
01/01/2002
JORNAL DO BRASIL
- Réveillon das balsas divide público
- Sessenta toneladas de fogos de artifício lançados de quatro balsas
a 300 metros da praia foram insuficientes para entusiasmar os dois milhões de pessoas que
se reuniram ontem em Copacabana para saudar o Ano Novo.
O espetáculo emocionou quem se concentrou em frente às explosões,
mas chegou a ser vaiado por parte da multidão situada em outros trechos da orla,
habituada a acompanhar a chuva de cores sobre suas cabeças. (...) (pág. 1, 12 e 13)
- Apesar de a gasolina ficar mais barata nas refinarias a partir de
hoje, o que pode representar uma queda de até 20% no preço do litro nas bombas, a
economia só deverá se refletir no bolso do consumidor a partir do próximo fim de
semana.
Os donos de postos do Rio calculam que precisarão de três dias, no
mínimo, para renovar os estoques armazenados em seus tanques. Até lá, os valores
continuarão inalterados. A queda dos preços se deve à liberação da importação de
derivados de petróleo por empresas privadas, dividindo um privilégio que, até ontem,
era exclusivo da Petrobras. (pág. 1 e 11)
- Após a segunda renúncia presidencial em oito dias, a Argentina,
mergulhada em perplexidade, deve conduzir o senador peronista Eduardo Duhalde à Casa
Rosada. Derrotado nas eleições vencidas há dois anos por Fernando de la Rúa, ele é o
mais cotado para substituir Adolfo Rodríguez Saá, que entregou o cargo anteontem.
Horas depois, o presidente do Senado e sucessor constitucional de Saá,
Ramón Puerta, também se recusou a assumir a chefia da nação. Duhalde, que foi
vice-presidente de Carlos Menem, deixou claro que só aceitará a missão mediante o apoio
de todas as forças políticas e a formação de um ministério multipartidário.
O novo governo será definido hoje pela Assembléia Legislativa,
convocada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Camaño, interinamente no
comando do país. (...) (pág. 1 e 10)
- O ano de 2002 é aguardado com ansiedade pelos oficiais da Força
Aérea Brasileira (FAB). Se conseguirem todos os financiamentos externos, renovam
completamente a atual frota de caças supersônicos. Precisam de cerca de US$ 700 milhões
para 20 aviões. O resultado final da concorrência internacional para definir o aparelho
a ser comprado está previsto para março.
Os militares, entretanto, já têm uma boa notícia. Tiveram o sinal
verde para a Embraer iniciar a produção dos aviões AL-X, de atuação no Sistema de
Vigilância da Amazônia (Sivam). O negócio é de US$ 420 milhões. (...) (pág. 2)
- Com o Orçamento da União para 2002 aprovado, o presidente Fernando
Henrique tem liberdade para cortar gastos e ajustar as despesas ao dinheiro arrecadado com
os impostos. Com tal poder, já definiu a primeira tesourada de 2002: o corte de R$ 1,8
bilhão em investimentos - 13% do total - para compensar a queda de receita devido à
correção da tabela do Imposto de Renda em 17,5%, aprovada em dezembro pelo Congresso
Nacional. O projeto será sancionado pelo Presidente até o dia 7. (...) (pág. 3)
EDITORIAL
"A Gota d'Água" - A Argentina talvez tenha hoje o quarto
presidente em 10 dias, o que dá bem a medida da impressionante crise política e social
que se abateu sobre o país desde que Fernando de la Rúa renunciou.
A renúncia do presidente interino Rodríguez Saá, após uma semana de
governo, tem como moldura a revolta da população (expressa nos "panelazos" nas
ruas) e a desunião dos caudilhos provinciais peronistas que puseram suas aspirações
pessoais acima dos interesses nacionais.
O resultado foi a mixórdia política que abalou os alicerces da
Argentina, às voltas com uma crise econômica como há muita não se via. (...) (pág. 8)
COLUNA
(Informe JB - Ricardo Boechat) - Fontes da polícia paulista informam
que a família de Washington Olivetto pagou o resgate exigido por seus seqüestradores.
Todos estão contando com a iminente libertação do publicitário.
(pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Argentina chega a 2002 sem governo
- Após a renúncia do presidente provisório Adolfo Rodríguez Saá,
54, anteontem, a Assembléia Legislativa da Argentina deverá se reunir hoje à tarde para
encontrar uma solução para o vazio de poder no país.
No final da tarde de ontem, a tendência no Partido Justicialista, que
tem a maioria na Assembléia, era cancelar a eleição direta de 3 de março e escolher,
na reunião de hoje, um presidente com mandato até 2003.
As divisões internas no Partido Justicialista (peronista), que
provocaram a queda de Rodríguez Saá por falta de apoio, ainda persistem e podem
prorrogar a crise institucional.
Saá foi intimado pela Justiça a ficar no cargo até que a Assembléia
aceite sua renúncia, mas não cumpriu a ordem. "Que se virem aqueles que não
quiseram me apoiar", disse.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Camaño, que deve
assumir a Presidência do país por um período de 48 horas, pediu calma à população.
"Convido a população a fazer os panelaços em frente de suas casas, mas não nas
ruas, para garantir a tranqüilidade".
Pela Internet, grupos de esquerda estão convocando os argentinos a
sair às ruas para novos protestos logo após a virada do ano. (pág. 1, A6 e A7)
- O senador peronista Eduardo Duhalde, 60, candidato derrotado por
Fernando de la Rúa na eleição de 1999, é o nome com maiores chances de assumir a
presidência argentina. Ele tem o apoio de parcela de seu partido, além da União Cívica
Radical e da Frepaso.
O senador afirmou que estaria disposto a assumir o cargo. Mas exige que
seja em um governo de coalizão. (pág. 1 e A6)
- Marta Suplicy completa um ano de mandato em São Paulo como a pior
prefeita no ranking elaborado pelo Datafolha a partir de pesquisa em nove capitais. A
petista tem 34% de reprovação. Mas, na comparação com levantamento anterior, seu
desempenho melhorou. A taxa de "ótimo/bom" subiu oito pontos percentuais.
Ela é mais bem avaliada entre os mais pobres, mais jovens e com menos
escolaridade.
Jackson Lago (PDT), prefeito de São Luís (MA) pela terceira vez,
estréia no ranking em primeiro lugar, com 46% de aprovação. Antonio Imbassahy (PFL),
prefeito de Salvador (BA), ficou em segundo.
A pesquisa foi realizada entre 12 e 14 de dezembro. A margem de erro do
levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos em São Paulo e de
quatro pontos nas demais cidades. (pág. 1 e C1)
- Bombardeio americano em vilarejo a 100 km de Cabul (capital do
Afeganistão) teria deixado 107 mortos, entre eles mulheres e crianças, segundo
camponeses da região. Sobreviventes dizem que um caça, um bombardeio e dois
helicópteros participaram do ataque realizado anteontem.
Equipe de reportagem da agência de notícias Reuters confirmou a morte
de civis no local, mas ainda não há relatos precisos sobre o bombardeio. "Estamos
cientes do incidente e já começamos a investigá-lo", disse o porta-voz do comando
militar dos Estados Unidos, Pete Mitchell. (pág. 1 e A8)
- Avaliando da perspectiva de 2001, a rainha Elizabeth 2ª parece ter
soado precipitada ao dizer que 1992 foi o "annus horribilis". Ou então as
coisas têm piorado de forma cumulativa nos últimos tempos.
Fosse pelo perturbador dos fatos, fosse pelo tom de alarme, mentiria
quem dissesse que não teve momentos de calafrio na última temporada. (Nicolau Sevcenko)
(pág. 1 e A9)
EDITORIAL
"Os donos do curral" - A queda em menos de uma semana do
presidente argentino Adolfo Rodríguez Saá, o terceiro desde a renúncia de Fernando de
la Rúa, causa algo que parecia impossível: torna ainda mais incertos os rumos do país.
Já se fala até em guerra civil.
A questão que está levando os argentinos repetidamente às ruas e à
invasão dos principais prédios públicos do país foi resumida numa palavra:
"corralito" (curralzinho). É como ficou popularmente conhecido o bloqueio das
poupanças e depósitos em dólar nos bancos da Argentina.
O termo em si já é revelador. Dominado por uma oligarquia agrária e
conservadora, que se aliou a lideranças populistas, o Estado argentino foi praticamente
destruído.
Assim como no Brasil é comum falar em "currais eleitorais",
no país dos donos de "haciendas" o bloqueio da riqueza nacional é descrito
como artimanha de um senhor de gado. Como se os cidadãos, suas posses e seus direitos
fossem desrespeitados a tal ponto que mesmo a noção de cidadania perdesse valor. (...)
(pág. A2)
COLUNA
(Painel) - Os parlamentares da base governista tiveram, em média,
74,54% de suas emendas liberadas pelo Governo federal no ano passado. O índice é
praticamente o dobro do obtido pelos políticos de oposição, que conseguiram liberar
apenas 38,8% do previsto no Orçamento de 2001.
* O partido que mais teve emendas liberadas foi o PMDB, que conseguiu
R$ 147,6 milhões dos R$ 189,9 milhões previstos, o que equivale a 77,75%. PFL, com 77,4%
das emendas liberadas, PSDB (76,2%), PPB (65,7%) e PTB (61,5%) também foram privilegiados
pelo Governo. (pág. A4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Acordo suspende as eleições na Argentina
- A Assembléia Legislativa da Argentina reúne-se hoje para definir
quem será o novo presidente argentino e qual será seu mandato. A hipótese de
realização das eleições diretas em março já está praticamente descartada. O Partido
Justicialista (peronista) estava prestes a fechar ontem um acordo envolvendo a maior parte
de seus chefes políticos em torno do nome de Eduardo Duhalde, senador do partido pela
província de Buenos Aires.
Pelo acordo, Duhalde completaria o mandato do ex-presidente Fernando de
la Rúa, até dezembro de 2003. Duhalde perdeu as últimas eleições para o próprio De
la Rúa. Dentro do Partido Justicialista, porém, ainda há resistências à eliminação
das eleições diretas, como é o caso do governador da província de Córdoba, José
Manuel de la Sota. A idéia de deixar Duhalde até dezembro de 2003 como ocupante do
"sillón de Rivadavia", como é conhecida a cadeira presidencial, obteve apoio
da própria União Cívica Radical (UCR), partido do ex-presidente De la Rúa. (pág. 1 e
B1)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou o risco de a
economia brasileira ser contaminada pela crise da Argentina. "Não há razões para o
contágio", disse FHC, que passa o réveillon na fazenda de um amigo e ex-sócio, em
Pardinho, a 200 quilômetros de São Paulo.
O Presidente defendeu o respaldo dos organismos internacionais à
retomada do crescimento na Argentina assim que a situação política se estabilizar. FHC
tem acompanhado por telefone a crise institucional no país vizinho. (pág. 1 e B4)
- Os 12 países europeus que adotaram o euro, em vigor a partir de
hoje, esperam que a nova moeda impulsione o crescimento e contribua para a estabilidade
econômica. "O euro vai proteger a Europa de abalos econômicos como os que se
seguiram aos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos", disse o presidente da
Comissão Européia, Romano Prodi.
O presidente do Banco Central Europeu, Wim Duisenberg, advertiu que a
Europa deverá habituar-se de novo ao crescimento do PIB, que já este ano poderá chegar
a até um ponto porcentual. (pág. 1 e B6)
- A Índia admitiu retomar negociações de paz com o Paquistão depois
da prisão do líder de um grupo acusado de atentado do dia 13 contra o Parlamento
indiano. O chanceler indiano disse que esse era "um passo em boa direção", mas
anunciou uma lista de 20 terroristas que quer entregues para julgamento em Nova Délhi.
(pág. 1 e A8)
- Perto de cem civis, muitos deles mulheres e crianças, teriam morrido
em um ataque aéreo contra o povoado de Niari Qaa, no leste do Afeganistão. Um porta-voz
do comando militar americano não negou a possibilidade: "Se morreram inocentes, a
causa direta é a tática dos terroristas de pôr civis em risco ao instalá-los perto de
suas bases." (pág. 1 e A8)
- Quando chegou à Casa de Saúde Santa Maria, a cantora Cássia Eller
tinha inflamação e obstrução em veias e artéria do braço esquerdo. Falava coisas
desconexas, mas disse que tinha tomado o calmante Lexotan. Tinha ferimentos na cabeça,
braços e pernas, relataram os médicos da clínica ao cardiologista Rafael Luna. (pág. 1
e A6)
- Casas desabaram na região central de Minas Gerais devido às fortes
chuvas, causando a morte de seis pessoas ontem. No Rio, quatro pessoas morreram na região
serrana. Em Teresópolis uma casa caiu, matando um homem, e em Petrópolis três pessoas
da mesma família foram soterradas por deslizamento de terra. (pág. 1 e C1)
- Ex-bóia-fria de uma usina de cana em Sertãozinho, Maria Zeferina
Baldaia venceu ontem a 77ª edição da prova feminina da Corrida Internacional de São
Silvestre, o que não ocorria desde 1996. Ela ultrapassou a favorita queniana Margaret
Okayo na subida da Brigadeiro Luís Antônio e chegou acenando para o público. A prova
masculina foi vencida pelo etíope Tesfaye Jifar. (pág. 1 e E1)
EDITORIAL
"Brigas de apaches" - Os governadores peronistas não
conseguem sopitar suas ambições em benefício da unidade nacional. Todos brigam e,
quanto mais prolongada a peleja, maior a descrença nos políticos e nas instituições.
(pág. 1 e A3)
O GLOBO
- Festa nova para o Ano Novo
- Ninguém se queimou, nenhum barco naufragou e, apesar das previsões
alarmistas da meteorologia, o mar era de almirante e o céu de brigadeiro. Mas o
réveillon mais seguro nos últimos anos foi também um dos menos aplaudidos nas praias da
cidade.
A festa de Copacabana era nova, com os fogos sendo lançados de balsas
fundeadas a 350 metros da areia. E o público acabou sendo menor: 1,5 milhão contra 2,5
milhões do ano passado.
Muitas das pessoas que aplaudiram o show consideraram que os fogos
estavam longe e eram poucos. No Flamengo, que reuniu 250 mil das 600 mil pessoas
esperadas, o público também reclamou da curta duração do show pirotécnico.
Na ausência de uma queima oficial no Leblon e em Ipanema, a orla dos
dois bairros acabou se transformando num grande corredor de passagem para Copacabana.
Em Ramos, apenas 25 mil das 80 mil pessoas esperadas compareceram à
festa de réveillon no Piscinão, segundo cálculos da Polícia Militar. (pág. 1 e 8 a
14)
- Fortes chuvas que voltaram a cair ontem na Região Serrana mataram
mais quatro pessoas (três em Petrópolis e uma em Teresópolis). O mau tempo já provocou
a morte de 64 pessoas no Rio. Em Minas Gerais, um temporal matou seis pessoas. (pág. 1, 5
e 18)
- O Congresso argentino escolhe hoje o novo presidente, na quinta troca
de chefe de Estado desde 20 de dezembro, quando Fernando De la Rúa renunciou. O senador
peronista Eduardo Duhalde é o candidato mais forte. Buenos Aires passou o dia de ontem
sitiada: 45 mil policiais controlavam a cidade. (pág. 19 e 20)
- (Pardinho-SP) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem
que todos os indicadores mostram que 2002 será um ano bom para o Brasil. Ele também
avaliou positivamente o ano que terminou. O Presidente, que passou o réveillon na fazenda
Bela Vista, em Pardinho, a 230 km da capital paulista, lembrou que durante 2001 o País
atravessou muitos problemas, mas que eles foram resolvidos. E aproveitou para criticar os
pessimistas.
"Em 2001, tivemos dificuldades, mas vencemos. O Brasil atravessou
o ano resolvendo problemas. Em vez de ficarmos de braços parados, simplesmente nos
lastimando, achando que tudo não vai dar certo, fizemos o contrário, trabalhamos,
trabalhamos e trabalhamos. E conseguimos chegar ao fim do ano numa situação
melhor", disse ontem, depois de visitar o prefeito de Pardinho, Benedito da Rocha
Camargo Júnior (PSDB). (...) (pág. 3)
- Eles passaram os últimos sete anos em campos opostos, um defendendo
e outro criticando o presidente Fernando Henrique Cardoso. No balanço do governo tucano,
o presidente do PSDB, José Aníbal, e o do PT, José Dirceu, divergem sobre tudo quando
se trata de política partidária e de governo.
Discursos de palanque à parte, deixam aparecer as convergências nos
conceitos de crescimento e desenvolvimento econômico. Têm também afinidades mais
singelas. "Oi Zé!", diz um. "Fala Zé", responde o outro. Em
entrevista ao "Globo", o presidente do principal partido da situação e o do
principal partido da oposição analisam erros e acertos de Fernando Henrique. (...)
(pág. 3)
- (Pardinho-SP e Brasília) - O presidente Fernando Henrique Cardoso
assegurou ontem que não há razão para que o agravamento da crise argentina contagie o
Brasil ou outro país do Mercosul. O Presidente, que passou o réveillon na fazenda Bela
Vista, a 230 km da capital paulista, demonstrou preocupação com a situação vivida
pelos argentinos, disse que o Brasil está solidário aos vizinhos e revelou que manteve
contato com alguns presidentes sul-americanos, como Ricardo Lagos, do Chile, e com o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) para conversar sobre a crise. (...) (pág. 20)
- O cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS), a cargo do governo do estado, deve fazer com que a prometida redução nos preços
dos combustíveis seja menor do que a prevista pelo Governo federal. No Rio, mesmo com a
liberação da importação dos derivados refinados de petróleo a partir de hoje - que
marca a abertura total do mercado do setor - os consumidores não devem ter os 20% de
redução previstos, mas um corte nos preços de 13% a 14%, segundo as distribuidoras.
(...) (pág. 22)
- No momento em que o setor de combustíveis no País vive mais uma
importante etapa, com a liberação total de seus preços, a Petrobras também passa por
uma mudança em seu comando. Amanhã, quando começa a vigorar o novo sistema de preços
livres da gasolina e do óleo diesel nas refinarias, toma posse o novo presidente da
estatal, Francisco Gros, que até então estava à frente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Francisco Gros vai substituir Henri Philippe Reichstul, que ocupou a
presidência da Petrobras durante dois anos e oito meses. (...) (pág. 22)
EDITORIAL
- "Os donos da crise" - Mário Henrique Simonsen costumava
alertar que em economia não há fundo do poço. Uma situação já dramática pode
deteriorar-se em velocidade crescente rumo ao caos. A Argentina das últimas semanas tem
teimado em provar o acerto da tese de Simonsen. Com uma peculiaridade: agora, são os
políticos a principal força propulsora da crise.
Poucos casos exemplificam tão bem como a falta de visão de uma elite
consegue abalar as instituições de uma República. Já era possível prever a
deterioração do quadro argentino a partir das promessas populistas e voluntaristas de
Adolfo Rodríguez de Saá, um peronista do segundo time do Partido Justicialista, eleito
pelo Congresso para um curto mandato-tampão. (...)
Tornara-se evidente que Saá dava prioridade a projetos pessoais. Por
esse e outros motivos, é péssima a imagem dos políticos junto à população. O fiasco
de "El Adolfo" estreitou o espaço para a elite política do país encontrar uma
saída ordenada da crise e evitar o caos. Não se pode culpar a economia por todos os
males argentinos. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Diana Fernandes) - Os presidenciáveis iniciam o
ano com disposição renovada e planos fresquinhos, mas o calendário e as regras
eleitorais começam a impor limites. Já este mês o Tribunal Superior Eleitoral estará
atento ao uso do horário eleitoral gratuito pelos partidos e à divulgação de pesquisas
de intenção de voto pelas dezenas de institutos país afora. Duas farras que serão
agora controladas. (...) (pág. 2)
(Ancelmo Gois) - Um consórcio internacional vai fazer o genoma da
banana. As pesquisas começam no primeiro trimestre deste ano.
O Brasil, através da Embrapa, participará do projeto, que busca
aumentar a produtividade da fruta e reduzir a incidência de pragas em seu cultivo.
* No relatório que o Tribunal de Contas da União prepara sobre a
auditoria que fez no setor elétrico, a Aneel será criticada.
O TCU vai censurar a agência por ter dado licenças para a iniciativa
privada construir termelétricas, sem fixar nos contratos brechas para cobranças de
multas no caso de os projetos atrasarem. (pág. 12)
CORREIO BRAZILIENSE
- 2001 parou na ficção
- Ufa! escapamos ilesos da fértil imaginação de nossos bisavós, que
profetizaram para 2001 uma vida bem diferente da que temos hoje. As máquinas revoltadas
contra os homens, (...) (ainda) não existem.
Mas muitas das profecias otimistas também não aconteceram. Ir à Lua
não é um passeio corriqueiro para os humanos, nem vivemos no espaço. (...) (pág. 1, 6
e 7)
- O Congresso argentino se reúne hoje para eleger mais um presidente.
Será o quarto desde que Fernando de la Rúa caiu, no último dia 20.
O mais cotado é o senador Eduardo Duhalde, candidato dos peronistas
às eleições de 1999. Nas ruas, indignação dá lugar ao choro. (pág. 1, 10 e 11)
- O ano de 2002 não será maravilhoso, mas vai ser bem melhor do que
2001. Economistas apostam que o Produto Interno Bruto (a soma de riquezas do país)
crescerá entre 2% e 2,5% no ano que vem. A taxa de desemprego não será maior do que 7%
e a inflação deve ficar em 5,5%. (pág. 1 e 13)
- GDF retoma cursos profissionalizantes em março após dois anos sem
verbas do FAT, cortadas por causa de desvios e corrupção. (pág. 1 e 14)
- Mais quatro pessoas morreram ontem na região serrana do Rio em
conseqüência das chuvas que atingem o estado desde o dia 23. O número de mortos chega a
64. (...) (pág. 3)
- (Londres) - Terroristas em potencial são, não raro, jovens
vulneráveis e ex-condenados que se voltam para o Islã à procura de conforto moral e
apoio material. Seduzidos por clérigos vindos de fora das comunidades, que proclamam a
necessidade de luta e distribuem panfletos na porta das mesquitas, tais jovens abandonam
os ditames da religião - que não admite violência - pelos homens que os recrutam. (...)
(pág. 12)
JORNAL DE BRASÍLIA
- Cai a violência no trânsito
- Número de mortes em desastres diminuiu em 2001, mas rodovias ainda
apresentam índices altos. (pág. 1 e 5)
- Hematomas na cabeça e nas pernas, detectadas nos primeiros exames
feitos pelo IML, levaram a polícia do Rio a ampliar as investigações sobre a morte da
cantora Cássia Eller, ocorrida no sábado.
A possibilidade dela ter sido assassinada não é descartada. A
polícia desconfia ainda que a Clínica Santa Maria, onde Cássia foi internada, falhou no
atendimento à cantora. (pág. 1 e 11)
- A lei já garante aos proprietários de imóveis protestar o contrato
de aluguel de inquilinos com pagamento atrasado a partir do segundo mês. A ação de
despejo também já pode ser conseguida com rapidez. (pág. 1 e 9)
- Com mais 1.200 policiais e 600 viaturas, as cidades do Entorno
apostam na parceria com o governo do DF para o combate à violência na região. (pág. 1
e 7)
MANCHETE
DIÁRIO DE S. PAULO
- Congresso decide suspender a eleição de março na Argentina

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico
da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura
econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança
comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na
INTERNET www.fazenda.gov.br, na área
específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive
sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês,
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