
05/02/2000
JORNAL DO BRASIL
- Guerra do tráfico no Rio usa
mercenários de Angola
- Escondidos em dois caminhões baús,
cerca de 309 homens armados de fuzis automáticos, usando toucas ninja e vestindo roupas
camufladas iguais às das Forças Armadas, invadiram no início da noite de quinta-feira a
Favela Nova Holanda, no complexo da Maré, em Bonsucesso (Zona da Leopoldina), e
surpreenderam os traficantes da área numa guerra que começou às 20h e só acabou às
23h quando enfim a PM conseguiu entrar na favela. Seis pessoas morreram e quatro ficaram
feridas.
Para a polícia, a invasão foi feita por
100 homens. O bando era formado por mercenários angolanos com experiência em tática de
guerrilha. "Eles eram negros e altos e usavam os fuzis AK-47 com muita
habilidade", disse um morador.
Segundo a Polícia Federal moram na Favela
Nova Holanda cerca de mil refugiados angolanos. Em Angola, país africano em guerra há 26
anos, há até agência de emprego para mercenários. (pág. 1, 15 e 16)
- Durou 13 meses o calote de Minas. O
governador Itamar Franco (sem partido) assinou ontem com o Tesouro Nacional aditivos ao
contrato do acordo da dívida. Mas ressalvou que continuará a lutar "pela dignidade
do povo mineiro". Em Curitiba, governadores criticaram a Lei de Responsabilidade
Fiscal. (pág. 1 e 4)
- O ministro da Saúde, José Serra, pediu
ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, que estude a possibilidade de isentar
ou reduzir a carga de impostos sobre os remédios genéricos "para torná-los ainda
mais baratos".
Serra criticou o presidente da Associação
Brasileira das Redes de Farmácias, Aparecido Camargo, que confessou à CPI dos
Medicamentos a venda de remédios B.O. (Bom para Otário), cuja venda remunera mais as
farmácias. "Quem regula isso é a malandragem, e o Camargo faz parte dessa
turma", afirmou.
Para o Conselho Regional de Farmácia do
DF, o depoimento de Camargo foi uma "confissão de falcatruas". (pág. 1 e 11)
- A nove dias do fim da convocação
extraordinária e com os projetos de interesse do Governo - Desvinculação dos Recursos
da União (DRU) e Lei de Responsabilidade Fiscal - já aprovados pela Câmara, só 77 dos
513 deputados compareceram à sessão de ontem. No Senado, a situação não foi
diferente: menos de 10 senadores passaram pelo plenário. (...) (pág. 2)
- (São Paulo) - A necessidade de mais
recursos para a saúde pode levar a uma reaproximação do presidente do Senado, Antonio
Carlos Magalhães (PFL-BA), com o ministro da Saúde, José Serra.
Mais: pode fazer cair por terra a tese de
bastidores de que o PFL e Antonio Carlos não querem ver a Saúde com dinheiro, por medo
de que o tucano capitalize isso politicamente e fortaleça sua possível candidatura à
sucessão presidencial. Pelo menos é o que espera Serra, empenhado em convencer o senador
a aprovar proposta de emenda constitucional que garanta verbas para seu ministério. (...)
(pág. 3)
- Parente em cargo de confiança é defesa
contra as intrigas e traições da política, diz o senador Gilvam Borges (PMDB-AP), que
tem como assessoras a mãe, Cícera, e a mulher, Marlene. "Na política, em cada
esquina há uma sombra de traição. A rasteira aí é prato cheio. O político deve se
cercar das pessoas de confiança", alega. (...) (pág. 3)
- A mudança feita pela Comissão Mista de
Orçamento, impedindo que fundos e autarquias adquiram títulos do Tesouro Nacional, não
deve afetar os esforços do Governo para atingir a meta de superávit fiscal de R$ 28
bilhões, prevista no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A avaliação é de integrantes do Governo,
embora os parlamentares da comissão acreditem que através de pressão política parte
desses recursos acabará sendo investida em obras e projetos. (...) (pág. 3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (fevereiro): R$ 136,00.
Dólar comercial: R$ 1,7777 (compra), R$ 1,7785 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,850
(compra), R$ 1,880 (venda). TR do dia 05.01 a 05.02: 0,2969%. TBF do dia 03.02 a 03.03:
1,4048%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Falta de pudor" - Ninguém menos
que o presidente da Câmara, com toda a pompa retórica, toma posição em favor da
nomeação de parentes por autoridades públicas: o deputado Michel Temer (PMDB-SP)
contra-atacou com veemência corporativa a emenda que proíbe a contratação de parentes
(até terceiro grau) no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, seja na União, nos
estados ou nos municípios. A moralização do serviço público chegou perto mas algo
indica que ainda não será desta vez. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Uma
coisa foi o documento divulgado pelos governadores logo após a reunião de ontem em
Curitiba, outra coisa foi a reunião propriamente dita. A nota oficial, em que eles
expressam posição unitária sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, deixou de registrar
o que houve de polêmica no encontro - o debate sobre a guerra fiscal. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - Quando
se manifestou em público sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco, o
presidente Fernando Henrique disse: "Todos sabem de que lado meu coração bate neste
tema".
Os defensores do projeto ficaram muito mais
satisfeitos do que os opositores com a declaração, por menos objetiva que fosse.
Fernando Henrique achava, e ainda acha, que
não está na hora de tomar partido. Prefere ver o debate caminhar - ainda mais agora, que
a Câmara dos Deputados criou comissão específica para discutir a canalização de
águas do São Francisco para outros estados. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
Europa inicia represália à Áustria
- A comunidade internacional reagiu com
protestos e represálias à posse, ontem, do novo governo da Áustria, integrado por
partido de extrema direita.
A União Européia anunciou que reduzirá
contatos diplomáticos com o País. Washington expressou "grave preocupação" e
chamou de volta seu embaixador na Áustria, mesma medida adotada por Israel.
O pivô é o Partido da Liberdade, que
entrou no governo. Seu líder, Jöerg Haider, apresenta tendências neonazistas.
Pesquisa na Alemanha indica que 79% são
contra sanções à Áustria. Para o Chile, os austríacos "têm todo o direito de
formar uma coalizão". (pág. 1 e cad. Mundo)
- O Partido da Liberdade não vai expulsar
ninguém da Áustria, afirmou à Folha um de seus dirigentes, Herbert Kickl.
Ele disse que haverá apenas limitação à
entrada de imigrantes. "Quando os EUA restringem a imigração, ninguém os chama de
xenófobos".
O presidente austríaco, Thomas Klestil,
pediu "uma chance", para o Governo. Já o líder do PL, Jöerg Haider, disse que
não ficará se "desculpando por todo tipo de coisa". (pág. 1 e 1-13)
- O prefeito de São Paulo, Celso Pitta
(PTN), decidiu pedir ajuda ao Exército para fiscalizar peruas clandestinas. Em nota, o
Exército disse que suas funções estão previstas na Constituição e que o problema é
uma questão de segurança pública.
Três pessoas morreram e 11 se feriram em
acidente envolvendo uma lotação clandestina, na manhã de ontem, no bairro de Santo
Amaro (SP). (...) (pág. 1, 3-1 e 3-2)
- O governador Itamar Franco e a Secretaria
do Tesouro Nacional assinaram acordo que acaba com a moratória da dívida mineira, que
gerou crise ao ser decretada em janeiro de 99.
Pelo acordo, Minas Gerais pagará no
próximo dia 10 a segunda parcela dos títulos que lançou no exterior em 1994, no valor
de US$ 108 milhões. Em troca, não terá de saldar esse mês a parcela de sua dívida com
a União. (pág. 1 e 1-10)
- Governadores de 20 estados, que se
reuniram ontem em Curitiba, decidiram pressionar o presidente Fernando Henrique Cardoso a
mudar a Lei Kandir - que prejudicou a arrecadação estadual ao reduzir a tributação
sobre as exportações - e aumentar os repasses federais aos estados. Ontem mesmo, porém,
o ministro Pedro Parente (Casa Civil) descartou elevar o ressarcimento das perdas. (pág.
1, 1-4 e 1-6)
EDITORIAL
"Pousos e decolagens" - A
economia brasileira reúne condições, neste começo de ano, de iniciar o que se
convencionou chamar entre os estudiosos da área de ciclo virtuoso. A base comparativa é
baixa - o PIB estacionou em 99 -, o câmbio por ora não causa sobressaltos, não há
sinais de descontrole inflacionário, as metas de rigor fiscal e os ajustes nas contas
públicas vão sendo cumpridos. A grande capacidade ociosa e o alto desemprego, fator
perverso, dão margem a um crescimento sem pressões pelo lado da demanda por bens e
serviços. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - O PSDB pedirá a José Carlos
Dia (Justiça) a cabeça do presidente da Funai, Frederico Marés. Ao contrário do
Governo, o partido acha que o caso está longe de ser encerrado. Julga que Frederico
Marés revelou insensibilidade ao demitir o sertanista Orlando Villas Bôas.
* Os governadores pedirão ao Congresso que
tire da Lei Fiscal o dispositivo que remete os tetos de gastos do Legislativo e do
Judiciário às lei de diretrizes orçamentárias. Acham que, como está, a lei é inócua
para gastos de juízes e parlamentares. "Assim, fica pior. É pura fantasia",
diz Neudo Campos (RR). (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Estados vão exigir mais verbas para cumprir Lei Fiscal
- Os governadores decidiram cobrar do
Planalto e do Congresso mais medidas que garantam mais dinheiro para os estados ainda este
ano. Sem recursos adicionais, dizem, será impossível cumprir a Lei de Responsabilidade
Fiscal, aprovada pela Câmara e em discussão no Senado.
Reunidos ontem em Curitiba, 20 deles
programaram para terça-feira uma "caravana" a Brasília, onde pretendem
encontrar-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A principal reivindicação do
grupo é uma compensação maior aos estados por causa das perdas de receita provocadas
pela Lei Kandir - que reduziu o ICMS de empresas responsáveis por produtos de
exportação.
Os governadores querem também usar para
financiar fundos de previdência do funcionalismo uma parte do que teriam de pagar à
União por conta da renegociação de dívidas. (...) (pág. 1, A4 e A5)
* O governador Itamar Franco assinou ontem
acordo de renegociação da dívida de Minas e decretou o fim da moratória. (pág. 1 e
A6)
- O Banespa vai reservar no balanço mais
R$ 1 bilhão para garantir as aposentadorias dos admitidos antes de 1975, além dos R$ 3,2
bilhões já contabilizados pela instituição, segundo o presidente do Sindicato dos
Bancários de São Paulo e vice-presidente da CUT, João Vaccari Neto.
Os recursos irão para um novo fundo de
previdência complementar aprovado pela Secretaria de Previdência. "Na semana que
vem, o Banespa vai anunciar a correção desse cálculo para R$ 4,2 bilhões", disse
Vaccari, sem revelar as fontes da informação. (pág. 1 e B1)
- O ex-vice-presidente da CDHU Lázaro
Piunti vai levar ao Ministério Público documentos que, segundo ele, comprovam
irregularidades na administração da empresa e comprometem o ex-presidente Goro Hama.
Piunt, advogado trabalhista e fundador do PSDB, nunca concordou com o método
"imperial" de Goro. (pág. 1 e A7)
- O crítico, ensaísta e historiador
Décio de Almeida Prado morreu ontem, de enfarte, aos 82 anos, em São Paulo. De 1946 a
1968, ele foi crítico teatral do Estado, onde lançou, em 1956, o Suplemento Literário,
um marco da cultura nacional, dirigindo-o até 1966.
Décio viveu intensamente uma grande época
do teatro do País, a do TBC, Arena e Oficina. Escreveu dez livros, entre os quais
História Concisa do Teatro Brasileiro, lançado em 1999. Nos últimos anos, em sua casa,
no Pacaembu, ele ainda procurava saber das novidades do teatro e relia Victor Hugo
"por puro prazer". (pág. 1 e Caderno 2)
- O Estado publica hoje, no caderno Extra,
a lista dos aprovados na Fuvest, o maior vestibular do País. As matrículas devem ser
feitas até terça-feira. (...) (pág. 1, A12 e Extra)
EDITORIAL
"Capital estrangeiro novamente em
discussão" - Ainda há quem veja no capital estrangeiro o tridente do Grande Satã.
Por toda parte e sempre, o debate sobre esse tema envolve ideologia, política,
sentimentos patrióticos e interesses particulares. A origem da polêmica não está na
política nem na ideologia. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Não partiu de
nenhum dos principais personagens da polêmica sobre a guerra fiscal - Mário Covas,
César Borges e Jayme Lerner - a iniciativa de abordar o assunto na reunião dos
governadores. O start foi dado pelo petista Jorge Viana (AC).
Covas, aliás, só confirmou presença na
reunião depois de obter do anfitrião Lerner a garantia de que o assunto não entraria na
pauta. (pág. A6)
O GLOBO
- Conselho pede que PF investigue farmácias
- O Conselho Regional de Farmácia do
Distrito Federal vai pedir à Polícia Federal que convoque o presidente da Associação
Brasileira de Farmácias, Aparecido Camargo, para que ele confirme denúncias feitas à
CPI e entregue a lista de remédios inócuos classificados como "Bom para
Otário" junto com a relação das farmácias que estariam adotando métodos
irregulares na venda de remédios.
Em nova denúncia, o presidente do
Conselho, Antonio Barbosa, revelou que os descontos obtidos na compra de medicamentos não
são repassados para os consumidores e aumentam os lucros das farmácias. A prática viola
portaria do Ministério da Fazenda. (pág. 1, 6, 25 e 26)
- Vinte governadores reunidos ontem em
Curitiba rebelaram-se contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita gastos na
administração pública.
Os governadores ameaçaram até boicotar a
votação da lei no Senado: "O Governo só aceitará isso se bloquearmos a votação.
Boi só sai do mato quando tem mutuca", disse o governador Esperidião Amin (SC).
Na reunião, Mário Covas, de São Paulo, e
César Borges, da Bahia, bateram boca sobre guerra fiscal. (pág. 1, 3 e 5)
- O Governo está dividido sobre a decisão
de impor ou não limites à participação do capital estrangeiro na venda do Banespa,
reconheceu ontem o líder Artur Virgílio. Ele assegurou que o Governo admite discutir o
assunto. A privatização do Banespa trouxe de volta o debate sobre a maior participação
do capital estrangeiro, em oposição a uma economia mais nacionalista. (pág. 1 e 34)
- A Comissão de Orçamento do ano 2000 vai
votar todos os dez sub-relatórios até a próxima semana, mas seu relatório final só
será votado em março, após a aprovação do projeto de Desvinculação das Receitas da
União (DRU).
A informação é do presidente da
comissão, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), que pretende reunir-se com todos os
sub-relatores e relatores do Orçamento e do Plano Plurianual (PPA), no início da
próxima semana, para pedir um esforço concentrado.
O objetivo é fazer com que a comissão
vote os cinco sub-relatórios que faltam, incluindo o de infra-estrutura, que tem o maior
número de emendas de parlamentares. (...) (pág. 9)
- O governador de Minas Gerais, Itamar
Franco, anunciou ontem o fim da moratória do estado com a União, decretada há um ano.
Pelo acordo, Minas terá 30 anos para pagar a dívida de cerca de R$ 19 bilhões e
honrará a parcela do eurobônus. Itamar afirmou, porém, que o empate com a União só
terminará quando os estados tiverem autonomia. (pág. 2 e 8)
- O deputado Geraldo Magela (PT-DF) voltou
à carga ontem para criticar o PMDB por querer impedir a cassação do senador Luiz
Estevão (PMDB-DF) no Senado. Num discurso no plenário, o deputado - que na semana
passada denunciou uma "armação" para livrar Estevão - afirmou que a decisão
do partido constrangeu senadores como Pedro Simon (RS) e Amir Lando (RO). (...) (pág. 9)
- O líder do Governo na Câmara, Arnaldo
Madeira (PSDB-SP), criticou ontem a emenda que modifica o texto da reforma do Judiciário,
permitindo o nepotismo com instituição de cotas para contratar parentes. Ele deixou
claro que o Planalto não apoiará a emenda e acha que nesse assunto não há meio termo.
(...) (pág. 10)
- A Justiça Federal vai paralisar suas
atividades a partir de 28 de fevereiro. A greve nacional por tempo indeterminado, primeira
da história do Judiciário brasileiro, foi decidida ontem pela Associação dos Juízes
Federais do Brasil (Ajufe) em resposta à falta de solução sobre a fixação do teto
salarial do funcionalismo.
Durante a greve, nenhuma ação de
interesse da União será julgada. O senador Édison Lobão (PFL-MA) cobrou do Governo e
Congresso solução rápida para a distorção salarial da categoria. (...) (pág. 11)
EDITORIAL
"Separar os bons" - A última
elevação dos preços de remédios mostra que alguns laboratórios "têm uma
tremenda falta de sensibilidade". A opinião, ouvida na CPI dos Medicamentos, é de
quem deve saber o que diz: José Eduardo Bandeira de Mello, presidente da Associação
Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma). (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) -
Não tem mais desculpas o corregedor da Câmara, deputado Severino Cavalcanti, para adiar
a abertura do processo de cassação do deputado José Aleksandro. Mesmo esquecendo seu
passado, que não é de santo, ele ofendeu o decoro em pelo menos duas ocasiões recentes.
No Acre, três pessoas já falaram em juízo de suas ameaças contra a vida do governador
Jorge Viana. (...) (pág. 2)
(Nhenhenhém - Jorge Bastos Moreno) - O
impossível aconteceu. Foi do presidente da Câmara, Michel Temer, um dos homens mais
recatados do Parlamento, o maior gesto de descortesia política deste ano.
Para a instalação da Comissão de
Trabalho do Vale do São Francisco, Michel convidou o ministro de Desenvolvimento
Regional, Fernando Bezerra, do PMDB. E ignorou solenemente o ministro do Meio-Ambiente,
Sarney Filho, do PFL, cuja pasta é decisiva para a finalidade da comissão: examinar a
questão da transposição das águas do rio. (...) (pág. 3)
(Ricardo Boechat) - Apesar de o Governo
apregoar que não há risco de colapso no abastecimento de energia, FH lançará dia 17 um
grande programa de construção de termoelétrica no País.
Muitas ofertas serão feitas para atrair o
setor privado.
Isto é, empréstimo do BNDES, garantia de
compra da energia, participação minoritária da Petrobras e compromisso de que na fase
de amortização do negócio, se ocorrer desvalorização cambial, haverá repasse do
índice às tarifas.
Aí é que está o perigo.
* Representantes do Brasil e da Comunidade
Econômica Européia vão se reunir este mês em Bruxelas.
Como cada lado quer proteger seu mercado,
criou-se hoje uma enorme burocracia no comércio bilateral.
* Em janeiro, o Departamento de Pesquisa
Mineral liberou 7,5 mil alvarás de pesquisa.
É o dobro da média anual.
O órgão vai liberar em breve mais 20
milhões de hectares para a produção mineral.
Com a desistência dos que solicitaram as
áreas apenas para especulação, o DNPM aposta que se chegue a 35 milhões de hectares em
fevereiro. (pág. 16)
CORREIO BRAZILIENSE
- Receita investiga imposto de 12 bancos
- Centenas de cidades brasileiras estão
sendo transformadas pelas prefeituras em paraísos fiscais. São municípios que reduzem
alíquotas do Imposto Sobre Serviços (ISS) para atrair grandes empresas do setor de
serviços.
Há três meses, a Receita Federal está
mobilizando fiscais para conferir se a redução do ISS está afetando a arrecadação do
Imposto de Renda, um tributo federal. Existem 12 instituições financeiras sob exame. Os
nomes são mantidos em sigilo, mas fazem parte da lista bancos, administradoras de cartão
de crédito e empresas de leasing.
Além de afetar o volume de dinheiro
recolhido no Imposto de Renda, a Receita desconfia que a redução do ISS pode estar
gerando sobras de caixa que estão sendo remetidas para o exterior por meio das célebres
contas CC5. (pág. 1 e 10)
- Os dois advogados que a Polícia Federal
está investigando, por terem montado um suposto esquema para subornar integrantes do
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), são Marco Antônio Campos Salles e
Marcos Pugliese, de São Paulo. Conforme denúncia levada ao Ministério da Justiça, eles
pediram R$ 20 milhões para influenciar na decisão sobre a fusão das cervejarias
Antarctica e Brahma. (pág. 1 e 23)
- Os comerciantes começarão a sentir o
efeito da elevação da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) quando pagarem o tributo reajustado. Produtos como açúcar, arroz, café, leite,
pão, biscoito, manteiga, ovo e fubá podem subir de 5,68% a 12,05%. (pág. 1 e 20)
- Abertos mais seis processos
administrativos contra laboratórios suspeitos de terem exagerado no aumento de preços.
(pág. 1 e 22)
- Febre amarela - A doença mata mais um
brasileiro - o quinto, este ano. Wellington Carvalho, 32 anos, morador do Guará, morreu
num hospital em Goiânia. (pág. 1 e 19)
- Com uma frota de 775 mil carros e um
acidente a cada dez minutos, o trânsito é um dos maiores desafios para o futuro do
Distrito Federal. (pág. 1 e cad. Cidades, pág. 3)
- As empresas de telefonia Vodafone Air
Touche, da Inglaterra, e Mannesmann, da Alemanha, anunciam fusão avaliada em US$ 188
bilhões. (pág. 1 e 24)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- BO. Também é nome de bônus na guerra dos laboratórios
- Além de "Bom para Otário" -
tradução revelada quinta-feira na CPI dos Remédios pelo presidente da Associação
Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias - a sigla BO também indica remédios por
cuja venda os balconistas e donos de farmácia recebem um bônus especial dos
laboratórios. Essa dupla interpretação para BO, reclamada pelos balconistas e
proprietários de farmácias de Brasília reforçam, no entanto, outra acusação: a da
prática da "empurroterapia" que consiste no aconselhamento aos consumidores
para que comprem remédios que lhes rendem mais lucros. (pág. 1 e 3-A)
- O chefe do Gabinete Civil da
Presidência, Pedro Parente, foi claro ontem ao responder à nova investida dos
governadores, que reunidos em Curitiba articularam um novo pedido de socorro federal.
"O Governo não tem mais o que conversar sobre Lei Kandir". Ou seja, não vai
dar mais nenhum tostão além dos R$ 3,8 bilhões negociados por conta das perdas com a
lei. (...) (pág. 1 e 9-A)
ZERO HORA
- Três integrantes da executiva nacional do PT
acompanharão hoje a reunião do diretório estadual do partido que finalizará o balanço
do primeiro ano do governo Olívio Dutra.
O secretário de Relações Internacionais
do PT, Marco Aurélio Garcia, chegou ontem a Porto Alegre e se reuniu com o chefe da Casa
Civil, Flávio Koutzii. (pág. 6)
- O quarto maior grupo empresarial do
mundo, que ficará atrás apenas dos três gigantes tecnologicos norte-americanos -
Microsoft, General Eletric (GE) e Cisco, e o primeiro da Europa, está surgindo com a
fusão da Mannesmann alemã e da inglesa Vodafone Air Touch.
Com valor de mercado estimado por analistas
em US$ 350 bilhões e mais de 40 milhões de clientes, a nova empresa ocupará a
liderança no mercado de telefonia celular na maioria dos 11 países europeus onde atua.
(pág., 14)
- O governo gaúcho ingressou com ação
judicial contra a Ford do Brasil, exigindo que a empresa devolva R$ 134 milhões que
recebeu dos cofres públicos estaduais. A montadora optou por se instalar na Bahia, ao
não aceitar a negociação do contrato com o atual governo.
A ação de nulidade de cláusulas e de
rescisão contratual, cumulada com perdas e danos, foi encaminhada na quinta-feira à 5ª
Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre. A divulgação da medida judicial contra a Ford
foi feita pelo governo do estado ontem à noite. (pág. 20)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
Governadores querem mais recursos federais
O POPULAR (GO)
Grupo dos EUA compra Arisco
ESTADO DE MINAS
Bandidos tomam uma cidade
ZERO HORA (RS)
Fusão bilionária cria novo gigante das
telecomunicações
O DIA (RJ)
Tráfico expulsa Conde de favela
TELEJORNAIS
GLOBO - JORNAL NACIONAL - 20H
No segundo dia de julgamento de Hildebrando
Pascoal uma testemunha reforça as acusações contra o ex-deputado. Irineu Lima que
trabalhou três meses na fazenda de Hildebrando, reafirmou ter sido testemunha de um crime
atribuído ao ex-deputado que chocou o Acre: o assassinato de Agilson Firmino, o baiano,
que teve as pernas e os braços amputados. Segundo Irineu, um dos autores do crime foi
Hildebrando Pascoal, que teria usado uma moto-serra. A defesa do ex-deputado se baseia num
laudo preliminar da exumação do corpo da vítima, para contestar a denúncia. Irineu
também acusa Hildebrando de receber na fazenda dele carregamentos de cocaína que eram
jogados de pequenos aviões. Por ordem da Justiça, essas cenas serão reconstituídas.
Governadores reunidos em Curitiba querem
que o governo federal aumente o repasse de dinheiro que vai compensar as perdas com a Lei
de Incentivo às Exportações. Vinte dos 27 governadores decidiram vir à Brasília na
terça-feira. Entre outras coisas eles querem mais R$ 600 milhões do governo federal para
compensar a perda de arrecadação dos Estados com a Lei Kandir, que reduz imposto sobre
produtos exportados. Apesar dos pontos em comum, a guerra fiscal continua dividindo os
governadores. Os Estados mais industrializados são contra os incentivos que alguns
Estados do Nordeste oferecem para atrair novas indústrias.
O ministro chefe da Casa Civil, Pedro
Parente, disse que não há possibilidade de aumento no valor do repasse aos Estados para
compensar as perdas com a Lei Kandir.
O governo de Minas fecha acordo com o
governo federal e suspende a moratória decretada em janeiro do ano passado. O Estado de
Minas se comprometeu a pagar R$ 1,9 bilhão ao governo federal. Isso equivale a 10% do
total da dívida do Estado.
A produção industrial brasileira fechou o
ano passado com queda de 0,7%. Apesar do resultado houve uma melhora no desempenho da
indústria no fim do ano. Em dezembro a produção chegou a crescer 8,8% em relação a
dezembro de 1998.
O preço da cesta básica subiu em 12 e
caiu em quatro das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. A maior alta foi em Fortaleza:
8,01%. E a maior queda foi verificada em Porto Alegre, com baixa de 2,12%.
O deputado Miro Teixeira, líder do PDT na
Câmara, pediu à Mesa da Câmara a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito
para investigar o INSS. O deputado se apresentou em reportagens apresentadas pelo Jornal
Nacional em janeiro, denunciando fraudes e corrupção para eliminar débitos de empresas
com a Previdência. Em Curitiba um ex-funcionário do INSS cobrou R$ 15 mil por uma
certidão negativa de débito. No Rio de Janeiro a propina era cobrada dentro de um posto
da Previdência. A CPI sobre o INSS entra na fila de espera, porque apenas cinco CPIs
instaladas a partir de um requerimento podem funcionar ao mesmo tempo.
A Polícia Federal do Maranhão indicia o
empresário Márcio Morato Alonso por crime contra o meio ambiente. Ele é um dos homens
denunciados pelo Jornal Nacional por envolvimento com o tráfico de animais.
O Jornal Nacional encerra a série de
reportagens especiais sobre o comércio ilegal de animais silvestres no Brasil. As aranhas
caranguejeiras também são alvo deste negócio, e estabelecem a conexão entre o tráfico
e a bio-pirataria, crime que acontece quando um país rouba animais e plantas de outro
país para desenvolver compostos e fórmulas químicas e lucrar com isso. Na Vila de Alter
do chão, município de Santarém (PA), um grupo de caminhantes atravessa a madrugada de
lanternas em punho. Atravessam rios, vasculham barracões, folhagens. Procuram aranhas
caranguejeiras, procuram uma forma de ganhar a vida. Um real é o preço pago por cada
aranha, que será vendida pelo receptador por US$ 5 mil.
Arnaldo Jabor: "O negócio da
bio-pirataria gira em torno de US$ 15 milhões por ano. E não adianta culpar os pobres
diabos que vendem nossos bichos para viver. Os grandes culpados são os laboratórios
americanos e europeus, que nos roubam a fauna e flora, fazem a patente dos remédios, e
depois nos vendem com preços superinflados. O nosso prejuízo é de US$ 1 bilhão por
ano. Como diz o presidente da Associação das Farmácias, BO. Isso é bom para otário.
Aliás, porque na conferência ecológica de 1992 o Brasil não conseguiu firmar um
tratado para as patentes da bio-diversidade de nossas florestas? Porque os Estados Unidos
impediram, se recusando a assinar. Porque será?"
Desde que o Jornal Nacional exibiu a
primeira reportagem da série, os ambientalistas da Rede Nacional Contra o Tráfico de
Animais Silvestres receberam 585 novas denúncias, que serão repassadas ao Ministério
Público, ao Ibama e à Polícia Federal.
RECORD - JORNAL DA
RECORD - 19H20
Em Rio Branco o ex-deputado federal
Hildebrando Pascoal e 51 pessoas envolvidas com o crime organizado no Acre continuam
depondo no Tribunal do Júri. Eles são acusados de tráfico de drogas, roubo de cargas e
assassinatos. José Irineu de Lima, de 21 anos, que já prestou depoimento à CPI do
Narcotráfico em Brasília, falou de suas atividades quando era empregado na fazenda de
Hildebrando. O depoimento foi sigiloso. Quando depôs na CPI, José Irineu disse que a
fazenda do ex-deputado era usada para receber carregamentos de cocaína. E até admitiu
ter recebido 40 quilos da droga como pagamento pelo roubo de uma carreta. O julgamento de
Hildebrando e seu grupo deve acontecer em março.
O presidente Fernando Henrique Cardoso
passa o fim de semana em São Paulo, descansando. Neste sábado à noite dona Ruth deve
embarcar para os Estados Unidos. O motivo da viagem é desconhecido. O retorno do
presidente à Brasília está marcado para domingo à tarde.
A revelação do presidente da Abrafarma,
Aparecido Bueno Camargo, na CPI dos Medicamentos, sobre a venda de remédios bonificados,
causa indignação entre a categoria. Em Brasília os balconistas de farmácias disseram
que não são responsáveis pela qualidade dos medicamentos vendidos, e que a
bonificação paga pelos laboratórios para a venda de certos produtos não fica para o
profissional. O Sindicato das Farmácias de Brasília afirmou que a Abrafarma não
representa todo o setor mas apenas as grandes redes. E os parlamentares da CPI dos
Medicamentos querem uma posição do Ministério da Saúde. Já o ministro José Serra
disse que quem entende de malandragem é o representante das farmácias. Ele lembrou que a
população deve tomar cuidado ao comprar remédios e reafirmou confiança de que a
entrada dos genéricos vai limpar o mercado dos medicamentos de qualidade duvidosa.
Boris Casoy: "Os medicamentos de
qualidade duvidosa não deveriam existir nas farmácias, porque temos um Ministério da
Saúde que deveria inspecionar os remédios que são vendidos à população. Depois,
balconista não deveria receitar, e todos nós sabemos que isso acontece. Portanto,
nenhuma perplexidade. O que precisa é acabar com isso, fiscalizando as farmácias, os
remédios e os laboratórios. Vamos ver se essa CPI dos Medicamentos leva a alguma
coisa."
O presidente da Câmara, Michel Temer, acha
que a proibição de contratar parentes, prevista na reforma do Judiciário, vai ser
derrubada pelos deputados. Laços familiares dão emprego a mais de 300 servidores da
Câmara Federal. O deputado Michel Temer sugere criar uma cota de um parente para cargo de
confiança, regra que valeria para os três poderes. O limite para empregar a família
está na emenda do deputado Gerson Peres (PPB/PA) e tem a simpatia de muitos
parlamentares.
Itamar Franco fecha acordo com o
Ministério da Fazenda e anuncia o fim da moratória de Minas Gerais. A União aceitou
como parte do pagamento da dívida duas empresas - a Companhia de Armazéns e Silos de
Minas e a Ceasa mineira, no valor de R$ 332 milhões. Elas serão incluídas no Programa
Nacional de Desestatização. Com isso o governo federal interrompe o bloqueio dos
recursos do Estado, que vinha sendo feito desde o início da moratória. E Minas retoma o
pagamento da dívida de R$ 19 bilhões, que deverá ser quitada em 30 anos.
A guerra fiscal fica fora da pauta oficial
da reunião de governadores em Curitiba, mas o tema provocou polêmica nos bastidores do
encontro. Os principais envolvidos na batalha que reduz impostos para atrair
investimentos, deram sinais de que ou a trégua vem pela reforma tributária, ou o
conflito vai continuar sem solução. Os governadores decidiram vir à Brasília na
terça-feira, pedir mais dinheiro ao presidente e pressionar os congressistas por
mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal. Os governadores também fecharam acordo em
torno da Lei Kandir. O governo federal já concordou em repassar R$ 3,6 bilhões, como
compensação das perdas pela isenção de impostos na exportação. Os governadores
querem mais R$ 600 milhões ainda este ano.
O ministro da Casa Civil, Pedro Parente,
descartou qualquer aumento no valor do repasse federal deste ano, como compensação pelas
perdas provocadas aos Estados pela Lei Kandir. Segundo Pedro Parente, a devolução será
de R$ 3,864 bilhões, como ficou acertado há oito dias com os secretários de Fazenda.
A indústria brasileira produziu menos no
ano passado. De acordo com o IBGE, a queda foi de 0,7% em relação a 1998. O primeiro
semestre foi pior. Teve queda de 3,2%. Já nos últimos seis meses do ano, a atividade
industrial aumentou 1,6%. A reação foi provocada principalmente pelo crescimento das
exportações.
Salette Lemos: "Com a modernização
dos processos industriais e com os ganhos de produtividade, o nível de atividade da
indústria tem no mercado de trabalho um impacto cada vez menor. Mesmo confirmado
crescimento de 4% este ano, seria insuficiente para a indústria reabsorver toda a
mão-de-obra dispensada principalmente nos últimos dois anos. Segundo estudos
desenvolvidos pela própria indústria, nem todos os setores serão beneficiados por essa
retomada do crescimento econômico. É um crescimento que, de acordo com esses estudos,
privilegia com destaque os setores exportadores. Nas vendas internas, o desempenho da
indústria parece ainda condicionado à queda dos juros e às eleições, que normalmente
aquecem as atividades do setor da construção civil. De qualquer forma, a recuperação
da indústria neste ano deve alterar a composição do PIB, onde o setor industrial vem
perdendo espaço para o setor de serviços."

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |