
07/01/2000
JORNAL DO BRASIL
- Sessões extras do Congresso custam mais
que obras sociais
- No primeiro dia da convocação
extraordinária, a Câmara só recebeu 99 dos 513 deputados federais, numa sessão
inaugural que durou sete minutos. Ontem, segundo dia, o número caiu para 68 e só 10
participaram da sessão de instalação dos trabalhos. No Senado, onde há 81 senadores,
nos dois dias não houve sequer registro da presença dos senadores. Tão pouco trabalho
vai custar aos cofres públicos cerca de R$ 20 milhões, preço da convocação
extraordinária do Congresso, que começou dia 5 e vai até 14 de fevereiro.
A verba é maior que toda ajuda (R$ 16,3
milhões) que a União deu aos estados em 99 para obras de prevenção contra enchentes. E
supera ainda o que o Governo federal gastou, também no ano passado, em programas de
abastecimento de água (R$ 17,7 milhões), em obras de melhoria das condições de
habitação em áreas urbanas e rurais (R$ 5,1 milhões) e na implementação da TV-Escola
(R$ 9,5 milhões).
A convocação extraordinária vai custar o
quádruplo do valor (R$ 5 milhões) que o presidente Fernando Henrique ofereceu esta
semana como ajuda aos estados atingidos pelas chuvas. Esta é a oitava vez, em seus dois
mandatos, que Fernando Henrique convoca o Congresso extraordinariamente. (pág. 1 e 3)
- A indústria automobilística fechou 1999
com o pior resultado nos últimos sete anos: prejuízo de R$ 3 bilhões e vendas 9,5%
menores.
Com a crise, as montadoras baixaram os
preços para os níveis de setembro passado, antes do último aumento. As concessionárias
oferecem descontos médios de R$ 1 mil, mas nem assim conseguem atrair os consumidores.
(pág. 1 e 13)
- O secretário estadual de Fazenda,
Fernando Lopes, afastou ontem dois fiscais que aparecem em quatro fitas de vídeo, em
gravações que indicam tentativa de extorsão à Light.
A denúncia através dos filmes foi feita
há um mês por diretores da empresa no Rio. Os dois fiscais estariam exigindo vantagens
financeiras em procedimentos de cobrança do ICMS. (pág. 1 e 18)
- O corregedor-geral da Câmara, deputado
Severino Cavalcanti (PPB-PE), disse ontem que vai defender a inclusão do pedido de
suspensão temporária do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) na pauta da convocação
extraordinária. Severino quer que o plenário da Câmara vote o pedido de suspensão do
mandato de Bolsonaro por 30 dias até o fim da convocação, que termina em 14 de
fevereiro.
O líder do Governo no Congresso, deputado
Arthur Virgílio (PSDB-AM), apresentou ontem requerimento à Mesa da Câmara pedindo a
cassação do mandato de Bolsonaro, por falta de decoro parlamentar. (...) (pág. 3)
- Por quinze votos a doze, o
diretor-executivo da Geap Fundação de Seguridade Social, José Nivaldo Gomes Cordeiro,
foi mantido ontem no cargo pelo conselho da entidade.
A proposta de afastamento de Nivaldo, assim
como de toda a diretoria da fundação, foi feita depois de uma auditoria do Ministério
da Previdência constatar irregularidades na Geap, como a compra de imóvel que hoje é
sede da entidade e a contratação da empresa de UTI-móvel, a Speed Help. (...) (pág. 4)
- O Governo federal decidiu liberar ontem
para o estado de São Paulo R$ 2,5 milhões para saldar uma dívida com a ajuda para danos
causados pelas enchentes de abril do ano passado. Além desses recursos, o Governo federal
tem disponíveis para gastar com o socorro às vítimas das enchentes deste ano R$ 5
milhões, mas apenas duas prefeituras de Minas Gerais se candidataram para receber a ajuda
federal. (pág. 1)
- (Porto Alegre) - Ao anunciar a
consolidação do seu ministério, que passou agora a ter o nome de Ministério de
Desenvolvimento Agrário, o ministro Raul Jungmann revelou ontem que "mais 200 mil
famílias serão assentadas no Brasil nos próximos três anos", dentro de um
orçamento global de R$ 13 bilhões.
Com isso, incluindo-se as ações do Banco
da Terra, "um total de 600 mil famílias serão assentadas no País durante os oito
anos do Governo Fernando Henrique Cardoso", praticamente três vezes mais que as 218
mil famílias assentadas nos 30 anos anteriores. (...) (pág. 7)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (janeiro): R$ 136,00.
Dólar comercial: R$ 1,8453 (compra), R$ 1,8461 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,930
(compra), R$ 1,960 (venda). TR do dia 07.12 a 07.01: 0,2955%. TBF do dia 05.01 a 05.02:
1,5406%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Medida de Solução" - A
abertura da temporada extraordinária do Congresso Nacional contou com menos de uma
centena de presenças, mas o senador Antônio Carlos Magalhães, no exercício da
presidência da instalação formal dos trabalhos, revelou disposição para produzir
resultados políticos imediatos. (...)
Não sendo um campo de batalha parlamentar,
em que se alinhem como inimigos o Executivo e o Legislativo, as medidas provisórias podem
ganhar a clareza que as viabilize sem se acumularem por dificuldades de aprovação que as
retardam sem proveito. As sucessivas reedições realimentam dispensável animosidade nas
relações entre os dois Poderes. (...) O Congresso, por sua vez, considera-se afrontado
pelas reedições. A estatística das MPs já dispõe de acúmulo que serve de lastro às
acusações recíprocas. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - O
líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, deixou passar ontem uma excelente
oportunidade de se abster da palavra. Defendeu o mandato do deputado Jair Bolsonaro em
altíssimo e bom som ao microfone de uma das tribunas do plenário, para discordar do
líder do Governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio, que acabara de anunciar que
estava encaminhando pedido à mesa para abertura do processo de cassação.
Como o pefelista foi ao microfone de
improviso, já que havia grande concentração de jornalistas em torno do único
acontecimento do dia - os discursos dos líderes do Governo e do PT, José Genoíno -,
talvez não tenha feito uma consulta prévia a seu partido. E, só por isso, não se pode,
ainda, chegar à conclusão de que o PFL defenderá a permanência de Bolsonaro na
Câmara. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - A
conversa com os líderes e articuladores políticos do Governo sobre a restrição às
medidas provisórias sempre começa do mesmo jeito. O interlocutor diz logo que o
presidente Fernando Henrique Cardoso é a favor de novas regras para edições e
reedições das MPs.
Seguem-se, então, tantas ressalvas, que a
conclusão inevitável é a seguinte: vai acabar naquele meio-termo morno em que os
derrotados fingem que foram contemplados, os vencedores agradecem a compreensão dos
parlamentares e a oposição lamenta os acordos de gabinete.
Para o Governo, não há a menor condição
de deixar de editar medidas provisórias sobre questões tributárias. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Governo muda MP e beneficia São Paulo
- O Planalto vai mudar medida provisória e
aumentar de R$ 5 milhões para R$ 7,5 milhões a verba para cidades do Sudeste atingidas
pelas enchentes.
O adicional será destinado ao governo
paulista, apesar de o estado ter 15,7 mil desabrigados, enquanto Minas registra 81,6 mil.
Segundo o Governo federal, os R$ 2,5 milhões estavam prometidos a São Paulo desde abril
passado, em pacote emergencial contra enchentes.
A Defesa Civil do Ministério da
Integração Regional, que anunciara uma linha de crédito especial da Caixa Econômica
Federal para a população afetada pelas chuvas, informou que o anúncio foi um engano. Os
créditos à disposição serão os já existentes na CEF.
Ontem, mais sete corpos foram localizados
no Sudeste (cinco em São Paulo), elevando para 34 o número de mortos pelas enchentes.
(pág. 1 e cad. Cotidiano)
- O governador de São Paulo, Mário Covas,
sancionou a lei que proíbe o trote agressivo contra calouros nas universidades públicas
do estado.
A instituição em que for registrada
alguma ocorrência responderá por omissão ou condescendência, e os alunos responsáveis
pelo trote podem sofrer sanções penais. As escolas terão também de adotar medidas
preventivas - USP e Unicamp informaram que já agiram nesse sentido. (pág. 1 e 3-5)
- Os preços dos combustíveis deverão
sofrer reajuste até o final de março. O aumento médio poderá ficar abaixo de 10%, caso
o valor do dólar se mantenha próximo de R$ 1,85 e a cotação internacional do petróleo
recue nos próximos meses.
O Governo avalia que o reajuste em março
teria menor impacto na inflação e evitaria novos déficits no fundo que subsidia a
diferença entre o custo de importação de petróleo e o preço interno. (pág. 1 e 2-10)
- A atividade da indústria paulista
cresceu 0,9% em novembro sobre o mês anterior. Houve ainda aumento de 5,7% nas vendas
reais em igual período.
A Fiesp prevê alta de 3% na produção em
2000, contra queda de 4,4% no ano passado. Já o setor automotivo teve, em 99, o pior
desempenho em sete anos - recuo de 15,26% na produção e de 18,37% nas vendas em
relação a 98. (pág. 1 e 2-3)
- O vice-diretor-gerente do FMI, Stanley
Fischer, classificou como "extraordinariamente surpreendente" o desempenho da
economia brasileira. Em discurso sobre as perspectivas para a economia mundial em 2000,
ele elogiou a "disciplina fiscal" do País.
De acordo com ele, as economias dos países
emergentes começam o ano com boas perspectivas. Ele defendeu o aumento do fluxo de
capitais para estes mercados. (pág. 1 e 2-10)
EDITORIAL
"Os 94 trabalhos" - É difícil
compreender o objetivo das convocações extraordinárias do Congresso, desta e de outras
tantas, e foram muitas desde a primeira posse de FHC. Relevante, mas insuficiente para
explicá-las, é o ganho extraordinário dos congressistas. Mas quem convoca os
parlamentares pode muito bem apresentar argumentos como a urgência de aprovar tal ou qual
projeto. Porém a desarticulação e a imprevidência política são de tal monta, assim
como a enormidade da pauta de projetos, que o resultado de tais convocações têm sido
pífios. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Até agora, Covas só preparou
caminho para entrar na guerra fiscal. O governador paulista tem estudos sobre setores da
indústria que devem ganhar benefícios. Está para bater o martelo. Estados vizinhos vão
chiar.
* Um cacique peemedebista diz que Michel
Temer, presidente da Câmara, não tem compromisso com ACM para votar o projeto que limita
a edição de medidas provisórias: "O PMDB não vai agir como quer ACM, pois nem o
PFL (partido do presidente do Senado) faz isso". (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Bancos dão acesso gratuito e abrem guerra da Internet
- O mercado da Internet está sendo
sacudido pela iniciativa dos bancos de garantir a seus clientes acesso gratuito à rede.
Até agora, Bradesco e Unibanco adotaram a estratégia e o próximo a oferecer a
facilidade aos correntistas será o Banco Bilbao Vizcaya. Outras instituições
financeiras, como o Itaú, e empresas operadoras de cartão de crédito, como a Credicard,
estudam a hipótese de lançar serviços semelhantes. A tendência deve multiplicar de
maneira veloz o número de internautas no País, hoje estimado em 7 milhões - só o
Bradesco tem 8,4 milhões de correntistas. Estimular o acesso à Internet facilita aos
bancos a captação de clientes e a venda de produtos como seguros.
As ações do Bradesco tiveram
valorização superior a 20% desde o anúncio do novo serviço, no dia 13. Os papéis do
Unibanco subiram mais de 5% só ontem, quando foi divulgada a decisão. Os provedores da
Internet já estabelecidos cobram mensalidade de até R$ 40,00 e ameaçam recorrer à
Anatel para impedir a iniciativa dos bancos. Eles argumentam que, pela Lei de
Telecomunicações, o acesso à rede só pode ocorrer por meio de um provedor. (pág. 1 e
B1)
- A febre amarela provocou uma morte em
Brasília, onde três outros pacientes estão sendo tratados. As autoridades médicas do
Distrito Federal temem que essa doença, transmitida por mosquito, passe a ameaçar a
população da capital, por influência de Goiás. (...) (pág. 1 e A8)
- A produção e a venda de veículos no
País voltaram, no ano passado, aos níveis de 1993, época em que havia apenas quatro
grandes montadoras de automóveis e três de caminhões e ônibus. Nos últimos dois anos,
foram inauguradas mais dez fábricas, mas a produção de 1999 ficou em 1,3 milhão de
unidades, menos da metade da capacidade das indústrias. As vendas de carros nacionais e
importados totalizaram 1,25 milhão. Dados da Anfavea mostram que a exportação de
veículos, que no começo do ano era vista como esperança do setor, caiu 33% em unidades
e 30% em valores, em relação a 1998. (pág. 1 e B4)
EDITORIAL
"Um acordo para o País andar" -
O Governo acerta no Congresso a aprovação de dois projetos essenciais: o de emenda
constitucional que prorroga o FEF até 2003 e o da Lei de Responsabilidade Fiscal. O
presidente FHC mobilizou uma brigada ministerial para arregimentar deputados da base
aliada. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Fernando Henrique
volta a reunir-se hoje com ministros e assessores da chamada coordenação política do
Governo.
Vão discutir qual o rumo das negociações
com o Congresso para o período da convocação extraordinária. Os percalços são
grandes. (pág. A6)
O GLOBO
- Governo facilita importação para estimular crescimento
- O Governo decidiu reduzir os custos da
indústria como forma de estimular a retomada econômica do País, que deverá crescer 4%
este ano. Até segunda-feira, deverá ser anunciada a redução da alíquota de
importação de mais de 300 produtos, entre máquinas e equipamentos usados pela
indústria.
Nestes casos, o imposto cairá de 18% para
5%, incidindo apenas sobre produtos que não tenham similar nacional e custem mais de US$
10 mil. Nas projeções da Fiesp, a indústria paulista, que fechou o ano passado com uma
queda de atividade de 4,4%, deve chegar ao fim deste ano com um crescimento de 3%,
sustentado principalmente pela exportação.
Ontem, o vice-diretor-gerente do FMI,
Stanley Fischer, disse que o Fundo prevê para 2000 o retorno de capitais aos países
emergentes. Fischer voltou a elogiar a recuperação do Brasil, classificada como
"extraordinariamente impressionante". (pág. 1, 21 e 22)
- A proposta de Orçamento para 2000
encaminhada pelo Governo ao Congresso prevê apenas R$ 47 milhões para obras contra
enchentes no País e não contempla São Paulo, Rio e Minas. Levantamento sobre o risco de
inundações mostra que o estado do Rio tem 764 pontos críticos, 83 deles na capital. O
nível do Paraíba do Sul voltou a subir por causa da abertura de comportas da Represa do
Funil, alagando ruas de Resende. (pág. 1, 3, 4 e 18)
- Os líderes do PT, José Genoíno, e do
Governo, Arthur Virgílio, bateram boca na Câmara sobre as MPs. Genoíno leu artigos do
então senador Fernando Henrique condenando as MPs que agora defende. Virgílio lembrou
que Genoíno também mudou: "Foi guerrilheiro e já não prega mais o
socialismo". (pág. 1 e 5)
- O líder do Governo no Congresso,
deputado Arthur Virgílio, não quer apenas a suspensão por 30 dias do mandato do
deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), que defendeu, no fim do ano passado, o fuzilamento do
presidente Fernando Henrique Cardoso. Virgílio enviou ontem à Câmara pedido de
cassação de Bolsonaro por falta de decoro parlamentar. (pág. 2 e 8)
- Auditoria encomendada pelo governo do
estado à Coppe constatou que, na assinatura do contrato de privatização da Flumitrens
(atual Supervia), foram incluídas vantagens não previstas na licitação. Uma das
cláusulas exime a empresa de indenizar o estado por bens que venham a desaparecer. A
Supervia só vai se pronunciar após receber o relatório. (pág. 1 e 13)
- Representantes de comunidades indígenas
de várias partes do País recusam-se a participar das comemorações dos 500 anos do
Descobrimento do Brasil, programadas pelo Governo federal. A informação foi transmitida
ontem ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, pelo presidente da Fundação Nacional
do Índio (Funai), Carlos Frederico Marés. Ele explicou que os índios consideram a festa
um evento dos brancos. Como a posição da Funai é a mesma dos índios, Marés disse que,
para a entidade, não há o que comemorar em 21 de abril. (...) (pág. 5)
- A partir do dia 17, a Receita Federal vai
deixar o número 0300-78-0300 disponível para quem quiser obter informações sobre o CPF
suspenso e como revalidar o documento. Desde o dia 1º deste ano, 49 milhões de CPFs
estão suspensos e serão definitivamente cancelados a partir de 2002, caso os titulares
não regularizem a sua situação com a Receita. (pág. 2 e 23)
- A Cedae decidiu intensificar a procura de
ligações clandestinas responsáveis pelo despejo de esgoto na Lagoa, onde os índices de
poluição atingiram níveis críticos. De quinzenais, as operações passarão a ser
semanais. Para reduzir o problema, também será lançado edital para a construção de
uma rede de esgoto numa área do Jardim Botânico. (pág. 1 e 19)
EDITORIAL
"Depois do tapume"' - Conta
antiga anedota do folclore diplomático que um embaixador estrangeiro apaixonado pelo Rio
despediu-se dos amigos cariocas com uma declaração de amor e um reparo à cidade
maravilhosa: "Seria mais linda se não estivesse eternamente em obras; e espero
voltar um dia para ver como ficou quando acabarem de construir".
É sina de qualquer metrópole viver
coberta de tapumes. Das autoridades, o máximo que se espera é que procurem reduzir ao
mínimo o desconforto e os inconvenientes. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A
água que mata e desabriga no Sudeste é a mesma que, por falta, castiga os nordestinos.
Mesmo assim, sua fartura e a fortuna da Amazônia, serão o grande diferencial do Brasil
neste milênio. Lamentável é que haja mais disputas políticas do que políticas
estratégicas de conservação, quando a ONU alerta que a água é causa de 70 conflitos
regionais e poderá faltar na Terra já em 2005. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - É antigo o projeto de
empregar ex-presidentes da República como senadores vitalícios.
Já foi tentado no final do Governo JK, em
1960.
Só não foi aprovado por defecções na
bancada do PTB.
* O BNDES está festejando um inesperado
interesse pela Celpe de Pernambuco.
Quatro grupos americanos, três espanhóis
e um argentino querem a empresa.
A privatização, com preço mínimo de R$
1,8 bilhão, será dia 17 de fevereiro.
* A Comissão de Relações Exteriores do
Senado tem assunto importante na pauta para quarta-feira que vem.
Discutirá um voto simbólico de apoio às
decisões do Governo no âmbito do Mercosul.
Isso é que é tema para convocação
extraordinária! (pág. 14)
GAZETA MERCANTIL
- Previ vai cortar R$ 5 bilhões da carteira de ações
- (Rio e São Paulo) - Mais de R$ 5
bilhões da carteira de renda variável da Caixa de Previdência dos funcionários do
Banco do Brasil (Previ), o maior fundo de pensão do País, com ativos da ordem de R$ 32
bilhões, migrarão para outros investimentos até 2003. (pág. 1 e B-1)
- (Washington) - Número 2 do Fundo
Monetário Internacional, cada vez mais fortalecido depois que o número 1 Michel
Camdessus tomou a decisão de deixar o cargo, o diretor-gerente Stanley Fischer entrou no
milênio com um discurso otimista - e incluiu o Brasil na lista de países que merecem
aplausos.
Comparando a paisagem mundial do ano 2000
com a dos últimos anos, quando ocorreu o colapso asiático, Fischer desenha um otimismo
firme, ainda que temperado por advertências e cautelas. (pág. 1, A-6 e 8)
- Os fundos de capital garantido
ressuscitaram com a alta das bolsas. O patrimônio desses fundos dobrou em dezembro, para
R$ 311,75 milhões. (pág. 1 e B-3)
- (Rio) - A Sociedade de Propósito
Específico (SPE) que o grupo Ultra criará com o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) para disputar o controle da Copene pode contar com outros
participantes. De acordo com o presidente do Ultra, Paulo Cunha, investidores
institucionais seriam os parceiros em potencial.
A primeira investida da SPE seria sobre o
controle da Politeno e da Polipar. Juntas, elas detêm 21,37% da Norquisa, que é a
controladora da Copene. (pág. 1 e C-5)
- A partir de fevereiro, os fundos de
investimento financeiro (FIF) e os de aplicação em cotas (FAC) poderão investir até
49% do seu patrimônio em ações e outros ativos de renda variável. A Circular 2.958,
publicada ontem pelo Banco Central (BC), revoga a 2.952. O limite máximo de aplicação
em ações era de 20%.
A mudança não vale para fundos atrelados
a indicadores de desempenho, como os cambiais e DI.
A permissão oferece aos gestores mais
opções para alavancar os ganhos dos fundos de renda fixa, que vinham perdendo terreno
para os de renda variável. (pág. 1 e B-4)
CORREIO BRAZILIENSE
- Surgem mais três casos suspeitos no Entorno
- A adolescente Jacqueline Rodrigues dos
Santos, o chacareiro Joaquim Sousa Reis, ambos do interior de Goiás, e um morador do
Cruzeiro Velho de 22 anos, cuja identidade não foi revelada, são os três novos casos
suspeitos de febre amarela. Os três estão internados em hospitais de Brasília e
acredita-se que todos foram infectados na região do Entorno. Agora, já são cinco as
vítimas suspeitas da doença.
A febre amarela urbana está erradicada no
Brasil desde 1942, mas os casos de infecção e morte por febre amarela silvestre vêm
crescendo desde 1998. O Distrito Federal fica numa região endêmica de febre amarela, mas
nunca se soube de alguém que tenha contraído a doença dentro do DF. (pág. 1, 6, 7 e 8)
- O trabalhador brasiliense começa o ano
2000 gastando mais para manter a família. Pesquisa do Departamento Intersindical de
Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) constatou que o custo da cesta básica
no Distrito Federal fechou o ano em R$ 103,22. É o maior valor desde o início do Plano
Real. (pág. 1 e 12)
- As chuvas pararam na Região Sudeste, mas
o número de mortos já chega a 37. A maior quantidade de vítimas fatais foi registrada
em Campos do Jordão, a aprazível cidade de inverno no interior de São Paulo. (pág. 1,
10 e 11)
- Dois mil atletas disputam amanhã em
Brasília a Corrida de Reis, segunda maior prova de rua do País. Entre os destaque,
Osmiro de Souza, Diamantino Ramos e o brasiliense Arnaldo Sales de Sá. (pág. 1 e 20)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Congresso votará apenas três pontos da convocação
extra
- Nada de reforma tributária, Orçamento,
reforma do Judiciário ou criação da contribuição previdenciária dos servidores
inativos. Os únicos pontos da extensa pauta enviada pelo Governo que têm chances de
serem aprovados nesta convocação extraordinária são a Desvinculação de Recursos da
União (DRU), o antigo FEF, e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Um terceiro item, a emenda
que restringe a edição de medidas provisórias, também pode ser incluída na agenda dos
deputados porque o Palácio do Planalto e o Congresso estão avançando na concretização
de um acordo que permitirá a votação da matéria.
O Governo admite acatar a proposta que
tranca a pauta da Casa onde a MP que estiver tramitando não for votada em 45 dias. No
entanto, não aceita ser proibido de emitir MPs regulamentando matérias tributárias e
constitucionais.
O líder do PT, José Genoíno (SP),
informou ontem ao líder do Governo, o tucano Arthur Virgílio, que seu partido não
obstruirá a pauta do Congresso caso o projeto que restringe a edição de MPs seja
mantido como está. (pág. 1 e 3-A)
- Só em três dias haverá resposta para a
suspeita sobre um caso de febre amarela de um estudante contaminado em Alto Paraíso,
Goiás, e que morreu no Hospital Santa Luzia, em Brasília. Três laboratórios - o
Evandro Chagas, de Belém e Adolfo Lutz, de São Paulo, referências nacionais para a
pesquisa da doença, e do Hospital de Base, de Brasília - estão examinando o material
colhido da vítima fatal, Alleson Neres, de 19 anos.
Sua irmã, Andréya, de 20 anos, também
apresenta os mesmos sintomas que são comuns à febre amarela, à leptospirose,
dengue-hemorrágica e hepatite.
O secretário de Saúde, Jofran Frejat,
disse ontem, ao Jornal de Brasília que, apesar de só haver suspeitas e que os casos em
exame serem originários de Goiás, mesmo assim 40% da população já estão vacinadas e
há vacinas suficientes nos centros de saúde.
A febre amarela silvestre (de que o macaco
é hospedeiro e o mosquito Aedes Haemagogo é transmissor) é endêmica nas áreas rurais
de Goiás, embora a febre amarela urbana esteja erradicada no Brasil desde as campanhas de
Oswaldo Cruz. (pág. 1 e 1-B)
- Ao contrário do que ocorreu em outros
estados, como o Paraná, onde o curso de Turismo surpreendeu, por receber o maior número
de inscrições, no Vestibular da UnB, que começa amanhã, Medicina, Direito, Jornalismo
e Propaganda e Odontologia permanecem na preferência dos 23.333 candidatos inscritos.
(...) (pág. 1 e 3-B)
- Acuado por uma onda de protestos da
oposição, que pede a sua renúncia nas ruas de Quito, o presidente do Equador, Jamil
Mahuad, decretou estado de emergência nacional e suspendeu as garantias constitucionais
no país. (pág. 1 e 8-A)
ZERO HORA
- O presidente da Organização das Cooperativas do Rio
Grande do Sul (Ocergs), Vicente Bogo, será o coordenador do Ministério do
Desenvolvimento Agrário no estado. Ele também foi convidado para assumir a coordenação
da área na Região Sul e deve aceitar a tarefa, depois de organizar a seção gaúcha do
ministério. O anúncio foi feito na manhã de ontem, em Porto Alegre, pelo ministro do
Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. (pág. 6)
- Para administrar a reforma agrária no
Rio Grande do Sul, o catarinense Vicente Bogo, 42 anos, futuro comandante dos programas
fundiários do Governo federal no Rio Grande do Sul, terá de enfrentar as divergências
entre o governo do estado e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, de um lado, e
a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), de outro. Indicado ontem pelo
ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, Bogo deve tomar posse dentro de 90
dias. (pág. 8)
- A economia gaúcha cresceu 3,1% em 1999,
conforme resultado preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) estadual divulgado ontem pela
Fundação de Economia e Estatística (FEE). A agropecuária, com crescimento de 11%, foi
o setor que mais contribuiu para a recuperação do PIB, que alcançou R$ 82,4 bilhões.
Pelo terceiro ano consecutivo, a agropecuária teve desempenho positivo, que foi o maior
dos últimos sete anos. (pág. 18)
- A produção de veículos no Brasil no
ano passado foi a mais baixa dos últimos sete anos, num total de 1,34 milhão unidades,
com uma queda de 15,26% em relação a 1998. O mercado total, incluindo os importados, foi
de 1,25 milhão, o menor dos últimos seis anos -, retração de 18,37% na comparação
com o ano anterior. (pág. 22)
- O estado continua sofrendo os efeitos da
estiagem. Até o início da noite de ontem, 39 municípios haviam decretado situação de
emergência. Na segunda-feira, duas equipes da Defesa Civil serão enviadas às Missões,
à fronteira oeste e região central para avaliar a situação. Nos últimos dois dias,
técnicos do Governo visitaram quatro municípios da Metade Sul. (pág. 30)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
Covas quer retaliar estados mais pobres
ESTADO DE MINAS
Chuva pára, sofrimento não
JORNAL DO COMMERCIO
(PE)
Deputados tentam fundo especial de
aposentadoria
ZERO HORA (RS)
Recapturado assaltante mais procurado do RS
O DIA (RJ)
Estado compra 40 mil armas para nova
polícia
TELEJORNAIS
GLOBO - JORNAL NACIONAL -
20H15
Os moradores do Sul de Minas estão
começando a voltar para casa e a descobrir os estragos causados pela chuva. Há 20 horas
não chove na região mas em 12 cidades a situação é de calamidade pública. São mais
de 80 mil desabrigados em 41 cidades do Sul de Minas. O nível dos rios começou a baixar
mas muitas cidades permanecem inundadas. A rodovia Fernão Dias, que liga Minas a São
Paulo, foi interditada perto do município de Pouso Alegre. O rio Sapucaí invadiu a
pista. O congestionamento chega a 50 quilômetros nos dois sentidos. Em São Lourenço a
população está sem água potável. Em Itajubá a água secou e as ruas estão voltando
a aparecer.
Em São Paulo mais de quatro mil pessoas
estão desabrigadas. Trinta e quatro cidades foram atingidas pela chuva. Em Campos do
Jordão, na Serra da Mantiqueira, ainda há risco de desabamentos. Parou de chover e os
bombeiros recomeçaram as buscas aos seis desaparecidos. Oito pessoas morreram. Algumas
famílias tentaram voltar para casa mas a Defesa Civil avisa que pode haver novos
deslizamentos. Mil e 500 desabrigados estão recebendo comida e roupas enviadas de todo o
Brasil. Nos hospitais faltam luvas, seringas e remédios para atender a população.
No Rio de Janeiro a chuva também parou mas
o nível do rio Paraíba do Sul ainda está subindo na divisa com São Paulo. Mil
trezentas e setenta pessoas estão desabrigadas no Estado. Mais uma comporta da represa do
Funil, em Resende, foi aberta. A água tomou 96% do reservatório da usina. As cidades da
região Sul continuam em estado de calamidade. Em Campos, no Norte, o rio Paraíba do Sul
começou a baixar. Oitenta e oito famílias estão abrigadas em escolas.
A partir desta sexta-feira as agências dos
Correios de todo o Brasil vão estar recebendo donativos para os desabrigados de Minas, de
São Paulo e do Rio de Janeiro. Podem ser doados alimentos não perecíveis, roupas e
remédios. Os Correios não vão cobrar pelos serviços. As doações devem ser feitas
até o dia 31.
A impunidade e a falta de fiscalização na
venda de armas aumentam o número de vítimas da violência. No Rio de Janeiro uma
pesquisa do Instituto de Estudos Religiosos revela que as armas de fogo são responsáveis
por um terço das mortes dos jovens entre 12 e 17 anos desde o início da década de 90. A
pesquisa abrange os anos de 1989 a 1998, período em que 3.031 jovens nessa faixa de idade
morreram baleados. O projeto que proíbe a venda e o porte de armas tem votação marcada
no Senado para a próxima terça-feira. Por esse projeto, todos os portes de armas seriam
cancelados e o governo compraria as armas legais existentes no país.
O Brasil é o país campeão em reciclagem
de latas de alumínio, atividade que emprega 130 mil pessoas. O número de trabalhadores
nas cooperativas poderia ser ainda maior, se as indústrias reaproveitassem outros
materiais que são desperdiçados no lixo. Na cidade do Rio existem 15 cooperativas, que
geram 300 empregos diretos. O Brasil recicla hoje 82% das latas de alumínio que produz,
um terço a mais do que os Estados Unidos. Ao usar matéria prima reciclada, a indústria
do alumínio gasta menos energia elétrica.
O preço da cesta básica subiu no ano
passado em todas as 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. O maior aumento foi em Belém,
com alta de 13,7%. A menor variação do ano foi em Aracaju, onde a cesta subiu 0,05%. Em
São Paulo a cesta básica subiu 9,7% e é a mais cara do país. Custava em dezembro R$
111,96.
As vendas da indústria automobilística
caíram 18% no ano passado. A produção de veículos foi 15% menor que a de 1998, segundo
a Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes. As vendas externas também foram fracas.
O número de carros exportados caiu 33% em relação a 1998.
Deputados e senadores já estão recebendo
salário extra para trabalhar durante a convocação extraordinária do Congresso mas a
maioria deles ainda não apareceu em Brasília. Na pauta da convocação oito projetos
limitam os gastos públicos. Um deles acaba com a farra das câmaras municipais. São 62
mil vereadores que custam ao país R$ 2 bilhões por ano. Num total de 5.500 câmaras,
2.000 gastam todo o orçamento com salários. Pelo projeto, o gasto com folha de pagamento
não pode passar de 70% da despesa total da câmara. Mas os parlamentares responsáveis
pela aprovação da lei são menos exigentes em matéria de economia de dinheiro público
quando o problema é com eles. Oficialmente, a convocação extraordinária começou na
quarta-feira. Na prática, votação só na terça-feira. Mas o salário extra já está
valendo desde o dia 1º. São R$ 16 mil para cada parlamentar, fora o salário normal de
R$ 8 mil. Os funcionários também recebem uma gratificação extra. No fim das contas, a
convocação custa R$ 19 milhões.
A Procuradoria Geral da República quer
impedir que o futebol seja manipulado pelo interesse econômico e promete fazer cumprir a
medida provisória que proíbe uma empresa de controlar mais de um clube de futebol. O
procurador Geraldo Brindeiro orientou a Confederação Nacional do Ministério Público a
recorrer, primeiro, à Justiça dos Estados. Para o procurador o caso é grave porque
representa um desrespeito à lei. O Conselho de Defesa Econômica está investigando e vai
se reunir com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na terça-feira. No Congresso os
parlamentares também protestaram contra o desrespeito à medida provisória.
RECORD - JORNAL DA
RECORD - 19H30
Suspeita de morte por febre amarela pode
confirmar surto da doença na região Centro-Oeste. O estudante Alisson Neres, de 19 anos,
morreu na última terça-feira com sintomas típicos da doença. A irmã dele, Andréa
Neres, de 20 anos, está internada com os mesmos sintomas. Os irmãos começaram a passar
mal em Alto Paraíso, no Norte de Goiás, a 230 quilômetros de Brasília. Nos últimos
nove meses foram registrados na região seis casos da doença, com duas mortes.
Levantamento na Fundação Nacional de Saúde mostra que nos últimos dois anos foram
notificados em todo o país cem casos de febre amarela. Só em 1999, 23 pessoas morreram.
A FNS tem em estoque 43 milhões de doses da vacina contra a febre amarela. A meta é
vacinar todos os brasileiros maiores de seis meses de idade a cada 10 anos. E não é só
a febre amarela que preocupa. Por causa das enchentes e alagamentos, doenças como
leptospirose, cólera, malária, dengue e hepatite podem surgir com força de epidemia
depois que as chuvas derem trégua. O alerta da FNS vai principalmente para os órgãos de
Defesa Civil dos municípios castigados pelas águas.
Dados divulgados pelo Banco Central
confirmam o avanço das bolsas e a perda de rentabilidade na Caderneta de Poupança. No
ano passado, os fundos de ações renderam até 129,5%. Os fundos de renda fixa pagaram em
média 25%. Os CDBs pré-fixados, 22,5%. Já a caderneta, apesar de ter o maior
patrimônio entre as aplicações, rendeu apenas 12,1%. Perdeu feio para o IGP-M, que é a
inflação apurada para o mercado financeiro. O IGP-M subiu 20,1% em1999.
Salette Lemos: "Com a queda na
rentabilidade das aplicações de renda fixa, tem muita gente apostando no mercado de
ações sem, no entanto, estar preparado para as oscilações que caracterizam essas
aplicações. A confirmação de lucro no mercado de ações só acontece a médio e longo
prazos, apesar de as expectativas serem muito favoráveis para este ano. Mesmo com a alta
dos juros americanos, o dinheiro estrangeiro vai continuar fluindo para o Brasil. E se
tudo der certo, retoma o crescimento econômico, valorizando o preço das ações. Quem
garante isso é o vice-diretor gerente do FMI, Stanley Fisher, que se disse animado e
otimista com a economia brasileira."
Mil novecentos e noventa e nove vai ser
lembrado como o ano em que a indústria automobilística deu marcha à ré. O balanço
divulgado pela Anfavea mostra que os principais indicadores do setor foram negativos.
Apesar do acordo automotivo que cortou impostos e barateou o custo dos carros, a
produção no ano passado caiu 15,26%. Foram fabricados 1 milhão 343 mil e 633 veículos
entre caminhões, ônibus e carros de passeio. Em 1998, a produção atingiu 1 milhão 585
mil e 630 unidades. As vendas no atacado - quantidade repassada às concessionárias -
recuaram 18,37% e as exportações tiveram queda de 32,94%. Para este ano as montadoras
apostam que, finalmente, o programa de renovação da frota brasileira vai sair do papel,
alavancando as vendas. As concessionárias não são tão otimistas. Para os revendedores
não existe mágica. Só melhores preços e condições de pagamento podem atrair mais
consumidores. Um estudo da Fenabrave, que representa as revendas, mostra que o carro
chamado popular aumentou 106% nos últimos cinco anos, pulando de R$ 7.300 para R$ 15.100.
A cesta básica ficou mais cara em todo o
país no ano passado. Pesquisa do Dieese mostra que o maior aumento, de 13,7%, foi
registrado em Belém. A menor variação, de 0,05%, foi em Aracaju. Já a cesta mais cara
do país, de R$ 111,96, é a de São Paulo. Com base nesse custo, o Dieese calcula que o
salário mínimo deveria ser de R$ 940,58. O mínimo em vigor é de R$ 136,00.
A punição a Jair Bolsonaro deve ser
definida já nessa convocação extraordinária do Congresso. O deputado federal do PTB do
Rio de Janeiro defendeu o fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi durante
um almoço no Clube da Aeronáutica, no Rio, há 10 dias. Irritados com a demissão do
brigadeiro Walter Brower, vários militares atacaram o presidente da República. Mas
nenhum foi tão longe quanto Bolsonaro. Ir longe com o que diz parece ser a especialidade
do capitão da reserva. A primeira vez foi em 1996, quando reclamou dos baixos soldos dos
militares e acabou preso. Daí para frente a carreira política só prosperou. E a
veemência verbal, também. Em julho de 1997, Bolsonaro declarou que "o grande erro
da ditadura foi não matar vagabundos e canalhas como Fernando Henrique". Quando
disse essa frase Bolsonaro já era o segundo deputado mais votado do Rio. Em junho de
1999, disparou: "Isso é que dá torturar e não matar". Dessa vez, a ira do
deputado voltou-se contra o padre José Antônio Monteiro, que denunciou ter sido
torturado durante a ditadura militar. Bolsonaro pode ser cassado por quebra de decoro
parlamentar e apologia ao crime.
Os líderes do governo apostam em quorum
alto semana que vem nas votações do Congresso. Quem faltar terá desconto no salário.
Quinta-feira foi dia de polêmica mesmo com poucos parlamentares presentes no plenário da
Câmara. A oposição reagiu à tentativa de acordo sobre o projeto que limita o uso de
medidas provisórias pelo presidente. O acordo está sendo discutido pelos três partidos
que dão sustentação ao governo. O líder do PT foi à tribuna para mostrar artigos
publicados em jornais em que o presidente Fernando Henrique Cardoso defendia limite para
as medidas provisórias quando era senador. O porta-voz da Presidência disse que o
presidente Fernando Henrique não é contra a regulamentação das medidas provisórias,
mas discorda do Congresso sobre a forma de se fazer essa regulamentação.
BANDEIRANTES -
JORNAL DA BAND - 19H30
Uma pessoa morre e duas estão
hospitalizadas em Brasília com suspeita de febre amarela. Sessenta e seis casos da
doença foram registrados em todo Brasil no ano passado.
A chuva diminui no Sul de Minas mas o
pesadelo continua. O número de mortos subiu para nove. Mais de 80 mil pessoas estão
desabrigadas. Na rodoviária de Belo Horizonte muitas viagens foram canceladas. Em Poços
de Caldas vários prédios ameaçam cair. Vinte e duas cidades estão em estado de
calamidade pública ou de emergência. O governador Itamar Franco sobrevoou as cidades
mais atingidas e se reuniu com prefeitos da região. Nas estradas vários trechos
desabaram. Perto de Pouso Alegre, na Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, o
trânsito ficou interditado por várias horas.
Duas leis são aprovadas pelo Congresso
Nacional para dar agilizar a Justiça do trabalho. Agora, os casos que envolvem valores
até 40 salários mínimos devem ser resolvidos em no máximo 15 dias. A outra lei prevê
a criação de comissões de negociações entre empregados e patrões, para que pequenas
pendências, como pagamento de horas extras, sejam resolvidas sem a interferência da
Justiça. A Justiça do trabalho recebe dois milhões de ações por ano em todo o Brasil.
A maioria delas se revolve no primeiro julgamento. Mas o acúmulo faz com que em cidades
como São Paulo a primeira audiência demore até seis meses para acontecer.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |