07/03/2001

JORNAL DO BRASIL

- Brasil de luto por Covas

- Fez-se uma trégua política. As discussões pararam, políticos de todos os partidos fizeram romaria e o presidente Fernando Henrique, que chorou ao receber a notícia, aumentou de três para sete dias o luto oficial pela morte do governador Mário Covas, às 5h30 de ontem, no Instituto do Coração, em São Paulo, por falência múltipla dos órgãos, conseqüência da metástase de um câncer na bexiga, contra o qual lutou mais de dois anos sem esmorecimento.

Apontado até por seus mais ferrenhos adversários como exemplo de homem público correto, Covas está sendo velado no Palácio dos Bandeirantes onde o cardeal-arcebispo, dom Claudio Hummes, rezou missa de corpo presente, assistida, entre outros, pelo Presidente e 15 ministros.

Dona Lila, que lutou com o marido até o último minuto contra a doença, permaneceu o tempo todo ao lado do corpo. Do meio-dia ao fim da tarde, desfilaram em frente ao caixão a elite política e empresarial do País e mais de 12 mil populares.

Seu tradicional adversário político, Paulo Maluf, que lhe fez uma visita no Incor, não tinha aparecido, mas divulgou nota elogiosa. Mário Covas será enterrado, ao meio-dia em Santos, sua cidade natal, no jazigo da família. (pág. 1 e 2 a 6)

- A Ponte Aérea Rio-São Paulo terá entre 20 e 25 novos vôos nos próximos dois meses e, com a entrada da Gol, que aguarda permissão do DAC, tarifas diferenciadas por horários.

A nova empresa pretende cobrar R$ 79 nos horários de menor procura e R$ 99 nos de maior movimento. A Transbrasil vai pôr na rota mais seis vôos diários, a partir do dia 18, e a Vasp mais nove vôos em abril. (pág. 1 e 17)

- O presidente do Senado, Jade Barbalho, pediu ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que lhe encaminhe o dossiê sobre desvio de recursos do Banco do Estado do Pará, que supostamente o incrimina, e solicitou que o relatório seja enviado também ao Ministério Público do Pará. Jader prometeu entregar a cada senador uma cópia do documento.

Ele reconhece como sua a assinatura em um cheque que seria a prova de que depositou em banco particular do Rio recursos públicos entre 1983 e 1987, período em que governou o Pará.

O promotor Vicente Miranda, responsável pelo caso no Ministério Público Federal, deu prazo de mais uma semana ao Banco Central para que lhe encaminhe o relatório. (pág. 1 e 2)

- Em documento oficial e sigiloso de 1978 do Departamento de Estado dos EUA, só recentemente liberado, o então embaixador americano no Paraguai, Robert E. White, diz que militares sul-americanos usaram instalações de comunicação dos Estados Unidos numa base do Panamá para coordenar as ações da Operação Condor de perseguição a militantes da oposição.

No telegrama enviado a seus superiores em Washington, e divulgado pelo jornal The New York Times, White revela ter ouvido a informação do chefe de gabinete do ditador paraguaio, general Alfredo Stroessner. (pág. 1 e 14)

- (São Paulo) - Sem o referencial de rara unanimidade que Mário Covas representava, o PSDB cuidará agora de impedir que a lacuna deixada por um dos principais formuladores do partido se transforme em terreno propício para disputas internas.

A maior preocupação é impedir que se fertilize desde já a discussão da sucessão de Fernando Henrique - hoje polarizada nas candidaturas de José Serra e Tasso Jereissati. E, temendo que a ausência de Mário Covas acabe ampliando para as fileiras internas do PSDB a crise que abate a base aliada, o próprio Fernando Henrique assumirá o comando do processo de entendimento de todas as forças do PSDB e de definição do nome do candidato à sua sucessão, em 2002.

O Presidente chegou ontem às 20h05m ao Palácio dos Bandeirantes e preferiu assistir em silêncio a missa de corpo presente. (...) (pág. 4)

- Toda a fronteira brasileira será ocupada pelo Exército. O ministro da Defesa, Geraldo Quintão afirmou, na manhã de ontem, no Rio, onde visitou a Vila Militar, em Deodoro, Zona Oeste da cidade, que até o fim do ano cerca de 1.150 militares formarão pelotões avançados na divisa com outros países.

A criação de um "cinto de segurança" é uma tentativa, segundo o ministro, de inibir o tráfico de drogas e o contrabando na fronteira. Atualmente, existem 19 postos com o efetivo de 50 homens. A intenção é criar mais cinco até o fim do ano com prioridade para a região amazônica. (...) (pág. 13)

COTAÇÕES

- Salário mínimo: (março) R$ 151,00. Dólar comercial: (compra) R$ 2,0200, (venda) R$ 2,0208. Dólar paralelo: (compra) R$ 2,020, (venda) R$ 2,050. TR do dia 07/02 a 07/03: 0,0363%. TBF do dia 05/03 a 05/04: 1,2447. (pág. 1)

EDITORIAL

"A Última Batalha" - A doença venceu, reconheceu com antecedência a junta médica que assistiu o governador Mário Covas na última batalha. A ciência pode pouco contra o mal que levou um homem público como os tempos atuais se desacostumara de ver. Mário Covas resistiu com estoicismo à doença que se manifestou no seu vigoroso organismo. Física e moralmente disposto a lutar contra o inimigo instalado em seu corpo, não hesitou em submeter-se ao tratamento cirúrgico ao qual voltou três vezes e ao rigor dos recursos químicos que nada puderam de definitivo. (...) (pág.10)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Com as lágrimas escorrendo sob as lentes dos óculos escuros e recostado num dos raros espaços vazios do Palácio dos Bandeirantes ontem à tarde, o líder do Governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira, repetia em estado de total desconserto: "E para quem é que a gente vai telefonar agora? Pior: para quem é que o Presidente vai pedir para a gente telefonar?"

Em seu desconsolo solitário, involuntariamente Madeira resumia a aflição geral diante da perda da referência e que, ao fim e ao cabo, é a perfeita tradução do significado não da morte, mas daquilo que representou e continuará representando a vida de Mário Covas para a história deste País. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Paulo Fona) - O presidente Fernando Henrique estava reunido no Palácio da Alvorada com líderes e ministros, no começo da noite de segunda-feira, quando um assessor lhe trouxe a má notícia: as previsões médicas de São Paulo indicavam que o governador Mário Covas não sobreviveria até a 1 hora do dia seguinte. O Presidente ficou com os olhos cheios de lágrimas e a reunião praticamente foi encerrada com a notícia. (...)

Na reunião, todos concluíram que a atual crise política não pode ganhar mais fôlego e deve ser afastada qualquer possibilidade da instalação de qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito tendo como conteúdo as denúncias de Antônio Carlos Magalhães. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- São Paulo se despede de Mário Covas

- O governador de São Paulo, Mário Covas, 70, recebeu homenagens de familiares, amigos, políticos, empresários e artistas ontem, quando seu corpo foi velado no Salão Nobre do Palácio dos Bandeirantes.

Mário Covas morreu às 5h30 no Instituto do Coração, em São Paulo, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Vítima de câncer, diagnosticado inicialmente na bexiga em 98, o governador estava internado no Incor desde o dia 25 de fevereiro.

Nascido em Santos, em 1930, Covas começou na política com Jânio Quadros. Em 68, teve os direitos políticos cassados, no AI-5. De volta à vida pública, foi nomeado prefeito de São Paulo em 83. Em 86, elegeu-se senador. Dois anos depois, fundou o PSDB. Em 94, chegou ao governo de estado, sendo reeleito em 98. Com sua morte, Geraldo Alckmin, 47, assume o cargo.

Até as 20h30, cerca de 9.000 pessoas haviam estado no Palácio dos Bandeirantes. Estiveram presentes ao menos 20 ministros e os presidentes da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou às 20h10.

"O Mário passou a lição de casa. Agora, vocês têm que repassar adiante", disse a viúva, Lila Covas, ao ex-governador José Richa (PR), um dos fundadores do PSDB.

O governador será enterrado na tarde de hoje no Cemitério do Paquetá, em Santos. Seu corpo deverá deixar o Palácio dos Bandeirantes às 9h. (pág. 1 e cad. Especial pág. 1 a 12)

- Quando criança, Mário Covas Júnior sonhava em ser presidente do Santos F.C. Nem tentou. Adulto, sonhou em ser presidente da República. Tentou, em 1989, e perdeu. Foi o único desejo que as urnas negaram a esse engenheiro convertido em político 24 horas por dia.

A morte impede que volte a tentar em 2002, justamente quando, para todos os líderes do PSDB, seria o candidato natural à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. (Clóvis Rossi, do Conselho Editorial, pág. 1 e cad. Especial, pág. 5)

- Mário Covas foi adversário leal, com quem podíamos sempre conversar abertamente. Mesmo quando estávamos em pólos opostos, ele contribuia com grandes idéias para o debate.

Sua morte pode complicar ainda mais a relação entre a oposição e o atual Governo federal. Acredito que agora fique ainda mais difícil esse diálogo porque Covas tinha uma relação profunda com o PT, apesar das divergências, e isso facilitava os entendimentos. (Luiz Inácio Lula da Silva, especial para a Folha, pág. 1 e A3)

- Conheci Mário Covas quando ele ainda estava com os direitos cassados, mas preparava-se para voltar à política. Era um engenheiro e, naquele momento, trabalhava na profissão. Mas não tinha dúvida: sua vocação era a política.

Mas que tipo de política? Covas foi um desses políticos que nos fazem compreender por que os gregos entendiam a política como a mais nobre das profissões: a que cuida do bem público, dos interesses maiores da sociedade. (Luiz Carlos Bresser Pereira, especial para a Folha, pág. 1 e A3)

- O ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira negou as acusações feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) de que teria recebido propina para favorecer o consórcio Telemar na privatização da Telebrás.

"Se, segundo a própria imprensa, foram a ´mecânica do leilão` e ´um golpe de sorte` que deram vitória ao consórcio, não haveria sentido em pagar uma propina", afirmou Oliveira, em nota. (pág. 1 e A4)

EDITORIAL

"Mário Covas" - Nestes tempos de profunda e tantas vezes justificada, desconfiança em relação aos políticos, Mário Covas destacou-se como uma das mais notáveis exceções. Ao longo de uma carreira que se estendeu por quatro décadas, marcada pelos valores da coerência doutrinária e da lisura administrativa, o governador de São Paulo soube restituir à política o seu caráter de missão pública.

É cedo para que se forme um juízo histórico em relação às suas duas passagens por cargos executivos, primeiro como prefeito nomeado da cidade de São Paulo e depois como governador eleito e reeleito do estado.

O que está fora de controvérsia é que se conduziu com senso de equilíbrio, sobriedade e espírito democrático no exercício dessas funções. Se não lega, como governador, uma obra administrativa de impacto, conseguiu sanear as depauperadas finanças do estado, combalidas por gestões irresponsáveis. (...) (pág. A2)

COLUNA

(Painel) - Com a morte de Mário Covas e o isolamento político de ACM - seus dois maiores cabos eleitorais -, Tasso Jereissati admitiu a aliados que as chances de ser candidato à Presidência pelo PSDB em 2002 são mínimas.

* Pré-candidato ao governo paulista, José Aníbal (Ciência e Tecnologia) deve ser um dos primeiros nomes a deixar o secretariado de Geraldo Alckmin (SP). Como Pimenta da Veiga prefere ficar nas Comunicações, o deputado paulista cresceu na cotação para presidir o PSDB. (pág. A4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- 'Ele fará uma falta imensa' - (Fernando Henrique Cardoso)

- Mário Covas (1930 - 2001)

- O corpo do governador Mário Covas deixa às 11 horas de hoje o Palácio dos Bandeirantes em direção ao Cemitério do Paquetá, em Santos. Covas morreu no Incor, às 5h30 de ontem depois de dois anos de luta contra o câncer.

Formado em engenharia, ele iniciou sua carreira política em 1961 e foi responsável pelo saneamento das contas do estado de São Paulo, que havia encontrado praticamente falido.

Nas primeiras quatro horas de velório aberto ao público, no Palácio dos Bandeirantes, cerca de 5 mil pessoas participaram dele, segundo a Polícia Militar. Aposentada Benedita Soares Lima, de 67 anos, tomou três ônibus para chegar lá e explicou assim sua disposição de homenagear Covas. "Se eu saí de casa tantas vezes para votar nele, por que não podia sair para me despedir?"

Em entrevista exclusiva a Mariângela Hamu, o presidente Fernando Henrique Cardoso falou sobre a longa amizade com Covas: "No momento em que eu precisar de uma voz forte, será uma voz a menos. Existem outras, claro, mas a dele era fortíssima, era a voz de um trombone". O governo do estado foi assumido por Geraldo Alckmin. (pág. 1 e cad. Especial)

- Os brasileiros pagam três vezes mais Imposto de Renda do que os americanos e o leão no Brasil também é o mais voraz entre os países do Mercosul.

Esses são resultados de uma pesquisa da consultoria tributária Ernst & Young, realizada em vários países. A simulação foi feita com famílias compostas por casal e um filho, uma delas com renda mensal de US$ 1.500 e outra com US$ 5 mil. (pág. 1 e B4)

- O novo ministro da Economia argentino, Ricardo López Murphy, prepara medidas para cortar gastos de cerca de US$ 3,5 bilhões.

Analistas econômicos acreditam que, em troca do ajuste, López Murphy ofereceria uma redução de alguns impostos para estimular o consumo e investimentos.

Calcula-se que com isso ficaria liberado para a economia por volta de US$ 1,5 bilhão. O ministro argentino das Relações Exteriores, Adalberto Giavarini, garantiu ao colega brasileiro Celso Lafer que seu país continua aliado ao Brasil nas negociações da Alca e que não haverá mudança no tratamento prioritário dado ao Mercosul. (pág. 1 e B1)

- Pesquisa do IBGE divulgada ontem, antevéspera do Dia Internacional da Mulher, confirma o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho.

As mulheres já são 40,3% da população ocupada e 26% das famílias brasileiras são chefiadas por elas. Mudou também a situação masculina.

De 1992 a 1999 aumentou de 35,8% para 51,2% a porcentagem dos homens que trabalham e também se ocupam de afazeres domésticos.

O índice de ocupação masculina caiu de 72,4% em 1992 para 67,9% em 1999. Na média as mulheres ainda ganham menos do que os homens, mas a diferença salarial diminuiu. (pág. 1 e A10)

EDITORIAL

"Que o seu exemplo prospere" - O Brasil tem políticos honestos, tem políticos coerentes e tem ainda políticos sinceros. Se, isoladamente, essas características já são pouco usuais - para dizer o menos - no universo da política nacional, muitíssimo mais raro é encontrá-las reunidas numa mesma figura pública.

Mário Covas era um desses casos raros - e essa incomum conjugação de honestidade, coerência e franqueza decerto foi o traço singular de usa trajetória, a marca indelével do político e administrador que o País acaba de perder.

A visão moral e a consciência da missão empreendida foram os alicerces sobre os quais Mário Covas construiu a sua biografia.

Hoje, com o reconhecimento público tanto de sua postura moral quanto de sua competência administrativa, ele seria o candidato natural das forças situacionistas à sucessão do presidente Fernando Henrique, com enormes possibilidades de vitória - se o destino não tivesse decidido o contrário. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão - Ariosto Teixeira) - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu excluir a proposta de adoção do parlamentarismo como sistema de governo, a partir de 2006, do programa de metas que encaminhará hoje aos partidos da sua base de apoio no Congresso.

Segundo explicou à coluna o ministro Aloysio Nunes Ferreira, o Presidente chegou à conclusão de que seu plano de ação deve se concentrar em "propostas que unam os partidos e em medidas que possam ser implementadas no horizonte de dois anos". (...) (pág. A6)

O GLOBO

- Aliados e adversários exaltam a ética de Covas na política

- A longa batalha de Mário Covas contra o câncer terminou ontem às 5h30, encerrando uma das mais brilhantes e corajosas carreiras políticas desde a ditadura militar de 1964.

O resultado dos anos de atuação de Covas e do respeito que as pessoas tinham por ele pôde ser constatado em seu velório: ao lado da viúva, dona Lila, estiveram no Palácio Bandeirantes o presidente Fernando Henrique, 16 ministros, políticos de todos os partidos, empresários e representantes de trabalhadores.

O vice-governador Geraldo Alckmin assumiu imediatamente o cargo vago com a morte de Covas, sem solenidade. Hoje o corpo segue em carro aberto até Santos, onde será sepultado às 14h.

"Ele se tornará um exemplo de democracia", disse José Genoíno, do PT. "Covas era um símbolo", disse Itamar Franco, do PMDB. "Covas provou que era possível conciliar honestidade com competência", disse Horácio Lafer, da Fiesp.

"Estamos órfãos politicamente", disse Tasso Jereissati, do PSDB. A última frase de Covas, ao deixar sua casa de praia para ser internado, há dez dias, foi um lamento: "Nunca mais vou ver o mar". (pág. 1, 3 a 18)

- O aquecimento da economia e o aumento do crédito fizeram a indústria automobilística fechar o mês de fevereiro com uma alta de 14,77% sobre a produção do mês anterior.

As vendas nas concessionárias também tiveram crescimento de 13,5% em relação a janeiro, embora tenham ficado estáveis quando comparadas ao mesmo período do ano passado.

O desempenho do setor automobilístico, segundo economistas, aponta para um resultado favorável de toda a indústria, que deve manter o aquecimento este ano.

Em São Paulo, os empresários comemoram o resultado do Indicador de Nível de Atividade (INA), que em janeiro registrou um crescimento de 9,2% em relação a 2000. (pág. 1 e 27)

- O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, decidiu que não vai pedir a quebra do sigilo bancário do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Ele argumentou que não há informações suficientes para fundamentar o pedido e o crime, se houver, pode ter prescrito. Jader admitiu que é sua a assinatura em um cheque do caso Banpará. (pág. 2 e 18)

- A CUT vai propor ao Governo que os trabalhadores que têm direito à correção do FGTS determinada pela Justiça possam descontar a quantia a receber do Imposto de Renda a pagar.

A idéia será apresentada na semana que vem, quando as centrais sindicais entregarão ao ministro Francisco Dornelles a proposta dos sindicalistas para o FGTS. (pág. 2 e 35)

- O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, inaugurou ontem a Secretaria de Serviços Integrados de Saúde, uma nova ala de instalações destinadas ao atendimento médico dos 11 ministros, dos cerca de 820 servidores do tribunal e de seus parentes.

Foram gastos cerca de R$ 500 mil na reforma de metade do primeiro andar do Anexo I do STF, com a construção de 14 salas. (...) (pág. 17)

- (São Paulo) - O senador José Sarney (PMDB-AP) teve alta ontem do Instituto do Coração (Incor), onde internou-se no último dia 1º e foi submetido a uma cirurgia para a retirada da próstata.

Sarney deixou o Incor ao meio-dia sem dar entrevista. De acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital, o senador apresenta "estado clínico satisfatório" e está "liberado para assumir suas atividades normais". (...) (pág. 17)

- (Brasília e São Paulo) - O presidente Fernando Henrique Cardoso determinou ontem a demissão dos ocupantes de cargos federais indicados pelo grupo do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).

O secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, ficou encarregado de passar a ordem aos ministros, especialmente aos dos Transportes, Eliseu Padilha, do Trabalho, Francisco Dornelles, e da Integração, Fernando Bezerra, onde está a maior parte das indicações de carlistas em cargos do segundo escalão. (...) (pág. 17)

EDITORIAL

"Dois legados" - Foi uma agonia tão lenta quanto sofrida, e desde muito cedo o desenlace era sabido. É extraordinário que Mário Covas tenha percorrido as estações de sua via-crucis sem perder num momento sequer o entusiasmo de viver e a disposição de lutar. (...)

Em resumo: terminou ontem em São Paulo uma vida digna, que teve final igualmente digno. Ninguém pode desejar epitáfio melhor; raros o merecem. (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - "Se não for possível o sabor do fruto, que nos sobre o aroma da flor. Se não pudermos contar com o aroma da flor, que nos reste ao menos a beleza do orvalho sobre a folha. Mas, se nem isso for possível, que nos fique o vigor, a multiplicação contida na semente, assim como esperança será o nome deste partido que nasce hoje". Assim dizia Mario Covas, no ato de fundação do PSDB. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - O Banco do Brasil e a Telemar acabam de comprar, por R$ 100 milhões, 17% do controle da Pegasus Telecom.

A engenharia da operação é um mistério.

Afinal, o capital da empresa, criada há menos de um ano, é de R$ 37 milhões.

E o mesmo BB já é seu sócio desde o início.

Pelo visto, até prova em contrário, o bancão estatal pagou três vezes mais caro para comprar o que já era seu.

* Com 14 meses de mandato pela frente, o governador Geraldo Alckmin está disposto a influir na sucessão presidencial.

E não necessariamente apoiando a candidatura de Tasso Jereissati, pela qual Mário Covas torcia. (pág. 22)

GAZETA MERCANTIL

- Empresas têm mais caixa para pagar dívidas

- (São Paulo) - Os balanços de 2000 divulgados até agora indicam que as companhias abertas terminaram o ano com o caixa reforçado para suportar dívidas. Dados da Economática, com base em 47 balanços, mostram que, no final de dezembro passado, o endividamento das companhias (R$ 41,8 bilhões) era de 1,1 vez o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (EBIT-DA) obtido ao longo de 2000, de R$ 36,3 bilhões.

Em 1998, essa relação era diferente. O endividamento das mesmas companhias na época (R$ 36,8 bilhões) superava em 2,47 vezes a geração de caixa (R$ 14,9 bilhões). (...) (pág. 1 e C-1)

- (Buenos Aires) - O perfil hiperliberal e mais "aberturista" da nova equipe econômica, liderada pelo recém-empossado Ricardo López Murphy, não será suficiente para alterar o crescente comprometimento comercial entre Brasil e Argentina, segundo o embaixador em Buenos Aires, Sebastião do Rego Barros, o brasileiro que melhor conhece o pensamento do novo ministro.

"Depois de dois anos de convívio posso dizer que se trata de alguém muito favorável a que Brasil e Argentina reforcem o Mercosul. E que, a partir do Mercosul, negociem com os demais países e blocos", disse Rego Barbosa a este jornal, divergindo de setores da economia brasileira que manifestaram receio de que o novo ministro venha a priorizar as relações com os Estados Unidos. (...) (pág. 1 e A-4)

CORREIO BRAZILIENSE

- Morre um político honrado

- O Brasil está de luto oficial por sete dias. Perdeu uma de suas mais importantes referências políticas, o governador de São Paulo, Mário Covas, 70 anos, um dos fundadores do PSDB.

Depois de dois anos e três meses de luta contra o câncer, ele foi vencido pela doença, que começou na bexiga e terminou numa infecção generalizada. (...)

O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá ir ao enterro, que está previsto para o início da tarde de hoje, entre 14h e 15h. (pág. 1 e 6 a 12)

- O rendimento mais alto do País deve ser o maior atrativo. As mulheres que vêm para Brasília chegam atrás de trabalho. E põem a mão na massa. Quase 56% da população feminina do Distrito Federal está disposta a trabalhar. Quem não tem emprego está à caça dele.

Esse é o maior índice registrado entre as seis regiões metropolitanas brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).

O Dieese divulgou ontem seu balanço sobre o mercado de trabalho feminino no País. Concluiu que a situação para as mulheres vem melhorando a passos lentos.

A discriminação é sentida na diferença salarial em relação aos homens - superior a 30%. (...) (pág. 16)

- Se as águas de março não fecharem o verão em grande estilo, o risco de problemas no abastecimento de energia elétrica este ano crescerá de forma assustadora.

Embora nenhuma fonte oficial fale em racionamento, o fato é que dentro do Governo há preocupação e já se admite que apenas um período prolongado de chuvas será capaz de recuperar os reservatórios das usinas hidrelétricas, prejudicados pela inesperada estiagem de janeiro e fevereiro.

A água acumulada nos reservatórios é responsável por movimentar as turbinas das usinas hidrelétricas, que geram 95% dos 62 mil megawatts produzidos no País. (...) (pág. 18)

JORNAL DE BRASÍLIA

- Diabéticos reagem a aumento

- Anúncio do reajuste da insulina em 76,1% provoca mobilização de entidades que representam 5 milhões de doentes. (pág. 1 e A-3)

- Os partidos de esquerda ficaram ontem três horas discutindo e não se entenderam sobre uma aliança nas eleições de 2002. O ex-governador Cristovam Buarque, ausente, foi o pivô do impasse. (pág. 1 e A-7)

ZERO HORA

- Às vésperas da comemoração do Dia Internacional da Mulher, amanhã, as trabalhadoras porto-alegrenses despontam como as com a menor diferença salarial em relação aos homens entre as seis regiões metropolitanas brasileiras pesquisadas. Apesar da melhor posição em relação às demais, elas ganharam no ano passado 68,4% do rendimento médio real anual masculino, ou R$ 551. Os homens ficaram com R$ 806. (pág. 16)

- O governo do estado quer a revisão da política nacional de erradicação da febre aftosa e o fim das divisões sanitárias por circuitos pecuários no País. A posição será defendida hoje pelo secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, durante reunião com seus colegas de Santa Catarina e Paraná na Delegacia do Ministério da Agricultura, em Porto Alegre. (pág. 22)

- Treze crianças indígenas morreram nos últimos três meses vítimas de desnutrição no município de Redentora. Todas elas tinham menos de três anos. A Reserva da Guarita, que abriga 2,8 mil caingangues e guaranis, concentra os óbitos. No ano passado, no mesmo período, foram detectados seis óbitos, somente um delas por desnutrição. (pág. 26)

MANCHETES

CORREIO DA BAHIA

- Brasil dá adeus ao governador Mário Covas

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Covas - Brasil perde um homem honrado

O DIA (RJ)

- Governo faz campanha contra diabetes mas insulina sobe 76%

ZERO HORA (RS)

- Morte de Covas une o Brasil

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br