
26/01/2000
JORNAL DO BRASIL
- CPI: Laboratórios dão até carros para aliciar médicos
- Em depoimento à CPI dos Medicamentos, o presidente do Conselho
Federal de Medicina (CFM), Edson Oliveira Andrade, denunciou ontem a existência de
"grande interferência da indústria farmacêutica na prática profissional dos
médicos". Segundo Edson, os presentes dos laboratórios vão de pequenos brindes a
carros.
O relator da CPI, deputado Ney Lopes (PFL-RN), disse que "a forma
de relacionamento é de troca de favores à luz do meio-dia. A relação é
promíscua", afirmou. O deputado já decidiu incluir em seu parecer a proibição de
amostras grátis e restrições ao patrocínio de congressos e simpósios médios.
O presidente da Federação Nacional dos Médicos, Héder Murari Borba,
chegou a exibir à CPI cartazes nos quais uma indústria farmacêutica sugere boicote à
prescrição de remédios genéricos, que têm preços mais acessíveis ao consumidor.
(pág. 1 e 16)
- Por 385 votos a favor, 86 contra e 5 abstenções, o Governo
conseguiu aprovar ontem à noite, na Câmara, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita
gastos públicos. O projeto só depende agora de aprovação no Senado para virar lei. A
vitória do Governo na Câmara foi precedida por uma reunião do presidente Fernando
Henrique com todos os partidos políticos no Palácio do Planalto.
"Vamos proibir os gastos eleitoreiros", apelou o presidente
aos líderes partidários. Ao negar que a lei seja uma imposição do FMI, Fernando
Henrique chamou o projeto de "lei de responsabilidade moral". "Que eu
saiba, a moral é nossa e não do FMI", afirmou. (pág. 2)
- A entrevista do governador do Ceará Tasso Jereissati (PSDB) -
publicada na edição de ontem do JB - foi interpretada no Palácio do Planalto como mais
uma etapa do processo de reaproximação entre o ex-ministro Ciro Gomes e o presidente
Fernando Henrique, que já admite voltar a conversar com o pré-candidato do PPS à
Presidência da República. Ontem, o presidente do PPS, Roberto Freire, afirmou que seu
partido está aberto para uma aliança com o PSDB. (pág. 1 e 5)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem um apelo à Câmara
dos Deputados para que aprove a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita os gastos dos
poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. "Vamos proibir os gastos
eleitoreiros", disse. "Se isso não é problema para o Governo federal, é um
sério problema para muitos estados".
Fernando Henrique comunicou que "o Governo federal não vai mais
assumir dívidas dos estados e municípios". Acrescentou que governadores e prefeitos
não poderão "fazer dívidas para as quais não haja recurso previsto". Segundo
o Presidente, as dívidas de estados e municípios assumidas pela União superam R$ 110
bilhões. (pág. 2)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso convenceu o líder do PFL na
Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), a desistir da idéia de incluir na Lei de
Responsabilidade Fiscal prazo de transição de um ano, para que os estados e municípios
se adaptassem às limitações de gastos impostas pelo texto. Depois da conversa com o
Presidente, Inocêncio retirou as cinco emendas e três destaques (pedidos de votação em
separado de pontos do projeto) apresentados pelo PFL. (pág. 2)
- O presidente Ferrnando Henrique Cardoso não quis comentar as
declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati - que classificou o
presidenciável do PPS, Ciro Gomes, de "excelente candidato" -, mas o
secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, deixou claro que as portas do
Palácio do Planalto estão abertas para Ciro. (...) (pág. 5)
- O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, resolveu
ontem dar por encerrada a polêmica sobre o suposto apoio do PDT à candidatura da
vice-governadora Benedita da Silva (PT) à prefeitura do Rio de Janeiro. "O Brizola
já tem idade para fazer o que bem entender. Não vou mais discutir esse negócio com
ele", afirmou. Apesar da postura combativa de Lula, o PT continua articulando para
manter a aliança dos partidos de esquerda. Hoje, o governador Anthony Garotinho recebe
para um café-da-manhã o líder petista e a vice Benedita da Silva. No início da tarde,
Brizola se encontra com Benedita. (...) (pág. 6)
- Emendas apresentadas por parlamentares já engordaram em mais de meio
bilhão de reais os recursos que serão desvinculados, ou seja, que o Governo poderá usar
como bem entender depois de aprovada a Desvinculação de Recursos da União (DRU). As
alterações propostas elevam para R$ 42,141 bilhões o valor que poderá ser remanejado
pelo Executivo após a aprovação da emenda constitucional prevista para ser votada hoje
em 2º turno, no plenário da Câmara. (...) (pág. 4)
- O líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP), foi um dos
que reagiram, ontem, no anunciado desvio de receita da área social. "O Brasil tem
uma tradição histórica de não investir na área social. Por isso, a Constituição
obriga o investimento nesse setor. A DRU permite a desvinculação de 20% de todas as
receitas e esse dinheiro serve para pagar o juros da dívida, afirmou Genoíno. (...)
(pág. 4)
- O Governo federal pretende lançar ainda neste primeiro trimestre o
novo programa de financiamento habitacional para construção de 2 milhões de casas
populares em quatro anos, com subsídios aos compradores.
Os imóveis destinam-se às famílias que ganham até três salários
mínimos (R$ 408). Os recursos são do Orçamento Geral da União e do Fundo de Garantia
de Tempo de Serviço (FGTS).
O programa está tendo elaboração pela Secretaria de Desenvolvimento
Urbano, vinculada à Presidência da República. No primeiro ano, a meta é construir 320
mil imóveis. Para isso, são necessários R$ 640 milhões do orçamento e R$ 960 milhões
do FGTS. Esse é o problema. (...) (pág. 7)
- (Porto Alegre) - As ouvidorias policiais de São Paulo, Rio de
Janeiro, Pará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul vão iniciar um levantamento sobre o
número de boletins e inquéritos policiais realizados nos últimos anos e seus resultados
para "comprovar sua ineficiência e a improdutividade policial". Desta forma
pretendem fortalecer a proposta de emenda constitucional que acaba com os inquéritos
policiais, e cujo resultado será enviado à Câmara dos Deputados.
A informação foi dada ontem pelo ouvidor policial de São Paulo,
Benedito Mariano, um dos idealizadores da emenda, assinada por 23 juristas e ouvidores
policiais, que está sendo incluída, para análise, junto com outras emendas que visam a
unificação das polícias civil e militar do País, em tramitação na comissão especial
sobre segurança pública da Câmara dos Deputados. (...) (pág. 7)
- O projeto do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) que proíbe
magistrados, membros do Ministério Público e delegados de fornecerem à imprensa
informações sobre processos em andamento, apelidado de Lei da Mordaça, foi aprovado na
Comissão de Constituição e Justiça do Senado por descuido dos parlamentares, segundo
alguns membros da CCJ. O projeto teve aval unânime, no fim de 1999, na mesma comissão
que agora pretende alterar proposta semelhante aprovada na Câmara. (pág. 3)
- A equipe econômica e os deputados decidiram que as contribuições
sociais previstas na reforma tributária serão cobradas sobre o valor adicionado -
diferença entre receita e despesa. O Governo propunha que a cobrança incidisse sobre o
faturamento, mas reviu sua posição ontem, após almoço dos parlamentares com o ministro
da Fazenda, Pedro Malan.
A proposta do Governo determina que as contribuições sociais, que
substituirão o Cofins, PIS-Pasep e salário-educação, não incidirão sobre receitas de
exportação. Os produtos e serviços provenientes do exterior serão tributados. Produtos
e serviços cuja lista será definida por lei ordinária terão a cobrança de impostos
limitada a uma das fases de produção. (pág. 1)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (janeiro): R$ 136,00. Dólar comercial: R$ 1,7733
(compra), R$ 1,7741 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,890 (compra), R$ 1,925 (venda). TR do
dia 26.12 a 26.01: 0,2507%. TBF do dia 24.01 a 24.02: 1,4767%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Sopro de Vida" - A primeira impressão, infelizmente, é a
que fica, mesmo quando não corresponde à realidade. Por isso, deve-se corrigir
imediatamente a versão de que a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro desapareceu do mapa ao
se fundir à Bolsa de Valores de São Paulo. Aconteceu exatamente o contrário. O
protocolo de intenções que será assinado no próximo dia 27, no Palácio do Planalto,
com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, permitirá que a Bolsa carioca
continue a existir graças ao processo de fusão. Garante-se assim sobrevida à entidade
criada por decreto imperial de D. Pedro II em 13 de junho de 1845. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - À primeira vista, a pesquisa
CNT/Vox Populi traz um dado de fato surpreendente: 72% das pessoas votariam numa mulher
para a Presidência da República, 84% gostariam de uma prefeita e 80% achariam ótimo uma
governadora. Não bastasse isso, as mulheres ganham de lavada dos homens nos itens
confiabilidade, honestidade, competência, firmeza, capacidade e responsabilidade. Isso
posto, tudo resolvido então, no quesito preconceito e discriminação?
Mais ou menos. Na avaliação do diretor do Instituto Vox Populi,
Marcos Coimbra, os números indicam evolução de mentalidade mas não autorizam a
conclusão de que necessariamente o brasileiro esteja considerando encerradas as carreiras
masculinas e decidido a apostar definitivamente na solução feminina. (...) (pág. 12)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - O ministro Fernando Bezerra anda
mesmo na berlinda. Agora, estão em polvorosa os políticos nortistas, de todas as
ideologias.
Não aceitam a fusão do Banco do Estado do Amazonas com a Sudam,
criando uma agência de desenvolvimento.
Alegam que esvaziaria investimentos na região. (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- MG anuncia nova moratória externa
- O governo de Minas Gerais anunciou ontem que não pagará a segunda e
última parcela, de US$ 108 milhões, da dívida relativa aos eurobônus (títulos
lançados na Europa) emitidos pelo estado em 94.
Segundo Alexandre Dupeyrat, assessor especial do governador Itamar
Franco, o estado não tem dinheiro para honrar o compromisso, que vence no próximo dia 10
de fevereiro. "Fica difícil deixar de pagar aos funcionários e fechar escolas para
pagar os títulos", afirmou.
O ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) disse que a União fará o
pagamento caso o estado confirme sua decisão. (...) (pág. 1, 1-4 e 1-5)
- O Governo vai permitir maior participação do capital estrangeiro no
processo de privatização das estradas federais. Atualmente, empresas do exterior só
podem entrar como sócias de grupos nacionais.
Segundo modelo apresentado pelo ministro Eliseu Padilha (Transportes),
ganhará a licitação o consórcio que pagar mais pela concessão - hoje, os vencedores
são os que oferecem o menor pedágio. (pág. 1 e 3-2)
- O Ministério Público Federal pediu à Justiça a quebra de sigilo
bancário e telefônico de 13 empresas de jogos eletrônicos e de 50 pessoas, entre elas
oito auxiliares do ministro Rafael Greca (Esporte e Turismo).
Eles são acusados de integrar esquema para permitir à máfia italiana
operar máquinas caça-níqueis no País. Os assessores de Greca disseram que vão
processar os acusadores. O ministro não comentou. (pág. 1 e 1-12)
- O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e o prefeito Celso
Pitta (PTN) trocaram acusações sobre a responsabilidade pelos nove ônibus incendiados
em protestos de perueiros. "Sem o apoio da Secretaria da Segurança Pública, teremos
um conflito permanente", cobrou Pitta. "Essa é uma bela maneira dele tirar o
corpo fora", retrucou Covas. Para ele, a guarda da prefeitura deveria zelar pelos
ônibus. (pág. 1 e 3-5)
- O Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, fixou em R$
51,050 milhões a multa aplicada à Petrobras pelo vazamento de óleo na Baía de
Guanabara. Segundo o ministério, o valor será usado para a recuperação do local.
Relatório técnico divulgado ontem pela Petrobras aponta que uma falha
humana na detecção do vazamento dobrou a dimensão do acidente. (pág. 1 e 3-1)
- Os estados do Rio de Janeiro e do Pará foram os maiores beneficiados
com a abertura do mercado de telefonia no País. Nos dois, as tarifas de interurbanos
caíram até 47% em certos horários e distâncias.
Em seguida, vêm os estados do Rio Grande do Sul e do Rio Grande do
Norte (46%). Em São Paulo, como na maioria dos demais estados do País, a redução chega
a 42%. (pág. 1 e 3-6)
EDITORIAL
"As farpas ressurgem" - Há mais que uma divergência sobre
controle de preços de medicamentos entre os ministros da Fazenda e da Saúde. Repete-se
cena outras vezes vista no Governo Fernando Henrique Cardoso. Seus assessores mais
graduados sentem-se livres para se chocar em público, enquanto o Presidente parece um
observador distanciado. (...) (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - Mudança de regras. FHC quer despachar pelo menos uma vez
por mês com cada um de seus ministros. Pedro Parente (Casa Civil) participa das
reuniões. O Presidente inaugurou o novo modelo ontem com Alcides Tápias
(Desenvolvimento). (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Câmara aprova lei que controla gastos públicos
- O Governo venceu a disputa com os prefeitos ao aprovar ontem, na
Câmara, o projeto da Lei de Responsabilidade Fiscal, que terá vigência imediata, após
a aprovação no Senado. Serão proibidos os gastos de última hora das atuais
administrações municipais, o que contraria os interesses dos prefeitos que vão tentar a
reeleição este ano. Houve 385 votos a favor, 86 contrários e 4 abstenções, apesar da
ameaça de dissidência de setores da bancada governista.
Um acordo entre os partidos aliados, fechado entre líderes durante a
tarde, garantiu a votação do texto básico da lei, em sessão que terminou às 21h10. No
meio da tarde, o presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou dos aliados a votação do
projeto: "É preciso que se impeçam gestões demagógicas e se evite o aumento de
despesas em ano eleitoral".
A mobilização dos parlamentares foi comandada ainda pelos próprios
líderes e contou com o empenho pessoal dos ministros, que telefonaram e enviaram fax aos
deputados, pedindo que votassem a favor. "Garantir a reeleição é menos importante
que manter a irresponsabilidade fiscal por mais um ano", afirmou o vice-líder do
PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA). (pág. 1 e A4)
- O desempenho do presidente Fernando Henrique melhorou, segundo
pesquisa Vox Populi. FHC conta hoje com a opinião positiva (ótimo e bom) de 16% da
população - em dezembro, o índice era de 12%. A avaliação negativa (ruim e péssimo)
caiu de 59% para 43%. (pág. 1 e A8)
- O Ministério Público pediu a quebra do sigilo bancário de oito
assessores do ministro Rafael Greca suspeitos de cumplicidade com a chamada máfia dos
bingos. (pág. 1 e A6)
- O vice-presidente dos EUA, Al Gore, superou o primeiro grande teste
da campanha para a conquista da presidência em novembro. Na segunda-feira, 64% dos
eleitores do estado de Iowa, registrados no Partido Democrata, apoiaram sua candidatura.
Bill Bradley obteve 36% dos votos. Dos republicanos, Bush teve 41% e Forbes (30%) foi a
surpresa. (pág. 1 e A18)
- O Ministério do Meio Ambiente decidiu multar a Petrobras em R$ 51,05
milhões pelo vazamento de óleo na Baía de Guanabara. Trata-se do maior valor já
aplicado no País em casos de crime ambiental.
O presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul, disse que a empresa
não recorrerá à Justiça contra a decisão: "A Petrobras fez o estrago e vai
pagar". Segundo o ministério, a companhia terá de bancar, ainda, os gastos com a
recuperação do ecossistema. (pág. 1 e A13)
- A troca de críticas entre o governador Mário Covas e o prefeito
Celso Pitta marcou as comemorações do aniversário da cidade. O bate-boca foi motivado
por um confronto entre servidores e perueiros ocorrido no Pátio do Colégio, pouco antes
da missa celebrada pelos 446 anos de São Paulo. "Pedi a Deus uma cidade mais
tranqüila e com segurança", disse Pitta à saída da cerimônia, afirmando que o
controle de situações desse tipo cabe à polícia, administrada pelo estado. "Ele
tem a polícia municipal e o que ela faz?", reagiu Covas, com irritação. "Não
toma conta das escolas, das creches, nem dos perueiros". (pág. 1, C1 e C2)
EDITORIAL
"São Paulo pode entrar na guerra" - O objetivo do governador
Mário Covas não é punir o consumidor paulista, mas neutralizar os incentivos ilegais
concedidos no estado onde o produto é fabricado - incentivos que muitas vezes provocaram
a migração da indústria de SP para outros estados. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - Aliás, a briga Tasso x Bezerra deve render
novos lances. Na sexta-feira, todos os governadores do Nordeste estarão reunidos em
Salvador. Tasso deverá receber apoio de seus colegas, até de Jarbas Vasconcelos
(PMDB-PE), para manter fortalecido o Banco do Nordeste. Os governadores também tentam
estabelecer um pacto federativo para amenizar a guerra fiscal.
* A bancada do PMDB na Câmara está insatisfeita com a posição do
ministro Fernando Bezerra. Os parlamentares peemedebistas estão querendo mais carinho de
Bezerra, a exemplo do que costuma fazer o ministro Eliseu Padilha (Transportes). (pág.
A6)
O GLOBO
- Petrobras vai pagar multa recorde de R$ 51 milhões
- A maior multa ambiental já cobrada no Brasil foi aplicada ontem à
Petrobras: R$ 51 milhões, por causa do vazamento de óleo que poluiu a Baía de
Guanabara. Todo o dinheiro será destinado ao Ibama, que vai coordenar os trabalhos de
recuperação ambiental no local. A Petrobras também será multada semana que vem por
destruir floresta nativa e manguezais. Neste caso, o valor será de R$ 1.500 por hectare
destruído. (...) (pág. 1, 14 e Ricardo Boechat, pág. 12)
- Os consumidores precisam de muita paciência e determinação para
conseguir decifrar as tabelas de preços das telefônicas e chegar à conclusão de qual
é mais vantajosa. A pedido do Globo, a RC Consultores cruzou as tarifas cobradas ao longo
do dia pelas quatro empresas que operam no Rio e encontrou diferenças de preço que
chegam a até 2.951%, em ligações entre municípios próximos à capital. (pág. 1 e 23)
- O Governo não cedeu à pressão de prefeitos, convenceu sua base,
teve apoio na oposição e aprovou na Câmara a Lei de Responsabilidade Fiscal, que
controla gastos irresponsáveis de estados e municípios e entrará em vigor neste ano
eleitoral. O texto foi aprovado como o Planalto queria. O PT votou contra e o PDT, a
favor. FH disse que a lei é de "responsabilidade moral". (pág. 1, 3 e 4)
- O PT apresentou ontem um destaque para votação em separado da parte
da Reforma do Judiciário que institui a Lei da Mordaça para promotores e procuradores. O
partido quer impedir a aprovação do dispositivo que proíbe que eles revelem
informações sobre processos, mas a proibição para juízes permanece no texto da lei.
(pág. 2 e 8)
- Além de Zeca do PT, governador do Mato Grosso do Sul, que passou uma
semana de férias na casa de um empreiteiro em Natal, dois de seus principais
colaboradores admitiram que, em outubro, ficaram uma semana na Alemanha com as despesas
pagas por empresas do setor frigorífico, um dos mais atacados pelo PT durante a campanha
eleitoral no estado. (pág. 10)
- O ministro José Serra recomendou ontem que todos se vacinem contra a
febre amarela, apesar de ressaltar que o risco de haver uma epidemia no País é mínimo.
"É melhor prevenir do que remediar", acrescentou. Com mais cinco casos, subiu
para 30 o número de pessoas internadas com leptospirose por causa das cheias do Rio
Paraíba do Sul. (pág. 1 e 15)
- Depois de dez anos, o Pólo Gás Químico do Rio, em Duque de Caxias,
sai do papel: ontem, em Brasília, com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso
e do governador Anthony Garotinho, foram assinados os contratos para o início das obras.
O projeto terá investimentos de US$ 896 milhões, gerará dez mil empregos e deve atrair
mil indústrias. (pág. 26)
- O Ministério da Saúde admitiu ontem que a lista que enviou à CPI
dos Medicamentos estava errada e enviou uma nova relação de preços com reajuste de até
347% durante o Plano Real. A diferença de reajustes nas tabelas apresentadas na CPI
acabou provocando troca de acusações entre a Saúde e a Fazenda. (pág. 27)
- O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) vai propor hoje aos líderes do
Senado que a população seja consultada sobre o projeto de proibição da venda de armas
de fogo no País. O referendo popular aproveitaria a estrutura a ser montada para as
eleições municipais. A proposta é uma tentativa de superação do impasse a que o
projeto chegou no Senado, depois que as duas comissões que analisam o tema produziram
relatórios divergentes. (pág. 12)
- (Belo Horizonte) - O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga,
acusou o governador Itamar Franco de agir motivado por razões políticas e, com isso,
prejudicar o estado. A declaração do ministro, feita ontem em Belo Horizonte, foi em
resposta à decisão do governador de não pagar a dívida de US$ 100 milhões, que vence
dia 8 de fevereiro, referente à segunda parcela dos Eurobônus, títulos lançados no
mercado europeu em 1994. (...) (pág. 5)
- O Governo ignorou a pressão dos prefeitos, contornou a resistência
de sua base e aprovou, sem concessões, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que vai entrar
em vigor já este ano. Por 385 votos contra 86 e quatro abstenções, a Câmara aprovou a
proposta.
A oposição votou dividida: o PT ficou contra o projeto, mas o PDT o
apoiou. Na base, a maior resistência partiu do sempre fiel PFL, sensibilizado com os
apelos de seus prefeitos, entre eles o do Rio, Luiz Paulo Conde; o de Recife, Roberto
Magalhães; o de Salvador, Antônio Imbassahy; e o de Curitiba, Cássio Tanighchi. (...)
(pág. 4)
- Para a Justiça, o ex-deputado Sérgio Naya deve continuar em
liberdade. Por dois votos a um, os desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de
Justiça do Rio rejeitaram ontem o recurso do Ministério Público estadual. O que se
pedia era a revogação da liminar que concedera liberdade ao empresário e ex-deputado
Sérgio Naya.
Além do desembargador Alberto Craveiro, que já dera parecer
favorável em favor de Naya, votou contra o recurso do MP o desembargador Manuel Babelo
dos Santos. O voto favorável ao recurso foi o do desembargador Sérgio de Souza Verani.
(...) (pág. 1)
EDITORIAL
"Atrás do prejuízo" - (...) O governo estadual anuncia a
criação de um grupo gestor da baía, com a missão de combater crimes ambientais, com a
primeira incumbência de mapear rios, esgotos e aterros sanitários que contribuem para
poluir água. E promete leis ambientais que encurtem as rédeas das empresas que sujam a
baía.
Como a poluição da região é notória e histórica, pode-se aplaudir
a ação correta - mas registrar que não deveria ter sido necessária uma assustadora
maré negra para provocá-la. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Quando decidiu ontem votar
contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, o PT e parte da oposição dispuseram-se a ouvir
que não têm compromissos com o equilíbrio das contas públicas. É compreensível que
os governistas reclamem da oposição quando deviam se queixar dos aliados infiéis.
Desonesto será não apontar a causa real da divergência incontornável, como disse
Delfim Netto. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - A UNE protestará hoje na porta do Ministério da
Fazenda contra a verba de R$ 155 milhões para as universidades, este ano.
Cadeiras escolares serão postas no local, onde haverá simulação de
uma aula.
"Queremos mostrar ao ministro Pedro Malan que o melhor banco para
investimento é o das escolas" diz Wadson Ribeiro, presidente da UNE.
* O Fundo de Combate à Erradicação da Pobreza, se implantado, terá
receita mínima anual de R$ 4 bilhões ano.
O senador Lúcio Alcântara decidiu pôr no relatório que lerá hoje
proposta para taxar as grandes fortunas no País. (pág. 12)
GAZETA MERCANTIL
- Mercado interno cria líderes no clube do bilhão
- (São Paulo e Belo Horizonte) - A América Latina sedia 85
conglomerados privados, de capital nacional, que faturam mais de US$ 1 bilhão por ano,
dos quais 46% estão no Brasil, 29% no México, 16% na Argentina, 8% no Chile e 1% na
Colômbia. Em comum, esses grupos têm como característica uma forte presença no mercado
interno e, na maioria, são dependentes de recursos naturais, conforme uma pesquisa
inédita da Ernst & Young.
O Bradesco, primeiro do ranking, é caso típico daqueles conglomerados
que crescem nos limites do mapa do País. (...) (pág. C-1)
- (Brasília) - Foi sob pressão, mas o Governo terminou o dia com uma
importante vitória política. Conseguiu aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal na
Câmara por 385 votos a favor e 86 contra. O projeto permitirá o equilíbrio das contas
públicas nas três esferas de poder.
Num dia de intensas negociações, o Planalto abriu os cofres para
garantir a aprovação. Liberou R$ 800 milhões para revitalizar as cooperativas
agrícolas, uma reivindicação da bancada ruralista no Congresso. (pág. 1 e A-9)
- (São Paulo) - A captação líquida dos fundos de investimento em
derivativos disparou neste início de ano. Dados da Associação Nacional dos Bancos de
Investimento (Anbid) demonstram que o ingresso de recursos superou os saques em R$ 977
milhões até o último dia 20. Os números confirmam a expectativa de que o investidor
estaria disposto a correr mais risco neste ano para ter melhor rentabilidade.
Em 1999, no mês em que foi registrado o maior ingresso de recursos
(janeiro, também), o saldo foi de R$ 326 milhões. (...) (pág. 1 e B-1)
- (Rio) - A Electricité de France (EDF) e a AES, controladoras da
Light e da Eletropaulo, se inscreveram nas bolsas do Rio e de São Paulo para participar
hoje dos leilões de venda de ações dessas empresas que estão na carteira da BNDESPar.
A operação deve render, no mínimo, R$ 2,5 bilhões. Analistas apostam num ágio por
volta de 10%. As ações da Light subiram a R$ 245 ontem, ante um preço mínimo de R$ 204
no leilão. (pág. 1 e B1)
- (Rio) - Os bancos Rothschild e Merril Lyoch, escolhidos para
coordenar a colocação das ações ordinárias excedentes do controle da Petrobras no
mercado, foram convocados pelo BNDES para retomar a operação, paralisada em 1999.
O Governo pretende fazer a oferta global desses papéis no segundo
trimestre deste ano. "Esta será a maior oferta global da história dos países
emergentes", avaliou o diretor do Rothschild, Osiris Ribeiro. (...) (pág. 1 e B-1)
CORREIO BRAZILIENSE
- Governo aprova lei contra a gastança
- Prefeitos e governadores que não limitarem gastos públicos poderão
ser punidos. (pág. 1 e 12)
- Levantamento do Instituto Vox Populi divulgado ontem voltou a mostrar
a fragilidade eleitoral dos principais políticos do PSDB, confirmando tendência
verificada em pesquisas anteriores. O governador de São Paulo, Mário Covas, tem apenas
5% da intenções de voto numa lista de possíveis candidatos à Presidência da
República. A preferência pelo ministro da Saúde, José Serra, não chega a 3%. Já a
governadora do Maranhão, Roseana Sarney, do PFL, ganhou em menos de um mês mais dois
pontos. Tem agora 8% das preferências. (pág. 1 e 6)
- A Petrobras poderá ser obrigada a desembolsar mais de R$ 50 milhões
pelo desastre ecológico que causou na Baía de Guanabara, no Rio. A empresa corre o risco
de pagar novas multas com base em mais quatro artigos da Lei de Crimes Ambientais. A
prefeitura de Magé também anunciou que pedirá indenização pelos danos ambientais e
econômicos que o vazamento de óleo causou ao município. (pág. 1 e 11)
- Jamil Mahuad quis dar um autogolpe de Estado com a ajuda militar,
segundo o general Carlos Mendoza, que foi seu ministro da Defesa. Mendoza disse que o
ex-presidente equatoriano pediu ajuda de generais para assumir os três poderes. A idéia
de Mahuad, deposto na sexta-feira por golpe de Estado, seria seguir o exemplo dado por
Alberto Fujimori em abril de 1992 no vizinho Peru. (pág. 1 e 4)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Sete remédios genéricos chegam às farmácias até 1º de fevereiro
- O ministro da Saúde, José Serra, anunciou ontem em Hortolândia,
São Paulo, que até o fim do mês chegam às farmácias os primeiros medicamentos
classificados como "genéricos" e que contêm o mesmo princípio ativo dos
remédios com marca de fantasia, muito mais caros e em cujo preço estão embutidos mais
de 50% em propaganda, pagos pelos doentes.
O deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), presidente da CPI dos
Medicamentos, disse ontem ao Jornal de Brasília que "até julho deve estar à venda
pelo menos 100 genéricos". Segundo Marchezan, um dos objetivos da CPI é viabilizar
e apressar a entrada em vigor da Lei dos Genéricos.
Outro anúncio feito pelo ministro Serra: as farmácias vão exigir
receita médica para venda de antibióticos. "O consumidor precisa saber que não
faremos isso para chateá-los, mas para protegê-los. (pág. 1)
- O Ministério da Fazenda não deixou sem resposta a nova investida do
ministro José Serra, que ontem voltou a cobrar "mais rigor" no controle dos
reajustes de preços praticados pelos laboratórios farmacêuticos. O secretário de
Acompanhamento Econômico do ministério, Cláudio Considera, disse ao Jornal de Brasília
que Serra deveria ler o artigo 170 da Constituição, que assegura "o livre
exercício de qualquer atividade econômica". Considera afirmou, também, que graças
a um acordo promovido pela SAE, foi possível evitar aumento ainda maior no preço dos
medicamentos. (pág. 1)
ZERO HORA
- O Rio Grande do Sul é o estado que mais cassa carteiras de
motoristas no País. Em dois anos de funcionamento do Código de Trânsito Brasileiro
(CTB), 2.315 gaúchos já perderam suas habilitações por terem ultrapassado o limite de
19 pontos em seus prontuários. Outros 9.563 atingiram esta marca e podem ter em breve o
direito de dirigir suspenso. (pág. 4 e 5)
- Empresários gaúchos consideram difícil a aplicação do decreto do
governo estadual que permite taxar, ao ingressarem no estado, as mercadorias que recebem
incentivos fiscais onde são produzidas. Além de ver dificuldades para identificar o
benefício concedido irregularmente, a Federação das Indústrias do Estado (Fierges)
contesta o decreto por considerá-lo inconstitucional. (pág. 18)
- Em seu oitavo ano de funcionamento no estado e já tendo atingido
padrão de referência nacional, o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP)
está lançando a 5ª edição do Prêmio Qualidade RS. A premiação será no dia 1º de
junho e, pela primeira vez, terá a participação de empresas de outros estados. (pág.
22)
- O aumento de 33,4% no preço das tarifas do pedágio de sete pólos
rodoviários foi suspenso ontem depois que o juiz plantonista Túlio de Oliveira Martins,
da 7ª Vara da Fazenda Pública, concedeu liminar ao governo do estado. Os preços voltam
aos valores praticados no último dia 24 de janeiro. As concessionárias iriam retificar
os preços até a 0h de hoje. (pág. 36)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Câmara impõe limite a gastos de prefeitos
ESTADO DE MINAS
- Brasileiro está mais otimista
JORNAL DO COMMERCIO (PE)
- Briga pelo duodécimo mais longe de acordo
CORREIO DO POVO (RS)
- Justiça suspende aumento do pedágio
ZERO HORA (RS)
- Mais de 9 mil gaúchos ameaçados de perder carteira de motorista
O DIA (RJ)
União contrata 2.715 no Rio
A Sinopse eletrônica da Radiobrás está na Internet
http://www.radiobras.gov.br
TELEJORNAIS
GLOBO - JORNAL NACIONAL - 20H15
O governo não se entende sobre os índices de aumento nos preços dos
remédios. O Ministério da Saúde tem uma pesquisa, o Ministério da Fazenda tem outra.
Mas ambos comprovam que os remédios ainda acumulam aumentos muito acima da inflação. Na
CPI dos medicamentos, o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Éder Borba,
disse que o governo não tem controle sobre os aumentos abusivos de preços e levantou a
possibilidade de estar o governo em conluio com os grandes grupos econômicos que
representam a indústria farmacêutica. Ele também criticou o assédio da indústria
farmacêutica sobre os médicos, para que eles prescrevam remédios dos grandes
laboratórios e não os genéricos, mais baratos.
Um grupo de funcionários públicos comprou casas por um plano de
habitação da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Serviços Públicos de São Paulo. A
Caixa não existe mais. Foi incorporada pelo antigo INPS, agora, INSS. No troca-troca de
responsabilidade, os donos das casas ganharam um problema que até hoje, 50 anos depois da
compra, não foi solucionado. Segundo o INSS, os imóveis e tudo o que foi construído ali
ao longo dos anos nunca deveria ter existido. No projeto original a área era destinada a
uma praça. Mas impostos, taxas e cobranças nunca faltaram. O ministro da Previdência,
Waldec Ornellas, disse que está formando um grupo para estudar o problema e que nenhum
morador ficará sem a escritura do imóvel.
A maior fraudadora conhecida da Previdência Social sai da cadeia para
prestar depoimento de novo à Justiça. Jorgina de Freitas foi levada para a 1ª Vara
Criminal Federal do Rio para responder a novas acusações de fraude, mas não respondeu.
Os advogados orientaram a fraudadora a não dizer nada. E vão recorrer ao Tribunal
Regional Federal para que ela não seja processada por fraudes descobertas depois do
acordo de extradição, firmado com a Costa Rica oito anos atrás.
Seiscentos agricultores ligados ao movimento dos sem-terra ocuparam a
sede do Incra, em Recife, para pedir novas vistorias nas áreas ocupadas e a liberação
de projetos de infra-estrutura e assistência técnica nos assentamentos. As portas do
Incra ficaram fechadas e os funcionários abandonaram a sede. O superintendente do Incra
em Pernambuco, Roosevelt Gonçalves, informou que o Incra deverá realizar ainda este ano
vistorias em cem áreas destinadas a reforma agrária no Estado.
A reforma agrária é importante se feita em áreas improdutivas que
podem ser bem cultivadas. É o caso de uma usina abandonada em Conceição de Macabu, no
Norte do Estado do Rio. Cento e quarenta famílias foram beneficiadas com a terra de onde
tiram o sustento.
O Ministério do Meio Ambiente multa a Petrobrás em R$ 51 milhões e
50 mil pelo desastre ecológico na baía de Guanabara. Um milhão de 292 mil litros de
óleo vazaram da refinaria Duque de Caxias. A Petrobrás tem cinco dias para pagar a
multa. O dinheiro vai ser entregue ao Ibama e cedido ao governo do Estado do Rio, para ser
usado na recuperação das áreas atingidas. A Petrobrás informou que não vai recorrer.
O Ministério pretende aplicar outra multa na empresa pela contaminação dos manguezais.
O valor ainda não foi decidido.
Oitocentos brasileiros que precisam de um transplante de medula
enfrentam mais de um desafio. Além de conseguir um doador compatível, esperam por uma
vaga nos hospitais que fazem o transplante pelo SUS. Mas para alguns pacientes a espera
pode ser fatal. O secretário nacional de Assistência à Saúde, Renilson Reine, disse
ser inadmissível que um hospital não faça o transplante alegando falta de leitos.
Segundo ele, é possível transferir um paciente sem gravidade para outro hospital e
liberar um leito para a cirurgia. Os transplantes são pagos pelo Ministério da Saúde,
sem onerar Estados e municípios.
Confirmado surto de cólera no presídio Aníbal Bruno, em Recife.
Vinte e seis presos foram internados com sintomas da doença. Um morreu. O resultado dos
primeiros exames comprova que dos oito casos analisados, sete são de cólera. Técnicos
da Vigilância Sanitária encontraram focos da doença no esgoto do presídio e na água
do reservatório de uma sela. Ano passado foram registrados 4.683 casos de cólera no
Brasil.
RECORD - JORNAL DA RECORD - 19H20
Os inquéritos instaurados para apurar o desastre ecológico na baía
de Guanabara vão ser acompanhados de perto pelo Ministério Público estadual e federal.
Os promotores podem pedir a prisão de dirigentes da Petrobrás e a interdição da
refinaria Duque de Caxias. Nesta quarta-feira chegam ao Brasil representantes do BID -
Banco Interamericano de Desenvolvimento, que financia o programa de despoluição da baía
e que vai ajudar a calcular o prejuízo ambiental. A Petrobrás divulgou o resultado da
sindicância interna, que concluiu que houve fadiga de material. Em um mês a empresa vai
ter o resultado da investigação de responsabilidade, para saber se houve erro no projeto
ou na montagem do duto.
O governo decide multar a Petrobrás pelo derramamento de óleo na
baía de Guanabara. O anúncio foi feito pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney
Filho, que reuniu-se com o presidente Fernando Henrique. A Petrobrás anunciou que vai
pagar todas as multas sem contestar e gastar o que for necessário para recuperar a baía.
Apesar disso, o governador do Rio, Anthony Garotinho, quer mudança na medida provisória
que permite o não pagamento das multas ambientais. Em solenidade no Palácio do Planalto,
o presidente Fernando Henrique demonstrou apoio ao presidente da Petrobrás, Henri
Phiplippe Reichstul.
Uma rádio comunitária em Belo Horizonte deixa de ser pirata e ganha
status de rádio educativa. A Rádio Favela FM foi criada há 19 anos, época em que o
tráfico de drogas se espandia nos morros da capital. A idéia era combater o uso e a
venda de drogas e levar informação através de pessoas que vivem e conhecem bem a
realidade dali. Nessa terça-feira a rádio recebeu a concessão do Ministério das
Comunicações, e passa de comunitária a educativa. A rádio será também tema de filme.
O senador Antônio Carlos Magalhães deixa o Hospital Albert Einstein
mas deve permanecer em São Paulo para se tratar. A alta atendeu a pedido do senador, que
hospedou-se em seguida no Hotel Maksoud Plaza. Enquanto esteve hospitalizado, ACM precisou
tomar tranqüilizantes para poder dormir. O senador está acompanhado de uma enfermeira e
faz fisioterapia respiratória para eliminar uma congestão provocada por virose. Ele
permanecerá em repouso por mais 10 dias.
O presidente Fernando Henrique defende a aprovação da lei de
responsabilidade fiscal sem alterações e nega que a lei tenha sido feita apenas para
atender acordo com o FMI. O projeto enfrenta oposição acirrada dos prefeitos. Eles
tentaram convencer os deputados a pelo menos estabelecer um prazo de transição de dois
anos, para se adaptarem à lei. Na reunião de líderes o governo conquistou o apoio do
PDT para a proposta. Apoio que não é unanimidade na oposição.
A oposição poder ir ao Supremo Tribunal Federal para questionar a Lei
Mordaça. A idéia de proibir que juizes, procuradores, delegados e policiais revelem à
imprensa informações sobre processos em andamento divide opiniões no Senado e na
Câmara. A briga maior vai acontecer no plenário da Câmara. A emenda da reforma do
Judiciário muda a Constituição. Por isso o Partido dos Trabalhadores quer retirar do
texto a chamada Lei da Mordaça. Já apresentou destaque para votação em separado e
avisou que se não ganhar no voto vai questionar no STF a constitucionalidade da matéria.
Melhora a avaliação do presidente Fernando Henrique Cardoso. Pesquisa
da Confederação Nacional do Transporte mostrou também que os brasileiros estão mais
otimistas com o país. A pesquisa ouviu 2002 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 15
e 18 de janeiro. A amostragem representa a população brasileira de todas as regiões do
país. A rejeição ao presidente caiu. A avaliação negativa do desempenho de Fernando
Henrique ficou em 43% contra 59% em dezembro. O conceito regular subiu para 40%. Antes,
era 26%. E a avaliação positiva subiu para 16% contra 12% na pesquisa anterior.
O dólar comercial encerra o dia cotado a R$ 1,77 com alta de 0,2%. A
valorização do dólar que abriu o mês a R$ 1,82 não se sustentou e o comercial já
caiu este ano 1,3%.
Salette Lemos: "Ano passado, nessa mesma época, o dólar estava
cotado acima de R$ 2,00, apavorando governo, empresários, trabalhadores e consumidores, o
que mostra que muita coisa mudou de lá para cá. E mudou para melhor, a começar pelas
contas do governo: avanço no ajuste fiscal e nas reformas constitucionais e
renegociação do acordo com o FMI, que garantiu ao Banco Central maior liberdade para
usar as reservas cambiais. Isso não quer dizer que o dólar daqui para frente siga com
tendência de queda. O Banco Central tem hoje as rédeas do câmbio nas mãos. E a
trajetória de queda não interessa mais, por causa das exportações. Nossos produtos
ficariam muito caros lá fora, perdendo competitividade no mercado internacional. Por
outro lado, a alta também não interessa, por causa da dívida pública."
NACIONAL - REDE BRASIL - 18H30
Os países do Mercosul e da Comunidade Andina devem voltar a negociar
um acordo de preferências tarifárias nos próximos meses. Para o Itamaraty a
implementação do acordo entre os blocos da região é um dos maiores desafios da
integração na América do Sul. Ano passado, depois de várias tentativas frustradas de
entendimento entre o Mercosul e a CAN, o Brasil abandonou os sócios e decidiu negociar
sozinho, o que resultou em acordo. Agora, a Argentina segue o exemplo, abrindo espaço
para futuro acordo entre os dois blocos.
Melhora a avaliação do governo Fernando Henrique. Pesquisa realizada
pela Confederação Nacional dos Transportes e pelo Instituto Vox Populi revela que subiu
de 12% para 16% o índice de aprovação do presidente. Quarenta por cento dos
entrevistados fizeram uma avaliação regular do governo. Caiu de 59% para 43% o índice
de reprovação. Na mesma pesquisa, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da
Silva, aparece como favorito para as próximas eleições presidenciais. Ciro Gomes vem em
segundo, Itamar Franco em terceiro e Roseana Sarney em quarto lugar.
O governador Mário Covas, um dos caciques do PSDB, diz que o partido
vai lançar candidato próprio à sucessão do presidente Fernando Henrique mas nega ser
candidato. Covas disse que o ministro da Saúde, José Serra, seria um excelente nome, mas
ressaltou que deve-se evitar a discussão eleitoral agora. Para o governador de São
Paulo, é hora de trabalhar.
O presidente Fernando Henrique apela ao Congresso que aprove a lei de
responsabilidade fiscal. O presidente lembrou aos congressistas que a aprovação da lei
proporcionará ao país uma vida com menos dívidas, menos juros e menos obras
suntuárias, que muitas vezes se iniciam sem previsão de recursos. Finalmente, o país se
livrará de gestões demagógicas, que aceitam qualquer demanda porque quem vai pagar é
sempre o próximo governante. Na reunião de líderes não houve acordo, apenas um
consenso. A proposta de transição apresentada pelos prefeitos não foi aceita nem pela
oposição e nem pelos governistas. Se for aprovada, a lei entrará em vigor logo após a
sanção.
O presidente da comissão especial que discute a reforma tributária,
Germano Rigoto, anuncia acordo com o governo para a criação de uma contribuição social
que substituirá a COFINS, o PIS e a CPMF. Segundo o deputado, o novo imposto não deve
taxar mais de uma vez o mesmo produto, evitando o chamado efeito cascata. Falta elaborar o
texto final para a proposta.
O ex-deputado Sérgio Naya continua em liberdade. A decisão é da 5ª
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O tribunal considerou que Naya
possui residência fixa e se entregou espontaneamente à Justiça. O empresário não pode
deixar o país e deve comparecer a todos os atos processuais. Sérgio Naya é o
responsável pela construção do edifício Palace II que desabou em 1998 matando oito
pessoas.
O Congresso começa a pressão para que o governo aumente o salário
mínimo, que vale hoje US$ 70,00. O mínimo que chegou a valer US$ 100 no governo Fernando
Henrique, é hoje o salário mais baixo entre os vizinhos do Mercosul. As propostas
começam a surgir e a discussão promete esquentar a partir do dia 15 de fevereiro. O
deputado Paulo Paim (PT/RS) tirou da gaveta a proposta de elevar o mínimo para R$ 180,00.
O sindicalista Luiz Antônio Medeiros apresentou ao PFL e à presidência da Câmara a
sugestão de reajuste e abono em maio.
A Rádio Favela FM, que funciona na Vila Nossa Senhora de Fátima,
região carente de Belo Horizonte, recebe do Ministério das Comunicações a concessão
de Rádio Educativa. O ministro Pimenta da Veiga subiu o morro para participar da
solenidade, e falou sobre a situação de outras rádios que aguardam pela outorga do
governo federal. Há 20 anos no ar, tirando crianças das ruas e da criminalidade, a
Rádio Favela vai virar também tema de filme.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política
Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e
tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está
disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em
inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |