22/01/2004

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JORNAL DO BRASIL

- Governo troca otimismo por cautela

- O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 16,5% ao ano, a maior do mundo. A decisão interrompe a série de reduções da Selic nos últimos sete meses, apesar de indicadores positivos da economia, como a queda da cotação do dólar, a valorização dos títulos da dívida brasileira e a contínua diminuição dos índices de inflação.

Os diretores do Banco Central consideram que "os efeitos dos cortes de 10 pontos percentuais nos últimos meses não se refletiram integralmente na economia". E justificaram a interrupção "temporária' da queda para "preservar as conquistas recentes no combate à inflação e no processo de retomada da atividade econômica".

Para a Central Única dos Trabalhadores, a decisão "inibe a tendência de crescimento". A Força Sindical pede "ambiente de juros baixos no país". O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, considera haver "condições absolutamente favoráveis para juros mais baixos". No mercado financeiro, a manutenção da Selic foi apontada como "conservadora". (pág. 1 e A17)

- A Câmara dos Deputados vai investigar as denúncias de pressão política para furar fila de transplante de medula feitas pelo ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer Daniel Tabak. Uma comissão parlamentar especial será formada para acompanhar o caso. (pág. 1 e A3)

- Três mortos e 17 feridos por balas perdidas nos últimos 12 meses. Os números comprovam o perigo de se percorrer as linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil, nas proximidades das vilas dos Pinheiros e do João, depois das 18h.

Desde o ano passado, começou no fim de tarde o regime de "toque de recolher" determinado por criminosos que comandam o tráfico de drogas no Complexo da Maré. Levantamento feito pelo "Jornal do Brasil" demonstra que metade das incursões policiais às favelas que margeiam as vias expressas aconteceu depois das 18h.

O maior número de vítimas nos confrontos entre policiais e bandidos no local ocorre das 21h às 6h. Ontem foi enterrada a cabeleireira Simeri de Oliveira Amaral, atingida na cabeça por uma bala na noite de terça-feira, na Linha Amarela. Ferido no pescoço pelo mesmo tiro, seu marido, o pastor Délio Oliveira Amaral, permanece internado. (pág. 1, A13 e A14)

- Lula anuncia amanhã troca de ministros. (pág. 1 e A2)

- Brasil pede trégua na guerra do camarão. (pág. 1 e A18)

FOLHA DE SÃO PAULO

- BC mantém maior juro real do mundo

- O Banco Central surpreendeu e na primeira reunião de 2004 de seu Comitê de Política Monetária manteve a taxa básica de juros em 16,5% ao ano.

Foi a primeira vez desde junho que o BC não reduz a taxa.

Com a decisão, o Brasil segue no topo do ranking de países com os maiores juros reais, descontada a inflação. A taxa brasileira é de 9,95%. Atrás vem Hungria, com 8,6%.

Em nota, o BC afirma que manteve os juros porque "os efeitos do corte de dez pontos percentuais nos últimos meses ainda não se refletiram integralmente na economia".

A decisão contraria o discurso político do governo Lula, que elegeu a reativação da economia e a geração de empregos como prioridades do ano. Em tese, juros mais baixos estimulam o consumo e os investimentos das empresas, gerando crescimento econômico. A taxa do BC serve de referência. Bancos e financeiras cobram mais. No cheque especial, a taxa média é de 170%. (pág. 1 e B1)

- O economista-chefe do banco de investimentos Morgan Stanley, Stephen Roach, disse no primeiro dia do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), que Brasil e América Latina carecem de "demanda doméstica". Ou seja, falta à economia crescer.

Para Roach, isso gera forte dependência com os EUA. "Se a economia norte-americana tiver problemas, a América Latina terá sérios problemas."

Especialistas sugeriram em debate que os EUA podem ter ganho a guerra contra o Iraque, mas estão perdendo mentes e corações de boa parte da humanidade. (pág. 1 e B12 e A12)

- Cerca de 250 índios e 300 fazendeiros entraram em choque em Japorã (MS), onde guaranis e caiuás invadiram 14 fazendas desde dezembro.

Um índio de 14 anos foi ferido por tiro de raspão na nuca e outro levou uma pancada de pá na cabeça. Produtor rural teve um braço esfaqueado.

Fazendeiros bloquearam ponte e atearam fogo nas proximidades. Os índios, incluindo crianças e mulheres, foram de encontro a eles.

Estado e PF preparam desocupação da área, determinada pela Justiça. (pág. 1 e A9)

- A população acima de 50 anos da cidade de São Paulo chegará a 3,7 milhões em 2025, uma alta de 101,8% sobre o 1,8 milhão atual.

Os maiores de 60 anos serão 2 milhões de pessoas (mais 123,1%). Ao mesmo tempo, a parcela de jovens e adultos vai encolher.

Cenário projetado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) indica que as taxas de crescimento anual da população tenderão a zero.

Haverá 11,3 milhões de paulistanos em 2025, contra os 10,4 milhões registrados no Censo de 2000. (pág. 1 e C1)

- O governo vai reativar ainda neste ano o programa do VLS (Veículo Lançador de Satélites) e que incorporar a ele tecnologia estrangeira, diz o ministro da Defesa, José Viegas, em entrevista a Igor Gielow.

A explosão do VLS-1 no Maranhão, em agosto, matou 21 técnicos e parou o programa. O governo negocia cooperação com Rússia e Ucrânia, principais fabricantes fora do eixo EUA-União Européia.

Relatório final sobre a explosão do foguete, a ser concluído nesta semana, não apontará causa específica. (pág. 1 e A14)

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início a sua primeira reforma ministerial, com a confirmação da saída de Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) e a definição de três ministros. Patrus Ananias vai chefiar o novo superministério da área social.

O líder do PSB na Câmara, Eduardo Campos, de Pernambuco, substituirá Amaral.

Miro Teixeira (Comunicações) admitiu que deixará o cargo. Deve ser substituído por Eunício Oliveira (CE), a primeira das duas pastas que caberão ao PMDB. (pág. 1, A6 e A7)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Armados, índios e fazendeiros se enfrentam

- Índios e fazendeiros entraram em confronto em Iguatemi, no sul de Mato Grosso do Sul. Houve disparo de armas de fogo dos dois lados. Ninguém foi atingido por bala, mas um fazendeiro recebeu um golpe de facão e índio foi atingido com uma pá.

O confronto ocorreu durante protesto dos fazendeiros contra a demora no cumprimento da ordem judicial para desocupação de 14 fazendas invadidas pelos índios. Cerca de 500 fazendeiros e trabalhadores rurais bloquearam às 11h30 uma ponte que dá acesso às terras invadidas; por volta de 13 horas, 600 índios deram gritos de guerra e avançaram contra os brancos, que aos poucos recuaram. Um deles chamou a polícia, que conseguiu acalmar os índios depois que a ponte foi desinterditada. (pág. 1 e A4)

- O Comitê de Política Monetária (Copom), em decisão que surpreendeu o mercado, manteve ontem inalterada a taxa Selic em 16,5% ao ano. O Banco Central emitiu comunicado justificando a decisão como forma de se precaver de possíveis pressões nos índices de inflação. Além disso, segundo a nota, o banco quer conferir os efeitos do corte de 10 pontos porcentuais na taxa de juros nos últimos meses, que ainda não se refletiram integralmente na economia. (pág. 1, B1 e B3)

- O ministro da Educação, Cristovam Buarque, disse ontem que as universidades federais poderão ter cursos pagos e que alguns cursos em universidades privadas poderão ser pagos pelo Estado, como parte de uma reforma universitária. "Há cursos na universidade estatal que são de caráter privado: beneficiam só o aluno. E pode haver cursos de universidades privadas que atendam ao interesse social." (pág. 1 e A11)

- São Paulo recebe todo dia um contingente igual à população de São José dos Campos. São mais de 668 mil pessoas que chegam à capital para trabalhar, estudar ou ambos, voltando para suas cidades no fim do dia. Ao mesmo tempo, 96 mil pessoas deixam São Paulo diariamente, rumo ao trabalho ou ao estudo em outros municípios. Os dados são da Fundação Seade. (pág. 1 e C1)

- Um livro do Instituto Nacional do Câncer (Inca) registra que desde 23 de outubro há denúncia de ingerência política na fila de transplantes. A denúncia foi dada pelo então diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea, Daniel Tabak. O diretor-geral do Inca, José Gomes Temporão, diz que encaminhou o caso ao Ministério da Saúde. "Não cabia a mim julgar." (pág. 1 e A10)

- O presidente Lula definiu ontem as primeiras mudanças em sua equipe. Foi confirmada a demissão do ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral; à noite Lula formalizaria convite ao deputado Eduardo Campos (PSB-PE), para a vaga. Está praticamente certa a indicação do deputado Patrus Ananias (PT-MG) para o novo Ministério do Desenvolvimento Social. (pág. 1 e A6)

O GLOBO

- BC mantém juros em 16,5% após sete meses de queda

- O Banco Central surpreendeu analistas ontem ao interromper uma seqüência de sete meses de queda dos juros. Por oito votos contra um, o Comitê de Política Monetária manteve a taxa básica em 16,5%. O conservadorismo da decisão, que decepcionou o mercado, a indústria, o comércio e sindicalistas, foi justificado com ao argumento de que o BC ainda desconhece o impacto da redução dos juros do ano passado sobre a inflação.

Como o mercado financeiro apostava numa queda de 0,5 ponto, a CEF e o BB já tinham se preparado para anunciar ontem mesmo a nova redução das taxas de empréstimo. (pág. 1 e 23)

- O presidente Lula iniciou a reforma de sua equipe escolhendo três ministros. O deputado Patrus Ananias (PT-MG) assumirá a área social, centralizando as ações que estavam sob o comando de Benedita da Silva, que deve ser deslocada para a Secretaria de Políticas para as Mulheres, e de José Graziano, que provavelmente deixará o governo.

A coordenação política ganha status de ministério e será exercida pelo deputado Aldo Rebelo (PcdoB). O chefe da Casa Civil, José Dirceu, coordenará a ação governamental. Na Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral será substituído pelos deputado Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes. (pág. 1 e 3 a 8)

- O secretário de Segurança, Anthony Garotinho, disse ontem que vai anular todos os casos de reintegração de PMs acusados de crimes, nos quais houver irregularidades. A PM admitira rever 20 dos 65 casos de reintegração revelados pelo "Globo". (pág. 1 e 15)

- O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, anunciou que a Polícia Federal abrirá inquérito para apurar remessas de dinheiro da Parmalat. Segundo a própria PF, há indícios de irregularidades em movimentações de contas no extinto Banestado. (pág. 1 e 30)

- Armados, índios e fazendeiros se enfrentam na estrada que liga Iguatemi e Japorã, em Mato Grosso do Sul, bloqueada pelos proprietários rurais. Um fazendeiro e um índio se feriram no incidente mais grave desde que propriedades da região foram ocupadas pelos guaranis-caiovás. Um tiro para o alto iniciou a briga. A Justiça suspendeu a ordem de reintegração de posse das fazendas. (pág. 1 e 12)

- A Procuradoria da República no Rio vai investigar a denúncia de desrespeito à fila do transplante de medula óssea no Inca por pressão política. Os negócios privados do médico Daniel Tabak, que denunciou o caso e pediu demissão do Inca, também serão investigados. (pág. 1, 9 e 10)

- O Fórum Econômico começou com discurso mais social. A convite do Bird, Lula discutirá na China o combate à pobreza, informam Cristina Alves e Deborah Berlinck. (pág. 1 e 26 a 29)

CORREIO BRAZILIENSE

- Lula escanteia Graziano, e Patrus vira superministro

- Ex-prefeito de Belo Horizonte comandará a área social unificada e pode ter coordenador do Fone Zero como subordinado. Eduardo Campo é confirmado para Ciência e Tecnologia. (pág. 1, 2 e 3)

- Jetom no bolso - Só 13 parlamentares, 2% do total, anunciam a devolução dos R$ 25,4 mil recebidos para trabalhar na convocação extraordinária do Congresso. Filiados do PT, eles foram criticados por quem embolsou o dinheiro. (pág. 1 e 4)

- Eleição no Entorno - Os governadores Joaquim Roriz (DF) e Marconi Perillo (GO) aproveitam a viagem à Espanha para fechar aliança nas eleições dos 22 municípios do Entorno. Os dois vão dividir as indicações de candidatos. (pág. 1 e 7)

- Os índices inflacionários de janeiro fizeram o Banco Central manter a taxa básica de juros (Selic) em 16,5% ao ano. Decisão, que paralisa tendência criada por sete meses de queda, foi criticada por economistas e empresários e provocou uma queda de 2% no valor dos títulos da dívida externa brasileira no exterior. (pág. 1, 8 e 9)

ZERO HORA

- Superministério vai para Minas e Tarso é cotado para Educação

- Uma aliança entre o PT e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), assegurou ontem o futuro Ministério do Desenvolvimento Social para o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG), afastando a possibilidade de o ministro do Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro, assumir a pasta.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por Patrus com a intenção de garantir espaço maior para Minas Gerais na Esplanada dos Ministérios e de neutralizar críticas da Igreja à área social, uma vez que Patrus é ligado à esquerda católica. Tarso é agora cotado para assumir a Educação.

Lula também aceitou a demissão de Roberto Amaral do Ministério da Ciência e Tecnologia e convidou Eduardo Campos (PSB-PE) para a vaga. A reforma ministerial será anunciada amanhã pelo presidente, antes de embarcar para a Índia. (pág. 1, 4, 5 e 14)

- Atraso em votação da Previdência abre crise no Congresso - A retirada da emenda paralela da pauta da convocação extraordinária provocou protestos de senadores contra o Palácio do Planalto. (pág. 1 e 6)

MANCHETES

ESTADO DE MINAS

- Patrus vira superministro

O DIA (RJ)

- Estado paga férias a professor dia 30

GAZETA MERCANTIL

- Decisão do BC provoca alta no juro futuro

ETES

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET http://www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

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