09/01/2000

JORNAL DO BRASIL

- Inquérito liga deputado da CPI ao tráfico de armas

- Ex-delegado da Polícia Federal e um dos sub-relatores da CPI do Narcotráfico, o deputado federal Wanderley Martins (PDT) é acusado de participar do tráfico internacional de armas para o Golfo Pérsico, em 1995.

Num inquérito encaminhado em novembro pelo Supremo Tribunal Federal à Procuradoria Geral da República, o parlamentar responde por corrupção passiva e prevaricação por receber dinheiro do libanês Elias Mikhael Kanaan, acusado de evasão de divisas e ligação com o tráfico de armas e drogas.

Pelo inquérito, Kanaan depositou na conta bancária de Wanderley US$ 2,6 mil em 1992. A Procuradoria também pode denunciar Wanderley no processo sobre sua aparição num vídeo de 1997, no qual conversa com o traficante Walter Gomes de Carvalho Filho, o Valtinho. (pág. 1 e 15)

- A emenda constitucional que institui contribuição previdenciária para servidores públicos aposentados e pensionistas não deve ser aprovada este ano pelo Congresso.

A proposta enfrenta resistência da base governista e 10% dos deputados federais devem concorrer às prefeituras em outubro. Além disso, foi incluída na emenda teto de R$ 1,2 mil para aposentadoria do servidor público. (pág. 1 e 4)

- O Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) fracassou no estímulo ao setor habitacional, reconhece o presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, Fraga e o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, adiantam que a reformulação do sistema é prioridade número um e alertam que o câmbio livre veio para ficar. (pág. 1, 10 e 11)

- Na última semana, os bancos abalaram o mercado brasileiro de Internet ao anunciar o acesso gratuito à rede para milhões de clientes. Os provedores locais querem regulamentar a prática, que, nos EUA, usa a invasão de privacidade dos usuários para captar patrocinadores. (pág. cad. Economia, pág. 6)

- Os clubes, seus patrocinadores e as emissoras de TV, que pagam para transmitir eventos esportivos, começam a sofrer, esta semana, uma devassa dos fiscais da Previdência Social. O objetivo é recuperar cerca de R$ 50 milhões que foram sonegados das contribuições previdenciárias ao INSS nos últimos dois anos e meio. (...) (pág. 1 e cad. Esportes.)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso vai assumir nos próximos dias o posto de cabo eleitoral para os candidatos a prefeito pelo PSDB nas principais cidades do País, segundo garantiram integrantes da Executiva do partido.

A começar por uma visita a Duque de Caxias (na Baixada Fluminense), onde deve ir até o mês que vem, sob o pretexto de inaugurar a ampliação do Pólo Petroquímico da região, mas na prática vai prestar apoio ao prefeito José Zito (PSDB), candidato à reeleição.

A idéia é repetir a fórmula do ano passado, quando tentou conciliar as agendas do presidente com a do candidato à reeleição. Mas Fernando Henrique não agirá tão abertamente.

Suas viagens estarão sempre ligadas aos interesses da ação de Governo. "É natural que ele preste seu apoio como fez nas eleições estaduais", disse Teotônio Vilela Filho, presidente do partido. (pág. 2)

- Acostumados a perambular pelas repartições do Governo federal em busca de verbas para seus redutos, os políticos estão de olho num novo filão para agradar seu eleitorado. Deputados, senadores e prefeitos estão na fila para levar aos municípios que lhes rendem prestígio e votos produtos esportivos fabricados por presidiários num programa assistencial custeado pelo Governo federal. (...) (pág. 3)

- O PT quer ser governo em pelo menos oito capitais, incluindo o Rio, São Paulo e Belo Horizonte. A meta ousada dos petistas não descarta as atuais 108 prefeituras sob o comando do partido - entre elas, as de Belém (PA) e de Porto Alegre (RS).

As dificuldades locais como no caso do Rio, onde o PDT não manifesta disposição de apoiar uma candidatura do PT, são avaliadas com cautela. Mas os petistas advertem que se os partidos de oposição ao Governo federal não estiverem unidos nas eleições municipais, dificilmente vão ser vitoriosos em 2002, nas presidenciais. (pág. 2)

- O regime de câmbio flutuante, que completa um ano na próxima quinta-feira, é um instrumento natural para impedir a entrada no País do capital especulativo. A opinião é do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e do diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, para quem o regime é o mais indicado para o País. Para ambos, as oscilações ocorridas em 1999 foram frutos do despreparo do mercado para operar no novo ambiente. (...) (cad. Economia, pág. 1)

- Os militares da ativa, da reserva e pensionistas vão passar a pagar alíquotas maiores de contribuição previdenciária. O projeto que estabelece alíquota de 6% para os militares já está pronto há seis meses, mas só será enviado ao Congresso depois da aprovação da emenda constitucional que permite a cobrança de contribuição dos servidores inativos e pensionistas. A nova contribuição dos militares será, contudo, bem inferior aos 11% descontados dos servidores civis em atividade. (...) (pág. 6)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso, o vice-presidente Marco Maciel e, pelo menos, oito ministros de estado e governadores que apóiam o Palácio do Planalto mudaram de opinião, nos últimos 12 anos, sobre a polêmica questão do princípio dos direitos adquiridos. (...)

- Entidades e empresas de transporte rodoviário de cargas pretendem convencer o Congresso Nacional a criar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar o roubo de carga no País. O presidente da Confederação Nacional do Transporte, Clésio Andrade, disse que enviará aos parlamentares, logo no início da próxima sessão legislativa, documentos que comprovam a existência de organizações especializadas nesse tipo de crime. (...) (pág. 12)

- Nos próximos dias, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, vai publicar uma portaria obrigando as salas de cinema e a imprensa de todo o País a divulgar a classificação etária de filmes orientada pelo ministério. Na sua opinião, é fundamental que a população saiba que um determinado filme é recomendado apenas para maiores de 18 anos ou, no outro extremo, que é livre. (...) (pág. 7)

O conselho de administração da Geap - Fundação de Seguridade Social votou pelo rompimento do contrato com as empresas de UTI-móvel Speed Help e APS. A decisão foi tomada após o vazamento de gravações, cujo conteúdo foi divulgado pelo Jornal do Brasil, de suposta conversa entre o diretor da Speed Help, Krishna Miranda de Campos, e um intermediário chamado Ricardo em que era discutida a distribuição dos contratos da Geap com empresas de UTI-móvel em todo País. A APS é suspeita de ter feito as gravações. (...) (pág. 7)

EDITORIAL

"Opiniões pessoais" - Mostrar que pensa unido e age unido, em matéria de reforma política, não é preocupação do Governo. Tanto assim que o próprio presidente Fernando Henrique diz uma coisa e o coordenador político do Governo sustenta outra diferente, quando não diametralmente contrária. A reforma política, que faz enorme falta, é a única que não saiu do lugar, embora outras andem a passo de cágado. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Escaldadíssimos pela água fervente do ano passado, nem os responsáveis pela comunicação oficial do Governo federal andam acreditando muito nessa história de que está tudo azul porque as previsões mais catastróficas não se realizaram. Na verdade, em matéria de imagem e percepção do Governo pela opinião pública, o Planalto ainda opera no vermelho.

Numa escala de zero a dez, o ministro-chefe da Secretaria Nacional de Comunicação, Andrea Matarazzo, diria que a situação está por enquanto em 2,5. Abaixo da média necessária à aprovação, mas um tanto melhor que o ano passado, quando neste mesmo placar Matarazzo reconhece que o Governo não fez um ponto sequer. Ficou estacionado em zero, apanhando o tempo inteiro. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - Deu o que falar o programa de incentivo ao turismo no Piauí. Tudo por causa do nome. Foi batizado de Spa Santo, em homenagem claro, ao governador Mão Santa.

Independente do agrado ao chefe, o projeto dobrou o número de visitantes no réveillon, em comparação com o ano passado. (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Paulistanos agridem menos e matam mais

- O assassinato está se tornando o desfecho de conflitos que antes eram resolvidos com agressões em São Paulo, indica estudo. Entre 83 e 98, a taxa de lesões corporais na capital caiu 21%, e a de homicídios e tentativas de homicídio subiu 114%.

A pesquisa, realizada por um fórum da Assembléia paulista, levanta a hipótese da ocorrência de "um processo de migração de um crime para o outro, gerando uma maior letalidade dos conflitos presentes nas relações sociais cotidianas".

No interior, o quadro é diferente. Agressões físicas substituem mortes. A taxa de homicídos não chega à metade da que é registrada na capital, enquanto a taxa de agressões é mais do que o dobro da verificada na cidade de São Paulo.

Dados de programa sobre violência em São Paulo mostram que novembro de 99 foi o mês mais violento da história da cidade. Houve 505 municípios - média de 16,8 mortes por dia. O recorde anual também deve ser batido. (pág. 1 e 3-1)

- A redução dos juros pagos pelo Governo pode causar forte queda na receita dos dez maiores bancos nacionais, levando-os a se fundir para não desaparecer nos próximos dois anos e meio. É o que mostra estudo de Alberto Borges Matias, sócio da consultoria Austin Asis.

Outra alternativa, para esses bancos, segundo Matias, seria aumentar rapidamente sua carteira de empréstimos, hoje muito pequena para padrões internacionais. (pág. 1 e 2-1)

- Tomar Grozni, capital da Tchetchênia, até a eleição presidencial russa, em 26 de março, é prioridade absoluta para Vladimir Putin, presidente em exercício do país e favorito no pleito. Ele aumentou os ataques à região, mas é possível que seu objetivo não se realize.

A Folha foi à Tchetchênia e ouviu depoimentos segundo os quais as baixas russas podem se elevar. (pág. 1 e 1-17)

EDITORIAL

"Atração perigosa" - Foi nos anos 70 que a maioria dos países mais pobres perdeu seus laços com a idéia de desenvolvimento. No lugar do debate e das experiências que vinham ganhando força no período do pós-guerra, ficou uma certa obsessão com a atração de capitais.

Cada vez com mais frequência, tornou-se urgente dar conta de enormes rombos nas contas externas do País. Muitas vezes foi insuficiente asfixiar as economias para gerar saldos no comércio exterior.

Mobilizavam-se expedientes como jogar empresas estatais na aventura da captação de recursos externos, aumentando ainda mais a dívida e cavando a própria sepultura de governos e empresas.

O imperativo de atrair capitais a qualquer custo deixou raízes. Com o tempo, firmou-se a idéia mais ambiciosa de que o salto desenvolvimentista viria com os capitais externos. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - FHC reuniu ministros e assessores palacianos na sexta para traçar a estratégia legislativa deste começo de ano. Pretende encerrar a fase das reformas constitucionais até abril e quer votar até essa data projetos que julga essenciais para cumprir os três anos restantes de mandato.

* A Comissão de Orçamento começa a votar os relatórios parciais do Orçamento 2000 na terça-feira. O Governo acredita que essa etapa dure pelo menos três semanas, mas não sabe quando acontecerão as votações do relatório final na comissão e no plenário do Congresso.

* Alberto Goldman (PSDB-SP) quer incluir o setor aéreo na Agência Nacional de Transportes. O deputado pretende desvincular o setor do Ministério da Defesa e apresentar uma emenda ao projeto que cria a ANT, englobando a aviação civil. O Ministério dos Transportes vai apoiar essa iniciativa. (...) (pág. 1-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Estradas brasileiras estão à beira do colapso

- As dificuldades dramáticas enfrentadas pelos motoristas nas últimas semanas de 1999 e na primeira de 2000 reforçaram a impressão de que as rodovias do País estão saturadas e com manutenção precária. Estudo realizado pela Confederação Nacional dos Transportes no ano passado mapeou 42.815 quilômetros de estradas e qualificou de deficientes ou péssimos 77% da malha viária brasileira. Em 1997, os números eram piores: o índice chegou a 92%. (...) (pág. 1, C1 e C5)

- Alguns meses atrás, era quase certo que apenas dois homens poderiam ganhar as eleições de novembro: Al Gore e George Bush. Hoje, ninguém tem certeza. (pág. 1 e A23)

- (Washington) - Os partidos começam este mês a definir os candidatos à próxima eleição presidencial dos Estados Unidos, em 7 de novembro. O início da briga será sábado, com as prévias de Louisiana. Há uma dúzia de pretendentes ao posto de Bill Clinton. O país vai bem e o público ainda não se interessou pela eleição. (pág. 1 e A22)

- Um ano depois da adoção do regime de câmbio flutuante, o brasileiro ainda não se acostumou com as fortes oscilações da cotação do real em relação ao dólar. As bruscas mudanças no valor da moeda americana têm assustado importadores, exportadores, investidores e turistas. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ao Estado que o Governo não vai defender uma taxa de câmbio específica ou um intervalo para o valor do real. Malan sugere que o modelo melhor para o Brasil é o adotado pelo Japão e pelos Estados Unidos, onde não há regras fixas para intervenção no mercado. (pág. 1 e B1)

EDITORIAL

"A disciplina fiscal dá resultados" - O vice-diretor do FMI, Stanley Fischer, tem motivos pessoais e profissionais para manifestar entusiasmo com a recuperação da economia brasileira. Bem vistas as coisas, a chamada "virada fiscal" foi o fator decisivo na recuperação da credibilidade brasileira. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - Faz mais de um mês que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, enviou para a Casa Civil da Presidência a indicação da economista Tereza Grossi para a Diretoria de Fiscalização do BC. O senado não gostou, por causa da passagem da economista pela CPI dos Bancos.

Atuação, aliás, elogiada recentemente pelo presidente Fernando Henrique.

* O governador Mário Covas não pretendia ir à abertura de uma feira de moedas, terça-feira no Parque Anhembi. Seria representado pelo vice-governador Geraldo Alckmin. Mas na sexta-feira à noite mudou de idéia e confirmou presença.

Na feira estarão Fernando Henrique, que fará discurso, ministros e governadores. (pág. A6)

O GLOBO

- Material escolar tem aumento de até 101%

- O aumento de preços do material escolar do ano passado para este chega a 101%, contra uma inflação de 10,21% acumulada pelo IPC-RJ em 99. É o caso do pacote de cem folhas de papel, que subiu de R$ 0,89 para R$ 1,79. Uma pesquisa realizada pelo Procon do Rio mostra ainda que, dependendo do bairro onde a compra é feita, os mesmos produtos podem ficar até 317% mais caros: um apontador, por exemplo, é vendido a R$ 0,12, no Centro, e a R$ 0,50 Zona Norte. (pág. 1 e 37 a 39)

- Disposto a vender o Banespa em maio deste ano, o Governo deverá adiar para 2001 as privatizações de outros seis estaduais. Motivo: o BC teme que o excesso de instituições à venda reduza o preço pago pelas instituições. Além do Banespa, somente o Banestado, do Paraná, deve ser vendido este ano, provavelmente em setembro. (pág. 2 e 43)

- Com a entrada em operação da Vésper, que vai disputar o mercado com a Telemar em 16 estados, a oferta de linhas telefônicas no Rio vai aumentar em 50%. Até o fim do ano, o estado terá 4,5 milhões de telefones fixos instalados.

A Vésper começa a atuar no Rio entre os dias 20 e 24 deste mês. Segundo o mercado, até meados do ano que vem a habilitação de telefones fixos deverá ser gratuita. (pág. 1 e 40)

- O governador Anthony Garotinho anunciou ontem que liberará R$ 10 milhões para as áreas atingidas pelas chuvas. Ele criticou a liberação de apenas R$ 5 milhões pela União. (pág. 1 e 23)

- O BNDES vai abrir, em março, uma linha de financiamento especial para a abertura de franquias. Segundo o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Hélio Matar, as taxas de juros serão bem inferiores às do mercado. O volume de recursos para estes empréstimos deve chegar a R$ 500 milhões. (pág. 2 e 42)

- O Rio deixou, em 1999, o topo da lista de roubos e furtos de carros no País. Segundo levantamento do Sindicato das Seguradoras do Rio, no ano passado os ladrões levaram 2,33% da frota de 1,8 milhão de veículos do estado.

Já em São Paulo, que passou à primeira colocação, foram roubados 2,92% do total de 7,9 milhões de carros. A mudança aconteceu porque em agosto passado os índices do crime no Rio começaram a cair, enquanto em São Paulo subiram.

Animado com os números, o governador Anthony Garotinho disse que vai lutar para reduzir o valor de seguro de automóvel no estado que, em média, é o maior do País. (pág. 1 e 16)

- Depois de prender 27 traficantes e erradicar 480 mil pés de maconha, a Operação Mandacaru vai investigar os bancos do Polígono da Maconha. Um dos responsáveis pela operação informou ao Globo que foram encontradas movimentações milionárias em agências bancárias do Sertão pernambucano, o que levantou a suspeita de lavagem de dinheiro do tráfico na região. (...) (pág. 3)

- (Pouso Alegre-MG) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), disse ontem que ainda não sabe qual o montante de verba que pretende liberar para atender aos 52 municípios atingidos pelas cheias do sul do estado. (...)

O governador voltou para Belo Horizonte. A coordenação do combate às conseqüências das enchentes no sul do estado ficará a cargo do vice-governador, Newton Cardoso (PMDB). Amanhã, o vice estará na cidade de Varginha para avaliar os prejuízos. (pág. 4)

- Começa na terça-feira a versão 2000 do Programa Universidade Solidária, com a participação de estudantes de 83 universidades públicas e particulares.

O programa já levou, em anos anteriores, seis mil universitários a cidades do interior do País, onde participaram de campanhas de esclarecimento e atendimento às populações.

Até o momento, 474 municípios foram atendidos e 160 universidades participaram. Este ano 1.803 alunos estarão no programa. (pág. 10)

- O principal instrumento legal que o presidente Fernando Henrique Cardoso tem para governar está rodeado de polêmica. As medidas provisórias são feitas às pressas, em meio à improvisação de comissões que não se reúnem, relatores que dão parecer diretamente em plenário e deputados que votam sem ter lido o texto.

No Congresso, onde deveria ser votada no prazo máximo de um mês, MPs não costumam ser tratadas como prioridade. Quase sempre os lideres sequer indicam os integrantes das comissões especiais que devem analisar cada MP que chega ao Executivo para apreciação do Congresso. (...) (pág. 8)

- O novo inquérito policial-militar (IPM) sobre o caso Riocentro, além de responsabilizar os envolvidos no atentado, touxe à luz um documento inédito sobre a história da repressão política no regime militar.

Guardada há 22 anos nos arquivos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), no Rio, monografia assinada pelo então major Freddie Perdigão Pereira, agente da repressão da época, reconhece que 54 presos políticos morreram nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do 2º Exército, em São Paulo, de janeiro de 1969 a maio de 1977. (pág. 15)

- (Pouso Alto-MG) - Ontem, pelo terceiro dia consecutivo, caiu o número de desabrigados pelas enchentes no sul de Minas Gerais. Segundo dados da Defesa Civil, ontem havia 56.729 desabrigados em 52 cidades atingidas. Parte das pessoas está conseguindo voltar para casa, mas os abrigos municipais continuam lotados.

Segundo dia de sol forte no sul do estado fez diminuir a enchente em Pouso Alegre. As principais vias da cidade já não estão alagadas e os carros passam livremente. A Rodovia Fernão Dias continua interditada na altura de Cariaçu, entre os quilômetros 764 e 772. O bloqueio começou às 18h de anteontem, por causa do transbordamento de um rio. (pág. 4)

EDITORIAL

"Passo adiante" - O longo debate em torno da reforma da Previdência deixou bem claro as mazelas e as deficiências dos sistemas oficiais adotados no Brasil. Uma das distorções mais graves talvez seja a existência de sistemas previdenciários exclusivos para servidores públicos.

A reforma abriu caminho para que os sistemas sejam unificados à medida que os novos funcionários forem contratados pelo regime da CLT (o que, depois da reforma administrativa, passou a ser admitido pela Constituição. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Por ora, há mais desejo que indicação no prognóstico de que a eleição municipal será regida por temas nacionais, traduzindo-se em julgamento do Governo FH. As pesquisas ainda não autorizam dizer o que o eleitor está pensando, até porque ele só costuma pensar nisso quando a campanha começa. Mas é sintomática a má situação do partido do Presidente, o PSDB, na maioria das capitais. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - A Força Sindical entra amanhã com uma ação no STJ contra a Previdência Social.

Questionará uma ordem de serviço do INSS que dá a trabalhadores da Volkswagen o direito à aposentadoria aos 25 anos de serviço, graças a um laudo de insalubridade.

A Força quer que o privilégio seja cancelado.

Ou dado a todo mundo. (pág. 18)

CORREIO BRAZILIENSE

- Enfim, Brasil pode voltar a crescer

- Um ano depois da crise que desvalorizou o real, o País reúne as condições necessárias para retomar o crescimento. Estima-se que o Produto Interno Bruto (PIB) aumente em até 4% em 2000. Conforme os economistas, o Governo deu um passo importante para equilibrar as contas públicas e conseguiu conter a inflação. Com isso, o Brasil reconquista aos poucos a credibilidade externa, reabrindo gradualmente as linhas de crédito internacionais, que devem impulsionar exportações e investimentos de empresas.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, em entrevista ao Correio, garante que o Governo seguirá intervindo no mercado de câmbio para manter a inflação baixa e abrir caminho para a redução dos juros. (pág. 1 e 20 a 24)

- Num país que costuma esquecer rapidamente suas tragédias, os ex-moradores do edifício Palace II usam o marketing como arma contra a impunidade. E mostram que o lobby da cidadania consegue vencer o poderio financeiro de Sérgio Naya. (pág. 1)

- Caso estivesse em vigor, a idéia de tornar obrigatória a liberação de todas as verbas previstas no Orçamento da União resultaria numa série de despesas paroquiais, como o patrocínio de festivais e construção de sedes de tiros de guerra. (pág. 1 e 13)

- A devolução de Macau à China lança dúvidas sobre o futuro da língua portuguesa no sudeste asiático. Veja como o chinês vem aos poucos ocupando o espaço que era exclusivo do idioma lusitano. (pág. 1 e 4)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Mafioso confessa na Itália ligação com bingos no Brasil

- Ivo Noal, que segundo a Polícia Federal, domina 40% das bancas do bicho na zona central de São Paulo, é tão poderoso que a própria máfia italiana foi obrigada a pagar US$ 80 mil por mês ao bicheiro em troca de proteção e permissão para instalar máquinas eletrônicas na cidade.

A revelação da força de Noal e de seu envolvimento com a máfia italiana é só uma pequena parte do depoimento dado à polícia italiana, em Roma, por Lillo Rosario Lauricella, preso no ano passado e considerado um dos principais lavadores de dinheiro do mafioso Fausto Pellegrinetti, chefão da organização criminosa naquele país. (...)

O mafioso preso revelou ainda que, para introduzir as máquinas de jogos no Brasil, em 1977, contatou a família Ortiz, dona de mais de um quinto das cinco mil casas de bingo registradas no País. (pág. 1 e 3-A)

- Se depender do senador Antonio Carlos Magalhães, será Sarney e não Jader Barbalho o representante do PMDB que presidirá o Senado em 2001. Antonio Carlos, porém, não diz o que fará para anular o argumento aritmético de Jader Barbalho, líder e presidente do PMDB, a maior bancada, e que está em plena campanha, a um ano das eleições de 2001.

Na Câmara, "se a eleição fosse hoje", como pergunta o Ibope nas sondagens eleitorais, o deputado Inocêncio Oliveira seria eleito sem competidores, pois, além da força do PFL conta com o chamado "baixo clero", deputados anônimos de todos os partidos (até o PT). Sua pedra no caminho é o PMDB (partido do atual presidente Michel Temer) que quer manter o lugar. (pág. 1 e 2-A)

- O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse que o Governo não espera a repetição neste ano dos fatores que causaram alta de tarifas de eletricidade: a desvalorização do real (40% da energia consumida no País são pagos em moeda forte), e a necessidade de reajuste da tarifa de geração.

O ministro anunciou que até o último dia deste mês devem ser assinados os contratos para a construção de 29 termelétricas para a geração de 11 mil megawatts de energia produzida com gás natural. O aumento do consumo de gás com a produção de energia vai exigir a construção de um segundo gasoduto Brasil-Bolívia. (pág. 1 e 9-A)

ZERO HORA

- As eleições municipais deverão paralisar o Congresso em junho. As previsões indicam que um terço da Câmara, cerca de 170 deputados - pretende concorrer às prefeituras. Na bancada gaúcha, o número de prefeituráveis é maior: cerca de 50% dos 31 parlamentares podem candidatar-se.

Como os congressistas não são obrigados a deixar seus cargos para concorrer, dificilmente haverá quorum nas sessões a partir da segunda metade do ano, período no qual os candidatos dedicam mais tempo a seus redutos eleitorais. Até mesmo os caciques dos partidos estarão com a atenção voltada para as eleições. (pág. 8)

- A expectativa de que os indicadores da economia melhorem vai exigir a mudança de estratégia nos investimentos. A trajetória de queda dos juros, por exemplo, é um bom sinal para a economia, porque significa mais produção e mais emprego, mas vai reduzir a rentabilidade das aplicações. São poucas as chances de que a renda fixa alcance os ganhos a que os investidores se habituaram nos últimos cinco anos.

O caso da renda fixa é típico. Não será possível obter os mesmos rendimentos, sem aumentar o risco. Uma boa alternativa é a diversificação das aplicações. (...) (pág. 20, 22 e 24)

CORREIO DO POVO

- O presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Osvaldo Stefanello, manifestou-se impressionado, neste sábado, com os altos índices de prefeitos gaúchos candidatos à reeleição em 1º de outubro. Ela cria uma dificuldade de fiscalização do processo, decorrente do grande número de municípios em relação aos juízes eleitorais", avaliou.

Ele lembrou que 497 cidades participarão do processo eleitoral e que existem apenas 152 municípios com sede de cartórios eleitorais no estado. "Quem vai assegurar que o prefeito obedecerá a legislação e se manterá neutro numa disputa paroquial, em que o simples fato de atravessar uma rua lhe dá vantagem sobre quem não está no poder?" (...) (pág. 1)

MANCHETES

CORREIO DO POVO (RS)

Candidatura de 80% dos prefeitos para a reeleição preocupa o TRE

ZERO HORA (RS)

Fugitivo número 1 foi perseguido por 20 mil quilômetros

O DIA (RJ)

'O Dia' ajuda você a conseguir emprego

REVISTAS

VEJA

TÍTULO DE CAPA

- A indústria da fama - Como funciona o sistema que cria celebridades da noite para o dia.

"De cavalo a burro" - O brigadeiro diz que o Ministério da Defesa diminui os chefes militares e que sua demissão foi injusta. "Queriam que eu dissesse que homem público tem de ser ladrão?" (pág. 11 a 15)

Morte e destruição - Descuido do Governo e desrespeito ambiental agravam os estragos das chuvas de janeiro. (pág. 104)

ISTOÉ

TÍTULO DE CAPA

- O corpo do futuro:

* Os alimentos que combatem a flacidez;

* O que a cirurgia plástica poderá fazer;

* Injeção promete aumentar músculos;

* Como será a nova malhação.

Números radicais - Acostumados a mergulhar nos problemas das empresas, Antoninho Marmo Trevisan até prevê um 2000 melhor, mas diz que dona Ruth supera FHC e que o novo presidente deve atacar a crise social. (pág. 7 a 11)

Defesa prévia - Élcio Álvares e seu sócio Dório sabem de contrato para assassinar delegado que envolve ministro com o banditismo no Espírito Santo. (pág. 26 a 29)

De caso com a máfia - Procuradoria liga o ministro Rafael Greca ao crime organizado comandado por italianos e espanhóis que lavam dinheiro através do videobingo. (pág. 30 a 33)

ÉPOCA

TÍTULO DE CAPA

- O galã - Tiago Lacerda, fenômeno que arrebata fãs e surpreende a crítica.

Arranhão administrativo - Enchentes congestionam e interrompem as principais rodovias do País. As concessionárias privadas não conseguem atender o público. (pág. 31 e 33)

Em ritmo de férias - Plenários ficam vazios nos primeiros dias da convocação extraordinária, que custará R$ 19 milhões. (pág. 34)

A festa privatizada - Ex-estatal de telefonia paga conta de R$ 500 mil da comemoração oficial do Réveillon do Rio de Janeiro. (pág. 35)

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br