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03/01/2003
JORNAL DO BRASIL - Chávez pede brasileiros para substituir grevistas - No primeiro café da manhã como presidente, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu do dirigente venezuelano Hugo Chávez um pedido delicado. O chefe de Governo, que enfrenta sua mais grave crise política e a greve geral que já ultrapassa um mês, pediu a Lula que ceda temporariamente alguns dos técnicos da Petrobras com o objetivo de recuperar os níveis de produção de petróleo. O líder venezuelano anunciou a demissão, por "conspiração", de 200 técnicos da estatal Petróleo de Venezuela (PDVSA). Em visita a Brasília para a posse de Lula, Chávez aproveitou a ocasião para pedir mais apoio brasileiro na crise, tão criticado pela oposição venezuelana, que exige a sua renúncia. O presidente venezuelano disse, depois do encontro, que Lula prometeu uma resposta ao pedido para breve. (pág. 1 e A6) - Médico sanitarista, o novo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, usou em seu discurso de posse, ontem, metáforas ligadas a sua área de formação para explicar a vulnerabilidade do País à situação econômica mundial e como o Brasil deve se defender dessa fragilidade. "As crises externas têm abalado em diversos momentos a nossa economia. Como os vírus e as bactérias, atacam nosso organismo. Adoecer ou não depende das condições do corpo humano. Se ele estiver saudável e for preparado, inclusive com cuidadosas vacinas, vai resistir aos choques externos, aos vírus e bactérias e seguirá saudável". Na mais concorrida das posses ministeriais, o novo titular da Fazenda reafirmou o compromisso com o câmbio flutuante e as metas de inflação, recebendo elogios de seu antecessor, Pedro Malan, e de banqueiros e empresários. (pág. 1 e A5) - O primeiro ato do novo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, foi fechar o caixa do Ministério da Integração. Foram suspensos, desde ontem e nos próximos 30 dias, todos os pagamentos feitos pela pasta. Segundo o assessor especial do ministro, Egídio Serpa, todos os contratos serão analisados seguindo a recomendação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula pediu ao ministro que tudo fosse feito de forma ética e transparente. (...) (pág. 2) - Diplomatas que estão ocupando cargos de confiança na gestão do chanceler Celso Amorim admitem ser a escolha do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães para a Secretaria Geral do Itamaraty uma sinalização do "endurecimento" das negociações do Brasil com os Estados Unidos no processo da futura constituição da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). (...) (pág. 2) - A governadora Rosinha Garotinho vai aumentar as alíquotas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em até 5%. De acordo com o secretário Estadual de Fazenda, Mário Tinoco, que fez o anúncio das novas medidas, o aumento é emergencial e faz parte de um esforço para equilibrar as contas do estado, que ainda não pagou o mês de dezembro e o 13° salário do funcionalismo. A crise se agravou, segundo Tinoco, depois que o Governo federal bloqueou, no mês passado, R$ 66 milhões de receita do ICMS devido ao não-pagamento dos débitos com a União. (pág. 1 e C1) EDITORIAL -"Vícios de Origem " - A recriação da Sudene é, à primeira vista, uma bandeira de governo muito bonita. Como era de se esperar, a idéia do novo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, teve excelente acolhida nas capitais do Nordeste. Mas, por mais antipático que possa parecer, não custa nada perguntar: recriar a Sudene para quê? (...) Outra distorção a ser corrigida refere-se aos investimentos em ciência e tecnologia. É um erro considerar que o Nordeste está destinado a desenvolvimento tecnológico de baixo teor. Existe hoje produção científica de excelência nas universidades da região. Há que aproveitá-las e incentivá-las. Em resumo, a Sudene pode até ser relançada. Mas não é a melhor solução para o Nordeste. (pág. 10) COLUNAS - (Coisas da Política - Dora Kramer) - De todas as gentilezas - nem sempre tão gentis - trocadas entre os governos anterior e atual, nada foi mais significativo que a cerimônia de transmissão do cargo de ministro da Fazenda, na qual Pedro Malan e Antônio Palocci deram esplêndida demonstração, não só de civilidade, mas de civismo. Nenhum dos dois deixou de consignar as identidades dos governos que representam. Malan, no último minuto, continuou a defender a administração Fernando Henrique Cardoso das acusações de indiferença social. Para ele, a História há de se encarregar da justiça, "assim que o País recuperar o senso de perspectiva que a muitos parece faltar". Palocci, no primeiro instante, apontou com inequívoca clareza a existência de diferenças entre o modelo implementado pelos que saem e as políticas a serem executadas a partir de agora. (...) (pág. 2) (Boechat) - Todos os agentes federais que fizeram a escolta pessoal de Lula no desfile de anteontem, na Esplanada dos Ministérios, serão removidos para novas funções. O pacote atirado no Rolls Royce e o abraço de tamanduá de um fã selaram o destino da equipe junto aos novos chefes da segurança presidencial. * Foi alta a temperatura da posse de Cristovam Buarque no MEC, ontem. Antonio Carlos Magalhães foi recebido pela militância petista - fiel ao novo ministro - com o coro "um, dois, três, ACM no xadrez". Para o governador de Brasília o refrão da mesma turma foi "Roriz, ladrão, roubou a eleição. (pág. 2) (Informe JB - Gustavo Krieger) - Geraldo Magela, candidato derrotado do PT ao governo do Distrito Federal, destoava do clima de festa que marcou a posse de José Dirceu ontem, no Palácio do Planalto. Em alto e bom som, reclamava por não ter sido escolhido para a presidência do Banco do Brasil. "Estão me barrando porque não sou da Articulação", queixava-se, colocando a culpa na corrente política de Lula. A um interlocutor, advertiu: "Se isso não mudar logo, vou começar a bater no Governo. (pág. 6) FOLHA DE SÃO PAULO - Dirceu defende revolução social para País se afirmar - O chefe da Casa Civil, José Dirceu, resgatou, ao ser empossado, o discurso de esquerda, lembrando antigas bandeiras do PT. "Talvez o maior desafio de nosso Governo seja que o Brasil ocupe seu lugar no mundo, mas para isso é preciso que o nosso povo ocupe seu lugar no Brasil", afirmou. "Isso só é possível com uma grande transformação social, uma verdadeira revolução social. Não tenho medo de dizer essa palavra. Nós devemos isso ao nosso povo." Dirceu lembrou os militantes políticos mortos no regime militar e negou divergências com Antonio Palocci Filho (Fazenda). Em recado ao empresariado, Dirceu cobrou "contrapartida" ao pacto social proposto por Luiz Inácio Lula da Silva. "Estendemos a mão ao empresariado brasileiro", disse. A contrapartida, segundo o ministro, "é a distribuição de renda, a justiça social, a eliminação da pobreza e da fome". "Nossos problemas não são de gestão econômica de curto prazo, mas políticos", disse Palocci ao substituir Pedro Malan, que ocupou o cargo por oito anos, segunda maior gestão da Fazenda na história do País. Para ele, o Estado desperdiça verbas sociais sem reduzir as desigualdades. (pág. 1, A7 e B1) - O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, anunciou a suspensão de todos os pagamentos de sua pasta. Segundo ele, a decisão segue a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "de não transigir em matéria ética". Depois, afirmou que não colocava sob suspeição o seu antecessor. Ciro disse que apresentará dentro de 60 dias um projeto para recriar a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste). (pág. 1 e A8) - Maurício Tolmasquim, novo secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, afirmou que o IGP-M (índice que corrige custos das distribuidoras de energia) poderá ser trocado nas revisões tarifárias. Em 2002, o índice teve alta de 25,31%. Ao tomar posse, a ministra Dilma Roussef disse ser um desafio conter o preço dos combustíveis. (pág. 1 e B4) - O representante comercial dos EUA, Roberto Zoellick, propôs ao novo Governo brasileiro que o País seja o principal aliado norte-americano nas negociações com União Européia e Japão para redução de subsídios aos produtores agrícolas. Zoellick apresentou sua proposta aos ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Celso Amorim (Relações Exteriores. (pág. 1 e B8) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendeu a integração das empresas de petróleo latino-americanas e a criação da Petroamérica, organização que reuniria os países exportadores sul-americanos. Chávez pediu a Luiz Inácio Lula da Silva que o ajude a derrotar a falta de óleo em seu país gerada pela greve geral, com o envio de técnicos. (pág. 1 e A6) - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), surpreendeu os seus secretários ao pedir a eles um comportamento "inquieto e rebelde". "Não vou me conformar com secretários bem comportados, fiéis e simples cumpridores de suas obrigações", disse. Alckmin sugeriu a seus auxiliares que deixem os gabinetes para "amassar barro". (pág. 1 e A11) - Se um discurso de Lula na posse foi protocolar e o outro, emocional e cheio de chavões, José Dirceu foi o principal personagem do primeiro dia de Governo justamente com um... discurso. (...) Como era esperado, a ênfase foi para o social, contra a concentração de renda e a miséria. "Uma questão de crença, de doutrina", disse o chefe da Casa Civil, ensinando: "Povo educado é povo soberano, que exerce o poder, em vez de delegá-lo". No final, arrancou gargalhadas ao prometer "humildade" (logo ele!) e repetiu o que mais se ouve sobre o PT ultimamente: "Não temos (nós, do PT) o direito de fracassar". Deus te ouça! (pág. A2) EDITORIAL - "Após a festa, o Governo" - Brasília, como poucas capitais nacionais, simboliza a frieza e a impessoalidade do poder. A posse de Luiz Inácio Lula da Silva foi a maior manifestação popular nesse tipo de evento em toda a história brasileira. Mas as fotografias aéreas da Esplanada dos Ministérios durante a comemoração mostraram que a arquitetura monumental da cidade se impôs com muita folga sobre a multidão. Essa impressão permaneceria a mesma se o número de participantes fosse o dobro ou o triplo dos cerca de 150 mil presentes na posse. (...) (pág. A2) COLUNA - (Painel) - Na sua última semana em Brasília, FHC teve uma conversa reservada com Serra. Disse ao tucano que ele tem de ficar atento para, na hora certa, assumir a condição de líder da oposição a Lula. Se não tomar cuidado, Garotinho toma esse papel para si. * FHC disse a Serra que, por ora, enquanto a população está em lua-de-mel com o novo presidente, o melhor é ficar quieto, para que a crítica não se volte contra ele. Sua tarefa primordial é vencer a disputa pela presidência do PSDB, em maio. * O ex-presidente disse que depois de seis meses de governo Lula será o momento de Serra começar a fazer críticas aos "conceitos" da nova gestão. No fim do ano, segundo FHC, o tucano já poderá começar a bater nas "ações" da gestão petista. (pág. A4) O ESTADO DE SÃO PAULO - Palocci promete crescimento sem inflação - O novo ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, assumiu o cargo ontem prometendo mais crescimento econômico e mais atenção ao social, mas sem abrir mão da responsabilidade fiscal, do controle da inflação e do câmbio livre. Palocci anunciou que proporá a Lei de Responsabilidade Monetária, que tratará da autonomia do Banco Central. Ontem surgiu a primeira informação conflitante na nova equipe do Ministério: o secretário-executivo, Bernard Appy, disse que Palocci examinará a idéia de retirar gastos sociais do cálculo das metas acertadas com o FMI, o que reduziria o superávit. A assessoria de imprensa do Ministério negou que a questão seja discutida. (pág. 1 e B1) - Com um veemente discurso em defesa da mudança de rumo, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tomou posse no cargo prometendo uma "verdadeira revolução social" no País. "Não tenho medo de dizer essa palavra. Nós devemos isso ao nosso povo". Dirceu disse que o governo do PT não conseguirá imprimir a marca do desenvolvimento econômico sem essa revolução. Numa posse concorrida, insistiu em que o PT é um partido "de esquerda e socialista". (pág. 1 e A6) - A Embaixada do Brasil em Londres deverá ser ocupada por José Maurício Bustani, ex-diretor-geral da Organização para a Proscrição das Armas Químicas (Opaq). Se a nomeação for confirmada, Bustani vai representar o País diante de um dos governos que votaram contra sua permanência na organização. (pág. 1 e A8) - Ao contrário do que se previa, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) não foi o principal tema das conversas do representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, em sua visita ao Brasil. A agricultura e as negociações multilaterais pautaram todas as suas reuniões de que participou no País. (pág. 1 e B5) - O PSDB paulista aceita apoiar projetos nacionais do PT, como a reforma da Previdência, e até a eleição de um petista para a presidência da Câmara. Mas quer, em contrapartida, que o PT apóie a reforma previdenciária nos estados e aceite um deputado do PSDB para presidir a Assembléia de São Paulo. (pág. 1 e A13) - China e Coréia do Sul concordaram ontem em cooperar para encontrar uma solução "pacífica e por meio do diálogo" para impedir que se agrave a crise nuclear desencadeada pela Coréia do Norte. O presidente americano, George W. Bush, reiterou sua esperança de que a Península Coreana seja uma "zona desnuclearizada". (pág. 1 e A20) - O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ordenou que mais de 11 mil soldados treinados para ação no deserto embarquem para o Golfo Pérsico, como parte dos preparativos para uma possível intervenção no Iraque. Já estão no Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Turquia cerca de 60 mil militares americanos. (pág. 1 e A20) - (Paris) - Fernando Henrique e Ruth Cardoso saíram de Brasília na tarde de quarta-feira - depois da cerimônia de entrega da faixa presidencial no Palácio do Planalto -, em um avião da Força Aérea Brasileira que os levou até a Base Aérea de Cumbica. De lá, seguiram diretamente para a pista onde aguardava o Airbus do vôo 8096 da TAM, 15 minutos antes da decolagem, às 13h55. Os dois embarcavam de volta para a vida normal, ou quase. A empresária Rosa Maria Scaravelli, surpresa com a entrada do casal, saudou-o com a frase: "Obrigada por esses oitos anos". Em entrevista exclusiva ao "Estado", FHC disse que se sentia realizado, com uma ressalva: "Não fiz tudo o que eu quis. É sempre difícil". (pág. 1, A14 e A15) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, propôs ontem em Brasília, em café da manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma integração continental na área petrolífera. Seria, disse, uma "Opep latino americana", com parcerias para prospecção, comercialização e desenvolvimento tecnológico entre empresas do setor, desde que não sejam privatizadas. Também pediu o envio de técnicos e mais gasolina. (pág. 1 e A19) EDITORIAL "O PT ainda não se encontrou consigo mesmo" - O discurso de posse de Lula foi decepcionante. Contrastou fortemente com as mensagens positivas e consistentes de alguns ministros que assumiam o cargo, em especial Antônio Palocci. (pág. 1 e A3) O GLOBO - BC vai ganhar autonomia mas terá de cumprir metas - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciou ontem, durante sua posse, que enviará ao Congresso um projeto de Lei de Responsabilidade Monetária em que o Banco Central receberá autonomia operacional mas seus dirigentes terão metas a cumprir, que vão do endividamento público à inflação. Se os objetivos não forem atingidos, eles poderão até perder os seus mandatos. A medida será tomada assim que for aprovada a emenda que permite a regulamentação do artigo 192 da Constituição, sobre o sistema financeiro. Em seu discurso, Palocci enfatizou a necessidade de reduzir as desigualdades sociais. A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, também empossada ontem, disse que a Petrobras não será usada politicamente, num recado para tranqüilizar os seus acionistas minoritários. O mercado financeiro gostou do tom do discurso do novo Ministério: a Bovespa subiu 2,96% e o dólar fechou em queda de 0,14%, a R$ 3,535. (pág. 1 e 21 a 25) - O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse, ao assumir o cargo, que só com uma verdadeira revolução social o Brasil garantirá seu lugar no mundo. Emocionado, Dirceu homenageou os companheiros da luta contra o regime militar. Ele prometeu apoio ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciando que "a Casa Civil será uma fortaleza para defender a política econômica do presidente Lula". O secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, afirmou que o PT continuará a ser de esquerda e que o compromisso assumido pelo partido é "mudar sem mudar de lado". (pág. 1, 5 e 8) -Em seu primeiro dia de trabalho no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu 14 audiências a autoridades estrangeiras que vieram para a sua posse, a começar pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que pediu ajuda para enfrentar a greve dos petroleiros. Chávez quer o envio de um navio e de técnicos da Petrobras. Depois de passar a madrugada conversando com o presidente de Cuba, Fidel Castro, Chávez perdeu a hora e chegou tarde para o encontro com Lula, marcado para as 8h, o que acabou provocando atrasos em toda a agenda do Presidente. Sem perder o bom humor, Lula encerrou a noite como Chávez o fizera na véspera: recebeu Fidel para jantar na Granja do Torto. O presidente de Cuba compareceu à transmissão do cargo de ministro da Educação para Cristovam Buarque, uma das cerimônias mais concorridas em Brasília ontem. (pág. 1, 3, 11 e 29) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode cancelar a licitação de novos caças da Força Aérea Brasileira (FAB) para usar os recursos da compra no programa de combate à fome. "O Presidente disse que ainda não há uma definição, mas a visão dele é que talvez o gasto de US$ 1 bilhão para a compra de jatos não seja adequado ao momento", disse o porta-voz do Presidente, André Singer. (pág. 2 e 14) - A Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG) anunciou ontem que as contas dos consumidores residenciais terão reajuste médio de 3,7% este mês. Para as indústrias, a alta é de 5,3% a 20%, e para o comércio, de 3,8%. O gás natural para veículos sobe 20,3%. Os aumentos são conseqüência do reajuste de 27,17% do produto nas refinarias da Petrobras, no último dia 30 de dezembro. (pág. 1 e 27) - A cesta de compras do carioca subiu 23,21% no ano passado, de acordo com o Instituto Fecomércio-RJ. Os mais pobres foram os mais atingidos com uma alta de 25,21% nos preços. Os produtos que mais encareceram foram óleo de soja (89,86%), farinha de trigo (81,48%), açúcar refinado (80,20%), farinha de mandioca (79,35%), maçã (49,07%), arroz (43,08%) e batata (41,08%). (pág. 2 e 27) EDITORIAL "Depois da festa" - Não poderia ter sido melhor o desfecho da mais civilizada e democrática transição de Governo da História brasileira. O presidente a ser empossado, Luiz Inácio Lula da Silva, reafirmou no discurso formal perante o Congresso a linha de sensatez delineada na fase final de campanha e nas semanas de trabalho conjunto com a equipe do presidente que se despedia, Fernando Henrique Cardoso. (...) O risco está no Governo enxergar as demonstrações de massa com olhos oportunistas; entendê-las como fonte potencial de pressão sobre o Congresso e a Justiça em eventuais impasses em torno da aplicação de projetos da administração. O PT e Lula, porém, têm experiência suficiente para saber ser inviável a prática da democracia direta no Brasil. (...) (pág. 6) COLUNAS (Panorama Político - Tereza Cruvinel) - A festa da posse foi de Lula e do povo. A de ontem foi dos ministros e dos ocupantes do primeiro escalão e deixou mais clara a fisionomia do novo Governo. Entre eles há um ex-guerrilheiro, um popstar, empresários, diplomatas, humanistas, ecologistas e um médico no comando da economia. (...) (pág. 2) (Ancelmo Gois) - A cada dia a cúpula do Governo descobre que são maiores do que se pensavam as diferenças de idéias entre o ministro Furlan e Carlos Lessa, do BNDES. Lula vai precisar ser muito paz e amor. (pág. 16) GAZETA MERCANTIL - As reformas que Lula quer propor já ao Congresso - O novo Governo definiu sua agenda de negociações prioritárias com o Congresso. Ela é ambiciosa - tem dez itens -, não apenas pelo caráter e dimensão do reformismo implícito nos projetos, mas sobretudo pela dificuldade política à frente, como sugere a modesta base parlamentar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - os 230 votos até agora garantidos pelo Governo são insuficientes para aprovar simples projetos de lei ordinária. O conjunto de propostas de mudanças em preparação no Governo Lula tem como premissa um novo desenho do Estado. Fundamenta-se na visão de que sua estrutura e forma de atuação atuais emperram o desenvolvimento econômico ao impor amarras às relações políticas. (...) (pág. 1 e A-8) - O presidente do PT, José Genoino, disse estar convicto de que a reforma previdenciária será votada no primeiro semestre deste ano. Antes de ser enviada ao Congresso, será discutida com diversos segmentos, conforme calendário do ministro Ricardo Berzoini. (pág. 1 e A-7) - Em seu discurso de posse no Ministério das Telecomunicações, ontem, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) disse que o Brasil pode desenvolver um padrão próprio de TV Digital, em vez de recorrer a um dos três modelos existentes - norte-americano, europeu e japonês. Miro Teixeira disse que a realização de acordos de desenvolvimento tecnológico com países do porte da China e da Índia pode viabilizar a escala industrial necessária para projeto da televisão global. Sobre o acesso à Internet na rede pública, sugeriu a internacionalização do processo para atrair novos investidores. Para formar sua equipe no Ministério, Miro Teixeira convocou alguns de seus assessores na Câmara dos Deputados. (pág. 1 e C-4) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém firme a promessa de cortar gastos para atender ao programa de combate à fome. Em audiência com o primeiro-ministro da Suécia, Göran Persson, Lula disse que poderá rever a concorrência para comprar aviões de caça para reequipar a FAB, da qual a anglo-sueca Saab/Bae participa. Os US$ 700 milhões previstos seriam destinados a programa sociais. "A compra talvez não seja adequada nesse momento em que o Brasil vive. Talvez fosse melhor utilizar os recursos no combate à fome", disse Lula a Persson, segundo o porta-voz presidencial, André Singer. Além do primeiro-ministro da Suécia, Lula recebeu ontem representantes de doze países. (pág. 1 e A-8) CORREIO BRAZILIENSE - Governo ataca desperdício e corrupção - Todo cidadão brasileiro poderá acompanhar os gastos do Governo pela Internet. É uma promessa do novo ministro da Controladoria Geral da União, Waldir Pires. A transparência e a intolerância com a corrupção são marcas que o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer imprimir. Assim como o combate ao desperdício dos recursos públicos. No discurso de posse, o novo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, prometeu atacar a desigualdade social e econômica dando melhor destino aos recursos públicos. "Temos um imenso país atrelado aos grilhões da estagnação e da desigualdade", disse, ao comentar o "crescimento medíocre" da economia brasileira. (pág. 1, 6 e 8) - Treze audiências preencheram a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto. Os dois encontros mais importantes foram com os colegas de Portugal, Jorge Sampaio, e da Venezuela, Hugo Chávez. Lula convocou reunião ministerial para as 9h de hoje. (pág. 1 e 6) - O aumento, que já está em vigor, foi provocado pela elevação do dólar, dos combustíveis e da energia elétrica. Presidente da Caesb, Humberto Ludovico, diz que 80% dos insumos usados no tratamento da água e do esgoto são importados. (pág. 1 e 20) - Com a chegada do período chuvoso, vários órgãos do Governo federal e local se tornaram criadouros do "Aedes aegypti". Já foram encontrados focos da doença no Hospital Sarah Kubitschek, Câmara Legislativa, Detran, UnB e até nas estações do metrô. (pág. 1 e 19) - O governador Joaquim Roriz adiou o anúncio dos sete nomes que faltam para compor o secretariado para tentar conciliar aliados insatisfeitos com a distribuição de cargos. O PFL reclama só ganhou uma secretaria. Parte do PMDB também protesta: o deputado Alberto Fraga diz que sai hoje do partido. (pág. 1 e 17) - A Reforma da Previdência não foi tema apenas dos discursos dos novos ministros. Pelo que foi dito, será um dos principais assuntos do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o da Previdência Social, Ricardo Berzoini, deixaram claro que as mudanças na Previdência Social são prioritárias. A reforma proposta pela equipe petista prevê a unificação dos sistemas de previdência dos funcionários públicos e dos trabalhadores do setor privado. Isso significa o fim de aposentadorias milionárias dos servidores, em contraste com um teto de R$ 1.561 dos aposentados do INSS. (...) (pág. 9) ZERO HORA - Um pronunciamento incisivo sobre a situação financeira do estado marcou o primeiro dia de Germano Rigotto no Palácio Piratini. Reproduzindo as críticas à penúria das contas públicas que já esboçara nos dois discursos de posse, Rigotto disse em cadeia de rádio e TV, às 21h15, que estava assumindo um governo imerso na "maior crise financeira da história recente do setor público estadual". (pág. 18) - A Secretaria da Fazenda poderá recorrer à antecipação de receita do mês de fevereiro para cobrir os gastos deste mês, informou ontem o novo secretário Paulo Michelucci. As estimativas feitas até agora projetam que haverá necessidade de receitas equivalentes a R$ 150 milhões, para fechar as contas de janeiro. O valor não é definitivo porque a nova equipe da Fazenda ainda não concluiu o levantamento sobre as finanças do estado. (pág. 21) - A Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) se transformou no mais novo foco de atrito entre o governo petista que terminou e os peemedebistas que assumem agora. Os servidores da Uergs realizaram ontem uma mobilização destinada a garantir, entre outros pontos polêmicos, a permanência do atual reitor, José Clóvis de Azevedo, nomeado pelo PT. O argumento é que ele e os cinco pró-reitores têm mandato até 2004. O governador Germano Rigotto anunciou Nelson Boeira para comandar a Uergs até 2007. (pág. 28) MANCHETES A TARDE (BA) - Wagner quer vetar mudanças na CLT CORREIO DA BAHIA - Salvador tem a gasolina mais cara do País O DIA (RJ) - Rio à beira da falência /ESTADO DE MINAS - Palocci atribui crise a improvisos do Governo *ZERO HORA (RS) - Mudar a Previdência será prioridade, anuncia Palocci

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento
Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação
mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de
preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc),
está disponível via FTP através do endereço na INTERNET http://www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas,
em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da
Fazenda.
Consulte a homepage
da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
O endereço na Internet
é http://www.brasil.gov.br
O telefone para solicitação
de publicações é:061-411.4892.
O email da Secretaria
de Comunicação Social é:secom@planalto.gov.br
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