20/04/2001

JORNAL DO BRASIL

- Congresso já admite cassação dos senadores ACM e Arruda

- Em depoimento nervoso, às vezes emocionado, mas sempre seguro, a ex-diretora do centro de Processamento de Dados do Senado (Prodasen, Regina Célia Peres Borges, surpreendeu os senadores com o depoimento na Comissão de Ética, enriquecendo com detalhes e dados, a entrevista ao "Jornal do Brasil", publicada ontem.

Ela reafirmou que, entre 20h e 21h do dia 27 de junho de 2000, esteve na casa do senador José Roberto Arruda onde ouviu a pedido, em nome do senador Antonio Carlos Magalhães, para violar o sistema eletrônico e obter a lista de votos da sessão que cassou o então senador Luiz Estevão.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Bernardo Cabral, definiu a situação: "Não acredito que um funcionário fizesse isso sem ter um patrono ou patronos. Se for algum senador é quebra de decoro e haverá cassação". (pág. 1 e 2 a 4)

- O senador José Roberto Arruda encerrou o dia de ontem como ex-líder do Governo. E tal qual o colega Antonio Carlos Magalhães, paralisado pela acusação de violação de sigilo da votação no Senado.

Arruda acompanhou pela TV, calado, o depoimento da ex-diretora do Prodasen Regina Borges. ACM tentou desqualificar a acusação, mas no fim do dia refugiou-se na Bahia.

O novo líder do Governo, senador Romero Jucá, é processado no TCU pelo desvio de R$ 300 mil destinados pelo Ministério da Ação Social a Roraima, em 1992. (pág. 1, 2 e 3)

- O presidente Fernando Henrique vai cobrar, do vizinho Fernando de La Rúa, em Quebec, Canadá, um posição firme da Argentina pelo Mercosul diante da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) na reunião que começa hoje.

FH não gostou da declaração do ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, que classificou a Tarifa Externa Comum de "uma palhaçada". O Brasil considera a tarifa fundamental para a integração regional. A reunião da Alca em Quebec terá 6.500 policiais, fora agentes disfarçados, no esquema de segurança. (pág. 1 e 15)

- O governo da África do Sul derrotou ontem gigantes da indústria farmacêutica e abriu importante precedente jurídico. Cedendo à pressão da opinião pública mundial, 39 laboratórios retiraram a ação legal que moviam contra o uso de remédios genéricos de combate à Aids, muito mais baratos que os patenteados. O caso pode favorecer o Brasil em uma disputa semelhante com os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio. (pág. 1, 10 e 11)

- O ex-ministro Ciro Gomes, candidato do PPS à Presidência da República, criticou ontem as articulações do presidente Fernando Henrique Cardoso para impedir a instalação da CPI da Corrupção. "No Ceará se diz que quem não deve não teme. Portanto, quem deve teme. E esse é o caso", afirmou Ciro para uma platéia de empresários durante palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). (...) (pág. 6)

- O Ministério da Saúde divulgou ontem a proibição de quatro remédios que têm na fórmula os gangliosídeos, indicados contra alterações no sistema nervoso. Com isso, foram proibidas, somente esta semana, a fabricação e a venda de 67 medicamentos. A lista foi elaborada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os quatro medicamentos proibidos ontem são: Cronossial, do laboratório Biosintética; Telexial, Sygen e Sinaxial, os três do laboratório TRB Pharma. Esses remédios servem, por exemplo, para tratar lesão na medula e são vendidos sob prescrição média. (...) (pág. 7)

COTAÇÕES

- Salário mínimo (abril): R$ 180,00. Dólar comercial: R$ 2,1874 (compra), R$ 2,1882 (venda). Dólar paralelo: R$ 2,190 (compra), R$ 2,220 (venda). TR do dia 20.03 a 20.04: 0,1948. TBF do dia 18.04 a 18.05: 1,2499. (pág. 1)

EDITORIAL

"Solução Urgente" - O processo para apurar a violação do sigilo de voto dos senadores recebeu um tranco no relatório da Unicamp e se acelerou com as declarações de Regina Célia Peres Borges, ex-diretora do serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen), sob a forma de confissão compulsiva ao "Jornal do Brasil" de ontem. Valeu como a confissão de um crime coletivo por alguém que não resistiu à pressão moral de um episódio desaprovado pela sua consciência. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Caso tentem agora promover um recuo tático coletivo e selar um acordo temporário de paz, os partidos governistas não vão conseguir deter o processo de desmoralização ampla, geral e irrestrita que, iniciado pelos senadores Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho, já atinge em cheio o Poder Legislativo e resvala seriamente no Executivo. No máximo, conseguirão piorar bem as coisas, pois ficarão todos na condição de operadores de ação abafa. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Paulo Fona) - Os 81 senadores da República começaram ontem um processo de investigação que nenhum deles se arrisca a prever, com certeza, como terminará.

Por enquanto, entre "atônitos e envergonhados", alguns deles repetem, à boca pequena, que não viram a lista de votação, mas sabem quem são os 18 que absolveram Luiz Estevão e os 10 que se abstiveram, por considerar as provas insuficientes.

Na lista, desponta o nome do ex-presidente da República e ex-presidente do Senado, o senador José Sarney (PMDB-AP) - naturalmente pela importância dos cargos que ocupou em sua vida pública.

Ao lado de Heloísa Helena (PT-AL) - a primeira citada -, Sarney é a estrela dos nomes ilustres que optaram, por solidariedade partidária, pela convicção da inocência de Estevão ou por outra razão qualquer. Eles estão na relação, ao lado de Bernardo Cabral (PFL-AM) e Siqueira Campos (PFL-TO).

O senador José Sarney não quer falar sobre o assunto. Mas, a amigos íntimos, Sarney diz que não votou pela absolvição de Luiz Estevão. E mais não conta: não quer violar o segredo do voto. (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Depoimento complica Arruda e ACM

- A ex-diretora do Prodasen Regina Borges depôs no Senado, repetiu com novos detalhes sua versão para a violação do painel de votação e complicou a situação dos senadores José Roberto Arruda (PSDB) e Antonio Carlos Magalhães (PFL).

Na avaliação de líderes do Congresso, assessores e ministros, o relato da ex-diretora ao Conselho de Ética foi convincente e tornou inevitável iniciar processos de cassação por quebra de decoro parlamentar contra o tucano e o pefelista.

No depoimento, Regina disse ter procurado Arruda para discutir como proceder no caso de a violação vir a público. "Isso tem de ser sigiloso até sob tortura", teria dito o senador, numa segunda suposta conversa em seu apartamento.

Com ACM, teria havido dois encontros para debater o tema. No primeiro, segundo Regina, o senador baiano disse: "Isso é coisa do Arruda". No segundo, pela versão, que não teria como "segurar a Unicamp", que constatou a fraude na votação.

A sessão mobilizou a atenção do mundo político em Brasília. ACM era comparado a Ibsen Pinheiro, ex-presidente da Câmara cassado. Para o Planalto, a crise inédita no Senado diluiu as pressões pela CPI da Corrupção. (pág. 1, A4 e A6)

- Sindicância da Sudam acusa o ex-superintendente José Arthur Tourinho de favorecer a Saint Germany, de José Osmar Borges, quando a companhia era sócia do senador Jader Barbalho numa empresa agropecuária, relata Ari Cipola. Borges é acusado de desviar mais de R$ 100 milhões da Sudam.

O advogado de Tourinho diz que o superintendente não é responsável por nenhuma liberação do órgão. (pág. 1 e A9)

- Um projeto da pesquisadora Margareth Capurro, da Universidade Federal de São Paulo, tentará desenvolver mosquitos transgênicos resistentes aos agentes causadores da malária e da dengue. A idéia é atacar os parasitas dentro do inseto, impedindo que ele transmita as doenças. (pág. 1 e A18)

- A indústria farmacêutica mundial retirou a ação judicial contra lei da África do Sul que autoriza o governo a adquirir remédios genéricos mais baratos para enfrentar crises de saúde pública. A Aids atinge 4,7 milhões de sul-africanos.

As empresas negam que o fato seja um recuo. (pág. 1 e A13)

- O Banco Central vendeu R$ 1 bilhão em títulos cambiais de curto prazo para tentar segurar a disparada do dólar, que chegou a ser cotado ontem a R$ 2,219 (valorização de 1,7%).

Após a ação do BC, a moeda norte-americana recuou para R$ 2,190, com alta de 0,37%.

O agravamento da crise política foi o principal ponto de pressão sobre o câmbio.

A Bolsa de Valores de São Paulo também repercutiu negativamente o desgaste do governo no episódio da violação do painel eletrônico do Senado e registrou queda de 3,5%.

Rumores sobre a Argentina, que informavam sobre uma possível renúncia do ministro da Economia do país, Domingo Cavallo, contribuíram para o dia negativo. (Pág. 1, B1 e B6)

EDITORIAL

"Aperto no crédito" - O BC elevou, pela segunda vez consecutiva num período de 30 dias, os juros. A taxa anual passou de 15,75% para 16,25%.

Diferentemente da decisão anterior, desta feita o aumento era esperado pelos agentes de mercado. Muitos aguardavam uma elevação maior, entendendo que tende a ser duradoura a escalada na taxa de câmbio nos últimos meses. Ontem a cotação do dólar chegou a superar R$ 2,20.

A discussão sobre a necessidade de elevar os juros ou sobre qual deveria ser o aumento adequado é complexa. A incerteza acerca do comportamento da economia torna por vezes pouco úteis os critérios técnicos usados.

A questão crucial não é essa. O regime de câmbio flexível tem mostrado ao longo dos últimos anos que conseguiu propiciar à economia brasileira maior capacidade de absorver os impactos de crises externas. (...) (pág. A2)

COLUNA

(Painel) - O depoimento de Regina Borges inviabilizou, por ora, a operação abafa. Com as evidências apontadas pela ex-diretora do Prodasen contra ACM e, principalmente, José Roberto Arruda, os aliados vão atuar para enterrar os processos de cassação na Comissão de Ética, antes de chegar ao plenário do Senado. (pág. A4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Depoimento abre caminho para cassar ACM e Arruda

- Em depoimento de cerca de cinco horas, a ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado Regina Célia Peres Borges afirmou ontem ter sido pressionada a manter segredo sobre a violação do sigilo da votação que cassou o senador Luiz Estevão (PMDB-DF).

A pressão, segundo ela, foi feita pelo senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Arruda, disse Regina, havia pedido a violação do sigilo em nome do então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Regina também confirmou ter recebido ligação de ACM agradecendo por ter atendido ao pedido de Arruda.

Diante da segurança aparentada por Regina, a avaliação de vários senadores governistas e da oposição é de que ficou difícil impedir um eventual processo de cassação do mandato de Arruda e ACM por quebra de decoro parlamentar. (pág. 1 e A4 a A7)

- O depoimento da ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen) Regina Célia Borges provocou uma escalada na cotação do dólar. Às 16 horas de ontem, quando ela já falava havia mais de uma hora, o mercado financeiro entrou em turbulência.

O Banco Central (BC) foi obrigado a intervir, vendendo títulos cambiais para segurar a cotação do dólar. Quando o BC agiu, a moeda já havia disparado para R$ 2,216, batendo novo recorde desde a adoção do sistema de livre flutuação, em janeiro de 1999. A atitude do BC teve impacto tênue e o dólar fechou em R$ 2,195, com alta de 0,6%. (pág. 1, B10 e B17)

- A Extrucenter, pequena fábrica de máquinas para biscoitos e salgados de Monte Alto (SP), era uma das principais empresas-laranja das fraudes na Sudam, segundo a Polícia Federal. Entre as notas frias apreendidas, havia uma de R$ 2 milhões.

O dono da fábrica disse que as notas eram para "justificar" despesas fictícias de empresas que recebiam altas somas da Sudam. Mais três suspeitos da fraude se entregaram à PF. (pág. 1 e A10)

- A polícia libertou ontem em Santos a médica Eulália Pedrosa de Almeida, filha do ex-diretor da Casa de Custódia de Taubaté José Ismael Pedrosa. Foram presas três pessoas suspeitas de participação no seqüestro. O secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, disse que o crime pode ter sido obra do PCC. O "Estado" não estava noticiando o seqüestro a pedido da família da vítima. (pág. 1 e C1 a C3)

- A África do Sul, país com mais casos de Aids no mundo, comemorou ontem a desistência de 39 multinacionais de processar o governo sul-africano por querer fabricar drogas anti-HIV patenteadas sem pagar royalties.

As multinacionais vão vender os remédios a preços mais baixos, decididos entre o governo e os laboratórios. O acordo pode favorecer países do Terceiro Mundo que não podem pagar o alto preço das drogas. (pág. 1 e A11)

- O ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, disse ao jornal britânico, "Financial Times" que pessoalmente acha melhor que seu país faça uma negociação bilateral com os Estados Unidos. Afirmou, no entanto, que o governo argentino vai continuar, pelo menos por enquanto, a política de negociação via Mercosul. "Tenho meu ponto de vista, mas agora sou ministro da Economia e obediente membro do governo", disse.

As manifestações ambíguas do ministro Cavallo sobre o Mercosul têm causado confusão não apenas no Brasil, mas também na Argentina. Permanece a dúvida sobre o que ele pretende para o bloco comercial. (pág. 1, B4 e B5)

EDITORIAL

"Pacto sinistro no Senado" - A tentativa de manter o senador José Roberto Arruda na função foi tida como a face visível de acordo espúrio de preservação recíproca de políticos atolados em indícios veementes de corrupção, no caso de Jader Barbalho, ou de crime contra a ética parlamentar, no caso de Arruda e Antonio Carlos Magalhães. (pág. 1 e A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão - Ariosto Teixeira) - Com o depoimento da ex-diretora do Prodasen Regina Célia Borges, o foco da crise política deslocou-se quase que exclusivamente para os fatos em exame no Senado.

A renúncia à liderança do Governo, anunciada pelo senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), completou esse movimento. Seguindo orientação do Presidente, Arruda concluiu que, no exercício da liderança, não teria como se defender no caso do painel do Senado sem causar embaraços ao Palácio do Planalto. (...) (pág. A6)

O GLOBO

- Depoimento de ex-diretora abre caminho para cassar ACM e Arruda

- Dez meses depois da primeira cassação de um senador na história do Congresso, o depoimento da ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Peres Borges, abriu caminho para a perda de mandato de um ex-presidente da Casa, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e do até ontem líder do Governo José Roberto Arruda (PSDB-DF).

Em mais de cinco horas, Regina contou em detalhes como o painel de votação da sessão secreta que cassou o senador Luiz Estevão foi violado.

O depoimento foi considerado "devastador e avassalador" pelo vice-líder do PFL, José Agripino Maia; consistente pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma; e impressionante pelo pedetista Jefferson Peres.

Pedro Simon (PMDB) foi enfático: "Se for comprovado que Antonio Carlos ligou no dia 28, às 10h, para sua casa, isso se constitui em prova quase definitiva".

Além de confirmar o envolvimento dos dois senadores na fraude, Regina contou em detalhes impressionantes os pormenores da operação.

Disse ter tido cinco encontros com Arruda (um deles andando de carro por Brasília e outro em que se comunicavam por bilhetes) e quatro conversas com ACM (duas delas pessoalmente, no gabinete e na casa de uma assessora do senador) exclusivamente para discutir a fraude.

Entre líderes da oposição, de partidos governistas e até no Palácio do Planalto, a avaliação era uma só: as revelações de Regina devem levar a um processo por quebra de decoro.

O presidente do Conselho de Ética, Ramez Tebet, afirmou: "Não tem mais saída. Não se trata de perseguir o Arruda ou o Antonio Carlos, temos que cumprir nossa missão". (...) (pág. 1 e 3 a 10)

- O deputado Doutor Rosinha (PT-PR) afirmou ontem que a doação da CBF à campanha de seu colega Carlos Santana (PT-RJ) foi feita em cheque, e não em dinheiro, como afirmara o contador de Santana ao explicar por que a doação não fora registrada na prestação de contas ao TRE. (pág. 1 e 11)

- O Brasil está arcando com o chamado "custo Cavallo" ao reagir passivamente às críticas do ministro argentino ao Mercosul, diz um funcionário do Governo brasileiro. Segundo ele, o ministro "será enquadrado" se impuser barreiras às exportações do Brasil. Hoje, primeiro dia da Cúpula das Américas no Canadá, o presidente Fernando Henrique perguntará a Fernando de la Rúa qual a real posição da Argentina em relação ao Mercosul. (pág. 1, 34 e 35)

- O Ministério Público estadual está investigando mais uma empresa que participaria da teia familiar em torno do Procon-RJ: a Shadow, que presta serviço de informática ao órgão.

A promotora Ana Lúcia Melo informou também ontem que existem fitas de vídeo que podem ter documentado a retirada de disquetes e de computadores da sede do Procon-RJ. (pág. 2 e 16)

- A Presidência da República decidiu dar o exemplo e vai economizar, até setembro, 25% da energia utilizada no Palácio do Planalto e no seu anexo.

O total economizado seria suficiente para atender a uma cidade com 4.200 habitantes por um mês. Por ordem do presidente Fernando Henrique, a medida será adotada ainda no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto. (pág. 2 e 37)

EDITORIAL

"Sem restrições?" - Em texto ao que parece sob medida para o público interno, publicado esta semana no "New York Times", o secretário de Estado Colin Powell resume as principais vantagens buscadas pelos Estados Unidos na reunião interamericana de Quebec.

Com a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), diz ele, "poderemos vender produtos, tecnologia e serviços americanos sem obstáculos ou restrições num mercado unificado de mais de 800 milhões de pessoas, com mais de US$ 11 trilhões, indo do Ártico ao Cabo Horn".

Ao omitir qualquer referência a contrapartidas, Powell talvez esteja tentando acalmar os setores da economia americana que temem a concorrência de produtos latino-americanos baratos. É dessa área que parte a maior resistência à adoção do fast-track, mecanismo que permitirá à Casa Branca firmar acordos comerciais imunes a modificações no Congresso.

É nesse cipoal que se terá de acertar uma justa reciprocidade no que se refere a obstáculos e restrições. (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A poucos metros do Congresso, onde rugia a crise, uma outra cena reforçava o presságio de que a aliança Ciro-Itamar-Brizola está a caminho. Depois de cumprir agenda no Rio, Ciro veio a Brasília unicamente para prestigiar a convenção nacional do PDT, cujo apoio lhe seria importantíssimo, não tanto pelos votos, mas pelo tempo de televisão que uma coligação lhe proporcionaria. (...) (pág. 2)

(Ricardo Boechat) - Em 2000 foram investidos US$ 136,4 milhões em pesquisa mineral no Brasil.

Um aumento de mais de 200% em relação a 1999, que somou US$ 43,3 milhões.

O maior volume aplicado - 40% do total - foi no Pará. (pág. 22)

GAZETA MERCANTIL

- Vale e Phelps dão a largada na corrida do cobre

- (São Paulo) - No mês que vem, a norte-americana Phelps Dodge e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) acertam os últimos detalhes para a exploração da mina de cobre de Sossego, localizada na promissora região de Carajás, no Pará.

Sócias no empreendimento, as duas empresas querem dar a partida no projeto, que custará US$ 500 milhões, no próximo semestre. (...) (pág. 1 e C-1)

CORREIO BRAZILIENSE

- Eles sabiam de tudo

- O que todo o País começou a saber há quatro dias, quando a ex-diretora do Prodasen Regina Célia Peres Borges confessou que havia violado o painel eletrônico do Senado, por encomenda dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (PSDB-DF), os senadores sabiam desde o dia da sessão que cassou o ex-senador Luiz Estevão.

Uns com mais detalhes, outros com um pouco menos, mas quase todos já tinham ouvido falar da existência de uma lista com os votos dos senadores.

E que o senador Antonio Carlos Magalhães havia comentado com vários deles sobre quem votou contra ou a favor da cassação.

Esse foi o zunzum mais intrigante do Senado nos últimos tempos. O caminho para a cassação dos mandatos de Arruda e Antonio Carlos está aberto. (pág. 1 e 6)

- Vem chumbo grosso por aí. O senador Antonio Carlos Magalhães vai rebater as acusações feitas pela ex-diretora do Prodasen Regina Borges mostrando exemplos de situações nas quais ela agia a pedido de terceiros que diziam falar em nome dele. (...) (pág. 1 e 9)

- (Londres) - O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, disse, em entrevista exclusiva ao jornal "Financial Times", que prefere que seu país estabeleça uma negociação comercial direta com os Estados Unidos em vez de realizá-la por meio do Mercosul.

Ele ressaltou, porém, que é uma opinião pessoal. "Eu tenho o meu ponto de vista, mas agora eu sou ministro da Economia e obediente membro do governo de Fernando de la Rúa. E no momento, vamos negociar, apenas no Mercosul". (...) (pág. 16)

JORNAL DE BRASÍLIA

- De Arruda para Regina Célia: "Isso tem que ser sigiloso até sob tortura"

- A ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Borges, confirmou ontem em depoimento ao Conselho de Ética do Senado que violou o painel eletrônico de votação, no dia da cassação de Luiz Estevão, a pedido dos senadores José Roberto Arruda e Antonio Carlos Magalhães.

Arruda chegou a dizer a Regina que o caso teria que permanecer sigiloso até sob tortura. Pela manhã, o presidente Fernando Henrique Cardoso exigiu a saída do senador por Brasília da liderança do Governo e escolheu para o seu lugar o senador Romero Jucá, do PSDB de Roraima. (pág. 1, B-1 e B-2)

- Especialistas acreditam que o aumento da taxa de juros, determinada pelo BC, deve se refletir rapidamente no crediário. (Pág. 1 e B-4)

- O avião do futuro já está a caminho. Seu protótipo, o X-43A, será testado no mês que vem em um vôo experimental, não tripulado. O hipersônico poderá chegar a uma velocidade de 8 mil km/h. (pág. 1 e B-7)

ZERO HORA

- O senador Pedro Simon (PMDB) considera grave e de dimensões internacionais a crise provocada pela comprovação da quebra de sigilo do painel de votação do Senado.

Ontem, durante entrevista concedida a "Zero Hora" no seu gabinete, em Brasília, Simon desferiu opiniões cortantes, que atingiram principalmente o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Fernando Henrique é um cara-de-pau", disse o senador, contrariado com o comentário do Presidente de que o Congresso não tem condições de instalar uma CPI " enquanto não arrumar a casa".

Com 40 anos de vida pública, Simon disse que não está arrependido de ter apoiado a candidatura de Jader Barbalho (PMDB-PA) à presidência do Senado - apesar de o seu colega estar envolvido numa série de denúncias de corrupção.

Para Simon, se o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) fosse o vitorioso naquele processo, hoje seria "rei do País" e não haveria a CPI da Corrupção nem a descoberta de que houve a violação do painel. (pág. 6)

- O vice-governador Miguel Rossetto vai acompanhar a 3ª Cúpula das Américas, a partir de hoje, como observador. Será o único representante de governo do estado no encontro presidencial. Em Quebec desde quarta-feira, Rossetto teve audiência com o primeiro-ministro da província, Bernard Landry. O vice-governador considerou "promissores" os resultados, que incluem a prospecção de contatos comerciais. (pág. 18)

MANCHETES

CORREIO DA BAHIA

- Juiz baiano manda soltar fraudador da Sudam

A TARDE (BA)

- Ex-diretora depõe e agrava situação de ACM e Arruda

DIARIO DE PERNAMBUCO

- Ex-diretora do Senado acusa ACM por fraude

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- Funcionária complica senadores ainda mais

O DIA (RJ)

- Hospital cancela cirurgia por falta de oxigênio

ZERO HORA (RS)

- ACM encurralado

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

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O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

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