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20/04/2001
JORNAL DO BRASIL
- Congresso já
admite cassação dos senadores ACM e Arruda
- Em depoimento nervoso, às vezes emocionado, mas sempre seguro, a
ex-diretora do centro de Processamento de Dados do Senado (Prodasen, Regina Célia Peres
Borges, surpreendeu os senadores com o depoimento na Comissão de Ética, enriquecendo com
detalhes e dados, a entrevista ao "Jornal do Brasil", publicada ontem.
Ela reafirmou que, entre 20h e 21h do dia 27 de junho de 2000, esteve
na casa do senador José Roberto Arruda onde ouviu a pedido, em nome do senador Antonio
Carlos Magalhães, para violar o sistema eletrônico e obter a lista de votos da sessão
que cassou o então senador Luiz Estevão.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado,
Bernardo Cabral, definiu a situação: "Não acredito que um funcionário fizesse
isso sem ter um patrono ou patronos. Se for algum senador é quebra de decoro e haverá
cassação". (pág. 1 e 2 a 4)
- O senador José Roberto Arruda encerrou o dia de ontem como ex-líder
do Governo. E tal qual o colega Antonio Carlos Magalhães, paralisado pela acusação de
violação de sigilo da votação no Senado.
Arruda acompanhou pela TV, calado, o depoimento da ex-diretora do
Prodasen Regina Borges. ACM tentou desqualificar a acusação, mas no fim do dia
refugiou-se na Bahia.
O novo líder do Governo, senador Romero Jucá, é processado no TCU
pelo desvio de R$ 300 mil destinados pelo Ministério da Ação Social a Roraima, em 1992.
(pág. 1, 2 e 3)
- O presidente Fernando Henrique vai cobrar, do vizinho Fernando de La
Rúa, em Quebec, Canadá, um posição firme da Argentina pelo Mercosul diante da Área de
Livre Comércio das Américas (Alca) na reunião que começa hoje.
FH não gostou da declaração do ministro da Economia argentino,
Domingo Cavallo, que classificou a Tarifa Externa Comum de "uma palhaçada". O
Brasil considera a tarifa fundamental para a integração regional. A reunião da Alca em
Quebec terá 6.500 policiais, fora agentes disfarçados, no esquema de segurança. (pág.
1 e 15)
- O governo da África do Sul derrotou ontem gigantes da indústria
farmacêutica e abriu importante precedente jurídico. Cedendo à pressão da opinião
pública mundial, 39 laboratórios retiraram a ação legal que moviam contra o uso de
remédios genéricos de combate à Aids, muito mais baratos que os patenteados. O caso
pode favorecer o Brasil em uma disputa semelhante com os Estados Unidos na Organização
Mundial do Comércio. (pág. 1, 10 e 11)
- O ex-ministro Ciro Gomes, candidato do PPS à Presidência da
República, criticou ontem as articulações do presidente Fernando Henrique Cardoso para
impedir a instalação da CPI da Corrupção. "No Ceará se diz que quem não deve
não teme. Portanto, quem deve teme. E esse é o caso", afirmou Ciro para uma
platéia de empresários durante palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro
(Firjan). (...) (pág. 6)
- O Ministério da Saúde divulgou ontem a proibição de quatro
remédios que têm na fórmula os gangliosídeos, indicados contra alterações no sistema
nervoso. Com isso, foram proibidas, somente esta semana, a fabricação e a venda de 67
medicamentos. A lista foi elaborada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa).
Os quatro medicamentos proibidos ontem são: Cronossial, do
laboratório Biosintética; Telexial, Sygen e Sinaxial, os três do laboratório TRB
Pharma. Esses remédios servem, por exemplo, para tratar lesão na medula e são vendidos
sob prescrição média. (...) (pág. 7)
COTAÇÕES
- Salário mínimo (abril): R$ 180,00. Dólar comercial: R$ 2,1874
(compra), R$ 2,1882 (venda). Dólar paralelo: R$ 2,190 (compra), R$ 2,220 (venda). TR do
dia 20.03 a 20.04: 0,1948. TBF do dia 18.04 a 18.05: 1,2499. (pág. 1)
EDITORIAL
"Solução Urgente" - O processo para apurar a violação do
sigilo de voto dos senadores recebeu um tranco no relatório da Unicamp e se acelerou com
as declarações de Regina Célia Peres Borges, ex-diretora do serviço de Processamento
de Dados do Senado (Prodasen), sob a forma de confissão compulsiva ao "Jornal do
Brasil" de ontem. Valeu como a confissão de um crime coletivo por alguém que não
resistiu à pressão moral de um episódio desaprovado pela sua consciência. (...) (pág.
8)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Caso tentem agora promover um
recuo tático coletivo e selar um acordo temporário de paz, os partidos governistas não
vão conseguir deter o processo de desmoralização ampla, geral e irrestrita que,
iniciado pelos senadores Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho, já atinge em cheio o
Poder Legislativo e resvala seriamente no Executivo. No máximo, conseguirão piorar bem
as coisas, pois ficarão todos na condição de operadores de ação abafa. (...) (pág.
2)
(Informe JB - Paulo Fona) - Os 81 senadores da República começaram
ontem um processo de investigação que nenhum deles se arrisca a prever, com certeza,
como terminará.
Por enquanto, entre "atônitos e envergonhados", alguns deles
repetem, à boca pequena, que não viram a lista de votação, mas sabem quem são os 18
que absolveram Luiz Estevão e os 10 que se abstiveram, por considerar as provas
insuficientes.
Na lista, desponta o nome do ex-presidente da República e
ex-presidente do Senado, o senador José Sarney (PMDB-AP) - naturalmente pela importância
dos cargos que ocupou em sua vida pública.
Ao lado de Heloísa Helena (PT-AL) - a primeira citada -, Sarney é a
estrela dos nomes ilustres que optaram, por solidariedade partidária, pela convicção da
inocência de Estevão ou por outra razão qualquer. Eles estão na relação, ao lado de
Bernardo Cabral (PFL-AM) e Siqueira Campos (PFL-TO).
O senador José Sarney não quer falar sobre o assunto. Mas, a amigos
íntimos, Sarney diz que não votou pela absolvição de Luiz Estevão. E mais não conta:
não quer violar o segredo do voto. (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Depoimento complica Arruda e ACM
- A ex-diretora do Prodasen Regina Borges depôs no Senado, repetiu com
novos detalhes sua versão para a violação do painel de votação e complicou a
situação dos senadores José Roberto Arruda (PSDB) e Antonio Carlos Magalhães (PFL).
Na avaliação de líderes do Congresso, assessores e ministros, o
relato da ex-diretora ao Conselho de Ética foi convincente e tornou inevitável iniciar
processos de cassação por quebra de decoro parlamentar contra o tucano e o pefelista.
No depoimento, Regina disse ter procurado Arruda para discutir como
proceder no caso de a violação vir a público. "Isso tem de ser sigiloso até sob
tortura", teria dito o senador, numa segunda suposta conversa em seu apartamento.
Com ACM, teria havido dois encontros para debater o tema. No primeiro,
segundo Regina, o senador baiano disse: "Isso é coisa do Arruda". No segundo,
pela versão, que não teria como "segurar a Unicamp", que constatou a fraude na
votação.
A sessão mobilizou a atenção do mundo político em Brasília. ACM
era comparado a Ibsen Pinheiro, ex-presidente da Câmara cassado. Para o Planalto, a crise
inédita no Senado diluiu as pressões pela CPI da Corrupção. (pág. 1, A4 e A6)
- Sindicância da Sudam acusa o ex-superintendente José Arthur
Tourinho de favorecer a Saint Germany, de José Osmar Borges, quando a companhia era
sócia do senador Jader Barbalho numa empresa agropecuária, relata Ari Cipola. Borges é
acusado de desviar mais de R$ 100 milhões da Sudam.
O advogado de Tourinho diz que o superintendente não é responsável
por nenhuma liberação do órgão. (pág. 1 e A9)
- Um projeto da pesquisadora Margareth Capurro, da Universidade Federal
de São Paulo, tentará desenvolver mosquitos transgênicos resistentes aos agentes
causadores da malária e da dengue. A idéia é atacar os parasitas dentro do inseto,
impedindo que ele transmita as doenças. (pág. 1 e A18)
- A indústria farmacêutica mundial retirou a ação judicial contra
lei da África do Sul que autoriza o governo a adquirir remédios genéricos mais baratos
para enfrentar crises de saúde pública. A Aids atinge 4,7 milhões de sul-africanos.
As empresas negam que o fato seja um recuo. (pág. 1 e A13)
- O Banco Central vendeu R$ 1 bilhão em títulos cambiais de curto
prazo para tentar segurar a disparada do dólar, que chegou a ser cotado ontem a R$ 2,219
(valorização de 1,7%).
Após a ação do BC, a moeda norte-americana recuou para R$ 2,190, com
alta de 0,37%.
O agravamento da crise política foi o principal ponto de pressão
sobre o câmbio.
A Bolsa de Valores de São Paulo também repercutiu negativamente o
desgaste do governo no episódio da violação do painel eletrônico do Senado e registrou
queda de 3,5%.
Rumores sobre a Argentina, que informavam sobre uma possível renúncia
do ministro da Economia do país, Domingo Cavallo, contribuíram para o dia negativo.
(Pág. 1, B1 e B6)
EDITORIAL
"Aperto no crédito" - O BC elevou, pela segunda vez
consecutiva num período de 30 dias, os juros. A taxa anual passou de 15,75% para 16,25%.
Diferentemente da decisão anterior, desta feita o aumento era esperado
pelos agentes de mercado. Muitos aguardavam uma elevação maior, entendendo que tende a
ser duradoura a escalada na taxa de câmbio nos últimos meses. Ontem a cotação do
dólar chegou a superar R$ 2,20.
A discussão sobre a necessidade de elevar os juros ou sobre qual
deveria ser o aumento adequado é complexa. A incerteza acerca do comportamento da
economia torna por vezes pouco úteis os critérios técnicos usados.
A questão crucial não é essa. O regime de câmbio flexível tem
mostrado ao longo dos últimos anos que conseguiu propiciar à economia brasileira maior
capacidade de absorver os impactos de crises externas. (...) (pág. A2)
COLUNA
(Painel) - O depoimento de Regina Borges inviabilizou, por ora, a
operação abafa. Com as evidências apontadas pela ex-diretora do Prodasen contra ACM e,
principalmente, José Roberto Arruda, os aliados vão atuar para enterrar os processos de
cassação na Comissão de Ética, antes de chegar ao plenário do Senado. (pág. A4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Depoimento abre caminho para cassar ACM e
Arruda
- Em depoimento de cerca de cinco horas, a ex-diretora do Serviço de
Processamento de Dados do Senado Regina Célia Peres Borges afirmou ontem ter sido
pressionada a manter segredo sobre a violação do sigilo da votação que cassou o
senador Luiz Estevão (PMDB-DF).
A pressão, segundo ela, foi feita pelo senador José Roberto Arruda
(PSDB-DF). Arruda, disse Regina, havia pedido a violação do sigilo em nome do então
presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Regina também confirmou ter
recebido ligação de ACM agradecendo por ter atendido ao pedido de Arruda.
Diante da segurança aparentada por Regina, a avaliação de vários
senadores governistas e da oposição é de que ficou difícil impedir um eventual
processo de cassação do mandato de Arruda e ACM por quebra de decoro parlamentar. (pág.
1 e A4 a A7)
- O depoimento da ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do
Senado (Prodasen) Regina Célia Borges provocou uma escalada na cotação do dólar. Às
16 horas de ontem, quando ela já falava havia mais de uma hora, o mercado financeiro
entrou em turbulência.
O Banco Central (BC) foi obrigado a intervir, vendendo títulos
cambiais para segurar a cotação do dólar. Quando o BC agiu, a moeda já havia disparado
para R$ 2,216, batendo novo recorde desde a adoção do sistema de livre flutuação, em
janeiro de 1999. A atitude do BC teve impacto tênue e o dólar fechou em R$ 2,195, com
alta de 0,6%. (pág. 1, B10 e B17)
- A Extrucenter, pequena fábrica de máquinas para biscoitos e
salgados de Monte Alto (SP), era uma das principais empresas-laranja das fraudes na Sudam,
segundo a Polícia Federal. Entre as notas frias apreendidas, havia uma de R$ 2 milhões.
O dono da fábrica disse que as notas eram para "justificar"
despesas fictícias de empresas que recebiam altas somas da Sudam. Mais três suspeitos da
fraude se entregaram à PF. (pág. 1 e A10)
- A polícia libertou ontem em Santos a médica Eulália Pedrosa de
Almeida, filha do ex-diretor da Casa de Custódia de Taubaté José Ismael Pedrosa. Foram
presas três pessoas suspeitas de participação no seqüestro. O secretário da
Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, disse que o crime pode ter sido obra do
PCC. O "Estado" não estava noticiando o seqüestro a pedido da família da
vítima. (pág. 1 e C1 a C3)
- A África do Sul, país com mais casos de Aids no mundo, comemorou
ontem a desistência de 39 multinacionais de processar o governo sul-africano por querer
fabricar drogas anti-HIV patenteadas sem pagar royalties.
As multinacionais vão vender os remédios a preços mais baixos,
decididos entre o governo e os laboratórios. O acordo pode favorecer países do Terceiro
Mundo que não podem pagar o alto preço das drogas. (pág. 1 e A11)
- O ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, disse ao jornal
britânico, "Financial Times" que pessoalmente acha melhor que seu país faça
uma negociação bilateral com os Estados Unidos. Afirmou, no entanto, que o governo
argentino vai continuar, pelo menos por enquanto, a política de negociação via
Mercosul. "Tenho meu ponto de vista, mas agora sou ministro da Economia e obediente
membro do governo", disse.
As manifestações ambíguas do ministro Cavallo sobre o Mercosul têm
causado confusão não apenas no Brasil, mas também na Argentina. Permanece a dúvida
sobre o que ele pretende para o bloco comercial. (pág. 1, B4 e B5)
EDITORIAL
"Pacto sinistro no Senado" - A tentativa de manter o senador
José Roberto Arruda na função foi tida como a face visível de acordo espúrio de
preservação recíproca de políticos atolados em indícios veementes de corrupção, no
caso de Jader Barbalho, ou de crime contra a ética parlamentar, no caso de Arruda e
Antonio Carlos Magalhães. (pág. 1 e A3)
COLUNA
(Coluna do Estadão - Ariosto Teixeira) - Com o depoimento da
ex-diretora do Prodasen Regina Célia Borges, o foco da crise política deslocou-se quase
que exclusivamente para os fatos em exame no Senado.
A renúncia à liderança do Governo, anunciada pelo senador José
Roberto Arruda (PSDB-DF), completou esse movimento. Seguindo orientação do Presidente,
Arruda concluiu que, no exercício da liderança, não teria como se defender no caso do
painel do Senado sem causar embaraços ao Palácio do Planalto. (...) (pág. A6)
O GLOBO
- Depoimento de ex-diretora abre caminho
para cassar ACM e Arruda
- Dez meses depois da primeira cassação de um senador na história do
Congresso, o depoimento da ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Peres Borges, abriu
caminho para a perda de mandato de um ex-presidente da Casa, Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA), e do até ontem líder do Governo José Roberto Arruda (PSDB-DF).
Em mais de cinco horas, Regina contou em detalhes como o painel de
votação da sessão secreta que cassou o senador Luiz Estevão foi violado.
O depoimento foi considerado "devastador e avassalador" pelo
vice-líder do PFL, José Agripino Maia; consistente pelo corregedor do Senado, Romeu
Tuma; e impressionante pelo pedetista Jefferson Peres.
Pedro Simon (PMDB) foi enfático: "Se for comprovado que Antonio
Carlos ligou no dia 28, às 10h, para sua casa, isso se constitui em prova quase
definitiva".
Além de confirmar o envolvimento dos dois senadores na fraude, Regina
contou em detalhes impressionantes os pormenores da operação.
Disse ter tido cinco encontros com Arruda (um deles andando de carro
por Brasília e outro em que se comunicavam por bilhetes) e quatro conversas com ACM (duas
delas pessoalmente, no gabinete e na casa de uma assessora do senador) exclusivamente para
discutir a fraude.
Entre líderes da oposição, de partidos governistas e até no
Palácio do Planalto, a avaliação era uma só: as revelações de Regina devem levar a
um processo por quebra de decoro.
O presidente do Conselho de Ética, Ramez Tebet, afirmou: "Não
tem mais saída. Não se trata de perseguir o Arruda ou o Antonio Carlos, temos que
cumprir nossa missão". (...) (pág. 1 e 3 a 10)
- O deputado Doutor Rosinha (PT-PR) afirmou ontem que a doação da CBF
à campanha de seu colega Carlos Santana (PT-RJ) foi feita em cheque, e não em dinheiro,
como afirmara o contador de Santana ao explicar por que a doação não fora registrada na
prestação de contas ao TRE. (pág. 1 e 11)
- O Brasil está arcando com o chamado "custo Cavallo" ao
reagir passivamente às críticas do ministro argentino ao Mercosul, diz um funcionário
do Governo brasileiro. Segundo ele, o ministro "será enquadrado" se impuser
barreiras às exportações do Brasil. Hoje, primeiro dia da Cúpula das Américas no
Canadá, o presidente Fernando Henrique perguntará a Fernando de la Rúa qual a real
posição da Argentina em relação ao Mercosul. (pág. 1, 34 e 35)
- O Ministério Público estadual está investigando mais uma empresa
que participaria da teia familiar em torno do Procon-RJ: a Shadow, que presta serviço de
informática ao órgão.
A promotora Ana Lúcia Melo informou também ontem que existem fitas de
vídeo que podem ter documentado a retirada de disquetes e de computadores da sede do
Procon-RJ. (pág. 2 e 16)
- A Presidência da República decidiu dar o exemplo e vai economizar,
até setembro, 25% da energia utilizada no Palácio do Planalto e no seu anexo.
O total economizado seria suficiente para atender a uma cidade com
4.200 habitantes por um mês. Por ordem do presidente Fernando Henrique, a medida será
adotada ainda no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto. (pág. 2 e 37)
EDITORIAL
"Sem restrições?" - Em texto ao que parece sob medida para
o público interno, publicado esta semana no "New York Times", o secretário de
Estado Colin Powell resume as principais vantagens buscadas pelos Estados Unidos na
reunião interamericana de Quebec.
Com a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), diz ele,
"poderemos vender produtos, tecnologia e serviços americanos sem obstáculos ou
restrições num mercado unificado de mais de 800 milhões de pessoas, com mais de US$ 11
trilhões, indo do Ártico ao Cabo Horn".
Ao omitir qualquer referência a contrapartidas, Powell talvez esteja
tentando acalmar os setores da economia americana que temem a concorrência de produtos
latino-americanos baratos. É dessa área que parte a maior resistência à adoção do
fast-track, mecanismo que permitirá à Casa Branca firmar acordos comerciais imunes a
modificações no Congresso.
É nesse cipoal que se terá de acertar uma justa reciprocidade no que
se refere a obstáculos e restrições. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A poucos metros do Congresso,
onde rugia a crise, uma outra cena reforçava o presságio de que a aliança
Ciro-Itamar-Brizola está a caminho. Depois de cumprir agenda no Rio, Ciro veio a
Brasília unicamente para prestigiar a convenção nacional do PDT, cujo apoio lhe seria
importantíssimo, não tanto pelos votos, mas pelo tempo de televisão que uma coligação
lhe proporcionaria. (...) (pág. 2)
(Ricardo Boechat) - Em 2000 foram investidos US$ 136,4 milhões em
pesquisa mineral no Brasil.
Um aumento de mais de 200% em relação a 1999, que somou US$ 43,3
milhões.
O maior volume aplicado - 40% do total - foi no Pará. (pág. 22)
GAZETA MERCANTIL
- Vale e Phelps dão a largada na corrida
do cobre
- (São Paulo) - No mês que vem, a norte-americana Phelps Dodge e a
Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) acertam os últimos detalhes para a exploração da mina
de cobre de Sossego, localizada na promissora região de Carajás, no Pará.
Sócias no empreendimento, as duas empresas querem dar a partida no
projeto, que custará US$ 500 milhões, no próximo semestre. (...) (pág. 1 e C-1)
CORREIO BRAZILIENSE
- Eles sabiam de tudo
- O que todo o País começou a saber há quatro dias, quando a
ex-diretora do Prodasen Regina Célia Peres Borges confessou que havia violado o painel
eletrônico do Senado, por encomenda dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e
José Roberto Arruda (PSDB-DF), os senadores sabiam desde o dia da sessão que cassou o
ex-senador Luiz Estevão.
Uns com mais detalhes, outros com um pouco menos, mas quase todos já
tinham ouvido falar da existência de uma lista com os votos dos senadores.
E que o senador Antonio Carlos Magalhães havia comentado com vários
deles sobre quem votou contra ou a favor da cassação.
Esse foi o zunzum mais intrigante do Senado nos últimos tempos. O
caminho para a cassação dos mandatos de Arruda e Antonio Carlos está aberto. (pág. 1 e
6)
- Vem chumbo grosso por aí. O senador Antonio Carlos Magalhães vai
rebater as acusações feitas pela ex-diretora do Prodasen Regina Borges mostrando
exemplos de situações nas quais ela agia a pedido de terceiros que diziam falar em nome
dele. (...) (pág. 1 e 9)
- (Londres) - O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo,
disse, em entrevista exclusiva ao jornal "Financial Times", que prefere que seu
país estabeleça uma negociação comercial direta com os Estados Unidos em vez de
realizá-la por meio do Mercosul.
Ele ressaltou, porém, que é uma opinião pessoal. "Eu tenho o
meu ponto de vista, mas agora eu sou ministro da Economia e obediente membro do governo de
Fernando de la Rúa. E no momento, vamos negociar, apenas no Mercosul". (...) (pág.
16)
JORNAL DE BRASÍLIA
- De Arruda para Regina Célia: "Isso
tem que ser sigiloso até sob tortura"
- A ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Borges, confirmou ontem em
depoimento ao Conselho de Ética do Senado que violou o painel eletrônico de votação,
no dia da cassação de Luiz Estevão, a pedido dos senadores José Roberto Arruda e
Antonio Carlos Magalhães.
Arruda chegou a dizer a Regina que o caso teria que permanecer sigiloso
até sob tortura. Pela manhã, o presidente Fernando Henrique Cardoso exigiu a saída do
senador por Brasília da liderança do Governo e escolheu para o seu lugar o senador
Romero Jucá, do PSDB de Roraima. (pág. 1, B-1 e B-2)
- Especialistas acreditam que o aumento da taxa de juros, determinada
pelo BC, deve se refletir rapidamente no crediário. (Pág. 1 e B-4)
- O avião do futuro já está a caminho. Seu protótipo, o X-43A,
será testado no mês que vem em um vôo experimental, não tripulado. O hipersônico
poderá chegar a uma velocidade de 8 mil km/h. (pág. 1 e B-7)
ZERO HORA
- O senador Pedro Simon (PMDB) considera
grave e de dimensões internacionais a crise provocada pela comprovação da quebra de
sigilo do painel de votação do Senado.
Ontem, durante entrevista concedida a "Zero Hora" no seu
gabinete, em Brasília, Simon desferiu opiniões cortantes, que atingiram principalmente o
presidente Fernando Henrique Cardoso. "Fernando Henrique é um cara-de-pau",
disse o senador, contrariado com o comentário do Presidente de que o Congresso não tem
condições de instalar uma CPI " enquanto não arrumar a casa".
Com 40 anos de vida pública, Simon disse que não está arrependido de
ter apoiado a candidatura de Jader Barbalho (PMDB-PA) à presidência do Senado - apesar
de o seu colega estar envolvido numa série de denúncias de corrupção.
Para Simon, se o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) fosse o
vitorioso naquele processo, hoje seria "rei do País" e não haveria a CPI da
Corrupção nem a descoberta de que houve a violação do painel. (pág. 6)
- O vice-governador Miguel Rossetto vai acompanhar a 3ª Cúpula das
Américas, a partir de hoje, como observador. Será o único representante de governo do
estado no encontro presidencial. Em Quebec desde quarta-feira, Rossetto teve audiência
com o primeiro-ministro da província, Bernard Landry. O vice-governador considerou
"promissores" os resultados, que incluem a prospecção de contatos comerciais.
(pág. 18)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Juiz baiano manda soltar fraudador da Sudam
A TARDE (BA)
- Ex-diretora depõe e agrava situação de ACM e Arruda
DIARIO DE PERNAMBUCO
- Ex-diretora do Senado acusa ACM por fraude
JORNAL DO COMMERCIO
(PE)
- Funcionária complica senadores ainda mais
O DIA (RJ)
- Hospital cancela cirurgia por falta de oxigênio
ZERO HORA (RS)
- ACM encurralado

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da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura
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