
06/01/2000
JORNAL DO BRASIL
- Oposição quer barrar novas leis
trabalhistas
- O Governo garante que não haverá
nenhuma mudança na legislação trabalhista sem consenso prévio com os trabalhadores,
mas já é grande a desconfiança nas centrais sindicais. A Central Única dos
Trabalhadores (CUT) acha que o presidente Fernando Henrique só convida sindicalistas para
homologar decisões já tomadas pelo Governo. A Força Sindical apóia mudanças mas
rejeita a perda de direitos adquiridos pelos trabalhadores.
No Congresso, é forte a resistência à
proposta do Governo, que delega a negociação de direitos trabalhistas diretamente aos
sindicatos de patrões e de empregados. "Quem resolve questões trabalhistas é a
Justiça do Trabalho", diz o líder do PFL, Inocêncio Oliveira. Parlamentares da
oposição já se articulam para apresentar recurso ao Supremo Tribunal Federal pedindo a
ilegalidade da proposta.
"Essa é a segunda rodada do ajuste
neoliberal. Mas como o ano é eleitoral, mesmo que o Governo queira, não vai conseguir
revogar direitos trabalhistas", disse o deputado Aloísio Mercadante (PT-SP). (pág.
1, 3 e editorial "Tempo de Liberdade", pág. 10)
- Principal plano de saúde e de
previdência privada de funcionários da Previdência, a GEAP - Fundação de Seguridade
Social, com 800 mil filiados no País - está cheia de irregularidades, descobertas em
auditoria realizada pelo próprio Ministério da Previdência.
Um relatório ao qual o Jornal do Brasil
teve acesso aponta 12 irregularidades na gestão do fundo, entre elas a aplicação
irregular de verbas em valores acima de R$ 10 milhões, a assinatura de contratos ilegais
com a empresa Speed Help e a compra de um imóvel no valor de R$ 4,7 milhões da
construtora de propriedade do deputado Paulo Octávio (PFL-DF). O conselho da GEAP se
reúne hoje para discutir as denúncias. (pág. 1 e 6)
- As cadernetas de poupança recuperaram em
dezembro parte das perdas que vinham sofrendo desde maio. O volume total depositado no
sistema em 1999 foi de R$ 111,146 bilhões.
Em dezembro, a aplicação conseguiu uma
captação líquida de R$ 1,064 bilhão, com um volume maior de depósitos do que
retiradas de R$ 309 milhões e R$ 755 milhões de juros depositados no sistema.
O saldo positivo foi provocado pelo
pagamento do 13º salário. No entanto, a baixa rentabilidade tem afastado investidores.
(pág. 1 e 15)
- O futuro do deputado federal Jair
Bolsonaro (PPB-RJ), que pregou o fuzilamento do presidente Fernando Henrique, começa a
ser definido terça-feira, quando a mesa da Câmara vai se reunir para discutir como
puni-lo.
O presidente da Câmara, Michel Temer
(PMDB-SP), pedirá a cassação de Bolsonaro, que pela terceira vez faz declarações
consideradas incompatíveis com a condição de parlamentar.
Ontem, apenas 99 dos 513 deputados federais
compareceram à sessão de abertura da convocação extraordinária do Congresso, na qual
o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) sugeriu que o ano 2000 seja marcado pela
melhoria dos salários. (pág. 1, 2, 4 e Dora Kramer, pág. 2)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
reuniu ontem, no Palácio do Planalto, dez ministros influentes entre os parlamentares
para mobilizar a base governista e fazer com que vote e aprove, já na primeira semana da
convocação extraordinária do Congresso, a emenda constitucional que cria o novo Fundo
de Estabilização Fiscal (FEF), rebatizado de Desvinculações de Receitas da União
(DRU).
O objetivo é aprovar o FEF no plenário da
Câmara na próxima quarta-feira, informou o secretário-geral da Presidência, Aloysio
Nunes Ferreira. (...) (pág. 2)
- O secretário-executivo do Ministério do
Trabalho, Paulo Jobim, afirmou ontem que nenhuma determinação será tomada para mudar a
legislação trabalhista sem consenso com as centrais sindicais.
Ele garantiu que não estão concluídos
projetos sobre a flexibilização dos direitos trabalhistas e que vai ouvir todos os
interessados, mas não negou a existência dos estudos.
O presidente Fernando Henrique Cardoso e o
ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, já mencionaram mais de uma vez, desde julho do
ano passado, os estudos sobre as mudanças da legislação trabalhista que devem ser
enviados ao Congresso Nacional até o fim de janeiro. (...) (pág. 3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (janeiro) R$ 136,00.
Dólar comercial: (compra) R$ 1,8536, (venda) R$ 1,8544. Dólar paralelo: (compra) R$
1,930, (venda) R$ 1,970. TR do dia 06/12 a 06/01: 0,3028%. TBF do dia 04/01 a 04/02:
1,5287%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Tempo de Liberdade" - É ocioso
afirmar que a Justiça do Trabalho no Brasil não funciona e se tornou um foco de
dor-de-cabeça e angústia para empresas e empregados. (...)
Agora, porém, surgem boas notícias que,
de forma prática e objetiva, abrem novas perspectivas para o bom andamento e rápida
conclusão das causas trabalhistas. Na próxima semana, dois projetos de lei serão
sancionados pelo presidente Fernando Henrique. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Outra
vez estamos diante de um episódio que pode render a cassação do mandato de um deputado,
Jair Bolsonaro (PPB-RJ), sem que o partido ao qual ele é filiado - e que dispõe do
Ministério do Trabalho na figura de Francisco Dornelles - se veja cobrado, se
responsabilize ou pelo menos se manifeste a respeito. Sempre se dirá que o deputado
externou uma opinião pessoal. De acordo, não fossem as opiniões no caso reiteradas
defesas de um assassinato. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - O
trabalho de estrangeiros no Brasil começou a ser fiscalizado com mais freqüência e
rigor por conselhos profissionais do Rio. Estatais vendidas a multinacionais são os alvos
principais.
O resultado das primeiras investidas vem do
Conselho Regional de Arquitetura, Engenharia e Agronomia (Crea). Seis empresas foram
multadas e terão que providenciar com urgência os registros de empregados vindos de
outros países. Doze profissionais são da Cerj, oito da Telerj Celular, oito da
Opportrans, seis da ATL, dois da Supervia e dois da Petrobras. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Cai participação estrangeira na Bolsa
- A participação dos investidores
estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo caiu de 25,1% em 98 para 22,3% no ano
passado. O recuo foi registrado apesar da desvalorização cambial de 33% em 99, que
tornou as ações brasileiras mais baratas em dólar.
Apesar disso, o saldo final dos
investimentos estrangeiros foi positivo. A entrada de recursos atingiu R$ 2,231 bilhões.
No ano anterior, saíram do País R$ 2,621 bilhões.
O resultado foi o segundo melhor do real,
superado só pelo de 98, quando os investimentos externos na Bovespa somaram R$ 3,379
bilhões.
Analistas explicam a queda proporcional da
participação estrangeira pela ação dos investidores locais, que estão optando pela
Bolsa devido à queda de ganhos com as aplicações de renda fixa. (pág. 1 e 2-1)
- Uma comissão argentina concluiu estudo
que acusa o Brasil de dumping: venda de produto a preço igual ou menor que seu custo, na
exportação de frango para o país. A Secretaria de Indústria e Comércio da Argentina
poderá adotar medidas de restrição à compra do produto neste mês.
Empresas brasileiras negam o dumping e
dizem que vendem mais barato por causa da escala da produção: o Brasil produz 5 milhões
de toneladas de frango por ano, contra 800 mil da Argentina. (pág. 1 e 2-5)
- Documentos secretos liberados pelo
governo do Reino Unido revelam que Winston Churchill, premiê britânico durante a Segunda
Guerra, e Franklin Roosevelt, presidente dos EUA, chegaram a discutir a eliminação
política do general francês Charles de Gaulle.
A idéia seria o Reino Unido e os EUA
ocuparem militarmente a França depois de liberá-la dos nazistas, em vez de entregar o
governo a de Gaulle, o que acabou ocorrendo. Para Churchill, o francês sofria de
anglofobia. (pág. 1 e 1-16)
- O Governo federal anunciou medidas de
apoio à população atingida pelas enchentes. Quem ganha até um mínimo terá ajuda para
reconstruir sua casa. Linha de crédito será aberta para financiar eletrodomésticos e
móveis, inclusive para famílias de classe média.
O gasto federal em obras contra enchentes
em 1999 foi o menor dos últimos quatro anos. Em 1998, a União repassou aos estados R$
61,9 milhões; no ano passado, o Governo só liberou R$ 16,3 milhões. Os estados de São
Paulo, Minas e Rio nada receberam.
Campos do Jordão (SP) estava isolada até
o início da noite de ontem. Três pessoas morreram até agora, e 99 ficaram feridas. Dez
pessoas estavam desaparecidas. A rodovia Presidente Dutra vai continuar operando com
interdições por até 60 dias. (pág. 1 e cad. Cotidiano)
EDITORIAL
"Explicações aguadas" -
Soçobram muitas das explicações alardeadas nos últimos dias sobre o que contribuiu
para tornar ainda pior o efeito de uma catástrofe natural - as chuvas fortes sobre o
Sudeste.
As dezenas de milhares de desabrigados e as
famílias dos mortos em decorrência das chuvas ainda esperam satisfações das
autoridades públicas. Por exemplo, esperam-se boas justificativas dos responsáveis pelo
fluxo de verbas federais. Por que não se liberou um tostão para Minas Gerais, São Paulo
e Rio de Janeiro do que estava previsto no Orçamento, e mesmo do dinheiro cujo repasse
já estava autorizado pelo Governo, para obras de contenção de enchentes? (...) (pág.
1-2)
COLUNA
(Painel) - Os brasileiros, que formam a
segunda comunidade estrangeira do Japão, mantêm a mesma posição no ranking de
acusações de transgressão à lei. Segundo a Agência Nacional de Polícia nipônica,
foram 4.271 casos no ano passado. Há 614 brasileiros presos no país hoje.
* Auditoria feita na Geap (fundo de
aposentadoria de cerca de 800 mil funcionários públicos) apontou irregularidades na
compra da sede própria da entidade, no reajuste de salário dos diretores e na
contratação de serviços de UTI Móvel em nove estados e no Distrito Federal.
* A nova sede da Geap, em Brasília, foi
comprada da construtora do deputado Paulo Octávio (PFL-DF), cujas propostas foram
apresentadas fora do prazo estabelecido pela licitação. Uma cópia da auditoria já
está com o ministro Ornélas (Previdência). (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Campos do Jordão procura as vítimas da tragédia das
chuvas
- As chuvas provocaram uma calamidade sem
precedentes em Campos do Jordão. Reforçadas por soldados do Exército, equipes de
resgate ainda procuram por vítimas dos deslizamentos. Até a noite de ontem, a prefeitura
confirmava a morte de três pessoas, mas bombeiros envolvidos nas buscas informavam ter
encontrado quatro corpos. Há pelo menos dez desaparecidos. Nos cinco hospitais locais,
estão internados 103 feridos. O desmoronamento de encostas derrubou 350 casas e deixou
mais de 1.400 moradores desabrigados. Todas as estradas de acesso à cidade estão
interditadas e só é possível trafegar por elas em pequenos comboios escoltados pela PM.
Nas regiões de Minas atingidas pelas
chuvas, houve oito mortes e o número de desabrigados pode chegar a 72 mil. No estado do
Rio, os prefeitos das três cidades mais castigadas estimam que o esforço de
reconstrução das áreas destruídas vai exigir R$ 18,2 milhões. (pág. 1 e C1 a C7)
- A Bolsa de Valores de São Paulo
recuperou-se ontem das perdas registradas na véspera e fechou com alta acentuada,
novamente sob influência do mercado norte-americano. No encerramento dos negócios, o
Índice Bovespa apontava valorização de 2,48%, depois de uma manhã nervosa em que houve
queda de até 3,17%. A cotação do dólar ficou em R$ 1,840, o que representou recuo de
0,81%. Na Bolsa de Nova York, a alta foi de 1,13%. Por causa do fuso horário, todos os
mercados asiáticos e europeus fecharam em baixa, ainda em conseqüência da queda
ocorrida em Wall Street no dia anterior. (pág. 1, B1, B12 e B16)
- Os investimentos externos no País
deverão alcançar US$ 22 bilhões este ano, de acordo com previsões dos economistas.
Grupos estrangeiros como Telefonica, Iberdrola, EDP, Endesa, Enron, America Online e
Lucent, que, juntos, aplicaram pelo menos US$ 1,5 bilhão em 1999, continuarão a ampliar
suas atividades, com a aquisição de novas empresas em leilão, construção de
fábricas, aumento das instalações e elevação da participação em companhias das
quais já são acionistas. (pág. 1 e B8)
- O Planalto mobilizou ontem seus
articuladores para negociar, com os aliados, mudanças na emenda aprovada pelo Senado que
restringe o uso das medidas provisórias. A solução, no primeiro dia de trabalho
extraordinário do Congresso, foi apresentada pelo líder do PFL na Câmara, Inocêncio
Oliveira (PE), sugerindo a exclusão de artigo da Constituição que proíbe o Governo de
baixar MP sobre assuntos regulamentados por emenda e a permissão do uso desse recurso
para temas tributários. (pág. 1 e A4)
EDITORIAL
"O começo da História" - Nos
primeiros anos será virada mais uma página da História. Há sinais inequívocos de que
regiões há séculos conturbadas por lutas civis, como a Irlanda, poderão gozar de paz
ainda que instável, e que muitas outras se abrirão ao comércio mundial. A revolução
da informática transformará o trabalho e a vida cotidiana. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Mais do que
Orçamento, PPA, FEF ou Lei de Responsabilidade Fiscal, a emenda que estabelece a
cobrança de contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos e
pensionistas é a votação que mais preocupa Fernando Henrique, este ano. E sobre esta
matéria pairam todas as dúvidas. A mais importante é sobre a posição definitiva do
Supremo Tribunal Federal, que ainda não julgou o mérito da questão.
Essa indefinição jurídico-constitucional
tem reflexos no comportamento dos parlamentares, que nos próximos dias darão início à
votação da emenda dos inativos em comissão especial da Câmara. A oposição é contra,
e ponto. Os parlamentares governistas apresentam aos seus líderes a seguinte questão:
como votar favoravelmente a uma matéria tão polêmica, com repercussão em suas bases
eleitorais, sem saber qual será o seu destino no Supremo? (pág. A-60)
O GLOBO
- Estado aciona Procuradoria para rever contratos de CEG e
Cerj
- Com base em irregularidades apontadas
numa auditoria sobre as privatizações, o governo estadual pediu à Procuradoria Geral do
estado um parecer para definir penalidades e sanções, cíveis ou administrativas, que
possam ser aplicadas a Cerj, CEG e CEG-Rio (antiga Riogás).
O governo estadual decidiu renegociar os
contratos das empresas com base na mesma auditoria, feita por técnicos da Coppe. O estudo
indicou preço mínimo inferior ao valor real das empresas e falta de metas precisas para
investimentos na expansão e na qualidade dos serviços.
Segundo o secretário estadual de
Planejamento, Jorge Bittar, só por conta dos preços mínimos, o governo deixou de
arrecadar R$ 650 milhões com a venda das empresas.
A Light e a Cerj foram autorizadas a voltar
a cortar a energia de consumidores inadimplentes e a cobrar retroativamente a energia
desviada por consumidores que fazem ligações irregulares ("gatos"), em liminar
concedida pela 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça. (pág. 1 e 13)
- O Governo vai prorrogar por 90 dias, por
meio de novo decreto, a proibição de concursos públicos e nomeação de 1.700 pessoas
já aprovadas. A medida estava em vigor desde março, mas o prazo expirou em 31 de
dezembro. (pág. 1 e 12)
- A Mesa Diretora da Câmara decidirá,
terça-feira, se o deputado Jair Bonsonaro (PPB-RJ) feriu o decoro parlamentar ao
defender, semana passada, o fuzilamento do presidente Fernando Henrique. O deputado deve
ter seu mandato suspenso por 30 dias. (pág. 1 e 8)
- Os fabricantes de artigos de higiene e
limpeza avisaram às lojas que reajustarão os preços em 8%. A indústria têxtil também
deve negociar aumentos já que parte da matéria-prima utilizada pelo setor subiu 6% no
fim do ano. (pág. 1 e 25)
- O mercado financeiro voltou a se acalmar
ontem, com a Bolsa de Valores de São Paulo subindo 2,48%. O dólar ficou em R$ 1,84, uma
queda de 0,65%, sem que o Banco Central precisasse vender moeda americana. (pág. 1 e 23)
- O fornecimento de água à Baixada, zona
oeste do Rio e a alguns bairros da zona sul está prejudicado desde ontem por causa das
chuvas que vêm caindo no estado. A Cedae teve que reforçar o tratamento de água devido
ao excesso de impurezas, o que atrapalhou o abastecimento. Ontem, mais uma pessoa morreu
em Resende por causa de um deslizamento. Segundo o Governo federal, as chuvas no Sudeste
já causaram 20 mortes e deixaram 40.565 desabrigados. A CEF ajudará vítimas com
empréstimos e construção de casas. (pág. 1, 3, 4, 5 e 15)
- O governador de Minas, Itamar Franco,
desembarcou ontem em Pouso Alegre para onde transferiu o governo, para acompanhar os
trabalhos de socorro às vítimas das enchentes no sul de Minas. Segundo os primeiros
estudos, só para tornar transitáveis as estradas mineiras serão necessários R$ 15
milhões.
Itamar se reuniu com prefeitos, que pediram
R$ 20 milhões para região. A Federação das Indústrias de Minas estima em R$ 500
milhões os investimentos para recuperar o setor industrial do sul do estado, uma das
regiões mais desenvolvidas de Minas. (...) (pág. 5)
- Menos de 20% dos deputados e dos
senadores interromperam as férias para comparecer à abertura da convocação
extraordinária do Congresso. Apesar disso, houve avanços para um acordo em torno da
emenda constitucional que limita a edição das medidas provisórias.
O presidente do Senado, Antônio Carlos
Magalhães (PFL-BA), reafirmou a defesa do texto aprovado no Senado, mas deu seu aval para
que os líderes dos partidos na Câmara e no Senado negociem um acordo de flexibilização
da emenda. (...) (pág. 9)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso e
o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), voltaram a divergir ontem,
desta vez sobre os salários do funcionalismo.
Enquanto Antônio Carlos fazia a defesa do
aumento de todos os salários, inclusive do salário mínimo, o porta-voz da Presidência,
Georges Lamazière, dizia que o Presidente é contrário a tal medida e que o Congresso
deveria apontar também as fontes de recursos para tal providência. (...) (pág. 9)
EDITORIAL
"Traçar limites" - O presidente
Fernando Henrique Cardoso já foi inimigo das medidas provisórias: quando senador, ele
chamava de excrescência esse instrumento que assegura ao presidente da República a
prerrogativa de legislar diretamente. (...)
De outra parte, o Governo tem razão quando
reivindica a prerrogativa de continuar legislando por MPs em matéria econômica e
tributária. Nesse terreno, não é raro que a eficácia das iniciativas dependa da
surpresa com que são adotadas e anunciadas. Privar o Governo desse recurso seria
manietá-lo exatamente onde precisa ter as mãos mais livres. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - O
Governo federal destinou R$ 5 milhões ao socorro de 40.565 desabrigados pelas chuvas. Com
a convocação extraordinária do Congresso gastará R$ 19 milhões em janeiro; R$ 900 mil
por dia. Após a abertura oficial dos trabalhos ontem, os que vieram se foram. O gasto com
as sessões brancas desta semana será de R$ 2,7 milhões, a metade do que se gastará no
socorro às vítimas da chuvarada. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Dos 81 senadores, só
17 apareceram no Senado, ontem.
O presidente da Casa, Antonio Carlos
Magalhães, preferiu não perdoar a gazeta.
Só depositou o pagamento pela convocação
extraordinária - um salário extra - na conta de quem foi trabalhar.
É a melhor garantia de que, nos próximos
dias, o comparecimento será maior.
* O tucano José Roberto Arruda, líder do
Governo no Senado, tomou a defesa de Fernando Henrique Cardoso, ontem:
"Itamar Franco chamou de
"provocação" a visita do Presidente a Minas. Foi isso mesmo: provocou a saída
do governador do hotel no Rio onde estava assistindo, pela TV, as enchentes em seu
estado". (pág. 16)
GAZETA MERCANTIL
- Ultra e BNDES aliam-se para comprar Copene
- (Rio) - O Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está adotando um novo modelo na
reestruturação da petroquímica brasileira. De financiador passará a sócio da
operação. "O importante é o sinal de que estamos indo juntos ao mercado",
explicou o presidente do banco, Andrea Calabi, referindo-se ao que vem sendo negociado com
o grupo Ultra com relação à integração do pólo petroquímico de Camaçari, na Bahia.
Através da BNDESPar, sua subsidiária de
investimentos, o banco vai se tornar sócio do Ultra numa Sociedade de Propósito
Específico (SPE), através da qual o grupo Ultra pretende chegar ao controle da Copene,
central de matérias-primas do pólo baiano. O protocolo para criação da SPE ainda não
foi assinado, mas Calabi afirma que as minutas já foram trocadas. (pág. 1 e C-1)
- São Paulo - Os bancos estarão no pódio
dos balanços mais lucrativos de 1999 e poderão ser o único setor a apresentar
crescimento dos resultados em dólares. O mercado espera um crescimento entre 10% e 20% em
dólares nos lucros dos bancos referentes ao ano de 1999. O setor não sofreu com a
maxidesvalorização do real em janeiro do ano passado. Pelo contrário, os bancos
começaram o ano com fortes posições em moeda forte e estavam protegidos quando veio a
desvalorização. Por isso, o efeito da máxi sobre os bancos foi quase sempre positivo ou
neutro. (...) (pág. 1 e B-1)
- São Paulo - A criação do circuito
Centro-Oeste da Pecuária, que entrou em vigor no começo do ano por portaria do
Ministério da Agricultura, tumultuou o mercado de carne bovina. O circuito deixou de fora
Mato Grosso do Sul, onde o risco de incidência de febre aftosa é maior que nos outros
estados do Centro-Oeste e Sudeste.
Dessa forma, os frigoríficos de Mato
Grosso do Sul não mais poderão vender carne com osso ou miúdos de boi a nenhum dos
estados do circuito. (...) (pág. 1 e E-10)
- (Brasília) - A Procuradoria Geral da
Fazenda Nacional (PGFN) pode ingressar com uma ação no Supremo Tribunal Federal para
derrubar o excesso de liminares contra o recolhimento da Cofins pela Petrobras.
Representantes do mercado de combustíveis e da Petrobras argumentam que o setor está
ficando cada vez mais desequilibrado com o excesso de liminares no Judiciário. São mais
de 300 decisões beneficiando postos e distribuidoras, segundo informações da estatal à
Procuradoria. (pág. 1 e A-7)
- (Brasília) - O Palácio do Planalto
montou sua estratégia para tentar driblar a ofensiva do presidente do Congresso, senador
Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que quer aprovar a proposta de restrição aos
poderes do presidente da República, limitando a edição das medidas provisórias. O
Governo pretende empurrar a votação para depois da convocação extraordinária, que
termina dia 11 de fevereiro. O Executivo quer ganhar tempo para articular-se com o PMDB e
com setores do PFL. (pág. 1 e A-6)
CORREIO BRAZILIENSE
- Allesson, 19 anos, morre com febre, dores e vômito
escuro. São sintomas da febre amarela
- Na história recente, dois moradores do
DF já morreram de febre amarela. Se for confirmada a suspeita no caso de Allesson Neres,
morto na terça-feira, será a terceira vítima - e a primeira infectada numa cidade tão
próxima do DF. A irmã do garoto, Andréia, está hospitalizada. (...) (pág. 1, 8 e 9)
- Prefeitos de Minas e do Rio consideram
uma piada a verba de R$ 5 milhões que o presidente Fernando Henrique prometeu para
municípios atingidos pelas chuvas. O governador Mário Covas não recebeu o dinheiro
prometido ainda no ano passado. (pág. 1 e 10)
- O compromisso do presidente Fernando
Henrique Cardoso de liberar mais dinheiro para a área social no segundo mandato não
está sendo cumprido. No primeiro ano depois da reeleição, o Governo liberou R$ 458,6
milhões para investimentos na área social. É menos do que as verbas entregues à área
militar, que chegaram a R$ 489 milhões.
O resultado é que programas como o de
erradicação do analfabetismo e transporte escolar não receberam um centavo do
investimento previsto. Em 1999, o Ministério da Educação só usou 28% do total de
recursos programados.
O Ministério do Planejamento e Gestão
informou que a responsabilidade pelo percentual investido é dos ministérios e assegurou
que não houve intenção do Planalto de priorizar o setor militar. (pág. 1 e 15)
- O Governo federal volta atrás e reedita
medida provisória garantindo que a sede da Agência Nacional de Saúde ficará em
Brasília, e não no Rio de Janeiro, que será compensado com um escritório regional.
(pág. 1 e cad. Brasília, DF, pág. 14)
- CBF x Gama - Direção do time tem
reunião com a CBF na próxima semana para tentar encerrar briga judicial. Presidente da
Federação Metropolitana de Futebol nega que esteja negociando para rebaixar a equipe no
Brasileiro. (pág. 1 e 24)
- Bolsas caem pelo segundo dia consecutivo
na Ásia e Europa, mas registram alta nos Estados Unidos e Brasil. Variações mostram que
forte queda da terça-feira não representa uma tendência para o futuro. (pág. 1 e 18)
- Promotor de Defesa do Consumidor abre
inquérito civil para investigar se foram ou não abusivos os aumentos de preços de
remédio no Distrito Federal. Donos de farmácias podem ser obrigados a cobrar menos.
(pág. 1 e 17)
- Depois de enfrentar a resistência das
milícias indonésias, a população do Timor começa a enfrentar outro desafio: os
problemas de construir um país estável. Faltam empregos e os preços dispararam. (pág.
1 e 3)
- Um estudo que está sendo preparado pelas
Nações Unidas revela que a Europa vai precisar de imigrantes nos próximos 50 anos. A
necessidade decorre do envelhecimento da população européia. (pág. 1 e 4)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Chuvas matam 20 e são 40 mil desabrigados
- Embora a Agência Estado tenha divulgado
um número superior a 70 mil, o secretário Nacional de Defesa Civil, Pedro Sanguinetti,
informou oficialmente, ontem, em Brasília que passa de 30 mil o número de desabrigados
em Minas em função das chuvas. Somadas às vítimas do Rio e São Paulo, 40 mil pessoas
deixaram suas casas e 20 morreram nos três estados. (pág. 1 e 3-A)
- O primeiro-ministro de Portugal, Antônio
Guterres, prometeu trabalhar nos próximos seis meses para transformar a União Européia
na "economia mais dinâmica e competitiva" do mundo num prazo de 10 anos, após
assumir formalmente a presidência semestral do bloco de 15 países. Ele sugeriu
aprofundar as conquistas como a moeda única e lutar para acabar com o desemprego. (pág.
1 e 8-A)
ZERO HORA
- Parte do Rio Grande do Sul está sendo assolada por uma
desvastadora visitante: a estiagem de verão. Os efeitos mais nocivos da escassez de chuva
característica desta época do ano já são sentidos na agricultura. As perdas nas safras
de milho podem chegar a 90%. (pág. 4 e 5)
- O Palácio Piratini fez ontem à noite o
primeiro gesto político para tentar se reaproximar dos líderes do Cpers-Sindicato e
evitar a greve dos professores em março. Depois de mais de três polêmicas horas de
reunião com a executiva estadual do PT, o governador Olívio Dutra admitiu a
possibilidade de negociar uma proposta de reajuste salarial para o magistério ainda em
janeiro. (pág. 14)
- A crise na Polícia Civil revelou uma
personagem: Isabel Freitas, 36 anos, chefe de gabinete do secretário da Justiça e da
Segurança, José Paulo Bisol. Ela ganhou fama de conspiradora depois de ter sido definida
por delegados, inclusive o ex-chefe de polícia Luiz Fernando Tubino, como uma defensora
dos interesses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Até codinome ela
ganhou: em algumas repartições policiais, é conhecida como Rosa Luxemburgo, escritora,
militante e teórica marxista do início do século que se tornou símbolo
revolucionário. (pág. 52)
MANCHETES
ESTADO DE MINAS
- Circuito trágico das águas
CORREIO DA BAHIA
- ACM defende aumento ao servidor e do
mínimo
JORNAL DO COMMERCIO
- Preço da carne cairá 5%
O DIA (RJ)
- Congresso garante 13º e FGTS do
trabalhador
ZERO HORA (RS)
- Falta de chuva já deixa 28 municípios
em emergência
TELEJORNAIS
GLOBO - JORNAL NACIONAL -
20H15
Quatro mortos e 30 cidades castigadas pela
chuva no Estado de São Paulo. A situação é mais grave em Campos do Jordão, na Serra
da Mantiqueira. Os deslizamentos de terra ameaçam a população e a cidade sofre com a
falta de comida e de remédios.
A chuva em São Paulo acabou elevando o
nível de água no reservatório de uma hidrelétrica em Resende, no Estado do Rio, e uma
das comportas da usina do Funil foi aberta para impedir o transbordamento. O temporal
aumentou o volume de água do rio Paraíba do Sul e a usina entrou em alerta. As
prefeituras da região foram avisadas antes da abertura da comporta mas, segundo Furnas,
não há mais risco de inundação. O problema agora é em Campos, Norte do Estado do Rio,
onde o Paraíba do Sul deságua. O nível está subindo dois centímetros por hora. Cento
e sessenta e cinco pessoas tiveram as casas inundadas.
Mais de 70 moradores do Sul de Minas estão
desabrigados. Sete pessoas morreram por causa das inundações. A chuva diminuiu mas as
cidades ainda estão ilhadas. As inundações atingiram 41 cidades.
O governo federal anuncia que está
negociando com a Caixa Econômica uma linha de crédito especial para a reconstrução de
casas e o financiamento de eletrodomésticos para os desabrigados nos três Estados
atingidos pela chuva.
Até o fim verão os brasileiros ainda vão
enfrentar chuva forte. A meteorologia explica que o responsável por toda essa chuva,
muito mais forte e demorando muito mais do que nos últimos verões, é o fenômeno la
Niña. Ele deixa as águas do oceano Pacífico mais frias que o normal. E por causa disso,
as frentes frias que provocam as chuvas estão chegando bem mais fortes ao Brasil. Segundo
o Instituto Nacional de Meteorologia, esse vai ser um verão com mais chuvas nas regiões
Sudeste e Centro-Oeste. Chuvas acima do normal também na região Norte e parte do
Nordeste. E no Sul, chuvas abaixo do normal. As frentes frias vão só passar pelo Sul e
vão estacionar nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde vão se encontrar com as nuvens
da regiões Norte e Nordeste. Esse encontro vai continuar trazendo muita chuva.
Não foi resultado do bug do ano 2000 nos
computadores do governo. Foi falha humana, mesmo. Por causa de um erro da burocracia,
milhares de servidores públicos federais estão com o salário atrasado. A falta de
pagamento que o governo diz ser localizada em alguns órgãos da administração afetou
mais de 400 mil servidores entre ativos, aposentados e pensionistas. Os mais atingidos
são do Ministério da Saúde e os funcionários civis da Marinha. Vão receber salário
com atraso de até três dias. Quem ficou com o salário em dia teve problema com o
pagamento da parcela referente aos 28% de aumento, concedido aos militares e estendido
também ao funcionalismo civil por ordem da Justiça. Segundo a Secretaria de Recursos
Humanos do Ministério do Planejamento, houve um atraso na entrega da documentação da
folha de salário.
A produção industrial brasileira em
novembro caiu 0,1% em relação a outubro, segundo o IBGE. Mas na comparação com
novembro de 1998, a indústria cresceu 4,3%. É o melhor resultado desde 1997. De janeiro
a novembro de 1999 a produção industrial registrou uma queda de 1,5%.
A indústria brasileira tem uma dívida com
o meio ambiente: aumentar a reciclagem das garrafas plásticas de águas minerais e
refrigerantes. De cada cem que vão parar no lixo, só 18 são reaproveitadas. Para ganhar
R$ 10,00, o catador de lixo tem que juntar um fardo com 1.200 garrafas plásticas. O quilo
da latinha de cerveja ou refrigerante vale 13 vezes mais. A garrafa descartável é feita
de um tipo de plástico derivado do petróleo. Se reciclada, pode ser usado na
fabricação de roupas, carpetes, peças de carros ou de novas garrafas. As garrafas são
prensadas, moídas e viram fibra como o tecido de poliester. O Brasil joga no lixo por ano
4 bilhões de garrafas de plástico, material que leva até um século para ser degradado
pela natureza.
Os riscos são muitos, inclusive de morte.
Os prejuízos para a cidade, também, com sobrecarga de energia e queima de
transformadores. Mas as ligações clandestinas de energia continuam sendo uma cena comum
nas ruas do Brasil. Agora, em São Paulo, o roubo de luz vai até por baixo d'água. São
ligações elétricas improvisadas: fios clandestinos que não obedecem qualquer norma de
segurança. Um milhão de pessoas moram nessa situação. Quem vive em situação legal
tem problemas causados pela sobrecarga: queima de aparelhos eletrodomésticos. A
Eletropaulo diz que vai aumentar a fiscalização. Segundo a empresa, as ligações
clandestinas causam um prejuízo de R$ 50 milhões por ano ao Estado.
Animais na pista. Essa tem sido a armadilha
usada por uma quadrilha baiana para assaltar ônibus interestaduais nas estradas. Quando
os ônibus param para evitar um acidente, os assaltantes chegam de surpresa. Em apenas uma
semana já foram quatro assaltos no mesmo trecho da BR- 116, a cem quilômetros de
Salvador e a apenas três quilômetros de um posto da Polícia Rodoviária Federal.
O Congresso volta ao trabalho, na
convocação extraordinária. Entre os projetos que deputados e senadores devem apreciar,
está uma lei para moralizar os gastos públicos. O governante que não explicar o que fez
com o dinheiro no contribuinte, pode acabar na cadeia. A festa com o dinheiro público
acontece sempre em ano eleitoral. É quando os governantes abrem os cofres, sem se
importar que o problema fique para o sucessor. Dois mil é ano de eleição. Por isso, o
governo federal quer que o Congresso aprove com urgência a lei.
O presidente Fernando Henrique se reúne
com 10 ministros e o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira. O presidente
pediu que eles mobilizem a base governista para fazer o Congresso votar, na sessão
extraordinária, a desvinculação dos recursos da União, que permite ao governo usar
até 20% do orçamento para aplicar onde achar melhor. Depois o governo quer que seja
votada a lei de responsabilidade fiscal. Em troca, concorda em não obstruir a votação
do projeto que limite o uso de medidas provisórias.
Dia de alta nas bolsas. O índice Bovespa
subiu 2,48%. No Rio a alta foi de 1,38%. O dólar fechou em queda. A cotação chegou a R$
1,87 pela manhã, mas o Banco Central atuou no mercado e a moeda americana acabou fechando
a R$ 1,84.
Para quem precisa tanto dos dólares das
exportações, o Brasil, às vezes, parece um país maluco. Por exemplo: em alguns países
da América Latina, produto brasileiro só pode ser vendido depois de dar uma passadinha
em Miami, nos Estados Unidos. Simplesmente, porque faltam vôos diretos de aviões
cargueiros daqui para esses países. Isso pode ser comprovado no aeroporto de Viracopos,
em Campinas, segundo maior aeroporto em volume de cargas do Brasil, depois de Guarulhos. A
Infraero, empresa que administra os aeroportos do país, diz que o problema poderia ser
resolvido com a autorização para novas linhas aéreas. Já o Departamento de Aviação
Civil - DAC, garante que qualquer empresa que peça um transporte de carga para qualquer
país da América Latina, desde que haja interesse do governo brasileiro, visando
incentivo às exportações, terá a autorização para o transporte.
Segundo a Federação das Indústrias de
São Paulo, o volume de exportação que saiu por Campinas passou de R$ 20 milhões para
R$ 45 milhões entre janeiro e outubro do ano passado. Na alternativa que seria o
aeroporto de Guarulhos, só há vôos em que passageiros e cargas dividem o mesmo avião.
RECORD - JORNAL DA
RECORD - 19H30
Nenhum Estado atingido pelas enchentes
recebeu verba do governo federal no ano passado para evitar a calamidade. O governo
federal tinha uma verba de R$ 155 milhões no ano passado para prevenir efeitos de
inundações. Mas desse valor, previsto no orçamento da União como "controle de
enchentes", só foram liberados cerca de 10%. Para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas
Gerais, Estados que agora estão sendo atingidos pelas cheias, não foi liberado nenhum
centavo. Para alguns parlamentares, esse levantamento mostra que a calamidade poderia ter
sido evitada. O Diário Oficial de quarta-feira traz uma medida provisória assinada pelo
presidente Fernando Henrique, que libera R$ 5 milhões para os Estados castigados pelas
chuvas. Mas esse dinheiro será usado em ações emergenciais da Defesa Civil, como compra
de alimentos e remédios para as populações atingidas. O governo federal promete estudar
um financiamento da Caixa Econômica, para a compra de eletrodomésticos e reconstrução
das casas destruídas.
O governador de São Paulo, Mário Covas,
diz que o Estado não recebeu R$ 2,7 milhões que foram prometidos pelo presidente
Fernando Henrique. O dinheiro seria usado para resolver problemas causados pela chuva no
Vale do Ribeira. Covas afirmou ter recebido um telefonema do presidente informando sobre a
liberação da verba mas, segundo o governador, os recursos não chegaram.
No Rio Grande do Sul o drama é provocado
pela seca. Vinte e sete municípios estão em estado de emergência por causa da estiagem.
A falta de chuva castiga municípios como Itaara, na depressão central. Outras regiões
como as Missões e o Noroeste do Estado, também foram afetadas pela estiagem. As lavouras
de milho e soja são as mais atingidas. O quadro nas plantações é desolador. Alguns
agricultores já perderam 90% das suas colheitas.
As chuvas diminuem no Sudeste a partir
desta quinta-feira. É a previsão do tempo para todo o Brasil, segundo o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais. A frente fria no litoral de São Paulo ainda deixa muita
nebulosidade e chuvas no Sudeste, principalmente no Triângulo Mineiro, Rio de Janeiro e
Leste de São Paulo. Chove também sobre o Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil. Dia
ensolarado no Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina. Nas demais áreas da região
Sul, sol entre nuvens, com pancadas rápidas de chuva.
A abertura da convocação extraordinária
do Congresso é marcada por um tema polêmico: o da emenda que limita o uso de medidas
provisórias pelo presidente da República.. Cem dos quase 600 deputados e senadores
voltaram à Brasília para a abertura solene da convocação extraordinária. A pauta da
convocação inclui 32 temas. O senador Antônio Carlos Magalhães já marcou reunião
para a próxima terça-feira com os líderes das duas casas. Vai reforçar a pressão para
manter o texto que o Planalto quer mudar. Também na terça-feira a Mesa Diretora da
Câmara se reúne para decidir o que fazer com o deputado Jair Bolsonaro. O PSDB quer a
cassação do deputado, por ter defendido o fuzilamento do presidente Fernando Henrique.
O presidente Fernando Henrique Cardoso
reúne ministros e coordenadores políticos para discutir a estratégia das votações no
Congresso. A prioridade é a emenda à Constituição que desvincula 20% recursos do
orçamento para a União. A expectativa do governo é votar a emenda em primeiro turno no
plenário da Câmara na próxima quarta-feira. Através do porta-voz, o presidente
respondeu às declarações do senador Antônio Carlos Magalhães que defendeu aumento de
salário para os trabalhadores. O presidente lembra que é favorável às melhorias
salariais, mas que é preciso dizer quais as fontes dos recursos para esses aumentos.
Dia mais tranquilo no mercado financeiro.
As bolsas da Ásia e da Europa ainda encerraram com forte queda. Mas a recuperação da
bolsa de Nova Iorque apaziguou os negócios também no Brasil. A Bolsa de São Paulo
encerrou com alta de 2,4%. O movimento foi o melhor dos três pregões deste ano. Foram
negociados R$ 1,105 bilhão. No Rio a alta foi de 1,3%. O dólar cedeu. O comercial
oscilou muito mas fechou cotado a R$ 1,84, uma queda de 0,5% em relação a terça-feira.
Os preços no comércio paulista subiram
mais do que a inflação no ano passado, quase o dobro. De acordo com a Federação do
Comércio do Estado de São Paulo, o índice de preços no varejo teve alta de 25,7% em
1999. A inflação em São Paulo, de acordo com o Dieese, ficou em 9,5%.
A previsão das montadoras de carros é de
que os números finais de 1999 mostrem o pior desempenho do setor nos últimos anos. De
acordo com a Associação dos Fabricantes, a produção deve ficar em, no máximo, 1,4
milhão de unidades. O número representa uma queda de 14% em relação a 1998. As vendas
para o comércio podem cair 16%. Já os revendedores anunciaram nessa quarta-feira que os
estoques encalhados nas concessionárias são o dobro do normal. A Federação Nacional
dos Distribuidores divulgou um estudo que mostra reajuste abusivo no preço praticado
pelas montadoras. Os carros populares teriam aumentado 106% desde 1995.
Salette Lemos: "Queda na produção
industrial, alta nos preços do comércio. Contra uma inflação média de 10% apurada
pelos índices de preços ao consumidor, reajustes médios nos preços do comércio de
São Paulo de mais de 25%. Médios porque em alguns setores os preços subiram 40%. É o
caso dos eletrodomésticos. Como os índices de inflação calculados para os consumidores
analisam preços outros que não apenas os praticados pelo comércio, e como em alguns
desses casos nós tivemos no ano passado deflação, no geral a inflação acabou
privilegiada, principalmente pela queda de alguns preços cobrados pelo setor de
serviços. Diferente do que aconteceu no início do Real, quando os preços dos serviços
chegaram às alturas."
A polícia do Espírito Santo conclui que o
incêndio na 1ª Vara Criminal do fórum de Vitória foi criminoso e teve a participação
de mais de uma pessoa. O incêndio na madrugada do dia 1º atingiu cerca de 200 processos
e danificou parcialmente o processo que envolve o líder do MST, José Rainha Júnior,
acusado da morte de um fazendeiro e de um policial militar no Estado. As partes mais
importantes, no entanto, foram preservadas.
BANDEIRANTES -
JORNAL DA BAND - 19H30
Oito pessoas morreram e mais de 70 mil
estão desabrigadas em conseqüência do estrago provocado por quatro dias de chuva em
Minas Gerais. Em Belo Horizonte a Defesa Civil arrecada roupas, alimentos e remédios para
ajudar os flagelados. Queda de barreiras e estradas alagadas dificultam o acesso ao Sul de
Minas. Muitos moradores estão ilhados. O único transporte é o barco. Vinte e seis
cidades do Sul de Minas estão em estado de emergência ou calamidade pública. Itamar
Franco viajou para Pouso Alegre, onde está funcionando temporariamente a sede do governo.
O Secretário Nacional da Defesa Civil,
Pedro Sanguinetti, informa que o governo federal já liberou R$ 5 milhões para atender
aos flagelados das enchentes. Segundo ele, o dinheiro deve servir para a compra de
remédios, alimentos, roupas, colchões e um kit limpeza para os moradores que já puderem
voltar para casa.
O Congresso Nacional está reunido a partir
dessa quarta-feira. A convocação extraordinária vai até dia 10 de fevereiro. O
presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, disse que a pauta vai ser enxuta. Devem
ser votados o orçamento da União, o projeto que combate a pobreza e a emenda que limita
a edição de medidas provisórias.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |