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09/02/2001
JORNAL DO BRASIL
- FH ameaça o
Canadá com guerra comercial
- Em entrevista a uma TV carioca, ontem à noite, o presidente Fernando
Henrique Cardoso ameaçou "reagir fortemente" se o Canadá mantiver embargo à
carne brasileira.
"Minha expectativa é que se corrija essa precipitação num prazo
de 15 dias a três semanas. Se isso não ocorrer, bom, guerra é guerra", afirmou,
ameaçando não comparecer à reunião dos chefes de Estado, em Quebec, que vai discutir a
criação da Área de Livre Comércio das Américas.
O encarregado de negócios da embaixada canadense em Brasília, José
Herran-Lima, afirmou que "o Brasil não fez seu dever de casa" para justificar a
suspensão da importação pela suspeita de que o gado brasileiro poderia estar com o mal
da vaca louca. Segundo Herran-Lima, o País não enviou respostas a dois pedidos de
informações adicionais ao de 1998, o último de julho do ano passado.
Em nota oficial, o Ministério da Agricultura rebateu a informação,
assegurando não haver registro protocolado de recebimento dos pedidos. (pág. 1 e 14)
- O Ministério Público (MP) afastou, compulsoriamente, a promotora
Maria Ignez Carvalho Pimentel. Responsável pela apresentação de denúncias contra
policiais civis envolvidos em crimes, ela manteve 800 inquéritos parados desde 1991.
(pág. 1 e 19)
- Os 17 dias de convocação extraordinária do Congresso tiveram como
resultado prático, além de uma crise política em torno da sucessão nas presidências
do Senado e da Câmara, apenas três sessões de votação, com 26 medidas provisórias
aprovadas e uma rejeitada, a um custo estimado de R$ 30 milhões.
Os congressistas encerraram as votações quarta-feira. Cada um
receberá R$ 16 mil, o que significa R$ 592 por MP e R$ 5.333 por sessão de votação.
Quatro projetos não foram votados porque o Governo bloqueou a pauta. (pág. 1 e 3)
- Os líderes terão que avalizar a troca entre partidos na formação
de chapas para concorrer à mesa da Câmara. A regra, definida pelo presidente, Michel
Temer (PMDB), representa golpe nas pretensões do deputado Inocêncio Oliveira (PFL) de
fazer acordos para atrair dissidentes peemedebistas, oferecendo cargos na mesa diretora.
O grupo do PMDB, com cerca de 20 deputados, discorda da orientação do
partido de fechar o apoio ao candidato do PSDB, Aécio Neves. As baixas registradas nos
últimos dias no PFL, especialmente entre os baianos, fazem os dirigentes temer debandada
logo após as eleições no Congresso. Ontem, o deputado Luís Antônio Medeiros trocou o
PFL pelo PL. (pág. 1 e 2)
- A candidatura do deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE) sofreu ontem
um golpe. O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), determinou que só com
aval dos líderes serão permitidas trocas envolvendo os cargos a que os partidos têm
direito na mesa diretora.
A decisão pode ser uma pá de cal nos entendimentos entre Inocêncio e
dissidentes do PMDB, que apóia o candidato do PSDB, deputado Aécio Neves (MG). (pág. 2)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso sucumbiu a uma gripe que se
agravou com uma traqueíte (inflação da traquéia atingindo as cordas vocais). Tossindo
muito, com dores pelo corpo e rouco, ele diminuiu a carga de trabalho, abandonou as idas
ao Planalto e cancelou a agenda nos próximos três dias.
Segundo os médicos, terá de ficar de repouso. "Os médicos me
pediram para repousar, mas como eu posso com vocês aqui?", reagiu ele, dirigindo-se
aos jornalistas. (pág. 2)
- O presidente nacional do PMDB e candidato à presidência do Senado,
Jader Barbalho (PA), vai pedir hoje o apoio do senador José Sarney (PMDB-AP) na eleição
do dia 14. A resistência de Sarney à candidatura do presidente do seu partido tira de
Jader pelo menos três votos peemedebistas. (...) (pág. 2)
- O ministro Ruy Rosado de Aguiar, do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), determinou ontem a quebra dos sigilos bancários do subprocurador-geral da
República Miguel Guskow e de Sílvio Vieira Corrêa, assessor do Senado, acusados de
participação num esquema fraudulento de venda de títulos brasileiros nos Estados
Unidos, da ordem de US$ 1 bilhão. (pág. 6)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (fevereiro) R$ 151,00. Dólar comercial: (compra)
R$ 1,9951, (venda) R$ 1,9959. Dólar paralelo: (compra) R$ 2,060, (venda) R$ 2,100. TR do
dia 09/01 a 09/02: 0,1566%. TBF do dia 07/02 a 07/03: 0,9566%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Cão que Ladra" - O Canadá semeou vento e está colhendo
tempestade. Talvez o governo de Ottawa tenha acreditado que o povo brasileiro, de natureza
cordata e amistosa, iria assimilar docilmente o uso do porrete nas relações entre os
dois países. No afã de defender interesses da empresa Bombardier, que disputa o mercado
de aviões leves com a Embraer, os canadenses perderam a razão e deram as costas à
convivência diplomática. (...)
Dizem que cão que ladra não morde. Com base nesse ditado, o Governo
brasileiro demorou a levar a sério os ataques canadenses. Os discursos depreciativos não
passavam de retórica com objetivo intimidatório. Não eram dignos de atenção.
O embargo à carne brasileira, porém, é agressão de alta gravidade.
Traz prejuízo ao comércio exterior do Brasil, que precisa exportar para honrar seus
compromissos internacionais. (...) (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Nunca é prudente duvidar da
capacidade de articulação e reação de políticos experientes. E apenas por isso
deve-se aguardar o resultado da próxima quarta-feira para firmar juízos a respeito do
futuro. Hoje, quem está com o seu nitidamente em jogo é o PFL.
Mas ainda que seja aconselhável a espera, existem fatores em cena que
já permitem a avaliação de que, mesmo na eventualidade de um milagre da engenharia
política, o partido sai da briga pelo comando do Parlamento seriamente avariado. (...)
(pág. 2)
(Informe JB - Paulo Fona) - O ministro-chefe da Secretaria Geral da
Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, concorda com a análise do presidente
da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), de que a limpeza de pauta das medidas
provisórias pelo Congresso Nacional cria nova realidade política nas relações entre
Executivo e Legislativo. "Vai diminuir bastante a atual dramaticidade do
problema", avalia. Aloysio dá a receita para os dois poderes se entenderem quanto à
edição e apreciação das medidas provisórias: "Circunspecção do Executivo e
celeridade do Congresso". (...) (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- FHC dá prazo de 15 dias ao Canadá
- O presidente Fernando Henrique Cardoso definiu prazo para que o
governo canadense reveja sua política quanto ao veto à carne do País. "Se em 15
dias o Canadá não retificar sua posição em relação à carne brasileira, nós vamos
engrossar. Que ninguém tenha dúvida sobre isso", afirmou FHC.
Após ver dados da importação de carne no Brasil, o Presidente
declarou que a ação do Canadá foi discriminatória. "O Brasil pode ter muitos
loucos, mas, vaca louca, nenhuma".
Para o Presidente, esse caso reflete a tentativa dos países centrais
de manterem o comando do cenário internacional. "Eles não querem abrir espaço para
o Brasil". (Luís Nassif, do Conselho Editorial) (pág. 1 e B1)
- O Governo atuará em três frentes para forçar o Canadá a recuar no
veto à carne do Brasil. Manterá negociações diplomáticas, pressionará empresas
canadenses que atuam no País e vai continuar a criticar o governo canadense por meio de
alguns de seus ministros.
"Tenho um acordo com o Presidente: eu bato, e o Itamaraty
alisa", disse Marcus Pratini de Moraes (Agricultura). (pág. 1 e B3)
- O ministro da Agricultura do Canadá, Lyle Van Clief, disse não
haver certeza de que seu país vá retomar a compra de carne brasileira depois de revisar
os mecanismos de controle sanitário no Brasil. Segundo ele, a importação só será
liberada se as garantias sanitárias "forem evidentes". (Marcio Aith, de
Washington) (pág. 1 e B4)
- Estou com sensação de perda. Não entendi por que minha vesícula,
companheira em 70 anos, resolveu abandonar-me, numa desatinada crise.
Minha vesícula me carregou nestes longos anos e sempre me preservou
ameno, tranqüilo, paciente, sem cólera. E deixou-me a instigante dúvida, se ela sabia
ou não da briga da eleição no Senado... (José Sarney, colunista da Folha) (pág. 1 e
A2)
- Um carro-bomba explodiu no bairro de judeus ortodoxos de Jerusalém e
feriu ao menos uma pessoa. Um grupo desconhecido, as Forças de Resistência Popular
Palestina, disse que a ação fora dirigida à "arrogância sionista" do premiê
eleito de Israel, Ariel Sharon.
Sharon afirmou que, antes do atentado, já enviara carta ao líder
palestino Iasser Arafat alertando que o avanço no processo de paz depende do fim do
terrorismo. (pág. 1 e A9)
- O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, e o líder das Farc
(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Manuel Marulanda, iniciaram um encontro
com o objetivo de reativar o processo de paz para acabar com mais de quatro décadas de
guerra civil no país.
O diálogo tinha sido suspenso em novembro pelas Farc, que acusam o
governo de não lutar contra os grupos paramilitares de direita, que combatem as
guerrilhas. (pág. 1 e A10)
- O Banco Central e o Tesouro reduziram de US$ 3 bilhões a US$ 1,2
bilhão o total de dólares a ser comprado pelo Governo no mercado em 2001 para pagar
parcelas da dívida externa. O objetivo do Governo foi conter a forte valorização que a
moeda teve nos últimos dias.
O resultado foi uma queda de 0,7% registrada pela moeda dos EUA, que
começou o dia negociada a R$ 2,003, mas recuou após o anúncio do BC e fechou em R$
1,992. (pág. 1 e B5)
- O governo Marta Suplicy (PT) vai seguir o modelo contábil de
aplicação de verbas na educação do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTN) e
manter gastos com inativos na prestação de contas do setor. Por lei, devem se aplicar
30% da arrecadação na educação.
O Tribunal de Contas do Município considera irregular a inclusão dos
inativos nos gastos do setor. O líder do governo na Câmara disse que a medida "não
é ilegal". (pág. 1 e C1)
EDITORIAL
"Nova liquidação" - O Banco Central decidiu deixar de
cobrir prejuízos de bancos que quebrarem sem constituir risco sistêmico para o mercado
financeiro. Os recursos sacados a descoberto da conta de reservas de uma instituição que
quebrar serão estornados e os prejuízos serão assumidos pelos credores do banco falido.
(...)
A medida é positiva. Se o BC tem que estar atento ao risco sistêmico
(grandes problemas no sistema financeiro podem ter conseqüências em toda a economia),
isso não significa que qualquer banco deva ser socorrido, onerando os contribuintes.
Essas são mudanças importantes. A partir delas, espera-se que haja
maior segurança na cadeia de débitos e créditos do sistema financeiro, o que
concorreria para reduzir o risco de crises sistêmicas. (pág. A2)
COLUNA
(Painel) - Antecipando-se a Jorge Bornhausen (PFL), a cúpula do PMDB
enviou ontem Renan Calheiros (AL) para conversar com José Sarney em São Paulo. O
peemedebista saiu animado, fazendo cálculos de que Jader já teria entre 41 e 45 votos. E
conta com a presença do ex na eleição.
* A eventual candidatura de Bornhausen (PFL), que deve se encontrar
hoje com Sarney, chegou a assustar o PMDB. Mas, no final do dia de ontem, a sigla já
estava tranqüila: FHC mandou sinais a Jader de que não vai correr riscos no final de
jogo. (pág. A4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Governo pressiona empresas do Canadá que
atuam no Brasil
- O Governo decidiu pressionar o Canadá por meio das empresas desse
país que têm interesses no Brasil.
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o
secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca,
reuniram-se ontem com executivos de três operadoras de telefonia e fabricantes de
equipamentos de telecomunicações controlados por empresas canadenses e transmitiram a
orientação do Palácio do Planalto: se o governo canadense mantiver o embargo à carne
bovina brasileira alegando risco de contaminação pelo mal da vaca louca, poderão
ocorrer retaliações.
A conversa surpreendeu os empresários, que concordaram em pedir à
matriz para interceder em favor do Brasil. Outros ministros devem seguir o exemplo.
Pratini de Moraes, da Agricultura, não adiantou qual retaliação seria adotada, mas
disse que "a conta poderá ser muito alta".
Representantes da Juventude Popular Socialista entregaram ontem uma
vaca ao conselheiro de Negócios da Embaixada do Canadá, em Brasília, num protesto
contra o bloqueio. (pág. 1, B6 a B8)
- O Banco Central acalmou ontem o mercado ao anunciar que a partir de
agora limita a US$ 100 milhões por mês as compras feitas pelo Tesouro Nacional para
pagar os juros e amortizações da dívida externa brasileira.
A especulação em torno da atuação do Tesouro no mercado vinha sendo
um dos principais fatores para a alta da moeda americana, que esta semana ultrapassou R$
2,00.
A notícia teve efeito imediato sobre as cotações - o dólar fechou
ontem em R$ 1,991, em queda de 0,7%. (pág. 1 e B1)
- A Confederação Nacional da Indústria (CNI) deu entrada no STF a
uma nova ação direta de inconstitucionalidade contra a quebra do sigilo bancário. Desta
vez, a CNI contesta a lei que autoriza a Receita a usar dados sobre a CPMF para fiscalizar
outros tributos, como o Imposto de Renda.
Na primeira ação, no dia 30, a entidade contestou a lei que permite
à Receita quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial. (pág. 1 e A7)
- O secretário de Infra-Estrutura Urbana e Vias Públicas de São
Paulo, Walter Rasmussen, tentou contratar uma nora do presidente de honra do PT, Luiz
Inácio Lula da Silva, para um cargo de confiança na administração da prefeita Marta
Suplicy (PT). Carla Ariane Trindade da Silva é secretária comissionada na Companhia de
Saneamento Básico de Mauá (SP) e recusou o convite. (pág. 1 e A8)
- Depois da eleição para a presidência da Câmara e do Senado,
quarta-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso vai decidir como passará a tratar o
PFL. Segundo fonte do Planalto, a situação do líder e candidato pefelista à
presidência da Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), é irreversível - ele perderá cargos
que nomeou na máquina federal.
Se o senador Antonio Carlos Magalhães (BA) voltar-se contra o Governo,
terá tratamento igual ao dispensado a Inocêncio. Os candidatos à presidência da
Câmara Aécio Neves (PSDB-MG) e Inocêncio trocaram insultos ontem no fim de um programa
de rádio. (pág. 1, A4 e A5)
- O Governo reservou R$ 4,9 bilhões do Orçamento deste ano para 54
programas sociais e de melhoria de infra-estrutura, como o Saúde na Família, Toda
Criança na Escola e Erradicação do Trabalho Infantil. O dinheiro tem destinação
específica e não poderá ser transferido para outro projeto.
Os programas são considerados estratégicos para o final do segundo
mandato de FHC. (pág. 1 e A7)
- O governo paulista vai ampliar o contra-ataque aos produtos
fabricados com incentivos fiscais em outros estados. A Secretaria da Fazenda vai cobrar
dos distribuidores desses produtos o ICMS integral. Isso pode tornar inviável sua venda
no estado de São Paulo.
A medida será intensificada por causa do anúncio da mudança da
Multibrás para Santa Catarina e da Lacta para o Paraná. (pág. 1 e B3)
EDITORIAL
"O mal está feito" - O Canadá, que faz propaganda do alto
conteúdo ético de sua política externa, agiu como uma república bananeira. O boicote
se justifica claramente por razões políticas, como parte da campanha que vem movendo
contra o Brasil com o objetivo de prejudicar a Embraer. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão) - A festa que marcou a despedida do deputado
Michel Temer (PMDB-SP) da presidência da Câmara se transformou numa manifestação de
apoio às candidaturas do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e do deputado Aécio Neves
(PSDB-MG) à sucessão na Câmara e à de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no Senado.
Havia muito o PMDB não reunia, numa confraternização, tantas
expressões históricas da legenda como na noite de quarta-feira. (...) (pág. A6)
O GLOBO
- Governo ameaça retaliar empresas
canadenses
- O Governo partiu para a ofensiva ontem e ameaçou retaliar as
empresas canadenses no Brasil se não for suspenso o boicote à carne bovina do País.
Entre as medidas que podem ser adotadas está a proibição de que companhias canadenses
participem de licitações no Brasil. Outra opção é impedir a importação de remédios
do Canadá.
O ministro Pimenta da Veiga convocou as empresas de telefonia
canadenses instaladas no País e disse que a medida tomada em relação à carne
brasileira não é econômica nem política. "É de vingança". O presidente
Fernando Henrique disse que "guerra é guerra" e admitiu, em entrevista ao
Jornal Nacional, da TV Globo, não comparecer à reunião da Alca no Canadá, em abril.
"Na paz se negocia, no armistício se espera, na guerra se briga", disse o
Presidente. (pág. 1, 6 e 21 a 23)
- A Justiça federal cassou ontem uma liminar que impedia a CEF de
fiscalizar os bingos que funcionam sem sua autorização no Rio. Os donos das casas
queriam que a Loterj continuasse responsável pela fiscalização.
Com a decisão, 31 dos 34 bingos do Rio correm o risco de ser fechados.
(pág. 1 e 18)
- A tentativa do Governo de proibir a venda de armas no País não
resistiu aos lobbies. O relator Pedro Piva (PSDB-SP) desfigurou totalmente o projeto em
seu relatório. Pela sua proposta, qualquer pessoa com bons antecedentes poderia comprar
armas. (pág. 1 e 9)
- O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, continuou ontem a
busca por um candidato de terceira via para sua sucessão, desconsiderando a candidatura
de Jorge Bornhausen, presidente do PFL. "Ele só quer ser o candidato dos 21 votos do
PFL", disse ACM. (pág. 1 e 3)
- O governador Anthony Garotinho não vai pagar salários acima do teto
de R$ 9.600, como determinou o STF. Segundo o governador, há servidores que chegam a
ganhar R$ 59 mil.
O pagamento causaria um prejuízo anual de R$ 100 milhões e
beneficiaria apenas 5.237 servidores ativos e inativos da administração direta, de um
total de 437.885 funcionários estaduais. (pág. 2 e 13)
- Candidatos à presidência da Câmara, os líderes do PFL, Inocêncio
Oliveira (PE), e do PSDB, Aécio Neves (MG), protagonizaram ontem, em rede nacional, uma
acalorada troca de acusações durante um debate na rádio CBN.
Acusado de ser o candidato do Palácio do Planalto - uma ofensa e tanto
em tempos de campanha - e de só reconhecer os deputados graças ao livro com suas fotos,
Aécio reagiu indignado. (pág. 4)
EDITORIAL
"Atrás da vaca" - O encarregado de negócios da embaixada do
Canadá em Brasília reagiu com bom humor ao receber ontem um grupo que pretendia lhe
entregar uma vaca, brasileira e sadia. A leveza do episódio reflete o rumo positivo que
está tomando o contencioso entre os dois países. (...)
A reação rápida das autoridades brasileiras mostrou ao mundo que o
gesto canadense não passara de mais um lance na disputa entre a Embraer e a canadense
Bombardier pelo mercado mundial de aviões de médio porte. (...)
O interesse nacional não pede a continuação do atrito: é importante
para o Brasil um Canadá que seja parceiro interessado e competidor leal. (...) (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Até os mais empedernidos
críticos e adversários reconhecem: desta vez a oposição fez um jogo da maior
competência, irretocável, ao lançar a candidatura de Aloizio Mercadante para a
presidência da Câmara. Ganhou tempo e evitou escolher entre Aécio Neves e Inocêncio
Oliveira. No final, prevê o astuto pefelista José Carlos Aleluia, terá uma influência
decisiva no papel de fiel da balança. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Alta fonte da embaixada do Canadá em Brasília fez
saber ontem ao Palácio do Planalto, informalmente, que em março o país retomará as
exportações de carne brasileira.
O embargo foi anunciado para durar, no mínimo, até abril.
* O Canadá desistiu de divulgar, por enquanto, a lista dos produtos
brasileiros aos quais aplicará sanções tarifárias autorizadas pela OMC.
A relação já está pronta, mas os canadenses decidiram esperar a
crise esfriar. (pág. 14)
GAZETA MERCANTIL
- Brasil reage e vai à OMC contra Canadá
- (Brasília, Genebra e Nova York) - O Brasil subiu o tom das críticas
ao governo canadense pela proibição de importações de carne bovina do Brasil e ensaiou
medidas de reação.
Ontem, o embaixador Celso Amorim leu uma nota oficial na Organização
Mundial do Comércio (OMC) que dá a entender que o Brasil vai pedir compensação dos
prejuízos causados aos exportadores.
O pedido, segundo Amorim, "é motivado pelas perdas comerciais
para as exportações de carne causadas por declarações precipitadas e arbitrárias por
parte do Canadá". (...) (pág. 1)
- (Brasília e São Paulo) - O Tesouro Nacional vai reduzir de US$ 3
bilhões para US$ 1,2 bilhão o total de compras de dólar neste ano para saldar dívidas
externas.
Ao anunciar o novo volume, o diretor de Política Monetária do Banco
Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse que o mercado vinha especulando com o câmbio, o
que ajudou a elevar a cotação em 2,5% desde o início de janeiro.
"Dada a incerteza gerada, resolvemos estabelecer um valor para o
mercado saber quanto o Tesouro vai comprar", disse Figueiredo. Até o fim do ano, o
Tesouro comprará mensalmente US$ 85,5 milhões. (...) (pág. 1 e B-1)
- (Washington) - George W. Bush assinou um projeto de corte de
impostos, ontem, igual ao que anunciara na campanha presidencial. O presidente propõe
redução de US$ 1,6 trilhão ao longo de dez anos. A maior alíquota do imposto de renda,
que hoje é de 39,6%, passaria para 33%. A menor, que era de 15%, ficaria em 10%. No
total, é um corte equivalente a 1% do PIB americano.
Embora o projeto precise ser aprovado pelo Congresso antes de entrar em
vigor, é certo que haverá uma redução - a questão é o tamanho. Os democratas
concordam com o corte, mas discordam das porcentagens.
Principal bandeira da campanha de Bush e presumida âncora de seu
governo, a redução de impostos confirma a meta republicana: reduzir o tamanho do Estado.
(pág. 1 e A-16)
- (Buenos Aires) - A Argentina anunciou ontem um resultado superior ao
previsto para a megaoperação de swap de títulos da dívida federal. Conseguiu fechar a
troca de US$ 4,2 bilhões em bônus, cuja média era de vencimento em 2,5 anos, a um juro
anual de 11,03%, por outros de 7,4 anos e taxa de 12,06%.
Com o alongamento dos prazos para amortização dessa parcela da
dívida, o país vai economizar US$ 3,6 bilhões em quatro anos. (pág. 1 e B-3)
CORREIO BRAZILIENSE
- A guerra da vaca louca
- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o Brasil
reagirá à altura ao boicote canadense contra a carne brasileira: "Se quiserem a
paz, encantados. Se quiserem guerra, guerra é guerra". Ao mesmo tempo, o Governo
anunciou que vai pedir à Organização Mundial do Comércio (OMC) indenização pelos
prejuízos que o Canadá está causando ao Brasil.
Mas, pelo menos por ora, a indignação brasileira não sensibilizou os
canadenses. O ministro da Agricultura de lá, Lyle Van Clief, disse ontem que a retomada
das importações vai depender da visita de técnicos canadenses. Não é a primeira vez
que o Brasil tem de brigar pelo que é seu.
Há 38 anos, barcos franceses foram flagrados pescando lagosta
clandestinamente em águas brasileiras e foram expulsos por uma esquadra da Marinha, num
incidente diplomático que ficou conhecido como "guerra da lagosta". (pág. 1, 8
e 9)
- (Buenos Aires) - O governo da Argentina emitiu ontem dois comunicados
recomendando extremo cuidado aos turistas que quiserem viajar ao Brasil. Nos últimos seis
dias, dois argentinos foram assassinados: um deles, no sábado passado, numa estrada do
interior do Rio Grande do Sul e outro num quarto de hotel em Foz de Iguaçu (PR). (...)
(pág. 3)
- Os excluídos da globalização não têm passaporte para o mundo
digital. As mudanças na estrutura econômica privaram milhões de brasileiros de
trabalho, dignidade e cidadania. (...) (pág. 7)
- O grupo OK Construções e Incorporações Ltda., que pertence ao
senador cassado Luiz Estevão, perdeu, para a empresa aérea Varig, uma ação na Justiça
Cível de Brasília que implicará baixa de quase R$ 8 milhões em seus cofres.
Na ação, julgada pelo juiz Rômulo de Araújo Mendes, da 9ª Vara
Cível do Distrito Federal, a companhia aérea exigiu na Justiça que o grupo OK pagasse
multa em razão de descumprimento de contrato.
Os advogados da Varig alegaram que houve atraso na entrega do Centro
Empresarial Varig, localizado no início da Asa Norte. (...) pág. 16)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Suspensos 15 planos de saúde
- Agora são 30 os convênios recusados por médicos e hospitais e 300
mil as pessoas prejudicadas. (pág. 1 e B-1)
- Os parlamentares de Brasília vão se reunir a cada três meses com o
Governo federal para garantir a verba integral do Orçamento do DF para este ano. A União
descontingenciou a verba do DF, que será liberada de acordo com a disponibilidade de
caixa do Tesouro. Tudo vai depender da união da bancada federal de Brasília. (pág. 1 e
A-8)
- Representantes de ONGs foram ontem ao promotor Diaulas Ribeiro para
pedir um debate sobre a proibição de mulheres solteiras fazerem inseminação
artificial. (pág. 1 e A-5)
ZERO HORA
- Os prefeitos de Porto Alegre, Tarso
Genro, e de Pelotas, Fernando Marroni, decidiram acatar a orientação da executiva
estadual do PT no que se refere a nomeação de parentes.
Tarso demitiu a cunhada, Silvia Lemos, que trabalhava como assessora em
seu gabinete. Marroni exonerou a mulher, Míriam, que ocupava o cargo de secretária de
Cidadania, Direitos Humanos e Assistência Social. (pág. 8)
- O ativista francês José Bové e outros dois membros de seu
sindicato, a Confederação Camponesa, compareceram ontem ao Tribunal Correcional de
Montpellier, sul da França, para responder pela destruição de plantações de arroz
geneticamente modificado, ocorrida em 1999. (pág. 9)
- A Nalco do Brasil, especializada em tecnologia para tratamento de
água e seus afluentes, em escala industrial, instalou um escritório no Rio Grande do
Sul. A empresa, que atua em mais de 135 países, pretende ampliar o cadastro de clientes
no estado. (pág. 22)
- O Instituto de Pesquisas Biomédicas da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) está desenvolvendo, de forma pioneira no Brasil,
uma técnica de alta sensibilidade capaz de localizar, precocemente, metástase em
pacientes com câncer de mama. (pág. 41)
- O relatório das atividades da Polícia Civil em 2000, concluído na
semana passada pelo serviço de estatística da Divisão de Planejamento e Coordenação
(Diplanco) da instituição, mostra um aumento significativo do crime no estado, em
comparação com 1999.
O roubo de veículo, por exemplo, aumentou 14,8% de 1999 para o ano
passado, subindo de 14.754 para 16.937. O número de "outros roubos" subiu
11,88% no mesmo período, crescendo de 42.680 para 47.749. (pág. 42)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Laboratórios serão punidos por aumentos abusivos
O DIA (RJ)
- Cesar dá banana a alunos
ZERO HORA (RS)
- Criminalidade avança mas estrutura policial no estado fica menor
VALOR ECONÔMICO
-País reage e pede indenização ao Canadá na OMC

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico
da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura
econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança
comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na
INTERNET www.fazenda.gov.br, na área
específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive
sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês,
na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de
publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação
Social é: secom@planalto.gov.br |
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