17/07/1999

JORNAL DO BRASIL

- FH nega influência em novo Ministério

- O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem, depois de três dias de grande expectativa e muitas reuniões, a prometida reforma ministerial. Às 15h30, três horas e meia após o horário marcado e com um dia de atraso em relação à previsão oficial, Fernando Henrique comunicou que as mudanças foram fruto de escolha pessoal, não sofreram influência das disputas entre os partidos governistas e fazem parte de seu próprio esforço de reoganização dos mecanismos gerenciais do Governo para a retomada do desenvolvimento e a redução do desemprego, sem pôr em risco a estabilidade do real.

"Enganam-se os que pensam que nesses três dias hesitei. Enganam-se os que pensam que nesses três dias o Presidente estaria em considerações para acomodar. O Presidente só teve um pensamento: tentar não errar para corresponder aos anseios do País", afirmou.

As mudanças pouco alteraram o equilíbrio de forças entre os partidos da base governista. Dos cinco ministérios cujos titulares foram trocados, só a Justiça tem novo perfil político: o peemedebista Renan Calheiros deu lugar ao jurista José Carlos Dias, da cota pessoal do Presidente. (pág. 1 a 5)

- O deputado Franco Montoro, 83 anos, presidente de honra do PSDB, morreu ontem, à 1h30 da madrugada, no Instituto do Coração, em São Paulo. Durante a carreira política iniciada em 1950 como vereador, Montoro, que foi governador e senador, teve como marca a coerência democrática e a defesa do sistema parlamentarista. No regime militar, participou da fundação do MDB e liderou, em 1984, a campanha das Diretas-Já. O presidente Fernando Henrique Cardoso, políticos e empresários estiveram no velório, no Palácio dos Bandeirantes. (...) (pág. 1 e 6)

- O dólar voltou a cair ontem e fechou a R$ 1,7940, ficando abaixo de R$ 1,80 pela primeira vez desde quinta-feira da semana passada. A Bolsa de São Paulo fechou em alta de 0,39%, mostrando que a reação do mercado financeiro à reforma ministerial foi de tranqüilidade. O Banco Central divulgou as contas do setor público até maio, que resultaram em superávit primário (excluídas despesas com juros) de R$ 10,9 bilhões. (pág. 1 e 13)

- O Exército chinês entrou em alerta máximo e Formosa mobilizou suas forças em nova crise surgida depois que Taipé exigiu tratamento de Estado. Pequim considera Formosa apenas uma província rebelde da China. A Bolsa de Taipé teve a pior queda em 9 anos. (pág. 1 e 9)

- (Angra dos Reis, RJ) - O secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Benedito Carraro, disse aos secretários estaduais de Energia que a construção da usina nuclear Angra 3 está nos planos do Governo.

Antes do anúncio o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, destacou a importância do projeto para o abastecimento do estado do Rio de Janeiro e da região Sudeste. "Gerar 1.300 megawatts junto a um centro de carga importante como o Rio de Janeiro é extremamente relevante", assinalou Abdo, convidado para o Fórum Nacional de Secretários de Estado de Energia. (...) (pág. 14)

COTAÇÕES

- Salário mínimo: (julho) R$ 136,00. Dólar comercial: (compra) R$ 1,8099, (venda) R$ 1,8107. Dólar paralelo: (compra) R$ 1,810, (venda) R$ 1,840. TR do dia 17.06 a 17.07: 0,3221%. TBF do dia 15.07 a 15.08: 1,6201%. (pág. 1)

EDITORIAL

"O Segundo Desafio" - A demora em anunciar a nova formação do Ministério, prolongando por um dia as expectativas, gerou impressão de dificuldade mas confirmou o trabalho artesanal do próprio presidente Fernando Henrique, que ao apresentar à Nação os ministros assumiu a responsabilidade pela escolha.

Negou interferência de partidos e pressão de facções políticas. A preferência presidencial se orientou pelo critério de nomes adequados a funções definidas como prioridades, tendo em vista as necessidades que o Governo quer atender. (...)

O Ministério, em sua nova feição, corresponde na expectativa geral ao que se esperava em janeiro: seleção de nomes para desempenhar tarefas definidas e atender a necessidades conhecidas. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Se a nova arrumação do Governo vai funcionar e as coisas vão realmente melhorar são quinhentos que ao futuro pertencem. Mas de um fato não se pode fugir: Fernando Henrique Cardoso antecipou e cumpriu a intenção de formar uma equipe com marca própria, promover mudanças com significado lógico e deslocar do Congresso para o Brasil o foco de suas ações. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Marcia Carmo Karam) - Pode ter sido emoção ou cansaço. Mas no discurso de ontem o presidente Fernando Henrique cometeu um deslize que contraria sua decisão de ter não só o comando da situação, mas papel definido de cada colaborador, evitando atritos ridículos dentro da própria equipe.

Traduzindo: assim como superou dificuldade pessoal para substituir amigos de longa data como Bresser Pereira, da Ciência e Tecnologia, e Celso Lafer, do Desenvolvimento, ele terá que ultrapassar a barreira "do continuar fazendo agrado", como disse quem bem o conhece. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- FHC reforça sua cota de ministros

- O novo Ministério de Fernando Henrique Cardoso, anunciado ontem, indica reforço da conta pessoal do Presidente com sua equipe. Os nomes de FHC entre os novos ministros são os de José Carlos Dias (Justiça), Aloysio Nunes Ferreira (Secretaria Geral da Presidência), Pedro Parente (Casa Civil) e Martus Tavares (Orçamentos).

FHC manteve em sua equipe os ministros Waldeck Ornélas (Previdência) e Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), indicados pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

Já a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da Justiça atendeu a pressão do PSDB e do governador tucano Mário Covas (SP). O PMDB, por sua vez, não foi consultado sobre as mudanças e perdeu a Justiça.

FHC disse que seu novo Ministério não terá "brigas e futricas". "Todos os ministros foram escolhidos por mim, sou por eles responsável, e eles devem lealdade exclusivamente ao País e a mim", afirmou o Presidente. (pág. 1 e 1-4 a 1-12)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso fez a reforma ministerial por pressão dos tucanos, relatam Eliane Cantanhêde e Carlos Eduardo Lins e Silva. Eles queriam afastar Clóvis Carvalho da Casa Civil, tirar Renan Calheiros (Justiça) e assumir o Desenvolvimento.

FHC surpreendeu os líderes tucanos e cedeu em parte - impôs Carvalho no Desenvolvimento, selando a sorte do amigo Celso Lafer. (pág. 1 e 1-6)

- O superávit primário do setor público - quantia economizada para pagar dívidas - chegou a R$ 10,963 bilhões entre janeiro e maio. O resultado é R$ 1,513 bilhão maior que o projetado pelo FMI, que estabeleceu meta de R$ 12,883 bilhões no primeiro semestre.

Já as despesas com juros da dívida pública consumiram R$ 10,368 bilhões em maio - aumento de 171,2% em relação ao gasto no mês anterior. (pág. 1 e 2-1)

- O deputado federal André Franco Montoro, 83, que governou São Paulo (1983-87) e foi ministro de João Goulart (1961-62), morreu ontem em São Paulo, após um infarto.

Eleito senador em 1970, foi um dos líderes na defesa da redemocratização do País. Em 1984, integrou o movimento Direta-Já, que pregava eleições presidenciais diretas.

Em 1989, ajudou a fundar o PSDB com ex-integrantes de seu governo em São Paulo, que hoje assessoram o presidente Fernando Henrique Cardoso - seu suplente no Senado.

"É bonito morrer lutando pelo que se acredita. E assim morreu Montoro", disse FHC, que atribuiu a ele o início de sua vida na política. Montoro será enterrado hoje. (pág. 1 e cad. Brasil)

EDITORIAL

"Montoro, o republicano" - De André Franco Montoro, morto ontem, pode-se dizer, sem correr o risco de exagerar, que se tratava de uma rara figura republicana na política brasileira. Ou, mais objetivamente, de um político genuinamente preocupado com a coisa pública.

Chega a ser até uma cruel ironia o fato de o seu destino político ter sido negativamente afetado justamente por esse tipo de preocupação. Quando se elegeu governador de São Paulo, em 1982, Montoro poderia ter seguido a linha de boa parte de seus antecessores (e que, de resto, seria retomada por seu sucessor), de buscar o prestígio graças à execução de obras, sem prestar atenção às possibilidades reais do erário.

Fez o inverso. Preferiu sanear as finanças de São Paulo, mesmo em uma época em que equilíbrio orçamentário ainda não era uma regra de ouro na condução dos negócios públicos. Essa atitude lhe custou muito, política e eleitoralmente.

Não obstante, a melhor memória que Montoro deixará para a história será a sua dedicação sem descanso à campanha das "direta-já", que ajudou a sitiar o regime militar e contribuiu poderosamente para a transição para a democracia.

Não se trata de uma obra física. Não é algo que receba uma placa comemorativa. Mas, para um defensor do bem público, é talvez a mais inestimável das contribuições. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - Mesmo tendo ficado à margem da reforma ministerial, ACM acabou se beneficiando de seu resultado. Ganhou de presente dois interlocutores dentro do Palácio do Planalto, onde, antes, só falava com FHC: Pedro Parente na Casa Civil e Aloysio Nunes Ferreira (seu relator na reforma do Judiciário) na Secretaria Geral.

* Presidente do PPB, Maluf não quis falar com ninguém sobre o novo Ministério. Amuado, hoje parte para mais uma viagem de veraneio na Europa. Detalhe: Pratini (Agricultura) é da ala do partido que mais o detona. (pág. 1-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- FHC anuncia nomes e cobra fim de intrigas

- O presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu toda a responsabilidade pelas mudanças no Ministério, que anunciou ontem, e cobrou dos novos auxiliares o fim das intrigas no Governo. "Eles devem lealdade única e exclusivamente ao País e a mim", disse. "Os incomodados podem sempre se retirar." As alterações foram recebidas com razoável indiferença pela Bolsa de São Paulo, cujo pregão fechou com alta de 0,39%. E o dólar caiu, apesar de notícias desencorajadoras sobre o desempenho das finanças públicas. (...) (pág. 1, A4,A5 e B12)

- Morreu na madrugada de ontem, aos 83 anos, em São Paulo, vítima de enfarte, o deputado Franco Montoro. Eleito vereador em 1952, seu primeiro mandato, teve papel fundamental na redemocratização do País durante os anos 70 e 80.

Nesse período conquistou a cadeira de senador e tornou-se o primeiro governador de São Paulo eleito pelo voto direto após o movimento militar de 1964. Conhecido pela tolerância, Montoro cumpriu uma carreira política coerente, mantendo-se fiel aos princípios da democracia cristã.

O corpo de Montoro foi velado no Palácio dos Bandeirantes. O enterro está marcado para as 10 horas de hoje, no Cemitério Gethsemani. (pág. 1, A10 e A11)

- As despesas com juros nominais passaram de R$ 3,82 bilhões em abril para R$ 10,36 bilhões em maio. Um aumento de 171%. Os juros em maio ficaram próximos do superávit primário (receita menos despesa) das contas públicas obtido nos cinco primeiros meses do ano, que foi de R$ 10,96 bilhões.

Os estados e os municípios foram responsáveis pelo superávit de R$ 379 milhões em maio. Enquanto o Governo federal aumentou suas despesas e saiu de um resultado positivo de R$ 1,41 bilhão, em abril, para um saldo negativo de R$ 9 milhões em maio, os governos regionais fizeram o caminho inverso.

Saltaram de um déficit de R$ 190 milhões para um superávit de R$ 387 milhões. Apesar do resultado positivo dos estados, maio registrou o pior desempenho do setor público no ano. (pág. 1, B1 e B3)

- O candidato do governo à presidência da Argentina, Eduardo Duhalde, é o primeiro político do país a mostrar uma posição menos rígida em defesa da paridade entre o peso e o dólar. O candidato disse que perguntou a autoridades brasileiras se o real seria desvalorizado. "Disseram o mesmo que digo a vocês: Não." Rindo, evitou comentários. (pág. 1 e B10)

- São Paulo liderou o ranking brasileiro de registros de tuberculose em 1998, com 18.387 doentes e 1,5 mil mortes, conforme estatística parcial do Governo. O Rio de Janeiro, com população menor, teve 10.650 casos. O Brasil é o quarto país com maior número de doentes (85.869 registros), segundo a Organização Mundial de Saúde. A previsão é de que, neste ano, o número de casos supera 90 mil, com 6 mil mortes. (pág. 1 e a14)

EDITORIAL

"O sentido da reforma ministerial" - Sem um plano claro de ações destinadas a fazer o País superar os problemas que travam o crescimento, a coalizão de partidos que formalmente apóia o Governo perdeu a pouca coesão que tinha e isso se refletiu no Ministério, virtualmente dividido em feudos e grupos. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - O presidente Fernando Henrique deu ontem um grande passo para afirmar sua autoridade de governante frente aos partidos. Em seu discurso, ele deixou claro que os ministros devem lealdade ao Presidente e ao povo.

Dessa forma, encostou na parede todos aqueles que pensavam em fatiar seu Governo pensando em projetos pessoais ou partidários.

FHC foi além, chegando a dar um ultimato aos aliados. "Os incomodados podem sempre se retirar", disse ele, determinando o fim das "brigas e futricas". (...) (pág. A10)

O GLOBO

- Reforma fortalece o PSDB e a equipe econômica

- Ao anunciar seu novo Ministério, com nítido fortalecimento do PSDB e de sua equipe econômica, o presidente Fernando Henrique disse que não admitirá mais brigas e intrigas no Governo. Aos possíveis descontentes - que pela frieza das reações são PMDB e o senador Antônio Carlos Magalhães - o Presidente mandou um duro recado: "Naturalmente, os incomodados podem sempre se retirar."

Fernando Henrique manteve a área econômica com idéias comuns e sem grandes dispersões, e disse que quer promover o crescimento com estabilidade. Para isso, está reforçando o setor exportador, com a indicação de Clóvis Carvalho para o Ministério do Desenvolvimento.

"O exportador brasileiro agora sabe em que porta bater", disse FH. O PSDB ganhou mais um ministro com a nomeação do deputado Aloysio Nunes para a Secretaria de Governo da Presidência. O ministro da Justiça será José Carlos Dias, advogado também ligado aos tucanos. (pág. 1, 3 a 9)

- As contas públicas apresentaram, em maio, o pior resultado primário do ano. De abril para maio, superávit primário caiu de R$ 1,2 bilhão para R$ 379 milhões. A queda, segundo o Banco Central, foi provocada pelo aumento dos gastos das estatais federais. Só no mês de maio, os gastos com juros da dívida chegaram a R$ 10,3 bilhões, quase o total dos R$ 10,9 bilhões de superávit primário acumulado no ano. (pág. 1 e 23)

- Franco Montoro, deputado federal, ex-governador de São Paulo e um dos fundadores do PSDB, morreu ontem, do coração. "É bonito morrer lutando pelo que se acredita. Assim morreu Montoro. E eu me emociono", disse FH. (pág. 1 e 21)

- O secretário-geral da ONU, Kofi Annam, anunciou ontem que o número de membros de seu Conselho de Segurança aumentará de 15 para 20 a 26. O grupo de cinco membros permanentes ganhará outros cinco representantes, três deles de países em desenvolvimento. O Brasil tem interesse em se tornar membro permanente do Conselho da ONU. (pág. 2 e 34)

- (Brasília, São Paulo e Porto Alegre) - A reforma anunciada ontem reduziu o número de ministros filiados ao PSDB, mas aumentou a capacidade de influência dos tucanos no Governo. O PSDB considera que a reforma privilegiou exatamente o que o partido defende: a reorganização do Governo, com a filosofia da retomada do projeto de desenvolvimento. Tanto é que os líderes do PSDB na Câmara e no Congresso - Arnaldo Moreira (SP), e Arthur Virgílio Neto (AM) - estavam ontem eufóricos. (...) (pág. 12)

- O Banco Central fechou as portas para os bancos estrangeiros que quiserem criar novas instituições financeiras no País. A partir de agora, os grupos internacionais que quiserem atuar no Brasil terão de se unir a empresários brasileiros ou adquirir instituições existentes.

A abertura de instituições novas será autorizada só em casos excepcionais. Segundo o diretor de Normas do BC, Sérgio Darcy, a prioridade do Governo a partir de agora é aumentar a tecnologia no setor, a qualidade e diversidade nos serviços. (...) (pág. 28)

EDITORIAL

"Depois do parto" - Uma reforma no Ministério pode servir a três fins. Primeiro, reforçar ou ampliar a base política do Governo, num sistema de quotas em que o presidente da República abre mão de uma parcela de seu direito de escolher auxiliares em troca de garantir a aprovação pelo Congresso de projetos vitais para o Executivo. O atual Ministério nasceu assim e ajudou na aprovação de muitas iniciativas nascidas no Planalto (embora não todas, e nem sempre na forma desejada).

Segundo, mexer no programa de ação do próprio Executivo, para modificá-lo ou dinamizá-lo. Uma reforma que tenha essa intenção e nenhuma outra quase automaticamente encolhe a base política do Governo. (...)

Terceiro, criar, com um jogo de cadeiras e dois ou três nomes de inesperados, a aparência de mudança radical - e assim melhorar a imagem.

A reforma ontem anunciada dá a impressão de uma mistura desses três objetivos. (..) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Apesar dos erros de procedimentos e das dificuldades decisórias já conhecidas da Galáxia, pode o presidente Fernando Henrique produzir agora mudanças em áreas vitais de seu Governo. A presença leve de Aloysio Nunes Ferreira pode arejar o Planalto, de onde Clóvis Carvalho é transferido com a missão de dar mais ênfase à retomada do crescimento econômico. (...) (pág. 2)

(Nhenhenhém - Jorge Bastos Moreno) - Em meio a todo o nervosismo e a trapalhadas da reforma ministerial, FH recebeu no Palácio da Alvorada o médico Raul Cutalt, cuja audiência fora marcada com muita antecedência, para tratar de questões administrativas do Hospital Sírio Libanês.

Terminada a audiência, FH pede, de brincadeira, ao médico: "Vamos deixar o Serra louco. Faça mistério, na saída, com os jornalistas. Eles nunca sabem de nada mesmo".

Não deu outra. Só que Serra, chamado também ao Alvorada, chegou quando Cutalt já havia saído. Mas estava tão sonolento que custou a entender a brincadeira de FH. (...) (pág. 12)

(Ricardo Boechat) - Em seu discurso no Planalto, ontem, FH citou todos os estados do Centro-Oeste.

Menos Mato Grosso do Sul.

O governador Zeca do PT, não perdeu tempo:

"Se até o Presidente esquece, é porque está na hora de mudar o nome."

Ele quer que o estado passe a se chamar Pantanal. (Pág. 16)

CORREIO BRAZILIENSE

- Começa o segundo mandato

- Os nomes são só quatro. Outros cinco ministros mudaram de pasta, mas o sentido da reforma ministerial anunciada ontem é claro: ela sinaliza, na prática, o início do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, descontados os seis meses e meio de sucessivas crises que desgastaram seu Governo.

O Presidente procurou manter a distribuição de poder entre os partidos que o apóiam mas exigiu fidelidade dos ministros. (...) (pág. 1 e 10 a 19)

EDITORIAL

- O objetivo da reforma ministerial está além da simples troca de nomes nessa ou naquela função. O Presidente busca a unificação do discurso oficial, o recomeço de seu Governo, a unidade de sua equipe e, sem dúvida, difundir maior confiança entre os brasileiros quanto à sua capacidade de agir.

Fazer política é, também, criar expectativas. Neste momento, Fernando Henrique lançou as bases de novo pacto e chamou para si a responsabilidade de sua execução.

Merece crédito de confiança por isso. A longa marcha começa com o primeiro passo. (pág. 1)

- Para atrair o consumidor e baixar estoques, comerciantes de Brasília oferecem o que parecia impossível: vendas a prazo, sem juros. A oferta é feita tanto por revendedores de carro quanto por lojas de óculos. (...) (pág. 1 e 22)

- A greve que paralisou o Equador durante 12 dias foi encerrada, mas a situação do presidente Jamil Mahuad continua instável. (pág. 1 e 3)

- Documentos liberados pela CIA mostram como a ditadura comandada pelo general Pinochet usava a violência. (pág. 1, 4 e 5)

- A presença de um coordenador político no Palácio do Planalto sempre foi um pedido dos aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso. Sobretudo depois das mortes de seus dois principais operadores, o ministro Sérgio Motta e o deputado Luís Eduardo Magalhães. A dupla tinha delegação do Presidente para tratar com o Congresso e articulou a aprovação da emenda da reeleição. (...)

Com a nomeação do deputado Aloysio Nunes Ferreira Filho, tucano e paulista, o Presidente espera ter tempo para governar. (...) (pág. 19)

ZERO HORA

- O presidente Fernando Henrique Cardoso oficializou ontem a reforma ministerial. Ele extinguiu quatro secretarias e um ministério, nomeou quatro ministros e remanejou cinco. O impasse no Ministério da Justiça foi resolvido com a indicação do advogado criminalista José Carlos Dias.

A pasta da Integração Nacional ficará com Fernando Bezerra e a Secretaria Geral da Presidência, com Aloysio Nunes Ferreira. O Rio Grande do Sul permanece representado por três ministros: Eliseu Padilha, dos Transportes, Paulo Renato Souza, da Educação e Pratini de Moraes, da Agricultura. (pág. 1 e 4 a 10)

- Um enfarte matou, aos 83 anos, André Franco Montoro, deputado federal, ex-ministro, ex-senador, fundador do MDB e do PSDB. Ele será enterrado hoje. (pág. 1 e 12)

- (Novo Hamburgo) - Os fabricantes argentinos de calçados não conseguiram ontem a aprovação de sua proposta de limitação das exportações brasileiras, o que seria uma alternativa mais amena à imposição de barreiras, como as anunciadas pelo governo do presidente Carlos Menem para os têxteis na semana passada.

Nas cinco horas de reunião a portas fechadas, na Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), em Novo Hamburgo, os parceiros do Mercado Comum do Sul (Mercosul) chegaram a ameaçar com denúncias de dumping - os brasileiros estariam vendendo produtos com preços abaixo do custo.

A primeira proposta apresentada, de limitar em aproximadamente 4 milhões de pares/ano as exportações àquele país, foi rechaçada por Nestor de Paula, prsidente da Abicalçados. Neste ano, a indústria nacional prevê a venda de 16 milhões de pares aos argentinos.

As restrições ao comércio dos calçadistas, que só agora voltam a ser uma balança comercial equilibrada em relação à Argentina, é a mais recente ameaça no bloco do Mercosul. (...) (pág. 18)

- O economista gaúcho Marcus Vinícius Pratini de Moraes, confirmado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para o cargo de ministro da Agricultura, recebeu a incumbência de melhorar as condições de exportação dos produtos agrícolas, uma tarefa que pretende cumprir à risca na vaga deixada pelo também gaúcho Francisco Turra.

O ex-ministro e o indicado para a cargo têm um encontro de trabalho na próxima segunda-feira, em Brasília, a convite do Presidente. Pratini tomará posse antes do encontro, e os dois vão acertar a data e o horário da transmissão do cargo. (pág. 30)

MANCHETES

CORREIO DA BAHIA

- FHC anuncia Ministério e pede lealdade

HOJE EM DIA (MG)

- FH agora exige lealdade

O DIA (RJ)

- FH aperta o cinco do servidor

ZERO HORA (RS)

- FH troca nove ministros e acalma partidos aliados

TELEJORNAIS

NACIONAL - REDE BRASIL - 18H30

O anúncio da reforma ministerial derruba o dólar que encerra o dia com baixa de 0,71%, cotado a R$ 1,79. Apesar do pouco movimento, os investidores das bolsas do Rio e de São Paulo mostraram otimismo. O índice Bovespa fechou em alta de 0,40%. A Bolsa do Rio registrou aumento de 1,06% no volume de negócios.

Acaba o suspense em torno da reforma ministerial. O presidente Fernando Henrique anuncia as mudanças e dá o tom da nova fase do governo. "Quem manda no ministério sou eu", disse. Sózinho na sala de audiências, sem a presença de ministros ou auxiliares próximos, o presidente disse esperar da nova equipe lealdade, unidade e capacidade de levar adiante as propostas de desenvolvimento do país. E foi enfático ao frisar que não quer mais saber de fofocas na equipe de governo: "os incomodados podem sempre se retirar".

A usina nuclear de Angra II entra em operação em maio do ano que vem depois de 22 anos em construção. Quem garante é o presidente da Eletronuclear, Ronaldo Fabrício. Segundo informou, além dos R$ 10 bilhões já consumidos pela usina ainda serão gastos R$ 800 milhões nos próximos meses.

O novo Ministério da Integração Nacional vai ter três agências para incentivar o desenvolvimento das regiões norte, nordeste e centro-oeste. A idéia é criar um novo modelo de integração regional. Já como ministro, o ex-líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, anunciou propostas polêmicas. A principal delas é a transposição do Rio São Francisco para combater a seca no nordeste. A idéia é antiga e tem como um dos grandes opositores o presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães.

O governo reduz até o fim do mês 10% das vagas com funções gratificadas para diminuir despesas com pessoal. Segundo o presidente Fernando Henrique, o novo ministério continuará praticando uma política de contenção de gastos.

O presidente da Câmara, Michel Temer, comentou a reforma ministerial e disse que o espaço do PMDB ficou do mesmo tamanho. Do ponto de vista político, a relação do partido com o presidente terá que ser avaliada em reunião da cúpula do partido. O presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães, que é do PFL, comentou que Fernando Henrique teve liberdade para escolher a equipe. Foi o ministério que ele queria, disse Antônio Carlos Magalhães.

Dora Kramer: "Só o presidente Fernando Henrique pode levar os bônus ou os ônus dessa reforma. Uma figura, no entanto, já merece destaque. É o novo ministro da Justiça, José Carlos Dias. Ele é um homem de movimentos sociais, ligado à organizações não governamentais e até a partidos de esquerda. A esquerda espera, inclusive, que José Carlos Dias possa construir a ponte entre o governo Fernando Henrique e a interlocução com toda a sociedade, incluindo os partidos de esquerda. Para esses partidos, José Carlos Dias simboliza um início positivo desse segundo mandado de Fernando Henrique."

Poucas surpresas na lista de novos ministros anunciada pelo presidente Fernando Henrique. Os novos ministros são Pratini de Moraes na Agricultura, em lugar de Francisco Turra. José Carlos Dias na Justiça, na vaga de Renan Calheiros. Martus Tavares no Orçamento e Gestão substitui Pedro Parente, nomeado para a Casa Civil. O senador Fernando Bezerra (PMDB/RN) ocupa o novo Ministério da Integração Nacional. O deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) fica com a Secretaria Geral da Presidência e é o novo articulador político do governo. Ronaldo Sardemberg vai para a Ciência e Tecnologia no lugar de Bresser Pereira. Mudaram de cargo Clóvis Carvalho, que deixou a Casa Civil pelo Ministério do Desenvolvimento, que era de Celso Lafer, e Ovídeo de Angelis, que sai da Secretaria de Políticas Regionais para a de Política Urbana. Continuam no ministério Pedro Malan, na Fazenda, Élcio Álvares, na Defesa, Eliseu Padilha, nos Transportes, José Serra, na Saúde, Paulo Renato, na Educação, Pimenta da Veiga, nas Comunicações, Francisco Dornelles, no Trabalho, Sarney Filho, no Meio Ambiente, Raul Jungmann, na Reforma Agrária, Luiz Felipe Lamprea, nas Relações Exteriores, Rodolpho Tourinho, nas Minas e Energia, Waldec Ornellas, na Previdência, Francisco Weffort, na Cultura, e Raffael Grecca no Esporte e Turismo.

Marcado para às 10 horas deste sábado em São Paulo o sepultamento do corpo do deputado federal e ex-governador paulista André Franco Montoro. Ele morreu na madrugada de sexta, aos 83 anos, depois de um infarto. O corpo está sendo velado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

Antes de concluir o anúncio da reforma ministerial, o presidente Fernando Henrique falou da perda do amigo e não escondeu a emoção. O presidente lembrou ter ligado um dia antes para Montoro para felicitá-lo pela passagem do aniversário. Montoro teria dito que estava embarcando para o México, onde iria discutir a volatilidade dos capitais, e que Fernando Henrique seria autor citado. "E falou com entusiasmo juvenil, com uma crença imensa nas suas convicções, naquilo que ele acreditava ser bom para o Brasil", contou o presidente.

O suplente Antônio Carlos Mendes vai assumir a vaga de Franco Montoro na Câmara dos Deputados.

RECORD - JORNAL DA RECORD - 19H20

Adiada mais uma vez a conclusão do novo inquérito sobre a morte de PC Farias e Suzana Marcolino. Os delegados que investigam o caso conseguiram a quebra do sigilo telefônico da torre de celular da praia de Guaxuma, local da casa de PC. Os técnicos vão peneirar mais de mil ligações dos dias 22 e 23 de julho de 1996, quando os corpos foram encontrados. O celular de Suzana, que está desaparecido até hoje, também teve o sigilo quebrado.

Morre à uma e meia da madrugada de sexta o ex-governador de São Paulo, André Franco Montoro. Ele lutou contra a morte durante 24 horas, desde que foi internado no Instituto do Coração, em São Paulo, após um infarto agudo do miocárdio. A família do deputado estava confiante na recuperação dele, depois de comemorar o aniversário de 83 anos na quarta-feira. O deputado é lembrado pelos amigos por sua luta no aperfeiçoamento das instituições democráticas.

Boris Casoy: "O ex-governador André Franco Montoro era um político respeitadíssimo. Deixa uma profícua folha de serviços prestados ao país. Montoro era acima de tudo, na convicção e na prática, um democrata."

O presidente Fernando Henrique anuncia a reforma ministerial. São quatro novos ministros. O senador Fernando Bezerra (PMDB) vai ficar à frente do novo Ministério da Integração Nacional, que está sendo criado. Ele é engenheiro e empresário, preside a Confederação Nacional da Indústria e é líder do governo no Senado. O advogado José Carlos Dias assume o Ministério da Justiça. Ele se destacou na defesa de presos políticos perseguidos pela ditadura militar. Foi secretário da Justiça de São Paulo no governo Franco Montoro e não é filiado a nenhum partido. Pratini de Moraes vai para o Ministério da Agricultura. Ele é advogado, filiado ao PPB, e foi ministro nos governos Médici e Collor. No momento, preside a Associação de Comércio Exterior. O deputado federal tucano Aloysio Nunes Ferreira assume a Secretaria Geral da Presidência da República. Ele participou da luta armada ao lado de Mariguela no início dos anos 70, foi vice-governador de São Paulo e, em 1994, apoiou Orestes Quércia à presidência. É relator da reforma do Judiciário.

Cinco ministros mudam de pasta. Clóvis Carvalho sai da Casa Civil e vai para o Ministério do Desenvolvimento. Pedro Parente deixa o Ministério do Planejamento e assume a Casa Civil. Ronaldo Sardenbereg sai do Ministério de Projetos Especiais e passa a ser ministro da Ciência e Tecnologia. Martus Tavares era secretário-executivo e assume o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Ovídio de Angelis era secretário de Políticas Regionais e vai para a Secretaria de Política Urbana.

Os ministros que ficam são Pedro Malan (Fazenda), José Serra (Saúde), Pimenta da Veiga (Comunicações), general Alberto Cardoso (Casa Militar), Élcio Álvares (Defesa), Eliseu Padilha (Transportes), Francisco Dornelles (Trabalho), José Sarney Filho (Meio Ambiente), Luiz Felipe Lamprea (Relações Exteriores), Paulo Renato Souza (Educação), Rafael Grecca (Esportes), Raul Jungmann (Política Fundiária), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), Waldecc Ornellas (Previdência), Francisco Weffort (Cultura), Andrea Matarazzo (Secretaria de Comunicação do Governo), Walter Maierovitch (Secretaria Nacional Antidrogas), Wanda Engel (Secretaria de Assistência Social), José Botafogo (Secretaria da Câmara de Comércio Exterior) e José Gregori (Secretaria dos Direitos Humanos).

Quatro ministros deixam o cargo: Celso Lafer (Desenvolvimento), Renan Calheiros (Justiça), Francisco Turra (Agricultura) e Bresser Pereira (Ciência e Tecnologia). Foram extintas quatro secretarias: Administração e Patrimônio, Desenvolvimento Urbano, Relações Institucionais, Planejamento e Avaliação.

O presidente cobra lealdade da nova equipe de governo e diz que brigas e futricas não vão ser toleradas. "São ministros que foram escolhidos por mim, sou por eles responsável e eles devem lealdade única e exclusivamente ao país e a mim. Isso requer um governo unido e coeso, apoiado incondicionalmente pelos partidos que compõem a base do governo, e não um governo partido em facções que se perca numa infinidade de brigas e disputas por espaço", disse Fernando Henrique. Sobre a demora na definição do novo ministério o presidente disse que não existe outra preocupação nessa reformulação se não a de aprimorar.

O presidente Fernando Henrique espera conseguir com a reformulação no ministério aumentar as exportações brasileiras. Para isso mexeu em dois ministérios. A pasta da Agricultura ganhou o controle das políticas de açúcar, café e álcool. Pratini de Moraes vai ter que trabalhar em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio que ganha força com a indicação do ministro Clóvis Carvalho. O Ministério vai absorver a Câmara de Comércio Exterior e coordenar toda a política de exportações. Isso atende às reivindicações dos empresários, que pediram o fortalecimento dessa área no governo.

A troca de cargos de Clóvis Carvalho abre espaço para uma mudança de estilo no Palácio do Planalto. Quem assume a Casa Civil é um técnico, o ministro Pedro Parente, que até hoje cuidava do orçamento do governo. No novo cargo Parente deve continuar de olho nos gastos, trabalhando em conjunto com o Ministério da Fazenda. E ele já recebeu a primeira missão: fazer com que os ministérios cumpram a promessa do início do governo, de cortar 10% das funções gratificadas em todos os órgãos públicos. A outra mudança é política. O deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) assume a Secretaria Geral da Presidência da República, com a função de fazer a coordenação política do governo no Congresso.

Cai o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Oficialmente, Pio Borges pediu demissão do cargo. Ele ocupava a presidência do BNDES desde o escândalo do grampo que derrubou André Lara Resende e Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações. Extra oficialmente, a informação é de que o atual presidente do Banco do Brasil, Andrea Callabi, é o nome mais cotado para o cargo.

A oposição reage à reforma ministerial dizendo que nada mudou. Líderes do PMDB mostram cautela e os demais aliados garantem que Fernando Henrique saiu fortalecido. O ministro Paulo Renato destaca que a marca da reforma é a contemplação dos partidos com nomeações pessoais do presidente. O governador da Bahia, César Borges, se dá por satisfeito ao ver seu Estado manter a posição forte que já ocupava anteriormente. Para o governador Mário Covas a posição dos partidos no governo é totalmente secundária. O líder do PT na Câmara, José Genoíno, acha que a reforma vai dar algum fôlego ao governo mas não vai resolver os problemas de fundo. É quase o pensamento do deputado Geddel Vieira Lima, líder do PMDB. Para ele, a reforma não é solução para nada. Pode criar uma motivação mas nada se resolverá se o presidente não exercer como deve.

Boris Casoy: "Essa reforma do ministério foi tímida. O equilíbrio na base parlamentar continuou praticamente o mesmo e o presidente, até agora, não foi para o confronto direto com o senador Antônio Carlos Magalhães. Os ministros pefelistas que ele indicou foram mantidos, a não ser pela saída de Pio Borges do BNDES, posição importante que ACM perdeu. O deslocamento de Clóvis Carvalho para o Ministério do Desenvolvimento foi uma compensação. Havia pressões políticas para sua saída da Casa Civil. E ao tirá-lo Fernando Henrique o colocou numa pasta para a qual ele não tem afinidade nenhuma."

Sem grandes sustos com a reforma ministerial o mercado financeiro encerrou a semana apático. O dólar até caiu. O comercial ficou cotado a R$ 1,79 com queda de 0,7%. A Bolsa de São Paulo movimentou o segundo menor volume do mês: apenas R$ 349 milhões. O Pregão subiu 0,4%. No Rio a alta foi de 1%.

Piora o desempenho das contas públicas. As despesas com juros em maio contribuiram para o pior déficit registrado desde fevereiro: R$ 10 bilhões. A desvalorização cambial elevou a dívida em títulos para R$ 483 bilhões. Mesmo assim, o país está cumprindo as metas do FMI. Sem contar os gastos com juros entre janeiro e maio, o setor público teve um superávit de R$ 11 bilhões, R$ 1,5 bilhão acima do valor acertado com o Fundo para esse mesmo período.

Salette Lemos: "O controle das contas públicas depende das reformas constitucionais, que dependem da base parlamentar de apoio ao governo, que continua praticamente como estava, ou seja, enfraquecido. Atribuir unicamente a Pedro Parente essa responsabilidade é negligenciar com a gravidade do problema, que ganhou proporções nos últimos dois meses com o crescimento da dívida interna e externa. Estamos empurrando o problema com a barriga do FMI. Enquanto não acontecerem as eleições na Argentina a ordem parece que é deixar tudo como está. Pelo menos até o fim do ano a equipe econômica não deve ter problema para o financiamento dos rombos cada vez maiores dos cofres públicos que continuam sangrando, ora pela pressão de governadores, ora dos municípios, ora pelo toma lá dos acordos políticos, que acabam sempre pagos por nós, contribuintes."

BANDEIRANTES - JORNAL DA BAND - 19H30

Sai a reforma ministerial. São sete novos ministros e dois secretários. Um novo ministério e uma secretaria foram criados. O presidente Fernando Henrique disse que vai cobrar lealdade ao governo.

O promotor de Justiça de Alagoas, Luiz Vasconcelos, ameaça não aceitar o indiciamento de Augusto Farias, irmão de PC. Ele foi o primeiro a chegar ao local do crime logo após os corpos terem sido encontrados. A polícia desconfia do interesse de Augusto Farias em defender os únicos suspeitos do crime. Augusto pagou os advogados dos quatro ex-seguranças de PC Farias e é suspeito de ter contratado um detetive para seguir os passos de Suzana.

Os novos ministros e secretários tomam posse na segunda-feira. Os partidos que apóiam o governo contabilizam perdas e lucros. O PFL de Antônio Carlos Magalhães ganhou com a ida de Pedro Parente para o Gabinete Civil. O PSDB se fortaleceu com Clóvis Carvalho no Desenvolvimento mas o tucano Pimenta da Veiga saiu perdendo. Queria o lugar escolhido para Clóvis Carvalho e ainda vai ter que dividir a coordenação política com o deputado Aloysio Nunes Ferreira. O PMDB manteve o mesmo número de ministros mas nem assim o presidente do partido, Jader Barbalho, ficou satisfeito. Da Itália, onde passa férias, mandou indignado uma nota dizendo que não tem nada a ver com os ministros escolhidos por Fernando Henrique.

O presidente do BNDES, Pio Borges, pede demissão do cargo. Ele vai ser substituído pelo presidente do Banco do Brasil, Andrea Callabi. O ministro Pedro Malan tem carta branca do presidente Fernando Henrique para indicar o novo presidente do Banco do Brasil.

O Brasil perde um democrata. O corpo do deputado e ex-governador de São Paulo, André Franco Montoro, está sendo velado no Palácio dos Bandeirantes. O enterro é às 11 horas deste sábado. Ele fez 83 anos na última quarta-feira, dia em que sofreu um infarto. Parlamentarista convicto, seu primeiro mandato foi aos 34 anos, como vereador de São Paulo pelo PDC - Partido Democrata Cristão.

A Anatel manda as operadoras indenizarem os consumidores pelos danos causados na implantação do novo sistema de interurbanos e avisa que elas terão que pagar primeiro para depois recorrer.

GLOBO - JORNAL NACIONAL - 20H20

O presidente Fernando Henrique anuncia sete novos ministros e dois secretários. Entre os partidos que formam a base do governo o PSDB sai fortalecido, com o Ministério da Justiça e a articulação política. O PFL e o PPB continuam com o mesmo número de ministérios. Já o PMDB perde espaço. O presidente do partido, Jader Barbalho, divulgou nota em que afirma que os três ministros peemedebistas são agora de exclusiva responsabilidade do presidente Fernando Henrique. Responsabilidade que o presidente fez questão de assumir, ao anunciar o ministério. O presidente cobrou união da nova equipe. "Preciso de um governo composto por pessoas que estejam efetivamente ocupadas com os problemas a resolver e que não se perca numa infinidade de brigas, de futricas e de disputas por espaço.

Arnaldo Jabor: "Ministério não é obra, é motor. E o motor do ministério terá de ser Fernando Henrique. Nenhum ministério é bom antes, só depois. Nosso grande perigo são os desacontecimentos. As coisas aqui começam, crescem e desacontecem por causa da inércia burocrática, da inércia dos interesses partidários e da inércia do próprio presidente. A alma do chefe se derrama sobre os comandados. Até hoje Fernando Henrique se adaptou ao desejo dos aliados. Está na hora de os aliados se adaptarem a seus desejos. Afinal, os sinais de nova crise já estão no ar. O Brasil e o mercado internacional continuam esperando o ajuste fiscal e as reformas atoladas. Vamos dar um voto de confiança a Fernando Henrique. Se ele não tiver mão forte pode passar à história como o governante mais preparado que já tivemos, mas que morreu na praia por vacilação. Mais importante que a reforma do ministério é a reforma do ânimo do próprio presidente da República."

O amianto, produto tóxico proibido na maioria dos países desenvolvidos, continua sendo usado no Brasil. Os médicos dizem que a fibra desse material pode provocar doenças incuráveis no pulmão, como por exemplo um tipo raro de câncer na membrana em volta do pulmão. Mata em no máximo dois anos. Ele está no freio do carro, na caixa d'água, nas telhas mais comuns das casas brasileiras e em mais três mil produtos. A maior mina do Brasil e a quarta do mundo fica no interior de Goiás.

Sem-terra estão devastando a mata do maior assentamento do Paraná. As árvores são cortadas sem autorização do instituto ambiental e vendidas por um preço abaixo do mercado. São espécies nativas como canela, cedro e marfim. Para fugir da fiscalização o transporte das toras é feito à noite. A área de onde são tiradas as árvores foi ocupada pelos sem-terra há três anos e desapropriada para reforma agrária. Mil e 500 famílias vivem nos lotes e o desmatamento está fora de controle. A derrubada abre clareiras e atinge faixas de preservação permanente, como as margens do rio Iguaçú. Até uma serraria clandestina foi construídano assentamento.

Morre em São Paulo o ex-governador Franco Montoro. Ele fez 83 anos quarta-feira, mesmo dia em que teve um infarto. Atualmente, era deputado federal. Montoro está sendo velado no palácio que ocupou entre 1983 e 1987 como um dos primeiros governadores eleitos pelo povo depois de quase 20 anos de regime militar. Foram dias em que o Palácio dos Bandeirantes teve uma importância política sem precedentes, como centro de articulação da campanha das Diretas Já e dos grandes comícios. Com a abertura, Montoro ajudou a construir o PMDB, e depois, discordando dos rumos do partido, criou o PSDB junto com o governador Mário Covas e o presidente Fernando Henrique Cardoso, que ao anunciar o novo ministério, homenageou o velho companheiro.

GLOBO - JORNAL DA GLOBO - 00H30

O ministério anunciado pelo presidente Fernando Henrique parece fortalecer os tucanos. Mas deixou o PMDB irritado, por não ter sido ouvido, e o PFL de orelha em pé: não foi atingido pelas mudanças mas também não foi prestigiado. Um dos primeiros problemas do presidente, pelo jeito, vai ser um problemão: a transferência, disfarçada de transformação, dos bancos regionais do nordeste e da Amazônia, hoje sob os cuidados da Fazenda, de Pedro Malan, para um novo ministério. Essa foi a condição imposta por Fernando Bezerra (PMDB) para aceitar o Ministério da Integração Nacional.

Está aberta também agora a temporada de disputa pelo segundo escalão. O presidente do BNDES, Pio Borges, pediu demissão. Ele é da turma que nunca se entendeu com o novo chefe, o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho. Já se fala em Andrea Callabi, hoje no Banco do Brasil, para o lugar de Pio Borges no BNDES. E em Sérgio Cutolo, ex-presidente da Caixa Econômica, amigo do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e que perdeu o emprego na Secretaria de Desenvolvimento Urbano, para o Banco do Brasil no lugar de Callabi. Outra que também perdeu o emprego, a secretária de Administração, Cláudia Costin, chegou a ser mencionada para a secretaria executiva do Ministério do Orçamento.

Franklin Martins: "Tem gente na oposição dizendo que não houve reforma mas um banho de loja no governo. Mas independente de que quantativamente não houve uma grande mudança no governo, a verdade é que houve reformas importantes. A mais significativa talvez tenha sido o deslocamento de Clóvis Carvalho da Casa Civil para o Desenvolvimento. Porque abriu espaço no Palácio do Planalto para que passasse a haver uma coordenação política que Clóvis nunca permitiu. E porque vai reforçar um ministério importante na área econômica na hora da retomada do desenvolvimento."

O presidente disse que a nova equipe vai cortar gastos, aumentar as exportações e reduzir as diferenças regionais. Mas o objetivo do discurso parece ter sido reafirmar a autoridade presidencial e, principalmente, tentar o que hoje parece quase impossível: acabar com os ódios, rivalidades e divisões dentro do governo. "A mudança obedeceu exclusivamente ao seu propósito de reorganizar o governo, para que o governo possa se empenhar num rumo de retomada de desenvolvimento com estabilidade e com responsabilidade fiscal", disse o presidente ao anunciar o novo ministério.

Sobre lealdade, o presidente disse que todos os ministros foram escolhidos por ele, a quem devem lealdade, e também ao país. Sobre os partidos, o presidente disse que as grandes mudanças só têm sentido se efetivamente melhorarem o cotidiano das pessoas ao longo do tempo e, portanto, estiverem sintonizadas com a sociedade, o que requer um governo unido e coeso, apoiado incondicionalmente pelos partidos que compõem a base do governo, e não um governo partido em facções, concluiu.

O presidente lembrou que precisa de pessoas que estejam efetivamente ocupadas com os problemas a resolver e que não se perca numa infinidade de brigas, de futricas e de disputas por espaço. O presidente rebateu as críticas à demora no anúncio do novo ministério. "Enganam-se os que pensam que eu hesitei. O presidente só teve um pensamento: tentar não errar para corresponder aos anseios do país."

Depois de anunciar a chamada reforma, o presidente Fernando Henrique foi ao velório do ex-governador de São Paulo, Franco Montoro, onde permaneceu durante uma hora, boa parte do tempo ao lado da viúva, dona Lucy. Fernando Henrique e Montoro caminhavam lado a lado na política desde os anos 70, quando os dois faziam oposição ao regime militar, no velho MDB. Juntos também participaram da campanha das Diretas e da eleição de Tancredo Neves. Montoro foi um dos fundadores do PSDB. Aos 83 anos, o ex-governador de São Paulo continuava fazendo política. Era deputado federal ouvido e respeitado pelos principais líderes tucanos.

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