
09/02/2000
JORNAL DO BRASIL
- Serra chama para a Saúde técnicos que
Malan demitiu
- Engana-se quem pensa que já reina a paz
entre os dois mais fortes ministros do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao
contrário. Está cada vez mais acirrada a disputa entre José Serra, da Saúde, e Pedro
Malan, da Fazenda. Um confronto que já tem reflexos na máquina administrativa.
Na sexta-feira da semana retrasada, dia 28
de janeiro, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio
Considera, demitiu os técnicos daquela secretaria que cuidavam, no Rio, do acompanhamento
dos preços dos remédios.
A demissão aconteceu após o depoimento do
ministro da Saúde à CPI dos Medicamentos. Agora, Serra autorizou seus auxiliares a
convidarem os funcionários demitidos a trabalhar na futura Agência Complementar de
Saúde. (pág. 1 e Informe Econômico, pág. 13)
- Os 21 laboratórios acusados de terem
participado de uma reunião para discutir o boicote aos genéricos terão seu sigilo
fiscal quebrado. A decisão foi tomada ontem pela CPI dos Medicamentos que, no entanto,
desistiu de também pedir a quebra do sigilo bancário e telefônico.
A bancada governista argumentou que a
investigação da movimentação financeira dos laboratórios assustaria os investidores
estrangeiros, mas a oposição disse que, sem isso, a quebra do sigilo fiscal torna-se
inócua.
Na próxima semana, a CPI voltará a
examinar o assunto. Hoje, o relator da CPI, deputado Ney Lopes (PFL-RN), apresentará
denúncia de que as distribuidoras de medicamentos estariam sonegando impostos na venda
às farmácias. (pág. 1 e 11)
- O presidente da Vasp, Wagner Canhedo,
prometeu ontem, ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida Batista, pagar
até quinta-feira R$ 1,3 milhão, relativo às taxas aeroportuárias da semana passada. O
restante da dívida de R$ 411,5 milhões vai ser renegociado. (pág. 1 e 15)
- O senador Luiz Estevão (PMDB-DF) poderá
ser julgado pela emissão de nota fiscal falsa em 1997, quando se preparava para concorrer
à eleição para deputado do Distrito Federal.
Ontem, o ministro Ilmar Galvão, do Supremo
Tribunal Federal (STF), encaminhou ao Senado pedido de licença prévia para processar o
parlamentar, que está sujeito a multa e cinco anos de reclusão, pena prevista no Código
Eleitoral.
O processo deu entrada no STF em dezembro,
como inquérito, a pedido do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. (pág. 1 e
2)
- A Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
decidiu investigar - por meio de inquérito administrativo - possíveis irregularidades
ocorridas na captação de recursos para a produção do filme Chatô, o rei do Brasil, do
ator e diretor Guilherme Fontes.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Cultura
autorizou a continuação da busca de recursos para a conclusão do filme. As captações,
no entanto, não poderão ser feitas pela Guilherme Fontes Produções, que terá de se
associar a uma outra empresa para concluir o filme sobre a vida de Assis Chateaubriand.
(pág. 1 e 5)
- Os líderes dos partidos governistas na
Câmara dos Deputados decidiram ontem, em reunião, adiar para depois do Carnaval a
votação da emenda à reforma do Judiciário que suprime a proibição do nepotismo.
Eles pretendem estabelecer cotas para
contratação de parentes dos ocupantes de cargos nos três Poderes.
Os líderes decidiram sobre outro ponto
polêmico da reforma, a Lei da Mordaça - que impede magistrados e policiais de fazer
declarações sobre processos em andamento. (...) (pág. 2)
- O ministro da Educação, Paulo Renato
Souza, admitiu ontem pela primeira vez que pode concorrer à Presidência da República.
"O partido vai decidir se eu serei ou não candidato", disse o ministro, durante
discurso de lançamento do primeiro exemplar da série "Cadernos 45", que tratam
dos resultados da ação dos ministros tucanos na gestão do presidente Fernando Henrique
Cardoso. Por via das dúvidas, Paulo Renato anunciou sua candidatura ao Senado, por São
Paulo, em 2002. (...) (pág. 2)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
disse ontem, em reunião com os governadores no Palácio do Planalto, que exige a
aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, em votação no Senado, sem mudanças e
até 20 de março.
O projeto, que impõe limites de gastos com
a folha salarial e prevê punições em caso de desrespeito, foi criticado pelos
governadores durante o encontro de Curitiba, na semana passada. (...) (pág. 3)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (fevereiro) R$ 136,00.
Dólar comercial: (compra) R$ 1,7646, (venda) R$ 1,7654. Dólar paralelo: (compra) R$
1,820, (venda) R$ 1,840. TR do dia 09.01 a 09.02: 0,2652%. TBF do dia 07.02 a 07.03:
1,2832%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Aplique-se a Lei" - O País
assistiu ontem a uma revoada de gente graúda rumo a Brasília. Unidos e coesos, vários
governadores deixaram seus estados para se reunirem no Palácio do Planalto com o
presidente da República. Aproveitando a viagem, mantiveram encontros também com os
presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães, e da Câmara, Michel Temer. (...)
Em terras brasileiras, os conceitos estão
de ponta-cabeça. Os governadores foram a Brasília reivindicar mudanças no projeto da
Lei da Responsabilidade Fiscal, aprovado pela Câmara e no momento em discussão no
Senado. (...)
Era de se esperar que administradores de
boa-fé e cumpridores do dever nada temessem. Deveriam todos apoiar o documento legal que
combate os abusos e a prodigalidade com recursos públicos. Infelizmente, observa-se
exatamente o contrário. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) -
Decoro é também compostura, que por sua vez se traduz pela observância de regras de
conduta adequadas, o que independe da legalidade ou ilegalidade dos atos. Portanto, mesmo
que não estejam infringindo nenhuma lei, ainda assim os deputados que defendem a prática
do nepotismo estão incorrendo em evidente quebra de decoro, falta grave no exercício do
mandato parlamentar. (...)
Através de um subterfúgio malandro - com
licença do termo, mas a vulgaridade é inerente a essa discussão -, os deputados
defendem majoritariamente o estabelecimento de cotas de parentes a serem contratados. É o
nepotismo mitigado que, nem por isso, deixa de ser nepotismo. Prática legal, dado que a
lei não a impede, mas obviamente não legitima. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - É
difícil entender como, depois de uma festa como a de ontem, organizada pelo PSDB para
lançamento dos Cadernos 45, os partidos ainda insistem que não querem antecipar o debate
sobre a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Tudo cheirava a eleição - para prefeito,
para governador, para presidente, para senador. E é esta, exatamente, a intenção do
PSDB: dar notoriedade às ações do Governo. Mais que isso. Mostrar suas principais
estrelas. (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- CPI quebra sigilo de 24 laboratórios
- A CPI dos Medicamentos aprovou ontem a
quebra do sigilo fiscal de 21 laboratórios suspeitos de cartelização. Foi quebrado
também o sigilo bancário, fiscal e telefônico de seis pessoas e três laboratórios
acusados de falsificação de remédios em Uberlândia (MG).
No caso dos 21 laboratórios, a proposta
original quebrava também o sigilo bancário e telefônico. "A CPI precisa agir com
responsabilidade", justificou o presidente da comissão, Nelson Marchezan (PSDB-RS).
Segundo a oposição, a atitude prejudica a investigação.
Para o sindicato das indústrias
farmacêuticas paulistas, a CPI está "apressando a conclusão antes de ouvir os
empresários". Quatro dos laboratórios informaram estar tranqüilos com a decisão.
Representantes dos demais não falaram ou não foram encontrados. (pág. 1 e 3-1)
- A economia brasileira cresceu 0,82% em
99, segundo dados preliminares divulgados ontem pelo IBGE. A expansão da produção
nacional foi liderada pela agropecuária, que teve aumento de 8,99%, contra queda de 0,02%
em 98.
O destaque no ano passado foram as
lavouras, cujo crescimento saltou de 0,46% em 98 para 11,26% em 99. Para a Confederação
Nacional da Agricultura, entretanto, os dados do IBGE "mascaram a situação do setor
agropecuário".
O crescimento da economia correspondeu às
expectativas recentes, mas superou previsões feitas no início de 99, que apontavam queda
de até 5%. A indústria, que se recuperou no último trimestre, contribuiu para a
diferença. (pág. 1 e 2-1)
- Apenas uma entre dez redes de drogarias
de São Paulo visitadas ontem pela Folha possuía o medicamento genérico composto por
raniditina - que substitui o Antak.
Em cinco redes, os balconistas informaram
que não havia genéricos. Em outras quatro, quando solicitado o genérico, os atendentes
mostravam similar. As drogarias disseram que seus funcionários não receberam
orientação sobre os genéricos. (pág. 1, 3-1 e 3-3)
- Os bancos brasileiros Bradesco, Itaú,
Unibanco e Safra e os estrangeiros HSBC, Citibank, BankBoston, Bilbao Bizcaya e Santander
se credenciaram para o leilão do Banespa. A lista integral dos interessados não foi
divulgada. Sobre se o BNDES dará financiamento nesse caso, o presidente da instituição,
Andrea Calabi, disse: "Absolutamente não". (pág. 1 e 2-3)
- Um procurador de Brasília pedirá à
Justiça a suspensão do processo de venda do Banespa. (pág. 1 e 5-2)
- O ministro Pedro Malan (Fazenda) alterou
a proposta de criação do fundo de combate à pobreza para vetar o uso do dinheiro das
privatizações com outro fim que não seja o pagamento de dívidas da União.
Pelo novo texto, o Governo emitiria
títulos, no valor equivalente ao dos recursos da venda de estatais, que seriam
concentrados em um fundo paralelo. Os juros desses papéis seriam repassados ao fundo
contra a pobreza. (pág. 1 e 1-4)
EDITORIAL
"Armadilhas da poupança" - Ainda
é pouco animadora a notícia de que o Governo federal estuda uma alteração no índice
de correção das contas de poupança. Estaria sendo cogitada a troca da TR pelo IGP-M ou
mesmo por uma cesta de índices de inflação e de juros.
A preocupação com a poupança é
legítima. Mas, como tem sido freqüente nos anos FHC, ela também surge tardiamente e
recebe um enfoque duvidoso, para dizer o menos. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - FHC foi claro com os senadores.
O Planalto não quer mudanças na Lei Fiscal porque o projeto teria de voltar à Câmara.
Não sairia de lá tão cedo. O Governo sinalizou que pode negociar penas mais brandas
para quem infringir a lei.
* O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) voltou.
Vai hoje a Brasília discutir com seus colegas de partido a possibilidade de ser candidato
em outubro. A mosca azul anda solta. (...) (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Oito bancos entram na luta pelo Banespa
- Oito bancos confirmaram interesse em
participar do leilão do Banespa, marcado para 16 de maio. O prazo para apresentação de
documentos acabou ontem, mas o Banco Central preferiu não divulgar a lista completa dos
candidatos, pois alguns deles podem não cumprir as condições para entrar na disputa.
Entre as instituições que se inscreveram
na fase de pré-qualificação, há quatro brasileiras: Bradesco, Itaú, Unibanco e Safra.
Quatro bancos estrangeiros também entregaram os documentos exigidos pelo BC: os
norte-americanos BankBoston e Citibank, o espanhol Bilbao Viscaya e o britânico HSBC. O
holandês ABN Amro surpreendeu o mercado e optou por ficar de fora.
Enquanto parlamentares de oposição ainda
buscavam apoio para cancelar o decreto presidencial que autoriza a participação de
bancos estrangeiros no leilão, o Ministério Público Federal entrou na Justiça pedindo
a suspensão do processo de privatização do Banespa. Os autores da ação são 11
procuradores de Justiça federais de Brasília. (pág. 1 e B1)
- O secretário de Política Econômica,
Edward Amadeo, espécie de porta-voz dos liberais no Governo, critica os neonacionalistas
que são contra a presença de bancos estrangeiros no leilão do Banespa. "Não quero
ser polêmico, mas não acredito que banqueiro use bandeira do Brasil na lapela",
declarou. (pág. 1 e A7)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
rejeitou ontem a pressão de 15 governadores que foram a Brasília em caravana para exigir
a liberação de mais recursos da União para compensar as perdas provocadas aos estados
pela Lei Kandir. FHC se dispôs apenas a rever três das quatro mudanças que os
governadores pleiteiam para o projeto da Lei de Responsabilidade Fiscal. (pág. 1 e A4)
- O Governo anuncia hoje a formação de um
fundo de no mínimo R$ 4 bilhões ao ano, por um período de dez anos, para o combate à
pobreza. O fundo será obtido com ganhos financeiros da aplicação de recursos das
privatizações, parte da arrecadação da CPMF e uma nova taxação sobre produtos de
consumo supérfluos, segundo o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
(pág. 1 e A5)
- A Bolsa de Valores de São Paulo subiu
ontem 3,09%, a sexta alta consecutiva, e o índice fechou em 18.685 pontos, novo recorde.
No mês, a valorização é de 14,02% e, no ano, de 9,33%. O otimismo em relação ao
cenário interno, com a inflação sob controle e a possibilidade de queda dos juros,
favorece o mercado de ações. A tranqüilidade no quadro externo também ajudou a Bolsa,
que movimentou ontem R$ 1,296 bilhão. (pág. 1 e B15)
- O PIB aumentou 0,82% em 1999, segundo o
IBGE. "A economia não cresceu, mas, se considerarmos as previsões catastróficas
feitas em janeiro do ano passado, o desempenho foi melhor que o esperado", disse o
coordenador do cálculo, Roberto Olinto. Ele acha improvável a meta de crescimento de 4%
este ano, como prevêem integrantes da equipe econômica.
"Para chegar a esse número, teria de
haver fatores extraordinários, como um belo aumento das exportações", justificou.
O economista considera uma previsão de aumento de 3% "mais razoável" agora,
com revisão no meio do ano. "A economia está em crescimento controlado".
(pág. 1 e B3)
EDITORIAL
"O que deu certo em 1999" - O
IBGE confirmou que a economia brasileira teve, no ano passado, um desempenho bem melhor
que o previsto inicialmente. A grande pergunta, agora, é se a atividade econômica do
País irá tão bem, em 2000, quanto o Governo tem estimado. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Os governadores são
os únicos neste País que promovem o equilíbrio fiscal. A frase, categórica e com uma
dose de irritação, foi dita ontem pelo governador paulista, Mário Covas, antes do
encontro dos demais governadores com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília.
Quis dizer o tucano o seguinte: os estados não são os vilões dessa história, como
fazem crer setores da área econômica do Governo.
* No Palácio da Alvorada, o senador Pedro
Piva perguntou ao Presidente qual era a orientação do Governo a respeito da polêmica
sobre nacionalismo. "Defenda seu ponto de vista e vá em frente", respondeu
Fernando Henrique. O senador e empresário paulista sentiu-se liberado para defender a
causa. (pág. A6)
O GLOBO
- PIB cresceu 0,8% em 99, mas renda 'per
capita' caiu 0,4%
- A economia brasileira ignorou as
previsões pessimistas feitas após a desvalorização do real e cresceu 0,82% em 1999,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de
tudo o que é produzido no País, teve um desempenho melhor do que em 1998, quando a
economia encolheu 0,12% pelos efeitos da crise internacional. Ainda assim, o crescimento
da economia não foi maior do que o aumento da população, o que fez com que a renda per
capita caísse 0,4% em 1999. Em dois anos, o recuo já é de 1,6%.
Mas a alta do PIB e os sinais de queda da
inflação animaram o mercado de ações. Novamente, a Bovespa bateu dois recordes
históricos: atingiu 18.685 pontos e movimentou 31 mil contratos, com uma alta de 3,08%. O
volume de negócios, que contou com a entrada de recursos estrangeiros, foi de R$ 1,297
bilhão. (pág. 1, 32 e 33)
- O presidente do BNDES, Andrea Calabi,
garantiu ontem que o banco não financiará empresas nacionais ou estrangeiras
interessadas na compra do Banespa. "A privatização de bancos estaduais é de
competência do Banco Central", disse Calabi. Pelo menos oito bancos se
pré-qualificaram para o leilão. (pág. 1, 27 e Elio Gaspari, pág. 7)
- Pelo menos 20 farmácias do Grande Rio
receberão hoje seus primeiros lotes de medicamentos genéricos, com preços mais baixos
que os similares de marca. Até o fim da semana, a maioria das farmácias da capital já
estará vendendo os medicamentos.
A CPI dos medicamentos aprovou ontem a
quebra do sigilo fiscal dos 21 laboratórios acusados de formação de cartel e que estão
sendo processados pela Secretaria de Direito Econômico. Não houve consenso sobre quebra
de sigilo bancário e telefônico. (pág. 1 e 36)
- O estudo do Governo para trocar a TR pelo
IGP-M na correção da poupança e do sistema Financeiro da Habitação desagradou aos
mutuários e agentes financeiros. Enquanto os bancos temem a reindexação, os mutuários
ameaçam recorrer à Justiça se a proposta for aprovada. (pág. 1 e 29)
- Depois das ameaças da semana passada, 16
governadores mudaram o tom em reuniões com o presidente Fernando Henrique e o Congresso.
Negaram que tivessem condicionado o apoio à lei fiscal ao aumento de verbas e só
conseguiram a promessa de alterar um ponto da lei. (pág. 1 e 3)
- Para não ter a sua empresa impedida de
voar a partir de sábado, o dono da Vasp, Wagner Canhedo, garantiu ontem que vai pagar R$
1,3 milhão à Infraero amanhã. O Governo deu um prazo até o dia 17 para a Vasp fazer
uma proposta de pagamento dos R$ 370 milhões que deve à Infraero. (pág. 1 e 41)
- As testemunhas que podem mudar o processo
sobre o massacre de Corumbiara - que em agosto de 1995 causou a morte de nove sem-terra e
dois PMs, em Rondônia - estão sendo ameaçadas por jagunços do fazendeiro Antenor
Duarte do Valle. A denúncia é de um dos ameaçados, o agricultor José Antunes, mais
conhecido como Zé Botinha. (pág. 2 e 12)
- O presidente de honra do PT, Luiz Inácio
Lula da Silva, disse ontem que o ex-ministro Ciro Gomes, do PPS, é uma das alternativas
do Palácio do Planalto para a sucessão de Fernando Henrique. Lula afirmou que Ciro
perderá a credibilidade se aceitar essa aproximação. Ele anunciou um ato de protesto
contra o Governo para o Primeiro de Maio. (pág. 2 e 5)
EDITORIAL
"Triste vitória" - Uma foto de
Grozny, capital da Chechênia, logo depois da entrada das tropas russas parece Berlim no
final da Segunda Guerra Mundial.
Não deixa de ser uma vitória para o
Governo de Vladimir Putin. Mas pode ser de Pirro. De Grozny, a resistência chechena
recuou para as montanhas, de onde há séculos grupos guerrilheiros têm desafiado as
grandes potências. Para os russos, começa uma operação muito diferente da blitz contra
uma cidade. Assemelha-se mais à guerra do Afeganistão - que lhes custou muito caro.
(...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) -
Termina esta semana a convocação extraordinária, que resultou mais produtiva que o
esperado, para o Governo. Deixou porém de ser votada a emenda que mais interessa ao
Legislativo, a que limita a edição de medidas provisórias pelo presidente. Quisessem
mesmo os líderes do Congresso dar um basta na situação, sancionariam a parte do texto
que é consenso nas duas Casas. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - O ex-deputado Hélio
Bicudo, do PT de São Paulo, assumirá dia 22, em Washington, a presidência da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA.
O Brasil, caótico nessa área, não perde
por esperar.
* Vice-ministro do Exterior de Cuba, Jorge
Bolaños chega amanhã a Brasília.
Traz carta de Fidel convidando FH para a
reunião de chefes de Governo da América Latina, em abril, em Havana.
Ele vai. (pág. 18)
GAZETA MERCANTIL
- Nove bancos candidatam-se ao Banespa
- A disputa entre bancos nacionais e
estrangeiros no leilão do Banespa deverá ser equilibrada. Dos nove bancos que submeteram
ontem ao Banco Central (BC) a documentação necessária para entrar no leilão, quatro
são nacionais: Bradesco, Itaú, Unibanco e Safra. Os outros cinco são os estrangeiros
Banco Bilbao Vizcaya (BBV), BankBoston, Citibank, HSBC e Santander.
A competição justifica-se: com R$ 26
bilhões em ativos totais, 1.348 agências e 2,8 milhões de clientes, o Banespa pode
mudar o mapa do setor financeiro. Por isso, nem mesmo o ABN Amro, que preferiu ficar fora
do leilão para canalizar suas energias para o Real, descarta futuras aquisições. (...)
(pág. 1 e B-2)
- (Brasília e São Paulo) - Um dos temas
remanescentes no projeto de reformas constitucionais do Governo brasileiro está para sair
da gaveta. A mudança na legislação trabalhista, reivindicada pelo setor produtivo e
vista pelo Palácio do Planalto como incentivo à oferta de emprego no País, vai voltar a
ser debatida logo após o Carnaval. O Governo quer criar um ambiente político que permita
a formalização de um projeto de emenda constitucional a ser enviado ao Congresso para
alterar o artigo 7º da Constituição.
A iniciativa vai na direção das
negociações diretas entre empregados e empregadores. O Ministério do Trabalho estuda
uma maneira de criar condições para que esses acordos se sobreponham às decisões
judiciais.
Nos planos está o incentivo à criação
de contratos coletivos de trabalho, eliminando um passivo legal considerado pelo setor
produtivo como atrasado e tido como inegociável pela oposição e representantes da área
sindical.
O ministro do Trabalho, Francisco
Dornelles, foi escalado pelo Planalto para fazer andar a reforma desdenhada pela aliança
política do Presidente desde a primeira eleição. (...) (pág. 1 e A-10)
- (São Paulo e Rio) - O alto grau de
nacionalização dos produtos brasileiros, em média de 84%, diminui o impacto do aumento
das exportações de manufaturados sobre a importação de insumos. As exportações devem
crescer entre 10% e 13% neste ano, com forte presença dos manufaturados, o que poderia
puxar as importações de insumos e componentes.
Apesar de os produtos intermediários e o
petróleo terem uma previsão de alta de cerca de 15% - maior, portanto, que a expectativa
de crescimento geral das importações (6%) -, quase a totalidade desse resultado deve-se
a preço. Apenas três pontos percentuais correspondem ao aumento de volume para atender
à produção, segundo projeções da consultoria Tendências. (...) (pág. 1 e A-7)
- (Belém) - Os pecuaristas da Região
Norte descobriram que trocar o pasto pela agroindústria de café irrigado pode ser um bom
negócio. Nada menos do que 12 proprietários rurais de Rondônia. Pará e Tocantins
investem R$ 133,3 milhões de conversão de suas fazendas de gado em lavouras de café da
variedade conillon (robusta) e em unidade de beneficiamento.
Os investimentos introduzem uma nova
estrutura de produção de café na região com mais tecnologia: baseada na irrigação
por gotejamento e colheita mecanizada.
* A decisão do governo dos EUA de destinar
subsídios de US$ 475 milhões a produtores de oleaginosas reforça a tendência de queda
dos preços da soja no mercado mundial. (pág. 1 e B-20)
- (São Paulo) - A Ambev, a fusão da
Brahma com Antarctica que não consegue sair do papel, começa uma radical mudança de
atitude dos executivos à frente do negócio, na busca da sua aprovação no Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A reação começou ontem à noite com
anúncio veiculado em horário nobre. Em dois minutos, o presidente da futura AmBev, Magim
Rodriguez, responde aos ataques da Kaiser , que se debate contra a fusão, desde o
anúncio da fusão em 1999. (pág. 1 e A-12)
CORREIO BRAZILIENSE
- CPI quebra sigilo de 23 laboratórios
- Deputados querem saber se empresas
superfaturam compra de insumos em suas matrizes. (pág. 1 e 10)
- O ministro Ilmar Galvão, do Supremo
Tribunal Federal (STF), pediu ao Senado licença para processar e julgar o senador Luiz
Estevão (PMDB-DF). O parlamentar é acusado de usar nota fiscal fria para justificar
despesa de divulgação feita por seu gabinete em 1997. Nessa época, Luiz Estevão era
deputado distrital. Como se elegeu senador em 1998, o processo foi para a competência do
STF, que agora, para processá-lo, precisa de licença dos senadores. (pág. 1 e 6)
- A violência silenciou uma das vozes mais
ativas de Águas Lindas em defesa da cidadania e dos direitos humanos. João Elízio
Pessoa, que desde 1997 denuncia a ação criminosa da polícia na cidade goiana a 50
quilômetros de Brasília, foi executado com três tiros na noite de segunda-feira. Ele
dirigia seu carro acompanhado da mulher, Neuza dos Santos, quando foi surpreendido em uma
emboscada.
O governador de Goiás, Marconi Perillo,
afastou toda a polícia de Águas Lindas do caso e nomeou um delegado de Goiânia para
esclarecer o assassinato. Perillo pretende relatar ao presidente Fernando Henrique Cardoso
o flagelo social que atinge a cidade. (pág. 1, 2 e cad. Cidades, pág. 4 e 5)
- Representante da Kaiser no DF assessorou
Mário Pugliese na Secretaria de Direito Econômico. Pugliese está envolvido em denúncia
de suborno no Cade. (pág. 1 e 11)
JORNAL DE BRASÍLIA
- CPI quebra sigilo fiscal de 21
laboratórios
- Depois de muita discussão e de
evidenciarem que estão desarticulados para enfrentar o poderio da indústria
farmacêutica, os integrantes da CPI dos Remédios aprovaram ontem, por unanimidade, a
quebra do sigilo fiscal de 21 grandes laboratórios suspeitos de sabotar a venda de
medicamentos genéricos e de superfaturar os preços na importação de matérias-primas.
Foi aprovada também a quebra dos sigilos
fiscal, bancário e telefônico de nove pessoas físicas e jurídicas indiciadas após o
fechamento de um laboratório clandestino em Uberlândia (MG). Apesar do avanço da CPI,
os deputados se desentenderam por longo tempo sobre até onde avançar nas investigações
contra os laboratórios. (pág. 1 e 4-A)
- A Caixa Econômica Federal está
lançando um programa de parcerias que permitirá às famílias com renda até cinco
salários mínimos reduzirem o valor da prestação do financiamento de casas populares
para cerca de R$ 40,00.
O anúncio foi feito ontem pelo presidente
Fernando Henrique Cardoso no programa semanal de rádio Palavra do Presidente. Graças à
parceria da CEF com estados (que entra com a infra-estrutura), municípios (donos dos
terrenos) e até Organizações Não-Governamentais (que podem organizar mutirões), uma
família vai precisar de financiamento de apenas R$ 3 mil ou R$ 4 mil para conseguir uma
moradia.
A Caixa pretende construir 55 mil casas
populares nesse sistema ainda este ano. (pág. 1 e 10-A)
ZERO HORA
- O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro
aumentou 0,82% no ano passado, segundo dados preliminares anunciados ontem pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice derruba as previsões mais
pessimistas feitas há um ano, depois da desvalorização do real, mas ficou bem abaixo do
alcançado pelo PIB gaúcho, que cresceu 3,1% em 1999, segundo a Fundação de Economia e
Estatística (FEE) do estado. (pág. 16)
- A Companhia Riograndense de
Telecomunicações (CRT) será uma das primeiras operadoras que passarão por auditoria da
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A avaliação de todas as operadoras do
País já estava prevista para este ano, mas as datas ainda não foram definidas. (pág.
22)
- Paleontólogos da Universidade Federal de
Santa Maria (UFSM) encontraram ontem na periferia da cidade a ossada de um rincossauro. Os
fósseis do herbívoro quadrúpede que viveu na região há mais de 220 milhões de anos
eram considerados meras pedras pelos moradores da Vila Kennedy. (pág. 30)
- Dirigentes de hospitais que ainda não
conseguiram se habilitar ao financiamento internacional do Reforço à Reorganização do
Sistema Único de Saúde (Reforsus), culpam a burocracia pelo atraso na tramitação dos
processos. Do total de R$ 26,2 milhões previstos para estabelecimentos gaúchos, apenas
17,5% (R$ 4,6 milhões) foram repassados até janeiro. A liberação dos R$ 21,6 milhões
restantes depende da conclusão dos projetos. (pág. 31)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- ACM defende a aprovação da Lei Fiscal
O POPULAR (GO)
- CPI aprova quebra de sigilo fiscal de 21
laboratórios
ESTADO DE MINAS
- Laboratórios perdem sigilo
JORNAL DO COMMERCIO
(PE)
- Governadores recuam e desistem do boicote
a FHC
O DIA (RJ)
- Casa própria a R$ 40 por mês
ZERO HORA (RS)
- CPI quebra sigilo de 21 laboratórios por
boicote a genéricos
A Sinopse Eletrônica da Radiobrás está
na Internet
http://www.radiobras.gov.br
TELEJORNAIS
GLOBO - JORNAL
NACIONAL - 20H15
Os deputados da CPI dos Medicamentos se
dividem ao discutir a proposta de quebra do sigilo bancário e fiscal dos laboratórios. O
relator defendeu a quebra do sigilo fiscal dos 21 laboratórios que tiveram representantes
na reunião onde foi discutida uma campanha de boicote aos remédios genéricos. A
oposição e alguns deputados da base governista também queriam a quebra do sigilo
bancário. Depois de três horas de discussão e ânimos exaltados, a CPI adiou a
votação sobre o sigilo bancário e aprovou a quebra do sigilo fiscal. A Receita Federal
vai fazer uma devassa nas contas dos laboratórios Abbot Laboratório do Brasil,
Akzo-Organon, Astra Química e Farmacêutica, Bayer, Boehringer Ingelheim do Brasil,
Bristol-Myers Squibb do Brasil, Byk Químmica, Centeon Farmacêutica, Eli-Lilly do Brasil,
Eurofarma Laboratório, Hoescht Marion, Schering Plough, Janssen-Cilag, Laboratório
Biossintética, Merck-Sharp & Dohme, Merck, Monsanto do Brasil, Produtos Roche,
Glaxo-Wellcome, Whitehall e Sanofi Winthrop.
Enquanto os brasileiros começam a se
acostumar com a presença dos remédios genéricos nas farmácias, na Inglaterra eles são
os mais vendidos, e custam até um quarto do preço dos remédios com marca. Oitenta por
cento das receitas são de genéricos. O governo inglês fiscaliza a qualidade. Na Europa
só não existe genérico para os remédios novos, como o Viagra. O laboratório que
inventa um novo medicamento, tem cinco anos de exclusividade para explorar o produto.
Depois qualquer laboratório pode copiar a fórmula, fazer o mesmo remédio como genérico
e vender bem barato.
O Índice Geral de Preços da Fundação
Getúlio Vargas ficou em 1,02% abaixo do índice de dezembro do ano passado, que teria
ficado em 1,23%. A baixa no ritmo da inflação foi por causa dos preços dos produtos
agrícolas.
O Produto Interno Bruto, resultado da soma
de tudo o que o Brasil produz, aumentou 0,82% no ano passado. O melhor desempenho foi da
agropecuária, que teve aumento de 8,99%. O setor de serviços cresceu 1,07%. E a
indústria acumulou queda de 1,66%.
O empresário Wagner Canhedo, dono da Vasp,
disse que vai começar a pagar antes do prazo parte da dívida da empresa com a Infraero,
estatal que administra os aeroportos do Brasil. A Vasp enfrenta mais uma crise de uma
história turbulenta. Criada em 1933, pertenceu ao governo de São Paulo. Em 1990, início
do governo Collor, foi comprada pelo empresário Wagner Canhedo, numa das primeiras
privatizações do país. Canhedo pagou US$ 43 milhões por uma empresa que devia US$ 700
milhões. Teve aviões apreendidos como garantia de empréstimos e, em 1995, passou 10
horas na cadeia por não pagar dívidas. Hoje, cinco anos depois, a Vasp deve um total de
R$ 2,13 bilhões: R$ 700 milhões ao Banco do Brasil e ao Banespa, R$ 780 milhões ao
governo federal, R$ 240 milhões ao governo de São Paulo, R$ 40 milhões à Petrobrás e
ainda R$ 370 milhões à Infraero. Por causa das dívidas, em muitos aeroportos do país
os aviões da Vasp só conseguem abastecer depois de pagar à vista pelo combustível. Já
aconteceu várias vezes de o piloto ser obrigado a usar o cartão de crédito pessoal para
tirar o avião do chão.
Não houve acordo na reunião entre Wagner
Canhedo e o comandante da Aeronáutica quanto ao pagamento dos atrasados de mais de R$ 300
milhões que a Vasp deve à Infraero. Nova reunião foi marcada para a semana que vem. O
presidente do INSS pediu ao procurador-geral da República que abra um inquérito para
investigar a denúncia de falsificação de documentos feita supostamente por
funcionários da Vasp.
O presidente da Câmara, Michel Temer,
envia para a Comissão de Justiça emenda constitucional que permite ao Congresso Nacional
vetar a participação de bancos estrangeiros no leilão de privatização do Banespa.
Pelo menos quatro bancos estrangeiros já se candidataram à compra do Banespa. O leilão
está previsto para o dia 16 de maio. Oito candidatos se apresentaram para a
pré-qualificação: Bradesco, Itaú, Unibanco, Safra e os estrangeiros Citibank, Bilbao
Vizcaya, BankBoston e HSBC. No fim do mês o Banco Central anuncia a lista dos candidatos
em condições de ficar na disputa.
Doze procuradores do Ministério Público
Federal pediram à Justiça uma liminar para suspender a privatização do Banespa. Eles
apontaram vinte e duas irregularidades no processo, entre elas a violação da Lei de
Licitações. Porque o Banespa foi transferido para o governo federal sem que tivesse sido
feita uma avaliação prévia do banco.
A polícia prende dois piratas de
computador que desviavam dinheiro dos clientes de uma agência bancária em Curitiba. Num
quarto de hotel, Sérgio Machado e Luiz Roberto Alves foram flagrados pela polícia com
telefones celulares, um computador portátil e mais de mil cheques do Banco Itaú já
compensados. Os piratas usavam cheques para conseguir o número da conta dos clientes,
depois entravam no serviço do banco pela Internet e transferiam o dinheiro dos clientes
para contas abertas por eles próprios com documentos falsos. A polícia suspeita que os
cheques do Itaú foram fornecidos por funcionários do banco. O Itaú considera o
episódio um caso isolado e diz que o sistema de consulta via Internet do banco é seguro.
O Supremo Tribunal Federal pede licença ao
Senado para processar senador Luiz Estevão pelo crime de emissão de nota fiscal falsa na
época em que ele era deputado distrital. O Supremo acolheu denúncia do Ministério
Público Eleirtoral de Brasília. O senador responde a outros 11 inquéritos no Supremo,
por supostos crimes de sonegação contra o INSS, publicidade enganosa e crimes contra
economia popular e o sistema financeiro nacional.
Governadores vêm à Brasília pedir
compensação para perdas de arrecadação e mudanças no projeto que limita os gastos
públicos. Eles querem que a União aumente em R$ 400 milhões o repasse para compensar a
perda de arrecadação com a Lei Kandir, de incentivo às exportações. E querem também
mudar a Lei de Responsabilidade Fiscal, já aprovada na Câmara, para limitar os gastos
públicos. Os governadores disseram ao presidente Fernando Henrique que já fizeram seus
ajustes e não podem mais perder dinheiro. Eles insistem em mudar a Lei de
Responsabilidade Fiscal para impedir que as Câmaras Legislativas tenham poder de alterar
o limite de gastos públicos. O presidente antecipou que quer o projeto aprovado rápido e
sem mudanças. A saída seria vetar a parte que não agrada aos governadores.
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em
alta de 3,08% e alcançou índice recorde de 18.685 pontos. A Bolsa do Rio fechou em alta
de 4,23%. Os analistas dizem que o clima de otimismo no mercado e a perspectiva de queda
da inflação foram os responsáveis pela alta.
RECORD - JORNAL DA
RECORD - 19H20
Mais de 20 dias depois do desastre
ecológico na baía de Guanabara, muitos pescadores continuam sem receber indenização da
Petrobrás. Eles denunciam que o cadastramento feito pela empresa vem beneficiando gente
que nunca trabalhou na área. A Petrobrás diz que vai comparar seus cadastros com as
listas que as cinco colônias de pesca do Rio vão apresentar. E só vai receber
indenização quem comprovar que vive da pesca.
A Capitania dos Portos já sabe que a balsa
que afundou perto de Belém do Pará, na sexta-feira, apresentou problemas durante o
carregamento. Ela teria inclinado com o peso do combustível. A balsa continua submersa no
Rio Pará, com 1 milhão e 800 mil litros de óleo combustível. O inquérito que apura as
causas do acidente deve ser concluído em 40 dias. A Texaco, dona do carregamento,
contratou uma empresa americana para fazer o resgate da balsa, mas ainda não se sabe como
a embarcação vai sair de dentro do rio. O Ibama está analisando os riscos ambientais de
cada uma das opções apresentadas para retirada da balsa.
A CPI dos Medicamentos quebra o sigilo
fiscal de 21 laboratórios acusados de boicotar remédios genéricos. Entre eles estão
Bayer, Roche, Glaxo, Schering e Hoechst. A comissão também aprovou a quebra dos sigilos
fiscal, bancário e telefônico dos laboratórios Quimioterápico, Sindrome e Mirabile,
todos de Minas Gerais, e de pessoas envolvidas em falsificação de medicamentos.
O deputado federal Silas Câmara (PTB/AM)
é acusado de falsificar documentos, lavar dólares e vender cocaína. Ele é suplente da
CPI do Narcotráfico. O dossiê está na Internet e já embasa o inquérito policial que
vai ser levado ao Congresso pelo autor das denúncias, deputado estadual Eliude Barcelar
(PRN/AM). Se comprovadas as denúncias, o Ministério Público deverá formalizar as
acusações contra o deputado.
O corregedor da Câmara dos Deputados,
Severino Cavalcanti, diz que tomou conhecimento das denúncias contra Silas Câmara mas
que não existe nada contra o deputado na Corregedoria, porque nenhum dos casos
denunciados aconteceu durante exercício do mandato.
Governadores dos 27 Estados vêm à
Brasília atrás de mais dinheiro. Querem aumentar o valor dos repasses da Lei Kandir,
estabelecidos em R$ 3,8 bilhões. Os governadores pedem R$ 4,2 bilhões já este ano. Os
governos querem também mudar a Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo federal até
aceita mudanças que tornem a lei mais rigorosa, mas quer evitar que o texto volte para a
Câmara. O senador Antônio Carlos Magalhães pensa o mesmo. O presidente Fernando
Henrique recebeu os membros da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
O Supremo Tribunal Federal determina à
Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar as denúncias de envolvimento do
senador Luiz Estevão (PMDB/DF) com o superfaturamento na construção do prédio do
fórum trabalhista de São Paulo. No Senado o Conselho de Ética ainda não analisou o
pedido de cassação do senador, mas alguns membros do Conselho querem rapidez no
processo. Os dois projetos votados pela Câmara dos Deputados durante a convocação
extraordinária foram a Desvinculação de Recursos da União e a Lei de Responsabilidade
Fiscal, além do texto básico e de alguns destaques da reforma do Judiciário. Os
líderes decidiram que os pontos polêmicos da reforma, como a proibição de contratar
parentes e dar informação à imprensa sobre andamento de processos, ficam para a semana
que vem.
A Associação Nacional dos Juizes Federais
pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal que envie ao Congresso um projeto
concedendo abonos salariais aos juizes federais e trabalhistas. O abono iria variar entre
R$ 2,1 mil e R$ 3,5 mil. Só com a aprovação desse projeto os juizes federais
desistiriam da greve marcada para o próximo dia 28. O senador Antônio Carlos Magalhães
disse ser contra a concessão do abono apenas para os juizes federais.
A economia brasileira surpreende com
crescimento acima do esperado em 1999. O Produto Interno Bruto aumentou 0,82%. A
Agropecuária cresceu 8,99%. O desempenho no setor de serviços ficou 1,7% acima do ano
anterior. E o da indústria caiu 1,66%.
Salette Lemos: "O que segurou o PIB
foi o crescimento de quase 9% na safra do primeiro trimestre do ano passado, o que não
deve se repetir neste ano. A contribuição da indústria na retomada do crescimento
econômico espera-se que seja maior este ano e daqui para frente. Na avaliação do IBGE,
dificilmente esse crescimento chegará a 4%. Primeiro, porque a agropecuária promete bem
menos este ano. E segundo, porque com a política de metas de inflação não temos muito
o que esperar da queda dos juros, que devem continuar funcionando este ano como principal
obstáculo ao crescimento da economia."
NACIONAL - REDE
BRASIL - 18H30
A CPI dos Medicamentos autoriza a quebra
dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de representantes da indústria farmacêutica.
Os grandes laboratórios, no entanto, ficaram de fora, o que levantou suspeita de que a
CPI esteja sob influência do forte lobby da indústria farmacêutica.
O governo anuncia no próximo dia 18 um
pacote de medidas para melhorar a segurança pública. Uma das medidas será o
fortalecimento da Polícia Federal, que poderá atuar no combate ao crime organizado
também nos Estados. A comissão instalada nessa terça-feira tem 90 dias para apresentar
sugestões para o novo Código Penal. O atual é de 1941. Um dos objetivos é reduzir os
prazos dos inquéritos, que se arrastam por anos.
Aumenta a pressão para decidir o processo
contra Luiz Estevão. O presidente do Conselho de Ética do Senado disse que vai
encaminhar o parecer sobre o assunto nesta quarta-feira. As investigações apontam para o
envolvimento das empresas do senador com o grupo que construiu a obra superfaturada do
fórum trabalhista de São Paulo. Luiz Estevão deve depor na Polícia Federal. E após a
investigação, a Procuradoria Geral da República decide se denuncia ou não o senador.
Governadores ignoram a pouca receptividade
do governo federal em negociar e passam o dia em Brasília. No Congresso encontram-se com
os presidentes do Senado e da Câmara. Os governadores querem negociar mudanças na Lei de
Responsabilidade Fiscal, que deve ser votada até o final de março, e na Lei Kandir. Os
Estados querem aumentar o repasse do governo federal para os governos estaduais dos atuais
R$ 3,8 bilhões para R$ 4,2 bilhões. O presidente Fernando Henrique descartou qualquer
possibilidade de atender as reivindicações dos governadores.
A possibilidade de concessão de um abono
para os juizes federais, como forma de evitar uma greve, irrita o presidente do Congresso,
Antônio Carlos Magalhães. Ele argumenta que ceder a essa imposição significa abrir
precedentes para outras categorias fazerem o mesmo. ACM continua defendendo apenas o
aumento do salário mínimo.
Aviões da Vasp podem perder a licença de
vôo a partir de sexta-feira, caso a empresa não retome o pagamento dos R$ 380 milhões
que deve à Infraero. Tido como mal pagador, o dono da empresa, Wagner Canhedo, deve R$
2,3 bilhões ao governo federal. Segundo a Infraero, qualquer decisão sobre a suspensão
dos vôos será divulgada com antecedência. Wagner Canhedo tenta negociar com o comando
da Aeronáutica. O governo quer evitar o fechamento da empresa para não ter que
desempregar 8 mil e 500 trabalhadores.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico
da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura
econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança
comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na
INTERNET www.fazenda.gov.br, na área
específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive
sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês,
na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de
publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação
Social é: secom@planalto.gov.br |