|

14/01/2002
JORNAL DO BRASIL - Duhalde recebe FMI com crítica - Uma missão do Fundo Monetário Internacional começa hoje a analisar a extensão da crise na Argentina. A chegada da missão a Buenos Aires está cercada de animosidade. Ontem, em entrevista concedida aos principais jornais do país, o presidente Eduardo Duhalde criticou a atuação do Fundo. Ele disse que "O FMI receita sempre o mesmo remédio para qualquer doença" e que os limites de saques bancários impostos à população são "uma bomba-relógio difícil de ser desativada". Duhalde minimizou os efeitos de uma possível onda de falências de bancos. "O sistema financeiro suporta a quebra de um par de bancos. Isso já aconteceu antes", afirmou. (pág. 1 e 10) - Fernando Henrique negou ontem, indiretamente, que tenha patrocinado a candidatura do ministro Raul Jungmann, do PMDB, ao Planalto. "Sou presidente , não sou xerife da esquina. Quem quiser ser candidato que seja", disse. O Presidente, que está em Moscou, negou também o envolvimento de José Serra na articulação: "O Serra nem sabia de nada". Fernando Henrique tentou ainda desfazer rumores de que Tasso Jereissati e Roseana Sarney teriam feito intrigas contra a candidatura do ministro da Saúde . "Nem Tasso nem Roseana vão se prestar a quarteto para intrigas", afirmou, referindo-se à reportagem de ontem do "JB" que falava num quarteto nordestino - formado pelos dois, mais José Sarney e Antonio Carlos Magalhães - contrário a Serra. (pág. 1 e 3) - (Moscou) - O presidente Fernando Henrique Cardoso negou ontem, em Moscou, que esteja interferindo na sucessão, respondendo indiretamente aos que vêem seu dedo no lançamento da pré-candidatura do ministro Raul Jungmann no PMDB. "Sou presidente, não sou xerife da esquina. Acho que estamos na etapa sem flores. Quem quiser ser candidato que seja", disse. Ele procurou esvaziar os comentários sobre brigas na base do Governo por causa da disputa presidencial. "Precisamos de menos suposição e mais informação. O que é plausível é o que aconteceu", afirmou, negando também que o ministro da Saúde, José Serra, teria articulado o nome de Jungmann pelo PMDB. "O Serra nem sabia de nada". (pág. 1 e 3) - Principal filão da aviação comercial brasileira, a ponte aérea Rio São Paulo terá mais uma concorrente. O Departamento de Aviação Civil estuda autorizar a Gol a operar vôos entre as duas capitais a partir de fevereiro. O presidente da empresa, Constantino de Oliveira Jr., promete servir "omelete em vez de caviar" para reduzir o preço das passagens (pág. 1 e 11) - Três anos de negociações entre o governo colombiano e o principal grupo rebelde do país foram por água abaixo ontem. As Forças Armas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não responderam ao ultimato dado por Andrés Pastrana para voltar à mesa de negociações, e o presidente, por sua vez, rejeitou a contraproposta dos guerrilheiros. Dois mil soldados já estão posicionados ao redor da zona neutra, que a milícia ocupa desde novembro de 1998. (pág. 1 e 8) - Antes de embarcar para a Rússia, o presidente Fernando Henrique fez uma visita especial. Foi à casa do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), no sábado à tarde. Era bem mais do que uma visita de cortesia. No encontro, FH desautorizou ataques de tucanos à filha do senador, a governadora e presidenciável Roseana Sarney, do PFL. Para tentar manter o bom nível de convivência com o clã Sarney e com o PFL, o Presidente enfatizou a importância da candidatura Roseana para jogar por terra a idéia de invencibilidade do PT. Idéia esta que se consolidava até os idos do fim do ano passado. (pág. 3) EDITORIAL "Liberdade Vigiada" - (...) A preocupação do Planalto se justifica. Existem denúncias concretas sobre combinação de preços em cidades como Goiânia, Vitória e Teresina. E é estranha coincidência a margem de lucro e 15%, adotada por ampla maioria dos postos. O setor de combustíveis teve os preços controlados por mais de 50 anos. É lamentável que a ganância de uns poucos ponha em risco a experiência histórica da liberação, que se segue ao fim do monopólio da Petrobras. Mas, de outro lado, vale lembrar que regimes de mercado têm pouco a ver com limites de preços previamente traçados. Cartéis devem ser combatidos, mas preço não é dogma. (pág. 6) COLUNA (Teodomiro Braga) - A farra de abusos no horário eleitoral gratuito pelo rádio e pela televisão, inaugurada ano passado pela propaganda foram do prazo da candidatura da governadora Roseana Sarney (PFL), está com os dias contados. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por alguns de seus integrantes, deu sinais de que vai endurecer no cumprimento das regras da propaganda eleitoral. A ordem na bagunça, porém,, ainda vai demorar um pouco e não incluirá o desvirtuamento do horário destinado aos partidos, com o seu uso para divulgação de candidatos. Iniciada pelo PFL, com o lançamento de Roseana, a prática virou moda - e mancha - das eleições de 2002. Seguido pelo PSB em dezembro, o recurso garantiu alguns pontos a mais nas pesquisas ao governador Anthony Garotinho. (...) (pág. 2) FOLHA DE SÃO PAULO - Base aliada precisa manter 'espírito de coligação', diz FHC - (Moscou) - O presidente Fernando Henrique Cardoso avaliou em Moscou que ainda não há candidatura consolidada e afirmou que trabalhará para manter o "espírito de coligação". Em entrevista no Kremlin, onde ficará hospedado até quarta-feira, FHC negou que a pré-candidatura do ministro Raul Jungmann tenha sido articulada pelo Planalto para favorecer José Serra: "Não sou xerife da esquina, para dizer 'você pode, você não pode'." No Brasil, o PPS retomou as negociações para a reintegração do PDT à aliança que apóia a candidatura de Ciro Gomes à Presidência. * A Rússia, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, defendeu vaga para o Brasil no órgão. (pág. 1 e A4) - O Governo vai arrecadar apenas a metade dos R$ 6 bilhões que esperava conseguir com o pagamento do Imposto de Renda não recolhido pelos fundos de pensão no passado, de acordo com a Secretaria de Previdência Complementar. A diferença deve levar a mais cortes no Orçamento deste ano. Já era esperada redução de cerca de R$ 1,67 bilhão em decorrência da perda de arrecadação com a correção da tabela do IR em 17,5%. (pág. 1 e A5) - O presidente colombiano, Andrés Pastrana, rejeitou a última proposta de negociação das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Os guerrilheiros anunciaram que vão deixar a zona desmilitarizada entregue em 1998, em cumprimento a ultimato de Pastrana, que vence hoje. A guerrilha propôs a entrega pacífica da área de 42 mil km², mas afirmou que continuará "utilizando todas as formas de luta pelas mudanças". (pág. 1 e A9) - O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, disse que o sistema financeiro do país suportaria a quebra de "alguns" bancos. "O importante é que não arraste o sistema todo." Ele classificou o "curralzinho", o limite para saques nos bancos, como uma bomba-relógio, difícil de ser desarmada, e que provocará perdas para todos se explodir. (pág. 1 e A7) - Armínio Fraga, presidente do BC, dará conselho ao governo argentino sobre desvalorização. (pág. 1 e A8) EDITORIAL "Os novos imigrantes" - A radiografia do fluxo migratório para São Paulo na década de 90, realizada pela Fundação Seade, com base no Censo Populacional de 2000, deveria servir de alerta para as autoridades do estado. O trabalho identificou a triplicação do número de imigrantes em relação à década de 80. De um período para o outro, o saldo migratório anual passou 50,5 mil para 147,4 mil. (...) Não é coincidência que, em cidades que incham nas proximidades da capital, é notória a deterioração urbana. Nem que, em Campinas, a violência se integrou ao cotidiano na crescente zona de ninguém que se espalha em volta da cidade. Os problemas, é óbvio, não são provocados pela imigração em si mesma. Falta sobretudo uma política consistente de desenvolvimento para as regiões metropolitanas. (pág. 1 e A2) COLUNA (Painel) - O PFL ofereceu ao governador Itamar Franco (apoio à sua candidatura à reeleição em Minas Gerais. Em troca, o ex-presidente apoiaria a maranhense Roseana Sarney (PFL) na disputa presidencial. Itamar ficou de pensar no assunto. * O PFL mineiro já decidiu que não irá apoiar um candidato tucano ao governo estadual, a não ser que o PSDB fique ao lado de Roseana na sucessão. Caso não vingue o acordo com Itamar, o PFL lançará Roberto Brant (Previdência Social) ou Clésio Andrade (CNT) ao governo de MG. (pág. A4) O ESTADO DE SÃO PAULO - Rússia apóia Brasil no Conselho de Segurança da ONU - A Rússia apoiará hoje oficialmente a reivindicação do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. De acordo com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em visita ao país, o gesto da Rússia marca sua "parceria estratégica" com o Brasil. O anúncio foi feito ontem pelo Presidente em entrevista coletiva no Kremlin, depois de desembarcar em Moscou, onde ficará três dias. "Em comunicado conjunto, que vamos apresentar, pela primeira vez uma das cinco potências com direito a veto no Conselho dirá que vê com bons olhos a participação do Brasil", celebrou o Presidente. "Isso é muito significativo." O apoio russo será formalizado em uma declaração que os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Vladimir Putin assinam hoje no Kremlin, às 14h (9h em Brasília). O avião do Presidente, um Airbus 330 fretado da TAM, pousou às 16h10 (11h10 de Brasília), sob uma neve fina e temperatura de zero grau, na base aérea de Vnukovo 2, em Moscou. É a primeira visita oficial de um presidente brasileiro à Rússia, o que significa hospedar-se no Kremlin e seguir todo o protocolo de viagem de Estado. José Sarney e Fernando Collor realizaram visitas de trabalho e o próprio Fernando Henrique esteve no País em 1994, como presidente eleito. (pág. 1 e A4) - A Colômbia começou a viver ontem clima de guerra civil total, depois que o presidente Andrés Pastrana se recusou a dilatar o prazo para que os guerrilheiros das Farc abandonem a zona desmilitarizada, numa guerra que já custa 3.500 vidas por ano. (pág. 1 e A10) - O príncipe Harry, de 17 anos, filho caçula da princesa Diana, foi enviado por seu pai, o príncipe Charles, a uma clínica de reabilitação depois de confessar ter usado maconha em festas na residência real. Charles foi avisado por um funcionário que sentiu o cheiro da erva. (pág. 1 e A12) - Para evitar uma explosão tarifária, o preço da energia das usinas estatais já amortizadas será reduzido, compensando o alto custo das novas usinas privadas. Isso evita o encarecimento da energia e mantém estímulos ao capital privado. (pág. 1 e B12) - Sete em cada dez funcionários temporários, contratados no Natal, foram efetivados como permanentes, tiveram os contratos prorrogados ou terceirizaram seus serviços. Esse é o resultado do bom movimento das vendas neste início de ano em São Paulo. (pág. 1 e B4) - Represas hidrelétricas podem emitir mais poluentes do que usinas de carvão, segundo a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As causas: a decomposição da mata submersa, a ação de algas que emitem CO2 e os dejetos trazidos por rios e pela chuva. (pág. 1 e A8) - A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) registou no exame de ontem a menor abstenção em 15 anos. Dos pleiteantes a uma vaga, somente 5,28% faltaram à prova - índice mais baixo desde 1987. A segunda fase do vestibular segue até quarta-feira. (pág. 1 e A8) - Em vez de esperar o poder público, o Movimento Colméia SP, da Vila Olímpica, está agindo: arrecadou R$ 6 milhões para troca de semáforos e sinalização das ruas. Levantou também verbas para manutenção dos carros da PM que operam na região. (pág. 1 e C1) - Os tribunais federais de pequenas causas começam a funcionar hoje em 14 cidades brasileiras. Nos primeiros 6 meses, a maior parte dos Juizados Especiais da Justiça Federal vai julgar apenas processos previdenciários, como revisão de aposentadorias. (pág. 1 e A7) EDITORIAL "O papel do Estado" - Na semana passada, o presidente Fernando Henrique expôs a sua concepção sobre o papel do Estado. Afinal, a falência do Estado e a erosão das instituições levaram a Argentina ao desastre. (pág. 1 e A3) O GLOBO - Presidente argentino diz que confisco é uma bomba-relógio - O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, afirmou que o confisco dos depósitos bancários da população é uma bomba-relógio armada e que sua principal missão é desativá-la. Ele reconheceu a rigidez das novas regras, que congelaram a maior parte dos saldos em dólares por pelo menos um ano e paralisaram a economia, agravando a recessão e enfurecendo os correntistas, a quem deu razão pelos panelaços da semana passada. Segundo Duhalde, o sistema financeiro argentino até suportaria a quebra de alguns bancos, mas há risco de que a falência de uns arraste todo o setor bancário. Para ele, os bancos estrangeiros são os mais vulneráveis e os estatais oferecem mais segurança. Na Rússia, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que, mesmo com a piora da crise econômica e social argentina, o Brasil está livre do risco de contágio. (pág. 1 e 17 a 19) - O presidente Fernando Henrique Cardoso avisou ontem, em Moscou, que não vai interferir na escolha dos candidatos dos partidos da aliança governista à Presidência. "Não sou xerife da esquina para dizer que você pode, você não pode", disse Fernando Henrique. O Presidente, no entanto, insistiu na importância de um candidato único da aliança. No Rio de Janeiro, Ciro Gomes e Leonel Brizola voltaram a negociar. (pág. 1 e 3) - O Governo tentará hoje, em reunião com donos de postos e distribuidoras de combustíveis, reduzir as margens de lucro do setor para forçar a queda dos preços da gasolina para o consumidor. Já o Ministério da Justiça quer apressar os convênios com os ministérios públicos estadual e federal para investigar a formação de cartéis no setor. (pág. 1 e 21) - O presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), manifestou ontem a disposição de trabalhar pela alteração da medida provisória que regulamenta a correção da tabela do Imposto de Renda em 17,5%. Tebet não escondeu sua insatisfação com ao decisão do Governo de aumentar, na medida provisória, a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) paga por prestadores de serviço, além da perpetuação da alíquota de 27,5% para contribuintes que ganham acima de R$ 2.115,01. "Ficou muito chato o que o Governo fez. Ao vetar um projeto aprovado e baixar a MP, o Governo ultrapassou o que o Congresso pretendia. Esse veto vai ser muito bem discutido", advertiu Tebet. (2 e 4) - A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) divulgou ontem nota criticando os vetos do presidente Fernando Henrique Cardoso à nova lei de antidrogas e sugerindo aos juízes um meio de aplicar penas alternativas aos usuários. A Ajufe diz que o veto aos artigos 21 e 25, que previam penas alternativas aos usuários de drogas, vai prejudicar o trabalhos dos juízes. "Esses vetos acabaram sendo mais um ônus do que um bônus. É a demonstração de uma visão muito desconfiada do trabalho dos juízes", disse o presidente da Ajufe, Flávio Dino. A explicação do Governo para os vetos é a falta de parâmetros para o tempo das penas e a falta de detalhamento dos casos em que elas deveriam ser aplicadas. (pág. 4) - A Colômbia está mais perto do que nunca de um conflito armado depois que as Farc, principal organização guerrilheira do país, abandonaram ontem o processo de paz. O presidente Andrés Pastrana mobilizou as Forças Armadas e deu prazo até hoje para os rebeldes deixarem a zona desmilitarizada que ocupam no sul. (pág. 1 e 22) - A primeira-dama e secretária de Ação Social, Rosinha Matheus, ainda não anunciou oficialmente sua candidatura ao governo do estado, mas o PSB já elaborou um slogan para sua candidatura: "Não basta ser mulher, tem que ser Rosinha". Se for candidata, Rosinha terá entre os adversários outra mulher, a vice-governadora Benedita da Silva (PT). (pág. 2 e 4) - O deputado estadual Paulo Pinheiro (PT) irá á Justiça para corrigir os valores do IPVA 2002. Análise feita por uma empresa de consultoria mostra que a tabela deste ano tem distorções e garante redução de 93,6% no valor do imposto de veículos importados ou nacionais de luxo. A Secretaria de Fazenda afirma que não há erros nos valores. (pág. 2 e 13) EDITORIAL "Com limite" - Greves de servidores públicos no Brasil podem se estender por vários meses, como aconteceu em 2001 nas universidades federais, no INSS e em algumas áreas do Sistema Único de Saúde. Tais greves acabam se degenerando, pois os próprios comandos dos movimentos de paralisação não conseguem manter os grevistas mobilizados, e com o passar do tempo tudo passa a ser decidido por um pequeno número de ativistas, nem sempre refletindo a posição da maioria dos servidores. (...) O Governo agiu então corretamente ao enviar para o Congresso um projeto de lei que visa a evitar abusos desse direito como os cometidos em 2001. Trata-se de defesa do interesse público. (...) (pág. 6) COLUNAS (Panorama Político - Diana Fernandes) - Logo depois da reabertura dos trabalhos do Congresso, o presidente da Câmara, Aécio Neves, quer promover uma reunião com grandes empresários e líderes partidários para marcar a retomada da discussão sobre a reforma tributária. É fato que Governo e Congresso não querem reformular este ano o sistema tributário. Mas alguma coisa poderá ser feita. Até para constar da biografia de FH. (...) (pág. 2) (Ancelmo Gois) - A ponte aérea de remédios do Brasil rumo à Argentina será restrita. O Ministério da Saúde não tem condições, a curto prazo, de enviar medicamentos de combate à Aids. Estuda-se a possibilidade de aumentar a produção de genéricos para ajudar o país vizinho a controlar a doença. * Levantamento do Conselho Estadual Antidrogas mostra que houve um aumento de 561,60% no número de dependentes que procuraram a instituição nos últimos três anos. A maioria (3.479) com problemas com cocaína e álcool. (pág. 12) GAZETA MERCANTIL - (Buenos Aires) - A equipe econômica argentina passou o fim de semana estudando forma de flexibilizar a retenção das aplicações financeiras da população, o chamado "corralito", que praticamente congelou a já estagnada economia do país. O governo pretende, entre outras medidas, ampliar a "pesificação" das aplicações em dólar retidas. Hoje, somente saldos até US$ 3 mil podem ser convertidos em pesos e transferidos para as contas correntes, em que o limite de saque é de até 1,5 mil pesos mensais para contas-salário e 1,2 mil pesos para as outras contas. O governo quer também permitir o uso de cartas de crédito correspondentes aos valores presos para a compra de imóveis e automóveis. O objetivo das medidas é destravar a economia, paralisada por absoluta falta de dinheiro em circulação. (...) (pág. 1 e A-12) - (Moscou) - O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou ontem a Moscou com o objetivo de dobrar o comércio entre os dois países este ano, atingindo US$ 3 bilhões. O primeiro passo já foi dado. No ano passado o País aumentou vendas para a Rússia de seus produtos tradicionais, como açúcar e carne de porco. Mas agora quer mais: exportar produtos industrializados e com maior grau de tecnologia. "Nós melhoramos muito, mas precisamos sair do tradicional e mostrar nosso interesse em mudar para exportações com maior valor agregado, e os russos estão interessados nisso, em aviões, em transferência de tecnologia", disse ao chegar ao Kremlin, onde ficará hospedado. Fernando Henrique disse que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai propor uma vaga para o Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. E ressaltou que será o primeiro apoio enfático de uma das cinco potências do Conselho com direito a veto. O Presidente não perdeu a oportunidade para mandar um recado aos políticos nacionais que fazem pressão para que ele indique o candidato a sua sucessão. "Sou presidente, não sou xerife da esquina, para dizer você pode, você não pode". (pág. 1 e A-4) - (Brasília e São Paulo) - As bases para negociação de energia elétrica não vão mudar com a substituição do Mercado Atacadista de Energia (MAE) pelo Mercado Brasileiro de Energia (MBE). As questões que travaram o andamento dos negócios de curto prazo serão alteradas, mas o conjunto básico, mantido. O textos que regulamentam as mudanças foram concluídos neste final de semana pelas equipes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Casa Civil. Hoje, serão submetidos à Advocacia Geral da União (AGU). Um participante das discussões também adiantou que os agentes do mercado serão acionistas da superintendência do MBE, como ocorria com a Asmae, braço operacional do extinto MAE. (pág. 1 e A-6) - (Genebra) - Uma missão brasileira vai tentar hoje em Washington impedir a criação de mais uma sobretaxa ao aço, como resultado de iniciativas protecionistas nos Estados Unidos. Os produtos siderúrgicos brasileiros já são sobretaxados numa faixa que vai de 6% a 142%. Se a taxação aumentar, restringindo o mercado americano, Europa e Japão podem tentar impedir que o aço brasileiro entre em seus territórios. (pág. 1 e A-4) CORREIO BRAZILIENSE - Avibrás ameaça monopólio da Embraer - A Avibrás, fabricante brasileira de foguetes e mísseis, assina está semana em Moscou um acordo de cooperação tecnológica com a indústria russa Rosboronexport. A aliança das duas empresas permitirá a produção dos caças Sukhoy 35 em São José dos Campos, caso o aparelho vença a concorrência de US$ 700 milhões aberta pelo Comando da Aeronáutica para escolher o sucessor dos velhos Mirage IIIEBr da Base Aérea de Anápolis. O Sukhoy 35 é considerado o melhor avião do mundo em sua categoria e, caso seja o escolhido, a Avibrás quebrará a hegemonia da Embraer no fornecimento de jatos militares para a Força Aérea Brasileira. O curioso em tudo isso é que, antes de se aproximarem da Avibrás, os diretores da Rosboronexport tentaram diversas vezes conversar com a direção da Embraer, mas não foram recebidos pelo presidente da empresa brasileira, Maurício Botelho. (pág. 1 e 9) - A cidade de São Paulo está em estado de alerta por causa das chuvas insistentes desde a madrugada de ontem. Interrupção de tráfego e alagamentos foram alguns dos problemas enfrentados pelos paulistanos. Faixas inteiras da Marginal Tietê e da Marginal do Pinheiros ficaram intransitáveis. No Nordeste, as fortes chuvas que há semana atingem o município maranhense de Imperatriz (624 km de São Luís) já deixaram 3 mil desabrigados. A cidade está em estado de calamidade pública. O nível de água do Rio Tocantins - que cruza a periferia do município - permanece oito metros acima do normal. Prefeitura e empresas privadas ajudam as vítimas abrigadas em ginásios. O Tocantins continuou sendo castigado pelas chuvas neste final de semana. A Defesa Civil aponta calamidade pública nos municípios de Arraia, Miranorte e Rio dos Bois. No Acre, as fortes chuvas que atingiram o leste do estado na semana passada deixaram em alerta as populações ribeirinhas de Brasiléia, Assis Brasil e Xapuri. Famílias inteiras já deixaram área próxima ao Rio Acre, que continua com volume incomum. Hoje, chuvas dominam a previsão do tempo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. (...) (pág. 3) - Cidades próximas a Brasília estão se transformando em território onde a única lei é a do crime. Assaltos à luz do dia viraram rotina, com jovens exibindo armas à espera de um conflito com rivais. O "Correio" visitou as sete localidades mais violentas entre os municípios próximos ao Distrito Federal e publica hoje e amanhã o perfil dessas regiões. (pág. 1, 6 e 7) - Eduardo Duhalde gostaria de pôr fim ao esquema de restrição aos saques, que já derrubou dois presidentes. Mas, em sua primeira entrevista aos jornais argentinos, diz que não pode fazê-lo sob risco de quebrar o sistema bancário do país. O "corralito", segundo ele, transformou-se em uma "bomba-relógio" que precisa ser desativada com cautela. (pág. 1 e 10) JORNAL DE BRASÍLIA - Tráfico de drogas avança - Levantamento da Polícia Civil revela que a Ceilândia é o principal endereço dos traficantes do DF e que só a venda de merla, subproduto da cocaína, movimento R$ 17 milhões por ano. (pág. 1 e 3) - As posses de novos administradores regionais, semana passada, marcaram o início das reformas que o governador Roriz vai fazer na estrutura do GDF em 2002. As mudanças visam melhorar o desempenho da máquina do governo é fortalecer sua base política. (pág. 1 e 4) - O debate sobre a guarda do filho da cantora Cássia Eller, Chicão, provisoriamente entregue à sua companheira, intensificaram em todo o País os debates sobre os direitos dos casais homossexuais no Brasil. (pág. 1 e 13) ZERO HORA - A taxa de crescimento dos veículos em circulação no estado aumentou, de 1988 a 2001, oito vezes mais do que a taxa de crescimento da população. A frota subiu, em 13 anos, de 1,58 milhão para 3,19 milhões de veículos - 101%. No mesmo período, a população gaúcha aumentou de 8,8 milhões para 10,1 milhões de habitantes - uma taxa de 13%. Em Porto Alegre, a média já é de um carro para cada 2,2 pessoas. O resultado deste acréscimo sem as devidas adaptações viárias é o congestionamento cada vez maior no trânsito. (pág. 22) - A comissão organizadora do Fórum Social Mundial (FSM), que ocorre de 31 de janeiro a 5 de fevereiro, passa a trabalhar em Porto Alegre a partir de hoje. São esperados 60 mil participantes para o evento. Em entrevista para divulgar a participação do governo na preparação do fórum, o governador em exercício, Miguel Rossetto, disse ontem que o estado investirá R$ 2,35 milhões no evento. Há quatro dias, o prefeito da capital, Tarso Genro, havia anunciado um investimento de R$ 818 mil dos cofres da prefeitura. Rossetto apresentou cálculos que estimam em R$ 23,5 milhões o valor deixado por visitantes nacionais e internacionais na capital. (pág. 6) - Empresários gaúchos prevêem que a instabilidade econômica na Argentina ainda terá grande peso na balança comercial brasileira em 2002. Pesquisa da Pricewaterhouse Coopers com os principais exportadores brasileiros revela que, no estado, a crise do país vizinho é considerada um dos dois fatores de maior impacto sobre as previsões de desempenho das vendas externas. Mesmo assim, todos os entrevistados no estado esperam crescimento nas vendas para o exterior neste ano, e 60% deles acreditam em vendas 20% superiores. A retração da economia mundial é a maior preocupação de 53% dos entrevistados no país. E 79,50% dos ouvidos apostam em alta nas vendas. Para 58,1% dos integrantes desse grupo, o aumento não superará 10%. (pág. 12) MANCHETES ESTADO DE MINAS - Previdência ameaça Minas CORREIO DA BAHIA - Começa hoje a matrícula na rede estadual JORNAL DO COMMERCIO (PE) - Argentina já admite pedir socorro aos militares A TARDE (BA) - Popó será recebido com festa após sua conquista histórica ZERO HORA (RS) - Frota de carros do RS cresce oito vezes mais que a população

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento
Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação
mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de
preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc),
está disponível via FTP através do endereço na INTERNET www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas,
em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da
Fazenda.
Consulte a homepage
da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
O endereço na Internet
é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação
de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria
de Comunicação Social é:secom@planalto.gov.br
|