24/02/2001

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JORNAL DO BRASIL

- FH demite aliados de ACM e planeja reforma ministerial

- Em nota pessoal, escrita às 4h da manhã de ontem, onde usa duas vezes a palavra "lealdade", o presidente Fernando Henrique demitiu os ministros Rodolpho Tourinho, das Minas e Energia, e Waldeck Ornelas, da Previdência, e mandou afastar mais 29 integrantes do Governo indicados pelo senador Antonio Carlos Magalhães. FH determinou também o afastamento de diretores do DNER, ligados ao PMDB.

De Miami, onde está em férias, ACM atacou: primeiro, em nota ditada por telefone, afirma que os ministros demitidos são homens de bem, enquanto "os que estão roubando são acobertados, inclusive pelo Presidente". Depois, em entrevista ao JB, disse que FH é "leniente" com a corrupção.

O presidente do Senado, Jader Barbalho, mandou investigar se o painel de votação é vulnerável e analisar a reportagem da revista IstoÉ para ver se ACM violou o decoro parlamentar. O ministro da Justiça, José Gregori, após reunião no Planalto, requisitou as fitas da conversa de ACM com os procuradores.

O ex-secretário da Presidência Eduardo Jorge informou ao Senado que entrega o extrato de suas contas sob suspeita logo após o carnaval. (pág. 1 e 2 a 6)

- O embargo às importações de carne bovina brasileira foi suspenso ontem pelos Estados Unidos, após 21 dias de vigência. O Canadá seguiu o mesmo caminho e também recuou da suspensão, vista como uma retaliação do País na guerra comercial travada contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que recebeu os avisos no começo da noite de ontem, espera para segunda-feira o comunicado do México, informando a retomada dos contratos.

O ministro afirmou que americanos e canadenses agradeceram "o apoio dos técnicos brasileiros" e que ações de indenização pelos prejuízos com o embargo já estão sendo examinadas por frigoríficos nacionais. (pág. 1 e 12)

- O STF autorizou a abertura de inquérito solicitado pelo Ministério Público Federal contra o presidente do Vasco e deputado federal Eurico Miranda. Permitiu também a quebra dos sigilos bancários e fiscal do dirigente. Gustavo Kuerten venceu o argentino Guillermo Cañas e está nas semifinais do ATP de Buenos Aires. Fluminense e Americano jogam às 16h no Maracanã por vaga na decisão da Taça Guanabara. (pág. 1 e cad. Esportes, pág. 19 e 20)

- A epidemia de febre amarela no Vale do Rio Pará, centro-oeste de Minas Gerais, a primeira da doença no País em 60 anos, foi confirmada ontem pela Secretaria Estadual de Saúde.

Nove pessoas já morreram e outras quatro estão em tratamento na região, onde foram montadas barreiras com postos de vacinação em todas as estradas de acesso aos 55 municípios na área de risco. (pág. 1 e 6)

COTAÇÕES

- Salário mínimo (fevereiro): R$ 151,00. Dólar comercial: R$ 2,0428 (compra), R$ 2,0436 (venda). Dólar paralelo: R$ 2,060 (compra), R$ 2,100 (venda). TR do dia 24/01 a 24/02: 0,1653%. TBF do dia 22/02 a 22/03: 0,9791. (pág. 1)

EDITORIAL

"Caravelas Queimadas" - (...) O Brasil é significativamente outro, mas nem por isso a sociedade é surda a denúncias e levantamento de suspeitas. A tradição de não levar às últimas conseqüências as estocadas de fundo moral minou a credibilidade política, comprometeu os partidos como coniventes por sua índole corporativa, e envolveu o Congresso, por extensão.

O Executivo também é, por sua própria natureza, alvo fácil e exposto a denúncias. Mais uma vez se repete o espetáculo dimensionado como crise. A diferença é o público, três vezes maior do que na metade do século passado, não está interessado no gênero levado à cena. (...) (pág. 8)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - O texto em que o presidente Fernando Henrique Cardoso comunicou ao País a decisão de demitir os ministros da Previdência Social e das Minas Energia foi redigido por ele, à mão, às quatro horas da madrugada de ontem. Às 8h, passou o manuscrito - sem nenhuma rasura - à sua assessoria para divulgação.

A decisão de demitir os dois foi tomada na semana passada, mais exatamente no dia das eleições das presidências da Câmara e do Senado. O Presidente pretendia, no entanto, esperar a semana seguinte ao carnaval quando aproveitaria o anúncio das metas de Governo para os dois anos finais, para fazer não apenas aquelas mas também outras mudanças na equipe. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Paulo Fona) - A demissão dos ministros de Antonio Carlos Magalhães é o começo da nova e última etapa do governo Fernando Henrique. Depois do carnaval, ele apresenta aos partidos de sua base um "programa de ação governamental" que pretende "forçar a distribuição de renda", nas palavras de um ministro palaciano que trabalhou em sua elaboração.

O presidente da República apresentará duas agendas: uma para o Legislativo e outra para o próprio Executivo. A do Congresso Nacional inclui a votação das reformas tributária, do Judiciário e partidária: da Lei das S/A; da lei de uso do solo urbano; e os projetos de lei que mudam o código penal. E a regulamentação das medidas provisórias.

A agenda do Executivo começa com ele mesmo: FH já pediu aos ministros um roteiro de viagens pelo País para inaugurar e vistoriar obras fundamentais para a população e que terão, obrigatoriamente, a marca do "Governo federal".

Os projetos do Avança Brasil e do programa Alvorada vão nortear as ações federais: o programa Bolsa-Escola, a ampliação da segurança nos grandes centros urbanos, inclusive com maior iluminação pública. "O chamado social terá prioridade", antecipa o ministro. (...) (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- FHC demite ministros de ACM, que o acusa de acobertar roubo

- O presidente Fernando Henrique Cardoso demitiu os ministros Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e Waldeck Ornélas (Previdência), aliados do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que atacara o Planalto. FHC disse desejar "que lealdades políticas sejam claras" e que iniciará nova fase do Governo em março.

As pastas ficarão com o "PFL do B", liderado pelo vice-presidente Marco Maciel e pelo presidente da sigla, Jorge Bornhausen. O senador José Jorge (PE) é cotado para ambas.

Mais dois aliados de ACM perderão seus cargos: o presidente da Eletrobrás, Firmino Ferreira Sampaio Neto, e o do INSS, Crésio Rolim de Mattos.

ACM acusou o Planalto de "proteger os corruptos e a corrupção" e disse ter "meios de incomodar o Presidente".

O Planalto decretou intervenção no DNER, afastando cinco diretores. Há denúncias de irregularidades no órgão, cuja cúpula é ligada ao PMDB.

As mudanças não abalaram o mercado - o dólar caiu, e a Bovespa subiu. (cad. Brasil e pág. 1 e B8)

- Em carta ao Senado, o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge prometeu entregar extratos de suas contas relativos aos anos de 94 e 98.

Trata-se de parte da estratégia do Governo para evitar novas investigações sobre EJ, citado nas acusações de corrupção feitas por ACM. (pág. 1 e A9)

- O Canadá e os EUA suspenderam ontem o veto à importação de carne bovina brasileira. O embargo, que estava em vigor desde o último dia 2, foi adotado inicialmente pelo governo canadense, sob a alegação de que havia risco da existência do mal da vaca louca no País, devido à importação de gado de origem européia.

O embargo foi suspenso dentro do prazo de 15 dias dado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que criticara a decisão do Canadá.

Na semana passada, uma missão com técnicos do Nafta veio ao Brasil para recolher informações sobre o rebanho bovino. O relatório da visita gerou o fim do embargo. (pág. 1 e B1)

- O governo de São Paulo vai transferir 30 membros do PCC para a Casa de Custódia de Taubaté, onde já estão os principais líderes da facção. O objetivo é "limpar' a Penitenciária do estado, no complexo do Carandiru, quartel-general do segundo escalão do grupo.

Um outro grupo de presos - o número pode chegar a 480 - foi transferido para centro de detenção na zona leste de São Paulo. (pág. 1 e C1)

- Seis pessoas morreram após receber soro glicosado em Guaratinguetá e Cruzeiro (SP). A Vigilância Sanitária interditou a Labormédica Indústria farmacêutica, que fez o soro e responde por 5% da produção nacional, e iniciou a coleta do produto dado às vítimas. A empresa nega contaminação do medicamento. (pág. 1 e C5)

- A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou as notas do Japão, pela primeira vez em 26 anos. As avaliações passaram de "AAA" (grau máximo) para "AA+".

Segundo a agência, o corte na classificação ocorreu devido ao aumento dos débitos e à "má vontade" do governo em tomar as decisões necessárias para impulsionar a economia.

A agência Moody's já rebaixara a classificação do Japão. A Fitch pode fazer o mesmo. O ministro das Finanças do país, Kiichi Miyazawa, classificou a medida como "errada".

O Banco Central japonês, porém, disse que o rebaixamento é uma oportunidade para o governo reavaliar sua política de gastos. A Bolsa de Tóquio teve alta de 1,32%. (Pág. 1 e B7)

EDITORIAL

"Riscos do FMI" - A idéia de uma reforma da arquitetura financeira mundial, anunciada pelo presidente Clinton após a crise asiática, em 97, não foi abandonada. Mas o seu sentido muda com o governo Bush.

Tendem a predominar, a julgar pelos assessores econômicos já nomeados pelo novo presidente dos EUA, visões conservadoras sobre o papel do Fundo e do Banco Mundial. Análise recente na revista "The Economist" lembrou o tradicional ceticismo dos republicanos quanto à eficácia daqueles organismos. (pág. A-2)

COLUNA

(Painel) - O senador José Jorge (PE), vice-presidente do PFL, é o nome escolhido para o Ministério da Previdência. FHC comunicou a decisão a um interlocutor no final da tarde de ontem. O anúncio oficial deve sair quarta-feira.

* Com a decisão, FHC fortalece o grupo de Marco Maciel. Jorge Bornhausen, o outro líder do PFL do B, vai ser contemplado com a indicação para Minas e Energia. O nome mais provável é o do deputado federal José Carlos Fonseca (PFL-ES), que já foi chefe de Gabinete de Malan. (pág. A-4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- FHC reage e demite os 2 ministros de ACM

- O presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu ontem aos ataques do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e demitiu os ministros ligados a ele, Waldeck Ornélas, da Previdência, e Rodolpho Tourinho, de Minas e Energia. Em nota oficial, FHC diz que não recebeu apoio deles diante das críticas de ACM: "O silêncio de ambos demonstrou o constrangimento em que foram colocados". Avisou também que aguardará que os partidos da base aliada "se comprometam com o programa de ação governamental" para definir os novos ministros.

Assumem interinamente os secretários-executivos José Cechin (Previdência) e Hélio Vitor Ramos Filho (Minas e Energia). Em Miami, ACM afirmou que, quando voltar, terá "elementos" para mostrar que o Presidente acoberta a corrupção. A demissão não foi acompanhada de turbulência na Bolsa, que fechou em alta de 1,55%. O dólar desvalorizou-se 0,34%. (pág. 1 e A4 a A8)

- A segurança dos presídios foi reforçada para o carnaval. O secretário de Estado da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, descartou a possibilidade de novas rebeliões como as de domingo.

Ontem, uma tropa de choque da PM invadiu a Penitenciária 2 de Pirajuí, a 50 km de Bauru, e acabou com mais uma rebelião; lá no domingo, um preso foi degolado. O PCC divulgou manifesto em São Paulo, via celular, protestando contra o descumprimento de itens da Lei de Execuções Penais, como a falta de assistência ao ex-detento. (pág. 1 e C1 a C4)

- O perigo de escassez de energia elétrica já pesa no bolso do consumidor. A Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou reajustes nas tarifas de 13,39% a 18,08%. Ao prever aumento médio da energia de 15,8% este ano, com impacto na inflação, o Banco Central decidiu não reduzir a taxa básica de juros. Entre as justificativas para a alta da energia estão a estiagem, com os reservatórios em níveis baixos, o custo do óleo e do gás natural para as usinas termoelétricas e o aquecimento da economia, que aumenta o consumo de energia. (pág. 1 e B1)

- O aumento de 22% na arrecadação federal em janeiro, em relação ao mesmo mês de 2000, garantiu ao setor público superávit primário (não inclui juros) de R$ 5,628 bilhões. Segundo o Banco Central, que divulgou os números ontem, foi o melhor resultado para o mês desde 1991.

O Governo central contribuiu com R$ 3,182 bilhões no resultado, os estados, com R$ 1,202 bilhão e os municípios, com R$ 797 milhões. Anteontem, o Tesouro já havia divulgado superávit recorde do Governo federal (pág. 1 e B3)

- Os Estados Unidos e, logo depois, o Canadá suspenderam ontem o embargo à importação de carne bovina do Brasil. Com o fim do boicote, os EUA deram, na prática, um atestado de sanidade ao rebanho brasileiro.

Na falta de um relatório do Canadá, o governo norte-americano se baseou nas informações de seus veterinários que na semana passada estiveram no Brasil numa comitiva do Nafta que veio verificar a segurança do sistema sanitário do País.

Os EUA haviam suspendido as importações, mas não retiraram o produto do mercado nem pediram ao consumidor que devolvesse a carne e seus derivados, o que significa que as autoridades do país sabiam que no Brasil não há o mal da vaca louca. A Argentina perdeu ontem a certificação internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação. (pág. 1 e B4)

EDITORIAL

"A descoberta do limite" - O repúdio generalizado ao último ato de desespero do senador Antonio Carlos Magalhães - a tentativa de conspirar com os próprios inimigos - mostra que a Nação, afinal, tem estômago, e determina um fim melancólico para sua carreira política. (pág. A3)

COLUNA

(Coluna do Estadão - Ariosto Teixeira) - O conceito de ética da responsabilidade, desenvolvido há cem anos pelo sociólogo alemão Max Weber, orientou o comportamento do presidente Fernando Henrique Cardoso frente à escalada de fatos negativos contra ele criados pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

Ele se calou diante das entrevistas do líder baiano, que lançaram dúvidas sobre a moralidade do Governo, porque ainda não dispunha de todos os recursos necessários para manter o apoio da maioria política e assegurar a governabilidade do tempo que resta do seu segundo mandato.

Mas os tinha ontem, ao excluir do seu círculo político-administrativo a mais forte personalidade de sua base de apoio. O Presidente está certo de que realinhará sua coalizão partidária e de que ela cumprirá a extensa agenda decisória que preparou este ano. (...) (pág. A-6)

O GLOBO

- FH rompe com ACM, demite ministros e intervém no DNER

- O senador Antônio Carlos Magalhães vai experimentar, pela primeira vez desde 1964, o sabor da oposição. O presidente Fernando Henrique Cardoso rompeu ontem a aliança política que tinha com ACM desde 1994 e demitiu os dois ministros que haviam sido indicados por ele: Waldeck Ornélas (Previdência) e Rodolpho Tourinho (Minas e Energia).

Depois de uma noite insone, o Presidente escreveu a nota na qual anunciou as exonerações. "É preciso que as lealdades políticas sejam claras para não prejudicar a imagem e a credibilidade da ação administrativa do Governo", escreveu FH.

O Presidente também determinou investigações em áreas do Governo controladas pelo PMDB, nas quais ACM denunciara corrupção: fez uma intervenção no DNER, com afastamento de todos os seus diretores, e determinou pressa na conclusão dos inquéritos sobre a Sudam.

Em resposta à demissão de seus apadrinhados, ACM disse que o Presidente deu uma demonstração de que não quer combater a corrupção.

Da Flórida, o senador ameaçou fazer novas denúncias, especialmente na área de privatizações, declarou que já está na oposição, e disse que vai "bater no Governo com provas".

Mas antes disso vai ter que lutar para escapar da cassação: o presidente da comissão que investiga a possibilidade de ter havido violação no sistema de votação eletrônica do Senado pediu ao procurador da República Luiz Francisco de Souza uma cópia da fita em que estaria registrado o diálogo entre ele e ACM.

Luiz Francisco passou o dia ouvindo repreensões dos colegas, que decidiram, em protesto, parar de trabalhar na mesma sala. O ex-ministro Eduardo Jorge disse que encaminhará ao Senado a sua movimentação bancária de 1994 a 1998. (pág. 1 e 3 a 11)

- Os EUA e o Canadá suspenderam ontem o embargo à importação de carne bovina brasileira. O embargo, que durou 21 dias, fora determinado sob a alegação de suspeita de contaminação do gado com a doença da vaca louca. O embaixador dos EUA, Anthony Harrington, comunicou pessoalmente a suspensão a Fernando Henrique. (pág. 1 e 21)

- O advogado Paulo Davoglio foi preso em São Paulo ao subornar quatro policiais com R$ 530 mil para eles soltarem um traficante. A polícia suspeita que ele esteja envolvido no resgate de chefes do PCC, que ontem divulgou manifesto com ameaças. (pág. 1 e 12)

- O Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou inquérito penal para investigar o deputado federal Eurico Miranda, que também será indiciado. Ele teve ainda o seu sigilo e o de sua mulher quebrados, de 1995 até hoje. Serão ainda expedidas cartas rogatórias ao governo dos EUA para que sejam investigadas as suspeitas de evasão de divisas. (pág. 2 e 32)

- Dezoito das maiores empresas do País têm 600 mil hectares de terras sob suspeita de terem sido griladas. É a conclusão do estudo pedido à Universidade Federal Fluminense pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. (pág. 1 e 13)

- A Standard & Poor's rebaixou ontem a classificação das dívidas e dos bancos da Turquia. A agência de risco alega que a crise política e econômica enfrentada pelo País está deteriorando as contas públicas, além de ameaçar o sucesso do programa de combate à inflação acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a estabilidade do setor bancário. (pág. 2 e 23)

EDITORIAL

"Novos critérios" - Nos últimos anos, o costume de fazer indicações políticas para o Tribunal de Contas da União foi praticamente promovido a regra. Prova disso é que a grande maioria dos atuais ministros é composta por ex-parlamentares indicados pela Câmara e pelo Senado.

Nada há de ilegal ou irregular na prática: a Constituição de 1988 permite ao Congresso indicar seis dos nove ministros titulares. Mas é obvio o risco de as vagas serem transformadas em mimos para consolar ex-parlamentares ou recompensar correligionários leais, numa instituição onde, em seu próprio interesse, deveriam prevalecer critérios de competência técnica. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Esparadrapo de ferida tira-se de um puxão. Dói, mas passa logo. Demitindo os ministros do senador ACM e aceitando sua declaração de guerra, FH desistiu de buscar a saída sem dor. Fez o que devia, mas tem dias difíceis pela frente. A oposição ganhou um peso pesado que abrirá fogo, as chances de uma CPI mista aumentam, aliados vão apoiá-la e cobrar alto a retirada da assinatura. (...) (pág. 2)

(Nhenhenhém - Jorge Bastos Moreno) - O comando do PT soube, na época, dos boatos sobre o voto de Heloísa Helena. Por tratar-se de uma pessoa acima de qualquer suspeita, ela foi informada imediatamente pelo PT.

E, no primeiro momento, teria comentado: "Só se for alguém do PFL que tem a minha senha.

Dizer que Heloísa Helena votou em Luiz Estevão seria o mesmo de falar que ACM votou em Jader Barbalho para presidente do Senado. (pág. 11)

(Ricardo Boechat) - Um fax da Fundação Guggenheim pousou no gabinete do prefeito Cesar Maia.

Seu texto avisa que as cidades candidatas a sediar a filial brasileira do museu - Rio, Recife, Curitiba e Salvador - terão que pagar US$ 1,9 milhão, cada uma, pelo estudo de viabilidade do projeto.

Do desembolso total, 30% serão destinados à Associação Brasil + 500, a título de coordenação do trabalho. (pág. 16)

CORREIO BRAZILIENSE

- É a guerra

* "O presidente da República demonstrou que não nomeia ministros por mérito, e sim para agradar pessoas".

* ..Um homem que esquece o que diz e não tem compromisso, a não ser por palavras, com o combate à corrupção". (Antonio Carlos Magalhães) (pág. 1)

* "O silêncio de ambos (os ministros demitidos) demonstrou o constrangimento em que foram colocados, não por mim, mas por um estilo de política que não é o meu".

* "Não os exonero, entretanto, como conseqüência de afirmações, de baixa credibilidade, do senador Antonio Carlos Magalhães, nem pelas acusações infundadas que lhes foram feitas". (Fernando Henrique Cardoso) (pág. 1)

- Demissão dos ministros aliados de ACM e resposta do senador baiano precipitam o fim da aliança Fernando Henrique/Antonio Carlos. O jogo da sucessão mudou: ACM admite disputar a Presidência.

- O ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães deixou claros os motivos mais profundos do rompimento. Ele quer conquistar a opinião pública que estiver indecisa entre o candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva e o nome escolhido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, para votar nele mesmo ou no candidato à Presidência da República que vier a apoiar em 2002.

"Estou bem nas pesquisas e posso ser beneficiado com o desgaste moral do presidente Fernando Henrique", disse o senador, em entrevista à Agência Estado.

No dia mais tenso do segundo mandato do governo FHC, os ministros da Previdência, Waldeck Ornélas, e de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, aliados de ACM, foram demitidos; a oposição anunciou que vai pedir a cassação do senador; o presidente da República mandou exonerar toda a diretoria do DNER, suspeita de corrupção; o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge autorizou a quebra do sigilo bancário dele e da mulher, e o procurador-geral da República decidiu pedir as gravações da conversa de Antonio Carlos Magalhães com integrantes do Ministério Público. Conversa que deflagrou a crise mais grave da cena política brasileira recente. (pág. 1, 6 e a13)

- O ministro da Saúde, José Serra, lançou no Japão o Projeto de Assistência e Prevenção da Aids aos dekasseguis (brasileiros residentes no Japão). Cerca de 250 mil brasileiros que moram naquele país têm dificuldade de ser atendidos no serviço de saúde japonês.

Segundo o ministério, pesquisa realizada entre 451 brasileiros residentes no Japão mostrou que 80% dos entrevistados conhecem os métodos de prevenção, mas apenas 50% deles disseram que usam freqüentemente o preservativo e somente 30% conheciam os serviços locais de prevenção e tratamento da Aids.

Dois representantes de Organizações Não-Governamentais que trabalham com a Aids no Japão serão treinados no Brasil para capacitar, a partir de março, 100 multiplicadores que atuarão nas províncias industriais com a maior concentração de brasileiros. (pág. 3)

ZERO HORA

- O sistema de votação secreta do Senado pode ter sido violado se o seu código de fábrica foi alterado pelos técnicos de informática do Congresso que têm acesso aos programas desde o ano passado.

A indústria de equipamentos eletrônicos Eliseu Kopp e Cia. Ltda, de Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo, foi responsável pela instalação do painel eletrônico de votação do Senado de final de 1997 até maio de 2000. (pág. 6)

- O deputado estadual Mario Bernd (PMDB) promete entregar na quinta-feira ao Ministério Público (MP) uma lista com 18 nomes de parentes de ocupantes do primeiro escalão do Poder Executivo contratados na atual administração estadual. (pág. 10)

- Os telefones fixos de Porto Alegre e algumas cidades do interior passarão a ter oito dígitos. A CET Brasil Telecom informou ontem que alguns prefixos telefônicos ganharão mais um dígito - o número 3 - a partir do dia 26 de maio. (pág. 14)

MANCHETES

CORREIO DA BAHIA

- ACM rompe com FHC e o acusa de acobertar corrupção

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

- FHC demite dois ministros

O DIA (RJ)

- FHC demite toda a turma de ACM

ZERO HORA (RS)

- Acidente aéreo mata Carrion Júnior

REVISTA

VEJA

TÍTULO DE CAPA

- Dieta sem fome - Contra a corrente de medicina tradicional, os regimes de baixos carboidratos estão de volta. Motivo: funcionam

Eles tomaram o poder - Megarrebelião de presos em São Paulo é mais um sinal de alerta emitido por um sistema falido e perigoso. (pág. 26 a 31)

Agora, é tudo pelo social - A dois anos do fim, o Governo aposta todas as fichas na mudança de imagem. (pág. 32 a 35)

Eflúvios da fase gasosa - Serra esmaga Tasso nas disputas congressuais e ACM quer reativar o caso Eduardo Jorge. (pág. 36 a 47)

A lenta agonia de um símbolo brasileiro - Chamado de "rio da integração nacional", o São Francisco foi devastado durante décadas. (pág. 60 a 62)

O Brasil domou a Aids - Programa brasileiro reduz o número de mortos e de contaminados, vira referência mundial e abre polêmica sobre a quebra de patentes de remédios. (pág. 74 a 77)

Notícias ruins para a Vasp - Documento da Infraero mostra como a empresa negocia suas dívidas. (pág. 94)

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O endereço na Internet é www.brasil.gov.br

O telefone para solicitação de publicações é:061-411.4892.

O email da Secretaria de Comunicação Social é: secom@planalto.gov.br