06/03/2001

JORNAL DO BRASIL

- CPMF vai virar imposto para financiar área social

- O ministro Pedro Malan, que passou o fim de semana em Buritis, convenceu o presidente Fernando Henrique a propor ao Congresso a criação do Imposto sobre Movimentação Financeira (IMF), que deverá arrecadar R$ 17 bilhões por ano, destinados a financiar programas sociais.

Na prática, representa apenas a mudança de nome é da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que acaba em junho de 2002 e deve arrecadar este ano R$ 15,5 bilhões.

O ministro da Fazenda também convenceu o Presidente a incluir no pacote de emenda constitucional a cobrança de contribuição para o INSS de 11% dos funcionários públicos inativos. As ponderações de Malan provocaram mudanças nas medidas que FH pretende anunciar quinta-feira.

O nome do projeto, inicialmente Plano de Ação Governamental, passará a ser Roteiro de Ação ou Agenda de Ação. Com a criação do IMF, o Governo desistiria do aumento de 1,5% na Cofins. (pág. 1 e 13)

- O Palácio do Planalto respondeu formalmente ontem, pela primeira vez, as denúncias e acusações feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães envolvendo o Governo e o próprio presidente Fernando Henrique.

A nota oficial, assinada pelo secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, diz que as cartas de ACM a FH "não continham denúncias específicas e fundamentadas, mas suspeitas, sempre sobre adversários políticos".

No caso da Sudam e do DNER, consideradas "menos vagas", o Governo abriu investigações. Aloysio afirma, por fim, que FH não comentará referências pessoais feitas por ACM "tanto as laudatórias como as infamantes por considerar despiciendo". Ou seja, desprezível. (pág. 1 e 4)

- "Infelizmente estamos chegando ao final de uma luta muito grande, que durou dois anos e meio. A crise está vencendo, o governador não vai bem". As frases, do urologista Sami Arap, dão conta do agravamento do estado de saúde do governador licenciado de São Paulo, Mário Covas.

Ontem, o governador, internado há oito dias no Instituto do Coração, com câncer, perdeu a consciência, teve convulsões, queda brusca da pressão arterial e alterações neurológicas.

O clima pessimista foi percebido também entre os visitantes e parentes do governador - a irmã de Covas, Nívea, chorou durante a apresentação de um coral infantil. "Estou triste. Agora é a reta final", definiu o empresário Arnônio Ermírio de Moraes. (pág. 1 e 3)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso começou a acertar os ponteiros da delicada reacomodação da base de sustentação política do Governo. Ontem, depois de uma reunião no Palácio da Alvorada, o Presidente cedeu aos argumentos do vice-presidente Marco Maciel e do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e decidiu que só anuncia os nomes dos novos ministros da Previdência Social e das Minas Energia no fim da semana.

Com isso dá o tempo necessário para que Maciel e Bornhausen costurem uma recomposição interna no PFL que garanta a confirmação do apoio do partido ao plano de ação para os dois últimos anos de Governo e, ao mesmo tempo, reduza as margens de atrito com o grupo do senador baiano Antonio Carlos Magalhães (BA). (pág. 2)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso adiou para quarta-feira o anúncio do Plano de Ação Governamental. Fernando Henrique mandou suspender todos os preparativos e cancelou a reunião com ministros e líderes de partidos para concentrar sua assessoria na elaboração de uma resposta do Governo às denúncias do ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

"Precisamos dar consistência política e aglutinar os partidos da base em favor das metas do Governo. E para isso necessitamos de tempo e de um melhor momento para anunciá-las", disse o líder do Governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). (pág. 2)

- (Belo Horizonte) - Pela primeira vez, oficialmente, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), admitiu ontem que é candidato a presidente da República.

O anúncio foi feito por meio de sua assessoria de imprensa, depois de um encontro entre o governador e o presidente nacional do PL, deputado federal Waldemar da Costa Neto (SP), que deixou o Palácio da Liberdade "entusiasmado".

O anúncio de Itamar Franco foi feito quatro dias depois da divulgação de sua filiação ao PMDB. De acordo com o comunicado, o governador pretende disputar a vaga na convenção do partido. O senador Pedro Simon (RS) também é pré-candidato ao PMDB.

Itamar Franco deixou o Liberdade no fim da manhã, sem se pronunciar. A assessoria informou que ele está gripado e que iria se recuperar no Palácio das Mangabeiras. Hoje, o governador estará em Brasília, onde se encontra com o deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT-RJ). (pág. 5)

- (Belo Horizonte) - A febre amarela - que já causou 12 mortes no centro-oeste de Minas Gerais, na região do Vale do Rio Pará - pode estar se aproximando da capital mineira. Um caso suspeito da doença foi registrado no município de Juatuba, na Região Metropolitana.

Um homem de 48 anos está internado no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, com os sintomas da doença. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, ele é morador de Betim e teria contraído a doença durante uma pescaria em Juatuba. (...) (pág. 6)

COTAÇÕES

- Salário mínimo: (março) R$ 151,00. Dólar comercial: (compra) R$ 2,0224, (venda) R$ 2,0232. Dólar paralelo: (compra) R$ 2,020, (venda) R$ 2,050. TR do dia 6/2 a 6/3: 0,0312%. TBF do dia 2/3 a 2/4: 1,1393. (pág. 1)

EDITORIAL

"Limites de Murphy" - A Bolsa de Buenos Aires recebeu com tapete vermelho a escolha do novo ministro da Economia da Argentina. O índice Merval fechou o dia de ontem com alta de 8,18% e o Clarín, principal jornal do país, comemorou na sua edição em tempo real: "La designación de Lopez Murphy cayó bien en los mercados".

O movimento veio confirmar o que já se sabia. Insatisfeitos com o desempenho de José Luis Machinea, os homens do mercado financeiro, há muito, apontavam Ricardo López Murphy como o melhor nome para conduzir a economia argentina. Se dependesse deles, López Murphy não perderia tempo na pasta da Defesa e Machinea sequer teria sido ministro do governo De la Rúa. (...)

Torna-se ugente um novo desenho político, que acorde o governo De la Rúa. Sem isso, López Murphy não conseguirá impor o necessário ajuste fiscal. E ficará mais longe o dia em que a Argentina terá condições de se desvencilhar das amarras da conversibilidade. Com o peso atrelado ao dólar, o presente é difícil. E o futuro, uma incógnita. (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Que o governo Fernando Henrique Cardoso fez nos últimos anos o papel de situação e oposição a si próprio, é fato conhecido. Tão acostumados estão ao poder há tanto tempo, que os partidos que lhe dão sustentação política - PMDB, a costela deste, o PSDB, e PFL - conseguiram com grande competência, e uma ajuda substancial da esquerda, ocupar todos os espaços.

Mas até hoje, salvo o carimbo de presidente-leniente que o senador Antonio Carlos Magalhães conseguiu por certo tempo imprimir a FH, tudo transcorreu num clima de idas e vindas típico das relações neuroticamente estáveis. No momento em que o chefe resolvia dar ordem-unida, as coisas temporariamente se ajeitavam. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Paulo Fona) - A entrevista do líder do Governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), criticando o ex-presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, é apenas o começo da contra-ofensiva do presidente Fernando Henrique.

O tucano amazonense é um dos oito a dez governistas escalados para rebater - agora no mesmo dia - as novas denúncias de ACM ou vazamentos de confidências entre um presidente da República e um presidente do Senado, aliado de seu governo. "Esse jogo não pode terminar um a um", sintetiza Arthur Virgílio Neto.

O objetivo é isolar politicamente o ex-presidente do Senado e agir ofensivamente, inclusive retirando os cargos federais na Bahia dos nomes indicados ou ligados ao senador baiano.

A ofensiva anti-ACM inclui denúncias específicas contra o senador, como, por exemplo, os gastos de sua campanha eleitoral e as relações com a agência de publicidade Propeg.

O Governo, por sua vez, cumprirá a sua parte. Demitirá não só os nomes indicados diretamente por ACM como aqueles sugeridos por deputados e senadores carlistas - ou seja, quer ver a qual Senhor o parlamentar serve. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Aliados de ACM sairão, diz Governo

- O Planalto demitirá aliados do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) que têm cargos de confiança no Executivo, em represália a acusações de ACM contra o Governo.

O deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), líder governista, chamou de "guerra sem volta" a relação entre a base aliada e ACM. "O Governo vai demitir um monte de gente", disse Virgílio, que não afirmou quando FHC iniciará os cortes.

ACM desafiou o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), a autorizar o Banco Central a divulgar relatório sobre a investigação de desvio de dinheiro público depositado no Banpará (Banco do Estado do Pará) quando Jader era governador.

Jader vetou a liberação do relatório. Ele pedirá que o BC envie o documento ao Ministério Público do Pará, titular da apuração do banco. (pág. 1 e A4 a A6)

- O governador licenciado de São Paulo, Mário Covas, perdeu a consciência, não responde a estímulos e sofre convulsões, segundo boletim médico divulgado às 11h30 de ontem.

Para os médicos, o estado clínico do governador, já gravíssimo, é "o pior desde a sua internação" no Incor, no dia 25. A equipe médica admitiu não ter recursos para combater o câncer em Covas. "A doença está vencendo", disse o urologista Sami Arap. (pág. 1 e A8)

- A nomeação do liberal Ricardo López Murphy para o Ministério da Economia argentino gerou euforia entre investidores. A entrada de López Murphy no lugar de José Luis Machinea foi, para analistas, responsável pela alta de 8,1% na Bolsa de Buenos Aires.

O banco de investimento Merrill Lynch colocou papéis da dívida argentina na lista média de investimentos, sete dias após orientar seus clientes a evitar o país. (pág. 1, B1 e B3)

- Quatro presos morreram, e 13 ficaram feridos ontem numa rebelião sem reféns que durou sete horas no Presídio São Leonardo, em Maceió.

Os rebelados lançaram para fora da unidade a cabeça e um dos braços de um preso. Eles destruíram a parte administrativa do presídio e as celas e incendiaram os 500 colchões novos que haviam recebido menos de 30 dias antes. No fim da tarde, os presos decidiram entregar os revólveres obtidos na casa de armas. (pág. 1 e C1)

- Dois alunos morreram, e ao menos 13 pessoas ficaram feridas depois que um estudante armado atirou contra colegas numa escola secundária de um subúrbio de San Diego (EUA).

O incidente ocorreu durante o intervalo das aulas, quando os alunos estavam no corredor. O suposto autor dos tiros, de 15 anos, foi detido. (pág. 1 e A11)

- Começou julgamento de processo em que a indústria farmacêutica tenta impedir que a África do Sul compre remédios genéricos anti-Aids do Brasil e da Índia. Para a indústria, é arbitrária a lei que permite ao ministro da Saúde decidir quando o País pode fabricar ou importar genéricos de remédios patenteados. (pág. 1 e A9)

EDITORIAL

"Argentina com Murphy" - O ultraliberal Ricardo López Murphy é o novo ministro da Economia da Argentina.

Com isso, o Governo pretende sinalizar que o regime de conversabilidade será mantido e que um dos poucos preceitos liberais não seguidos à risca pelo País, o equilíbrio fiscal, será um objetivo prioritário.

A escolha agradou o mercado financeiro internacional, o que deve evitar pelo menos por algum tempo que a proteção trazida pela "blindagem" financeira tenha seus efeitos dissipados por crises políticas e pela contaminação da crise na Turquia.

A Argentina demonstra que deseja manter a todo custo o regime de conversabilidade que logrou a partir de 1991 com a hiperinflação e produzir em diversos anos um considerável crescimento econômico. (pág. A2)

COLUNA

(Painel) - A cúpula do Governo FHC reconheceu ontem, entre quatro paredes, que Jader Barbalho está muito enrolado no caso Banpará. Estuda-se no Planalto uma saída política para preservá-lo. Mas um assessor direto de FHC reconheceu: "Jader terá problemas". Ponto para ACM.

* FHC e seus ministros estão furiosos com a inépcia de Armínio Fraga. ACM chamou o presidente do BC de "covarde" por não tornar público o relatório do Banpará e este retribuiu chamando o baiano de "meu querido amigo". Não satisfeito, deu o caminho das pedras para que o documento saia do armário. (pág. A4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- FHC vai propor parlamentarismo a partir de 2006

- O presidente Fernando Henrique Cardoso vai propor a retomada do debate sobre a introdução do sistema parlamentarista de governo a partir de 2006. A proposta consta do texto de abertura da Agenda 2001-2002, documento que ele está prestes a encaminhar aos partidos de sua base.

"Por que não encarar o fortalecimento dos partidos e do sistema eleitoral na perspectiva de uma reforma mais ampla - a introdução do sistema parlamentarista de governo?", pergunta FHC.

Ele reforça uma premissa: "Reforma dessa magnitude, só para vigorar a partir de 2006. Isto é, com pleno respeito às regras atuais e ao processo político que levará à eleição do novo Presidente da República em 2002.

O Presidente sugere o tema a partir do uso de medidas provisórias pelo Executivo, lembrando que esse é um instrumento "tipicamente parlamentarista". (pág. 1, A4 e A6)

- Líderes do Governo e dos partidos aliados iniciam hoje no Congresso uma operação, a pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso, contra as denúncias do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

Irritado com o espaço de ACM na imprensa, o presidente FHC cobrou de colaboradores e aliados um contra-ataque às acusações. O líder do Governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), disse que os indicados por ACM devem ser demitidos de cargos federais. (pág. 1 e A5)

- O estado de saúde do governador licenciado Mário Covas agravou-se. "A doença está vencendo", disse o urologista Sami Arap. A equipe médica anunciou que Covas teve convulsões e diminuição do nível de consciência. Segundo o médico David Uip, desde a tarde de domingo o governador não apresenta respostas à equipe, à família ou ao ambiente. (pág. 1 e A8)

- O índice de atividade não industrial da Associação Nacional os Gerentes de Compras (NAPM), pelas iniciais em inglês) dos EUA subiu de 50,1 em janeiro para 51,7 em fevereiro, um sinal de que a economia do País pode ter superado a pior fase.

Composto em sua maior parte pelo setor de serviços, o índice aponta expansão de atividades quando é superior a 50 e retração quando fica abaixo. Embora acima de 50, o índice é bem inferior à média do ano passado. (Pág. 1 e B16)

- O novo ministro da Economia, Ricardo López Murphy, tomou posse ontem. Considerado pouco flexível, ele e a aposta do presidente Fernando de la Rúa para tentar contornar a desconfiança dos mercados e reativar a abalada economia argentina, há 30 meses em recessão.

Com Murphy vem a perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso do que o aplicado por seu antecessor, José Luiz Machinea.

Depois da posse de Murphy, a Bolsa de Valores de Buenos Aires disparou e teve alta de 7,3%. É quase certo, porém, que o ministro enfrentará oposição: os governadores do Partido Justicialista temem aperto fiscal. (pág. 1, B1, B3 e B4)

EDITORIAL

"O estreito caminho de López Murphy" - O espaço de ação do novo ministro da Economia da Argentina é muito estreito. A mudança do regime cambial seria política e psicologicamente inaceitável para os argentinos, acostumados a associar a Lei de Conversibilidade à vitória contra a hiperinflação. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão - Ariosto Teixeira) - O presidente Fernando Henrique Cardoso vai propor a retomada do debate sobre a introdução do sistema parlamentarista de governo no Brasil a partir da sucessão do futuro presidente da República, em 2006. A proposta consta do texto de abertura da "Agenda 2001-2002" que ele encaminhará aos dirigentes dos partidos de sua base de apoio parlamentar. (...)

O Presidente argumenta, no entanto, que com o crescimento, a estabilidade e a consolidação dos avanços sociais num clima de liberdade e responsabilidade como o existente hoje, pode ter chegado a hora de o Congresso retomar uma discussão que ele reputa fundamental: "Por que não encarar o fortalecimento dos partidos e do sistema eleitoral na perspectiva de uma reforma mais ampla - a introdução do sistema parlamentarista de governo?", indaga. (...) (pág. A-6)

O GLOBO

- FGTS: empresários e centrais criticam proposta do Governo

- Trabalhadores e empresários criticaram ontem a proposta do Governo de criar uma contribuição de 2% sobre a folha de pagamento das grandes e médias empresas e reduzir o percentual de recolhimento do FGTS de 8% para 7% para cobrir a correção do Fundo determinada pela Justiça.

Para o presidente da CUT, João Felício, o Governo quer empurrar sua dívida para empresários e trabalhadores: "Duvido que os empresários concordem com a contribuição", disse ele. Segundo os empresários, a medida pode resultar no repasse dos custos para os preços ao consumidor e no aumento da economia informal.

"Os 2% da nova contribuição não vão ajudar em nada. Somos contrários à tese de que empregadores e empregados têm que resolver os problemas. Quem tem que pagar é o Governo", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira. (pág. 1 e 19)

- O quadro clínico do governador Mário Covas foi agravado com o surgimento de convulsões. Os médicos que o assistem reconheceram que o câncer está derrotando Covas. "Estamos chegando ao fim de uma luta muito grande", disse o urologista Sami Arap, que operou Covas de um tumor na bexiga há dois anos e meio. O governador está inconsciente e não sente dor. (pág. 1 e 3)

- A crise política na base aliada alterou a forma de divulgação do Plano de Ação do Governo. O presidente Fernando Henrique desistiu de fazer uma cerimônia para anunciar o plano, que reúne as medidas para os dois últimos anos do Governo.

Em reunião ontem com o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), Fernando Henrique também recuou da idéia de nomear imediatamente os novos ministros da cota do partido. As nomeações serão feitas após a reunião da executiva nacional do PFL, marcada para quinta-feira.

Depois de se reunir durante o dia com ministros e assessores, o Presidente resolveu fazer um lançamento mais discreto do Plano de Ação, desistindo de realizar uma solenidade ou mesmo de fazer um pronunciamento no Planalto. Ele divulgará os detalhes do plano amanhã, quando se reunirá, em separado, com os presidentes e líderes dos partidos.

Fernando Henrique e os líderes do Governo consideraram que a divulgação do plano poderia ficar esvaziada com o clima criado pelas novas denúncias do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). (pág. 9)

- O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será presidido a partir da noite de hoje pelo ministro Maurício Corrêa, do Supremo Tribunal Federal (STF). Corrêa ficará no cargo até 11 de junho, quando seu vice-presidente, ministro Nelson Jobim, o assumirá pelos dois anos seguintes. Com isso, Jobim presidirá as eleições para presidente, em outubro de 2002. (pág. 4)

- Na primeira reação às denúncias de corrupção feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães, o presidente Fernando Henrique acusou ACM de ter pedido verbas para o ex-prefeito Paulo Maluf, que o teria ajudado a se eleger presidente do Senado. As acusações de ACM, para o Planalto, são "reles calúnia, indigna de um senador". (pág. 1 e 8)

- O novo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Marcus Faver, pediu ontem a 300 juízes do estado uma cruzada para recuperar a credibilidade da Justiça. Ele admite até punir magistrados.

* A partir de agora, os processos de idosos com mais de 65 anos terão prioridade no STJ. (pág. 1, 11 e 15)

- O Governo brasileiro não vai mais incluir o saldo comercial nas metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 1999, a previsão inicial era de superávit de US$ 10,8 bilhões e o resultado foi déficit de US$ 1,261 bilhão. Em 2000, a projeção era de saldo de US$ 4,3 bilhões, mas o déficit ficou em US$ 705 milhões. (pág. 2 e 24)

- O secretário Alfredo Sirkis (Urbanismo) criticou a cobrança de US$ 600 mil feita à prefeitura pelo empresário Edemar Cid Ferreira, em nome da Associação Brasil + 500, para intermediar as negociações para a construção do Museu Guggenheim no Rio. "Edemar é uma figura polêmica no meio cultural", diz Sirkis. (pág. 1 e 13)

- O senador José Sarney (PMDB-AP) deve receber alta hoje do Incor. Sarney foi submetido a uma cirurgia, há seis dias, para a retirada da próstata por causa de um tumor. O resultado dos exames do material extraído na cirurgia, que ficaram prontos ontem, não foi divulgado. (pág. 1)

- A prefeita Marta Suplicy teve uma reunião ontem com o Sindicato de Condutores e conseguiu que fosse suspensa a greve de ônibus marcada para ter início na madrugada de hoje. Marta tinha denunciado que o sindicato, ligado à Força Sindical, estava estimulando a greve por razões políticas, com o intuito de prejudicar a prefeitura comandada pelo PT. (pág. 2 e 4)

- O Ministério da Saúde deve anunciar hoje o montante de recursos que usará no combate à epidemia de febre amarela em Minas Gerais, que já matou 12 pessoas. Representantes do governo mineiro e do ministério vão decidir os repasses e as estratégias contra a epidemia.

- O Ministério do Meio Ambiente autorizou o pagamento da taxa para tirar licença de pesca amadora nas casas lotéricas de São Paulo e Paraná. A facilidade será estendida para outros estados. O valor é de R$ 20,00, para pesca em terra, e R$ 60,00 para pesca embarcada. (pág. 10)

EDITORIAL

"A hora certa" - O Plano de Ação do Governo, pelo que já se conhece dele, é prato de receita conhecida: apetitoso na parte relativa à programação de gastos na área social, e de difícil digestão quanto à criação de recursos para a União.

Há dezenas projetos estratégicos, todos direta ou indiretamente associados à área social. (...)

Apenas em condições normais de temperatura e pressão o País terá paz de espírito para discutir a CPMF ou aplaudir o Toda Criança na Escola. Essas condições dificilmente existirão enquanto não chegar ao fim o imbróglio das fitas pisoteadas (e as dúvidas sobre o quanto de verdade nelas existe ou existia), e enquanto o PFL não resolver a sua crise de identidade. (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Quando pede a demissão de ministros de outros partidos, como Eliseu Padilha (PMDB) e Francisco Dornelles (PPB), o PFL do B mostra sua consangüinidade com Antonio Carlos Magalhães. Sob ultimato, dizem auxiliares do Presidente, ainda que quisesse ele não faria tais demissões agora. Este PFL, embora nem sonhe em sair do Governo, está cobrando alto pela permanência na coalizão. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - A Light assina hoje, no Rio, o contrato para compra das turbinas destinadas à termoelétrica de Cabiúnas, em Macaé.

O equipamento, de US$ 70 milhões, será da Mitsubishi.

A usina gerará 500 megawatts a partir de 2003. (pág. 14)

GAZETA MERCANTIL

- Mercado reage e abre espaço a novas captações

- (São Paulo) - A mudança de comando da economia argentina causou uma onda de otimismo nos mercados internacionais. A indicação de Ricardo López Murphy para ministro da Economia da Argentina elevou os preços dos títulos de dívida da maioria dos países e ainda aumentou o espaço para o Brasil captar recursos no exterior.

O Unibanco lançou US$ 100 milhões de eurobônus de dois anos e o Governo brasileiro vai fechar nos próximos dias uma emissão de 50 bilhões de papéis em ienes (cerca de US$ 425 milhões) no mercado japonês. (pág. 1 e B-1)

- (Buenos Aires) - Contrariando especulações sobre possíveis repercussões negativas da troca de ministros na Argentina sobre as relações daquele país com o Brasil e sobre o Mercosul, funcionários da embaixada em Buenos Aires afirmam que o novo ministro da Economia, Ricardo López Murphy, é "mais afinado" com o Brasil do que era o seu predecessor.

Acreditam que López não vai alterar o frágil equilíbrio recém-conquistado nas relações bilaterais para, entre outras coisas, negociar em bloco com os Estados Unidos o acesso à Alca. Empresários brasileiros, porém, têm dúvidas. (pág. 1 e A-16)

- (São Paulo) - O Governo federal concedeu crédito de 100% sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) nas remessas de royalties ao exterior. A contribuição, instituída em dezembro último, aumentou em 10 pontos percentuais a carga tributária das empresas neste tipo de operação.

O crédito de 100%, instituído em razão da reação contrária de empresários ao aumento de tributação, vale para o que for apurado entre janeiro deste ano e 13 de dezembro de 2003. O benefício é previsto na reedição da Medida Provisória nº 2.062. (pág. 1 e A-15)

CORREIO BRAZILIENSE

- Médicos admitem que câncer venceu Covas

- Governador sofreu convulsões, queda de pressão e está perdendo aos poucos a consciência. (pág. 1 e 13)

- A se manter o ritmo que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região adotou para julgar e aprovar os pedidos de correção de 68,9% do FGTS, em seis meses serão julgados 40 mil processos. (pág. 1 e 15)

- Frei Marcos Pereira da Silva, da Igreja de Santo Antônio, na Cidade Ocidental, diz que a novela Porto dos Milagres, da Rede Globo, "não é coisa de Deus" e que "é contra a palavra que está na Bíblia". (pág. 1 e 11)

- Na disputa para ser o candidato do PT às eleições de 2002, seis nomes foram lançados informalmente, mas três surgem como favoritos: Arlete Sampaio, Geraldo Magela e Maria José Maninha. (pág. 1 e 10)

- O assaltante Marcos William Herbas Camacho, um os líderes do Primeiro Comando da Capital, chegou a Brasília algemado nas mãos e nos pés. Ele ficará em cela de segurança máxima. (pág. 1 e 10)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Golpe contra diabéticos

- Ministério da saúde quer obrigar laboratório farmacêutico a aumentar preço da insulina em 76,1%. (pág. 1 e A-9)

- Cliente foi obrigado a ficar nu diante de quatro seguranças, acusado de furtar uma faca. Ontem, o Tribunal de Justiça do DF condenou o Carrefour Sul a indenizar Vivikananda Antun Filho em R$ 35 mil pelo constrangimento. (pág. 1 e A-3)

- Wilde Ricardo Rocha, o padre mais popular de Niterói, no estado do Rio, pediu ao arcebispo dom Carlos Alberto Navarro - e conseguiu - uma licença de dois anos para rever sua vocação. Padre Wilde, segundo se comenta na cidade, está apaixonado por uma paroquiana de 23 anos. (pág. 1 e A-4)

ZERO HORA

- Mesmo perseguido pela tecnologia de segurança implantada pelas empresas transportadoras, o roubo de cargas foi um dos crimes que mais cresceram na última década no Brasil. Um estudo da maior empresa de corretagem de seguros do País, a paulista Pamcary, aponta que, entre 1994 e 2000, o número de ataques a cargas seguradas no País aumentou 110%. No mesmo período, o valor roubado triplicou. (pág. 4 e 5)

- O PMDB deveria ser o maior interessado em tirar a limpo as acusações contra o senador Jáder Barbalho, presidente do partido e do Congresso. Enquanto não ficar esclarecida essa história de que dinheiro público (do Fundo de Desenvolvimento do Pará) e dinheiro privado (do então governador Jáder Barbalho) se misturaram, ficarão todos com dificuldade para falar em ética e moralidade pública. (pág. 6)

- A Confederação Camponesa, sindicato de agricultores franceses, prometeu reembolsar a Secretaria Estadual da Agricultura em US$ 3.304 até o final desta semana. O valor corresponde às passagens aéreas de ida e volta, em classe econômica, entre Porto Alegre e a cidade de Montpellier, França. (pág. 8)

- O ministro Alcides Tápias, do Desenvolvimento, está preocupado com a atuação do novo ministro da Economia argentina, Ricardo López Murphy, em relação à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Murphy tomou posse ontem. "Há uma sinalização de que a Argentina vai negociar sozinha com os Estados Unidos. Isso é muito preocupante para o Mercosul como um todo", disse Tápias. (pág. 14)

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

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