
29/01/2000
JORNAL DO BRASIL
- Médico não poderá ganhar brindes
- Um projeto que ficará em consulta
pública até março e depois será transformado em norma pelo Ministério da Saúde
proíbe os médicos de receberem brindes da indústria farmacêutica e suspende a
distribuição de amostras grátis de remédios. A proposta é da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária e estabelece multas de até R$ 200 mil para empresas que
desrespeitarem a norma.
Na quarta-feira, em depoimento à CPI dos
Medicamentos, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Edson Oliveira Andrade,
denunciou a interferência da indústria farmacêutica na "prática profissional dos
médicos". Segundo ele, os laboratórios aliciam médicos com presentes que vão de
canetas a automóveis.
A Agência Nacional de Vigilância
Sanitária quer regulamentar ainda as visitas dos propagandistas de laboratórios aos
consultórios e hospitais, e o patrocínio de congressos e reuniões pela indústria do
setor.
Também serão proibidos concursos e
prêmios destinados a estimular a venda de medicamentos que não necessitem de
prescrição médica. (pág. 1 e 11)
- O presidente Fernando Henrique disse
ontem que todos os governadores terão de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal,
aprovada pela Câmara. A intenção de não cumpri-la, manifestada pelo prefeito Raul Pont
(PT), de Porto Alegre, "é altamente irresponsável", segundo o Presidente. O
Congresso só teve a presença ontem de 71 deputados e 10 senadores. (pág. 1 e 3)
- A utilização de recursos do antigo
Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) na compra de um Omega para uso do ministro da
Integração Regional, Fernando Bezerra, foi atacada ontem pela oposição. "Essa é
mais uma das pequenas imoralidades do Governo", afirmou o deputado Geraldo Magela
(PT-DF). Miro Teixeira (PDT-RJ) disse que carro oficial não é prioridade. (pág. 1 e 3)
- Irritado com o desconto de 30% dado à
Petrobras, o presidente Fernando Henrique Cardoso mandou ontem a empresa pagar
integralmente a multa de R$ 51 milhões pelos danos causados à Baía de Guanabara no
vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo, dia 18.
A Petrobras terá de depositar em cinco
dias os R$ 15,3 milhões da diferença.
Ontem, por conta disso, o ministro do Meio
Ambiente, Sarney Filho, demitiu o chefe do Departamento de Fiscalização do Ibama,
Rodolfo Lobo da Costa, que lavrou o auto de infração sem avisá-lo do desconto. Ainda
por determinação de Fernando Henrique, o dinheiro da multa irá para o Ibama e não para
um fundo do governo do Rio de Janeiro. (pág. 1 e 18)
- Depois de aprovar a Desvinculação de
Recursos da União (DRU), nova versão do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e a Lei de
Responsabilidade Fiscal, os deputados deixaram Brasília. Só 71 dos 513 deputados
federais foram ontem à Câmara. No Senado, a situação não foi diferente: menos de 10
dos 81 senadores passaram pelo plenário.
Tanto na Câmara como no Senado, não há
sessão deliberativa (votação) nem registro de presença às sextas-feiras. Cada um dos
513 deputados e 81 senadores está ganhando para trabalhar no período da convocação
extraordinária, que vai até 14 de fevereiro, R$ 16 mil de ajuda de custo, além do
salário mensal de R$ 8 mil. (...) (pág. 2)
- O governo belga pediu a realização de
reunião de emergência da União Européia para discutir a possibilidade de o partido do
político de extrema direita Jörg Haider integrar o novo governo austríaco. O
primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, justificou o apelo com a necessidade de
"defender os valores democráticos" da Europa.
O sinal de alarme coincidiu com o fim de
uma conferência sobre Holocausto, em Estocolmo, onde 20 chefes de Estado repudiaram a
xenofobia. (pág. 1 e 6)
- A polícia está investigando a
participação de policiais e bombeiros na preparação da fuga de nove presos do Complexo
Penitenciário da Frei Caneca. Cada preso, todos ex-policiais e ex-bombeiros, teria pago
R$ 300 mil pela liberdade. Segundo o delegado Oswaldo Cupello, da 6ª DP (Cidade Nova), os
nós dados na corda utilizada na fuga são típicos dos bombeiros.
Ontem, o secretário de Segurança, Josias
Quintal, mandou afastar um delegado e dois policiais civis envolvidos na falha de
comunicação (a fuga foi anunciada por denúncia anônima com 6 horas de antecedência).
Cinco agentes penitenciários também foram afastados. (...) (pág. 1 e 17)
- Os governadores do Ceará, Tasso
Jereissati, e da Bahia, César Borges, comemoraram os resultados do jantar de anteontem
com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o secretário-geral da Presidência, Aloysio
Nunes Ferreira, e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, no Palácio da
Alvorada. "Nada vai mudar no Banco do Nordeste", informou César Borges. (...)
(pág. 4)
- Para contornar a impossibilidade de
emprestar para estados e municípios, que estão sem capacidade de endividamento, a Caixa
Econômica Federal encontrou uma forma de viabilizar os programas de financiamentos da
casa própria para famílias que ganham até três salários mínimos: é o financiamento
direto ao trabalhador, que vai ser acompanhado por um programa de parcerias com as
prefeituras. Os recursos são do Fundo de Garantia (FGTS). (pág. 5)
- O ministro da Justiça, José Carlos
Dias, vai conversar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, com o ministro da Defesa,
Geraldo Quintão, e com os três comandantes militares apelando para que os arquivos
secretos do período da ditadura sejam abertos.
A idéia é atender ao pedido dos parentes
dos desaparecidos e mortos durante o regime militar que afirmam não dispor de documentos
essenciais para dar continuidade às investigações e dar entrada nos pedidos de
indenização. (...) (pág. 5)
- Dentro de seis meses, a Bolsa de Valores
do Rio de Janeiro (BVRJ) estará operando o mercado secundário de títulos públicos. A
previsão é do presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Alfredo Rizkallah,
que acha esse o prazo necessário para que os técnicos da bolsa elaborem o novo sistema
de funcionamento e o Banco Central e a CVM regulem o novo mercado.
Rizkallah informou que o grupo de
elaboração do novo sistema da BVRJ já foi formado e é integrado por técnicos das duas
bolsas. (...) (pág. 12)
- (Davos, Suíça) - Ativistas de grupos
ambientalistas e defensores de direitos humanos deram ontem um recado à elite política e
financeira reunida em Davos, nos Alpes Suíços: o mundo inteiro está acompanhando o
Fórum Econômico Mundial.
Uma coalizão de organizações não
governamentais, que lançou o projeto "O mundo de olho em Davos", disse que é
inaceitável que acordos multibilionários, afetando milhões de vidas, sejam feitos
atrás de portas fechadas, durante o Fórum que reúne cerca de dois mil líderes
políticos, executivos de grandes corporações e outras personalidades mundiais. (...)
(pág. 13)
- Na próxima semana, o Governo deve enviar
ao Congresso Nacional o projeto de lei criando o quadro de pessoal da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel). Essa é a expectativa do presidente da Anatel, Renato
Guerreiro.
O quadro de pessoal da agência, que tem
dois anos de funcionamento, ainda está no papel e é uma das principais preocupações de
Guerreiro, que salienta a importância de contar com bons técnicos trabalhando na
regulação e fiscalização dos serviços de telecomunicações. "Não temos onde
recrutar mais gente, estamos com limite de quadro de pessoal", afirmou ele. (...)
(pág. 16)
- (Porto Alegre) - O Governo federal vai
apoiar as empresas petroquímicas e de outros setores que queiram um lugar de destaque no
mercado internacional, desde que não haja subsídios que prejudiquem a população.
"O Governo apóia e vamos apoiar os
bons empreendimentos no Brasil", garantiu ontem o presidente da República, Fernando
Henrique Cardoso, no discurso de improviso após cerimônia de ampliação da Companhia
Petroquímica do Sul (Copesul). (...) (pág. 16)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: R$ 136,00. Dólar
comercial: R$ 1,7867 (compra), R$ 1,7875 (venda). Dólar paralelo: R$ 1,880 (compra), R$
1,900 (venda). TR do dia 29/12 a 29/01: 0,3034%. TBF do dia 27/01 a 27/02: 1,4754%. (pág.
1)
EDITORIAL
"Duas Cabeças" - O governo de
Minas Gerais anunciou que não pretende honrar a segunda parcela dos eurobônus lançados
em 1992. O assessor especial do governador Itamar Franco, Alexandre Dupeyrat, foi ainda
mais longe e informou que não se está fazendo qualquer provisionamento para quitar a
dívida de US$ 108 milhões. A União provavelmente será chamada a pagar a conta, como
aconteceu no ano passado, para evitar prejuízos maiores à imagem do País no exterior.
"Não há dinheiro. Se tivesse, até pagaria", justificou-se o governador de
Minas. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Que o
PT faça o seu jogo, nada demais. Desde que deixe os outros também jogarem e respeite o
pressuposto básico de qualquer disputa em que existe mais de um concorrente: não há
vencedores eternos nem perdedores permanentes. Mas na briga em que se envolveu com Leonel
Brizola por causa da eleição para a prefeitura do Rio, o PT age como se fosse, por
unção divina, dono da cadeira cativa da vitória. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Luciana Nunes Leal) - Até
agora a declaração do ministro da Defesa, Geraldo Quintão, que mais agradou a seus
comandados foi, naturalmente, a promessa de se empenhar por melhores salários para os
militares.
Para a Presidência da República a
afirmação não causou maiores impactos. Soou como mais um entre vários compromissos -
prioridade para a Amazônia, integração com países vizinhos, implementação da
Agência Nacional de Aviação Civil, em busca de mais recursos.
Quer dizer: tudo importante, mas a se
tratar no tempo certo. (...)
Aumento de salário de servidor é um
assunto amargo no Governo, especialmente para quem tem que cuidar do ajuste fiscal. O
ministro da Defesa, no entanto, já declarou que a reivindicação dos militares é justa
e, se não for só promessa de posse, vai tentar ganhar aliados nesta causa. (...)
* Uma proposta conjunta para acabar com o
analfabetismo nas nove nações em desenvolvimento mais populosas será levada em abril ao
Fórum Mundial de Educação, da Unesco.
O documento será elaborado nos dias 1º e
2 de fevereiro, durante encontro dos ministros da Educação, em Recife, aberto pelo
vice-presidente Marco Maciel.
Presentes: Brasil, México, Egito, Índia,
Paquistão, China, Nigéria, Indonésia e Bangladesh.
São analfabetos 15 milhões de brasileiros
com mais de 15 anos.
* Foi encaminhada ao Ibama denúncia de que
os moradores da reserva biológica de Pirituba, no Amapá, estão sofrendo com altos
níveis de contaminação de mercúrio.
Causada pelo garimpo clandestino na cidade
de Calçoene. (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Economia dos EUA cresce 5,8% e abala
mercados
- O PIB norte-americano cresceu 5,8% no
último trimestre de 99 (taxa anualizada), reforçando os temores de que uma alta da
inflação leve os EUA a elevar os juros acima do previsto (0,25 ponto percentual).
A expansão da soma das riquezas produzidas
nos EUA e a alta de 1% no custo do trabalho no país, a maior em seis meses, derrubaram as
Bolsas - Nova York recuou 2,62% e São Paulo teve queda de 2,03%.
A provável alta dos juros
norte-americanos, que será decidida na próxima semana, afeta o Brasil porque tornaria os
títulos dos EUA mais atraentes para os investidores que hoje aplicam em países
emergentes.
O PIB norte-americano cresce
ininterruptamente há quase nove anos. Estima-se que, em fevereiro, atingirá a maior
expansão da história do país. Em 99, ele subiu 4%, patamar que se repete desde 97.
(pág. 1 e 2-1)
- A Transbrasil, terceira maior companhia
aérea do País, está se preparando para ser vendida ou arrumar um sócio.
A companhia encomendou uma avaliação ao
banco norte-americano Merril Lynch, que deve ficar pronta nos próximos 30 dias. A
auditoria vai definir o preço e o potencial da empresa no mercado. (pág. 1 e 2-5)
- (Davos, Suíça) - O presidente do Banco
Central, Armínio Fraga, disse ontem no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, que o
Brasil não depende da entrada de dinheiro externo este ano. Segundo ele, vencem US$ 3,9
bilhões da dívida brasileira em 2000, mas, praticamente metade desse valor entrou no
País nos primeiros 28 dias do ano.
Com esse quadro, Fraga afirmou que não
teme a possível alta de juros nos EUA, que reduziriam a oferta de capitais para outros
países. (Clóvis Rossi, enviado especial, pág. 1 e 2-10)
- O ministro da Economia argentino, José
Luis Machinea, afirmou que os mercados internacionais testarão o sistema cambial fixo em
fevereiro.
Segundo jornais locais, as declarações,
que indicam a previsão de ataque especulativo, foram feitas anteontem a banqueiros em
Zurique (Suíça).
Ontem, o governo argentino anunciou
fechamento de acordo com o FMI, estabelecendo uma nova linha de crédito durante três
anos, que só poderá ser usada caso ocorra uma crise que reduza a oferta externa para o
país. (pág. 1 e 2-3)
EDITORIAL
"A montanha mágica" - Mais uma
prova da efemeridade das previsões econômicas, o escol de empresários, acadêmicos e
membros de governo do mundo, reunido em Davos, na Suíça, agora vê com brilhantismo as
perspectivas para o futuro do planeta. No ano passado, esse mesmo seleto grupo, nessa
mesma cidade encantadora, tremia só de imagina os possíveis desdobramentos da crise
global, que atingia a América Latina e em especial o Brasil. (...)
Talvez contaminados pelo clima de
confiança, os participantes do encontro anual de 2000 do Fórum Econômico Mundial
apontaram como desafios para a próxima década a mudança climática (20,3%), a busca de
um novo paradigma de ética (15,7%) e a ineficiência das organizações internacionais
(15,1%). (...)
O homem cordial do Brasil não é o homem
de Davos. Ainda que as inquietações de um e outro não sejam excludentes, elas estão a
anos-luz de distância uma das outras. (pág. 1-2)
COLUNA
(Painel) - O Governo federal aceitou a
última proposta da comissão de governadores encarregada de sugerir mudanças na Lei
Kandir. Se os outros estados concordarem, o projeto vai ao Congresso antes da reunião de
governadores no dia 4.
* Depois do desastre da Baía de Guanabara,
o Governo decidiu incluir, na convocação do Congresso, o projeto de prevenção,
controle e fiscalização da poluição causada pelo derramamento de petróleo no mar e em
rios. A proposta dormia no Senado desde junho de 1996.
* FHC orientou Henri Philippe Reichstul
(Petrobras) a não recorrer da multa pelo vazamento na Baía de Guanabara.
* Fernando Bezerra (Integração Nacional)
usou uma estratégia inusitada para desarmar Tasso Jereissati (CE) e César Borges (BA) no
jantar de quinta com FHC. Humilde, disse que não atacaria o Banco do Nordeste. Depois,
serviu a transposição do São Francisco. Nisso, os governadores estão em campos
opostos. (pág. 1-4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Guerra dos perueiros provoca a primeira morte
- Em mais um dia de vandalismo promovido
pelos donos de lotações clandestinas, um perueiro morreu em confronto com policiais em
Guarulhos. Às 8h45, Anderson de Araújo Rodrigues, o Carioca, acelerou sua kombi, furou
um bloqueio montado pela fiscalização municipal e acabou perseguido por dois PMs. De
acordo com a polícia, Carioca estava com um revólver 38 e durante a fuga deu dois tiros.
Os PMs reagiram com seis disparos e o
motorista foi atingido na cabeça. No início da manhã, um grupo de perueiros tinha
incendiado um ônibus com coquetéis molotov, no quarto atentado desse tipo em dois dias.
"Se eles vêm com bala, revidamos com bala", ameaçou o prefeito Jovino Cândido
(PV). (...) (pág. 1, C1 e C3)
- A divulgação do crescimento de 5,8% do
PIB dos Estados Unidos no último trimestre de 1999 causou nervosismo ao mercado
financeiro norte-americano. Diante do temor de alta do juro, a Bolsa de Nova York caiu
até 2,13%.
No Brasil, as taxas de juro futuro,
projetadas pelos contratos negociados na BM&F, subiram e a Bovespa fechou em baixa de
2,03%. O dólar voltou a ser negociado a R$ 1,80 na máxima do dia. No fechamento, ficou
em R$ 1,799, alta de 1,07%. (pág. 1, B7 e B8)
- A Petrobras continua poluindo as águas
da Baía de Guanabara, dez dias depois de ter causado o maior vazamento de óleo do País.
Resíduos de petróleo são jogados no mar pelo atual sistema de resfriamento da Refinaria
Duque de Caxias.
O presidente da estatal, Henri Philippe
Reichstul, admitiu ontem a gravidade da situação, mas disse que não há verba definida
para mudar o equipamento. Deputados exigem uma solução. (pág. 1 e A10)
- (Davos) - A sombra de Seattle, cenário
do grande fracasso da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), aparece no
Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde voltam os temas de dois meses atrás. Ainda não
ocorreram protestos de rua, mas as divergências já começaram. (pág. 1 e B12)
- (Washington) - Os republicanos acharam
pequeno o corte de US$ 350 bilhões em impostos proposto pelo presidente Bill Clinton.
"Não vai ajudar a economia a crescer", disse o governador do Texas, George W.
Bush, provável candidato à Casa Branca. (pág. 1 e A14)
- Volkswagen, Ford, General Motors e Fiat
fazem uma guerra de promoções, na tentativa de reduzir seus estoques de carros
populares. As montadoras e as concessionárias bancam descontos que chagam a até 16% em
relação aos preços de tabela. (...)
O presidente da Federação Nacional de
Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia, calcula que existam 90 mil
veículos encalhados nas lojas do País. Para ele, R$ 15 mil por um carro popular é
preço alto demais, fora da realidade. (pág. 1 e B1)
- A Câmara de Osasco pagou ao Diário de
Osasco R$ 227.500,00 por quatro edições de um tablóide de oito páginas, em dezembro de
1996, logo após as eleições municipais. A publicação tem as mesmas características
de outra, chamada Jornal da Câmara, que custou R$ 152.500,00 por edição e levou o
promotor Wellington Luiz Daher a pedir a cassação de 20 dos 21 vereadores da cidade,
além de obrigá-los a devolver o dinheiro e pagar multa individual de R$ 450 mil.
Os parlamentares são acusados de fazer
propaganda pessoal com dinheiro público e deverão ser citados por um oficial de Justiça
que na terça-feira irá à Câmara, na primeira sessão após o recesso. Cópias do
tablóide foram enviadas ao Estado por um leitor. (pág. 1 e C4)
EDITORIAL
"O invejável estado da União" -
A grande discussão que transparece no discurso de Clinton é sobre como gastar os enormes
e crescentes superávits fiscais. Pena que a semelhança entre o Brasil e os EUA seja
somente o desafio de resgatar seus cidadãos situados no sopé da pirâmide social. (pág.
1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - A noite começou
tensa. Mas horas depois, na madrugada de sexta-feira, todos saíram satisfeitos do
Palácio da Alvorada. Fernando Bezerra (Integração Nacional) manteve medida provisória
garantindo para sua pasta a administração dos fundos constitucionais. Já os
governadores do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), e da Bahia, César Borges (PFL),
conseguiram de FHC o compromisso de que o Banco do Nordeste continuará fortalecido. Mas
então, porque tanto bate-boca se a solução era tão simples e já existia?
"'Tudo não passou de ruído de
comunicação", explica o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira,
única testemunha do jantar. "Ninguém mudou de opinião; o que houve foi um
esclarecimento e a paz voltou ao reino", conta. "Afinal, não existia
desentendimento, mas sim falta de entendimento".
* O ministro da Fazenda, Pedro Malan, está
querendo pôr panos quentes na briga com o seu "colega" José Serra, da Saúde.
Malan telefonou para alguns integrantes da CPI dos Medicamentos pedindo ajuda para acabar
com o bate-boca oficial.
* Mas um grupo de deputados da oposição
não está preocupado com os sinais de paz do ministro da Fazenda. Eles vão propor uma
acareação entre Serra e Malan. Só o requerimento já causará um grande constrangimento
para o Governo. (pág. A6)
O GLOBO
- Preso um dos traficantes mais procurados do Rio
- Policiais da Divisão de Repressão a
Entorpecentes do Rio prenderam, ontem à tarde, em Gravataí (RS), Marcelo Soares
Medeiros, o Marcelo PQD, um dos traficantes mais procurados do Rio. Marcelo PQD, que
controlava o tráfico de drogas no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, foi preso a
mais de 1.500 quilômetros do Rio, numa casa de veraneio na Serra Gaúcha, onde estava
escondido há um ano. Ele vivia com a família e não levantava qualquer suspeita. Sozinho
e desarmado, o bandido não reagiu. A recompensa pela prisão do traficante era de R$ 20
mil.
No Morro do Cerro Corá, no Cosme Velho, um
confronto entre traficantes, ontem de madrugada, levou pânico à vizinhança e resultou
em seis mortos, todos ligados ao tráfico, segundo a polícia. Uma bala perdida atingiu a
janela de um apartamento na Rua Cosme Velho. (pág. 1, 14 e 22)
- Nem o circunspecto governador Olívio
Dutra (PT) conseguiu conter o riso quando o presidente Fernando Henrique, após conversar
com a Miss Brasil 99, brincou: "O beijo de despedida é meu e não seu". FH
ainda acrescentou: "O Brasil é um País feliz: tem uma rainha bonita e que sabe
falar".
Em entrevista, o Presidente criticou
duramente os prefeitos que queriam adiar a Lei de Responsabilidade Fiscal: "Quem se
recusa a cumprir uma lei, sobretudo em cargo público, é altamente irresponsável. Isso
é um erro do ponto de vista da democracia. O tempo da impunidade acabou no Brasil".
(pág. 1 e 3)
- Um ano após ter sido alvo das previsões
mais catastróficas por causa da desvalorização do real, o Brasil está sendo celebrado
no Fórum Econômico Mundial, em Davos, pela rápida recuperação de sua economia, até
pelos mais severos críticos do Governo brasileiro.
Celebrado também está sendo o escritor
Paulo Coelho, que ontem ficou com a maior parte das perguntas dirigidas pela platéia
durante um chá literário com o semiólogo italiano Umberto Eco. Paulo Coelho deverá se
encontrar hoje com o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. (pág. 1 e 25 a 27)
- O chefe de Fiscalização do Ibama,
Rodolfo Lobo da Costa, foi demitido por não ter avisado o Governo do desconto de 30% na
multa de R$ 51 milhões dada à Petrobras pelo vazamento de óleo na Baía de Guanabara. O
desconto exagerado irritou o presidente Fernando Henrique. (pág. 1 e 23)
- (Salvador e Brasília) - O presidente
Fernando Henrique conseguiu acalmar os ânimos e baixar a temperatura da crise entre o
ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e os governadores do Nordeste, que
divergem a respeito da administração dos fundos constitucionais.
Num jantar na noite de quinta-feira, no
Palácio da Alvorada, Fernando Henrique, Bezerra e os governadores da Bahia, César
Borges, e do Ceará, Tasso Jereissati, chegaram a um acordo que preserva o direito do
Banco do Nordeste do Brasil (BNB) de decidir sobre a aplicação dos fundos, mas dá ao
Ministério de Bezerra a prerrogativa de traçar as diretrizes políticas dos
investimentos. (...) (pág. 4)
- (Triunfo, RS e Salvador) - O presidente
Fernando Henrique criticou ontem a guerra fiscal entre os estados, apoiando as medidas
tomadas pelos governadores Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul, e Mário Covas
(PSDB), de São Paulo, que baixaram decreto para sobretaxar produtos de estados que dão
incentivos fiscais. O Presidente disse que guerra é guerra e que não poderia criticar
Covas e Olívio, que tentam se defender da guerra fiscal.
"Havendo guerra, é uma guerra como na
guerra. É por isso que é ruim a guerra, porque obriga todo mundo a entrar nela. Não vou
criticar o governador quando ele se defende. A reforma tributária é a forma mais
racional de se acabar com a guerra fiscal" , disse o Presidente. (...) (pág. 5)
- Pelo segundo ano consecutivo, a
divulgação dos resultados da auditoria no Censo Escolar do Ensino Fundamental deixa
municípios em rota de colisão com o Ministério da Educação.
O presidente da União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Neroaldo Pontes de Azerêdo, enviou carta ao
ministro Paulo Renato Souza em que afirma que a Undime não é conivente com fraudes, diz
que auditorias são necessárias e defende a punição dos que cometem irregularidades.
Mas acrescenta que prefeituras e governos
estaduais só podem ser acusados de erros depois de terem sido notificados e apresentado
sua defesa. (...) (pág. 12)
- A Associação Brasileira de Imprensa
(ABI) pediu à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado uma audiência
pública para debater a Lei da Mordaça, que pune magistrados, promotores, procuradores e
delegados que fornecerem informações sobre processos em andamento. A entidade considera
que os dois projetos (o que está na CCJ e o que consta da reforma do Judiciário) podem
acabar cerceando o direito de informar. (...) (pág. 8)
- Ao desembarcar em Brasília, ontem ao
meio-dia, o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Anthony Stephen Harrington, foi
simpático e solícito, disse que nunca as relações entre os dois países foram tão
estreitas e fez referências à amizade entre o presidente americano, Bill Clinton, e o
presidente Fernando Henrique Cardoso. (...) (pág. 13)
- (Nova York e Rio) - O ritmo acelerado de
crescimento da economia americana no quarto trimestre - de 5,8% no PIB, enquanto salários
e benefícios trabalhistas aumentaram 1,1% e a inflação também ficou acima da taxa
esperada - derrubou ontem os principais índices das bolsas de valores dos EUA.
Isso aumentou o receio, entre os
investidores, de uma elevação mais abrupta das taxas de juros pelo Federal Reserve
(Fed), em sua reunião nos próximos dias 1º e 2. O Dow Jones fechou o dia em queda de
2,61%, o Nasdaq caiu 3,75% e S&P 500, 2,73%. (...) (pág. 29)
- (Davos, Suíça) - Uma possível
elevação das taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco
central americano), na reunião da semana que vem, não deverá apanhar o Brasil numa
situação desconfortável, disse ontem o presidente do Banco Central brasileiro, Armínio
Fraga.
Ele explicou que se os juros dos EUA
subirem, como conseqüência de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano
além do esperado, isso pode ser encarado como um sinal de que as economias americana e
global estão mais fortes, o que se traduz em mais mercados para as exportações de
produtos brasileiros. (...) (pág. 29)
- O ministro da Fazenda, Pedro Malan,
reafirmou ontem sua confiança no Brasil, dizendo acreditar que o País tem condições de
crescer a uma média superior a 4% nos próximos três anos, até 2003. Ele disse
acreditar que existe um clima de confiança na economia, que classificou como vasta e
homogênea, citando como exemplo o fato de o País estar em quarto lugar na lista de
preferência para investimentos, tendo captado US$ 30 bilhões em investimentos privados
diretos no ano passado. (...) (pág. 32)
- (Triunfo, RS) - O presidente Fernando
Henrique Cardoso disse ontem que a decisão sobre onde aplicar os recursos da
privatização do setor elétrico é uma questão técnica e não política. O assunto é
polêmico dentro do Governo.
O ministro do Desenvolvimento, Alcides
Tápias, que acompanhou o Presidente na cerimônia de inauguração das obras de
duplicação da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), defendeu recentemente o uso do
dinheiro em projetos sociais. Já o ministro da Fazenda, Pedro Malan, quer que o dinheiro
ajude a reduzir a dívida pública. (...) (pág. 33)
EDITORIAL
"Tiros fatais" - A idéia de um
referendo popular está sendo apresentada no Senado como forma de salvar o projeto que
proíbe a venda de armas de fogo no Brasil. Na verdade, está mais próxima de ser uma
maneira disfarçada de sepultá-lo de vez. (...)
É a vitória do lobby da indústria de
armas, que, curiosamente, lançou-se à luta com entusiasmo desmedido para quem exporta o
grosso de sua produção. Pior ainda, trata-se de um avanço para a idéia de que o
cidadão tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos. É a mesma mentalidade
que produz os linchamentos.
Com o referendo, o Congresso abrirá mão
de sua prerrogativa de representante do povo e a devolverá ao eleitor. Lamentavelmente,
fará isso numa questão complexa, sujeita a deformações de toda sorte e altamente
vulnevável á propaganda demagógica. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) -
Desde ontem, calculou a Codeplan, Brasília tem dois milhões de habitantes. Uma
metrópole aos 40 anos, incompreendida e confundida. Os que nasceram no litoral, e lá
cresceram contemplando o Atlântico, esperando talvez a chegada de novas caravelas
salvadoras, podem ignorar o sentido de Brasília para a interiorização do
desenvolvimento. Quem para cá veio dos grotões, não pode. (...)
Aqui a renda per capita é a mais alta do
País e o índice de desemprego também é elevadíssimo. Cidade do poder, com o
funcionalismo inchado, não tem mais o que oferecer. Indústrias não turvariam este céu
inigualavelmente límpido, mas elas não vêm por razões várias. (...) (pág. 2)
(Nhenhenhém - Jorge Bastos Moreno) - Foi
contada aqui a conversa do senador Eduardo Suplicy com FH, à saída de um jantar no
Alvorada, tendo o ministro Malan como testemunha. Ele queria saber se era verdade que
quando senador, enquanto votava a favor do seu projeto de renda mínima, FH criticava a
Câmara por também ter aprovado a matéria. FH, segundo Suplicy, confirmou a história.
(...)
FH ressalta que, no relato de sua conversa
com Suplicy, pulou-se um trecho importante da história, ou seja, não foi dito por que
ele criticara a Câmara. FH informa que suas dúvidas se prendiam ao que chamava de
"individualismo possessivo" da idéia original da renda mínima: dinheiro direto
às pessoas, ao invés de programa de atendimento social.
"Mas o Senado mudou o projeto e
ressaltou suas fontes de financiamento. Aí, votei a favor", acrescenta FH. (pág. 3)
(Ricardo Boechat) - Encarregado do
inquérito na Polícia Federal que apura quem são os responsáveis pelo vazamento de 1,3
milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, o delegado Ricardo Bechara pedirá à
Justiça mais prazo para investigar o desastre.
Segundo informações que circulam na PF do
Rio, pela dimensão do desastre, ele acha exíguo o prazo de 30 dias para a conclusão do
caso.
* A Petrobras assinará compromisso semana
que vem com os Ministérios Públicos federal e estadual, de adequar a Reduc, em 30 dias,
às exigências dos órgãos ambientais.
A estatal encaminhou carta aos MPs ontem,
dando ciência de sua decisão. (pág. 16)
CORREIO BRAZILIENSE
- Furtos de automóvel dobram em janeiro
- Nas últimas duas semanas, o número de
furtos de veículos no Distrito Federal subiu de 15 para 30 casos por dia. A polícia
desconhece os motivos dessa situação. "Não sabemos explicar este aumento",
admite Francisco Maynarde, comandante do Batalhão de Trânsito. Para conter a ação dos
bandidos, o coronel da PM promete fazer mais blitz. (...) (pág. 1, 2 e cad. Cidades,
pág. 3)
- A Promotoria de Defesa do Consumidor
(Prodecon) prepara ação contra o seguro obrigatório de veículos. Segundo o promotor
Ezequiel de Araújo, o cidadão não pode ser obrigado a adquirir determinado serviço.
Entidades de defesa do consumidor de Minas, Rio e São Paulo também tentam derrubar o
seguro na Justiça. (pág. 1 e 20)
- O secretário de Segurança, Paulo
Castelo Branco, pediu ao governador Joaquim Roriz o desligamento definitivo do cargo.
Afastado do governo desde a operação policial que resultou na morte de um trabalhador na
Novacap, Castelo Branco reclamou de autoridades do GDF que acionaram a PM sem que ele
fosse comunicado. (pág. 1 e 10)
- Confirmados mais dois casos de febre
amarela em Goiás, um deles fatal. J.L.S., de 40 anos, que morava em Corumbaíba, morreu
em Goiânia, onde estava em tratamento. W.O, de Niquelândia, teve alta. Em Alto Paraíso,
na Chapada dos Veadeiros, uma angolana também teria pego a doença, mas já está curada.
(pág. 1 e 17)
- Investigação da Polícia Federal mostra
o esquema falho de monitoramento dos oleodutos da Petrobras. No vazamento que poluiu a
Baía de Guanabara, a empresa só agiu nove horas depois do início do desastre ambiental.
(pág. 1 e 16)
- O destino inadequado que é dado às
baterias de telefone celular preocupa o Ministério do Meio Ambiente. O assunto é
particularmente grave no caso de Brasília, onde um em cada quatro habitantes tem telefone
móvel. (pág. 1 e cad. Cidades, pág. 5)
JORNAL
DE BRASÍLIA
- Calabi anuncia em Davos US$ 100 bi com privatização
- Para provar que o Brasil tem um sistema
financeiro com lastro para garantir os investimentos internacionais, o presidente do
BNDES, Andrea Calabi, vai fazer uma declaração hoje no Fórum Econômico Mundial de
Davos, revelando que já foram arrecadados US$ 100 bilhões com o programa de
privatizações.
Em seguida dirá que no ano 2000, com as
vendas do Banespa, das empresas do setor elétrico, de saneamento dos estados e das
participações excedentes do controle da União na Vale do Rio Doce, Petrobras, Light e
Eletropaulo, serão arrecadados mais US$ 10 bilhões.
O presidente do Banco Central, Armínio
Fraga, que chefia a delegação brasileira na cidade suíça - onde há um ano o País era
alvo de descrença de empresários e economistas -, vai usar sua experiência no mercado
financeiro para dar respostas a críticas específicas. (pág. 1 e 9-A)
- No lugar da arrogância esperada, uma
discreção simpática. O novo embaixador dos Estados Unidos - finalmente, o presidente
Clinton conseguiu apresentar um amigo que dobrasse o irrascível republicano Jesse Helms,
que controla a Comissão de Relações Exteriores do Senado americano - Anthony Harrington
chegou ontem a Brasília, junto com a mulher, Hope. (...) Harrington não disse, mas sabe
das disputas comerciais Brasil-USA que vai enfrentar imediatamente. (pág. 1 e 8-A)
- O cardiologista Bernardino Tranchesi
admitiu ontem que conseguiu, por meio de antibióticos, debelar a pneumonia que poderia se
agravar com o quadro de infecção na base do pulmão esquerdo do senador.
Apesar do sucesso do tratamento, o médico
particular de Antonio Carlos Magalhães não quis confirmar se ele estará no Senado na
terça-feira, quando o Congresso entra na penúltima semana de convocação
extraordinária.
O secretário-geral da Presidência,
Aloysio Nunes Ferreira, disse que o senador, convalescendo no Hotel Maksoud Plaza, em São
Paulo, "está bem-disposto, com boa aparência e bem-humorado". (pág. 1 e 3-A)
- A ameaça de manifestações violentas
não se cumpriu e o Presidente foi ontem ao Rio Grande do Sul - o mais radical território
oposicionista - presidir a ampliação do Pólo Petroquímico de Triunfo, ao lado do
governador petista Olívio Dutra, e ainda desafiou o prefeito de Porto Alegre, que na
véspera havia anunciado que não cumpriria a Lei de Responsabilidade Fiscal: "Acabou
a impunidade no Brasil. Todos vão ter que cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal".
(pág. 1 e 3-A)
ZERO HORA
- Mesmo com pouco mais de duas horas de duração, a
primeira visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao estado no governo de Olívio
Dutra foi suficiente para demonstrar uma aproximação entre os dois políticos. Ao
discursar na solenidade de inauguração da ampliação da Companhia Petroquímica do Sul
(Copesul), em Triunfo, Olívio disse que a presença do Presidente no estado era
"honrosa e alvissareira". Fernando Henrique agradeceu a "saudação tão
generosa" do governador e antecipou que voltará "muitas vezes" ao Rio
Grande do Sul. (pág. 4 e 5)
- Com o ciclo de expansão concluído pela
inauguração de ontem, a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) se prepara para novos
desafios. O vice-presidente do conselho de administração da empresa, Eduardo Eugênio
Gouvêa Vieira, disse que a companhia "quer se tornar um player (competidor) ainda
mais importante no setor petroquímico brasileiro, sem delimitação de fronteiras".
(pág. 6)
- O maior reduto dos exportadores de
calçados do País, o Vale do Sinos, é alvo de rastreamento da Secretaria da Fazenda
sobre incentivos fiscais de outros estados.
Em visita à Associação Comercial,
Industrial e de Serviços (ACI) de Novo Hamburgo, o secretário Arno Augustin insistiu
ontem em que os calçadistas locais precisam ser protegidos da guerra fiscal. (pág. 17)
- O plantio de 1 milhão de hectares de
florestas pretende possibilitar 140 mil novos empregos na zona sul no primeiro ano de
implantação do projeto. Essa é a proposta que a Associação de Florestadores e
Reflorestadores apresentará hoje ao ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de
Moraes, que estará visitando Pelotas. (pág. 20)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Reforma tributária preocupa governadores
ESTADO DE MINAS
- Brasil vai bem lá fora
O DIA (RJ)
- Como passar na prova do IBGE
CORREIO DO POVO
(RS)
- FHC apóia medidas contra guerra fiscal
ZERO HORA (RS)
- Guerra fiscal e paz no palanque
TELEJORNAIS
GLOBO
- JORNAL NACIONAL - 20H15
Muitos brasileiros começaram o ano vendo
desabar o projeto da casa própria. Em Minas o vilão dessa história é o cimento, que
subiu mais de 100%.O Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais diz que
o preço do cimento vai aumentar o custo das obras em até 10% e acusa os fabricantes de
cimento de cartel. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento, João
Fiúza, diz que o preço em Minas estava defasado em relação a outros Estados, por isso
o reajuste foi maior. Mas a principal causa, segundo Fiúza, foram os reajustes do óleo
combustível, principal custo na fabricação do cimento. O Sindicato da Construção
Civil de Minas encaminhou ao Cade - Conselho Administrativo de Defesa Econômica do
Ministério da Justiça denúncia contra os fabricantes de cimento por formação de
cartel.
Nem planos de saúde, nem mensalidades
escolares. Foram os serviços de telefonia os campeões de reclamações no ano passado,
segundo balanço do Procon. Em São Paulo 23 mil 701 queixas foram registradas na
telefonia fixa ano passado, contra 10 mil 403 em 1998. A telefônica se defende. Diz que
ao longo do ano as reclamações foram diminuindo, enquanto o número de telefones
instalados aumentou de seis milhões para oito milhões. O número de celulares também
aumentou 60%. Mas a quantidade de reclamações subiu 270% de 1998 para 1999. No Rio de
Janeiro, telefonia, principalmente a fixa, é recordista em reclamações. Foram 15.500
ano passado, quase metade do total de queixas. Na Pavuna, subúrbio da cidade, o reparo
num cabo danificado pela chuva acabou em confusão para os moradores do conjunto
habitacional que tiveram os números de telefones trocados. A Telemar, do Rio de Janeiro,
alega que a rede de telefonia tem problemas por falta de investimento à época em que a
empresa era estatal.
Esta semana o Brasil foi surpreendido pelas
revelações da CPI que investiga a indústria de remédios, entre elas as diferenças
astronômicas nos preços pagos pelos laboratórios na compra da mesmíssima
matéria-prima. E ainda, os bastidores da reunião em que gerentes de laboratórios
discutiram o boicote aos medicamentos genéricos. Mas que foi considerada pelos
participantes como um encontro de congraçamento.
Arnaldo Jabor: "O que nos diria um
dono desses grandes laboratórios de remédios se pudéssemos ouvir o que vai no fundo de
sua cabeça? Ele diria: "o Brasil é um mercado maravilhoso, porque tem muito doente
e o sujeito paga qualquer preço, se não, morre. O Brasil é bom também porque a
fiscalização é corrupta. A gente dá uma graninha e pronto. Além disso, a burocracia
é uma bagunça. Se processam a gente, temos juizes amigos e as ações se arrastam. Outra
coisa é que o governo não quer brigar com estrangeiros. Por isso é que aumentamos os
preços dos remédios 50% acima da inflação. A única solução, cá entre nós, seriam
os genéricos. Com 170 remédios básicos pode-se substituir milhares de medicamentos com
nomes complicados. Mas gente boa, me diz: porque é que eu vou vender Ácido Acetil
Salicílico se eu posso vender o mesmo produto com o nome de Aspirina Dupla Ação pelo
dobro do preço? Eu não sou otário, né, meu amigo." É. Otário somos nós. Vai em
frente."
Estudo das Nações Unidas mostra que
Estados Unidos é o país desenvolvido com a maior taxa de mortalidade por armas de fogo.
E se comparado com os países em desenvolvimento, só perde para Brasil e Jamaica. O
Brasil é o primeiro em mortes por armas de fogo, segundo o mais recente relatório da
ONU.
O senador Antônio Carlos Magalhães só
deve receber alta médica na semana que vem. Desde sábado passado o senador está em São
Paulo se tratando de uma pneumonia. Nessa sexta fez novos exames: tomografia e hemograma.
Os médicos informaram que a infecção está sob controle.
RECORD - JORNAL DA
RECORD - 19H20
O presidente do Congresso, Antônio Carlos
Magalhães, teve também um princípio de pneumonia e não apenas uma gripe forte. O exame
de tomografia mostra que ainda há um pouco de infecção no pulmão esquerdo, mas a
doença regrediu e está sob controle. Segundo o médico do senador, cardiologista
Bernardino Tranchesi Júnior, Antônio Carlos poderia ter desenvolvido uma pneumonia
brutal, se não tivesse recebido a tempo os medicamentos certos. O senador continua em
São Paulo pelo menos até o início da próxima semana. Ainda não há previsão de
quando ele terá licença médica para viajar.
O presidente Fernando Henrique Cardoso
garante que a Lei de Responsabilidade Fiscal não muda e defende punição para quem não
cumpri-la. O presidente inaugurou a duplicação do Pólo Petroquímico de Triunfo, em sua
primeira viagem ao Rio Grande do Sul desde que Olívio Dutra (PT) assumiu o governo.
Manifestantes da CUT, do PT e do PC do B passaram pelos cordões de isolamento à força e
chegaram até a porta da Petroquímica onde Fernando Henrique desembarcou. Mas o
presidente nem viu o protesto, só a festa na Copersul, uma das empresas do pólo. No
discurso do governador petista, um ataque à guerra fiscal e algumas críticas ao governo
federal, especialmente à política de captação de investimentos externos.
A economia americana cresceu quase 6% no
último trimestre do ano passado. A divulgação de indicadores positivos nos Estados
Unidos aumentou o receio de alta nos juros e mexeu com os mercados. A Bolsa de Nova Iorque
caiu 2,6% e derrubou os negócios no Brasil. A Bolsa de São Paulo fechou com queda de 2%
e o dólar com alta de 1%. Encerrou cotado a R$ 1,80.
O Fórum Econômico de Dados na Suíça
discute quem saiu ganhando e quem perdeu com a globalização da economia. O fórum reúne
cerca de duas mil pessoas - líderes políticos, banqueiros, empresários e economistas.
Os debates começaram quinta-feira, num clima de otimismo sobre o futuro da economia
globalizada. Mas na sexta os debates se voltaram para as disparidades entre países ricos
e pobres. Segundo o premier da Turquia, as disparidades de renda estão atingindo níveis
alarmantes. Já Mike Moore, diretor da Organização Mundial do Comércio, pediu um
esforço conjunto para eliminar as injustiças no comércio internacional. O
primeiro-ministro britânico Tony Blair, que discursou no encontro, defendeu nova rodada
de negociações este ano, para eliminar as barreiras comerciais. Blair alertou que a
moeda única européia só terá sucesso se a Europa liberalizar sua economia.
Salette Lemos: "Em Davos o presidente
do Banco Central, Armínio Fraga, encontrou-se e trocou elogios com o mega-investidor
George Soros, para quem Armínio trabalhava antes de assumir o BC. Depois, reuniu-se com o
vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional, Stanley Fisher, e com vários
banqueiros estrangeiros. Nesses encontros Armínio apresenta os bons resultados da
economia brasileira pós flexibilização cambial, e tenta de todas as formas convencer os
investidores estrangeiros a aumentarem suas apostas no Brasil. É uma estratégia de
convencimento que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, faz questão fortalecer, mesmo à
distância. No Rio, na posse do novo presidente da CVM, Malan disse que o país pode
crescer em média 4% ao ano até 2002. O jeito é torcer pela confirmação dessas
expectativas otimistas. Porque assim como as expectativas catastrofistas do início do ano
passado não se confirmaram, também esse otimismo demonstrado agora pode dar zebra."
Fim das filas para justificar votos nas
agências dos Correios. Nas eleições municipais deste ano o TSE promete colocar uma urna
eletrônica em cada sessão eleitoral para facilitar a vida do eleitor em trânsito. Em
fevereiro, o eleitor Tribunal Superior Eleitoral lança uma campanha incentivando o voto e
dá prazo até maio para o eleitor conseguir um título novo. Quem não votou nas três
últimas eleições, não justificou o voto e teve o título cancelado tem até o dia 3 de
maio para regularizar a situação. A pessoa tem que ir ao cartório mais próximo, com um
documento de identidade, e pagar multa de R$ 3,00 por eleição para ganhar um título
novo.
Uma comissão da Unesco começa neste
sábado uma avaliação da cidade de Goiás. O município conhecido como Goiás Velho pode
ser declarado patrimônio histórico da humanidade. Fundada em 1727, a cidade traz
lembranças da época do ouro e chama a atenção pela arquitetura. No domingo serão
apresentados projetos de despoluição do Rio Vermelho e reflorestamento da mata ciliar. O
resultado final da visita da Unesco será divulgado em dezembro, quando a cidade poderá
ser a sétima do país a conquistar o título de patrimônio histórico da humanidade.
O procurador-geral da República, Geraldo
Brindeiro, encaminhou o relatório da CPI dos bancos aos procuradores do Rio para
continuar as investigações. O principal ponto é a investigação sobre o socorro do
Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam. Brindeiro também mandou relatório para
procuradores de Brasília. Ele pede que a diretoria do Banco do Brasil seja
responsabilizada civil e criminalmente nos empréstimos que foram concedidos à
construtora Encol.
BANDEIRANTES -
JORNAL DA BAND - 19H30
O presidente Fernando Henrique critica os
Estados que promovem a guerra fiscal. O presidente inaugurou em Triunfo uma nova unidade
de produção do Pólo Petroquímico do Rio Grande do Sul. No discurso o governador
gaúcho, Olívio Dutra, fez duras críticas à guerra fiscal e aos Estados que dão
descontos de impostos para atrair investimentos privados. Já o presidente Fernando
Henrique criticou os prefeitos que são contrários à Lei de Responsabilidade Fiscal e
disse que compreende a luta do governo gaúcho contra a isenção de impostos para
empresas. O presidente visitou as instalações da Copersul. A empresa investiu US$ 680
milhões na ampliação da planta de produção, que vai aumentar em 65%.

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico
da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura
econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança
comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na
INTERNET www.fazenda.gov.br, na área
específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive
sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês,
na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br |