26/01/1999

JORNAL DO BRASIL

- Dólar vai a R$ 1,80 e testa o BC - O mercado continuou testando ontem a nova política do Banco Central e chegou a cotar o dólar a R$ 1,80, fechando o dia em R$ 1,76. A valorização da moeda americana já chega a 45,4% desde o dia 13, quando o Governo modificou o sistema de bandas. Apesar do feriado em São Paulo, saíram do País US$ 95 milhões. O Governo deu os primeiros passos para a unificação das cotações dos segmentos comercial e flutuante. (pág. 1 e 13)

- O governador Anthony Garotinho saiu com boas notícias do encontro de ontem com Joel Rennó, presidente da Petrobras. A estatal tem R$ 5,7 bilhões para investimentos no Rio nos próximos cinco anos. Em 1999, serão R$ 141 milhões em cinco grandes projetos. Segundo Garotinho, a Petrobras vai reativar também a indústria naval destinando 15 navios para reparos nos estaleiros fluminenses, ao preço de R$ 150 milhões, gerando cerca de 4.000 empregos diretos. (pág. 1 e 18)

- Os servidores públicos federais aposentados e pensionistas e os funcionários públicos da União da ativa vão pagar as novas alíquotas de contribuição previdenciária também sobre o 13º salário. O desconto está previsto no projeto de lei que deve ser votado hoje pelo Senado. O anúncio foi feito, ontem, pelo ministro da Previdência, Waldeck Ornelas, e se aprovado começa a vigorar a partir de 1º de maio. Com a cobrança, o Governo espera arrecadar R$ 4,1 bilhões em 12 meses. (pág. 1 e 5)

- Em resposta às pressões da base aliada no Congresso por medidas de combate à recessão e de retomada do desenvolvimento, o Governo anunciou ontem a criação de dois grupos interministeriais que apresentarão propostas nas áreas de produção e emprego. Os dois grupos serão coordenados pelo ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer. (pág. 1 e 3)

- A energia elétrica em Niterói, São Gonçalo, Baixada Fluminense e interior está 2,74% mais cara a partir de hoje. O reajuste ficou acima da inflação, que no mesmo período foi de 2,18%. Com o aumento da Cofins nos derivados de petróleo o preço desses produtos pode subir 3,8%. (pág. 1, 14 e 16)

- O presidente do Congresso Nacional, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL- BA), disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso tem que dar, no mais curto prazo de tempo possível, sinais à sociedade de que o Governo está conseguindo superar a crise econômica. "Não acho que esteja havendo lentidão, mas reconheço que deve haver mais pressa".

"As duas coisas são diferentes", disse o senador. Para ele, Fernando Henrique deve elaborar uma agenda para a superação da crise para mostrar que tem condições de dar prosseguimento ao programa de desenvolvimento do País logo que passar "esse turbilhão de irracionalidade do mercado financeiro", disse o senador.

Antônio Carlos afirmou ainda, que está faltando mais agilidade na forma de agir para enfrentar a crise. Mas evitou fazer críticas ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, ou a qualquer outro integrante da equipe econômica. Antônio Carlos Magalhães criticou os "boateiros que a cada dia estão criando boatos para contagiar a elite brasileira". (...) (pág. 2)

- O Governo decidiu criar dois grupos interministeriais para discutir propostas nas áreas de produção e emprego. O anúncio foi feito ontem pelo coordenador político do Governo, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga.

A primeira reunião dos grupos, que serão coordenados pelo ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, foi marcada para quinta-feira. A iniciativa é uma resposta às pressões da base parlamentar aliada no Congresso, que cobra medidas de combate à recessão e a retomada do desenvolvimento. E responde também à perplexidade provocada pelas incertezas no mercado de câmbio. (...) (pág. 3)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso se esforçou ontem para desfazer os boatos que previam uma nova mudança na política econômica do Governo por meio de uma centralização cambial. O Presidente determinou ao porta-voz da Presidência, embaixador Sérgio Amaral, que fizesse um pronunciamento afastando qualquer possibilidade de controle de câmbio. Para Sérgio Amaral, o esforço atual do Governo é evitar o que ele chamou de "inflação preventiva", ou seja, empresários que remarcam os preços para evitar perdas no futuro. (...) (pág. 3)

- O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), aproveitou as alegações apresentadas ontem contra a Advocacia-Geral da União, no Supremo Tribunal Federal (STF), para criticar o Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Não é necessário maior esforço para constatar que a deterioração das expectativas dos agentes econômicos relativamente às perspectivas do País não se funda no estado de necessidade administrativa" de Minas, afirmou, dizendo que a onda de previsões negativas "é fruto do desastrado desempenho do Governo federal em sua política econômico-financeira. (...) (pág. 4)

COTAÇÕES

- Salário mínimo: R$ 130. Dólar comercial: R$ 1,7598 (compra), R$ 1,7606 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,700 (compra), R$ 1,850 (venda). Dólar turismo (Banco do Brasil - compra): R$ 1,55, (Banco do Brasil - venda): R$ 1,85. TR do dia 26/12 a 26/01: 0,4910%. TBF do dia 22/01 a 22/02: 2,4687%. (pág. 1)

EDITORIAL

"Abalo de confiança" - Aos olhos dos brasileiros espantados, a revelação dos números gigantes que apresentam o Brasil, do endividamento externo à dívida interna, acentuou o contorno da crise econômica desencadeada pela desvalorização do real. É certo que não haverá solução sem restabelecimento da confiança nem se restabelecerá a confiança sem a grande negociação política nacional. (...) (pág. 10)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - O departamento de efeitos especiais do Governo federal anda pouco criativo e dado a brincadeiras de mau gosto. É antiga a fórmula de se criar uma comissão, um grupo de trabalho ou mesmo lançar uma discussão a propósito de tema de aparente relevância quando não se sabe bem o que fazer ou dizer.

Sinceramente, essa idéia grandiloquente de se formar um grande fórum nacional de debates pró-desenvolvimento está com todo jeito de ser daqueles temas "do bem" criados para que deles a imprensa se ocupe a fim de deixar de lado assuntos mais complicados. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Marcia Carmo) - Um dos parlamentares mais antigos no Congresso, com 16 anos como deputado e senador, o acadêmico Roberto Campos assistiu ao início e ao fim de vários planos econômicos. Amanhã, ele se despedirá do Senado em meio a mais uma crise.

"É hora de dizer não à reindexação, não ao controle de preços, não a novas bandas cambiais. É hora de deixar o câmbio flutuar para encontrar equilíbrio. De dizer sim às reformas fiscais e previdenciárias e às privatizações. As propostas fiscais foram tímidas".

Liberal, para muitos em excesso, ele acha que FH começou a perder credibilidade justamente porque errou o "timing" da liberação cambial. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- BC unifica o câmbio a partir de segunda - O Governo federal anunciou duas medidas para aumentar a oferta de dólares no mercado e evitar desvalorizações do real.

A partir de hoje, os bancos estão autorizados a tomar 50% a mais de empréstimos em dólar no dia-a-dia para atender aos clientes que queiram comprar a moeda norte-americana - o que poderá aumentar em até US$ 1,2 bilhão a oferta total.

Os menores bancos podem agora obter até US$ 8,475 milhões. Para os maiores, o limita sobe para US$ 33,75 milhões.

O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou a unificação, a partir de segunda- feira, dos mercados flutuante e livre do dólar, que terão cotação única. Os dólares de um dos mercados poderão suprir necessidades do outro. (pág. 1 e 2- 1)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso "lamenta que se dê curso à especulação de centralização de câmbio", afirmou o porta-voz Sérgio Amaral.

A idéia foi defendida pela "Folha" em editorial no domingo. "Se fosse para centralizar, não seria necessário desvalorizar", disse. (pág. 1, 2-1 e 2- 3)

- A premiação de "Central do Brasil", de Walter Salles, como melhor filme estrangeiro no 56º "Globo de Ouro", anteontem, aumentou suas chances de conquistar um Oscar em março.

O filme possui um enredo que agrada a Hollywood: a transformação de um adulto em contato com uma criança. (pág. 1 e 4-1)

- O ministro Celso Lafer (Desenvolvimento) vai propor hoje aos presidentes de 27 federações estaduais da indústria um pacto antiinflação.

Lafer nega reedição das "câmaras setoriais" - que chamou de "herança de uma economia inflacionária". Poderão ser dados benefícios a empresas em troca da geração de empregos. (pág. 1 e 1-6)

- Pelo menos 73 pessoas morreram e 800 ficaram feridas em razão de um terremoto que atingiu ontem à tarde a região centro-oeste da Colômbia.

O tremor, de 6 graus na escala Richter, chegou a ser sentido em Bogotá (capital). Diversas cidades ficaram sem comunicação telefônica. (pág. 1 e 1- 9)

- O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, disse que os preços dos combustíveis não subirão devido à desvalorização cambial o que trará prejuízo à Petrobras.

Considera admitiu que deve haver aumento de até 3,8% no preço da gasolina, a partir de 1º de fevereiro, caso se confirme o repasse ao consumidor do aumento de 2% para 3% da alíquota da Cofins. (pág. 1 e 2-3)

EDITORIAL

"Sonatas do Banco Central" - Num momento em que as decisões sobre o destino do País tornam-se a cada dia mais urgentes, o Banco Central anunciou ontem a data de 1º de fevereiro para a unificação dos mercados de câmbio.

É um passo correto, voltado para o aumento da transparência nesses mercados. Mas, na atual situação de crise aguda, parecem duvidosos os seus efeitos sobre a confiança na moeda brasileira. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - Segundo estudo reservado da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a crise do Real pode fazer o índice de desemprego do IBGE atingir 12% até o fim do 1º semestre. Em novembro de 98, a taxa era de 7,04%. Quando FHC assumiu, janeiro de 95, 4,42%.

PFL e PMDB desconfiam que há articulação tucana para tomar conta do Governo. Temem perder espaços. ACM, que andava quieto à espera de que a reeleição para o Senado fosse sacramentada, saiu em defesa de Malan. (pág. 1- 4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Câmbio muda para aumentar oferta de dólar - O Governo anunciou ontem duas medidas destinadas a conter a especulação com o dólar e reduzir a pressão sobre o mercado à vista de câmbio. As mudanças permitirão a unificação das taxas cambiais das instituições financeiras e o aumento de 50% dos limites de contratos de venda de dólar sem que os bancos possuam a moeda em espécie, ou seja, para entrega futura.

A unificação das taxas livres (comercial) e flutuante (turismo), que entrará em vigor no dia 1º, é considerada uma "adaptação" ao regime de flutuação do dólar. O objetivo é evitar que a escassez de dólares pressione as cotações.

"Na sexta-feira, havia dinheiro sobrando no flutuante e faltando no comercial", de acordo com a Assessoria de Imprensa do Banco Central (BC). Já o aumento da chamada posição vendida dos bancos entra hoje em vigor. Com a decisão tomada pela diretoria do BC, o limite máximo da capacidade de endividamento em dólares de cada instituição atuante nos dois mercados subirá de R$ 22,5 milhões para até R$ 33,7 milhões. (...) (pág. 1 e B1)

- Missão do FMI chega para avaliar economia - Uma missão técnica do FMI desembarca hoje no Brasil, segundo informou a direção da instituição em Washington. O grupo avaliará o desempenho da economia.

Uma segunda missão negociadora, que terá como objetivo discutir eventuais medidas adicionais na área fiscal, a partir da adoção do câmbio flutuante, virá ao País provavelmente no início da próxima semana.

A primeira análise do andamento do acordo brasileiro com o Fundo terá de estar concluída até o fim de fevereiro. (pág. 1 e B5)

- "A melhor contribuição que, neste momento, os dirigentes argentinos podem dar aos nossos vizinhos brasileiros é elogiar publicamente os méritos do regime de conversibilidade monetária. Se os líderes brasileiros quisessem, poderiam pôr fim, de imediato, à crise que causa tantos danos à região.

Para quem conhece bem a experiência do regime que nos rege desde 1º de abril de 1991, deve ser fácil perceber que o Brasil resolverá o problema se aplicar nosso sistema de conversibilidade. E o País está nas melhores condições para fazer isso". (Domingo F. Cavallo) (pág. 1 e B11) p 5,1 - "A proposta de centralizar o câmbio agradou aos empresários e desagradou aos economistas e profissionais do mercado financeiro. Os primeiros a apoiaram encantados com a promessa de que haveria queda dos juros e estabilização da taxa de câmbio. Os segundos, melhor conhecendo suas consequências, viram na idéia o risco de desastre.

O Brasil viveu duas experiências de centralização cambial, em 1983 e 1989. Eu estava no governo em ambas. É uma experiência dramática. A medida justifica-se apenas quando todas as demais se tornaram inviáveis. Os danos à economia e à imagem do País são incomensuráveis e duradouros. A mera discussão do tema já é prejudicial. (Mailson da Nóbrega) (pág. 1 e B3)

- Os líderes partidários estudam a possibilidade de nova convocação extraordinária do Congresso para acelerar a tramitação, na Câmara, da proposta que prorroga a vigência da CPMF e aumenta a sua alíquota. O objetivo do Governo é que a alíquota de 0,38% entre em vigor em maio.

Desde a semana passada, os governistas tentam, sem sucesso, fechar um acordo com a oposição para modificar o regimento e diminuir os prazos de tramitação da matéria. O presidente da Câmara, Michel Temer, acha mais "razoável" estender a convocação que mudar o regimento, mas avisa que não haverá salário extra. (pág. 1 e A4)

EDITORIAL

"Quem quer a derrota do Brasil" - O governador petista Jorge Viana, do Acre, fala com clareza: "Não é hora para revanchismo. Se tem alguém querendo derrotar FHC, está errado, a eleição já passou. Derrotá-lo significa derrotar o Brasil". (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - O Governo enfrentará, a partir do dia 2 de fevereiro, uma nova realidade política no Congresso Nacional, que deverá ser apresentada a ele com o mesmo tom cinzento com que a sociedade consegue visualizar hoje o futuro próximo da economia brasileira.

O presidente Fernando Henrique Cardoso está contando com a manutenção de uma maioria folgada na Câmara e no Senado para aprovar as matérias de interesse em seu Governo - presume-se um nível de lealdade equivalente ao do mandato anterior. (...) (pág. A6)

O GLOBO

- Produtores de alimentos anunciam aumento de preçoes - Apesar de os supermercados terem avisado que vão resistir a aumentos injustificados, os fornecedores começaram a enviar ontem para o varejo as novas tabelas com reajustes de até 21% no preço de alimentos como café, farinha de trigo, queijo, carne bovina, frango e óleo de soja. A negociação desses produtos ficou praticamente paralisada ontem e o presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio, José de Sousa, garantiu que a alta do frango e da carne de boi é especulativa.

"O mercado está bem abastecido, não há motivo para aumentos imediatos", disse Sousa. O porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, disse que o consumidor deve voltar a fazer pesquisa e que cabe à sociedade e aos empresários não aceitarem aumento de preços. O presidente Fernando Henrique anunciou a criação de dois grupos interministeriais para elaborar um programa de desenvolvimento e emprego para o País, com recursos do BNDES, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. (pág. 1, 21 e 23)

- O Banco Central anunciou ontem a unificação dos câmbios comercial e flutuante, que a partir de segunda-feira terão apenas uma taxa média divulgada no fim da tarde pelo BC. As regras para os negócios no comercial e no flutuante, entretanto, serão mantidas, mas as instituições poderão agora transferir as sobras de dólares de um segmento para o outro, o que deverá reduzir a pressão sobre o preço da moeda nos dois mercados. (pág. 1 e 24)

- A taxação previdenciária de servidores ativos, inativos e pensionistas, que o Senado vota hoje, atingirá também o décimo terceiro salário. O presidente da Câmara, Michel Temer, quer a autoconvocação do Congresso em fevereiro para apressar a aprovação da CPMF. (pág. 1, 4 e 5)

- A manifestação pública de desapreço por causa de raça, opção sexual, origem, etnia e religião será crime punido com detenção, segundo o projeto do novo Código Penal. Um soropositivo de Aids que tiver relações sexuais sem camisinha também vai ser condenado. (pág. 1 e 9)

- O governo do estado decidiu apertar ainda mais o cerco aos devedores de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS): a secretaria estadual de Fazenda e a Procuradoria-geral do estado ampliaram de 200 para mil o número dos maiores devedores, que serão fiscalizados com rigor. O próximo alvo será uma empresa multinacional. Ela deve cerca de R$ 16 milhões. (pág. 2 e 18)

- A Polícia Federal vai investigar o desvio de alimentos do Comunidade Solidária no Pará. A decisão foi tomada depois que a Polícia Civil encontrou 32 sacos de farinha, com a inscrição do programa, à venda num supermercado de Conceição do Araguaia. O alimento estava com prazo de validade vencido. Vereadores da cidade denunciaram, nas eleições do ano passado, o desvio de cestas básicas. (pág. 2 e 9)

- O presidente Fernando Henrique não aceitou o convite do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), para participar da inauguração da fábrica da Peugeot, no Rio. Seria uma oportunidade para o Presidente se encontrar com governadores da oposição. O porta-voz Sérgio Amaral alegou que Fernando Henrique já havia assumido compromissos em São Paulo no próximo dia 29. (pág. 2 e 10)

- Na primeira reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, e o secretário de Indústria e Comércio argentino, Alieto Guadagni, o governo argentino pediu que o Brasil restrinja os financiamentos do Programa de Incentivos às Exportações (Proex) para países fora do Mercosul. O Brasil pediu a manutenção das vendas de petróleo e trigo argentinos ao câmbio antigo. (pág. 2 e 26)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso criou ontem dois grupos de ministros que vão estudar propostas nas áreas da Produção e do Emprego para a elaboração de um programa de desenvolvimento para o País. A primeira reunião acontecerá já nesta quinta-feira, sob o comando do ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer. Juntos, os ministros terão a tarefa de dinamizar a destinação de recursos do BNDES, da CEF e do Banco do Brasil a quatro áreas apontadas como prioritárias: habitação, saneamento, turismo e agroindústria familiar. (...) (pág. 3)

- O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), sugeriu ontem que o Governo federal lidere o pacto pelo desenvolvimento no País, começando pela montadora Ford, que demitiu 2.800 funcionários na véspera do Natal.

Antônio Carlos afirmou que o Governo pode abrir mão de parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e os governos estaduais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), para possibilitar a diminuição dos preços e o aumento das vendas dos automóveis. (...) (pág. 3)

- O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai propor hoje aos líderes da base governista que o Congresso se autoconvoque, no período entre os dias 1º e 15 de fevereiro, para encurtar o tempo de tramitação da emenda que prorroga e aumenta a alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Se for aceito, a tramitação da emenda ganhará oito sessões nesse período. (...) (pág. 4)

EDITORIAL

"Ajuste nacional" - Especialistas do mercado financeiro internacional, reunidos em Nova York pelo Conselho das Américas, afirmaram que depende em boa parte dos governos estaduais o retorno da confiança dos investidores no Brasil.

Os estados não estão sendo responsabilizados pela crise. Mesmo a moratória anunciada pelo governador Itamar Franco - um caso clássico de decisão errada no pior momento - foi apenas um entre muitos fatores de inquietação e descrédito.

Agora e nos próximos meses, no entanto, o comportamento dos governadores será visto como forte indicador das chances de êxito do ajuste fiscal. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Nada mais batido, no Brasil contemporâneo, do que o chamado dos governos ao pacto nacional quando o calo aperta. Muda o objetivo. O de agora é pacto pelo desenvolvimento. A idéia, bonita, altruísta e quase romântica, pode até funcionar em famílias ou sociedades, mas não entre entes políticos que disputam poder. A proposta verbalizada pelo ministro Pimenta da Veiga foi imediatamente rejeitada pelas forças de oposição. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - A Petrobras anuncia este mês os nomes dos grupos pré- qualificados na concorrência para desenvolvimento do campo de Barracuda, na Bacia de Campos, ao custo de US$ 1,3 bilhão.

Quatro gigantes estão bem cotados; Dresser Halliburton (EUA), ABB (Suíça), Aker e Kvaerner (ambos da Noruega).

Gente do setor dá como pule de dez a escolha do americano.

Antes de transferir seu teatro para as mãos da Igreja Universal do Reino de Deus, a atriz Tereza Rachel apelou ao Ministério da Cultura.

Mas quebrou a cara.

Há 20 dias, enviara um fax ao ministro Francisco Weffort pedindo ajuda.

Só ontem recebeu a resposta.

"Ele disse simplesmente que agradecia por eu ter lhe comunicado o destino de meu estabelecimento" - queixou-se. (pág. 14)

CORREIO BRAZILIENSE

- Alimentos mais caros - As grandes redes de supermercados do País começaram a receber ontem tabelas de fornecedores com aumentos de até 21% nos preços de produtos como café, farinha de trigo, queijo, carne bovina, frango e óleo de soja. Os comerciantes não aceitaram os reajustes e praticamente suspenderam as compras. O presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio, José de Sousa, tachou de especulativa a alta do frango e da carne de boi. O Governo também reagiu, condenando a elevação de preços de produtos que nada têm a ver com a desvalorização do Real e a cotação do dólar. O porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral, pediu que a sociedade e os empresários rejeitem aumentos abusivos. Mas a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão ligado ao Governo autorizou reajuste de 2,74% nas tarifas da Companhia de Eletricidade do Rio (Cerj). (...) (pág. 1, 2 e 3)

- Os servidores públicos do Distrito Federal estão proibidos de fazer viagens e cursos fora de Brasília com recursos do governo local. Uma das medidas que o governador Roriz promete adotar para conseguir economizar R$ 128 milhões este ano.

Até o segundo semestre estão previstas várias outras tesouradas, como o corte de 30% dos cargos comissionados, a extinção de órgãos da administração e o cancelamento da publicidade do Banco de Brasília (BRB). (pág. 1 e 7)

- O governador Joaquim Roriz admitiu que poderá haver atraso de "um, dois ou três dias" no pagamento do reajuste de 28,86% prometido aos servidores. O pagamento seria feito no próximo dia 29.

Segundo Roriz, o motivo da demora é o "trabalho gigantesco" feito por técnicos do governo, que analisam a situação de cada um dos servidores para definir o percentual de aumento a que eles têm direito. Nem todos ganharão reajuste integral. A folha suplementar será paga quando os cálculos forem concluídos. (pág. 1 e 2)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Brasil rejeita dolarização proposta pela Argentina - A ousada proposta argentina de dolarizar as economias dos países do Mercosul foi formalmente rejeitada ontem pelo Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, recebeu, por escrito, a proposta encaminhada pelo ministro da Economia da Argentina, Roque Fernandez. "Essa proposta não contribui, na nossa primeira avaliação, ao encaminhamento construtivo de longo prazo em torno do Mercosul", disse Lafer, depois de uma reunião com o secretário de Comércio e Indústria argentino, Alieto Guadagni, que veio ao Brasil discutir formas de atenuar o impacto da desvalorização do real na economia de seu país. (...) (pág. 1 e 9)

- Os líderes dos partidos que apóiam o Governo estão decididos a encurtar o caminho da aprovação da CPMF. A idéia é fazer uma autoconvocação do Congresso. Com isso, correria o prazo para a contagem das oito sessões para que a emenda seja votada na comissão especial. A autoconvocação não incorreria em gastos para o Tesouro porque os parlamentares não seriam remunerados por comparecer às sessões. (...) (pág. 1 e 3)

- O Banco Central anunciou, ontem, o primeiro ajuste nas regras do mercado de câmbio. Os bancos foram autorizados a unificar as operações com o dólar comercial e o dólar turismo, a partir de segunda-feira. Hoje, como esses mercados são separados, os bancos não podem usar divisas de um segmento para cobrir a escassez no outro. (...) (pág. 1 e 11)

- (...) O filme brasileiro "Central do Brasil", dirigido por Walter Salles, ganhou o Globo de Ouro, um prêmio da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, que na prática é um passo prévio para a indicação ao Oscar. Fernanda Montenegro, radiante de felicidade, agradeceu aos norte-americanos por terem recebido tão bem o filme brasileiro. (...) (pág. 1 e 2)

CORREIO DO POVO

- Um convite do Governo federal para uma conversa hoje em Brasília pode representar o início da negociação para a repactuação da dívida mobiliária do estado. Esta é a expectativa do vice-governador Miguel Rossetto, que, ontem à noite, informou que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, recebe hoje o secretário da Fazenda, Arno Augustin, e o chefe da Casa Civil, Flávio Koutzii, para tratar da dívida. Ambos vão reafirmar que o RS não tem condições de pagar R$ 850 milhões por ano de parcelas da dívida, deixando de lado questões sociais como saúde e educação. Segundo Rossetto, o governo espera que a União reconheça a dramática situação financeira dos estados e opte pela repactuação. (capa)

- Aviões norte-americanos bombardearam ontem cinco instalações de defesa antiaérea localizadas no norte e no sul do Iraque, em resposta às tentativas de Bagdá de desafiar a demarcação das zonas de proibição de vôo sobre seu território. Foi o terceiro dia consecutivo de incidentes nas zonas de exclusão aérea nestas regiões. Caças norte-americanos F15F e quatro caças F/A-18 Hornet dispararam contra unidades da defesa antiaérea iraquiana posicionadas ao sul do País, na cidade de Basra, por volta das 4h25 locais. Segundo o prefeito da cidade, Ibrahim Hamash, pelo menos 11 civis morreram e outros 59 ficaram feridos. (capa)

MANCHETES

HOJE EM DIA (MG)

- Dólar dispara preços

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Crise eleva preços no comércio

O DIA (RJ)

- Governo obriga Telerj a instalar 127 mil linhas

CORREIO DO POVO (RS)

- BC inicia unificação do câmbio

TELEJORNAIS

RECORD-JORNAL DA RECORD-19H20H

- A Ericsson vai demitir mais de 10% dos seus funcionários. A empresa, uma das maiores fabricantes de telefones celulares e equipamentos de telefonia do mundo, fez o anúncio dos cortes em sua sede, na Suécia. Nos próximos dois anos, as demissões deverão atingir 11 mil dos 104 mil funcionários da Ericsson em vários países. A empresa, que tem filial no Brasil, alega queda nos lucros provocada, principalmente, pela crise asiática.

- Dia nervoso nos mercados financeiros internacionais. O medo de que a China desvalorize sua moeda fez a maioria das bolsas de valores da Ásia fechar em baixa. O banco central e o governo da China negaram qualquer plano nesse sentido, mas não conseguiram acalmar os investidores. Em Hong Kong, a queda atingiu 2,5%. A exceção foi a Bolsa de Tóquio, que subiu 0,4% por causa do otimismo sobre a reforma bancária no Japão. Na Europa e em Nova Iorque, as bolsas abriram em baixa mas reagiram ao longo do Pregão. A Bolsa de Londres subiu 0,3%. Em Paris a alta foi de 0,8% e, em Frankfurt, a bolsa caiu 0,4%.

- A Bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 0,9%. A Bolsa do Rio caiu 0,7%. Em São Paulo não houve Pregão, devido ao feriado. O aniversário de São Paulo também atrapalhou os negócios com o câmbio. Em dia de poucas transações, o dólar comercial teve uma desvalorização de 3,8%. Foi negociado a R$ 1,80, contra R$ 1,73 na sexta-feira.

- O Conselho Monetário Nacional decide unificar o dólar comercial e o flutuante. Hoje os bancos podem negociar, por dia, US$ 5 milhões no câmbio comercial e US$ 1 milhão no câmbio turismo. Como a procura pelo dólar turismo está muito alta, a cotação sobe. O Banco Central permitiu, então, que os bancos vendam os US$ 6 milhões como quiserem, no câmbio comercial ou no turismo. O governo espera, assim, diminuir a pressão e reduzir as cotações do dólar. Mas, mesmo com as mudanças no câmbio, o país precisa cortar despesas dentro de um forte ajuste fiscal, alertou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente.

- O ministro do Desenvolvimento abre nesta terça-feira negociações com todas as federações de indústrias do país, para evitar a alta de preços e a volta da inflação. Também nesta terça, chegam ao Brasil duas equipes técnicas, do BID e do FMI. Elas vêm para uma revisão das condições econômicas do país e da estratégia fiscal do governo.

- O presidente Fernando Henrique Cardoso está preocupado em desmentir notícias sobre uma eventual centralização do câmbio. Segundo o porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral, tudo não passa de especulação. Sobre os negócios no mercado de câmbio, os negócios foram poucos e o dólar comercial teve uma valorização de 3,8%. O dólar comercial foi negociado na segunda-feira a R$ 1,80. Na sexta-feira ele foi negociado a R$ 1,73.

- A Argentina quer compensações para os produtos importados do Brasil, por causa da desvalorização do real. A discussão já começou. O ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, se reuniu em Brasília com o ministro da Indústria e Comércio da Argenetina. Os argentinos querem que o governo brasileiro reduza os incentivos aos exportadores. O governo da Argentina teme uma inundação de produtos brasileiros, por causa da mudança no real.

- Salette Lemos: "A unificação do câmbio, anunciada pelo governo para valer já a partir de 1º de fevereiro, era esperada para daqui dois ou três meses. Antecipada para já, acaba evidenciando a falta de rumo da política econômica. Enquanto empresários e autoridades econômicas discutem a centralização do câmbio, negada pelo governo, o governo anuncia a unificação. O objetivo da medida é uma menor flutuação das cotações que insistem em seguir curvas ascendentes. Como o câmbio comercial tinha junto ao mercado um apelo mais oficial, a intenção é que, a partir da unificação, sejam menores os solavancos. É uma medida de efeito duvidoso, uma vez que não temos mais credibilidade junto ao mercado no controle da política cambial."

- O Congresso entra na semana final da convocação extraordinária. É a chance de o governo votar as últimas medidas do ajuste fiscal antes da chegada dos novos deputados e senadores, a partir do dia 1º de fevereiro. O governo conta com a aprovação do projeto que cria a contribuição previdenciária dos inativos e aumenta a alíquota dos que estão na ativa, nesta terça-feira, pelo Senado. Antes de se reunir com o Senado na quarta-feira, para votar o orçamento, a Câmara tem dois grandes desafios. Um é aprovar os três projetos que faltam da reforma administrativa, entre eles, o que limita os gastos da administração pública com pessoal. O outro desafio é a CPMF. O governo quer apressar a votação do projeto que aumenta e prorroga a contribuição. Nesta terça-feira, a base começa a conversar com os líderes, inclusive da oposição, para reduzir os prazos de tramitação. Se fosse seguir à risca o regimento, a CPMF só seria votada em abril.

- O presidente Fernando Henrique pretende dar essa semana os primeiros passos de seu plano de desenvolvimento. O presidente quer dois blocos de ministérios coordenando ações conjuntas. Um na área de produção e outro na área de emprego. Eles terão a tarefa de propor ações imediatas de desenvolvimento nas áreas de habitação, saneamento, agroindústria e turismo. A primeira reunião, a do grupo de produção, que envolve cinco ministros, está marcada para quinta-feira. O esforço é para tentar afastar o fantasma da recessão.

BANDEIRANTES-JORNAL DA BAND-20H

- O governo decide unificar as taxas de câmbio para enfrentar a crise. A partir de 1º de fevereiro, operações de importação e exportação, turismo e todas as entradas e saídas de dólares vão ser feitas com a mesma taxa. O dólar comercial e o dólar turismo desaparecem. Ao unificar o câmbio, o Banco Central espera melhorar a circulação de dólar e reduzir a pressão sobre as cotações sem ter que gastar mais dinheiro das reservas. Hoje há dois mercados de dólares: o flutuante, para os turistas, e o comercial, para importadores e exportadores. Os dois mercados são separados. O dólar que sobra de um lado não pode passar para o outro.

- O real volta a cair em relaçao ao dólar. Fechou segunda-feira a R$ 1,78. Desde a liberação do câmbio, o real já perdeu 32% do seu valor. Nessa segunda saíram do Brasil US$ 107 milhões.

- A desvalorização do real pesa no bolso do consumidor. Uma pesquisa feita em Brasília, pela Federação do Comércio, mostra que, em apenas nove dias, o comércio aumentou os preços em quase 3%. O preço dos produtos importados e do pãozinho também subiu. Donos de padaria, por exemplo, que usam trigo argentino, estão repassando os custos. O preço do pãozinho já está R$ 0,02 mais salgado.

- O porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral, desmente que o governo esteja preparando um novo plano para salvar o real. Ele desmentiu, também, que o Brasil vá adotar a centralização do câmbio para estabilizar as cotações do dólar.

GLOBO-JORNAL NACIONAL-20H

- O dólar comercial e o dólar turismo vão ter a mesma cotação. A novidade anunciada pelo Banco Central é mais uma tentativa de acalmar o mercado de câmbio. A partir da próxima segunda-feira, o Banco Central passa a anunciar apenas uma cotação para o dólar. Já nesta terça-feira, os bancos poderão comprar e vender 50% mais dólares, mas só entre os próprios bancos. Para o consumidor não muda nada.

- Chega ao Brasil uma equipe de técnicos do FMI para conferir o ajuste fiscal brasileiro. Na próxima semana, a missão de negociadores do Fundo é que estará aqui, para fazer um acompanhamento de todas as mudanças na economia e revisar o acordo firmado com o Brasil, em novembro do ano passado.

- Começa a queda de braço entre o comércio e fornecedores. Os supermercados decidem suspender compras e indicar nas prateleiras os produtos que tiveram alta de preço. Pecuaristas seguram o boi no pasto. A cotação da arroba sobe e a carne chega mais cara aos açougues. Em Brasília, hóspedes desconfiaram de dolarização no hotel. De uma hora para outra a diária aumentou mais de 30%. A Embratur notificou o hotel.

- A cobrança da CPMF está suspensa a partir dessa segunda-feira. A prorrogação do imposto sobre o cheque e o aumento da alíquota para 0,38% ainda dependem da aprovação do Congresso. Para compensar parte da perda, o governo aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras e a contribuição sobre o lucro das empresas. A CPMF só deve voltar a vigorar no segundo semestre.


ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

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