12/03/2004

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JORNAL DO BRASIL

- Terror golpeia Madri

- O dia 11 volta a marcar o calendário do medo. Ontem, às 7h39 em Madri, explodiu a primeira de uma série de dez bombas - outras três foram desativadas - em trens lotados no rush matinal da capital espanhola.

Os atentados mataram 192 e feriram mais de 1.400, na mais sangrenta ação do terror registrada na Europa nos últimos 15 anos. As primeiras suspeitas, a três dias das eleições gerais no país, recaíram sobre o grupo separatista basco ETA.

Horas depois, a polícia descobriu, numa van roubada, sete detonadores e uma fita com versos do Corão. Um jornal árabe, editado em Londres, recebeu uma carta em que a organização terrorista islâmica Brigada de Abu Hafs Al-Masri assumia o atentado em nome de Al Qaeda.

Há dois anos e meio o grupo de Osma Bin Laden destruiu as torres gêmeas em Nova York e atingiu o Pentágono com aviões seqüestrados, matando mais de 3.000. O texto da brigada citava o apoio espanhol aos Estados Unidos e à Inglaterra nos conflitos do Afeganistão e Iraque. As principais nações do mundo condenaram o atentado e se solidarizaram com a dor do povo espanhol. (pág. 1, A7, A9 e A12)

- Ao discursar na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social em 2004, o presidente Lula garantiu que não fará mudanças na política econômica. Desaconselhou pacotes - "para ter sucesso de meio dia e, depois alguém ter que arcar com o prejuízo" - e provocou os empresários. "Não há hipótese de a economia não crescer este ano; mesmo a companhia do empresário mais pessimista crescerá, desde que ele não atrapalhe."

Para Lula, o governo faz a "arte do possível". Descartou a unanimidade, não conquistada nem por Jesus Cristo, como citou. O governo lançou um programa de modernização industrial, outro de consultoria pública para pequenas e médias empresas interessadas em exportar e uma agência de fomento à criatividade e a projetos estratégicos.

O IPCA, índice oficial da inflação, fechou fevereiro em 0,61%, inferior a janeiro. No Senado, a CPI dos bingos foi definitivamente enterrada. (pág. 1, A3, A19 e A21)

- A falta de medicamentos tornou-se mal crônico na rede de saúde do Rio. Não se encontra Ribavirina e Interferon, essenciais a portadores de hepatite C. O governo afirma que a distribuição se normalizará em uma semana. Pesquisa americana aquece a polêmica sobre o uso de hormônios na menopausa. (pág. 1, A14 e A18)

- A rede de trens de subúrbio, administrada pela Supervias, ganhará padrão de metrô até 2008. O custo do projeto, US$ 780 milhões, envolve a aquisição de 69 vagões com ar condicionado. Os recursos virão da empresa, do Estado e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A licitação será concluída até o fim do ano. O edital está sendo preparado pelo Ministério das Cidades. (pág. 1 e A15)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Terror mata mais de 190 em Madri

- A explosão de dez bombas em quatro trens, em três diferentes estações de Madri, matou no mínimo 192 pessoas e feriu ao menos 1.421, sendo que duas podem ser brasileiras. Foi o maior atentado terrorista da história da Europa - sem considerar a derrubada de avião da PanAm na Escócia, em 1988, que matou 270.

As explosões, quase simultâneas, ocorreram a partir das 7h39 (3h39 em Brasília). A maioria dos mortos estava em dois trens que chegava à estação de Atocha, a maior da cidade.

As brigadas de abu Hafs al Masr, grupo terrorista islâmico ligado à Al Qaeda, responsável pelos ataques a Nova York e Washington no dia 11 de setembro de 2001, assumiu os atentados. Em carta a jornal árabe de Londres, o grupo diz que ter tido "êxito ao se infiltrar no coração da Europa e destruir um dos principais pilares da aliança dos cruzados, a Espanha". A organização já reivindicara os atentados a sinagogas na Turquia, em novembro de 2003, e à sede da ONU em Bagdá, em agosto, em que morreu o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

O governo espanhol é um dos principais aliados do EUA na guerra ao terror. O premiê José Maria Aznar fez a ligação com o 11 de Setembro ao dizer que o "o 11 de março de 2004 já ocupa seu lugar na história da infâmia".

De início, Angel Acebes, ministro do Interior, culpou o grupo terrorista basco ETA. À noite, anunciou a apreensão de furgão no qual havia detonadores "e uma fita em árabe com versículos do Corão". Segundo ele, nenhuma linha de investigação seria desprezada.

Todos os partidos políticos decidiram encerrar a campanha eleitoral para a eleição geral de domingo, que terminaria hoje. (pág. 1 e cad. Mundo)

- Os atentados levaram o caos ao centro de Madri, tomado por ambulâncias, helicópteros, bombeiros e policiais que tentavam estabelecer a ordem. A busca por informações interrompeu o trânsito e os celulares.

"Havia muito pânico nos rostos, muita gente surda, cortes abundantes nos rostos, muito sangue", afirmou Enrique Sánchez, motorista de uma das primeiras ambulâncias a chegar à estação de Atocha. (pág. 1 e A15

- Diversos líderes mundiais lamentaram os atentados em Madri. "Choramos com as famílias das vítimas", disse o presidente dos EUA, George W. Bush. O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que os o país ajudará a encontrar os culpados.

O papa João Paulo II e a ONU também condenaram a ação terrorista. O presidente Lula ao premiê José Maria Aznar "repúdio" aos ataques. (pág. 1 e A17)

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a política econômica do governo "certamente merece críticas", mas que não pretende alterá-la.

Lula disse que a inflação está sob controle, que "não há como a economia não crescer neste ano" e que os juros viraram o "bode expiatório de todo o problema do governo".

Lula usou a reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) de apresentação da política industrial do governo para rebater críticas do PT, oposição e de setores do governo.

Falando a empresários e sindicalistas, sugeriu que setores gananciosos são responsáveis pela alta da inflação. (pág. 1 e B1)

- O grupo enviado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos a Xambioá (TO) encerrou sem sucesso os trabalhos iniciados na semana passada em busca de ossadas de participantes da guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1975.

A Secretaria de Direitos Humanos não descarta fazer covas bruscas no local. (pág. 1 e A11)

- Em reação à operação do governo para impedir a instalação da CPI dos Bingos, o PSDB apresentou ao Senado requerimento que cria comissão para investigar se a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002, tem ligação com esquema de corrupção.

O requerimento tem as 27 assinaturas necessárias. (pág. 1 e A6)

- A inflação medida pelo IPCA (índice oficial que serve para acompanhamento de metas do governo) foi de 0,61% em fevereiro, inferior a janeiro (0,76%) e às previsões do mercado - de 0,7% a 0,8%.

Apesar do recuo, o índice já acumula alta de 1,37% nos dois primeiros meses do ano. A meta para 2004 é 5,5%. (pág. 1 e B12)

- A Justiça do Paraná autorizou a apreensão no estado de 21 mil exemplares do novo dicionário "Aurélio", editado pela Posigraf, de Curitiba.

Liminar acatou pedido de dois assistentes do responsável pela criação do dicionário, Aurélio Buarque de Holanda, que reclamam que seus nomes não são citados na edição. (pág. 1 e C4)

- Comissão criará política de incentivo à formação e à capacitação. Déficit na rede básica é de 253,8 mil mestres. (pág. 1 e C5)

- Defesa afirma que há risco iminente de colapso no abastecimento de água para a população. (pág. 1 e C1)

- Leia "11 de Março", condenando os atentados terroristas em Madri; e "Conselho econômico", analisando discurso do presidente sobre política a econômica. (pág. 1 e A2)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- O massacre de Madri

Al-Qaeda ou ETA: terror matou 192 pessoas

- Foi o maior atentado da história da Espanha. Na manhã fria de ontem, ataques simultâneos em três estações de trem da cidade deixaram pelo menos 192 mortos e mais de 1.200 feridos.

O caos tomou conta de Madri, segundo o relato do repórter Luiz Carlos Ramos, que se dirigia para a Estação de Atocha, a principal da cidade, quando ocorreu a explosão. A cidade parou. Homens e mulheres choravam pelas ruas. Os mortos eram levados para o Parque Ferial Juan Carlos I, perto do Aeroporto de Barajas.

Moradores e estrangeiros faziam enormes filas para doar sangue nos postos improvisados. "O que querem de nós?", gritava um homem de meia-idade próximo à estação. Perto de Atocha fica o Museu Rainha Sofia, onde está "Guernica", a obra de Picasso que retrata outra época de violência na Espanha, a da Guerra Civil dos anos 30.

Ainda em meio ao trabalho de retirada dos corpos, o governo responsabilizou a organização terrorista basca ETA (Pátria Basca e Liberdade) pelo atentado. Foi seguido pela população de Madri e pela imprensa. A manchete da edição extra do "El País", o maior jornal espanhol, estampou: "Matanza de ETA na Madrid". Já era noite na Espanha, fim da tarde no Brasil quando se divulgou a notícia de que a organização terrorista Al-Qaeda, responsável pelos ataques de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, teria assumido os ataques em Madri numa carta enviada a um jornal árabe. A notícia derrubou ainda mais os mercados que estavam abertos: a Bolsa de Nova York caiu 1,64% e a de São Paulo fechou em baixa de 4,19%.

O mundo repudiou os atentados. Em cartas ao rei Juan Carlos e ao primeiro-ministro José Maria Aznar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "o governo brasileiro repudia e condena veementemente os atentados", que chocaram e angustiaram a comunidade espanhola no país. Pelo menos um brasileiro foi ferido. (pág. 1 e A13 a A20)

- Cenas de um dia de terror - Equipes de resgate trabalham, ao lado de trens destruídos na Estação de Atocha; feridos esperam socorro médico, e a homenagem à memória das vítimas do atentado: homens e mulheres choravam pelas ruas de Madri sem saber a sorte de parentes e amigos que estavam nos trens atingidos pelas bombas. Em meio ao caos, solidariedade: espanhóis e estrangeiros fizeram filas para doar sangue. (pág. 1)

- O presidente fez ontem vigorosa defesa da política econômica do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, a empresários e sindicalistas que integram o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Acompanhado apenas do ministro da Casa Civil, José Dirceu, disse: "Não há como a economia brasileira não crescer este ano." A platéia, responsável por contestações públicas contra a política econômica, reagiu sem entusiasmo. (pág. 1 e A4)

- O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), conseguiu protocolar ontem, com apoio de 27 senadores, pedido de criação da CPI de Santo André, para investigar a morte do prefeito Celso Daniel e suposto esquema de caixa 2 para campanhas do PT. Para barrar a CPI, os governistas deverão repetir a tática de não indicar representantes. (pág. 1 e A6)

- O governo vai destinar R$ 2,5 bilhões a um programa de financiamento para compra de máquinas e equipamentos, o Modermaq. Também foram anunciados projetos de criação de uma agência ou empresa dedicada ao desenvolvimento industrial e articulação com os estados para implementar o Programa de Extensão Industrial Exportadora. (pág. 1 e B4)

- Elogiado por especialistas em saúde, o Programa de Volta para Casa - que retira de instituições psiquiátricas pacientes internados há mais de 2 anos - apresenta bons resultados, mas caminha lentamente. O projeto previa atender 2 mil pessoas em 2003, mas estão cadastradas 350. O governo atribui o atraso a dificuldade na remoção de pacientes. (pág. 1 e A9)

- Ao insistir no entendimento de que a Geap é uma entidade de natureza pública, o Planalto não resolve a polêmica jurídica nem dissipa a desconfiança de que, na prática, o que pretende é manter um monopólio. (pág. 1 e "O caso do Geap", pág. A3)

O GLOBO

- 11/3 - Dia da infâmia na Europa

- Dez explosões no interior de três minutos em quatro trens lotados ontem de manhã em Madri marcaram o 11 de março como o dia do mais grave atentado da História do Espanha. A três dias das eleições gerias, os ataques mataram 192 pessoas, feriram pelo menos 1.430 e fizeram o país mergulhar no luto profundo que tomou conta dos americanos em 11 de setembro de 2001. "O 11 de março já ocupa um lugar na história da infâmia", disse o presidente do governo espanhol, José Maria Aznar.

O governo imediatamente responsabilizou o grupo terrorista basco ETA pelos ataques. Mas à noite foi obrigado a admitir outra hipótese, depois que a polícia descobriu um furgão com detonadores e fitas contendo trechos do Alcorão e um jornal árabe de Londres divulgou uma carta em que o grupo Brigadas de Abu Haís al-Masri assumia a autoria, em nome de al-Qaeda, de Osama bin Laden.

Na mensagem o grupo justificou o ataque como "um ajuste de contas com a Espanha", por seu apoio aos EUA na guerra do Iraque. Em Nova York, o presidente Bush lançou ontem a pedra fundamental de um monumento às vítimas de 11/9. (pág. 1 e 32 a 38)

- A oposição protocolou pedido de CPI sobre a morte de Celso Daniel após bate-boca de Aloizio Mercadante e Tasso Jereissati. "Se ele for homem, vai ter de assinar as CPIs de Santo André e do Waldomiro ", disse Tasso. (pág. 1 e 3)

CORREIO BRAZILIENSE

- A Espanha Sangra

- Exatamente dois anos e meio depois dos atentados de 11 de setembro, a Espanha viveu uma manhã de terror semelhante àquela que estremeceu os Estados Unidos em 2001. Dez explosões atingiram três das principais estações de trem de Madri matando pelo menos 192 pessoas e deixando mais de 1.400 feridos, entre eles um brasileiro. O pior atentado da história da Europa produziu cenas de horror na capital espanhola. Corpos embrulhados em sacos pretos foram enfileirados na calçada.

Cobertos de sangue, os feridos tentavam dar notícias às famílias, enquanto voluntários resgatavam outras vítimas dos trens transformados em ferro retorcido.

Um misto de indignação e medo tomou conta das demais cidades européias. O governo do presidente José Maria Aznar acusou o grupo separatista basco ETA de ser responsável pelos ataques, ocorridos a três dias das eleições espanholas. Mas a descoberta de um furgão com detonadores e uma fita com trechos do Alcorão, e a identificação de um homem-bomba desvendavam digitais de outro culpado: a rede terrorista Al-Qaeda, comandada por Osama Bin Laden. (pág. 1 e 18 a 24)

- E o mundo se assusta de novo

- Al-Qaeda reivindica autoria dos atentados e ameaça Inglaterra, Itália, Japão e Estados Unidos. (pág. 1 e 18 a 24)

- Guerra das CPIs - Depois de intenso bate-boca, governistas mantêm congelada a CPI dos Bingos, mas oposição ameaça iniciar outras investigações. (pág. 1 e 2 e 3)

- Palocci em alta - Lula defende equipe econômica, diz que não muda política de juros e metas de inflação, e volta a falar em crescimento. (pág. 1 e 8 e 9)

- Um homem honesto - Faxineiro do aeroporto de Brasília encontra uma bolsa com US$ 10 mil no banheiro e devolve todo o dinheiro ao dono. (pág. 1 e 25)

ZERO HORA

- O terror ataca em Madri

- Exatamente dois anos e meio depois dos ataques de 11 de Setembro nos EUA, a Europa sofreu ontem um dos piores atentados terroristas de toda a sua História.

Foi no coração de Madri, na Espanha, na hora do rush da manhã. Dez bombas explodiram em trens lotados. Eram pessoas a caminho do trabalho. O número de vítimas fatais até ontem era de 190. Cerca de 1,4 mil ficaram feridas - entre elas pelo menos um brasileiro. (pág. 4 e 15)

- O governo federal encontrou uma saída jurídica para adiantar ao Rio Grande do Sul recursos referentes a parte dos créditos previdenciários, mesmo antes de terminar a análise dos processos. O ministro da Previdência, Amir Lando, encaminhou ontem ao Palácio do Planalto a minuta de uma medida provisória (MP) que dá sustentação legal à liberação da verba. Não há prazo para a publicação do texto. (pág. 18)

- Em depoimento à Assembléia Legislativa, o ex-diretor da Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs) José Vicente Brizola disse que testemunhou, em 2002, a entrega, pelo presidente da Associação Gaúcha de Bingos (Agabin), Márcio Augusto da Silva, de um envelope com R$ 5 mil a Carlos Fernandes, filho da ex-senadora Emília Fernandes (PT).

Segundo José Vicente, Silva teria dito na ocasião que a soma seria a contribuição máxima dos bingos à campanha do PT. (pág. 24)

- Mais do que julgar e condenar a Federação da Agricultura (Farsul) e a Monsanto pelo plantio de soja geneticamente modificada no Rio Grande do Sul - ações já esperadas -, o Tribunal Internacional Popular sobre Transgênicos serviu para que o governo do Paraná promovesse ontem, em Porto Alegre, uma bem orquestrada propaganda contra o cultivo desses produtos no país. (pág. 35)

MANCHETES

ESTADO DE MINAS

- Terror na Espanha

O DIA (RJ)

- Terror de Bin Laden mata 192 em Madri

GAZETA MERCANTIL

- Lula lança sua política industrial; dinheiro não falta

VALOR ECONÔMICO

- Conta investimento terá IR semestral para renda fixa

CORREIO DA BAHIA

- Terror em Madri

ETES