15/02/2001

JORNAL DO BRASIL

- PFL enfraquecido perde o controle do Congresso

- As alianças funcionaram e não houve surpresas nas eleições do Congresso. Jader Barbalho (PMDB-PA), com 41 dos 81 votos, foi eleito presidente do Senado, e Aécio Neves (PMDB-MG), com 283 votos, chegou folgadamente à presidência da Câmara. O PFL, que apoiou a candidatura de última hora de Arlindo Porto (PTB-MG) no Senado, e disputava com Inocêncio Oliveira na Câmara, acabou duplamente derrotado e perdeu o controle político do Congresso que mantinha - com o nome de Arena e depois PDS - desde o regime militar. O PMDB fortaleceu sua posição na base governista. (pág. 1, 2, 3, 4 e 6)

- O ministro da Justiça, José Gregori, criticou o Supremo Tribunal Federal, por derrubar a proibição de novos registros de arma de fogo, e o Superior Tribunal de Justiça, por suspender a portaria sobre programas de TV. "Não temos a Justiça brasileira como instituição aliada", disse o ministro, durante o lançamento do Plano Nacional de Segurança. Dona Ruth Cardoso atacou o Governo pela atuação lenta no combate à violência. (pág. 1 e 12)

- O oficial de Justiça Carlos Paulo, da 5ª Vara Cível, depois de tentar encontrar o governador Anthony Garotinho, na sede do Governo, jogou a toalha. Após três telefonemas, quatro idas ao Palácio Guanabara e horas de espera, devolveu a intimação de um processo onde Garotinho é denunciado por não pagar dívida de R$ 100 mil. A Justiça vai intimar o réu por Hora Certa. (pág. 1 e 22)

- O Canadá está interessado no destino de 4.391 bovinos que o Brasil importou da Alemanha e da França nos anos 90. A informação foi dada por Brian Evans, veterinário-chefe da agência alimentar canadense, que suspendeu a importação de carne brasileira sob suspeita de casos do mal da vaca louca. Portaria do Ministério da Agricultura proibiu ontem a venda, transferência e abate de animais importados sem autorização prévia. (pág. 1 e 17)

- O governo de São Paulo também vai pagar indenização a presos políticos que sofreram torturas durante o regime militar. A lei, sancionada pelo governador Mário Covas, destina-se a beneficiar ativistas presos entre 31 de março de 1964 e 15 de agosto de 1979 que não foram atingidos pelo programa do Governo federal. O valor das indenizações, que uma comissão vai fixar caso a caso, ficará entre R$ 3.900 e R$ 39 mil e deve atingir cerca de 1.500 pessoas. (pág. 1 e 13)

- O presidente Fernando Henrique Cardoso respirou aliviado com o fim do processo eleitoral no Legislativo e demonstrando despreocupação com a derrota do ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Para não magoar o PFL, Fernando Henrique Cardoso comemorou discretamente a vitória de Jáder Barbalho (PMDB-PA) para a presidência do Senado com um efusivo telefonema de congratulações, mas sem declaração oficial. (pág. 2)

- Minutos antes de passar o cargo de presidente do Senado para Jader Barbalho, o senador Antonio Carlos Magalhães começou a cumprir ontem mesmo a promessa de assumir uma postura de independência em relação ao Governo.

Apostando que continuará contando com o apoio incondicional do partido, tem dito a amigos que trabalha com a hipótese de, ainda este ano, provocar o rompimento do PFL com o Governo Fernando Henrique.

Mas isso só se dará, contam aliados baianos, caso o ex-presidente do Senado considere inviável a candidatura do governador do Ceará, o tucano Tasso Jereissati, à sucessão de Fernando Henrique em 2002.

"Ainda não é hora de implodir a base", confidenciou ACM, a um amigo. Quanto a Jader, prepara-se para tentar desestabilizar ao máximo a gestão do sucessor, anunciando, desde já, novas acusações e dossiês. (pág. 4)

- Jader Barbalho, de 56 anos, ganhou, com a eleição para a presidência do Senado, condições políticas para se recuperar das duas derrotas sucessivas que sofreu no Pará para o governador Almir Gabriel (PSDB) em 1994 e em 1998. A vitória no Senado credencia Jader como forte candidato para enfrentar o crescimento do PT e disputar o governo do estado que já ocupou duas vezes em 34 anos de vida pública. (pág. 3)

- O ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Pedro Parente, entrega hoje, às 15h, ao presidente do Senado, Jader Barbalho, a mensagem do presidente da República ao Congresso Nacional que marca a reabertura oficial dos trabalhos legislativos. (... ) (pág. 6)

- O PFL, principal parceiro nos cinco primeiros anos do governo Fernando Henrique Cardoso, perdeu o poder no Congresso Nacional. Está fora das presidências da Câmara e do Senado, pela primeira vez desde 1993. O PMDB e o PSDB aliaram-se e ontem elegeram o senador peemedebista Jader Barbalho (PA) para presidir o Senado e o deputado tucano Aécio Neves (MG) para presidir a Câmara. Jader teve 41 votos contra 28 do petebista Arlindo Porto e 12 do pedetista Jefferson Peres. Na Câmara, Aécio venceu com 283 votos contra 117 de Inocêncio Oliveira, do PFL, 81 do petista Aloízio Mercadante. (pág. 3)

- (Belo Horizonte) - A trajetória do deputado Aécio Neves está refletida nas suas quatro votações para a Câmara. Aécio obteve o primeiro mandato pelo PMDB em 1986. Tinha 27 anos e se elegeu com 240 mil votos. Uma vitória que veio na esteira da comoção causada no País dois anos antes pela morte do avô materno, Tancredo Neves, que não chegou a assumir a Presidência da República devido a infecção surgida após extração de um tumor benigno do intestino. Em 1998, Aécio reelegeu-se pela terceira vez com 185 mil votos. (pág. 3)

- O governador Anthony Garotinho (PSB), o prefeito César Maia (PTB) e o ex-governador Leonel Brizola (PDT) trabalharam pela eleição do candidato do PFL à Presidência da Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).

A articulação de Garotinho causou nítido mal-estar na bancada do PSB, partido ao qual ele se filiou recentemente. Garotinho prometeu 14 votos a Inocêncio, o que soou como garantia de que o pefelista teria votos do PSB. O partido, no entanto, estava fechado com o candidato do PSDB, Aécio Neves (MG). O governador ficou no Rio, mas foi informado constantemente por telefone das movimentações. (pág. 4)

- O senador José Sarney (PMDB-AP), o candidato dos sonhos de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), foi o último a entrar ontem no plenário do Senado. Quando ele registrou sua chegada, o painel sinalizou a presença dos 81 senadores. Sarney ficou no plenário o tempo suficiente para votar. Um de seus assessores contou que o ex-presidente da República havia tido um desarranjo intestinal no dia anterior e por isso, estava abatido. (pág. 4)

COTAÇÕES

Salário mínimo: (fevereiro) R$ 151,00. Dólar comercial: (compra) R$ 1,9886, (venda) R$ 1,9894. Dólar paralelo: (compra) R$ 2,050, (venda) R$ 2,080. TR do dia 15/01 a 15/02: 0,1503%. TBF do dia 13/02 a 13/03: 0,9767%. (pág. 1)

EDITORIAL

"Página Virada" - (...) Já se fala em retoque do Ministério pelo que se passou na eleição da Câmara e do Senado. É assunto do Executivo. O ajuste ministerial não esgota a necessidade das reformas políticas pendentes. Será em razão do que os partidos decidirem que a reabilitação política se fará por via natural. É o que desejam os cidadãos que querem continuar a escolher representantes e governantes cada vez mais aptos ao desempenho do mandato eletivo. Democracia é aperfeiçoamento e melhoria. (pág. 10)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - O senador Jader Barbalho ganhou, levou, mas ninguém comemorou. Foi uma vitória com um ar de melancolia no plenário do Senado, de onde o senador Antonio Carlos Magalhães retirou-se depois de fazer a impertinência final, chamando o adversário a assumir e, em seguida, virando-lhe as costas.

Pelo clima que norteou o processo, o desfecho até que não foi de todo mal. Seria, vamos e venhamos, exigir demais de ACM que, depois de tudo, ele ainda fizesse pose de estadista frente ao inimigo. Soaria falso. É possível que ganhasse alguns elogios, mas estaria traindo o próprio estilo, violentando além do suportável o próprio temperamento. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Paulo Fona) - Definidos os novos presidentes da Câmara e do Senado, o PMDB começa a se reestruturar com a saída do senador Jader Barbalho da presidência do partido e a chegada do governador mineiro Itamar Franco.

O substituto escolhido pela cúpula partidária é o ex-presidente da Câmara Michel Temer (SP). Paulista, a opção partidária por seu nome tem, também, o objetivo de tranqüilizar seus adversários internos em São Paulo, especialmente o ex-governador Orestes Quércia, com quem pode disputar a indicação para o governo do estado em 2002.

O processo de substituição já está definido: Jader convoca na primeira quinzena de março, depois do carnaval, uma reunião do diretório nacional que sacramentará o nome de Michel Temer.

O ex-presidente da Câmara ficará encarregado, então, de organizar uma Convenção Nacional que definirá um programa de governo para o candidato do PMDB na eleição presidencial de 2002. O senador Pedro Simon será um dos autores do programa. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Jader e Aécio vencem no Congresso

- O presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA), foi eleito presidente do Senado, e o tucano Aécio Neves (MG) venceu na Câmara.

As vitórias de Jader e Aécio fortalecem o PMDB e o PSDB na aliança de sustentação ao governo FHC e diminuem a importância do PFL, principalmente a ala ligada ao ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (BA), grande derrotado do pleito de ontem.

Na Câmara, Aécio teve 283 votos. Seu principal adversário, o pefelista Inocêncio Oliveira (PE), ficou com apenas 117 votos "Perdemos. Tivemos menos votos do que a projeção", afirmou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).

No Senado, Jader recebeu 41 votos, a maioria absoluta dos 81 senadores. Em seu discurso de despedida, ACM criticou indiretamente seu sucessor.

"O Brasil e o Senado não merecem trilhar caminhos de penumbra", declarou ACM.

Jader, que não foi cumprimentado pelo senador baiano, pediu que divergências ficassem para trás. (pág. 1 e cad. Brasil, pág. 1)

- O Brasil decidiu que nenhum bovino importado de países que registraram a doença da vaca louca terá sua carne vendida para consumo humano ou para fabricação de rações.

A medida atende à principal exigência do Canadá para suspender o embargo à carne brasileira. O chefe da missão que apura o controle da doença no Brasil disse que a maior preocupação é evitar que a carne do gado importado de regiões de risco vá para seu país. (pág. 1 e B7)

- O norte-americano Citibank se associou ao Banco Mercantil de São Paulo, instituição fundada há 60 anos e um dos 15 maiores bancos brasileiros.

A associação entre as instituições foi definida depois de seis meses de negociação, com interferência do Banco Central. O Citibank/Mercantil de São Paulo torna-se um banco com 1 milhão de clientes e mais de 250 agências. (pág. 1 e B3)

- O PIB brasileiro cresceu 4,2% em 2000, divulgou o IBGE - o Governo esperava 4%. Foi o melhor desempenho da economia desde 95, quando o País teve expansão de 4,22%. O resultado foi impulsionado pela indústria, que cresceu 4,8%.

Com o índice de 2000, a taxa média de crescimento na década passada ficou em 2,7% ao ano - a segunda pior desde a década de 50, só melhor que a dos anos 80 (1,6%). (pág. 1 e B1)

- O Banco Central decidiu manter os juros em 15,25% ao ano. (pág. 1 e B5)

- A disputa entre ACM e Jader, que se acirrou no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, começou em fevereiro de 95, informam Eliane Cantanhêde e Kennedy Alencar. Após um desentendimento à beira da piscina no Palácio da Alvorada, o senador paraense tomou para si o desafio de ser o "ACM do PMDB". (pág. 1 e A10)

- O ministro José Gregori (Justiça) disse, em reunião do Plano Nacional de Segurança Pública, que o Judiciário, a OAB e a classe política "não são aliados" do projeto de redução da violência. Para Gregori, "a Justiça não assumiu o plano".

Em nota, os presidentes do STF, do STJ e da OAB definiram as declarações do ministro como "injustas, descabidas, fáceis e levianas". Segundo assessores, o Planalto considerou as críticas de ontem "exageradas e desnecessárias". (pág. 1 e A11)

EDITORIAL

"A derrota de ACM" - O resultado das eleições de ontem para as presidências do Senado e da Câmara foi o da derrota de um cacique político de longa trajetória, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), símbolo de um estilo igualmente antigo de fazer política. Mas esse método de lutar pelo poder, infelizmente, persiste na aliança governista.

ACM é o caso talvez mais clássico de longevidade do coronelismo, um fenômeno político que foi definhando no seu habitat natural (as regiões mais remotas do País) em razão da urbanização, em primeiro lugar, e do fortalecimento da sociedade civil. (...) (pág. A-2)

COLUNA

(Painel) - A vitória de Jader Barbalho teve a medida exata para FHC. Com 41 votos, o paraense obteve a maioria do Senado, mas os 28 votos dados a Arlindo Porto (PTB) mantiveram o PFL no jogo político de 2002 e mostraram que a sigla poderia até ganhar a eleição, se não se dividisse. (pág. A-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- PIB cresceu 4,2% em 2000, mais do que o esperado

- O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, cresceu 4,2% em 2000, de acordo com números divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A indústria teve o melhor desempenho entre os setores econômicos, crescendo 4,79%, depois de cair 1,6% em 1999. A agropecuária cresceu 2,9% e os serviços, 3,61%. A renda per capita real subiu 2,8%.

Em São Paulo, a produção industrial teve o melhor resultado desde 1995, com crescimento de 6,5%, mas ainda não o suficiente para recompor o nível da atividade anterior à crise asiática. Apesar do bom desempenho da economia em 2000, as instituições privadas esperam um crescimento máximo de 4,2% em 2001. (pág. 1, B1 e B3)

- A campanha do Governo pelo barateamento dos remédios antiaids, plano ameaçado pela ação dos EUA na OMC contra a lei brasileira de patentes de medicamentos, ganhou importante apoio externo. A diretora-geral da OMS, Gro Harlem Brundtland, afirma em artigo no jornal International Herald Tribune que governos, ONGs e setor privado devem continuar lutando por medicamentos genéricos contra a doença. Segundo ela, menos de 10% dos doentes podem pagar pelo tratamento. (pág. 1 e A16)

- Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal decidiu que dirigir sem estar habilitado não é contravenção penal, mas apenas infração administrativa, que prevê como penalidade multa e apreensão do veículo. Só se a pessoa estiver dirigindo de forma perigosa sua conduta poderá ser interpretada como contravenção, com pena de seis meses a um ano de detenção.

Para o STF, o Código de Trânsito de 1998 passou a ser aplicado no lugar do artigo 32 da Lei de Contravenções Penais, de 1941. (pág. 1 e C7)

- O Copom, do Banco Central, optou pela cautela e manteve ontem a taxa básica de juros, a Selic, em 15,25% ao ano, sem indicar tendência de alta ou baixa. Pelo terceiro mês seguido, os juros cobrados do consumidor mantiveram-se em baixa em janeiro. De dezembro para o mês passado, a taxa média caiu de 7,68% para 7,60% ao mês. (pág. 1 e B4)

- Depois de 315 dias de ataques públicos e de denúncias de corrupção, o presidente nacional e líder do PMDB, Jader Barbalho (PA), foi eleito ontem sucessor de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na presidência do Senado, com 41 votos.

Antes mesmo de saber do resultado das eleições no Congresso, o presidente Fernando Henrique Cardoso ordenou ontem a seus articuladores políticos que iniciem o trabalho de recomposição de sua base política. O grupo de coordenação política do Governo reúne-se hoje para avaliar o dia seguinte ao tiroteio no Congresso. (pág. 1 e A4)

- O Canadá reconhece que não existe a doença da vaca louca no gado nativo do Brasil, mas está preocupado com o destino dos cerca de 4 mil animais que o País importou da Europa depois de 1990.

O veterinário canadense Brian Evans disse em Brasília que seu país quer a garantia de que eles não foram abatidos e exportados para o Canadá. (pág. 1 e B8)

EDITORIAL

"O pouso suave" - O Fed (o banco central dos EUA) prevê forte desaceleração no país agora e sólida recuperação a partir do terceiro trimestre. Muitos analistas consideram a visão excessivamente otimista. Mas é preciso ao menos admitir que se trata de otimismo bem fundamentado. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão - Ariosto Teixeira) - Além de inaugurar o ano legislativo, com a tradicional leitura da mensagem presidencial, a sessão de hoje ao Congresso abrirá um novo período na história parlamentar do País.

Com a vitória de Jader Barbalho (PMDB-PA), por maioria absoluta de votos, esmaece-se o poder de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), um dos mais fortes chefes da quase bicentenária vida do Senado, e entra em cena um ator cuja trajetória ainda não pode ser claramente delineada.

O que se pode antecipar é que o novo presidente do Senado dificilmente dará ao cargo o mesmo protagonismo polêmico. (pág. A6)

O GLOBO

- Economia cresceu 4,2% e renda per capita volta a subir

- O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil superou as projeções mais recentes e fechou o ano passado com um crescimento de 4,2%, o maior desde 1995. Por causa desse desempenho, o PIB nacional em 2000 deve ter um resultado em reais em torno de R$ 1,065 trilhão, o que equivale a um aumento de 2,9% na renda per capita, que chegará a R$ 6.400 anuais. Em 1999, a renda havia caído 0,54%; em 1998, a queda havia sido de 1,11%. Todos os setores da economia cresceram no ano passado.

Para 2001, as projeções são de que a economia pode crescer entre 4,5% e 5%. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos por um país.

O Banco Central decidiu ontem manter os juros em 15,25%. (pág. 1 e 27 a 29)

- Um acordo de última hora com o PSB, em troca de cargos na Mesa, salvou a candidatura de Jader Barbalho (PMDB) e permitiu que ele tivesse maioria absoluta (41 votos) na eleição para a presidência do Senado.

Já o deputado Aécio Neves (PSDB) chegou a uma vitória tranqüila, com 283 votos em primeiro turno. O PFL, grande derrotado, ficou de fora do poder no Congresso. ACM já ensaia fazer oposição ao Governo. (pág. 1 e 3 a 10)

- O ministro da Saúde, José Serra, apresenta campanha contra a Aids no carnaval. O presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno, disse que o uso de anjo e diabo em comercial de TV contraria os valores cristãos. (pág. 1 e 14)

- O Governo determinou que bovinos importados de países com o mal da vaca louca, que não tenham finalidade reprodutiva, sejam abatidos. A instrução foi publicada no Diário Oficial ontem, dia da chegada da missão canadense ao País. (pág. 1 e 33)

- Não adiantou o apelo das dezenas de prefeitos baianos presentes ao Congresso para que lançasse a sua candidatura ao governo do estado em 2002. O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), ex-presidente do Senado, reafirmou ontem que não abandonará o cenário político nacional.

Ficará em Brasília para dar continuidade à guerra pessoal com o novo presidente da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA), e para apontar as falhas do Governo Fernando Henrique Cardoso. (pág. 4)

- O Contran aprovou ontem a inclusão de educação e segurança no trânsito no currículo do ensino médio. Os alunos aprovados não precisarão fazer exame escrito para obtenção da carteira de habilitação. Os ensinamentos serão diluídos nas disciplinas regulares, como matemática, física, química e português, durante os três anos do curso. (pág. 2 e 13)

- Giannandrea Matarazzo, ex-presidente do conselho do Colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo, foi denunciado à Justiça por formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica. A Promotoria também cita em seu relatório o ministro Andrea Matarazzo (secretário de Comunicação do Governo), filho de Giannandrea. (pág. 2 e 14)

- Antes mesmo de confirmada a derrota do PFL nas disputas na Câmara e no Senado, o líder do Governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), já anunciava sua missão de bombeiro. Com autorização do presidente Fernando Henrique, Virgílio deve procurar hoje cedo o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) para começar a recompor a base parlamentar do Governo. (pág. 5)

- O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) bem que tentou fazer um último apelo para que o presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA), desistisse de ser candidato à presidência do Senado. Eram 13h30 quando o petista chegou ao gabinete de apoio de Jader, onde o peemedebista estava ao telefone buscando votos.

Desta vez, Suplicy nem conseguir propor a Jader que este lançasse outro nome do PMDB porque não foi recebido. O peemedebista mandou dizer que estava em reunião e não poderia recebê-lo. Incansável, Suplicy sentou-se à mesa da secretária e redigiu um bilhete para Jader. (pág. 9)

- A votação de ontem na Câmara foi marcada por manobras de lado a lado. Leal a Inocêncio Oliveira (PFL-PE), o secretário de Meio Ambiente do Rio, Eduardo Paes (PTB), reassumiu o mandato só para votar no pefelista. No Distrito Federal, o peemedebista Alberto Fraga, que se recusava a votar em Aécio, foi substituído às pressas por Tadeu Filipelli, secretário do governo Joaquim Roriz (PMDB). (pág. 9)

- Vitorioso na disputa contra o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o novo presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), pregou a conciliação em seu discurso de posse. Depois de dez meses de guerra, com troca de insultos e divulgação de dossiês, Jader propôs que as divergências ficassem para trás, pediu equilíbrio aos senadores e fez votos de que o parlamento voltasse a ser um lugar de negociação e diálogo.

Quando se dirigia pela primeira vez ao gabinete da presidência do Senado, minimizou sua polêmica com Antônio Carlos, ao ser perguntado se tinha derrotado o pefelista. (pág. 8)

- A disputa pela presidência da Câmara foi morna se comparada à tórrida briga pelos cargos da mesa diretora, com episódios de traição. Disposto a ocupar o cargo de vice-presidente, o pefelista Robson Tuma (SP) chegou a leiloar uma mercadoria que não poderia entregar: o voto do pai, Romeu Tuma (PFL-SP), no Senado. (...) (pág. 9)

- O ministro da Justiça, José Gregori, desencadeou ontem uma nova crise com o Judiciário. Ao lançar uma ofensiva contra a violência em quatro regiões metropolitanas do País: Rio de Janeiro, Vitória, São Paulo e Recife, Gregori criticou o Judiciário, a classe política e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por não terem se engajado no Plano Nacional de Segurança Pública. (pág. 10)

EDITORIAL

"Pelo bem comum" - Infelizmente, fazem parte da vida política de metrópoles como o Rio de Janeiro os desentendimentos entre o governador do estado e o prefeito, mesmo quando ambos rezam pelo mesmo credo e pertencem ao mesmo partido.

Até certo ponto, essas divergências são compreensíveis: ambos ocupam cargos de visibilidade nacional e, de olho em seus projetos políticos pessoais, cada um tem sua estratégia para marcar posição e impressionar o eleitorado. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A boa estratégia será inútil àquele que não souber administrar o tempo. O cavalo encilhado da oportunidade não costuma passar duas vezes para um mesmo ator político. Atacar sem retaguarda é temerário, mas há também a hora de avançar sozinho e correr riscos. Ainda que se tenha guiado só pela intuição, Aécio Neves é a figura que mais forte emerge do episódio político de ontem. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - A viagem de FHC a Washington acontecerá antes do segundo semestre.

Será realizada na segunda quinzena de março.

A Alca dominará a agenda de suas conversas com George Bush.

* O ministro José Serra viaja domingo para Tóquio.

Vai pegar US$ 75 milhões do Banco Japonês de Cooperação Internacional para programas de combate ao câncer. (pág. 18)

GAZETA MERCANTIL

- Indefinição na Copene freia a petroquímica

- (São Paulo e Rio) - Apenas três dos vários projetos atrelados ao futuro da Copene envolvem investimentos de cerca de US$ 1,5 bilhão. É um valor superior ao preço pelo qual está à venda a própria central petroquímica da Bahia.

Esses investimentos serão adiados até que se conheça o resultado do leilão de venda da companhia, marcado para março. Aguarda-se, também, um compromisso dos compradores da Copene com a modernização e expansão da central. A Basf e a Dow Química, por exemplo, condicionam o início dos investimentos de cerca de US$ 250 milhões em uma nova unidade de estireno em Camaçari à ampliação da capacidade de produção de eteno na Copene. (pág. 1 e C-1)

- (Ottawa) - Há poucos dias, a Bell Canada, empresa de telecomunicações com investimentos em celular e TV a cabo no Brasil, enviou uma carta ao primeiro-ministro canadense, Jean Chrétien, e a integrantes do gabinete que trata da guerra da carne com o Brasil.

Num texto relativamente longo, entre observações variadas, a empresa diz que caso não surjam evidências científicas de contaminação do gado brasileiro seria conveniente o governo pedir desculpas pela suspensão das importações.

"Se ficar demonstrado que não havia razão para suspeitas, não será correto dizer que foi apenas um engano, sem mais nada", disse a este jornal Peter Burn, vice-presidente corporativo da Bell. "Precisamos reconhecer que o Brasil foi prejudicado".

Um jornal do Canadá disse, anteontem, em editorial que a atuação do governo canadense no episódio é "rídicula". (pág. 1 e A-5)

- Em jantar com o ministro Pratini de Moraes, a missão técnica do Nafta que investiga a carne brasileira decidiu se dividir: parte vai a Mato Grosso do Sul e parte vai ao município de Lins (SP). (pág. 1, A-4 e A-5)

(Brasília e São Paulo) - O temor de inflação de demanda foi o motivo apresentado para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de conservar a taxa básica de juro em 15,25% ao ano. "Após analisar diversos fatores determinantes da taxa de inflação, o Copom decidiu manter a meta da taxa Selic", informou a assessoria do BC. (...) (pág. 1 e B-3)

CORREIO BRAZILIENSE

- Começou a sucessão de FHC

Vitória de Jader Barbalho (PMDB) no Senado e Aécio Neves (PSDB) na Câmara dá a partida para eleição de 2002

- Depois de passar seis anos como o regra três dos partidos que sustentam o Governo no Congresso, o PMDB inaugurou ontem o novo status de parceiro preferencial da aliança ensaiada pelos tucanos para a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002.

O ministro da Saúde, José Serra, que já se aproximava do ex-presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP), passa a ser o nome mais viável numa composição dos dois partidos. E o governador do Ceará, Tasso Jereissati, mais afinado com o PFL, passou a ser uma opção mais remota. (...) (pág. 1 e 6)

- O PFL perdeu. Por inteiro

- Consolidou-se há algum tempo, entre jornalistas e analistas políticos apressados, a leitura rasteira de que o PFL de Antonio Carlos Magalhães poderia sair derrotado das eleições no Congresso, e de que, mesmo perdendo, ganharia o PFL de Marco Maciel, Jorge Bornhausen e moderados em geral. Apesar das diferenças, os dois PFLs convivem, mas não se amam. (...) (pág. 1 e 6)

- ACM prepara a metralhadora

- A quarta-feira do senador Antonio Carlos Magalhães começou com um iogurte light e terminou com política heavy metal. Logo cedo, em casa, ACM chamou o filho e os netos para o café da manhã. (...)

Pouco depois de meio-dia, cercou-se de parentes e prefeitos baianos e, trancado em seu gabinete no Senado, avisou: "Se eu perder a eleição, estarei livre para denunciar a corrupção onde quer que ela esteja. Porque tem corrupção no Governo e eu mostrarei isso. O presidente Fernando Henrique pode não ficar feliz, mas eu mostrarei". (pág. 1 e 12)

JORNAL DE BRASÍLIA

- 100 mil sem planos de saúde

- Disputa entre Associação dos Médicos e seguradoras pode deixar 17 convênios sem contrato a partir de hoje. (pág. 1 e B-7)

- Procon orienta funcionários públicos que estiverem sendo prejudicados com a suspensão do serviço de atendimento. (pág. 1 e B-6)

- Eles voltaram. A fiscalização relaxou e os vendedores ambulantes retomaram suas posições nas calçadas do Setor Comercial Sul. Os comerciantes protestam, mas os camelôs dizem que precisam ficar em um lugar movimentado para vender suas mercadorias. A farra não deve durar muito. (pág. 1 e A-8)

ZERO HORA

- José Bové, líder da Confederação Camponesa da França, comparece hoje e amanhã novamente diante da justiça de seu país. Bové responde processo por sua participação na depredação de uma lanchonete da rede McDonald´s, em agosto de 1999. (pág. 14)

- A produção industrial do Rio Grande do Sul cresceu o dobro da média nacional na década de 90 e superou todos os outros estados em 2000. As taxas de crescimento da indústria, divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o estado cresceu 45,5% de 1991 a 2000, enquanto a média nacional ficou em 24,2%. No ano passado, o aumento industrial gaúcho atingiu 8%, sendo que a média do País foi de 6,5%. (pág. 20)

- A CRT Brasil Telecom instalará, semana que vem, os primeiros telefones fixos pré-pagos do País. A empresa selecionou 200 assinantes em Porto Alegre para testar o produto, que será lançado em junho. Com o telefone fixo pré-pago, os usuários não receberão contas no final do mês, pagando antecipadamente as ligações por meio de um cartão. (pág. 24)

MANCHETES

CORREIO DA BAHIA

- ACM vai intensificar luta contra corrupção

O DIA (RJ)

- Petróleo e telefonia abrem 58 mil vagas

ZERO HORA (RS)

- Indústria do RS cresceu na década o dobro da média brasileira

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br