19/02/2004

Jornal do Brasil
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JORNAL DO BRASIL

- Temperatura sobe mais no Planalto

- A tensão continua a dominar o Planalto e o Congresso quase uma semana depois das denúncias de corrupção de Waldomiro Diniz, amigo do ministro José Dirceu e ex-assessor parlamentar da Presidência.

No despacho da manhã com o presidente Lula, Dirceu levantou a possibilidade de se afastar da Casa Civil em caso de o Congresso abrir CPI para investigar as acusações. A notícia vazou, inquietou o mercado e afetou os negócios na bolsa. Os desmentidos não esfriaram a temperatura política.

O governo abriu sindicância interna para investigar os passos de Waldomiro no Planalto, numa apuração paralela à da Polícia Federal. (pág. 1, A2, A3, A4 e A22)

- A Polícia Militar do Rio é acusada de seqüestros, torturas e extorsões contra cidadãos carentes. A denúncia integra relatório do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, ligado à Presidência da República. O secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, será convidado a explicar os fatos revelados em depoimentos de moradores de Acari e Parada de Lucas. O governo do Rio evitou comentar as acusações. (pág. 1 e A17)

- O Conselho de Política Monetária manteve a taxa de juros básica em 16,5%. Apesar de esperada pelo mercado, a decisão desagradou a empresários e provocará o adiamento de planos de investimento. A estabilidade do índice é mantida há dois meses.

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, protestou: "Se parte do governo marca gol contra, o restante da equipe deve reagir com maior senso de urgência e virar este placar." (pág. 1 e A21)

- Caso Marka - Pedida prisão de ex-presidente do Banco Central. (pág. 1 e A22)

FOLHA DE SÃO PAULO

- BC mantém juros e não dá explicação

- Pelo segundo mês seguido, o Banco Central manteve os juros básicos da economia em 16,5% ao ano, mas não justifica sua decisão. Foi a primeira vez desde março de 1999 em que o Copom (Comitê de Política Monetária) não explicou o motivo de sua resolução.

Nota divulgada limitou-se a informar que houve unanimidade para a manutenção da taxa e que não há "viés" - portanto, os juros só poderão ser alterados no próximo mês ou se o BC convocar uma reunião extraordinária no período.

Em janeiro, a justificativa do BC para manter a taxa havia sido a preocupação cm a inflação. A decisão de ontem, em momento de turbulência política, já era esperada pelo mercado, mas sofreu críticas do setor industrial. A Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) já projeta crescimento menor em 2004. Sua estimativa de expansão do PIB caiu de 4% para 2,5%.

A Selic é uma referência para a economia. Instituições financeiras cobram juros maiores de seus clientes. (pág. 1, B1 e B3)

- O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro investiga suposta ligação do ex-assessor do Planalto Waldomiro Diniz com esquema internacional de lavagem de dinheiro.

Waldomiro foi afastado do cargo após se tornarem públicas fitas de 2002 em que aparece negociando o resultado de licitação em troca de dinheiro para campanhas eleitorais.

Em Brasília, o governo trabalha com a hipótese de que Waldomiro tenha continuado a negociar tráfico de influência no período em que trabalhou na Casa Civil, no ano passado.

Segundo o líder do governo no Senado, senador Aloizio Mercadante, é "possível que ele tenha usado o cargo para favorecer alguém", apesar de ainda não existirem indícios.

Promotores investigam reuniões realizadas em 2003 entre Waldomiro e diretores de empresa de loterias que negociava com o governo contrato de R$ 650 milhões. (pág. 1 e cad. Brasil)

- Relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) culpa a polícia e o Judiciário pela exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.

Segundo o documento, de 100 mil a 500 mil crianças são exploradas O governo disse que o relatório é equilibrado, pois reconhece ações tomadas contra o problema. (pág. 1 e C1)

- As consultas para investimentos feitas no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) caíram 42% em janeiro em relação ao mesmo mês de 2003. Em relação a dezembro, o recuo foi de 61%.

O indicador é considerado um dos melhores termômetros para medir a intenção de investimentos na economia.

Para o CNI (Confederação Nacional da Indústria), incertezas na economia provocam o adiamento de investimentos.

O BNDES tem um orçamento de R$ 47,3 bilhões previsto para este ano. (pág. 1 e B5)

- Durante visita ao sambódromo paulistano, a prefeita Marta Suplicy subiu em carro alegórico e ensaiou passos de samba com integrantes da Acadêmicos do Tucuruvi. (pág. 1 e C3)

- Anderson Adauto deixa Transportes - Acusado de irregularidades, ministro disse que sai da pasta hoje para disputar a prefeitura de Uberaba (MG). (pág. 1 e A12)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Planalto briga por Dirceu e cria comissão para apurar corrupção

- Boatos sobre um pedido de afastamento do ministro da Casa Civil, José Dirceu, e a pressão para que ele deixe o cargo temporariamente obrigaram ontem o governo a fazer um desmentido formal. O afastamento começou a ser cogitado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa.

O Planalto também anunciou a formação de uma comissão de sindicância para averiguar as atividades do ex-assessor Waldomiro Diniz quando subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil.

É a primeira vez que o governo admite, mesmo indiretamente, que o homem de confiança de Dirceu pode ter tido comportamento condenável no governo. O caso afetou o mercado financeiro: a Bovespa teve baixa de 1,9%, o dólar subiu 0,75%, para R$ 2,941, e o risco-país cresceu 6,12%. (pág. 1, A4 a A11 e B11)

- O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve os juros básicos em 16,5% ao ano, pelo segundo mês consecutivo, confirmado apostas do mercado financeiro. A manutenção da taxa, porém, provocou reclamações do setor produtivo e do comércio, que esperavam redução de pelo menos 0,25 ponto porcentual. A ausência de nota do Copom sobre a decisão também causou surpresa.

Inflação - O IPC da Fipe foi de 0,26% na segunda quadrissemana do mês, abaixo das previsões. (pág. 1 e B1 e B3)

- O governo paulista resolveu se antecipar às discussões sobre o projeto das Parcerias Público-Privadas que ocorrem na Assembléia e vai construir por R$ 100 milhões, seis presídios no Estado. Para executar o projeto teste das PPPs, o governo usará uma de suas empresas de capital misto para contratar as licitações; quando as obras terminarem, pagará aluguel às vencedoras. (pág. 1 e C1)

- Operação gigante da Polícia Civil, Secretaria de Direito Econômico, Polícia Federal e Ministério Público apreendeu ontem em São Paulo bens e documentos de cinco empresas que dominam 99% do setor de gases industriais e hospitalares no país. O objetivo é investigar suposto cartel nesse mercado, que movimenta R$ 2,4 bilhões por ano. (pág. 1 e B6)

- Rio irá ao STJ contra volta de Beira-Mar. (pág. 1 e C1)

- A dívida pública do País subiu para R$ 737,34 bilhões em janeiro. O valor representa aumento de 0,8% sobre dezembro, apesar de o Tesouro Nacional ter resgatado mais papéis do que emitiu. O aumento se deve em parte à ligeira alta do dólar, embora a parcela da dívida corrigida pela variação da moeda americana tenha se mantido em queda: ficou em 21,03% do total. (pág. 1 e B4)

O GLOBO

- PT cochila e oposição obtém assinaturas para CPI de Bingos

- Com a adesão de sete senadores petistas e mais três integrantes da base, o senador Magno Malta (PL-ES) conseguiu 32 assinaturas para uma CPI destinada a investigar os bingos. Malta anunciou a intenção de convocar rapidamente Waldomiro Diniz, ex-assessor de Assuntos Parlamentares do Planalto, e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O governo concentrava esforços para impedir a CPI do caso Waldomiro e foi surpreendido. O presidente Lula e o ministro José Dirceu ficaram profundamente irritados. O líder do governo, Aloízio Mercadante (PT-SP), disse que não vai permitir que a oposição "use uma roupa diferente para chegar ao mesmo objetivo". (pág. 1 e 3 a 9)

- Um parecer da Caixa Econômica Federal foi contra a renovação em 2003 do contrato com a Gtech para o processamento das loterias. Segundo o documento, em seis meses, a Caixa faria o serviço sozinha. O contrato, de US$ 133 milhões, vale até 2005. (pág. 1 e 9)

- Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, pelo segundo mês, manter a taxa de juros em 16,5% ao ano, sem indicar tendência. A medida já era esperada, mas recebeu críticas de empresários e sindicalistas, que não admitem ameaça de inflação. O IGP-10 ficou em 0,78% em fevereiro, contra 0,76% em janeiro. (pág. 1 e 25, 26)

O procurador-geral de Justiça do estado, Antonio Vicente da Costa Junior, entra hoje com um recurso no superior Tribunal de Justiça para impedir que o traficante Fernandinho Beira-Mar volte para o Rio. (pág. 1 e15)

- Um grupo de 15 policiais do 1º BPM, entre eles dois oficiais, é acusado de torturar Nelis Nelson Souza dos Santos, de 31 anos, morador do Morro da Coroa, em Santa Teresa. Parentes denunciaram que a vítima foi submetida a choques elétricos e empalada com um cabo de vassoura. (pág. 1 e 14)

CORREIO BRAZILIENSE

- CPI dos Bingos é o novo problema do governo

- Dois dias depois de se reunir com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, o senador Magno Malta, da base aliada ao governo, anunciou ao Congresso que tem assinaturas suficientes para instalar uma CPI. Não aquela pedida pela oposição, para abordar o caso do ex-assessor do Planalto Waldomiro Diniz, flagrado em pedido de propina. Mas uma outra: para investigar casas de bingo em crimes de lavagem de dinheiro.

Senadores de oposição desconfiam que a nova comissão de inquérito tem como objetivo desviar o foco das atenções, no entanto, adiantam que vão convocar Waldomiro de qualquer jeito.

No Palácio do Planalto, uma comissão de sindicância começa a apurar, a partir de hoje, as ações do ex-assessor durante os 13 meses que ficou no cargo. (pág. 1, 2 e 4)

- PF investiga bens de Waldomiro no Entorno. (pág. 1 e 5)

- Mercadante admite tráfico de influência no Planalto. (pág. 1 e 6)

- Bicheiro tem negócios em três estados e na Coréia. (pág. 1 e 8)

- Na única cerimônia pública programada para ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu esconder sua apreensão. Apesar de o púlpito presidencial ter sido colocado à direita do tablado de autoridades, no Palácio do Planalto, Lula dispensou o tradicional discurso.

As denúncias envolvendo o ex-assessor do Planalto Waldomiro Diniz abateram o presidente. E o desgaste que vem sofrendo o chefe da Casa Civil, José Dirceu, companheiro de tantos anos no PT e agora no governo, deixou Lula mais isolado do que nunca na solidão do poder. (pág. 1 e 3)

- Médicos terão reajuste. (pág. 1 e 38)

- Cartórios na mira do TJ. (pág. 1 e 39)

- Copom mantém taxa básica anual em 16,5%, mas não explica as razões que levaram à decisão. Analistas acreditam que eventual redução só virá na próxima reunião, mês que vem. (pág. 1 e 12)

ZERO HORA

- Senado usará CPI dos Bingos para convocar Diniz

- Dos 34 parlamentares da bancada gaúcha no Congresso - composta por 31 deputados e três senadores -, 16 já assinaram ou pretendem assinar o pedido de instalação de CPI para investigar o envolvimento do ex-assessor do Ministério de Coordenação Política Waldomiro Diniz com o jogo ilegal. Nove deputados e dois senadores têm posição contrária ao requerimento. Três estão indecisos. O levantamento foi feito ontem por "Zero Hora". Quatro parlamentares não foram localizados. (pág. 4 a 14)

- Em meio à crise política gerada pelas denúncias contra o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares do Ministério da Coordenação Política Waldomiro Diniz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega amanhã, às 12h30min, a Caxias do Sul para participar da abertura da 25ª Festa da Uva. O último presidente a visitar a feira foi Fernando Henrique Cardoso, em 1996. (pág. 8)

- Em reunião na Assembléia Legislativa, os secretários da Fazenda, Paulo Michelucci, e do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Luis Roberto Ponte, reagiram às críticas da bancada do PT sobre os incentivos para a nova fábrica da General Motors em Gravataí. O deputado Flávio Koutzii (PT) afirmou que o termo de compromisso firmado com a GM, que investirá mais US$ 240 milhões no estado, acarretará perdas de R$ 270 milhões por ano em impostos. (pág. 26)

MANCHETES

CORREIO DA BAHIA

- Consumidor pagará 16% a mais pela água

ESTADO DE MINAS

- Cresce pressão pela saída de José Dirceu

O DIA (RJ)

- Secretário ameaça diretores de escolas

GAZETA MERCANTIL

- BC decepciona e mantém taxa de juro inalterada

ETES