30/04/2000

JORNAL DO BRASIL

- FH teme ruptura institucional

- Em conversa com a jornalista Dora Kramer, na sexta-feira, o presidente Fernando Henrique mostrou-se preocupado com a quebra da ordem institucional provocada por ações políticas radicais como as do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da União Democrática Ruralista (UDR), dispostos ao uso da violência e pela corrupção generalizada, que, segundo o presidente da República, tomou-se mais regra que exceção.

O Estado vai agir imediatamente para não ficar "sob pena de haver o risco do enfraquecimento do sistema político com o descrédito das instituições e a abertura de espaço para soluções não-democráticas", argumenta FH.

O vice-presidente Marco Maciel disse ao Jornal do Brasil que o Congresso pode ser convocado extraordinariamente, em julho, para votar as reformas políticas. (pág. 1, 2 e 12)

- A economia brasileira deve crescer acima dos 4% este ano. A estimativa é quase consenso entre as entidades de classe como a Firjan, a CNI e mesmo o Dieese. Até os bancos, mais conservadores, estão revendo suas projeções considerando aumento na expectativa de crescimento.

Para o Dieese, são claros os sinais de recuperação do nível de emprego. O economista Alexandre Fischer, consultor do PFL e do PT, acha que o ajuste fiscal está apresentando resultados. (pág. 1, e cad. Economia, pág. 1 a 3)

- Segundo o Ministério da Saúde, dentro de quatro anos cerca de 40% dos remédios vendidos nas farmácias serão os do tipo genérico. Trata-se de um número expressivo num mercado extremamente lucrativo. Só no ano passado, as indústrias farmacêuticas faturaram algo em torno de US$ 11 bilhões.

Para discutir o impacto da entrada dos genéricos no mercado nacional e o acesso da população a estes medicamentos, o Debate JB reuniu especialistas do setor. (Economia, pág. 1, 6 e 7)

- (Assunção) - Os arquivos secretos da polícia paraguaia com documentos do Exército oficialmente catalogados pela Justiça do país como ações da Operação Condor (plano dos regimes militares latino-americanos de repressão, tortura e morte de adversários políticos) incluem registros com as inscrições do Ministério do Exército brasileiro, enviados às autoridades paraguaias para localização de brasileiros.

Um dos documentos mostra que a articulação dos aparelhos de repressão se dava através do adido militar da embaixada, que fazia contatos com as autoridades de outros países. (...)

A documentação sobre a repressão política no Cone Sul, aberta a consultas no 8º andar do Palácio da Justiça, é chamada pelos paraguaios de "Arquivo do Terror". (pág. 1 e 19)

- Depois de comer sardinha no acampamento da oposição montado em frente ao Congresso Nacional na semana passada, o deputado pefelista Luiz Antonio Medeiros (SP), na falta de guardanapo, despreocupadamente utilizou a Bandeira Nacional, logo ali à mão, para limpar a boca. Os flashes dos fotógrafos não o preocuparam; afinal não haveria como puni-lo.

A Câmara dos Deputados não possui lei que puna atos antiéticos simples - como o desrespeito a um símbolo nacional - ou graves, já que, ao contrário de várias profissões, os deputados não têm ainda um Código de Ética e Decoro. O projeto tramita desde 1992 na Casa e está pronto para ir a plenário, mas até hoje não foi aprovado devido às resistências de parlamentares. (pág. 2)

- (São Paulo) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta, estará esta semana sob fogo cruzado do Legislativo e do Judiciário. Na quinta-feira, esgota-se o prazo para que ele apresente à comissão da Câmara Municipal sua defesa, no processo em que é acusado de improbidade administrativa e que poderá resultar em impeachement.

Também na quinta-feira, Pitta enfrentará novo julgamento no Tribunal de Justiça, que decidirá sobre pedido do Ministério Público para que se restaure a liminar de 24 de março passado, que cassou o mandato do prefeito. (pág. 2)

- O engajamento do presidente Fernando Henrique Cardoso na mobilização dos governistas para a aprovação da medida provisória que fixou em R$ 151 o salário mínimo foi defendido pelo líder do Governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Após o desgaste sofrido na quarta-feira, quando a previsão de derrota fez o Governo articular o adiamento da votação, Virgílio afirmou que o Presidente deveria lançar mão até da televisão para explicar por que o Governo se opõe ao valor de R$ 177 reivindicado pela oposição. (pág. 3)

- Os trabalhadores que optarem por investir parte do seu dinheiro do FGTS na compra de ações da Petrobras deverão receber um rendimento mínimo, nos 12 primeiros meses, equivalente a variação da TR mais juros de 3% ao ano. A proposta está em estudo pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal.

A venda do lote de 20 milhões de ações da Petrobras, avaliado em R$ 8 bilhões, está previsto para meados de julho. Mas poderá ser adiada porque as regras ainda não foram totalmente definidas. O Governo avalia que haverá pouco tempo para esclarecimento e adesão dos trabalhadores aos Fundos Mútuos de Privatização (FMP), por meio dos quais poderão participar do leilão.

Segundo o superintendente de Relações com Investidores Institucionais da CVM, Carlos Eduardo Sussekind, o Governo está preocupado com possíveis perdas qeu o trabalhador poderá ter caso os papéis da Petrobras tenham uma performance ruim nos primeiros meses. (pág. 8)

- Por trás de toda a crise envolvendo os caminhoneiros do País, que ameaçam parar amanhã, está o crescimento do transporte ferroviário e hidroviário brasileiro ocorrida na década de 90. Após as privatizações de grande parte da malha, o setor ferroviário aumentou de 16% para 25%, sua participação nos transportes de carga do País. E as hidrovias representam 4% do transporte de cargas, após décadas correspondendo a apenas 1% no setor. Os dados são da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Além de perder 11% do mercado, os caminhoneiros viram ingressar em sua categoria boa parte do contingente de desempregados brasileiros. "Vivemos uma crise pela inflação de caminhoneiros", ironizou, na última semana, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, em um encontro de caminhoneiros realizado em Brasília. (pág. 6)

- (Rio Branco) - Foram precisos 500 anos de ocupação predatória de 12 anos do assassinato de Chico Mendes para que surgisse, pela primeira vez ná história da Amazônia, a possibilidade de desenvolvimento sem desmatamentos, queimadas, empresas madeireiras, multiplicação de serrarias, garimpos e rebanhos.

"Tudo o que Chico Mendes sonhou está acontecendo. Temos escolas, o pessoal está voltando a colher castanha, o preço da borracha aumentou, não falta comida, não falta caça, ninguém está derrubando a mata. Não é uma grande alegria? Pena que ele morreu e não pode ver tudo isso acontecendo".

O diagnóstico é de dona Cecília Nascimento Mendes, 74 anos, há 31 anos morando no Seringal Cachoeira, hoje uma reserva extrativista. Tia de Chico Mendes, ela diz que ele estaria "feliz, muito feliz. Quem não gosta de ver sonho bom acontecer?". (pág. 4)

EDITORIAL

"Entrada e Saída" - A saída de Rafael Greca foi mais difícil do que a entrada, no Ministério do Esporte e Turismo. O PFL conseguiu nomeá-lo, mas não foi atendido na hora de despachá-lo. Diante do convite para tomar uma taça de cicuta em palácio, Greca capitulou à gentileza e, como as versões continuam prevalecendo sobre os fatos, o porta-voz presidencial garantiu que o ex-ministro não foi demitido - demitiu-se. (...)

O porta-voz presidencial veio a público confirmar que "foi o ministro que pediu demissão do cargo" e, como apêndice, ofereceu a versão de que o Presidente não acredita que Greca tenha se envolvido com irregularidades. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - A radicalização de movimentos antagônicos que se dispõem ao enfrentamento pela violência - como MST e UDR - e as evidências de que a corrupção é mais regra que exceção, na opinião do presidente Fernando Henrique Cardoso, delineiam um cenário no Brasil que torna necessária a imediata interferência do Estado. (...)

Fernando Henrique não revela os detalhes, alegando razões estratégicas, mas confirma informação antecipada há dois dias pela Secretaria Geral da Presidência da República de que o Governo prepara um conjunto de ações para coibir a violência no campo, onde hoje é mais nítida essa radicalização. (pág. 2)

(Informe JB - Walter Fontoura) - Na reunião que teve com dignitários da CNBB, pouco antes dos lamentáveis incidentes de Porto Seguro, o presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu a dom Tomás Balduíno, presidente da CNBB, que atuasse no sentido de acalmar os ânimos, em particular de integrantes do Conselho Indigenista Missionário. Dom Tomás Balduíno balançou a cabeça, desanimado, confessando que com eles era difícil qualquer conversa. (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Mortalidade infantil cresce em áreas pobres

- A mortalidade infantil subiu mais de 100% de 1998 a 1999 em favelas de São Paulo atendidas pela Pastoral da Criança, informa Gabriela Athias. Em comunidades pobres do interior, o percentual teve alta ainda maior, atingindo 253% em Bragança Paulista. Para a entidade, o aumento mostra agravamento da miséria no Estado.

"Na maioria das famílias, há dois ou três adultos desempregados, e as condições sanitárias são péssimas", diz a irmã Carmem Rodrigues, da Diocese de Brasilândia, zona norte da capital. A tendência apontada pela pastoral é confirmada em pesquisa da Fundação Seade, que indica mais mortes de crianças paulistas pobres.

Exemplo é Ribeirão Branco onde a maioria da população tem baixa renda e a taxa de mortalidade neonatal (primeiros 28 dias de vida) pulou de 17,68 por mil crianças em 1998 para 37,3 em 1999. O estudo aponta ainda que 66% dos casos de mortalidade infantil nesse período ocorreram durante a fase neonatal. (pág. 1 e 3)

- As metas definidas pelo Governo para ampliar o acesso à rede de telecomunicações não estão sendo cumpridas pelas concessionárias que venceram o leilão do Sistema Telebrás. Dois anos após a privatização, a Anatel, agência criada para fiscalizar a área, admite a falha.

O órgão argumenta que não tem fiscais suficientes para atender todo o País. Entre as condições descumpridas estão a existência de hospitais sem telefone, de cidades com mais de mil habitantes sem comunicação e de locais sem um orelhão a cada 800 metros.

Há ao menos sete ações em tramitação motivadas por problemas na telefonia. (...) (pág. 1 e cad. Dinheiro)

- O Governo decidiu cortar pela metade o valor das bolsas do programa de Erradicação do Trabalho Infantil para as famílias com apenas um filho, informa Mario Cesar Carvalho.

Até 99, famílias com um ou duas crianças recebiam R$ 50 por mês para elas deixarem o trabalho e freqüentarem a escola. Agora, quem tem só um filho ganhará R$ 25. Em Pernambuco, 37.294 crianças receberão 50% a menos. (pág. 1 e 1-4)

- O presidente do Peru, Alberto Fujimori, desde 1990 no poder, diz que a estabilidade do país depende de sua eleição para um terceiro mandato.

"O processo de recuperação do país ainda não está terminado", afirma, em entrevista à Folha. Fujimori nega a existência de fraude na eleição presidencial peruana, que foi para o segundo turno. (pág. 1 e 1-15 a 1-17)

EDITORIAL

"Nova aposta do BC" - O Banco Central está apostando na estabilidade do câmbio num momento em que há uma deterioração mais forte das expectativas nos mercados financeiros internacionais.

Os mercados agem com o imediatismo de sempre. Diante de sinais ruins na economia mundial, apostam contra os países cuja estabilidade monetária depende de financiamento externo abundante.

No Brasil esse comportamento se traduz numa propensão maior a vender reais e compra moeda estrangeira. Também tende a se complicar o cenário de atração de capitais externos. Investidores procuram se proteger contra novas altas do dólar. (...) (pág. 1-2)

COLUNA

(Painel) - Não é só Tasso Jereissati (CE) que está afastado do Planalto. As relações entre Mário Covas (SP) e o presidente FHC poucas vezes foram tão frias e distantes. Os governadores tucanos têm encontro marcado para meados de maio, em São Paulo.

* Na comentada conversa reservada que teve com Orestes Quércia no Alvorada, em fevereiro, FHC disse que o candidato de sua predileção pessoal para sucedê-lo em 2002 tem nome. Chama-se José Serra. (pág. 1-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Governo vai descentralizar a reforma agrária

- O Governo prepara uma mudança radical no programa de reforma agrária, orientada para a descentralização. O novo modelo foi aprovado em reunião a portas fechadas, na quinta-feira, entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e cinco ministros. O objetivo é não só melhorar o desempenho do programa, com o acompanhamento mais de perto pelos governos estaduais, mas, também, engajar as Secretarias de Segurança Pública no controle da violência no campo.

Como a responsabilidade da reforma agrária recai hoje sobre o Governo federal muitos estados não se empenham na desocupação de terras e de prédios públicos. A questão agrária divide o episcopado, reunido em Porto Seguro, onde a maioria não concorda quando o Movimento dos Sem-Terra invade e faz depredações. (pág. 1 e A12)

- Em Presidente Prudente, Almir Soriano, presidente empossado da União Democrática Ruralista (UDR) do Pontal do Paranapanema, prega a necessidade de os fazendeiros se armarem na proteção de suas propriedades. (pág. 1 e A12)

- Em Belém, as pressões sobre o julgamento do caso Eldorado do Carajás inflamam debates - e juízes. (pág. 1 e A13)

- Projeto do próprio Governo, em tramitação no Congresso, podem criar novos entraves às ações contra políticos suspeitos de corrupção, ampliar a impunidade e dificultar o acompanhamento, por parte da Justiça, do cumprimento de leis como a de Responsabilidade Fiscal.

A avaliação é do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Velloso, de promotores que trabalham em investigações de escândalos recentes, como a da prefeitura de São Paulo, e de líderes de associações de magistrados. (pág. 1 e A4)

- Objeto de raro consenso entre governistas e oposição, o projeto que institui o financiamento público das campanhas políticas pode ser aprovado dentro de dois meses no Senado, passando a vigorar em 2002.

Especialistas em marketing político alertam, no entanto, para os riscos embutidos no estabelecimento de limites para os gastos muito abaixo da realidade, estimulando ainda mais as prestações de contas ilegais. O tema é potencialmente polêmico, como mostram as experiências dos EUA e da França. (pág. 1, A6 e A7)

- O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) tem sofrido constante assédio de empresários interessados em suas decisões. Os conselheiros são alvo de agrados e presentes. O diretor de uma grande indústria, por exemplo, mandou caixas de lagostas e camarões para o Cade na véspera do julgamento de processo envolvendo a empresa.

O Governo estuda a substituição do conselho por uma agência e há um consenso entre especialistas do setor de que o sistema precisa de reforma. (pág. 1 e B1)

- A mudança no regime cambial e a desvalorização do Real não alteraram a trajetória da indústria brasileira em direção a um regime de comércio mais global, deixando para trás décadas de forte proteção, segundo o especialista em comércio exterior do IBGE, Maurício Moreira. O expressivo volume de importações de bens intermediários no primeiro trimestre é o sinal mais recente dessa tendência. (pág. 1, B6 e B7)

- Os gastos da prefeitura de São Paulo em Interlagos, em dez anos de disputa do GP do Brasil de Fórmula 1, ultrapassam US$ 100 milhões, cifra que corresponde a uma vez e meia o valor estimado para a já prevista venda do autódromo. A média de despesas em obras em cada GP, que na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina era de US$ 4,76 milhões, passou para US$ 7,75 milhões na época de Paulo Maluf e para US$ 14,3 milhões na de Celso Pitta.

O Estado fez uma pesquisa no Diário Oficial e verificou que só os gastos com o aparato desmontável chegam a US$ 52,4 milhões. A pista é anualmente reformada e os pilotos ainda apontam defeitos. (pág. 1, C1 e C3)

EDITORIAL

"A prosperidade que confunde" - Alguns dos velhos instrumentos de análise da economia não funcionam. Faltam novos sistemas. As surpresas continuarão surgindo e nada garante que as boas notícias vão predominar. É um problema que só o capitalismo praticado nos EUA pode criar. (pág. 6)

COLUNA

(Coluna do Estadão) - Mesmo enfrentando uma de suas piores crises, o Governo começa a preocupar-se com outro assunto que ainda não foi posto na pauta do dia: o suspeito comportamento da Comissão Mista de Orçamento. O alerta já chegou no Planalto e alguns ministros já começam a se ocupar deste tema.

O principal temor é que o Congresso reviva o tempo do famoso "Escândalo do Orçamento", alvo de uma CPI em 93. Há sinais de risco, detectados por assessores próximos do Presidente, de que a situação anterior volte com força a tomar conta da comissão. (...) (pág. A-6)

O GLOBO

- Governo usa 600 cargos para controlar Congresso

- O presidente Fernando Henrique controla o Congresso com os 600 cargos do Governo federal que distribuiu aos líderes e parlamentares dos partidos aliados. O mapa do poder na burocracia do Governo foi fornecido pelo ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas, que abriu sua caixa-preta e entregou ao professor da Universidade de Brasília Carlos Pereira um disquete com os cargos reservados aos políticos - foi Eduardo Jorge quem controlou esta distribuição no primeiro mandato de Fernando Henrique.

Em crise com a base parlamentar e ameaçando fazer retaliações contra os infiéis, o Presidente terá de voltar a redistribuir alguns desses 600 cargos, que representam 10% da máquina federal de livre nomeação, para garantir a aprovação do salário mínimo de R$ 151 no próximo dia 10.

O estudo do professor Carlos Pereira mostra a relação direta entre a fidelidade dos partidos ao Governo nas votações no Congresso, o preenchimento de cargos e a liberação de verbas para o pagamento de emendas de deputados e senadores. (pág. 1 , 3 a 5)

- As farmácias do Rio só têm à venda seis dos 45 remédios genéricos produzidos no Brasil. Três meses depois de o Governo autorizar os laboratórios a fabricar genéricos para forçar uma queda de preços, o Sindicato das Farmácias vem recebendo denúncias de que os médicos exigem que seus pacientes usem remédios de marca. As farmácias afirmam que não recebem quantidade suficiente de medicamentos e os laboratórios prometem regularizar a situação esta semana. (pág. 1, 35 e 36)

- As duas maiores centrais sindicais, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, promovem festa no dia 1º de maio, mas dizendo que nem trabalhadores nem o próprio movimento sindical têm muito a celebrar. Passados 20 anos da maior manifestação do Dia do Trabalho, quando 120 mil pessoas lotaram o estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a situação é diferente, com desemprego e os sindicatos cada vez menos representativos.

O economista Márcio Pochmann, da Unicamp, e o sociólogo Álvaro Augusto Comin, da USP, constatam o declínio do sindicalismo no País ao logo dos anos 90, na esteira do processo de abertura e globalização da economia.

Entre os fatores desse enfraquecimento, afirmam eles, estão a estabilidade econômica e a queda da inflação - combustível das greves da década de 80 - o aumento do desemprego, as privatizações, que atingiram categorias estratégicas, e a defasagem do chamado sindicalismo de porta de fábrica. (pág. 8)

- Documento dos chamados Arquivos do Terror, descobertos pelo paraguaio Martin Almada, provam que a Interpol da América Latina funcionou nos anos 70 como um braço da Operação Condor. O escritório da Interpol do Brasil foi o primeiro a participar de ações contra opositores das ditaduras militares instaladas na América do Sul. (pág. 1 e 45)

- O Brasil terá um 1º de Maio agitado pela ameaça de greve dos caminhoneiros, prevista para começar amanhã e que poderá se prolongar por tempo indeterminado. Os líderes da categoria ameaçam estacionar entre 800 mil e um milhão de caminhões nos postos de gasolina e nas margens das rodovias em todo o País. Muitos deles estarão nas estradas amanhã deslocando-se para os pontos indicados pelo comando de greve.

O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), Nélio Botelho, garantiu que as estradas não serão bloqueadas, como na greve do ano passado. Mas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) declarou apoio à greve e sua presença - para o presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade - traz o risco de ações radicais e de confronto.

A CNT participou da greve anterior, mas recusou-se a aderir à atual por ser contra o apoio do MST aos caminhoneiros. (pág. 8)

- Chega às bancas na próxima terça-feira o primeiro número do Valor, jornal diário de economia editado pela Infoglobo, empresa que administra o GLOBO, em parceria com o grupo Folha da Manhã S.A, responsável pela Folha de S. Paulo. (pág. 1 e 40)

- Um ano e 28 dias depois do pontapé inicial a CPI do Narcotráfico encerrará os seus trabalhos, em 11 de maio, usando a mesma fórmula que a levou ao sucesso: efetuando prisões. No primeiro e mais bem-sucedido caso investigado pela comissão - o do envolvimento do então deputado Hildebrando Pascoal com o esquadrão da morte e o tráfico internacional de drogas - foram pedidas 28 prisões, inclusive a do próprio Hildebrando.

No relatório final, a CPI requisitará ao Ministério Público Federal pedidos de prisão para cerca de 30 pessoas e o indiciamento de pelo menos 50 nos 13 estados nos quais fez diligências.

O balanço é o melhor já obtido por uma CPI instalada no Congresso. Tanto que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), participará da entrevista coletiva que a comissão dará daqui a 11 dias e, em seguida, oferecerá um almoço a seus integrantes. (pág. 12)

- Pedro Malan ou José Serra? Esta é a pergunta que paira hoje sobre a República e deixa no ar a dúvida sobre o nome preferido do presidente Fernando Henrique Cardoso para disputar sua sucessão. Nos últimos dias, interlocutores palacianos se convenceram de que o coração do Presidente balança entre esses dois nomes. Os governadores Mário Covas e Tasso Jereissati, outras opções tucanas com quem ele tem tido dificuldades de relacionamento, passaram a ser hipóteses mais remotas.

Embora já tenha decidido que terá participação ativa na eleição de 2002 e já esteja trabalhando pela reedição da aliança partidária que apóia seu Governo, Fernando Henrique não vai dizer tão cedo sua preferência. Mas, nas conversas com os aliados, vai alimentando todas as possibilidades, ao gosto do interlocutor. (...)(pág. 8)

- O Governo anuncia em junho um pacote de medidas para incentivar o turismo no País, beneficiando cinco corredores com ações públicas e privadas: Rio de Janeiro e São Paulo, áreas ecológicas, litoral Nordeste, litoral Sul e corredor central. Essas regiões foram escolhidas porque já têm infra-estrutura turística e apresentam tendência de crescimento no setor.

O coordenador-executivo do Brasil Empreendedor, Paulo Souza, disse que a intenção é adotar ações imediatas que acabem com alguns problemas do turismo no País. Do grupo técnico que estuda as medidas participam 19 ministérios e todos os bancos oficiais federais. Não haverá recursos novos no programa, e a intenção é reunir o dinheiro disponível para orientar melhor a sua utilização. (pág. 41)

EDITORIAL

"Mito e realidade"- Um dos maiores desafios da economia brasileira é o aumento da poupança interna, sem a qual o País não consegue ampliar sua capacidade de investimento. O setor público ainda pesa muito na economia e passou longo tempo sem poupar. Para cobrir seu déficit, avançou sobre a escassa poupança interna que deveria financiar novos investimentos.

Com essa poupança insuficiente, o País tornou-se mais dependente de capitais externos. A entrada maciça desses recursos nos últimos anos contribuiu, sem dúvida , para expandir a participação de capitais estrangeiros no PIB, inclusive pela compra de ativos já existentes. (...) (pág. 6)

COLUNA

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - "Todos nós herdamos do sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo, além da sífilis, é claro". E de outras tantas coisas menos líricas não mencionadas por Chico Buarque e Rui Guerra no "Fado Tropical". Uma delas, o fisiologismo como prática política para a conservação do mando, prática ainda tão viva, como demonstra o vasto material que O Globo publica hoje, deslindando o assunto. (...) (pág. 2)

( Ricardo Boechat) - Ao comprar a Reynold's, terça-feira nos EUA, a Alcoa assumirá aqui parte do controle da Latasa, que é dona de 55% do mercado brasileiro de latas de alumínio.

A isso somará 65% da produção nacional de garrafas plásticas, que já lhe pertence.

O Cade vai chiar.

Está diante de um quase monopólio na área de recipientes para a indústria de bebidas. (pág. 12)

CORREIO BRAZILIENSE

- Reforma agrária rende R$ 120 milhões por ano

- Com faturamento de R$ 10 milhões mensais, 40 mil famílias de assentados conseguem até exportar e reforçam a tese de que é possível transformar a iníquia situação fundiária do País. (pág. 1, 20 e 21)

- Uma redução de 10% na corrupção brasileira poderia acrescentar US$ 50 bilhões ao Produto Interno Bruto em 20 anos. Isso seria o suficiente para dobrar a renda per capita do brasileiro, segundo cálculos de professores da Fundação Getúlio Vargas. (pág. 1 e 12)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Dados atualizados da Secretaria de Segurança Pública mostram que a criminalidade no Distrito Federal caiu 8,52% no ano passado em relação a 1998. Pesquisa do IBGE constatou que, proporcionalmente, o DF é a segunda unidade da Federação em mortes violentas de jovens entre 15 e 19 anos. Os dados do IBGE, no entanto, referem-se a 1997 e 1998.

De acordo com a Secretaria de Comunicação do GDF, em 98 eram assassinadas 28 pessoas por grupo de 100 mil, entre elas muitos jovens, proporção que caiu para 22 no primeiro ano de governo Roriz. (pág. 1 e 1-B)

ZERO HORA

- Um ano depois de ter deixado o Rio Grande do Sul, a presença da mais moderna fabrica da Ford no mundo em solo baiano já movimenta a economia e provoca melhoria entre os habitantes da região de Camaçari, a 40 quilômetros de Salvador. As obras da montadora, instalada próxima ao Pólo Petroquímico, mudaram a fisionomia do lugar, uma área cinzenta que se estende por um trecho da BA-512 (estrada que liga Camaçari ao Litoral Norte). O local abrigaria a fabrica da Asia Motors, que desistiu de se instalar na Bahia.

Ali, transitam diariamente centenas de caçambas e caminhões com material para a unidade, que se desenvolvem as obras de terraplenagem e de montagem do primeiro modulo metálico que compõe a estrutura da Ford. Ao todo, são três módulos onde a partir de 2001, começarão a ser fabricados os primeiros veículos de um projeto orçado em US$ 1,3 bilhão. (pág. 16, 17 e 18)

- O momento em que Brasil e Argentina reúnem esforços para salvar o Mercosul, depois do abalo sofrido por alguns setores da indústria argentina com a desvalorização do real, ocorrida em janeiro do ano passado, o ex-ministro da economia Domingos Cavallo avalia as relações comerciais entre os dois países. Para o candidato à prefeitura de Buenos Aires, somente haverá avanços nas negociações entre Brasil e Argentina depois que os dois países atingirem maior estabilidade e crescimento econômico.

Cavallo, reconhecido pela ação em 1991, do Plano de Conversibilidade (um peso igual a US$ 1), que trouxe a estabilidade econômica e acabou com a hiperinflação na Argentina, foi categórico em sua análise a respeito do Mercosul: a experiência foi um fracasso. (pág. 20)

MANCHETES

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Os riscos da radicalização

CORREIO DO POVO (RS)

- Salário mínimo leva Governo e oposição a novo confronto

ZERO HORA (RS)

- A alma do Gre-Nal

REVISTAS

VEJA

TÍTULO DE CAPA

- Fiasco maravilhoso - As comemorações dos 500 anos naufragam em ritmo de samba-enredo

De nau a pior - A caravela pifou. Greca foi demitido, índio apanhou no dia de sua festa. Nem carnavalesco teria imaginação para esse enredo. (capa e pág. 44 a 50)

O Leão quer mais - O secretário da Receita diz que os empresários reclamam dos impostos que não podem sonegar, como a CPMF e a Cofins. (pág. 11, 14 a 15)

Sem lei na selva - Denúncias de corrupção obrigam o Governo a decretar intervenção no Ibama do Pará. (pág. 1 e 51)

Nas asas da fusão - União entre TAM e Transbrasil é o primeiro lance da reestruturação da aviação comercial brasileira. (pág. 136 e 137)

ISTOÉ

TÍTULOS DE CAPA

- Libere a vaidade - Homens e mulheres mergulham nas novas maravilhas que prometem revolucionar a beleza.

* Produtos à base de semente de uva, milho e até shitake chegam ao mercado

* Suplementos de vitaminas e minerais combatem o envelhecimento da pele

* Modernos peelings tornam mais eficazes os tratamentos contra as manchas e as rugas

- Roraima igreja, índios e fazendeiros disputam terras e diamantes

Chegou a hora - Depois de ser fritado durante meses por FHC, Greca deixa o Ministério, mas esquema da jogatina deve continuar sob controle do PFL. (pág. 24 a 26)

Roraima em pé de guerra - Padre italiano é acusado de ensinar tática de guerrilha a índios de Roraima e ficar com ouro e diamante extraídos nas reservas. (pág. 28 a 31)

Pelo fim do imbróglio - Ministro quer a votação do piso estadual antes do mínimo. (pág. 32)

Turbinas ligadas - Centrais sindicais botam o bloco na rua para pressionar o Governo pela renovação da frota. (pág. 90)

Um belo mergulho. (pág. 100 a 106)

ÉPOCA

TÍTULOS DE CAPA

- Parceria de jalecos

- A segunda opinião - Médicos e pacientes contam por que é importante ouvir mais de um especialista

- 500 anos - Vexame e tumulto na última festa de Greca

- Gisele/Dicaprio - A modelo conquista o namoradinho do planeta

Terapia contra a dúvida - A segunda opinião dissemina-se nos consultórios do País e confirma ser a melhor garantia contra falsos diagnósticos e erros médicos. (capa, pág. 152 à 157)

Outro sinal vermelho - Denúncias de fraude no Fundo de Amparo ao Trabalhador levam Governo a apertar fiscalização. (pág. 46 e 47)

O carnaval de abril - Os caciques da comemoração dos festejos do Descobrimento quiseram tirar os índios de cena e protagonizaram uma das festas mais vexatórias em cinco séculos de História. (pág. 36 a 39)

Candidato na Internet - De olho no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda autoriza o registro da marca de campanha "Malan 2002". (pág. 140 e 141)

Desmonte da defesa do senador. (pág. 41 a 42)

DINHEIRO

TÍTULOS DE CAPA

- O amargo exílio de Chico Lopes - A rotina solitária, o trabalho no ostracismo e as fotos inéditas do ex-presidente do Banco Central, um ano depois de sair preso do Congresso.

- FHC: Entrevista exclusiva - "Não vamos ter exuberância irracional como os EUA. Vamos crescer 4% neste ano".

- Quem vai comprar a Ipiranga

A volta das câmaras setoriais - Governo cria fóruns industriais. E os recursos? (pág. 29)

Agenda de FHC - O presidente Fernando Henrique está em lua-de-mel com a economia. Garante o crescimento de 4% neste ano e diz que vai deixar os juros em um dígito. (pág. 12 a 17)

Rombo histórico - União se prepara para pagar correção bilionária do FGTS. (pág. 30 a 31)

- O evangelho do exílio segundo Chico Lopes. (capa, pág. 34 a 40)

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

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