
22/02/2002
JORNAL DO BRASIL
- Secretário acusa hospitais de recusar pobres com dengue
- O caos que vem caracterizando a ação das autoridades sanitárias no
combate à epidemia de dengue ganhou, ontem, novo ingrediente.
O secretário municipal de Saúde do Rio, Ronaldo Cezar Coelho, acusou
hospitais particulares de se negarem a socorrer pessoas carentes vítimas da doença.
"Os estabelecimentos que nos serviriam em áreas críticas argumentam que estão
lotados e não querem vender seus serviços para o poder público", criticou.
Segundo José Carlos Abrahão, presidente da Federação de Hospitais,
a falta de vagas não é fruto de má-vontade, mas da grande procura de clientes de planos
de saúde vítimas do "Aedes aegypti".
Na rede pública, a procura por atendimento cresceu 60% nos últimos
dias. Só ontem foram registrados 1.482 novos casos de dengue em todo o estado do Rio,
onde o número de infectados passou de 35 mil. O bairro carioca mais atingido, até o
momento é a Tijuca. (pág. 1, 17 e 18)
- Agentes federais desbarataram o maior contrabando em 10 anos. Pelo
menos cinco empresas, entre elas a CCE, estão envolvidas no esquema que inclui maquiagem
industrial. Dois mil contêineres trazidos da Ásia, via Manaus, foram retidos em diversos
portos do País. (pág .1 e 14)
- Presidente da Comissão de Segurança Pública do Congresso, o
senador Íris Rezende é homem prevenido. Ele tem em sua casa, em Brasília, sete
revólveres, seis espingardas e uma pistola. No filme "Rambo", Silvester
Stallone liquidava seus inimigos usando arsenal menor. (pág. 1 e 5)
- Já se sofreu menos para conseguir trabalho no Brasil. Estudo do
Dieese revela que, entre 1995 e o ano passado, o tempo médio gasto por um desempregado
para conseguir voltar ao mercado praticamente dobrou.Passou de 26 para 50 semanas. (pág.
1 e 16)
- "Uma vitória de Lula vai afetar a credibilidade do Brasil, pois
significaria uma mudança radical da direita para a esquerda", declarou ontem, em
Salvador, o presidente da Kia Motors do Brasil, José Grandini.
Nos anos 90, a montadora coreana recebeu benefícios fiscais para
instalar uma fábrica de automóveis na Bahia, jamais construída. Hoje, sua dívida
tributária na Receita Federal soma US$ 200 milhões.
Grandini, que também dirige a Associação das Empresas Importadoras
de Veículos Automotivos, baseou sua previsão política em "contatos mantidos no
mercado internacional". (pág. 1 e 4)
- Pronto. A partir de agora, uma década depois de se fechar para a
curiosidade pública, qualquer brasileiro que se interessar, pode conhecer a intimidade do
Poder, pelo menos uma vez por semana.
Toda quinta-feira, o Palácio da Alvorada, endereço de Fernando
Henrique e Ruth Cardoso até 31 de dezembro, estará aberto a visitação pública. Basta
chegar ao portão da residência presidencial e pegar a senha para se habilitar ao tour
cívico. (...) (pág. 2)
- A saída de José Serra do Ministério da Saúde, oficializada ontem
em ato solene pago com recursos do fundo partidário, transformou-se numa demonstração
de força política.
Uma platéia repleta de funcionários, políticos, autoridades e até
pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) viu o ministro conter o choro e contar piadas
sobre o mosquito da dengue.
No discurso de despedida, Serra reconheceu o recrudescimento da
doença. "O mosquito não é federal, estadual ou municipal. É de todos. Não tem
cor", brincou. "É uma espécie de ônibus da Itapemirim, cheio de listas, que
leva o que quiser". Arrancou risos de parte dos espectadores. (...) (pág. 3)
EDITORIAL
"Inimigo Nº 1" - As fotos dos carros zero quilômetro,
parados desde janeiro, à espera de emplacamento e destinados ao combate à dengue, são o
retrato sem retoque da tragédia epidêmica que se abateu sobre o Rio de Janeiro. Nos
últimos quatro anos, desde que o ministro José Serra tomou posse caracterizando o
"Aedes aegypti" como "o inimigo nº 1 da saúde", praticamente nada se
fez para evitar a escalada da dengue. (...) (pág. 10)
COLUNAS
(Coisas da Política - Dora Kramer) - Ciro Gomes e Leonel Brizola
praticamente selaram ontem uma aliança com o PTB e o PTN que inclui gente de passado tão
discutível - alguns inclusive na Justiça - quanto francamente condenável, como é o
caso de alguns integrantes da antiga tropa de choque de Fernando Collor de Mello.
O acordo, ainda dependente de questões regionais e acertos
programáticos, poderia ser comparado às conversas que unem PT e PL, não fosse uma
diferença, que faz toda a diferença: Concorde-se, goste-se ou não da proposta
nacional-trabalhista defendida ali, pelo menos a existência de um eixo confere alguma
racionalidade à união. (...) (pág. 2)
(Informe JB - Ricardo Boechat) - Se depender do relator do processo no
TSE, as alianças regionais dos partidos não precisarão seguir as nacionais nas
próximas eleições.
O parecer que o ministro Nelson Jobim apresentará terça-feira ao
tribunal defende a autonomia dos diretórios estaduais nas coligações.
* Quanto mais rica a mulher, mais progressista se torna.
É o que revela a pesquisadora, Lúcia Avelar em seu livro Mulheres na
Elite Política Brasileira, que será lançado na véspera do Dia Internacional da Mulher,
dia 8.
A obra é patrocinada pelo Partido Democrata Cristão da Alemanha.
* Comandante militar da Amazônia, o general Valdésio Figueiredo será
ministro do Superior Tribunal Militar.
É linha duríssima.
Quando chefiou a Vila Militar, no Rio, proibiu as frentistas dos postos
de gasolina da área de usar minissaias. (pág. 6)
FOLHA DE SÃO PAULO
- Colômbia inicia ataque à guerrilha
- A Força Aérea colombiana começou a bombardear o território
ocupado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e mobilizou mais de 13
mil soldados para o entorno da área de 42 mil km², com previsão de entrar hoje na
região, no sul.
A ofensiva contra a guerrilha ocorre após o presidente Andrés
Pastrana ter cancelado as negociações de paz e anunciado o fim da zona desmilitarizada,
criada em 99. A decisão foi tomada anteontem, após o seqüestro, atribuído à
guerrilha, de um avião para a captura de senador a bordo. As Farc responsabilizaram o
governo pelo colapso das negociações.
Cerca de 200 missões de ataque aéreo ocorreram contra 85
"posições estratégicas" da guerrilha, que foram destruídas, segundo o
governo. Até a conclusão desta edição, não havia informações de vítimas.
Os EUA, a União Européia e a OEA apoiaram o rompimento com as Farc. O
Brasil não se manifestou. (pág. 1, A11 e A12)
- O primeiro-ministro Ariel Sharon anunciou a criação de "zonas
de segurança" separando Israel dos territórios palestinos para tentar evitar os
atentados de grupos extremistas.
"Queremos uma total separação entre nós e os palestinos.
Decidimos começar imediatamente, colocando obstáculos".
Israel manteve os ataques a alvos ligados à Autoridade Nacional
Palestina, matando ao menos nove pessoas. (pág. 1 e A13)
- O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, deixou em
segundo plano explicações sobre a nova epidemia de dengue no País em discurso no qual
fez um balanço de sua gestão no Ministério da Saúde.
Serra destacou pontos em que obteve avanços no ministério, como a
erradicação do sarampo e o combate à Aids.
Na cerimônia de transmissão de cargo a Barjas Negri, Serra voltou a
dividir a responsabilidade pela epidemia com os governos estaduais e municipais.
"A dengue é uma espécie de ônibus, que leva o que vier".
O evento transformou-se em ato de campanha. Serra chegou a chorar em
momento da cerimônia, que teve clima de superprodução. (pág. 1, A8 e A9)
- O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, se licencia do Senado a partir
de hoje para dedicar-se às articulações em torno da pré-candidatura da governadora do
Maranhão, Roseana Sarney, à Presidência.
Bornhausen, que será substituído no Senado pelo empresário Ari
Stadler, disse que o PFL só fará coligação se Roseana liderar a chapa. (pág. 1 e A9)
- A cidade do Rio registrou o maior número de notificações de dengue
em um único dia: 1.382. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, os casos neste ano já
somam 11.646, dos quais 254 do tipo hemorrágico.
Relatório de julho de 2001 da Fundação Nacional de Saúde mostra que
o estado do Rio combatia a doença com efetivo inferior ao necessário. (pág. 1 e C3)
- O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), criticou a
intenção do partido de formar aliança com o PL nas eleições presidenciais. "O PL
não está no campo democrático e popular definido como nosso leque de alianças",
disse.
O provável candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, tem reforçado
a tentativa de aliança. O senador José Alencar (PL-MG) é cotado para seu vice. Os
outros dois governadores do PT - Jorge Viana (AC) e Zeca do PT (MS) - se declararam
favoráveis ao acordo.
O vice-presidente da CNBB, d. Marcelo Carvalheira, disse que a
possível aliança do PT com a Igreja Universal do Reino de Deus, ligada ao PL,
"assusta" e "preocupa". (pág. 1 e A4)
- O déficit da Previdência Social aumentou 65,6% em janeiro deste ano
em relação ao mesmo mês de 2001 e atingiu R$ 1,1 bilhão. O Governo teve superávit de
R$ 5,8 bilhões.
As duas principais razões para a elevação do déficit da
Previdência em janeiro foram o crescimento da quantidade de benefícios e a alta de seu
valor médio de R$ 323 para R$ 335.
Para o secretário-executivo do Ministério da Previdência, o
resultado está dentro das previsões. Segundo ele, o déficit em 2001 foi resultado da
alta de 19,2% no salário mínimo.
O reajuste do mínimo em 11,1% deve ser a principal razão para o
aumento do déficit em 2002 - a previsão é que o valor salte de R$ 12,8 bilhões para R$
16 bilhões. (pág. 1 e B3)
EDITORIAL
"Até 2004" - Toda vez que a Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira ganha novo prazo de vigência, a sensação que se tem é a de
que a reforma tributária sofreu mais uma "morte".
O ritual começou novamente a ser encenado na Câmara dos Deputados,
que aprovou em primeiro turno emenda que prorroga a validade da CPMF até 31 de dezembro
de 2004. A base governista e o PT abençoaram a medida. (...)
Uma proposta de reforma tributária que remontava a 95, fruto de
discussão ampla no Parlamento, foi abortada pela equipe econômica em 99. O Congresso
rendeu-se completamente. Prevaleceu o padrão de deixar que a inércia tributária
completasse uma reforma de perfil regressivo, do ponto de vista da justiça social, e
extremamente oneroso, do ponto de vista de quem investe, produz e gera empregos neste
País. (pág. A2)
COLUNA
(Painel) - Sucessor de José Serra na Saúde, Barjas Negri foi
instruído por FHC a priorizar a prevenção a outras epidemias, além da dengue. A
proliferação de novas doenças poderia ser fatal para a decolagem da candidatura do PSDB
à Presidência.
* O Governo teme o avanço de doenças transmitidas por insetos, que
estariam propagando-se em várias regiões do País. Entre as maiores preocupações
estão a malária e a leishmaniose.
* O PSDB chegou à conclusão de que o grande problema de Serra não
são as pesquisas, não é Roseana e, muito menos, Lula. O seu maior adversário chama-se
São Pedro. Explicação: em 2001, choveu pouco e houve a crise energética. Neste ano,
choveu muito e veio a dengue.
* A pasta dos Transportes tenta ser excluída da MP de FHC que limita a
31 de março o desembolso dos "restos a pagar" de 2001. Os R$ 180 mil destinados
à manutenção de estradas não poderão ser usados a tempo. (pág. A4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
- Contas externas têm melhor resultado desde 96
- As contas externas do País iniciam o ano com boas perspectivas de
reverter os resultados de 2001. O déficit nas transações com o exterior nos 12 meses
encerrados em janeiro foi de US$ 22 bilhões, o menor desde novembro de 1996.
Ainda é um déficit alto, por representar 4,37% do PIB, mas, no auge
da crise de 2001, havia superado 5%. A aposta do Banco Central é de queda para 3,8% do
PIB até dezembro.
Isso reduz a necessidade de dinheiro de fora para cobrir as contas do
País. Além disso, com o nível de atividade menor e a queda na renda do brasileiro, a
conta de serviços (despesas com viagens ao exterior, transportes, royalties, etc.)
também tem apresentado déficit menor. Caíram ainda as remessas de lucros. (pág. 1 e
B1)
- As forças militares da Colômbia começaram a bombardear ontem
áreas do sul do país, onde se concentram guerrilheiros das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Até a noite, a Força Aérea cumpriu 200 missões de sobrevôo,
atacando 85 posições das Farc e abrindo espaço para a chegada de soldados por terra.
Os ataques começaram menos de 12 horas depois de o presidente Andrés
Pastrana ter decretado o fim do processo de paz com a guerrilha e o fim da zona
desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados concedida aos rebeldes, a chamada
"farclândia". (pág. 1 e A13)
- Está morto o repórter americano Daniel Pearl, do "Wall Street
Journal", seqüestrado em 23 de janeiro por extremistas islâmicos no Paquistão.
A informação é do Departamento de Estado dos EUA, com base em dados
da polícia da província de Sind. O jornal lamentou o fato por meio de uma nota,
salientando que o assassinato foi ato de barbarismo. O jornalista, de 38 anos, era casado
com uma repórter francesa. (pág. 1 e A14)
- O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, anunciou ontem a
criação de zonas-tampão para "garantir segurança aos israelenses, onde quer que
eles vivam". Essas áreas serão definidas ao longo da fronteira de Israel com a
Cisjordânia, tendo como objetivo a separação física entre israelenses e palestinos. A
estratégia de Sharon é polêmica e, segundo especialistas, não acabará com os
sangrentos choques na região. (pág. 1 e A14)
- Ao desligar-se ontem do cargo para se dedicar à campanha
presidencial, o ministro da Saúde, José Serra (PSDB), admitiu não ter resolvido todos
os problemas da área, como a dengue. Serra recebeu críticas por se afastar no auge da
epidemia. O pré-candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, o chamou de
"irresponsável". (pág. 1 e A4)
- A Aeronáutica também deverá atuar no combate à dengue no estado
do Rio, provavelmente no transporte de pessoal e equipamento. (pág. 1 e A10)
- O Governo brasileiro se prepara para iniciar este semestre um
contencioso na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios dos Estados
Unidos a seus produtores de soja.
Será a primeira disputa do gênero na instituição. Está em
cogitação a participação da Argentina ao lado do Brasil, como país questionador.
(pág. 1 e B8)
- O presidente Fernando Henrique Cardoso viajou ontem para a Suécia,
onde participa hoje e amanhã de reunião de cúpula sobre "governança
progressista" com chefes de Estado e de governo social-democratas de 13 países,
entre eles Alemanha, França, Inglaterra, Portugal, Chile e Canadá. (pág. 1 e A7)
- Divergências dividem a comissão especial criada no Congresso para
analisar medidas de redução da violência. Enquanto o relator Moroni Torgan (PFL-CE)
considera a proliferação de armas como causa da violência, o presidente, Íris Rezende
(PMDB-GO), alega que primeiro é preciso desarmar os bandidos. (pág. 1 e A6)
EDITORIAL
"O Copom pecou pela timidez" - O Copom está sinalizando que
a política monetária entrou numa fase de racionalidade. O que se pode lamentar, apenas,
é que não tenha dado um passo maior, com uma redução da Selic para 18,50%, que teria
tido um efeito mais importante sobre o serviço da dívida interna, ao menos. (pág. 1 e
A3)
O GLOBO
- Com apoio dos EUA, Colômbia bombardeia guerrilheiros
- O governo colombiano encerrou ontem três anos de negociações com a
guerrilha e bombardeou a área no sul do país controlada pelas Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A Força Aérea destruiu 85 alvos e hoje o Exército inicia uma
invasão por terra, deixando o país à beira de uma guerra civil.
O presidente Andrés Pastrana identificou os guerrilheiros como
terroristas e ganhou o apoio dos EUA. Na operação, foram usadas informações obtidas
por agentes e satélites americanos. Parte dos soldados foi treinada pelos EUA.
* O FBI informou ontem que o jornalista Daniel Pearl, seqüestrado no
Paquistão, foi morto. (pág. 1, 32 e 33)
- Além de uma intervenção branca no Rio - expressão usada pelo
próprio ministro José Serra - o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde
(Funasa) decidiram investigar o governo do estado por suspeita de desvio dos recursos
federais enviados para o combate ao dengue.
Cinco auditores da Funasa estão desde quarta-feira na cidade apurando
o destino de R$ 11 milhões repassados ao estado para combate a endemias e, segundo o
Ministério da Saúde, não aplicados. "Há indícios de desvio e precisamos saber
onde este dinheiro foi parar", disse o presidente da Funasa, Mauro Ricardo Costa.
O secretário estadual de Saúde, Gilson Cantatarino, disse não temer
qualquer auditoria em suas contas. Ontem, 1.500 pessoas se inscreveram para participar do
mutirão organizado pelo Viva Rio para combater a doença. O cadastramento de voluntários
da organização continua hoje. (pág. 1 e 13 a 18)
- A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que tem setores
aliados históricos do PT, criticou ontem, pela primeira vez, a possível aliança do
presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva com o PL, e a Igreja Universal.
Vice-presidente da CNBB, dom Marcelo Carvalheira criticou também o
fato de José Serra, candidato do PSDB, ter deixado o Ministério da Saúde ontem, no auge
da epidemia de dengue. Serra fez um balanço de sua gestão destacando avanços como a
redução da mortalidade infantil, a quebra de patentes e a política de genéricos.
(pág. 1 e 3 a 5)
- O Banco Santander foi lesado em R$ 3 milhões por dois operadores e
um funcionário de uma corretora. A polícia prendeu na terça-feira os operadores, que
faziam negócios com o dinheiro da instituição e ficavam com o lucro. No mercado, a
estimativa é que o roubo seja de R$ 30 milhões. Os clientes não foram lesados. (pág. 1
e 23)
- O presidente da Comissão de Segurança Pública do Congresso,
senador Íris Rezende, tem 14 armas registradas em seu nome. O ex-ministro da Justiça
disse, porém, que não anda armado por não ter porte de arma. A comissão que ele
preside discute, entre outros temas, a restrição ao uso de armas. (pág. 1 e 12)
- A Justiça condenou a Petrobras a indenizar em R$ 524 milhões os
pescadores prejudicados pelo vazamento de óleo na Baía de Guanabara, em 2000.
* O presidente Fernando Henrique Cardoso instituiu multas pesadas
contra crimes ambientais em águas sob jurisdição nacional. (pág. 1 e 19)
- O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, disse que o
Tribunal Superior Eleitoral não pode modificar a Lei Eleitoral a menos de um ano das
eleições, obrigando os partidos a reproduzir nos estados as alianças feitas para
presidente.
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), autor da consulta ao TSE, está
sendo pressionado para retirar a questão. (pág. 2 e 5)
- Juros em queda, fim do racionamento e perspectivas de retomada
econômica estão fazendo com que bancos e agências estrangeiras melhorem sua avaliação
do Brasil.
A Merryll Lynch está recomendando investir no país e a Moody's
poderá elevar a nota da dívida brasileira. Com isso, o C-Bond, principal papel da
dívida externa, fechou no melhor nível desde março de 2001. (pág. 2 e 25)
- A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE)
abriu processo administrativo contra a AmBev por infração à ordem econômica.
Segundo a secretaria, a empresa é suspeita de impor condições
injustas de comercialização, além de cobrar preços abusivos. A companhia tem 15 dias
para se defender das acusações. (pág. 2 e 31)
EDITORIAL
"Dedo no gatilho" - Já se tornou lugar-comum referir-se ao
Brasil como um País em guerra civil não declarada. Os números são mesmo dramáticos:
quase 40 mil pessoas assassinadas anualmente no País - pouco mais de cem por dias, o que
é comparável a quase todas as perdas das Forças Armadas americanas na guerra do
Vietnã.
O índice de homicídios em relação à população total coloca o
Brasil entre as nações mais violentas do mundo. Se considerarmos a faixa etária dos
jovens, o cenário fica mais trágico. E, além disso, pesquisas das Nações Unidas
situam o País como líder do triste ranking das armas de fogo. Aqui, proporcionalmente,
é onde mais se mata apertando o gatilho: 83,4% dos assassinados morrem a bala. (...)
O Congresso precisa portanto, aprovar com urgência leis que permitam
à polícia desarmar a população. É necessário restringir ao máximo a concessão de
porte de armas, e punir com extremo rigor o porte ilegal. É caso para reflexão séria,
sem emocionalismos. (pág. 6)
COLUNAS
(Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Os candidatos se lançam e
trocam farpas, mas o fato eleitoral relevante do momento continua sendo o risco de o TSE
alterar a regra de coligações com uma interpretação tardia da lei que regulamentou a
eleição de 1998. Se a lei foi aplicada incorretamente, diz o procurador-geral eleitoral,
Geraldo Brindeiro, contestando a tese, poderemos até discutir a legitimidade daquela
eleição. (...) (pág. 2)
(Ancelmo Góis) - José Dirceu tem recebido mensagens, ainda cifradas,
mas que sugerem uma aliança entre Lula e Garotinho.
Neste time dos sonhos da esquerda, Rosinha seria vice de Lula e o PT
apoiaria Garotinho para uma nova temporada no Palácio Guanabara.
* O ex-ministro Felipe Lampreia vai integrar o conselho de
administração da Toyota, no Japão. (pág. 16)
GAZETA MERCANTIL
- Elétricas confiam na retomada do nível de consumo
- (São Paulo) - Concessionárias de energia elétrica pretendem manter
ou até mesmo aumentar seus investimentos, apesar de o racionamento ter mudado hábitos de
consumo. Empresas e pessoas físicas provavelmente vão consumir menos a partir de março,
quando cessam as restrições ao uso da eletricidade.
Por esse ângulo, a receita das distribuidoras continuaria aquém do
desejado. Mas as companhias da área esperam a recuperação de uma parte do consumo,
baseadas em duas esperanças: a contenção não seria tão grande como na época do
racionamento, e a economia voltaria a crescer.
Além disso, afirma André Segadilha, analista do Banco Brascan, as
concessionárias terão reajustes extraordinários de tarifas e haverá o provável
conforto de um câmbio mais estável, item importante nos custos do setor. Segadilha,
otimista, prevê receitas até 20% acima das de 2001. (...) (pág. 1 e C1)
- O ministro da Saúde José Serra, virtual candidato do PSDB à
Presidência da República, se despediu ontem do cargo. Emocionado, Serra chegou a chorar.
Destacou, entre outros, o programa de combate à Aids e a redução da mortalidade
infantil como suas principais realizações. Serra reconheceu que a epidemia de dengue é
séria, mas disse que o Governo federal, estados e municípios trabalharão em conjunto
para superá-la. (pág. 1 e A-12)
- (São Paulo) - Os bancos tiveram mais um ano de lucros gordos em
2001, apesar de o desempenho da economia ter ficado abaixo do inicialmente esperado. A
análise dos resultados dos 24 bancos que já publicaram balanço mostra um aumento médio
de 55,6% do lucro líquido, segundo a consultoria Austin Asis. Os lucros foram recordes em
vários casos, como no do Unibanco. Já haviam surpreendido o mercado o Bradesco, com
ganho de R$ 2,17 bilhões e o BankBoston, com R$ 737 milhões.
O analista da Austin Asis, Erivelto Rodrigues, disse que os bancos
ganharam com o crédito no início de 2001 e, quando o cenário se deteriorou, no segundo
semestre, transferiram os recursos para a tesouraria, que lucrou com a volatilidade dos
juros e do câmbio.
"Começamos o ano achando que íamos estourar a banca. Mas
acabamos enfiando o pé no freio", disse o presidente do banco de varejo do Unibanco,
Joaquim Francisco Castro Neto. (...) (pág. 1 e B-1)
- (São Paulo) - Os portos de Itajaí (SC), Rio Grande (RS) e
Paranaguá (PR) investem neste ano R$ 150 milhões para a compra de equipamentos e a
realização de obras de infra-estrutura.
O investimento faz parte da estratégia de buscar mais parceiros e
clientes e vem na esteira de um ano de expressivo crescimento da carga movimentada. (...)
(pág. 1 e A-4)
- (Genebra) - Se o presidente George W. Bush não vetar a legislação
agrícola, em tramitação no Congresso, que propõe níveis de subsídios de US$ 195
bilhões em dez anos para os agricultores americanos, os Estados Unidos devem se preparar
para enfrentar uma série de contestações na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O alerta é feito por negociadores em Genebra. Um dos poucos sinais
positivos para a rejeição da lei é a crescente oposição dentro dos EUA contra os
subsídios agrícolas. (pág. 1 e A-26)
- (Buenos Aires) - O Mercosul recebeu ontem mais um golpe. Desta vez
foi o governo uruguaio, que, depois de se aproximar unilateralmente dos Estados Unidos,
considerou um fracasso a união aduaneira entre os países do Cone Sul.
O ministro da Indústria daquele país, Sergio Abreu, disse que o
Mercosul deve abandonar a Tarifa Externa Comum (TEC) e voltar à fase inicial de zona de
livre comércio. Segundo Abreu, o Mercosul falhou porque "não há impostos ou
políticas comuns para questões comerciais. (pág. 1)
CORREIO BRAZILIENSE
- Israel isola e mata palestinos
- Depois de bombardear cidades palestinas e o quartel-general de Yasser
Arafat na Cisjordânia, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, anunciou a criação
de zonas de segurança ao longo da fronteira que separa Israel dos territórios ocupados.
Na prática, impôs uma segregação semelhante à adotada com o
"apartheid" na África do Sul. Só ontem, pelo menos 10 palestinos foram mortos.
(pág. 1 e 8)
- Ao se despedir do cargo de ministro da Saúde, numa solenidade para
500 convidados, José Serra reconheceu a gravidade do surto de dengue no País. Mas disse
que o mosquito não é federal, estadual ou municipal. "É de todos". (pág. 1 e
11)
- Os líderes do PPS, PDT e PTB fizeram de tudo para demonstrar que
ainda não é para valer. Que ainda faltam a palavra final das convenções partidárias e
um programa de governo comum. Mas reunião no espaço cultural da Câmara dos Deputados
consolidou ontem a aliança que defenderá a candidatura do ex-ministro da Fazenda Ciro
Gomes ao Palácio do Planalto na eleição de outubro. (...) (pág. 12)
- O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, ontem, que a identidade do
pai de Angel Gabriel, filho da cantora mexicana Gloria Trevi, é assunto de interesse
público. Por 10 votos a 1, os ministros determinaram o uso da placenta de Gloria para a
realização de exame de DNA.
Eles entenderam que é preciso apurar até o fim a denúncia feita pela
cantora. Há quatro meses, ela afirmou ter sofrido abuso sexual na carceragem da Polícia
Federal.
"Depois da acusação feita por Gloria Trevi, sem apontar um
culpado, não há mais como preservar a intimidade de ninguém nesse caso", afirmou o
ministro Sepúlveda Pertence. (...) (pág. 13)
ZERO HORA
- Sepultando de vez três anos de titubeantes negociações de paz, o
governo da Colômbia deflagrou ontem uma guerra aberta contra o grupo guerrilheiro
esquerdista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A ruptura das negociações deixa o país diante de um conflito armado
cuja violência pode ter reflexos nos vizinhos sul-americanos, entre eles o Brasil. Os 38
anos de sangrentas batalhas na Colômbia mataram, apenas na última década, 40 mil
pessoas, em sua maioria civis. (pág. 4 e 5)
- O governador Olívio Dutra disse ontem, em entrevista ao programa
Atualidade, da Rádio Gaúcha, que o PT é um partido de centro-esquerda. A afirmação
foi feita em resposta a um pedido do apresentador do programa, Armindo Antônio Ranzolin,
para que comentasse a definição do presidente nacional do PT, José Dirceu (SP), de que
o PT "já foi para o centro há muito tempo". A declaração provocou reações
e desmentidos dentro e fora do partido. (pág. 8)
- O ministro uruguaio de Indústria, Energia e Mineração, Sergio
Abreu, disse que o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) fracassou no objetivo de ser uma
união aduaneira. Abreu afirmou que a "punhalada ao Mercosul se deu na modificação
dos tipos de câmbio, especialmente o do Brasil em janeiro de 1999". (pág. 20)
- O Laboratório Central do Estado (Lacen) está apto a realizar os
testes para confirmação de diagnósticos de dengue. Desde ontem, as amostras coletadas
no Rio Grande do Sul são analisadas pelo órgão, vinculado à Secretaria Estadual da
Saúde (SES).
O resultado pode ser conhecido em apenas três dias. Até então, a
resposta dos testes demorava cerca de 30 dias, porque o material tinha de ser enviado para
São Paulo. (pág. 38)
MANCHETES
CORREIO DA BAHIA
- Exército entra
na guerra contra a dengue
ESTADO DE MINAS
- Governo apura desvio de verba
JORNAL DO COMMERCIO (PE)
- PM vai combater a dengue
O DIA (RJ)
- Agentes não têm veneno para larva do mosquito da dengue
ZERO HORA (RS)
- Colômbia ordena bombardeios para eliminar guerrilha

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico
da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura
econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança
comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na
INTERNET www.fazenda.gov.br, na área
específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive
sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês,
na página eletrônica do Ministério da Fazenda.
Consulte a homepage da Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República.
O endereço na Internet é www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação de
publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria de Comunicação
Social é:secom@planalto.gov.br |