Covas e o presidente Fernando
Henrique Cardoso, que ao anunciar o novo ministério, homenageou o velho companheiro.
GLOBO - JORNAL DA
GLOBO - 00H30
O ministério anunciado pelo presidente
Fernando Henrique parece fortalecer os tucanos. Mas deixou o PMDB irritado, por não ter
sido ouvido, e o PFL de orelha em pé: não foi atingido pelas mudanças mas também não
foi prestigiado. Um dos primeiros problemas do presidente, pelo jeito, vai ser um
problemão: a transferência, disfarçada de transformação, dos bancos regionais do
nordeste e da Amazônia, hoje sob os cuidados da Fazenda, de Pedro Malan, para um novo
ministério. Essa foi a condição imposta por Fernando Bezerra (PMDB) para aceitar o
Ministério da Integração Nacional.
Está aberta também agora a temporada de
disputa pelo segundo escalão. O presidente do BNDES, Pio Borges, pediu demissão. Ele é
da turma que nunca se entendeu com o novo chefe, o ministro do Desenvolvimento, Clóvis
Carvalho. Já se fala em Andrea Callabi, hoje no Banco do Brasil, para o lugar de Pio
Borges no BNDES. E em Sérgio Cutolo, ex-presidente da Caixa Econômica, amigo do ministro
da Fazenda, Pedro Malan, e que perdeu o emprego na Secretaria de Desenvolvimento Urbano,
para o Banco do Brasil no lugar de Callabi. Outra que também perdeu o emprego, a
secretária de Administração, Cláudia Costin, chegou a ser mencionada para a secretaria
executiva do Ministério do Orçamento.
Franklin Martins: "Tem gente na
oposição dizendo que não houve reforma mas um banho de loja no governo. Mas
independente de que quantativamente não houve uma grande mudança no governo, a verdade
é que houve reformas importantes. A mais significativa talvez tenha sido o deslocamento
de Clóvis Carvalho da Casa Civil para o Desenvolvimento. Porque abriu espaço no Palácio
do Planalto para que passasse a haver uma coordenação política que Clóvis nunca
permitiu. E porque vai reforçar um ministério importante na área econômica na hora da
retomada do desenvolvimento."
O presidente disse que a nova equipe vai
cortar gastos, aumentar as exportações e reduzir as diferenças regionais. Mas o
objetivo do discurso parece ter sido reafirmar a autoridade presidencial e,
principalmente, tentar o que hoje parece quase impossível: acabar com os ódios,
rivalidades e divisões dentro do governo. "A mudança obedeceu exclusivamente ao seu
propósito de reorganizar o governo, para que o governo possa se empenhar num rumo de
retomada de desenvolvimento com estabilidade e com responsabilidade fiscal", disse o
presidente ao anunciar o novo ministério.
Sobre lealdade, o presidente disse que
todos os ministros foram escolhidos por ele, a quem devem lealdade, e também ao país.
Sobre os partidos, o presidente disse que as grandes mudanças só têm sentido se
efetivamente melhorarem o cotidiano das pessoas ao longo do tempo e, portanto, estiverem
sintonizadas com a sociedade, o que requer um governo unido e coeso, apoiado
incondicionalmente pelos partidos que compõem a base do governo, e não um governo
partido em facções, concluiu.
O presidente lembrou que precisa de pessoas
que estejam efetivamente ocupadas com os problemas a resolver e que não se perca numa
infinidade de brigas, de futricas e de disputas por espaço. O presidente rebateu as
críticas à demora no anúncio do novo ministério. "Enganam-se os que pensam que eu
hesitei. O presidente só teve um pensamento: tentar não errar para corresponder aos
anseios do país."
Depois de anunciar a chamada reforma, o
presidente Fernando Henrique foi ao velório do ex-governador de São Paulo, Franco
Montoro, onde permaneceu durante uma hora, boa parte do tempo ao lado da viúva, dona
Lucy. Fernando Henrique e Montoro caminhavam lado a lado na política desde os anos 70,
quando os dois faziam oposição ao regime militar, no velho MDB. Juntos também
participaram da campanha das Diretas e da eleição de Tancredo Neves. Montoro foi um dos
fundadores do PSDB. Aos 83 anos, o ex-governador de São Paulo continuava fazendo
política. Era deputado federal ouvido e respeitado pelos principais líderes tucanos.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |