
02/01/2000
JORNAL DO BRASIL
- Imposto de Renda castiga quem tem aumento salarial
- As correções salariais que as empresas vêm concedendo aos
empregados estão se transformando em castigo: quando atinge a faixa de R$ 1.800 mensais,
o trabalhador ingressa na faixa sobre a qual incide a alíquota máxima do Imposto de
Renda (27,5%) e passa a sofrer impacto maior da tributação sobre sua renda.
Segundo tributaristas, o congelamento por três anos da faixa salarial
com direito a isenção do IR (R$ 900) e a manutenção das faixas seguintes (alíquotas
de 15% e 27,5%) desequilibram o impacto do fisco sobre os contribuintes e agravam o
quadro, já péssimo, da distribuição de renda no País.
"No Brasil, a Receita contribui para o emburrecimento. Se o limite
de dedução dos gastos com educação fosse ampliado, estimularia a melhoria do nível
educacional", diz o jurista Ives Gandra Martins. (pág. 1 e cad. Economia, pág. 1)
- O Comando Militar do Leste, responsável pela segurança do
presidente Fernando Henrique no réveillon no Forte de Copacabana, ainda não se
pronunciou sobre a agressão praticada por soldados da Polícia do Exército contra o
fotógrafo do JB Fernando Bizerra Jr., que ontem submeteu-se a exame de corpo de delito e
registrou queixa na 13ª Delegacia Policial, acusando seus agressores de roubo, lesão
corporal e abuso de autoridade.
"Os soldados roubaram o filme de Fernando", disse o advogado
do JB, Alexandre Dumans. "Tomei socos, tapas e chutes. Pisaram na minha cabeça e
costelas. Me jogaram no chão. Fizeram ameaças dizendo que eu ia apanhar muito e
morrer", conta Fernando Bizerra. (pág. 1 e 15)
- A covarde agressão aos fotógrafos Fernando Bizerra Jr., do Jornal
do Brasil, e Sheila Chagas, da revista Veja, por energúmenos da Polícia do Exército é
triste lembrete de que os anos de arbítrio e violência deixaram marcas que o regime
democrático tem que apagar com rigor e urgência, que exigem uma firmeza, que,
infelizmente, o presidente Fernando Henrique Cardoso não parece disposto a adotar. (...)
(pág. 1)
- O ano político será marcado pelas eleições municipais de outubro,
que darão a largada para a sucessão presidencial de 2002, segundo avaliação dos
políticos aliados e de oposição ao Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na coligação que apóia o Governo, o PSDB, o PFL e o PMDB vão para
as eleições municipais tendo como meta aumentar seu cacife político com a conquista das
prefeituras de grandes cidades e das melhores coligações. A estratégia da oposição é
crescer nos grandes centros urbanos e, para isso, pretende transformar as eleições
nesses locais num julgamento do Governo Fernando Henrique.
A melhora na avaliação do desempenho do Governo neste fim de ano
fará com que a oposição tente ser mais agressiva durante a convocação extraordinária
do Congresso, marcada para começar na quarta-feira. "Vamos entrar o ano batendo duro
e queremos colocar na pauta política projetos de combate ao desemprego, à fome, à
violência e à impunidade", disse o líder do PT, deputado José Genoíno (SP).
(...) (pág. 2)
- (São Paulo) - A deputada federal e ex-prefeita Luiza Erundina
(PSB-SP) promete fazer uma aliança com a petista Marta Suplicy no segundo turno das
eleições para a prefeitura de São Paulo, em outubro, mas não admite ser vice numa
chapa encabeçada pelo PT e apoiada por outros partidos de esquerda. A sugestão de uma
dobradinha Marta-Erundina partiu da pré-candidata petista, sem consulta à concorrente,
que não gostou da idéia.
"O PSB decidiu lançar candidato onde houver possibilidade",
disse Erundina, argumentando que só assim o partido conseguirá crescer". Aprendemos
isso com o PT, que desde 1982 sempre concorre com candidatura própria". Uma das
fundadoras do partido de Luiz Inácio Lula da Silva, Erundina governou São Paulo pelo PT
de 1989 a 92. (...) (pág. 2)
- A reforma do Judiciário, que tramita há mais de cinco anos na
Câmara dos Deputados, é uma das emendas à Constituição com grandes chances de
aprovação durante a convocação extraordinária do Congresso, que começa dia 5. Os
líderes dos partidos governistas ainda discutem as modificações que serão feitas
quando o relatório da deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), já votado pela comissão
especial, for submetido ao plenário.
"Seguramente, vamos votar o primeiro turno da reforma do
Judiciário", diz o líder do Governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
(...) (pág. 3)
- Com 14 emendas à Constituição e 17 projetos de lei, a pauta da
convocação extraordinária do Congresso fixada pelo Palácio do Planalto não será
votada integralmente pelos parlamentares. A convocação começa oficialmente na
quarta-feira, mas deputados e senadores só vão aparecer para trabalhar em Brasília na
próxima semana, a partir do dia 10. O antigo Fundo de Estabilização Fiscal (FEF),
rebatizado de Desvinculação dos Recursos da União (DRU), é, para o Governo, o
principal item da convocação que termina em 14 de fevereiro. (...) (pág. 3)
- O primeiro e talvez maior desafio do Governo durante a convocação
extraordinária será resolver o impasse em torno da reforma tributária, que se arrasta
há pelo menos três meses. No próximo dia 10, a comissão tripartite - formada por
representantes de Governo, estados e comissão especial da Câmara - voltará a se reunir.
O último encontro aconteceu no dia 13 passado. (...) (pág. 3)
- Amanhã é o dia D para que o sistema financeiro do País fique
sabendo se atravessou com sucesso o bug do milênio. O Banco Central avalia que somente
após um dia de movimentação normal das agências bancárias será possível
"respirar aliviado". Até o início da noite de ontem nenhum incidente havia
sido detectado. Os sistemas das principais bolsas de valores do País, de comércio
exterior e de seguros também saíram ilesos da mudança de ano. (...) (pág. 6)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso vai se aproximar dos partidos
de oposição neste segundo ano do segundo mandato. Fernando Henrique já está mais
próximo do PDT, por conta de contatos com o líder do partido na Câmara, Miro Teixeira
(RJ), e com o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, com quem tem bom
relacionamento.
O Presidente também deseja uma aproximação maior com PT e PSB,
alegando que existem projetos no Congresso que podem unir os interesses de governistas e
oposicionistas. (...) (pág. 4)
- (Belo Horizonte) - Ao precipitar a sua saída do PMDB, o governador
de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), deu o seu maior passo em direção à
disputa eleitoral municipal deste ano, quando estará sendo traçado não só o seu futuro
partidário, mas especialmente seu destino de candidato a presidente da República.
Mais uma vez sem o peso da legenda que ajudou a criar, o governador se
vê totalmente à vontade para articular uma frente ampla de centro-esquerda com vistas a
2002, que contará, inclusive, com peemedebistas. (...) (pág. 4)
- A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, que
teve atividades prorrogadas por quatro meses poderá estender seus trabalhos até o final
de 2000. Segundo o comando da comissão, essa seria a única chance de a CPI aprofundar de
forma satisfatória as investigações sobre o narcotráfico no País. (...) (pág. 7)
EDITORIAL
"Medo da reforma" - Do ponto de vista das reformas pelas
quais o País espera em vão, o saldo do ano que passou foi, mais uma vez, insuficiente
para as expectativas políticas nacionais. Nada por enquanto indica que o novo ano
oferecerá resultados capazes de atender às necessidades acumuladas.
As reformas gozam da preferência retórica dos parlamentares mas
acabam sempre em último lugar na escala de valores políticos. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - A horas tantas
da festa de réveillon do Forte de Copacabana, depois de espetacular pancadaria promovida
pela Polícia do Exército, um monumental empurra-empurra no salão patrocinado pelo
desatino do cerimonial e de um surpreendente apagão de autoria desconhecida, alguém
cruzou com o presidente Fernando Henrique Cardoso por entre as mesas e comentou:
"Democrática a festa, não Presidente?"
"Muito", devolveu ele, enquanto assinava autógrafos e posava
para fotos com filhos, sobrinhos, primos, avós, maridos e mulheres dos convidados, em
clima de atração turística total, conformadíssimo e até confortável diante da
evidência de que o que não tem remédio remediado está. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - Todos os grandes partidos entram no
ano 2000 com uma idéia fixa: fazer um grande número de prefeitos e vereadores, para
aumentar o cacife eleitoral na sucessão presidencial, em 2002.
O raciocínio faz sentido, mas o cientista político do Iuperj, Jairo
Nicolau, especialista em análises de eleições, diz que o bom desempenho na eleição
deste ano deve ser comemorado pelo resultado em si, e não pelas expectativas para o
futuro. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
Mortes por câncer caem com terapia e
prevenção
Drogas mais eficazes e com menos efeitos colaterais e o aprimoramento
do diagnóstico da prevenção devem fazer com que o câncer deixe de ser considerado como
"doença incurável" no próximo século.
Segundo pesquisa divulgada em 99, houve queda de 0,7% ao ano no total
de casos nos EUA entre 90 e 95. A taxa de mortalidade em pacientes de 11 tipos de câncer
diminuiu em relação a dados dos anos 70.
No Brasil não há estatísticas seguras sobre queda de casos e
mortalidade. Na década de 70, 6 em cada 10 pacientes brasileiros morriam até cinco anos
após o diagnóstico. Hoje, a taxa de cura chega a 60%. (...) (pág. 1 e 3-1)
- Um estudo feito pela Universidade de Miami (EUA) revela que o Brasil
foi o País latino-americano que mais gastou na prevenção do bug do ano 2000: US$ 7
bilhões, contra US$ 2 bilhões do México e US$ 1,5 bilhões da Argentina e do Chile.
Estima-se que o mundo gastou entre US$ 300 bilhões e US$ 600 bilhões
na prevenção.
Não houve problemas graves no Brasil. No exterior, centros de controle
nos EUA, usinas nucleares japonesas e satélites militares franceses apresentaram falhas.
Especialistas dizem que o bug pode se manifestar amanhã. (pág. 1, 1-5 e 1-13)
- Antonio Carlos Magalhães fala com convicção: o Orçamento da
União "é uma das maiores fontes de corrupção" do País. O roubo é praticado
"em todos os níveis, no Executivo e no próprio Congresso".
Em entrevista à Folha, ACM disse que FHC "detesta que se diga que
é indeciso, mas é", e "fica saltitante" quando ganha pontos na pesquisa,
"mas depois cai na realidade". (Josias de Souza, secretário de Redação)
(pág. 1 e 1-10)
- Os jornais disseram que o Boeing da Presidência teve incendiada em
vôo uma turbina, obrigando-se a um pouso forçado. No dia seguinte, noticiava-se que a
Presidência decidira comprar novo avião para FHC. A Aeronáutica negou o incêndio e o
pouso forçado. Desde o início do Governo, do círculo próximo a FHC saem investidas
para a compra de um avião caríssimo. (Janio de Freitas, do Conselho Editorial,) (pág. 1
e 1-5)
EDITORIAL
"O novo tempo das reformas" - O
presidente Fernando Henrique Cardoso deu a entender no final do ano passado que a fase das
reformas estaria no fim. O Presidente acredita que a economia "encontrou naturalmente
um rumo que levará ao crescimento econômico". Mas o tempo das reformas não
terminou. Não porque a agenda liberalizante está incompleta ou porque o Estado não foi
enfim saneado e reestruturado.
Tal agenda permanece imperfeita; enfrentou oposição política, a
resistência do passadismo, padeceu de certa incapacidade, por parte de seus condutores,
de ousar. Mas imaginar que um programa abstrato, um desenho teórico perfeito, pudesse vir
a moldar a sociedade é ingênuo e, mais que isso, é ignorar a realidade social e as
mudanças históricas, que demandam revisões e novas ênfases. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Em nove
capitais pesquisadas pelo Datafolha, 55,4% dos eleitores dizem que o fator mais importante
na escolha de um candidato a prefeito é a "proposta de governo". A
"pessoa" é apontada por 30,5% dos entrevistados. O "partido", por
6,7%. (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Cenário é favorável à bolsa em 2000
- O mercado acionário brasileiro poderá fechar 2000 como uma atraente
opção de investimento e fonte importante de captação de capital para as empresas,
após dois anos de abalos causados por sucessivas crises financeiras internacionais e pela
desvalorização do real.
As perspectivas começaram a mudar nos últimos meses, quando o volume
de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo praticamente dobrou em relação à média
anual. A Bovespa fechou o ano com valorização em real de 151,90% e de quase 70% em
dólar, registrando um recorde histórico no último pregão de 1999, ao superar a marca
dos 17 mil pontos.
O revigoramento do mercado veio da migração dos investidores de renda
fixa, que, com a queda dos juros de 45% para 19% ao ano, passaram a buscar ganhos maiores
e estáveis. Para este ano, executivos prevêem um crescimento em dólar de até 30%,
sustentado pela retomada da economia, pela queda gradual dos juros e pela volta dos
investidores estrangeiros. (pág. 1 e B1)
- Bancos brasileiros não registraram problemas com o bug na
simulação da abertura de agências feita no fim de semana para testar o sistema, por
determinação do Banco Central. Nossa Caixa Nosso Banco, Itaú e Unibanco informaram que
os testes tinham sido bem-sucedidos. Entre a meia-noite e o meio-dia de ontem, a Visa do
Brasil processou normalmente 170 mil transações com cartões: 90 mil no País e 80 mil
no exterior.
Cerca de 12 milhões de chamadas telefônicas foram feitas sem
problemas nas quatro horas que antecederam a virada do ano, segundo a Embratel. (pág. 1 e
B4)
- O prefeito Celso Pitta (PTN) inicia o último ano de governo com a
pior avaliação desde que assumiu o cargo, em 1997. Pesquisa InformEstado com 620
paulistanos mostra que 47% consideram a administração péssima e 17%, ruim. Há um ano,
35% classificaram o desempenho de Pitta como péssimo e 15%, como ruim.
Além da dívida de R$ 10,5 bilhões (eram R$ 2,2 bilhões na gestão
Erundina, em 1990), Pitta enfrenta problemas nas áreas de saúde e transportes, setores
que mais explorou quando se elegeu, com as bandeiras do fura-fila e do Plano de
Atendimento à Saúde (PAS), que não deram certo.
Pitta considera sua gestão melhor que a de seu padrinho político,
Paulo Maluf. "Só fico atrás do volume de obras, por falta de recursos". (pág.
1 e C1)
EDITORIAL
"A era do desenvolvimento sustentado" -
Poucas pessoas no mundo têm dúvida de que os novos tempos exigirão rapidez na
construção do desenvolvimento sustentado. O desenvolvimento de hoje, em escala global,
"não é sustentável nem deve ser sustentado", afirma o Relatório do
Desenvolvimento Humano 1998, do PNUD. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Todas as pesquisas indicam
que a população brasileira continua preferindo o presidencialismo ao parlamentarismo.
Lançar uma campanha parlamentarista, como aventuram-se, agora, o presidente da Câmara,
Michel Temer, e o ministro palaciano Aloysio Nunes Ferreira, é colocar em pauta, mais uma
vez, um projeto que não tem o apoio do povo.
Parlamentarista convicto, o presidente Fernando Henrique Cardoso não
entrou nem vai entrar nessa campanha agora, basicamente por dois motivos: primeiro, porque
acha mesmo muito difícil a proposta ser aprovada pelo Congresso; segundo, porque quanto
menos confronto tiver com a sociedade, melhor. (pág. A6)
O GLOBO
- Gasto contra bug foi a US$ 500 bi no mundo
- Os governos e empresas de todo o mundo gastaram US$ 500 bilhões para
se preparar contra o bug do milênio. Só os Estados Unidos, segundo o governo americano,
investiram US$ 100 bilhões.
Na América Latina, o Brasil foi o País que teve o maior gasto: de
acordo com a comissão brasileira formada para acompanhar o bug, foram investidos entre R$
10 bilhões e R$ 12 bilhões (respectivamente US$ 5,5 bilhões e US$ 6,6 bilhões).
O temido problema nos computadores acabou não acontecendo na entrada
de 2000. Mas o grande teste será mesmo amanhã, quando as empresas e o mercado financeiro
voltam a funcionar normalmente. (pág. 1 e 29)
- Os 2,5 milhões de pessoas que lotaram Copacabana no réveillon
sofreram para conseguir deixar o bairro. Por causa da chuva, boa parte da multidão
resolveu encerrar a festa mais cedo, congestionando ruas e túneis. (...) (pág. 1, 12 e
13)
- O Governo quer incluir na pauta de votações da convocação
extraordinária do Congresso a emenda que prevê uma previdência única, submetendo às
mesmas regras servidores e trabalhadores do setor privado. Com a emenda aprovada, por
exemplo, as aposentadorias dos inativos também seriam limitadas por um teto, como ocorre
hoje no INSS. (pág. 1 e 3)
- A cesta básica ficou 18,9% mais cara no estado do Rio em 1999. Foi o
maior aumento dos últimos três anos. Com a alta, uma família de quatro pessoas passou a
gastar R$ 174,04 para comprar os 30 produtos da cesta.
As principais causas dos reajustes foram a desvalorização do real, a
estiagem e o repasse dos aumentos de tarifas públicas. (pág. 2 e 31)
- Um golpe aplicado no Porto do Rio permite que empresas importadoras
fluminenses usem os benefícios fiscais oferecidos pelo governo do Espírito Santo para
não pagar ICMS no estado do Rio.
Cálculos de policiais federais e fiscais da Alfândega envolvidos nas
investigações indicam a sonegação de US$ 500 mil em impostos por dia. (pág. 2 e 24)
- Em julho do ano passado, um encontro da Associação Internacional de
Seguridade Social, em Estocolmo, na Suécia, reuniu representantes de governos de todo o
mundo para tratar de reformas da previdência. Em uma das palestras, o representante do
Fundo Monetário Internacional (FMI) pôs em dúvida o sucesso do novo modelo da
Argentina. Da platéia, o secretário de Seguridade Social da Argentina, Walter Schultess,
protestou: "Mas nós fizemos o que vocês mandaram fazer".
Ficou sem resposta. (...) (pág. 4)
- O Brasil foi escolhido para receber da entidade dinamarquesa Art in
Defense of Humanism (Aidoh) a primeira Coluna da Infâmia do ano 2000. Trata-se de uma
escultura do controvertido artista plástico Jens Galschiot em defesa dos direitos
humanos. Com oito metros de altura e custo de US$ 200 mil, ela foi feita em memória ao
massacre de Eldorado dos Carajás.
A intenção é que a escultura seja exposta numa praça de Brasília
em 17 de abril de 2000, no quarto aniversário da morte dos 19 sem-terra. Esta foi uma
condição para que a obra viesse para o Brasil. Mas, para isso, os autores do presente
querem a concordância do Congresso. (...) (pág. 4)
- Entre as previsões para 2000, há um alerta dos políticos: o
Governo terá que correr para votar tudo o que quiser, pois o ano será marcado pelas
eleições municipais. Um terço da Câmara, cerca de 170 deputados, sonha com uma
candidatura a prefeito. Os partidos aliados estão dispostos a apresentar o maior número
possível de candidatos e investir tudo na campanha municipal, que vai abrir caminho para
as eleições de 2002. Por isso, o Congresso, fatalmente, vai parar em agosto, se isso
não acontecer antes. E o Palácio do Planalto terá de se esforçar muito para aprovar
medidas amargas, como a contribuição dos inativos, no ano que vem. (...) (pág. 10)
- O presidente Fernando Henrique defendeu a punição dos responsáveis
pela agressão ao repórter fotográfico Fernando Bizerra Jr. do Jornal do Brasil, por
soldados da Polícia do Exército, que aconteceu por volta das 22h, no Forte de
Copacabana. O tumulto aconteceu antes da chegada do Presidente, mas ele não se furtou a
dar sua opinião.
"Não fui informado, mas se agrediram devem ser punidos",
comentou Fernando Henrique, mantendo, porém, sua postura otimista. "Vamos falar de
coisas positivas, coisas boas, para frente". (pág. 13)
- O convidado mais vip entre os milhões que foram a Copacabana viu
2000 chegar numa festa paga. O presidente Fernando Henrique foi a estrela praticamente
solitária de uma noite sem artistas, pagodeiros ou jogadores de futebol.
Sobrou espaço para os políticos e os anônimos convidados da
prefeitura no Forte de Copacabana. FH teve tratamento de príncipe (com aplausos e
rapapés dos convidados) durante as duas horas em que ficou na festa - e de plebeu (com
vaias) na entrada e na saída da instalação militar.
Animado, o Presidente encarou a chuva e o vento para assistir aos fogos
do platô debruçado sobre o mar. O cenário de imensa beleza permitiu a ele enxergar até
o que a distância da areia e da Avenida Atlântica escondiam dos outros convidados.
"Vi um povo otimista e feliz".
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, sorridente como poucas vezes,
também pegou chuvas. Gostou dos fogos - mas não muito. "Não vi tantos réveillons
assim". (...) (pág. 13)
EDITORIAL
"Temas de janeiro" - O Congresso Nacional
tem sido muito profícuo durante convocações extraordinárias, já que deputados e
senadores se sentem pressionados pelo calendário e dão suficiente quorum para que se
realizem todas as sessões de debate e votação.
Mesmo quando não há tempo hábil para que sejam votadas emendas
constitucionais, o grande número de sessões nesses períodos de convocação
extraordinária acaba permitindo que se cumpram as exigências do regimento interno da
Câmara ou do Senado, para que logo no início do ano legislativo normal os projetos sejam
apreciados pelo plenário.
Portanto, é de se esperar que agora em janeiro a agenda das reformas
estruturais ganhe novo impulso, de modo que todas as votações sejam concluídas no
primeiro semestre, antes do recesso parlamentar. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - João Domingos) - Uma cabocla
alagoana de voz estalada assume em fevereiro o cargo de líder do bloco de oposições no
Senado. Heloísa Helena, petista de 38 anos, entra em seu segundo ano de mandato disposta
a arrumar encrenca com o Governo. Para começar, Heloísa pretende dizer e repetir que o
Governo é como uma "senzala branca e mansa" na relação com os países ricos.
(...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Abrigada em salas emprestadas, a Agência Nacional
de Petróleo resolveu construir sua sede própria no Rio.
Vai enfrentar problemas.
O local que escolheu para construir o edifício, de oito andares, é
anexo ao quase secular palácio da CPRM, na Urca, numa área tombada pelo Patrimônio
Histórico. (pág. 16)
CORREIO
BRAZILIENSE
- Brasileiro faz
poupança recorde em ano de crise
- Medo do desemprego e falta de mecanismos seguros de aposentadoria
levaram a população a poupar muito em 1999. Com patrimônio de R$ 210 bi, Brasil é o
11º mercado de fundos de investimentos do mundo. (pág. 1 e 19)
- O governador Joaquim Roriz viveu uma tragédia no primeiro dia do
ano. Às 12h15 de ontem, sua irmã mais nova, Íris Roriz Solano, 52 anos, morreu ao ser
atingida pela hélice traseira de um helicóptero na casa de Roriz, no Park Way.
Ela embarcou na aeronave na residência oficial de Águas Claras para
buscar a imagem de uma santa na casa do governador. Íris será sepultada às 10h de hoje
no Cemitério Campo da Esperança. (pág. 1 e 2)
- O mundo passou praticamente incólume pelo bug do milênio. Com
algumas exceções, como Nigéria e Jamaica, não houve em nenhum país a temida pane de
sistemas após a virada do ano. (...) (pág. 1 e 8)
- Analistas e Governo erraram feio ao tentar descobrir como a economia
brasileira fecharia 1999. Um banco previu inflação anual de 50% - o índice ficará em
torno de 20%. E esse é apenas um dos exemplos. (pág. 1, 16 e 17)
- A sorte do presidente interino da Rússia, Vladimir Putin, nas
eleições marcadas para daqui a 90 dias, depende de uma vitória rápida sobre os
rebeldes separatistas da Chechênia. (pág. 1 e 3)
- Nenhum brasiliense ficará sem luz este ano. O Distrito Federal será
a primeira localidade brasileira a ter 100% de sua população com fornecimento de energia
elétrica.
A previsão é do presidente da Companhia Energética de Brasília
(CEB), Rogério Villas Boas Teixeira de Carvalho, e vai virar programa do governo Joaquim
Roriz em meados deste mês. (...) (pág. 20)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Irmã de Roriz morre
em acidente de helicóptero
- O acidente aconteceu quando a professora Íris Luzia Solano Roriz, de
52 anos, descia do helicóptero na residência particular do governador no Park Way, onde
tinha ido buscar uma imagem de Nossa Senhora para entronizá-la na capela da Residência
Oficial das Águas Claras, que estava sendo consagrada naquele momento, com a celebração
de uma missa. (...) (pág. 1 e 1-B)
- O Brasil foi o país latino-americano que mais gastou dinheiro para
evitar problemas com o bug dos computadores na virada do ano: US$ 7 bilhões. No final,
nada de grave aconteceu, assim como no restante do mundo. (pág. 1, 2-A e 2-B)
- O documento nº 2 deixado pelo marido suicida - e que a viúva
Eunícia Guimarães havia sonegado na sua primeira conversa com o delegado Kleiber - já
está em poder da polícia. Eunícia voltou atrás e entregou, durante seu depoimento , o
que o delegado classificou como um verdadeiro "manual de operações", deixado
por José Carlos Guimarães. (...) (pág. 1 e 2-B)
ZERO HORA
- O presidente Fernando
Henrique Cardoso elogiou a miscigenação racial do País em seu discurso sobre os 500
anos do Descobrimento do Brasil, no Rio, durante a cerimônia de acendimento da Chama do
Conhecimento Brasileiro, na Escola Naval, na última sexta-feira. O evento abriu
oficialmente as comemorações dos 500 anos do País. (pág. 6)
- O segundo mais aguardado, planejado e discutido dos últimos anos
chegou sem sobressaltos nem turbulências. Os preparativos para evitar o Bug do Milênio
foram suficientes, e 2000 chegou sem turbulências.
Houve até quem ousasse correr um dos maiores riscos potenciais -
viajar de avião. O médico gaúcho Jacob Coster e sua família demoraram oito horas para
se locomover entre Brasília e Porto Alegre, mas chegaram em segurança. (pág. 52)
MANCHETES
ESTADO
DE MINAS
- 2000, ano do crescimento
O DIA (RJ)
- Rio ganha 15 mil empregos
ZERO HORA
(RS)
- Mundo celebra início da era 2000

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |