10/03/2002

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JORNAL DO BRASIL

- Dinheiro suspeito ajudou Roseana

- A campanha que reelegeu Roseana Sarney governadora do Maranhão, em 1998, foi financiada por R$ 1,7 milhão doados por empresas. Deste total, R$ 847 mil vieram de firmas investigadas por supostos desvios de dinheiro público ou irregularidades em convênios com órgãos oficiais.

A demonstração de Recursos Arrecadados, entregue por Roseana ao Tribunal Regional Eleitoral de seu estado, relaciona 31 contribuições subscritas por 18 empresas, nove das quais estão sob suspeita. A Coesa e a Rodoferrea, que doaram, respectivamente, R$ 300 mil e R$ 38 mil, foram postas na mira do Tribunal de Contas da União pela execução de obras em áreas de assentamento agrário e recuperação de estradas. A Nova Holanda, que colaborou com R$ 25 mil, está envolvida em fraudes na Sudam. (pág. 1 e 3)

- Para salvar uma comitiva da ONU capturada por traficantes, comandos antiterrorismo sobem o Morro Dona Marta e provocam um sangrento tiroteio. O enredo anima o jogo de ação "Counter-Strike", nova febre da Internet, que ganha adeptos no Rio em lojas com computadores ligados em rede e alugados por R$ 5 a hora. Na trilha sonora, Bezerra da Silva e funks proibidos. (pág. 1 e 24)

- Grupo de jovens organizado há dois anos na Rússia vem recolhendo livros que considera "ofensivos às tradições do país", para trocá-los por clássicos da literatura. Os 50 mil associados têm ligações com o governo Putim e dizem ter tirado de circulação quase 20 mil volumes - entre eles exemplares de "O Capital", de Karl Marx. "Isso é fascismo camuflado", diz um dos autores afetados. (pág. 1 e 15)

- Apesar da fama dos japoneses, o brasileiro enfrenta jornada de trabalho que lhe garante o segundo lugar entre os povos mais laboriosos do mundo, abaixo apenas dos americanos. A média chega a 1.920 horas anuais, ou 44 por semana. Um dos motivos é a proliferação do duplo emprego. O terceiro lugar fica com o México. O Japão, surpreendentemente, aparece em quarto. (pág. 1 e 18)

- A polícia multa proprietários de imóveis que abrigam focos, brigadas sanitárias percorrem as ruas em busca de larvas de mosquito. Tais cenas, semelhantes às que o Rio viveu ontem no Dia D contra a dengue, evocam a campanha do sanitarista Oswaldo Cruz em 1902.

Na época, o inimigo era a epidemia de febre amarela, que matou 58 mil pessoas, entre elas 200 dos 340 marinheiros do navio italiano Lombardia. A história da cidade registra a ação devastadora de doenças como a peste bubônica, a leptospirose ou a varíola, que em diferentes períodos modificaram os hábitos da população.

É o caso da dengue que, segundo a bióloga cubana Grisel Monteiro Lago, exige ação constante no combate aos focos. "A participação popular reduz índices de infestação em áreas urbanas", diz. Mas só é eficaz se acompanhada "por investimentos em prevenção, educação e saneamento básico". (pág. 1, 13, 22 e 23)

- Zerou tudo a disputa pela sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Primeiro, foi o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que vinculou as alianças nas disputas estaduais às coligações nacionais.

Depois, a confusão criada com a busca e apreensão feita pela Polícia Federal no escritório da Lunus, empresa da candidata do PFL ao Planalto, Roseana Sarney, e do marido, Jorge Murad. O episódio afastou os liberais do Governo. Em apenas duas semanas, a campanha eleitoral deu uma reviravolta.

O PT de Luiz Inácio Lula da Silva - favorito nas pesquisas - esbravejou contra a decisão do TSE, mas, cauteloso, se calou sobre o episódio que separou o PFL do poder. Guarda a munição contra Roseana para usar durante a campanha. Este é o tom. No lugar da indigesta e confusa sopa de letras partidárias em torno de candidatos, o eleitor acompanhará uma novelesca seqüência de troca de dossiês e acusações. Lama pura. (...) (pág. 4)

- (São Luís) - O empresário João Carvalho é um dos alvos de uma investigação do Ministério Público e da Receita Federal. É sócio da AC Rebouças, empresa supostamente ligada ao gerente de Planejamento do Maranhão, Jorge Murad, marido da governadora Roseana Sarney.

Faturou cerca de R$ 620 mil, entre 1999 e 2000, pela montagem de nove projetos financiados pela extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Em pelo menos um deles, a Aluminium S/A, foram detectadas irregularidades. Sete foram aprovados numa reunião do Conselho Deliberativo da autarquia, em 14 de dezembro de 2000 - presidida por Roseana. Criou seis empresas nas Ilhas Virgens britânicas. Suspeito de mandar dinheiro para fora do País, Carvalho jura inocência. (pág. 6)

- Fonte de 80% da água que abastece as cisternas do estado, o Rio Guandu morrerá em cinco anos. O racionamento compulsório passará a fazer parte da rotina no Rio de Janeiro. O mau cheiro se tornará característica típica do líquido que verterá (mesmo assim, nem sempre) das torneiras fluminenses.

Sem amenizar o tom de alarme, o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), engenheiro Alberto Gomes, explica que a crise no fornecimento d'água potável é nacional, mas, de acordo com ele, o Rio só não está pior que São Paulo, onde a economia no consumo e o odor suspeito na água já fazem parte do cotidiano. "Estamos prestes a viver no País um drama análogo ao que atingiu o setor energético. Se não houver uma ação imediata, em nível federal, virá, depois do apagão, o secão", avisa. (...) (pág. 21)

EDITORIAL

"Jogo de lealdades" - O recesso político do fim de semana esfria as cabeças esquentadas pelas conseqüências decorrentes do episódio que envolveu, por via transversa, a candidata virtual do PFL. Nada mais recomendável e oportuno do que o hiato, para reflexão geral, após a opção autonomista do partido de índole moderada e natural ponderação.

A oportunidade não é exclusiva do PFL. A moderação deve ser a marca dos atos e palavras de dirigentes e líderes. Beneficiam-se igualmente da pausa o PSDB e o PMDB, por motivos específicos que dizem respeito a cada um igualmente interessados na correta avaliação dos fatos.

Os social-democratas encaminham a candidatura do ex-ministro José Serra como ato de afirmação. Já o PMDB está um passo atrás no processo eleitoral, porque não se definiu claramente pelo candidato próprio ou pela aliança esboçada com o PSDB, dado o passado em que atuaram juntos sob a legenda histórica do MDB. Nenhum tende a se beneficiar da exaltação retórica e do espírito belicoso. (...) (pág. 10)

COLUNAS

(Coisas da Política - Dora Kramer) - Pedro Malan e José Serra passaram os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso em clima de franca discordância. Raramente fizeram isso em público, mas o que um pensava cá e o outro raciocinava lá nunca foi segredo para ninguém. Pois agora, quando Serra postula a Presidência da República e Malan pretende-se apenas um debatedor ativo do processo eleitoral, ambos concordam que a manutenção de conquistas consolidadas é assunto que nem merece mais discussão, mas que a necessidade de mudanças é imperiosa. (...) (pág. 2)

(Informe JB - Ricardo Boechat) - De passagem pelo Brasil, anteontem, o diretor da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, Bruno Machado, deu boa notícia aos exportadores.

O preço do registro de marcas e patentes, em 55 países, caiu de US$ 100 mil para US$ 7,5 mil pelo sistema de Madrid.

Resta apenas o Brasil assinar o termo de adesão ao tratado, o que acontecerá nos próximos dias. (pág. 6)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Cresce no País o medo da violência

- O número de brasileiros que consideram a violência o principal problema do País duplicou em cerca de dois meses. Em dezembro, estava em 10%. Disparou para 21% em fevereiro, de acordo com o Datafolha.

O índice - medido desde 1996 - é um recorde. Atinge 27% entre os paulistas e chega a 29% entre os paulistanos.

Apesar da estabilização dos principais indicadores de violência, a onda de medo segue a explosão dos casos de seqüestro e episódios de grande repercussão, como os 53 dias de cativeiro do publicitário Washington Olivetto e o assissinato do prefeito Celso Daniel.

A violência ultrapassou preocupações como saúde e corrupção e está atrás apenas do desemprego, principal problema para 32% dos brasileiros.

O número de entrevistados que moram em residências onde há armas de fogo também aumentou. Subiu de 8% na pesquisa de junho de 1999 para 12% no atual levantamento.

De acordo com o Datafolha, 59% das pessoas têm mais medo que confiança na polícia.

A pesquisa aponta que a maioria dos brasileiros defende a pena de morte (51%), a prisão perpétua (72%) e a convocação do Exército para combater a violência (84%). (pág. 1 e C1)

- Um grupo de cinco homens armados e vestidos com coletes da Polícia Civil invadiu na madrugada de ontem o Cadeião de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) e pode ter resgatado pelo menos três detentos.

A quadrilha rendeu os carcereiros depois de ter dito que havia sido enviada para reforçar a segurança da muralha que cerca o cadeião. Antes da fuga, houve troca de tiros.

Segundo a polícia, durante a ação, os homens afirmaram ser integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). A informação foi negada pela direção da carceragem.

Pela manhã, uma unidade do Cadeião com 1.100 presos rebelou-se. A rebelião foi controlada pela Polícia Militar. Em uma primeira revista, foram encontrados pelo menos três presos feridos. (pág. 1 e A17)

- Sob pressão da CSN, o Itamaraty sugeriu aos EUA o aumento da cota brasileira para as exportações de placas de aço semi-acabadas. O fato revela que a posição do Brasil sobre o tema ainda não é definitiva - o País se satisfez com a possibilidade de elevar a exportação do produto para os EUA.

Para economistas, a restrição às importações de aço pelos EUA explicita o protecionismo que vem sendo praticado pelos países ricos. (pág. 1, B1, B3 e B4)

- Depois da apreensão de documentos em empresa da qual a presidenciável Roseana Sarney é sócia, os pefelistas transformaram José Serra (PSDB) de adversário político a inimigo a ser combatido. Roseana disse a políticos do PFL que seria mais importante se vingar de Serra do que ganhar a eleição presidencial. (pág. 1 e A12)

- Seis meses após os atentados de 11 de setembro, o presidente republicano George W. Bush começa a ser alvo de críticas e disputas internas. Apesar de ter perdido a imunidade a ataques, Bush mantém a alta taxa de popularidade. (pág. 1 e cad. Especial pág. 1)

EDITORIAL

"Certa incerteza" - Dois acontecimentos recentes interferiram no modo como vinha sendo conduzido o processo eleitoral. Na terça-feira, 26 de fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que, nas eleições de outubro, as coalizões de partidos em nível estadual não podem ser incompatíveis com as firmadas para a disputa da Presidência. Na quinta-feira, 7 de março, o PFL, alegando que sua pré-candidata ao Planalto fora vítima de perseguição política, formalizou o rompimento da aliança com o Governo de Fernando Henrique Cardoso.

Não há subsídios que por ora confirmem a hipótese, algo difundida, de que interesses eleitorais do presidenciável do PSDB, o senador José Serra, estejam por trás desses dois acontecimentos: é forçoso reconhecer, aliás, que a natureza de um nada tem a ver com a do outro, embora ambos exerçam influência nas perspectivas dos partidos.

A saída do PFL do Governo é um acontecimento significativo, seja do ponto de vista do histórico da legenda, seja do ponto de vista de sua importância no contexto da disputa pela Presidência. O partido foi sócio de primeira hora da coalizão que elegeu duas vezes e que por mais de sete anos deu sustentação a Fernando Henrique Cardoso. (...) (pág. A2)

COLUNA

(Painel) - FHC decidiu não entregar ao PMDB os ministérios deixados pelo PFL, apesar da pressão dos peemedebistas. Para não acirrar ainda mais os ânimos no partido de Roseana Sarney (MA).

* O Planalto acha que é quase impossível conseguir, mas fará esforços para, até abril, tentar trazer o PFL de novo para o primeiro escalão do Governo. Por enquanto, manterá interinos nas pastas da cota pefelista. (pág. A4)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Universidade já gasta mais de 90% da verba com pessoal

- Os gastos com ensino público no Brasil representam 5,1% do Produto Interno Bruto, mais do que em países como Alemanha e Japão. Não faltam, portanto, recursos para as universidades brasileiras, mas sim emprego eficiente deles. A folha de pagamento, por exemplo, representa nelas mais de 90% dos gastos.

Embora mão-de-obra seja o que há de mais caro na educação, a produtividade dos professores brasileiros é baixa. Para cada um deles, nas universidades federais, existem 11 alunos - a média nos 30 países mais desenvolvidos é de 18. "A distribuição dos recursos não tem nada a ver com a produção", critica Eunice Durham, do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da USP. O desinteresse por lecionar é outro problema: em geral a meta perseguida é a pesquisa de ponta, um modelo que prejudica a formação de profissionais e professores. (pág. 1 e A16 a A18)

- Dirigentes do PFL não têm dúvida de que a devassa da Polícia Federal em uma empresa da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, produziu enorme estrago eleitoral em sua candidatura presidencial. Já admitem, nos bastidores um "plano B" - nova aliança com os tucanos -, que setores do PSDB dizem estar arquivado. (pág. 1 e A4)

- O desempenho positivo das empresas paulistas em janeiro e fevereiro confirmou a expectativa de recuperação da economia no primeiro trimestre. A Fiesp até já alterou a previsão de crescimento neste ano, de 2,5% para pelo menos 3%. (pág. 1 e B4)

- As medidas protecionistas anunciadas pelo governo americano obrigam as siderúrgicas brasileiras a suspenderem investimentos que fariam em 2004 e 2005. Estão mantidas, porém, as aplicações em 2002 e 2003. (pág. 1, B1 e B3)

- O uruguaio Enrique Iglesias, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) há 14 anos, aponta evolução na economia do Brasil. Em Fortaleza, ele comanda a reunião anual do BID e defendeu investimentos no País. (pág. 1 e B5)

- Quatro anos depois de ter assumido a Arquidiocese de São Paulo, o cardeal d. Cláudio Hummes impõe o seu estilo deixa para traz a sombra do seu antecessor, d. Paulo Evaristo Arns. O atual arcebispo consegue prestígio também no Vaticano, onde influiu para a escolha de todos os seis bispos auxiliares que tomaram posse na semana passada. (pág. 1 e A14)

- A operação policial contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) em Sorocaba foi resultado mais visível da aposta da polícia paulista em formar setores especializados em monitorar o crime organizado. O sucesso da operação resultou do trabalho do ainda pouco conhecido Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância (Gradi). (pág. 1 e C3)

- Passados 52 dias do seqüestro do prefeito de Santo André, Celso Daniel, depoimentos tornam possível a reconstituição do crime e dos fatos. Tudo teve início na tarde do dia 18 de janeiro, na Favela Pantanal, divisa da capital paulista com Diadema. O bando tinha como alvo o empresário dono de uma picape F-350 vermelha que não foi encontrado. (pág. 1 e C4)

EDITORIAL

"Cartada eleitoral de alto risco" - Tendo escolhido ficar só, o PFL tornou-se mais vulnerável diante dos inimigos. Sem o manto de membro da aliança governista, estará nu como o rei da fábula. É duvidoso, portanto, que sua cartada eleitoral de alto risco favoreça a candidatura de Roseana Sarney. (pág. 1 e A3)

O GLOBO

- Sentenças suspeitas põem juízes do Rio sob investigação

- Uma rede formada por juízes, advogados e funcionários públicos está sendo investigada sob a suspeita de montar um verdadeiro balcão de negócios no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio, uma das mais importantes cortes do País.

"O Globo" publica a partir de hoje reportagens de Chico Otavio, Bernardo de la Peña e Renato Garcia que mostram como os juízes e advogados usam liminares para trancar ações e livrar os acusados da prisão, dão sentenças duvidosas em causas milionárias e participam de manobras processuais que desprezam a lei em favor de interesses privados, causando prejuízos aos cofres públicos.

Numa dessas sentenças, títulos do império passaram a valer R$ 1,3 bilhão e serviram para quitar dívidas com o INSS. Inquérito aberto pelo Ministério Público Federal, com seis volumes de documentos, aponta os juízes federais da segunda instância Antônio Ivan Athié, Francisco Pizzolante e José Ricardo de Siqueira Regueira como autores das decisões sob investigação. O objetivo é apurar se cometeram improbidade administrativa.

Dois advogados - Beline José Salles Ramos e José Francisco Franco Oliveira - são citados como os principais beneficiados pelas sentenças suspeitas. (...) (pág. 1 e 3 a 8)

- Pela primeira vez autoridades, ONGs e voluntários se uniram para combater o mosquito do dengue, que já contaminou pelo menos 70 mil pessoas no estado, na maior epidemia vivida pelo Rio.

Ontem, o Dia D foi marcado por forte mobilização popular e cerca de 550 mil pessoas foram às ruas: distribuíram panfletos com a lista de tarefas a serem cumpridas pela população, limparam 22 km de trilhos de trens e, com spray na mão, ensinaram às pessoas a se proteger do mosquito.

O ministro da Saúde, Barjas Negri, disse que a mobilização foi um sucesso e anunciou que a campanha passará a fazer parte do calendário anual do Ministério da Saúde em todo o País.

* A mais letal das epidemias de dengue sepultou sonhos e planos como os da dona de casa Linda Suzana Nunes, de 49 anos, que queria voltar a estudar, depois de ver formada a filha de 17 anos. "O Globo" reconstitui cinco histórias de vítimas da doença. (pág. 1 e 19 a 22b)

- A crise na base governista teve um grande beneficiário: Luiz Ignácio Lula da Silva. A avaliação é dos tucanos, mas pesquisa do Vox Populi também indica o crescimento do petista e a queda de mais de quatro pontos percentuais da pefelista Roseana Sarney. O tucano José Serra ganha por passar a ser o único candidato governista, mas será alvo do PFL. (pág. 1 e 9)

- Com as crises que atingiram a economia do País entre 1998 e 2001, os trabalhadores de classe média, que estão entre os 10% mais ricos da população, tiveram perda real de renda de até 22,4% em seis das sete maiores regiões metropolitanas, segundo o Dieese e o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. Já entre os 10% mais pobres houve ganho de até 31%. (pág. 2, 35 e 36)

- Cercados por um forte esquema de segurança militar e intimidados pelos ataques das guerrilhas, os colombianos vão às urnas hoje para escolher um novo Congresso.

Mas diante das denúncias de fraude e pressão das guerrilhas para eleger seus candidatos, as previsões são de que 36% a 44% dos 24 milhões de eleitores não vão votar. (pág. 2 e 43)

EDITORIAL

"Princípios" - Está feito o jogo. O PFL atendeu à imposição da sua candidata, Roseana Sarney, e rompeu a aliança de oito anos com o PSDB. No pano de fundo, está a politização de um ato judicial legítimo - o mandado de busca e apreensão de documentos nos escritórios da empresa Lunus, de Roseana e marido, Jorge Murad. E, assim, entra-se - e mal - na campanha para as eleições presidenciais. No meio desse tiroteio e de ameaças de golpes nem sempre elevados, é necessário respirar fundo e manter a serenidade para estabelecer alguns princípios. (...) (pág. 6)

COLUNAS

(Panorama Político - Diana Fernandes) - A crise política da semana que passou deixou duas verdades quase que incontestáveis: a pefelista Roseana Sarney fez tudo errado e o tucano José Serra fez pelo menos um gol. Pelas pesquisas, quantitativas e qualitativas, a real dimensão dos últimos acontecimentos ainda não foi verificada e medida pela sociedade. Mas já mostram o movimento do eleitorado, embora discreto. (...) (pág. 2)

(Ancelmo Góis) - FH só deverá substituir os ministros do PFL, daqui a três semanas, para fazer uma reforma ministerial numa só tacada, já que os outros ministros políticos têm que se desincompatibilizar.

* Cerca de 60 crianças com menos de 12 anos foram recolhidas, ano passado, pelo Juizado de Menores do Rio por envolvimento com tráfico de drogas.

O número parece confirmar a pesquisa da OIT, que diz que 2,5% dos menores recrutados pelo tráfico têm apenas 8 anos. Como o Estatuto das Crianças não admite punição para menores de 12 anos, este tipo de guri é levado ao tráfico quase sempre pelas mãos dos pais.

* No Ceará, as prostitutas são treinadas pelas autoridades da saúde a identificar clientes com hanseníase: a lepra dos tempos bíblicos. A idéia pode ser estendida a outros estados. Acredite. A doença, hoje de fácil cura, está crescendo cerca de duas vezes mais do que a Aids no Brasil: são 45 mil novos casos, por ano, contra 20 mil de Aids. (pág. 16)

CORREIO BRAZILIENSE

- O endereço da dengue

- A rua com maior número de casos de dengue confirmados no Distrito Federal fica em São Sebastião. Distante 26 quilômetros de Brasília, a cidade enfrenta desde janeiro uma epidemia da doença. (...)

O secretário de Saúde, Jofran Frejat, admite que a epidemia em São Sebastião era previsível. No ano passado, a cidade foi a terceira colocada em número de casos. Mas ele responsabiliza a população, que não teria colaborado com as campanhas do governo.

O secretário reconhece que podem surgir mais casos de dengue hemorrágica. Até agora, houve duas mortes com diagnóstico confirmado da forma mais grave da doença. Outras seis são investigadas.

O DF já teve mais mortes por dengue hemorrágica do que Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Pará, Bahia, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. (pág. 1 e 6 a 9)

- Cientistas políticos estimam que a crise do PFL vai beneficiar, num primeiro momento, o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva - que deverá ter melhor desempenho nas pesquisas. Enquanto isso, os pefelistas aos poucos deixam seus cargos no Governo. O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, se afasta esta semana. (pág. 1 e 19 a 21)

- Dos 550 mil índios que o Brasil tem, mais de 150 mil migraram paras as cidades em busca de emprego e educação. Nelas, se misturam e são confundidos com a população local. Moram em favelas e vivem de bicos. (...) (pág. 1 e 12)

- A maneira distinta como caminham os colombianos, olhando para ver se alguém os está seguindo, pode causar estranheza àqueles que não conhecem a triste realidade do país. São seqüestradas, em média, dez pessoas todos os dias. A Colômbia é recordista nesse tipo de crime: 75% dos seqüestros mundiais dos últimos cinco anos aconteceram ali. (...) (pág. 24)

ZERO HORA

- As águas de março provocaram a primeira grande avaria na candidatura da governadora Roseana Sarney, estrela em ascensão até os últimos dias de fevereiro. Antes da divulgação das primeiras pesquisas já se constata que Roseana encolheu e hoje é a principal adversária de si mesma.

À imagem de uma mulher dinâmica que venceu a morte várias vezes, agora se sobrepõe a de uma mulher acuada por suspeitas que deverão pautar a campanha eleitoral e pelo fantasma de R$ 1,39 milhão apreendido em seu escritório, numa operação que o PFL diz ter sido engendrada pelo Palácio do Planalto. (pág. 6)

- Poderoso, prepotente, manipulador, ardiloso. Tudo o que os inimigos diziam até agora de Jorge Murad, marido da governadora Roseana Sarney, abarrotaria uma lista de clichês depreciativos. O que eles dizem saber além dos adjetivos, mais ainda não revelaram, transformaria Murad na perigosa parte exposta do fio da meada maranhense, das relações suspeitas dos Sarney com envolvidos em desvios de verbas e corrupção.

Roseana e sua candidatura à Presidência ficariam enredadadas numa gigantesca maçaroca. As investigações contra a Lunus, a empresa de Murad e Roseana, teriam puxado apenas a ponta do fio. Na carona da ofensiva da Justiça, os adversários do poderoso Murad, gerente de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do governo da mulher, que controla tudo, do orçamento do estado aos conchavos políticos, prometem mais. (pág. 5)

- O novo mapa do narcotráfico internacional assinala contornos sombrios sobre o território brasileiro. Estudos produzidos pelo governo dos Estados Unidos e divulgados nos últimos dias transformam o País em um dos principais vilões no mundo das drogas. Pelos relatórios, o Brasil assume a segunda posição em consumo de cocaína no planeta, figura na lista de nações com maior trânsito de drogas e revela-se um dos países da América do Sul com maior produção de entorpecentes.

Uma das explicações para essa ascensão brasileira - a exemplo de outros países do Terceiro Mundo - é a queda no uso de drogas na Europa e nos EUA. Documento elaborado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton assinalou a queda pela metade no consumo de cocaína em 2000 entre os norte-americanos, que aspiravam cerca de 500 toneladas ao ano. (pág. 34 e 35)

MANCHETES

CORREIO DA BAHIA

- Classe média brasileira empobreceu 22,4%

O DIA (RJ)

- Exército corta vale-transporte

ZERO HORA (RS)

- Candidatura de Roseana perde fôlego

REVISTAS

VEJA

TÍTULO DE CAPA

- A candidata que encolheu

* Roseana caiu 5 pontos em uma pesquisa de intenção de voto;

* Nenhuma das 100 maiores empresas brasileiras guarda 1,3 milhão de reais no cofre;

* Documentos no escritório da governadora ligam sua empresa a suspeitos de fraudes na Sudam;

* Usimar: o megaescândalo teve o dedo de Murad e a bênção de Roseana.

A candidata afundou - Roseana convenceu o PFL a sair do Governo. Agora, precisa convencer o eleitor de que nada tem a ver com as fraudes na Sudam. (pág. 36 a 41)

O novo show do milhão - Descoberta de 26.800 notas de 50 reais num cofre de Murad leva à pergunta que não quer calar: afinal, de onde veio essa dinheirama? (pág. 42 a 45)

A família de 125 milhões de reais... e um genro - Dois impérios do Maranhão, os Sarney e os Murad, aparecem unidos na suspeita de fraudar a Sudam. (pág. 46 a 51)

A fraude está até na placa - Roseana e Murad trabalharam para conseguir dinheiro público para a Usimar, o megaescândalo da Sudam que teria sido a fábrica de autopeças mais cara do mundo. (pág. 52 a 54)

ISTOÉ

TÍTULO DE CAPA

- Exclusivo: grampos, chantagem e baixarias - Os bastidores da guerra suja entre Roseana e Serra.

Duplo haraquiri - A espionagem sobre a governadora Roseana Sarney levou o PFL a romper com o Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O escândalo e a surpreendente atitude da cúpula pefelista fez o senador José Serra, candidato do PSDB, repensar sua estratégia de campanha. Acuado pela violenta reação dos Sarney, pai e filho, o Governo tenta administrar a crise, que já bateu na ante-sala do Presidente. Os boatos de sexta-feira sobre dossiês bombásticos, renúncias, novas alianças, reforma ministerial, fim antecipado do Governo FHC atingiram o mercado financeiro que, como sempre, reagiu com mais e mais especulação. (pág. 24 a 28)

O Governo reage - Polícia mata 12 em confronto com o PCC, prende assassinos de Celso Daniel, mas ainda há muito a fazer. (pág. 44 a 47)

Atentado contra o aço - Para agradar correligionários, o presidente George W. Bush dificulta importações e provoca reações iradas no mundo todo. (pág. 64 e 65)

Melhor, impossível - Lucros dos 31 maiores bancos do País cresceram 110% em 2001. (pág. 66 a 67)

Inverno de sangue - Americanos lançam Operação Anaconda para cercar e aniquilar os remanescentes da Al-Qaeda e do Talibã e sofrem as mais pesadas baixas em cinco meses de campanha militar. (pág. 72 a 74)

ÉPOCA

TÍTULO DE CAPA

- Exclusivo: Segredos revelados - Novos indícios e negócios suspeitos no inquérito que Roseana Sarney pediu para manter em sigilo.

Pedro Simon: Tem de ir até o fim - O senador defende a apuração das denúncias contra Roseana e diz que o Ministério Público está fazendo História. (pág. 13 a 17)

O lugar da crise é aqui - Roseana Sarney é inocente até prova em contrário, mas o País quer saber mais sobre a bolada de R$ 1,3 milhão. (pág. 28 e 29)

Por dentro dos envelopes - O que há nos documentos mantidos sob sigilo por Roseana Sarney. (pág. 30 a 35)

O fim do casamento - Roseana sente o golpe, perde 5 pontos numa pesquisa do Vox Populi, mas mostra força ao levar o PFL para fora do Governo. (pág. 38 e 39)

Fronteira quente - Tiros contra soldados brasileiros e intimidação de índios deixam o País mais perto de se envolver na guerra civil colombiana. (pág. 76 e 77)

DINHEIRO

TÍTULO DE CAPA

- Olavo volta por cima - Ele comanda o Grupo Monteiro Aranha, que trouxe a Volks e a Peugeot ao Brasil, mas andava recluso desde que perdeu US$ 120 milhões no Banco Boavista. Agora, com R$ 100 milhões em caixa, prepara uma nova investida. Seu alvo: negócios inovadores em energia e saneamento.

"O Brasil começou a acordar" - Presidente do Iedi diz que, depois de muitos anos preocupado apenas com a estabilidade, o Governo decidiu abraçar políticas de desenvolvimento. (pág. 22 a 24)

O príncipe lobista - Herdeiro da realeza britânica veio ao Brasil lutar pelo caça da Gripen. (pág. 28 a 30)

O custo PFL - Racha na base governista assusta o mercado financeiro e atrasa votações, mas o estrago econômico é muito menor do que o previsto. (pág. 32 e 33)

Guerra fria - Nova postura americana congela as relações Brasil-EUA. (pág. 34 e 35)

O estrago do tarifaço - Bush taxa importações em 30%, causa dano de US$ 100 milhões ao Brasil e detona reação global. (pág. 36)

Os embaixadores privados - Empresas contratam diplomatas e tentam convencer o Itamaraty a ter negociadores profissionais nas disputas externas. (pág. 38 e 39)

Vizinhos à deriva - Países da América Latina afundam e descobrem que o Brasil pode ser o salva-vidas. (pág. 44 e 45)

A nova investida de Olavo - R$ 100 milhões em caixa para a construção de pequenas hidrelétricas. (pág. 52 a 54)

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

Consulte a homepage da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

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