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20/02/2001
JORNAL DO BRASIL
- Brasil tem
230 mil presos em condições desumanas
- O Governo teria de investir R$ 1 bilhão nos próximos dois anos para
criar 80 mil novas vagas e acomodar os 230 mil presos que superlotam os presídios
brasileiros. Nos últimos cinco anos, foram criadas 70 mil vagas, mas a população
carcerária aumentou em 120 mil pessoas. Nos principais presídios, especialmente os do
Rio e de São Paulo, bandos organizados controlam os presos.
O diretor interino do Departamento Penitenciário Nacional, Fauze
Chequer, disse que o problema é mais grave em São Paulo, que tem atualmente 93 mil
presos. A rebelião em 29 unidades do sistema penitenciário paulista deixou 16 mortos e
cinco pessoas gravemente feridas, entre elas uma criança de 4 anos.
O presidente do STJ, ministro Costa Leite, defende o uso de medidas de
emergência: "Enquanto não cuidarmos da questão da superpopulação, as rebeliões
continuarão a ocorrer", disse.
O porta-voz do Planalto afirmou que o presidente Fernando Henrique não
acredita que a situação se resolva apenas com a construção de novos presídios. (pág.
1, 3, 4, 5, 6 e 10)
- Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram
inconstitucional o uso total ou parcial da multa de 40%, paga elas empresas aos empregados
demitidos sem justa causa, para corrigir o FGTS.
O uso da multa é uma das propostas que o ministro Francisco Dornelles
pretende levar à reunião que terá hoje com as centrais sindicais para debater a forma
de pagamento dos expurgos dos planos Verão e Collor 1.
As outras propostas do Governo - aumento da alíquota de contribuição
da empresa para 9%, redução do valor repassado às contas dos empregados para 7% e
aumento de juros para financiamentos habitacionais - não esbarram, segundo os ministros,
em obstáculo jurídico.
O STF só vai se manifestar sobre o assunto caso venha a julgar alguma
ação questionando a legalidade da retenção da multa do FGTS. (pág. 1 e 5)
- O presidente Fernando Henrique explicou, em Sinop (MT), por que não
responde às acusações do senador Antonio Carlos Magalhães de que ele e o senador Jader
Barbalho são a mesma pessoa: "Quando eu calo, não é por temor. Eu me calo por
convicção". (pág. 1 e 2)
- Encomendas de carne bovina dos países europeus e dos Estados Unidos
fizeram com que subisse 2,95% o preço do boi gordo na Bolsa de Mercadoria e Futuros
(BM&F), um dia após o fim da inspeção da missão da Alca ao rebanho brasileiro.
(pág. 1 e 17)
- A CBT anunciou que Florianópolis será a sede do confronto contra a
Austrália pela Copa Davis de tênis. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro,
pediu a abertura de inquérito penal contra o deputado Eurico Miranda. (pág. 1, cad.
Esportes, pág. 1 e 6)
COTAÇÕES
- Salário mínimo: (fevereiro) R$ 151,00. Dólar comercial: (compra)
R$ 2,0019, (venda) R$ 2,0027. Dólar paralelo: (compra) R$ 2,060, (venda) R$ 2,090. TR do
dia 20/1 a 20/2: 0,1387%. TBF do dia 16/2 a 16/3: 0,9752%. (pág. 1)
EDITORIAL
"Fora de Controle" - A maior rebelião da história nos
presídios de São Paulo, estado que abriga quase metade dos presos do País, é o retrato
sem retoque do colapso do sistema penitenciário brasileiro, apesar das advertências
feitas nos últimos tempos. Ano após ano, fuga após fuga, rebelião após rebelião,
armou-se o desequilíbrio entre presos que se organizam nas celas e o sistema
penitenciário que, por falta de pessoal qualificado e verbas, apresenta sinais de
decadência irrecuperável. (...)
Chegou-se à situação atual, que permite a formação de quadrilhas
entre os presídios de várias cidades, em desafio frontal e definitivo à autoridade.
Pior ainda do que a esclerose do sistema é a megalomania dos presos e de suas lideranças
que não se contentam em cumprir penas nas cadeias disponíveis, proclamando-as
desconfortáveis, e partem para a desobediência anárquica quando se tenta desbaratar os
grupos quadrilheiros. O sistema que aceita este tipo de reivindicação está por
princípio falido. (pág. 8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Fundador do Comitê Brasileiro
pela Anistia, antigo militante da defesa dos direitos humanos, advogado com experiência
de longa distância na área, profundo conhecedor do sistema prisional, o deputado federal
(PT-SP) Luiz Eduardo Greenhalgh passou a tarde de domingo, a madrugada e o dia inteiro de
ontem no presídio do Carandiru.
Saiu de lá convencido de que o que houve em São Paulo foi muito mais
que uma monumental rebelião de presos: "Assistimos a uma declaração de guerra
explícita ao poder público e à quebra de normas seculares de conduta que trarão como
conseqüência uma mudança profunda no funcionamento interno das prisões".
Segundo Greenchalgh, dois fatos fundamentam sua convicção: "Pela
primeira vez os presos desrespeitaram sua regra maior, segundo a qual o dia de visita é
sagrado e, pela primeira vez também, em São Paulo, eles admitiram abertamente que existe
um comando geral do crime dentro dos presídios. Ao exigir não melhores condições de
vida, mas a volta de seus comandantes aos postos de origem confrontaram diretamente a
autoridade pública". (...) (pág. 2)
(Informe JB - Paulo Fona) - O senador Antonio Carlos Magalhães
prometeu aos líderes pefelistas que em seu discurso de hoje no Senado não pronunciará o
nome do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Só de seus ministros e os nomeados para o DNER e portos. (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Rebeliões terminam com 16 mortos
- Ao menos 16 presos morreram na maior rebelião da história do País,
iniciada simultaneamente em 29 unidades prisionais de São Paulo, segundo balanço do
governo estadual.
Quatro policiais foram baleados, e uma criança sofreu ferimentos
graves ao ser atingida por estilhaços de uma explosão, que pode ter sido causada por uma
bomba de gás lacrimogêneo da polícia ou por uma granada dos detentos.
Os motins, liderados pela organização Primeiro Comando da Capital,
atingiram 25 presídios, 2 delegacias e 2 cadeiões. Só foram totalmente controlados
ontem à tarde, mais de 27 horas depois de seu início.
"Não houve fugas, e não atendemos a nenhuma das
reivindicações, porque elas eram políticas", afirmou o secretário da Segurança
Pública, Marco Vinício Petrelluzzi. O secretário declarou ainda que os líderes do PCC
transferidos do complexo do Carandiru na última sexta-feira serão indiciados pelas
mortes. (pág. 1 e cad. Cotidiano)
- Mesmo após a revista feita ontem pela PM, telefones celulares
continuaram funcionando na Penitenciária do estado, no Complexo do Carandiru. Por volta
das 18h, quase três horas após o fim da inspeção, detentos da unidade falaram por
celular com a Folha.
Uma revista na cela do assaltante Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra -
suspeito de liderar o PCC -, no presídio de Taubaté, encontrou aparelhos celulares e uma
arma. (pág. 1 e C3)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em solenidade em Sinop
(MT), que às vezes se mantém calado, mas não por temor. "É o calar por
convicção, é o calar porque sei o que estou fazendo e vou avançar mais", afirmou
FHC.
A declaração é uma justificativa indireta ao silêncio que FHC
manteve após ter sido criticado pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O
senador acusara FHC de omissão quanto à suposta corrupção em seu Governo. (pág. 1 e
A4)
- Os países que integram o Nafta (Canadá, EUA e México) deverão
decidir até sexta se derrubam ou não o veto à carne bovina brasileira, informa Marcio
Aith. Segundo Claude Lavigne, da Agência Canadense de Inspeção Alimentar, técnicos que
vieram ao Brasil para vistoriar o gado "voltaram satisfeitos com o que viram".
Luiz Carlos de Oliveira, secretário de Defesa Agropecuária, disse que
a situação do gado argentino quanto à febre aftosa preocupa. (pág. 1, B1 e B3)
EDITORIAL
"Armínio e a economia" - O presidente do Banco Central do
Brasil, Armínio Fraga, reforçou, em entrevista a esta Folha publicada no domingo, a
impressão de que há um consenso na área econômica do Governo de que o crescimento do
País tem um teto. Crescer acima desse limite seria algo perigoso. Traria de volta o risco
de inflação alta, o que levaria a autoridade monetária a aumentar os juros, promovendo
uma desaceleração para ajustar os preços relativos.
Para as pessoas que comandam a política econômica, o atual nível de
aquecimento da economia brasileira já teria atingido esse limite além do qual não seria
prudente avançar. Armínio, com a responsabilidade do cargo que ocupa, não forneceu
pistas sobre se esse teria sido o motivo pelo qual o Conselho de Política Monetária
(Copom), decidiu, na semana passada, pela manutenção da taxa básica de juros em 15,25%
ao ano. Mas essa é uma hipótese que não pode ser descartada. (pág. A2)
COLUNA
(Painel) - Chamou a atenção de entidades de direitos humanos que
visitaram ontem presídios paulistas a padronização dos tipos de letras, cores e dizeres
usados nas faixas exibidas pelos presos rebelados. Seria um indício de que o PPC estaria
recebendo ajuda maior e mais decisiva de funcionamento do sistema prisional. (pág. A4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Governo isola líderes do PCC e limita
visitas
- Isolar as lideranças e modificar as normas de visitas nos presídios
são as duas medidas que o Governo adotará para enfrentar o poder do Primeiro Comando da
Capital (PCC), principal facção criminosa que atua nos cárceres paulistas e
responsável pela maior rebelião da história penitenciária brasileira.
O movimento iniciado domingo, só foi controlado ontem e teve a
participação de 23.500 presos (25% da população carcerária do estado). Foram
envolvidos 25 presídios, 2 cadeias públicas e 2 distritos policiais localizados em 22
cidades. Morreram pelo menos 15 presos, assassinados por companheiros de cela.
Os líderes do PCC, transferidos na semana passada do Complexo
Penitenciário Carandiru, serão acusados pelas mortes. (pág. 1 e C1 a C5)
- O Brasil não vai mais adquirir tecnologia ou máquinas sem negociar
contrapartidas com o país exportador. A primeira grande negociação será do sistema de
TV digital, disputa que envolve europeus, japoneses e americanos. Ocorrerá o mesmo na
compra da tecnologia de terceira geração de telefonia celular e na de aviões militares.
Esses negócios, segundo a Câmara de Comércio Exterior, representam US$ 15 bilhões.
A balança comercial ficou negativa em US$ 150 milhões na 3ª semana
de fevereiro, com déficit acumulado no ano de US$ 612 milhões. (pág. 1 e B4)
- Líderes republicanos da Câmara e do Senado dos EUA acham que o
ex-presidente Bill Clinton deixou mais dúvidas do que esclarecimentos no artigo em que
procurou explicar os motivos para indultar o financista Marc Rich, indiciado por
sonegação fiscal.
No texto publicado no jornal The New York Times, Clinton escreveu que
havia substanciais "razões legais e de política exterior" para o perdão.
Argumentou também que os promotores federais deviam ter formalizado denúncias civis,
não criminais, contra Rich. (pág. 1 e A13)
- O Ministério da Agricultura vai instalar mais uma barreira
sanitária no Sul para preservar o rebanho gaúcho da febre aftosa registrada na
Argentina. O novo posto será montado em São Borja (RS).
De acordo com o delegado regional do ministério, Carlos Foscheira, os
automóveis serão desinfetados e os produtos de origem animal, apreendidos.
A febre aftosa foi detectada em algumas províncias argentinas, como
Corrientes, Formosa e Buenos Aires. Alta fonte do governo argentino confirmou a
existência de centenas de casos. (pág. 1 e B1)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em Sinop, em Mato
Grosso, que quando se cala "não é por temor, é por convicção", em resposta
indireta aos ataques do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que criticou por não
tomar providência em relação às suas denúncias de corrupção no Governo.
"Eu calo é porque estamos avançando e posso calar, às vezes,
porque tenho a responsabilidade histórica como chefe de Estado", disse. O Presidente
respondeu ainda aos estudantes que o vaiaram. Afirmou que o Brasil é formado também
"por quem critica, com ou sem razão, com educação ou sem educação". (pág.
1 e A4)
- A Receita Federal vai excluir do Programa de Recuperação Fiscal
(Refis) empresas que escondem o faturamento. A fraude mais comum é a criação de uma
nova empresa, apenas com a parte lucrativa. As dívidas e o faturamento menor vão para o
Refis.
Ao ser excluída, a empresa terá de pagar a dívida de uma só vez,
podendo ser executada judicialmente. Os fiscais vão analisar o faturamento de 128 mil
empresas, monitoramento que deve começar em março. (pág. 1 e B7)
- Da dívida total de R$ 226,7 milhões dos planos de saúde com o
Sistema Único de Saúde, o Governo só conseguiu cobrar R$ 19,3 milhões e receber apenas
R$ 1,9 milhão.
Desde setembro de 1999, os planos são obrigados a pagar ao SUS os
gastos de associados atendidos em hospitais públicos, mas a maior parte da dívida foi
contestada administrativa ou judicialmente. A maioria das internações é por parto ou
acidente de trânsito. (pág. 1 e A11)
EDITORIAL
"Desafio do crime ao Poder do Estado" - De um modo geral,
entidades como o PCC têm levado a melhor, no embate com as autoridades carcerárias,
porque demonstram dispor de melhor organização hierárquica, rigor de conduta e, acima
tudo, eficientíssimo sistema de comunicação. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão - Ariosto Teixeira) - O presidente Fernando
Henrique Cardoso tomou a iniciativa em todas as conversas que manteve nos últimos dias
com o PFL. As mais esclarecedoras tiveram como interlocutores o vice-presidente Marco
Maciel, o ministro do TCU e ex-senador Guilherme Palmeira e o senador pefelista Jorge
Bornhausen (SC).
O efeito dos acertos preliminares para o realinhamento da base
governista poderá ser percebido hoje, quando o senador Antonio Carlos Magalhães (BA)
subir à tribuna. O compromisso dele é evitar ataques à figura do Presidente, sem
contudo perder a contundência na denúncia de que existe corrupção nas áreas do
Governo controladas pelo PMDB. (...) (pág. A6)
O GLOBO
- Rebelião deixa 16 mortos e revela
falência do sistema penitenciário
- Depois de 24 horas de alta tensão, terminou ontem à tarde, com 16
presos mortos, a rebelião em 27 presídios e dois distritos policiais de São Paulo.
Entre os feridos mais graves está a menina Ingrid Gama, de 4 anos, feita refém junto com
outras milhares de pessoas.
Da maior rebelião da história do País ficou, como saldo, um sistema
penitenciário em que presos são mantidos em cadeias superlotadas, são mais organizados
do que a polícia, não têm restrições para falar em telefones celulares e onde sequer
há detectores de metais.
A desativação do Carandiru, muitas vezes prometida, continua no
papel. As verbas do Governo federal não foram liberadas. E sequer uma pessoa encarregada
da política do setor existe: o cargo de diretor do departamento penitenciário nacional,
ligado ao Ministério da Justiça, está vago há 60 dias. Mudanças no sistema penal não
saem do papel.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Costa Leite,
condenou a lentidão para a adoção de penas alternativas que possam desafogar o sistema
penitenciário: "Me parece que estamos andando em círculos". Para o presidente
da Ordem dos Advogados do Brasil, Carlos Miguel Aidar, a situação nos presídios está
"ingovernável".
As cenas de violência em São Paulo foram transmitidas para o mundo
inteiro pelos principais órgãos de imprensa e o Washington Post, um dos jornais mais
influentes dos EUA, chegou a afirmar que as rebeliões são comuns nas
"indecentemente superlotadas e violentas prisões brasileiras". (pág. 1, 3 a 10
e editorial "Espaço ocupado", pág. 6)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso manifestou ontem, em nome dos
brasileiros, a indignação com a ação orquestrada pelos integrantes da organização
criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que comandaram de dentro da Casa de
Detenção de São Paulo, no Complexo do Carandiru, rebeliões em 29 penitenciárias do
estado.
Muito mais do que comprometer a imagem do Brasil no exterior, Fernando
Henrique destacou, por intermédio do porta-voz Georges Lamazière, que a rebelião em
cadeia abala todo o País.
"O Presidente comentou que certamente (a rebelião em cadeia)
afeta a imagem do País, mas o mais importante é que afeta a nós. A maior indignação
é nossa", afirmou Lamazière. (pág. 5)
- Sem citar o senador Antônio Carlos Magalhães, o presidente Fernando
Henrique disse ontem, em Sinop (MT), que não vai reagir às acusações que tem recebido,
não por medo, mas porque tem convicção de que seu Governo está no caminho certo.
FH afirmou que o Brasil precisa de todos, "inclusive dos que
criticam com ou sem razão, com ou sem educação". Sob vaias de universitários, ele
inaugurou o programa Telecomunidade, que pretende dar acesso à Internet para 13 mil
colégios no País. (pág. 1 e 12)
- O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu ao Supremo
Tribunal Federal (STF) que seja aberto inquérito penal para investigar Eurico Miranda. Na
solicitação, ele diz que há indícios de crimes contra o sistema financeiro e de
lavagem de dinheiro. (pág. 1 e 31)
- A Força Sindical vai propor hoje ao Governo que parte da correção
do FGTS, determinada pela Justiça, seja paga com ações de empresas estatais. A
proposta, preparada pela Bolsa de Valores de São Paulo, prevê ainda a emissão de Notas
do Tesouro Nacional (NTNs), que seriam usadas para pagar a correção de quem tem a
receber mais de dez salários mínimos. (pág. 2 e 22)
- A discordância entre o presidente e o primeiro-ministro da Turquia
sobre a condução do programa de combate à corrupção fez a Bolsa de Istambul cair
14,62% ontem. A instabilidade política na Turquia, segundo analistas, preocupa porque
pode contaminar outros mercados emergentes. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com
queda de 1,21%. (pág. 2 e 21)
- O novo presidente da Câmara, Aécio Neves, proporá hoje que os 432
apartamentos funcionais da Câmara sejam vendidos para os próprios deputados, que teriam
facilidades: prioridade na compra e financiamento da Caixa Econômica Federal em 30 anos,
com 10% de entrada. (pág. 1 e 11)
- Para evitar reação negativa do público e de entidades indígenas,
a Viradouro decidiu excluir do desfile das escolas de samba uma ala em que componentes
vestiriam a fantasia "Índio, o bicho preguiça". A Funai já havia ameaçado
processar a escola por associar o índio à preguiça. (pág. 1 e 13)
EDITORIAL
"Espaço ocupado" - O número mais impressionante é o de
focos de rebelião: o motim de domingo atingiu 29 penitenciárias e duas cadeias públicas
de São Paulo. Houve 16 mortes, o que é trágico mais também razão de alívio relativo,
já que em diferentes momentos do dia o número de reféns em poder dos presos chegou a 13
mil. Só no Complexo do Carandiru eram, no momento de maior perigo, quando a polícia
invadiu a penitenciária, cerca de cinco mil, inclusive perto de mil crianças. (...)
No lado positivo, deve-se registrar que a ocupação dos presídios,
apesar do número de mortos, mostrou predomínio da energia necessária sobre a violência
gratuita. No lado negativo, fica mais uma vez demonstrado que organizações marginais
ganham espaço e força sempre que a oportunidade para isso é criada pela ausência ou
ineficácia da organização do Estado. É assim nas comunidades mais pobres das cidades,
seria de admirar que não fosse assim nas penitenciárias. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - O que está seguindo à eleição das Mesas no
Congresso são estes fortes ventos sucessórios, inconvenientes ao Presidente por soprarem
tão cedo. Inoportunos também para o candidato favorecido pelo resultado, o ministro
José Serra, agora exposto ao fogo dos inimigos. Mas ainda que não pareça, o que está
havendo é natural. Centro-esquerda e centro-direita começam a se descolar. (...) (pág.
2)
(Ricardo Boechat) - O faturamento do comércio subiu 4,36% no ano
passado.
O índice que será anunciado hoje pela CNC.
Aracaju, com crescimento de 23,8%, e São Paulo, com 10,4%, lideram a
lista.
Fortaleza (menos 14,3%) e Rio (menos 5,5%) ficaram na lanterna.
* O Governo iniciará dia 6 uma campanha nacional contra a diabetes.
Hoje cinco milhões de brasileiros sofrem da doença.
Mas pode ser o dobro.
Daí, será enfatizada a necessidade de exames preventivos. (pág. 14)
GAZETA MERCANTIL
- Debêntures no forno somam R$ 5,1
bilhões
- (São Paulo) - O interesse pelo lançamento de debêntures explodiu
neste início de ano. Existem 13 operações em análise na Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), que somam R$ 5,133 bilhão - nada menos que 58,68% do que foi
registrado em todo o ano passado (R$ 8,7 bilhões).
"Acredito que as emissões de debêntures vão crescer entre 30% e
40% em relação ao ano passado", estima o diretor de mercado de capitais do
BankBoston, Roberto Roma. Três razões fundamentam essa expectativa. (pág. 1 e B1)
- (São Paulo e Brasília) - O Governo apresenta hoje a proposta para
corrigir expurgo inflacionário de 68,9% do FGTS. CUT e Força Sindical já avisaram que
não aprovarão nenhum acordo que repasse aos trabalhadores a conta da correção. E
prometem, na falta de acordo, uma enxurrada de novas ações, o que, segundo o presidente
do STJ, Paulo Costa Leite, levará o Judiciário ao colapso. (pág. 1 e A-19)
- (Brasília e Rio) - O quadro de forças políticas que saiu da
eleição no Congresso vai criar problemas para a privatização de geradoras federais de
energia - Eletronorte, Furnas e Chesf.
A privatização, que tramita há dois anos, tem fortes adversários
nos presidentes do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG).
"Sou contra, sou contra", disse ontem Jader Barbalho, que não concorda com a
venda da Eletronorte. Neves, por sua vez, não esconde a contrariedade quando ouve
propostas sobre Furnas. O deputado discorda do modelo clássico e defende o direito do
Governo federal de manter o controle. (pág. 1 e A-17)
CORREIO BRAZILIENSE
- O ministro das Relações Exteriores,
Celso Lafer, defendeu ontem as novas normas que disciplinam as manifestações públicas
dos diplomatas, qualificadas pelos críticos como "lei da mordaça". Ele não
modificará as regras baixadas na semana passada. Para Lafer, o diplomata representa o
país e por isso sua opinião sobre política externa não é individual. O máximo que o
ministro se dispõe a fazer é explicar o texto, que acredita ter sido mal-interpretado.
"A nova circular não tem como objetivo coagir nem exclui a
discussão", disse Lafer ao Correio Braziliense no final da tarde de ontem. "Ao
contrário, a circular distribui as responsabilidades, flexibiliza as normas anteriores,
de 1996, e tem como objetivo tornar mais ágeis as manifestações dos diplomatas sobre a
formulação e execução da política externa". (...) (pág. 3)
- Uma semana depois de assistir à vitória de seu inimigo político,
senador Jader Barbalho (PMDB-PA) nas eleições do Congresso, o ex-presidente do Senado
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) sobe à tribuna hoje para desancar seu rival e apontar
indícios de corrupção em toda a infra-estrutura de Governo ocupada pelo PMDB.
Pode sobrar também para o presidente Fernando Henrique Cardoso, mas os
alvos preferenciais são Jader e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. O discurso
será feito no início da tarde e a sessão promete ser tensa, já que Jader anunciou que
pretende presidí-la. Pelo menos 14 pedidos de informações serão apresentados por ACM,
relativos à denúncias de corrupção dentro de órgãos como o Departamento Nacional de
Estradas de Rodagens (DNER) e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
(...) (pág. 1 e 15)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Você vai ter 7 milhões de vizinhos
- Eixo Brasília-Goiânia corre o risco de ser, em 2010, uma região
hiperpovoada e miserável. (pág. 1 e A-7)
- O número de pessoas que vivem em condições de pobreza na América
Latina aumentou em 20 milhões na última década e já chegou a 80 milhões, de acordo
com estudo divulgado ontem em Roma pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola,
conhecido como Banco dos Pobres. O Banco quer ajuda mundial para a região. (pág. 1 e
B-7)
ZERO HORA
- Um acalorado debate entre os deputados
Cézar Busatto, estadual, e Darcísio Perondi, federal, transmitido ao vivo na tarde de
ontem no programa Gaúcha Repórter, da Rádio Gaúcha, expôs a divisão do PMDB gaúcho
entre aliados do ex-governador Antônio Britto e do ministro dos Transportes, Eliseu
Padilha. A cisão, que existe há cerca de dois anos, se tornou explícita com a
proximidade da eleição para o diretório estadual. (pág. 8)
- A Argentina tem até amanhã para convencer o Governo brasileiro de
que o seu rebanho está livre de febre aftosa.
Depois de analisar o relatório feito por técnicos brasileiros, o
secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de
Oliveira, classificou a situação do país vizinho como preocupante. (pág. 24)
- O estado vai continuar pressionando o Governo federal para que as
fronteiras com a Argentina sejam totalmente fechadas.
A ameaça de entrada no território gaúcho de animais infectados pela
febre aftosa preocupa o secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, que anunciou a
decisão ontem, em entrevista coletiva. Hoffmann estava afastado do cargo há duas
semanas, em viagem à Europa e aos Estados Unidos. (pág. 24)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Rebelião em 29 presídios acaba com 16 mortos
O DIA (RJ)
- Prisões do Rio em alerta máximo
ZERO HORA (RS)
- Motins expõem poder paralelo nos presídios

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico
da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura
econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança
comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na
INTERNET www.fazenda.gov.br, na área
específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive
sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês,
na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de
publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação
Social é: secom@planalto.gov.br |
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