
10/03/2000
JORNAL DO BRASIL
- Congresso já paga mais do que o teto de
R$ 11.500
- O maior obstáculo para que o teto
salarial do serviço público seja aprovado no Congresso está em que muitos parlamentares
ganham mais do que os R$ 11.500 propostos para os três Poderes.
Somados os 17 salários anuais de R$ 8.000
(o salário básico, o 13°, dois salários de ajuda de custo, mais dois por sessões
extraordinárias), chega-se à conclusão que os deputados ganham R$ 11.333 por mês.
Com mais R$ 3.000 de auxílio-moradia, que
grande parte dos parlamentares recebe, o total sobe para R$ 14.333. Como a Constituição
não lhes proíbe o recebimento de aposentadorias cumulativamente aos salários, o que
ocorreria se a nova proposta fosse aprovada, dificilmente o Congresso tomaria a iniciativa
de tornar lei o teto proposto.
Essa opinião foi também manifestada ontem
pelo presidente da Câmara, Michel Temer, ao comentar que as resistências ao fim do
acúmulo são grandes entre os deputados.
"Há muita gente aposentada, e não é
só no Legislativo. A resistência é de todos os setores, e esta Casa vive de pressões.
É preciso verificar qual pressão vai prevalecer", argumentou Temer, que também é
aposentado. (pág. 1, 2 e 3)
- O Índice Geral de Preços -
Disponibilidade Interna (IGP-DI), um dos principais indicadores de inflação, registrou
alta de 0,19% em fevereiro, contra 1,02% em janeiro.
Os alimentos foram os maiores responsáveis
pela queda. É o resultado mais baixo desde maio de 1999. Em janeiro, a produção
industrial medida pelo IBGE também apresentou resultado positivo. Cresceu 5,4% em
relação ao mesmo período do ano passado. (pág. 1 e 11)
- O número de acidentes nas estradas
federais durante o carnaval cresceu 11% em relação ao ano passado e voltou aos níveis
do período anterior ao Código de Trânsito Brasileiro, que entrou em vigor em 23 de
janeiro de 1998.
Foram 2.468 acidentes no carnaval deste ano
contra 2.436 em 1997. Aumento da frota de veículos, chuvas e imprudência dos motoristas
foram as principais causas da elevação do índice de acidentes, de acordo com a Polícia
Rodoviária Federal. (pág. 1 e 6)
- (Lisboa) - O presidente Fernando Henrique
Cardoso não aceita a implosão do acordo entre os três Poderes que fixou o teto salarial
do serviço público em R$ 11,5 mil.
"Não há por que implodir nada",
disse ontem, em entrevista no hotel Ritz, ressaltando que acabar com o teto duplex não
significa o fim do acordo, firmado semana passada no Palácio do Planalto.
"Reconheço que as opiniões estão
divididas no Legislativo e no Judiciário", afirmou Fernando Henrique. "Mas,
para quem tem de garantir o ajuste fiscal, quanto menos acumulação de salários, melhor.
Teto não é aumento de salário. Teto é o salário máximo dos chefes de Poderes e não
pode deflagrar uma onda de aumentos salariais."
O Presidente reconheceu que a base
parlamentar do Governo está dividida sobre a questão. "Aguarda-se mais uma vez as
divisões de opiniões sobre o assunto", disse. (...) (pág. 3)
- (Lisboa) - O presidente Fernando Henrique
Cardoso defendeu ontem o julgamento do general Augusto Pinochet, ex-presidente do Chile,
pelos tribunais chilenos. Na véspera do seu embarque para Santiago, onde assistirá à
posse do novo presidente do Chile, Ricardo Lagos, seu amigo dos tempos de exílio, o
presidente da República manifestou-se ainda a favor do julgamento de Pinochet também
pelo Tribunal Penal Internacional. Entretanto, como esse novo tribunal ainda está em
processo de criação, aguardando a adesão de mais países, Fernando Henrique acha que a
decisão caberá à Justiça chilena. (...) (pág. 5)
- (Belo Horizonte) - O governador de Minas
Gerais, Itamar Franco (sem partido), demonstrou nos Estados Unidos o quanto está disposto
a continuar fazendo oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele garantiu que,
ainda que não seja candidato em 2002, pretende interferir no processo eleitoral para
manter afastado do poder os atuais governantes, sobretudo os membros da equipe econômica.
Em palestra no Conselho das Américas, em
Nova Iorque - onde falou para empresários -, o governador classificou o Governo de
Fernando Henrique como desastroso e garantiu que lutará de todas as formas contra a
privatização de Furnas Centrais Elétricas. (...) (pág. 5)
- O Tribunal de Contas da União (TCU)
investigará os órgãos públicos que gastaram mais de R$ 500 mil em 1998, 1999 e 2000,
para evitar o risco do bug do milênio - a possibilidade de que, na virada do ano, os dois
zeros de 2000 fossem lidos como 1900 por computadores fabricados antes de 1995.
O TCU fará uma auditoria para determinar
se empresas de informática aproveitaram o risco de colapso nos sistemas informatizados
para aumentar os preços dos serviços. (...) (pág. 6)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (março): R$ 136,00.
Dólar comercial: R$ 1,7335 (compra), R$ 1,7343 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,800
(compra), R$ 1,830 (venda). TR do dia 10.02 a 10.03: 0,1591%. TBF do dia 08.03 a 08.04:
1,4597%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Fechos de ouro" - O presidente
Fernando Henrique voltou a fazer, em Portugal, exercícios de política externa nos
vários discursos em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, principalmente
quando se associou ao presidente português Jorge Sampaio no repúdio à intolerância
racial e discriminação a imigrantes - tema quente em todo o mundo e em especial na
Europa da atualidade.
Mas no discurso do Palácio São Bento,
quarta-feira, ao ser recebido pelo primeiro-ministro Antônio Guterres, secretário-geral
da Internacional Socialista, Fernando Henrique lançou o conceito de governança moderada,
proveniente do mundo anglo-saxão, que traduz rumos de uma social-democracia renovada.
(...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) -
Definitivamente, os presidentes da República, do Supremo Tribunal Federal, do Senado e da
Câmara - o chamado G-4 -, autorizam a conclusão de que estão absolutamente perdidos e
que lidam com a questão do estabelecimento de um teto salarial para os três Poderes da
República na base da tentativa e do erro.
O debate, que deveria resultar na mera
regulamentação de uma emenda constitucional que determina a fixação de um valor
único, excluídas todas as vantagens e benefícios, transformou-se numa desmoralizante
sucessão de balões de ensaio em que o próximo é lançado apenas em função da
repercussão negativa do anterior. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - O poder
público no Brasil está vivendo o curioso fenômeno das decisões tomadas nas cúpulas do
Judiciário, do Executivo ou do Legislativo, mas com curtíssimo prazo de validade. (...)
É tarde para tirar o corpo fora. Pegou mal
falar em teto antes do piso, pior ainda anunciar um limite que chega a R$ 23.000 e agora,
com o leite derramado, dizer que é tudo um grande absurdo.
Até parlamentares que não querem acumular
aposentadorias sentem o peso da reprovação. O Supremo está levando todas as bordoadas
possíveis. E o Executivo recusa-se a assumir que tem tudo a ver com isso. (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Entrada de dólar derruba cotação e afeta exportador
- Os empréstimos tomados no exterior por
empresas e bancos brasileiros, estatais e privados, alcançaram US$ 2,58 bilhões neste
ano até fevereiro. O movimento se segue a previsões positivas sobre o desempenho da
economia do País, o que permite conseguir crédito no exterior a juros menores.
Já o Governo federal tomou emprestados US$
2,75 bilhões neste ano, e o ingresso de recursos para a compra de empresas ou formação
de novos negócios somou US$ 4 bilhões até meados do mês passado.
Essa entrada de recursos contribuiu para a
tendência de queda do dólar nos últimos dias - a moeda norte-americana fechou ontem a
R$ 1,74, mesmo nível de quarta.
Esse recuo prejudica os exportadores,
porque encarece os produtos brasileiros no exterior. Segundo analistas, o dólar atingiu
seu piso e deverá subir para cerca de R$ 1,80 até o final do ano. (pág. 1 e cad.
Dinheiro)
- A produção industrial brasileira
cresceu 5,4% em janeiro de 2000 em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados
divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi o primeiro desempenho positivo da
indústria no mês de janeiro desde 97. Para o instituto, o setor industrial sinaliza
estabilidade, pois houve queda de só 0,1% na produção de dezembro de 99 a janeiro deste
ano. Desde agosto, a indústria cresceu 0,9%. (pág. 1 e 2-3)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
disse ontem que o caso do ex-ditador chileno Augusto Pinochet deve ser resolvido
"pelos tribunais chilenos " e "democraticamente".
O general retornou ao seu país após
passar mais de um ano detido em Londres, que negou pedido de extradição da Espanha. Juiz
espanhol queria julgar Pinochet por crimes contra os direitos humanos.
FHC chega sábado ao Chile para a posse do
novo presidente, Ricardo Lagos. (pág. 1 e 1-8)
- O presidente do Supremo Tribunal Federal,
Carlos Velloso, considerou "hipocrisia" criticar o acúmulo de aposentadoria e
salário - permitido no teto salarial dos servidores - e "depois ter de reconhecer o
direito dessas pessoas".
O presidente do Senado, Antônio Carlos
Magalhães, disse que o teto "já desabou". Para o presidente da Câmara, Michel
Temer, a reunião sobre o limite salarial "foi útil para fixar o teto para o
Judiciário; no mais, ela não valeu". (pág. 1, 1-4 e 1-5)
EDITORIAL
"A pantomima do teto" - Prossegue
a comédia de erros que se dá em torno da definição do salário máximo dos servidores
públicos. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Velloso, defendeu
ontem a revisão do acordo da semana passada, que fixou o valor de R$ 11.500, mas que
deixou grandes brechas para que esse limite seja ultrapassado de diversas formas.
O presidente do Congresso Nacional, senador
Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), também declarou que, para dar o exemplo, os
parlamentares deveriam fixar um subteto para o Legislativo bem menor e acabar com a
possibilidade de acúmulo de aposentadorias. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - O Planalto tentou, mas não
conseguiu obter uma relação dos parlamentares que acumulam aposentadorias. Estima que
sejam entre 140 e 150, mas não tem certeza. Senado e Câmara sempre têm um argumento à
mão para não enviar a lista.
* Ganha força no Planalto a proposta de
usar recursos do fundo da pobreza, estimados em R$ 4 bi, para garantir um aumento
substancial do mínimo. Falta convencer ACM, autor do projeto do fundo e animador do
salário de US$ 100. (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Comércio exterior tem superávit no começo de março
- A balança comercial brasileira registrou
superávit de US$ 83 milhões na primeira semana de março. O desempenho confirma a
tendência de retomada das exportações apresentada nos últimos dias de fevereiro.
"É um excelente início para março e o resultado deverá melhorar até o fim do
mês", avaliou o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex),
Roberto Giannetti da Fonseca.
Até a virada do mês, a balança de 2000
tinha um déficit acumulado de US$ 16 milhões. A expectativa é a de que o início da
safra agrícola aumente as exportações na segunda quinzena de março.
Outro indicador divulgado ontem aponta a
recuperação da economia. De acordo com o IBGE, a produção industrial cresceu 5,4% em
janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. (pág. 1, B1 e B3)
- Em ofícios enviados aos secretários de
Fazenda do Paraná, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, o Banco Central aponta
irregularidades nos contratos firmados pelos três estados com a Petrobras para
antecipação de receita do ICMS.
Os acordos, na visão do BC, representam
operações de crédito e, como tal, só poderiam ter sido efetivados com a autorização
da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Os Ofícios, aos quais O Estado teve
acesso, foram assinados pelo diretor do BC para Assuntos de Estados e Municípios, Carlos
Eduardo de Freitas. (pág. 1 e A6)
- O ministro do Desenvolvimento Agrário,
Raul Jungmann, anunciou que no primeiro bimestre deste ano houve 26 invasões de terra no
País, uma queda de 71,4% em relação ao início de 1999. O MST e a Contag contestam os
dados apresentados pelo Governo. (pág. 1 e A9)
- Está cada vez mais difícil a
definição de um teto salarial único para os três Poderes. O acordo patrocinado pelo
Palácio do Planalto para fixar o limite de vencimentos do funcionalismo é criticado por
parlamentares e dificilmente o projeto será aprovado pelo Congresso com rapidez.
Pela fórmula acertada, o teto seria de R$
11.500, com a possibilidade de acúmulo de salário e aposentadoria, permitindo
rendimentos mensais de até R$ 23.000. Os próprios chefes dos Poderes admitem que as
negociações foram malsucedidas. "Já houve uma reunião, mas ela transformou-se em
nada", disse o presidente da Câmara, Michel Temer. (pág. 1 e A4)
- O ministro da Educação, Paulo Renato
Souza, defendeu a cobrança de taxas dos alunos regulares de mestrado e doutorado das
universidades federais, como já ocorre na pós-graduação em Direito da UFRGS.
"Pode ser uma nova fonte de recursos para as instituições", disse. Paulo
Renato afirmou desconhecer se a medida é legal.
As universidades que queiram cobrar terão
de "comprovar a legalidade" do ato. Na UFRGS, a matrícula semestral no mestrado
custa R$ 150 por disciplina e R$ 200 no doutorado. "A cobrança é ilegal",
disse o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino
Superior, Renato de Oliveira. (pág. 1 e A8)
EDITORIAL
"Os novos inimigos do FMI" -
Direita e esquerda estão unidas, mais uma vez, em defesa de uma causa equivocada: a
extinção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nos EUA, a direita, numa pregação de
ódio, se esforça para destruir ou enfraquecer o Fundo. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Tudo aquilo que foi
combinado há pouco mais de uma semana entre os chefes dos três Poderes sobre o teto
salarial do funcionalismo público não vale mais nada. Com a péssima repercussão sobre
o chamado "teto dúplex" - que eleva o valor a R$ 23 mil -, os personagens do
arranjo da semana passada voltaram atrás e o problema permanece.
Se ficar tudo como está, o Tesouro
continuará bancando salários de marajás País afora. Para mudar, a batalha terá de ser
para valer. Será preciso muito mais do que rápidas e combinadas reuniões no Palácio do
Planalto entre os representantes dos três Poderes. Se a pressão das ruas contra um teto
de marajá é grande, maior deverá ser a resistência daqueles que acumulam salários com
aposentadorias e outros benefícios. (pág. A6)
O GLOBO
- IBGE: Indústria teve o melhor janeiro desde 97
- A produção industrial brasileira
cresceu 5,4% em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foi a primeira
vez, desde 1997, que o setor fechou com resultado positivo num mês de janeiro. Em
relação a dezembro, a indústria registrou uma queda de 0,1%. Segundo o IBGE, o
desempenho - que só não foi melhor por causa da redução de 15,9% no consumo de
combustíveis - indica uma trajetória de crescimento em 2000.
* O IGP caiu de 1,02%, em janeiro, para
0,17%, em fevereiro: a menor taxa de inflação desde maio de 1999. A alta nos preços da
passagem de ônibus no Rio, entretanto, fará com que o IGP volte a subir em março.
(pág. 1, 15 e 16)
- Uma visita dos presidentes Fernando
Henrique e Jorge Sampaio a Santarém, onde Pedro Álvares Cabral foi sepultado, foi
marcada pela confusão. Moradores se aproximaram dos presidentes e a segurança perdeu o
controle da situação. Fernando Henrique manteve a calma, mas Sampaio reclamou da
desorganização e até faixas de apoio ao MST apareceram. (pág. 1 e 3)
- O governador de Minas Gerais, Itamar
Franco, disse ontem que poderá ser candidato a presidente se isso servir para atrapalhar
os planos do presidente Fernando Henrique. "Se algum candidato vier me dizer:
'Itamar, preciso dos seus 0,5% para chegar ao segundo turno', então serei candidato para
tirar esses votos do Governo". (pág. 1 e 4)
- O general Newton Cruz foi denunciado pelo
procurador-geral da Justiça Militar, Kleber Coêlho, por falso testemunho no IPM sobre o
Riocentro, reaberto após reportagens do Globo. Para Coêlho, ao não dizer quem o
informou previamente do atentado, Cruz obstrui as investigações. "Prefiro me
suicidar a citar um nome", disse o general. (pág. 1 e 5 )
- O salário mínimo de R$ 177, proposto
pelo PFL, causaria um impacto na Previdência maior do que o previsto inicialmente: R$ 8
bilhões, segundo o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Dias.
Ele lembrou que o impacto deve ser calculado num período de 12 meses e não só de abril
a dezembro. Em Portugal, Fernando Henrique disse que se sente culpado por não ter
reduzido as injustiças sociais no Brasil. (pág. 1 e 3)
- A autodenominada Organização Hacker
Brasileira (OHB), que se orgulha de invadir páginas na Internet do Brasil, foi atacada
por um grupo rival, chamado Anti-OHB. O grupo alterou a página e revelou a identidade de
quatro de seus integrantes. (pág. 1 e 17)
- A organização não-governamental
Anistia Internacional fechou temporariamente ontem seu escritório em São Paulo devido
às ameaças de morte feitas por grupos neonazistas contra funcionários que atuam na
defesa de direitos de homossexuais. A Justiça começou a ouvir ontem os 18 skinheads
acusados de espancar até a morte um homem na Praça da República. (pág. 5 e 12)
EDITORIAL
"Teto real" - Para abortar uma
anunciada greve de juízes de que jamais se deveria ter cogitado, os três Poderes da
República reuniram-se há poucos dias e chegaram a um acordo na discussão sobre o teto
do funcionalismo que já se arrastava há quatro anos.
Concordou-se com um teto de R$ 11.500: mas
ficou a possibilidade de acumular-se com esse teto pelo menos uma aposentadoria. O que
significa que o teto de R$ 11.500 pode subir a R$ 23 mil.
Contra esta situação acaba de insurgir-se
- com razão - o presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça, ministro Paulo Costa
Leite, que se declarou disposto a lutar para impedir a concretização do acordo feito
entre os três Poderes. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) -
Atravessando a semana na Presidência, Marco Maciel evita temas que tão somente ao
titular cabe comentar. Prefere os que integram sua agenda ou sempre estiveram entre suas
preocupações. Por exemplo, as reformas políticas, assunto de seu recente almoço com o
ministro José Serra, também interessado em vê-las reinseridas na agenda deste ano.
Encontraram uma estratégia comum. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Dia 4 de maio o
Ministério da Educação reunirá em São Paulo os executivos das mil maiores empresas
brasileiras.
Discutirão parcerias em programas de
seleção de pessoal para o setor privado.
Ontem, aliás, o ministro Paulo Renato
garantiu que ainda cogita de conceder matrícula grátis para alunos carentes no próximo
Exame Nacional do ensino Médio. (pág. 10)
GAZETA MERCANTIL
- O comércio no Mercosul perde US$ 2 bilhões
- (Buenos Aires, São Paulo e Rio) - O
Mercosul viveu em 1999 sua pior crise desde que começou a sair do papel, no início da
década. Consolidados os números do final do ano, o bloco comercial comandado por Brasil
e Argentina retrocedeu quatro anos em um, em razão da deterioração nas relações entre
os dois países, cujas trocas representam cerca de 70% do movimento total dos quatro
países. (...) (pág. 1 e A-6)
- Governo federal e estados acertaram ontem
o acordo para reembolso de perdas de receita provocadas pela Lei Kandir. O acerto inclui o
repasse de R$ 3,864 bilhões este ano aos governos estaduais e R$ 3,148 bilhões em 2001 e
em 2002.
As empresas também pagarão a conta,
porque até dezembro de 2002, quando termina o mandato dos atuais governadores, só as
exportadoras poderão ter créditos de ICMS referentes a gastos com telecomunicações e
energia elétrica. (pág. 1 e A-13)
- As operadoras de plano de saúde têm
até 31 de março para pagar a primeira parcela da nova taxa de saúde suplementar. A
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publica hoje no Diário Oficial resolução
que fixa valores e descontos.
O valor será calculado pela média de
participantes de cada plano. Para cada usuário, as operadoras deverão recolher R$ 2 por
ano, divididos em quatro parcelas. Calcula-se que 45 milhões de brasileiros estejam
filiados a algum plano de assistência médica privada.
As empresas devem adequar os contratos
velhos à nova legislação. Com isso, os planos anteriores à Lei dos Planos de Saúde
passarão a ter direito a descontos entre 7% e 45% na taxa de saúde suplementar. (pág. 1
e A-23)
- (São Paulo) - A estratégia do Governo
de alongar o perfil da dívida pública é vista com reservas por alguns bancos e
instituições financeiras, que consideram a atuação do Tesouro Nacional excessivamente
tímida. Para os críticos, o Tesouro desperdiça a chance de realizar com mais rapidez a
troca de papéis pós-fixados pelos prefixados de prazo mais longo, cujo prêmio sofreu
forte redução nos últimos meses. (...) (pág. 1 e B-1)
CORREIO BRAZILIENSE
- Presidente critica reação da Petrobras
- Técnicos da empresa queriam aumentar
preço da gasolina. Fernando Henrique vetou. (pág. 1 e 12)
- O presidente do Supremo Tribunal Federal,
Carlos Velloso, considera "uma hipocrisia" a polêmica sobre o teto salarial do
funcionalismo público, que permite acumular até R$ 23 mil.
Ele observou que o acúmulo de vencimentos
é constitucional. Em Lisboa, o presidente Fernando Henrique afirmou que "está
mantido" o acordo que fixou o teto em R$ 11.500,00. (pág. 1, 6 e 14)
- A taxa de desemprego no Distrito Federal
teve uma pequena queda em dezembro. Motivo: 5,3 mil pessoas desistiram de procurar
trabalho. (pág. 1 e 13)
- A febre amarela cerca Brasília. A
doença pode ter provocado a morte de mais quatro pessoas nos municípios goianos de
Pirenópolis, Goiânia, Aparecida de Goiânia e Jussara. (...)
No Brasil, segundo dados da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa), foram registrados este ano 23 casos. Vinte ocorreram em
Goiás, provocando a morte de nove pessoas. (...) (pág. 7)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Presidente desautoriza mínimo de R$ 180
- O presidente Fernando Henrique Cardoso
afirmou ontem que não autorizou ninguém a negociar, em nome do Governo, um reajuste do
salário mínimo que elevaria o valor para R$ 180. "Não tem sentido, porque eu tenho
de ver os números, que ainda não conheço", declarou, ao desmentir informações de
que, na comitiva presidencial que ontem encerrou visita a Portugal, já estaria se falando
que o Governo poderia chegar ao mínimo de R$ 180.
Em Brasília, o deputado Paulo Paim (PT-RS)
listou 15 fontes de recursos que, segundo ele, garantiriam um salário mínimo até
superior a US$ 100. O deputado propõe, por exemplo, taxar o lucro das multinacionais
remetido ao exterior. Paim insiste também em aumentar o Imposto de Renda sobre o lucro
dos bancos. (pág. 1 e 3-A)
- As rodovias federais registraram, durante
o carnaval, um aumento de 11,11% no número de mortos, de 6,8% no de feridos e de 5,79% no
total de acidentes. Segundo balanço divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal,
foram 150 mortes este ano, contra 135 em 1999, 1.538 feridos contra 1.439 e os acidentes
subiram de 2.333 para 2.468. A PRF aponta como preocupante o fato de que 80% dos acidentes
ocorreram durante o dia e em trechos de reta. (pág. 1 e 4-A)
- Nos dois primeiros meses deste ano, o
número de invasões de terra no Brasil caiu 71,4%, em comparação com o mesmo período
do ano passado. Os dados, divulgados ontem pelo ministro da Reforma Agrária, Raul
Jungmann, foram contestados pelo MST, que considera os números "fictícios" e
um contra-ataque às críticas feitas no exterior. O Governo afirma que a redução está
associada ao bom desempenho da política de assentamentos. (pág. 1 e 4-A)
ZERO HORA
- Com o desemprego em alta e a mudança no perfil do
trabalho tradicional, as cooperativas voltam a figurar como meio de garantir
oportunidades. Em Porto Alegre, a idéia subiu o Morro da Cruz e já é uma opção de
trabalho para os associados, na maioria desempregados, da comunidade. (pág. 4 e 5)
- A intervenção do governo federal
argentino na província de Corrientes está afetando os trabalhos da principal entidade
que congrega vereadores argentinos, brasileiros e uruguaios. O Corpo Deliberante do Rio
Uruguai tem sede provisória em Paso de los Libres, na Argentina. A entidade reúne
vereadores de cidades argentinas, brasileiras e uruguaias banhadas pelo Rio Uruguai.
(pág. 11)
- A Previdência Social começa a admitir
que complicou a vida das gestantes ao transferir a elas o pedido do salário-maternidade,
feito antes pelo empregador. Prova disso é que entra em vigor hoje uma portaria
permitindo que empresas conveniadas à Previdência Social façam o pedido. Mas a medida
é muito restrita. A maioria das trabalhadoras terá de ir ainda aos postos do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). (pág. 18)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- FHC desautoriza Petrobras e nega aumento
JORNAL DO COMMERCIO
(PE)
- FHC nega autorização para negociar o
mínimo
O DIA (RJ)
- Rio dá aumento de até 32%
ZERO HORA (RS)
- Estado planeja taxa para equipar
bombeiros
TELEJORNAIS
GLOBO - JORNAL DA GLOBO - 23H50
Sai o acordo. Os Estados vão ser
recompensados pelas perdas que tiveram com o fim do ICMS sobre os produtos exportados.
Pelo acordo fechado entre governo federal e secretários de Fazenda, R$ 3,864 bilhões
vão ser distribuídos ainda este ano. E nos próximos dois anos também serão repassadas
cotas fixas. Cada Estado terá a sua. Para entrar em vigor o projeto de lei ainda precisa
ser aprovado pelo Congresso.
O presidente Fernando Henrique mantém a
tradição de falar duro no exterior. Em Portugal, antes de voltar ao Brasil, o presidente
se irritou com os assuntos domésticos. Disse que não autorizou ninguém a negociar um
salário mínimo de R$ 180. Voltou a afirmar que a gasolina não sobe no primeiro semestre
e aproveitou para dar uma bronca na Petrobrás. A definição do teto do funcionalismo em
R$ 11.500 já está provocando discussão dentro do próprio Judiciário. O presidente do
Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Velloso, também quer aumentar o valor do teto,
mas não concorda em abrir mão do acúmulo de pelo menos uma aposentadoria.
Franklin Martins: "Não vai haver nova
reunião dos chefes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário para tratar desse
assunto. Fernando Henrique, Antônio Carlos Magalhães e Michel Temer só se desgastaram
com essa discussão e agora chegaram à mesma conclusão. O melhor é passar logo a batata
quente para o Congresso. Que o ônus dessa discussão seja dividido entre os 513 deputados
e 81 senadores. Assim, caciques sairão da linha de tiro e o desgaste per capita ficará
menor."
GLOBO - JORNAL
NACIONAL - 20H15
Nem todos os brasileiros que pegaram
estrada no carnaval voltaram para casa. Um balanço divulgado quinta-feira mostra que o
número de acidentes atingiu nível mais alto que antes do novo Código de Trânsito. Os
números da Polícia Rodoviária revelam que o principal culpado pelos acidentes é o
motorista imprudente.
O procurador-geral militar apresenta
denúncia contra o ex-chefe do SNI - Serviço Nacional de Informação, general Newton
Cruz, acusado de falso testemunho no caso da explosão no Riocentro em 1981. No Inquérito
Policial Militar o general diz conversou com os dois militares supostamente envolvidos na
explosão de uma bomba dentro de um carro no estacionamento do Riocentro, em que um
sargento morreu e um capitão ficou ferido. O procurador Cleber Coelho considera que ao
esconder os nomes dos dois militares o general atrapalhou as investigações. O Tribunal
Superior Militar tem 15 dias para decidir se abre ou não processo contra o ex-chefe do
SNI. O general diz que prefere se suicidar a dizer os nomes.
A produção industrial brasileira aumentou
5,4% em janeiro, comparada com janeiro do ano passado. Os setores que puxaram essa alta
foram mecânica, com aumento de 15,4%, material de transporte - 12,5% e metalúrgica, com
aumento de 10,4%. Na comparação com dezembro do ano passado a produção da indústria
teve uma pequena queda de 0,1%. Em 12 meses a queda acumulada também é de 0,1%.
A inflação de fevereiro medida pelo
Índice Geral de Preços da Fundação Getúlio Vargas ficou em 0,19% - bem abaixo do
índice de janeiro, que tinha sido de 1,02%.
Os aeroportos do país estão fiscalizando
os produtos importados da Ásia e dos Estados Unidos. O alvo dos técnicos da Vigilância
Sanitária é o besouro chinês, que há dois anos apareceu na China, e se espalhou pela
Coréia e Japão até chegar aos Estados Unidos. A destruição que o besouro causa é
muito maior que a do cupim. O inseto ainda não foi encontrado no Brasil, mas para evitar
que isso aconteça, toda carga importada está sendo pulverizada com veneno tóxico. O
Ministério da Agricultura deve apertar a vigilância. Na semana os aviões cargueiros
também vão ser vistoriados.
O presidente do Supremo Tribunal Federal
defende o teto salarial de R$ 12.720 e diz que acumular uma aposentadoria é
constitucional. No Congresso também há defensores do benefício. O STF decidiu arquivar
a ação popular que pedia a suspensão do auxílio moradia de até R$ 3 mil concedido aos
juizes. Segundo o ministro Celso de Mello, não cabe ação popular contra sentença
judicial. Com isso, o auxílio moradia, concedido para evitar a greve do Judiciário, fica
mantido.
O presidente Fernando Henrique reafirma que
não haverá mais reajuste de combustíveis no primeiro semestre. O presidente disse que a
Petrobrás não tem autoridade para falar de aumento de preços. Em Portugal, Fernando
Henrique homenageou Pedro Álvares Cabral. Os problemas individuais de cidadãos dos dois
países poderão ser resolvidos com maior facilidade, quando os presidentes do Brasil e de
Portugal assinarem no dia 22 de abril um novo tratado de cooperação e consulta entre os
dois países. O Brasil já é hoje o destino de 54% de todos os investimentos portugueses
no exterior.
NACIONAL - REDE
BRASIL NOITE - 18H30
Cai o número de invasões de terras no
país. Foram 26 casos registrados em janeiro e fevereiro deste ano contra 91 no mesmo
período do ano passado. O Incra vê nesta queda sinais de mudança nas reivindicações.
Ao invés de terra, crédito e agricultura para os assentamentos já consolidados. O
Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra considera os números do Incra fictícios. Já a
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura concorda que o número de
invasões diminuiu, mas entende que é conseqüência da violência no campo.
Assassinado em Pernambuco o presidente dos
Trabalhadores Rurais de Glória de Goiatá, a 66 quilômetros de Recife. Severino Manoel
dos Santos, 44 anos, foi morto com tiros de uma espingarda calibre 12. Os disparos foram
feitos quando ele tentava impedir que empregados da fazenda Briosa colocassem fogo em
cerca de 60 barracos de integrantes do MST. A polícia já identificou um dos criminosos.
De acordo com a Polícia Rodoviária,
durante o carnaval ocorreram 2.468 acidentes, com 135 mortes, um aumento de 5,79% no
número de acidentes e 11,1% no número de mortos em relação ao ano anterior. A
operação, que começou no dia 3 de março e termina no dia 13, contou até agora com o
efetivo de três mil e 500 policiais por dia, espalhados pelas rodovias federais de todo o
país.
Depois do carnaval, a contagem regressiva
é para a Semana Santa. Uma pesquisa feita em Belém do Pará revela que o preço do
pescado já começou a subir em até 40% e que deve continuar subindo nos próximos dias.
Ainda falta mais de um mês para o início da Semana Santa.
A quinta-feira pós-carnaval foi dia de
trabalho na maior parte da Esplanada, em Brasília. Nos ministérios, os estacionamentos
ficaram cheios, num sinal claro de trabalho nos gabinetes. A ressaca do carnaval bateu foi
no Congresso. O Senado teve o plenário fechado. Na Câmara, visitada por poucos
parlamentares, sobrou tribuna para a defesa do salário mínimo, como os deputados Paulo
Paim e Luiza Erundina. O primeiro apresentou 15 fontes de receita para financiar o
reajuste, entre elas o pagamento de dívidas do próprio governo com o INSS, cerca de R$
400 bilhões. E, ainda, a taxação dos lucros de empresas enviados ao exterior.
Estados e Governo federal chegam a um
acordo sobre a lei Kandir, que foi criada para estimular as exportações. Os estados
reclamavam do repasse que vinham recebendo do Governo para compensar o desconto do ICMS
sobre produtos importados. Segundo o ministro chefe da Casa Civil, agora esses repasses
terão um valor fixo que será rateado entre os estados. O acordo foi selado em reunião
com a presença dos secretários de Fazenda dos estados.
O presidente da Câmara dos Deputados,
Michel Temer, diz que o acordo entre os chefes dos três poderes que definiu o teto do
funcionalismo em R$11,5 mil não valeu nada e que a questão vai ser definida mesmo é no
voto. O presidente do Supremo Tribunal Federal disse que as gratificações e as
aposentadorias incorporadas ao salário são constitucionais. Para o ministro Carlos
Velloso, a discussão é hipócrita, pois segundo ele, a possibilidade de incorporar
gratificações de uma aposentadoria aos salários já está prevista na Constituição.
Ele disse que, por ele, o teto fica como está, mas se a discussão recomeçar, vai
defender que seja ainda maior, de R$ 13, 720 mil.
O Banco Central admite pela primeira vez
adiar o leilão de privatização do Banespa, previsto para o próximo dia 16 de maio.
Tudo porque o Tribunal Regional Federal até agora não se pronunciou sobre uma liminar
que suspendeu o processo de privatização. Essa demora pode impedir que o Banco Central
cumpra todos os procedimentos legais para o leilão.
RECORD - JORNAL DA
RECORD - 19H10
A polícia de Campinas, no interior de São
Paulo, suspeita que os seqüestradores do menino Gonçalo Matarazzo e do engenheiro
eletrônico Saúl Celso Augusto pertençam à quadrilha que seqüestrou Wellinton de
Camargo. O engenheiro foi seqüestrado na Terça-feira à noite e o menino foi levado
junto com o pai, o empresário Luiz André Matarazzo, na Segunda-feira. Os três teriam
ficado juntos alguns minutos no cativeiro. O empresário Luiz André, liberado na noite de
terça-feira é primo do senador Eduardo Suplicy e do secretário de Comunicação da
presidência, Andrea Matarazzo. Ele aguarda contato com os seqüestradores.
A Febem de São Paulo já cumpriu a ordem
da Justiça e desmontou a unidade onde estavam concentrados 50 menores considerados
perigosos. Mas a situação se complica no quadrilátero do Tatuapé. Os funcionários
ameaçam entrar em greve e mais adolescentes fogem e se rebelam. Quando a polícia foi
chamada, 400 menores de sete alas circulavam soltos pelo quadrilátero. Dez tinham atacado
um monitor e fugido para a rua. Oito foram recapturados. Na rebelião de quarta-feira
também participaram menores do chamado circuito leve, que cometeram delitos sem muita
gravidade e que nunca ficam junto da confusão. A tropa de choque continua na unidade.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário
registra queda nas invasões de terras. Em janeiro e fevereiro deste ano foram registradas
26 invasões contra 91ocorridas no mesmo período do ano passado. A avaliação do
ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, é que essa redução é reflexo dos 70 mil
assentamentos, em média, feitos por ano e da agilidade na vistoria da terra. A
Confederação Nacional da Agricultura critica a avaliação e diz que a redução das
invasões é conseqüência da violência no campo. O coordenador nacional do MST, Roberto
Baggio, contestou os números divulgados pelo Governo. Segundo ele, há no país mais de
70 mil famílias acampadas aguardando terras.
A polícia de Pernambuco investiga o
assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Glória do Goitá,
Severino Manoel dos Santos, de 44 anos. Ele foi morto na quarta-feira quando tentava
proteger um grupo de sem-terra que ocupava uma fazenda na Zona da Mata. O sindicalista
teria sido chamado para resolver mais um conflito na área. Os empregados da fazenda
ameaçavam pôr fogo nos barracos construídos na ocupação. Ao chegar, o sindicalista
foi atingido por tiros.
O presidente Fernando Henrique Cardoso
chega nesta quinta-feira à noite ao Brasil. Ainda em Portugal, FHC participou de mais
comemorações dos 500 anos de descobrimento do Brasil, visitando a cidade onde Pedro
Álvares Cabral viveu seus últimos anos. Foi em Santarém, que hoje está em festa e
homenageia o aniversário do Brasil. A casa onde Cabral morreu foi transformada em Centro
de Cultura, com a ajuda de uma empresa privada brasileira que entrou com parte do
dinheiro.
Antes de embarcar de volta ao Brasil, o
presidente Fernando Henrique falou sobre o preço do petróleo, reafirmando que não
haverá reajuste dos combustíveis neste semestre e desautorizou a Petrobras a falar sobre
aumentos. Segundo o presidente, a decisão sobre preços compete ao Ministério das Minas
e Energia, e não à Petrobras.
O presidente do STF, ministro Carlos
Velloso, vê hipocrisia em quem critica o acúmulo do teto salarial com aposentadoria.
Para o presidente da Câmara, Michel Temer, o acordo entre os chefes de poderes firmado na
semana passada não valeu. A dúvida continua. No Judiciário, o presidente do Supremo
negou ter sugerido a revisão do acordo, mas se a proposta vier do Congresso, está
disposto a reiniciar a discussão.
Em Porto Seguro, na Bahia, o presidente do
Senado, Antônio Carlos Magalhães, voltou a criticar o presidente eleito do Superior
Tribunal de Justiça, Paulo Costa Leite, que defende um teto de R$ 12,720 mil. Para o
senador, o único que pode falar sobre o assunto é o presidente do Supremo, ministro
Carlos Velloso. Em Porto Alegre, o ministro Costa Leite disse que a Justiça é cega, mas
não é muda e garantiu que pode, sim, falar sobre teto salarial.
O Palácio do Planalto reconhece que há
impasse na questão do teto salarial, mas aposta que o Congresso vai aprovar o valor de R$
11,5 mil sem penduricalhos como aposentadorias e pensões.
A Fundação Getúlio Vargas apura em
fevereiro a inflação mais baixa desde maio do ano passado. O recuo no preços dos
produtos agrícolas contribuiu para a taxa de 0,19% registrada pelo Índice Geral de
Preços, que caiu 0,83 pontos percentuais. Em janeiro, ficou em 1,02%.
O Ministério Público militar denuncia o
general Newton Cruz por falso testemunho no caso do atentado do Riocentro. Quando prestou
depoimento no novo inquérito sobre o caso, o general, que era chefe do SNI em 1981 disse
que tomou conhecimento, um mês após o episódio, de que militares do Exército
planejavam novo atentado. Newton Cruz, que afirmou ter ido ao Rio de Janeiro para impedir
a operação, se recusou a fornecer os nomes dos militares.
Os acusados de desvio de dinheiro da Caixa
Econômica de Goiás para a campanha eleitoral do PMDB, querem a extinção do processo. O
dinheiro reapareceu em clima de mistério. O subprocurador do Estado, Isaías da Silva,
encaminhou à 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual uma petição de nove páginas com o
comprovante de uma ordem de pagamento no valor de R$ 5 milhões. O senador Íris Rezende
considera que a verdade deveria prevalecer, porque o dinheiro estava com os advogados.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |