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18/03/2003
JORNAL DO BRASIL - Bush dá a Saddam 48 horas para deixar o Iraque - (Washington) - O presidente dos Estados Unidos, George Bush, ordenou que o presidente iraquiano, Saddam Hussein, e seus filhos deixem o Iraque em 48 horas como condição para que não haja a guerra. "O Iraque não se desarmará enquanto Saddam Hussein estiver no poder", disse Bush, pedindo que jornalistas e inspetores saiam do país. Após o fracasso definitivo no campo da diplomacia, restam apenas algumas horas para que o iminente ataque às forças iraquianas se concretize. (pág. 1 e A6) - Diante das incertezas geradas pelo iminente conflito no Golfo Pérsico, o Governo brasileiro decidiu sacar US$ 4,1 bilhões do Fundo Monetário Internacional relativo ao acordo de mais de US$ 30 bilhões fechado no ano passado. Enquanto o Brasil se previne de eventuais dificuldades os mercados financeiros globais tiveram dia de fortes altas com a perspectiva de que o impasse da guerra termine logo. As bolsas dispararam nos EUA e na Europa, e o dólar voltou a subir no País. (pág. 1, A9 e A10) - Fernandinho Beira-Mar não mandou matar o juiz José Antônio Machado Dias. Novas pistas da polícia mostram que o plano dos assassinos e o roubo do carro usado no crime antecederam a ida do bandido do Rio para São Paulo. O suspeito agora é o PCC, crime organizado paulista. Em artigo no "JB", o superintendente da Polícia Federal Marcelo Itagiba diz que também são responsáveis pelo assassinato quem consome droga, vende sentença e faz acordo político com a criminalidade. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, passou a andar com escolta policial. Também nesta edição do "JB" todas as cartas tratam de violência. (pág. 1, A3, A12 e C4) - O Governo federal prometeu apresentar na sexta-feira uma proposta para o índice de reajuste salarial dos servidores públicos. Ontem, em reunião entre representantes do Governo e do funcionalismo, não houve grande avanço. Com os recursos de que dispõe, o Governo diz que só pode dar aumento de 4% para algumas categorias que não tiveram reajuste nos últimos 8 anos, ou então 2,35% para todos os funcionários. Os servidores pedem 46,5%. (pág. 1 e A2) - A primeira reunião do Conselho de Ética do Senado para investigar os grampos irregulares na Bahia e o suposto envolvimento do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) promete ser bem mais tranqüila do que o esperado. Na linha de frente da defesa do senador, o PFL apresentará no início da reunião do conselho um requerimento sugerindo que se espere o fim das investigações da Polícia Federal antes de abertura de inquérito no Senado. A maioria dos partidos deve acompanhar a sugestão do líder do PFL, José Agripino (RN). Ontem, o PFL indicou o senador Demóstenes Torres (GO) para vice-presidente do conselho. (...) (pág. 2) - O presidente Lula recebeu ontem, para um almoço no Itamaraty, o primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Nohamadi. Na ocasião, voltou a manifestar preocupação com a iminência de um ataque dos EUA ao Iraque sem o endosso da ONU. Na parte da tarde, Lula conversou por telefone sobre a ameaça de guerra com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. (pág. 1) - Com o apoio oficial do PT à política econômica, o Governo vai se empenhar para consolidar maioria no Congresso, hoje, o principal obstáculo para formalização das propostas do Governo. O aval do Diretório Nacional do PT às medidas do Governo no fim de semana e o apoio da bancada petista à proposta de emenda constitucional que permite a regulamentação parcial do sistema financeiro abriram caminho para um comportamento mais unitário da bancada em apoio às medidas do Governo Lula. (pág. 3) - O Governo brasileiro aproveitou ontem o fato de abrir a 59ª Sessão da Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para mandar um recado ao presidente dos Estados Unidos, George Bush, que ameaça atacar o Iraque nos próximos dias. Em um discurso aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o secretário especial de Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda, criticou os conceitos de "guerra justa" e "guerra preventiva", adotados pelos norte-americanos. "A única 'guerra justa' que o Governo brasileiro reconhece é a guerra contra a fome e a miséria", disse Nilmário. (...) (pág. 3) - Novas denúncias publicadas pela revista "Época" neste fim de semana reforçam a tese de envolvimento do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), num suposto esquema de desvio de dinheiro público. O doleiro Fayed Antonie Traboulsky teria repassado mais de R$ 5 milhões do Instituto Candango de Solidariedade (ICS) para a campanha à reeleição de Roriz. Os recursos teriam sido utilizados na construção e na reforma de comitês, no aluguel de carros e na contratação de pessoal. Nesta semana, o procurador-geral eleitoral, Geraldo Brindeiro, vai encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a documentação que comprova o envolvimento de Traboulsky no suposto desvio. Ele teria sacado na boca do caixa o dinheiro que o governo usou para pagar empresas contratadas pelo ICS para trabalhar na campanha. Brindeiro tem em mãos cópias dos cheques descontados pelo doleiro. (...) (pág. 2) - (Belém) - Um grupo de trabalhadores rurais sem-terra, acompanhado de integrantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura, continua acampado na sede do Incra em Marabá, no Sul do Pará. O prédio foi ocupado anteontem. Eles querem negociar diretamente com a direção do órgão em Brasília e com o Ministério do Desenvolvimento Agrário a desapropriação de 73 fazendas ocupadas por 7 mil famílias, que desde o ano passado acampam nas propriedades. (pág. 4) - (São Paulo) - Agentes da Polícia Federal prenderam no Aeroporto Internacional de Guarulhos, no domingo à noite, dois brasileiros que entrariam no País com um milhão de euros, escondidos em meias elásticas atadas ao corpo. Para os policiais, o dinheiro seria utilizado em operações financeiras ilegais. A dupla tinha acabado de chegar de Lisboa. Cada um deles trazia escondidos nas meias 500 mil euros. (pág. 4) - (Boa Vista) - Os governos federal e de Roraima já gastaram R$ 1,5 milhão para tentar conter o fogo que atinge várias áreas da região. Ontem, mais 400 homens foram destacados para combater as chamas nas florestas. O comando das operações passou da Defesa Civil para o Exército. Duas reservas indígenas continuam enfrentando as labaredas, e quatro cidades permanecem em estado de calamidade pública. (pág. 4) - Ontem no Rio, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, recebeu duas comissões, uma favorável e outra contrária à construção do Museu Guggenheim. O grupo a favor da obra, liderado pelo vereador Paulo Cerri (PFL), foi o primeiro a ser recebido. Ele entregou ao ministro uma moção assinada por 26 vereadores, todos com a mesma opinião. "Queria tirar a falsa impressão de que vereadores do Rio são contra a construção do museu", declarou. Logo depois foi a vez de a comissão contrária ser recebida. O vereador Mario Del Rey (PSB), que encabeça o movimento, entregou um dossiê que pretende comprovar a inviabilidade econômica do projeto: "Não somos contrário ao museu e sim à utilização de recursos públicos. Se o dinheiro viesse da iniciativa privada, estaríamos batendo palmas". (...) (pág. C3) EDITORIAL "Quanto custa o medo" - O Rio de Janeiro continua lindo. Mas infelizmente já não é o mesmo. Por obra e desgraça do crime organizado, sua imagem mudou. E o que é pior: no mundo da instantaneidade das comunicações é cada dia mais dificil empurrar para debaixo do tapete das versões oficiais o drama de uma cidade conflagrada. A população carioca tem sofrido com a pior crise de segurança de sua história. (...) (pág. 12) COLUNAS (Coisas da Política - Dora Kramer) - Quando assumiu a presidência do PT, o ex-deputado José Genoino tinha a seguinte receita para bem administrar a relação entre partido e Governo: evitar a submissão de um ou outro a fim de não prejudicar nenhum dos dois e acabar comprometendo a sobrevivência de ambos. Pois a resolução aprovada na reunião do diretório, no fim de semana em São Paulo, ao contrário de resolver, ou atenuar, o dilema, só fez acentua-lo. (...) (pág. 2) (Informe JB - Doca de Oliveira ) - O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, será recebido pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara esta quinta-feira. Vai explicar a estratégia do Governo federal para o combate ao crime organizado e o narcotráfico, com ênfase na crise que assola o Rio de Janeiro. Bastos deve falar também sobre as prioridades do Governo Lula e a reforma do Judiciário. (pág. 6) (Boechat) - O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana criou uma comissão para investigar a morte, seguida de castração, de 22 meninos, em São Luís. Apesar dos crimes estarem sendo praticados há 21 anos, até hoje ninguém foi punido. Elizabeth Sussekind, Celso Arruda e Humberto Espínola integram o grupo. (pág. C2) FOLHA DE SÃO PAULO - EUA ignoram ONU; guerra contra o Iraque é iminente - (Washington) - Os Estados Unidos desistiram de obter o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas e deram um ultimato para que Saddam Hussein e seus aliados deixem o Iraque como a única maneira de evitar o ataque norte-americano. O país decidiu não submeter à votação do Conselho uma nova resolução que autorizasse o ataque, depois de constatar que não teria o apoio da maioria. O embaixador americano na ONU, John Negroponte, culpou a França: "Lamentamos que, face a uma ameaça explícita de veto de um membro permanente [do Conselho], a contagem dos votos tenha se tornado secundária". "A janela diplomática se fechou", disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, ao antecipar discurso que o presidente George W. Bush faria. O chanceler do Iraque, Naji Sabri, rejeitou o ultimato americano. Antes, Saddam havia dito na TV: "Estamos dispostos a sacrificar nossas almas, nossos filhos e nossas famílias para não abandonar o Iraque". A França manteve sua posição e condenou o ultimato. "Lamento uma decisão que não pode ser justificada por nada", disse o chanceler francês, Dominique de Villepin. A ONU determinou a retirada de seus funcionários do Iraque, e muitos países fecharam as suas embaixadas. (pág. 1 e cad. Mundo) - A crença em uma rápida vitória dos EUA no Iraque, que traria a possibilidade de maior crescimento econômico no segundo semestre, fortaleceu as principais bolsas do mundo. Nos EUA, o Dow Jones fechou em alta de 3,59%, e a Nasdaq, de 3,88%. As bolsas da Europa iniciaram o dia em baixa, mas, influenciadas por Nova York, se recuperaram. Londres subiu 3,35%, Paris, 3,35%, e Frankfurt, 3,49%. O petróleo caiu 1,27% em Nova York e 2,16% em Londres. (pág. 1 e B1) - Os principais temores dos EUA são uma batalha longa em Bagdá - onde está concentrada a defesa iraquiana -, ataques que atinjam suas próprias tropas, falta de combustível e o uso de armas de destruição em massa por Saddam. O "fogo amigo" pode ocorrer em decorrência de operações aéreas e terrestres quase simultâneas. A falta de combustível depende da logística: 500 km separam a fronteira do Kuwait de Bagdá, e cada um dos milhares de tanques gasta cinco litros por quilômetro. (pág. 1 e A17) - O chanceler russo, Igor Ivanov, contestou a legalidade de uma ação militar no Iraque. "O uso da força, especialmente com referência a resoluções prévias, não tem fundamento legal". Para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, "se a ação acontecer sem apoio do Conselho de Segurança, sua legitimidade será questionada". Para o Reino Unido, o uso da força foi autorizado pelo "efeito combinado" de resoluções anteriores. A última prévia "sérias conseqüências" se o país não se desarmasse. (pág., 1 e A12) - Para Bagdá, é a 1.001ª noite, as últimas horas de fantasia. Mas, ao que parece, a cidade caminha sonâmbula em direção a seu lugar na história. O desprendimento é extraordinário, como se respirássemos outro ar aqui em Bagdá, como se existíssemos em um mundo bem distante dos B-52s e mísseis de cruzeiro e "mães de todas as bombas", que logo vão fazer o chão tremer sob nossos pés. (Robert Fisk, do "The Independent", em Bagdá) (pág. 1 e A16) - A investigação do assassinato do juiz-corregedor dos presídios de Presidente Prudente (SP), Antonio José Machado Dias, concentra a busca de pistas nos presídios da região. Promotores e policiais ouviram líderes do PCC isolados no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes, que negaram participação. A principal linha investigativa aponta para ação do PCC, mas há dúvidas se ela foi isolada ou de cúpula. (pág. 1 e C1) - A nova versão do acordo do Brasil com o FMI fixa prazo até junho para o Governo enviar ao Congresso as reformas previdenciária e tributária. Outro compromisso assumido pelo País é manter o esforço fiscal, sinalizando que os superávits primários farão a dívida pública cair gradualmente. O novo texto contraria a versão da equipe econômica de que seria um acordo "enxuto", sem a estipulação de tantas condições por parte do Fundo. O Brasil decidiu sacar mais US$ 4,1 bilhões do acordo anterior e elevou para até 17,5% a meta da inflação em 12 meses até setembro. (pág. 1 e B5) - No dia 14 de janeiro, o Governo completava duas semanas e a coluna intitulada "Buraco Negro" cobrava o óbvio: alguém tem de exercer a coordenação dos programas e das ações do Governo. No final, dizia: "Ou alguém se impõe pela própria dinâmica como coordenador do ministério, ou Lula vai ter de, logo ali adiante, providenciar um". O "logo adiante" chegou. É evidente que ninguém se impôs pela própria dinâmica, e a cúpula do Governo começa a descobrir que o óbvio é óbvio. Lula vai ter de ceder e nomear um "gerentão" para o Governo. Em geral, como nos anos FHC, quem ocupava esse papel era o chefe da Casa Civil. Mas, no atual Governo, o ministro José Dirceu anda ocupado demais articulando o apoio do PMDB, segurando o ímpeto oposicionista do PFL, neutralizando os próprios aliados - como PPS e PDT. (...) (Eliane Cantanhêde, pág. A2) EDITORIAL "É a guerra" - Agora, apenas um milagre é capaz de impedir a guerra no Iraque. Todo conflito armado entre Estados tem algo de insensato em sua gênese, mas esse parece particularmente injustificável. As razões declaradas pelos Estados Unidos e seus aliados para atacar Bagdá são, antes de mais nada, falsas. Saddam Hussein é por certo um ditador sanguinário, que merece o pior dos destinos, mas não é verdade que ele represente uma ameaça para o mundo nem existem provas a demonstrar seu vínculo com a rede terrorista Al Qaeda, responsável pelos atentados de 11 de setembro. (...) (pág. A2) COLUNA (Painel) - Lula decidiu no final de semana convocar uma reunião extraordinária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Será no dia 31 de março. Em pauta, dois assuntos: a guerra no Iraque e a reforma tributária. * A previsão do Governo é que a guerra no Oriente Médio deva, logo de início, aumentar os preços de insumos agrícolas e médico-hospitalares, o que poderá elevar a inflação e prejudicar as contas externas. * O presidente da Câmara, João Paulo, quer acelerar a tramitação de projeto que aumenta o tempo máximo de criminosos em solitárias de 30 para 360 dias. (pág. A4) O ESTADO DE SÃO PAULO - EUA: guerra pode começar amanhã - O secretário de Estado americano, Colin Powell, antecipou ontem os principais temas do discurso que o presidente George W. Bush faria à noite sobre a questão iraquiana. Segundo Powell, o presidente do Iraque, Saddam Hussein, passa a ter um curto prazo para deixar o país - 48 horas, segundo fontes da Casa Branca, contadas a partir do pronunciamento de Bush. Uma fuga de Saddam, no entanto, não evitará a ocupação do país: Powell deixou claro que ao fim do ultimato será dada ordem de avançar aos mais de 250 mil soldados americanos e ingleses de prontidão na área. Bush deverá fazer um segundo pronunciamento esta semana, tão logo ordene o ataque. EUA, Grã-Bretanha e Espanha retiraram ontem do Conselho de Segurança da ONU o projeto de resolução que dava prazo até ontem para o Iraque se desarmar. (pág. 1 e A12 a A16) - Antes mesmo do discurso de Bush, o ultimato foi rejeitado pelo ministro de Assuntos Exteriores iraquiano, Naji Sabri. A defesa aérea de Bagdá foi reforçada com um arsenal mais forte que o da Guerra do Golfo, de 1991, segundo autoridades militares americanas. "Eles levaram quase todos os seus recursos importantes para a capital", disse o brigadeiro Dan Leaf, comandante da Força Aérea no Kuwait. (pág. 1, A12 e A15) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ordenou ontem a saída dos inspetores de armas do Iraque. Carros usados por eles já cruzaram a fronteira, em comboio, e entraram no Kuwait. Por causa da guerra, a ONU também remove empregados das agências humanitárias, interrompendo a distribuição de alimentos e remédios para iraquianos. Embaixadas em Bagdá estão sendo abandonadas. (pág. 1 e A13) - Apesar de os EUA terem decidido ir à guerra contra o Iraque, o Conselho de Segurança da ONU manteve agendada para hoje reunião de seus 15 membros, a pedido de França, Rússia e Alemanha. Os três países insistem na elaboração de um cronograma de atividades, para o desarme iraquiano, seguindo proposta do chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix. (pág. 1 e A12) - O presidente do Incra, Marcelo Resende de Souza, disse ontem que o Governo vai alterar medida provisória do governo FHC que, ao impedir por dois anos a desapropriação de áreas produtivas ocupadas por sem-terra, pune os invasores. (pág. 1 e A4) - O Governo muda a estratégia para corrigir o Fome Zero. A mobilização da sociedade, que inclui ligações gratuitas e contas de doações, sai do programa original e passa para o Mutirão contra a Fome. O Fome Zero fica só com a distribuição de cartões-alimentação. (pág. 1 e A6) - O Brasil vai sacar os US$ 4,1 bilhões colocados na sexta-feira à sua disposição pelo FMI como parte do empréstimo definido em 2002. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que o dinheiro entrará nas reservas do País até o fim da semana. A nova carta de intenções aprovada pelo Fundo fixa metas mais folgadas para a inflação, levando em conta eventuais efeitos da guerra: índice acumulado de 15% nos 12 meses a serem completados em setembro, com tolerância de 2,5 pontos porcentuais. (pág. 1 e B1) - O Governo estuda publicar uma medida provisória para criar um sistema de "cárcere duro" a ser aplicado aos condenados ligados ao crime organizado. A MP daria amparo legal à norma administrativa existente em prisões de segurança máxima de Rio e São Paulo. (pág. 1 e C1) - O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, voltou ontem a criticar a Anatel. Ele defendeu que seja permitida, no Brasil, a terceira geração da telefonia celular tanto na tecnologia européia como na americana. A Anatel apóia a tecnologia adotada na Europa. (pág. 1 e B5) EDITORIAL "Desabrida afronta à Justiça e à democracia) - Pouco adianta o ministro da Justiça declarar, de forma peremptória, que o poder federal sempre reagirá quando o crime organizado praticar atos como o brutal assassinato do juiz José Antonio Machado Dias e limitar-se apenas ao envio, nessas ocasiões, de contingentes ou recursos de inteligência da PF para elucidar o crime. É preciso muito, muito mais, para equipar, institucionalmente, o Estado brasileiro. (pág. 1 e A3) O GLOBO - Bush desiste da ONU e dá 48h para Saddam deixar o Iraque - O presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou na noite de ontem que Saddam Hussein tem 48 horas para deixar o Iraque - levando seus filhos - ou enfrentará a guerra. Num discurso de 15 minutos, não disse quando será o ataque, mas deixou claro que a ofensiva é iminente. "Saddam e seus filhos devem deixar o Iraque dentro de 48 horas. Sua recusa resultará num conflito militar, a começar no momento de nossa escolha", afirmou. Bush voltou a acusar Saddam de esconder armas de destruição em massa e afirmou que ele é um perigo para o mundo. Parte do discurso foi dirigida aos iraquianos: Bush pediu que eles não lutem por um regime agonizante e não incendeiem campos de petróleo, ameaçando punir crimes de guerra. Desde a manhã, estava claro que a diplomacia falhara. Os EUA desistiram de levar à ONU resolução que autorizaria a guerra e seus inspetores tiveram ordem de deixar o Iraque. (pág. 1 e 28 a 32) - A expectativa de que a guerra dure pouco tempo fez ontem as bolsas americanas e européias fecharem em alta. No Brasil, o dólar subiu 0,23%, cotado a R$ 3,44. (pág 1 e 24) - Na revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional que permitirá ao País sacar US$ 4,1 bilhões, o Governo brasileiro aumentou a meta de inflação deste ano para até 17,5%. Mas, segundo o Banco Central, a meta interna continuará sendo de 8,5%. (pág. 1, 19 e 20) - O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ontem que teve reforçada sua segurança e de parentes pela Polícia Federal, por temer ser alvo do crime organizado, após o assassinato do juiz Antônio José Machado Dias, da Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente (SP). O ministro reconheceu que o País corre o risco de se transformar numa Colômbia, onde o narcotráfico desafia as autoridades com atentados e morte de políticos: "Se deixarmos correr solto, podemos virar uma Colômbia", disse Bastos, garantindo que "isso não vai acontecer porque o Governo Lula tem plano nacional de segurança". Em entrevista ao "Jornal Nacional", da Rede Globo, a viúva de Machado Dias, a também juíza Cristina Escher, disse que não tem medo da morte: "E se eu tiver de morrer que nem o meu amor, eu vou morrer. Mas não vou baixar a minha cabeça". O ministro Thomaz Bastos disse ontem que Beira-Mar não ficará mais do que 30 dias em São Paulo, mas também não voltará ao Rio. A Penitenciária da Papuda, em Brasília, voltou a ser preparada para receber o traficante, informa Ancelmo Gois. (pág. 1, 11, 12 e 14) - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, recebeu ontem na Funarte um grupo favorável à construção da filial carioca do Museu Guggenheim e, depois, pessoas contrárias à obra. Sem querer opinar sobre o museu, mas dizendo que apóia o debate sobre o projeto, Gil limitou-se a comentar que achava os custos muito altos. Ele afirmou que está esperando que a prefeitura entregue o projeto para análise do Iphan. (pág. 15) - Sob críticas, o Fome Zero terá a estrutura modificada. O ministro José Graziano passará a cuidar mais do programa governamental, com a distribuição de cartões alimentação, e os assessores especiais da Presidência Frei Betto e Oded Grajew ficarão encarregados do Mutirão Contra a Fome, que mobilizará a sociedade para receber e distribuir doações, com a ajuda das prefeituras. (pág. 1, 4 e 5) - O Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC) usaram os cálculos mais pessimistas para estabelecer as metas trimestrais de inflação com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Pelo acordo, o IPCA acumulado em 12 meses pode chegar a 17,5% em setembro deste ano. Os números estão em linha com as projeções médias do mercado de duas semanas atrás. Mas contrastam com a tendência de desaceleração dos índices de preços, que fizeram as estimativas do relatório "Focus" recuarem ontem depois de sete semanas em alta. Também as projeções de IPCA feitas pelas cinco instituições que mais se aproximam do resultado final do índice estão bem abaixo da média do mercado. No relatório divulgado ontem, o IPCA médio para 2003 é 12,38% - quase idêntico à variação do ano passado, de 12,52%. O número considera as contas de mais de uma centena de instituições financeiras. Já no cálculo dos bancos e consultorias Top 5 (Boreal, Citibank, Alfa, MCM e BBM, em fevereiro), a inflação terminará o ano em 11,88%. (pág. 23) - O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) continua em baixa. A taxa, calculada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), caiu para 1,13% no mês fechado em 12 de março contra 1,26% da semana anterior. A pressão menor dos combustíveis e dos ônibus urbanos foi o principal fator para determinar a queda. O grupo transporte passou de uma variação de 2,48% para 1,73%. A alimentação, apesar de estar com uma taxa menor que a do mês fechado na semana de 6 de março, ainda subiu 1,91%, muito pouco abaixo da semana anterior, quando os preços dos alimentos subiram 2,06%. E ainda correspondem a quase metade do IPC-S como um todo. A alta de 10,22% nos preços dos legumes e frutas puxou o índice para cima, porém, a taxa já foi menor que a variação do período anterior, de 12,18%. As maiores altas foram de telefone residencial (3,73%), álcool combustível (8,87%) e tomate (26,22%). (pág. 23) - A exemplo de seus antecessores José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá um programa semanal de rádio. A diferença será o formato, que dará aos ouvintes a chance de fazer perguntas. Lula também usará as redes nacionais de rádio e TV. Pesquisas encomendadas pelo Planalto reforçam que ele é o principal produto de marketing do Governo. (pág. 2 e 8) - O PMDB se reúne hoje e amanhã - e deverá até convocar sua executiva nacional - para decidir se aceita ou não apoiar o Governo sem qualquer cargo na Esplanada dos Ministérios. Hoje, os emissários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverão convidar o PMDB para atuar na formulação de políticas públicas do Governo federal, como repetiam ontem os líderes petistas. Mas, mantida essa oferta, os peemedebistas poderão declarar independência em relação ao Governo. Essa é a ameaça do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). "Boa vontade existe. Mas o PMDB vai participar como, quando e em que instância? Eles têm que dizer como será", disse Renan. (...) (pág. 16) - (São Paulo e Brasília) - O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Sérgio Amaral foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde se recupera de uma infecção abdominal contraída após cirurgia realizada na quinta-feira passada para a retirada de vesícula biliar. O boletim médico informa que o ex-ministro está "em plena recuperação" e que sua alta está prevista para os próximos dias. (...) (pág. 23) - O destino do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) começa a ser discutido hoje na primeira reunião do Conselho de Ética. O PFL vai tentar fazer com que o recurso do PT pedindo a abertura de investigação sobre a participação do senador na escuta ilegal a 232 telefones na Bahia nem sequer seja apreciado. O partido apresentará uma preliminar, sustentando que o pedido do PT só pode ter eficácia depois do fim do inquérito policial, se for constatado o envolvimento do senador baiano. (...) (pág. 23) EDITORIAL "Dedo no gatilho" - Nas últimas horas todos se perguntam, angustiados, se ainda é possível evitar a guerra. A probabilidade de uma solução pacífica é cada vez menor - como os prazos dados pelo presidente George Bush. Depois de uma rápida reunião com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, e o presidente do governo da Espanha, José María Aznar, o presidente americano fechou a porta à diplomacia. (...) (pág. 6) COLUNAS (Panorama Político - Tereza Cruvinel) - Não foi contra a vontade do presidente Lula a resolução do diretório nacional, aprovada no fim de semana, que advertiu ministros e integrantes dos escalões administrativos do Governo para que "não se acomodem burocraticamente nos cargos". Foi por inspiração dele, que tanto na reunião como em conversas paralelas cobrou de todos os auxiliares mais "ativismo governamental". (...) (pág. 2) (Ancelmo Gois) - O embaixador Carlos Garcia, em Madri, deixou o cargo e a carreira diplomática ontem e, ontem mesmo, foi eleito presidente da Câmara de Comércio Espanha-Brasil. (pág. 14) GAZETA MERCANTIL - Bush critica ONU e dá ultimato de 48 horas ao Iraque - (Washington) - O presidente dos EUA, George W. Bush, deu um ultimato de 48 horas para o presidente iraquiano, Saddam Hussein, deixar o poder. "Saddam e sua família têm 48 horas para deixar o Iraque", disse Bush, abrindo caminho para uma intervenção militar no país árabe, que possui a segunda maior reserva mundial de petróleo, se Saddam não aceitar o ultimato. (...) (pág. 1, A-12, A-13 e A-14) - (Nova York e Londres) - Os mercados financeiros mundiais esperam que os Estados Unidos realizem uma ação militar rápida e bem-sucedida no Iraque. Com isso as bolsas de valores dispararam pelo terceiro dia consecutivo. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, avançou 3,59%, o maior patamar desde 23 de janeiro. O Standard & Poor's 500 subiu 3,54%, enquanto o Nasdaq, da bolsa eletrônica, teve alta de 3,88%. Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em alta de 3,35%. Em Paris, os ganhos somaram 3,72% e a Bolsa de Frankfurt subiu 3,49%. O mercado brasileiro também reagiu bem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,53%, depois de ter caído 2% durante o dia. O dólar comercial fechou em alta de 0,94%, para R$ 3,442, na venda. Os juros futuros subiram e o C-Bond teve alta de 0,64%. (pág. 1, B-1 e B-5) CORREIO BRAZILIENSE - Bush dá 48 horas para Saddam deixar o Iraque - O presidente dos Estados Unidos, George Bush, ignorou o prazo que ele mesmo concedeu à ONU durante a cúpula de Açores (Portugal) no fim de semana e deu uma ordem direta ao presidente do Iraque. "Ele (Saddam) e seus filhos devem deixar o Iraque em 48 horas", disse Bush, em discurso de 15 minutos transmitido pelas TVs norte-americanas. (...) Em entrevista ao "Correio" o diplomata José Bustani diz que a ONU terá que ser repensada e redemocratizada depois da tentativa fracassada de evitar o conflito. (pág. 1 e 6 a 10) - Será divulgado sexta-feira o índice de reajuste do funcionalismo. Percentual não deverá superar os 4%. Se for linear, ficará em 2,35%. (pág. 1 e 3) - Futuro de ACM em jogo - Conselho de Ética começa a investigar envolvimento do senador com grampos na Bahia. (pág. 1 e 14) - A ameaça de guerra entre os Estados Unidos e o Iraque começa a influenciar as decisões da equipe econômica brasileira. O Governo federal resolveu sacar até o final da semana os US$ 4,1 bilhões do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). (...) (pág. 11) ZERO HORA - As estratégias que o PT gaúcho adotará para se manter no controle das 35 prefeituras conquistadas no estado e ampliar seu espaço nas eleições de 2004 já dividem líderes do partido. O secretário-executivo do PT, Francisco Vicente, irá sugerir na reunião do diretório estadual, no sábado, que a Frente Popular (PT-PSB-PCdoB-PCB) seja ampliada exclusivamente para abrigar setores de esquerda do PDT. (pág. 15) - Mergulhados em estratégias para exportar cada vez mais calçados e enfrentar o impacto comercial de um conflito no Iraque, fabricantes nacionais reúnem-se de hoje a quinta-feira em Gramado, na Serra, no 7° Salão Internacional do Couro e do Calçado (Sicc). A feira atrai centenas de lojistas do sul do País e do Mercado Comum do Sul (Mercosul), e é, segundo os calçadistas, oportunidade de garantir visibilidade às marcas. (pág. 21) - Apesar do esforço do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em tranqüilizar a cadeia produtiva da soja quanto à liberação dos transgênicos, ontem em Não-Me-Toque os produtores resolveram programar grandes manifestações na cidade para a manhã de quinta-feira. O primeiro dia da Expodireto Cotrijal 2003 foi marcado por reuniões que culminaram com a organização dos protestos. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) garantiu a presença de milhares de produtores de todo o estado. (pág. 26) - O aviso sobre uma misteriosa forma de pneumonia, ainda sem cura, chegou ontem ao Rio Grande do Sul. Diante do avanço mundial da doença que já matou pelo menos nove pessoas, o Ministério da Saúde enviou um comunicado às secretarias estaduais. A ordem é manter a atenção sobre casos suspeitos, principalmente em cidades dotadas de aeroportos internacionais. (pág. 28) - Ruralistas da Fronteira Oeste e da Campanha, próximo ao Uruguai, montaram ontem à tarde um acampamento quase ao lado do assentamento Nossa Senhora da Conceição, onde estão alojadas famílias de sem-terra, a 38 quilômetros do centro de Santana do Livramento. Os produtores rurais colocaram uma barraca de lona alaranjada e a bandeira do Brasil numa coxilha da Estância Auto Alegre, do advogado Luiz Paulo Dutra, que fica ao lado do assentamento. (pág. 36) MANCHETES CORREIO DA BAHIA - Guerra começa em 48 horas ESTADO DE MINAS - 48 horas para Saddam O DIA (RJ) - Oração antes da matança ZERO HORA (RS) - À beira da guerra

ATENÇÃO
O Boletim de Acompanhamento
Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação
mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de
preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc),
está disponível via FTP através do endereço na INTERNET http://www.fazenda.gov.br,
na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas,
inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas,
em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da
Fazenda.
Consulte a homepage
da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
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é http://www.brasil.gov.br
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