30/01/2004

Jornal do Brasil
Folha de São Paulo
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JORNAL DO BRASIL

- Polícia anuncia guerra do tráfico de drogas na Rocinha

- A Secretaria de Segurança Pública do Rio considera iminente o confronto de traficantes em disputa pelo domínio do comércio de drogas na Favela da Rocinha. A comunidade vive sob regime de toque de recolher a partir das 22h. Famílias se abrigam na casa de parentes e só voltarão à favela depois do confronto.

A inspetora Marina Maggessi, da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil, estima estar em jogo um faturamento de R$ 10 milhões por semana. Os adversários são os traficantes Luciano Barbosa, que controla o morro, e Eduíno Eustáquio de Araújo. Ambos pertencem à mesma facção criminosa. (pág. 1 e A15)

- PMs são acusados de usar jovens como alvo de tiros na Vista Chinesa. (pág. 1 e A20)

- Duas informações provocaram ontem a queda dos índices na Bolsa de São Paulo e a valorização de dólar frente ao real. O Banco Central americano manteve a taxa de juros em 1% ao ano e retirou a expressão "período considerável", usada no mês passado para estimar a manutenção do índice.

Investidores julgam que a taxa sobe no mês que vem. O Banco Central do Brasil divulgou a ata da reunião em que manteve a Selic em 16,5% ao ano. A justificativa de que "o aumento recente da inflação pode não representar um fenômeno temporário, mas uma acomodação da inflação em patamares elevados", mudou as apostas dos investidores. (pág. 1 e A22)

- O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fará a palestra de encerramento do seminário Macro e Microeconomia - A Sinergia que levará ao Crescimento Sustentado, no Jockeu Club, no Centro.

A promoção da Associação e do Sindicato dos Bancos do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com o "Jornal do Brasil", a "Gazeta Mercantil " e a revista "Forbes", com exposição de abertura presidente do BNDES, Carlos Lessa, terá entre os temas o fortalecimento da moeda brasileira. "Um real forte é o ingrediente que falta para que o bolo da economia cresça de forma sustentável", defende o economista Paulo Rabello de Castro, um dos debatedores. (pág. 1 e A22)

- O presidente Lula pisa na neve ao deixar o prédio da ONU, em Genebra, depois de expor uma radiografia otimista da economia do Brasil e de ouvir elogios de dezenas de empresários. (pág. 1 e A24)

- A Polícia Federal tem uma lista de suspeitos da execução de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, na quarta-feira, em Minas Gerais. Entre os nomes estão fazendeiros acusados de ameaçar os fiscais durante inspeções em busca de trabalho escravo, além de agenciadores de mão-de-obra irregular. Chamados de "gatos", eles destruíram, há dois anos, a Subdelegacia Regional do Trabalho em Unaí. (pág. 1 e A2)

- Senado abre processo para cassar Calixto. (pág. 1 e A3)

- Europa tira restrições ao frango brasileiro. (pág. 1 e A24)

- Benedita da Silva, ministra demitida - "Amo o Lulinha e preciso tirar férias com o meu Pitangão". (pág. 1 e A4)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Bolsa cai 6%, e risco-país sobe 9%

- O mercado brasileiro teve dia de forte turbulência, alimentada pela percepção de que não haverá corte da taxa básica de juros nos próximos meses e pelo comunicado do Fed (banco central dos EUA) sinalizando que os juros americanos vão subir antes do esperado.

A Bolsa despencou 6,14%, pior dia desde julho de 2002. O risco-país, com alta de 9%, fechou em 483 pontos. Juros futuros e dólar subiram.

Ata divulgada pelo BC justificou a manutenção da taxa Selic em 16,5% na semana passada afirmando que não há "possibilidade concreta de que a inflação volte a se desviar das metas".

A manutenção dos juros no Brasil reduz as perspectivas de crescimento econômico.

Já a alta da taxa nos Estados Unidos preocupa porque faz os investidores perderem o apetite por economias emergentes. Ontem, a média do risco-país de 19 países emergentes subiu 4,2%. (pág. 1 e cad. Dinheiro)

- (Genebra) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não está preocupado com a concessão de autonomia ao Banco Central, que está satisfeito com o atual desempenho do órgão e que o debate sobre o assunto é uma "inquietação de tese acadêmica".

Lula fez as declarações após participar de um seminário sobre investimentos no Brasil na sede da ONU em Genebra, ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que defende maior liberdade para o Banco Central. Palocci não comentou as declarações. (pág. 1 e B9)

- A indústria do estado de São Paulo superou a previsão da Fiesp e fechou 2003 com crescimento de 1,2% sobre o ano anterior. A federação estimava um índice entre zero e 0,5%.

As exportações subiram 14,8% e puxaram a expansão. As vendas internas caíram.

A Fiesp considerou o crescimento "discreto", mas em trajetória ascendente. Em dezembro, o INA (Indicador do Nível de Atividade) ajustado subiu 4,4%. A alta prevista para 2004 é de 4% a 5%. (pág. 1 e B12)

- A Polícia Federal, que integra força-tarefa criada para apurar a morte de três fiscais do Ministério do Trabalho e do motorista deles, em Minas Gerais, chamou o crime de "execução" cometida por "profissionais" que não seriam da região. Eles foram mortos em uma estrada, com tiros na cabeça.

Os auditores estavam na região fiscalizando as condições de trabalho em fazendas.

Em Genebra, o presidente Lula disse que, no século 21, "não é possível que alguém mate alguém para defender o trabalho escravo no Brasil". O governo deve encaminhar projeto para indenizar as famílias das vítimas. (pág. 1, A4 e A5)

- A reforma sindical, que o governo pretende enviar ao Congresso até março, deve acabar com o dissídio coletivo e a data-base para negociação entre empregados e empregadores.

Hoje, uma vez por ano há revisão dos acordos coletivos, o que inclui a definição de índice de reajuste salarial. Pela proposta definida pelo governo, sindicatos e empregadores, a negociação coletiva não terá uma data-base. Os acordos poderão vigorar, por exemplo, por três anos. (pág. 1 e B12)

- O número de casos de dengue caiu 58,71% no país entre 2002 e 2003, segundo o Ministério da Saúde. De janeiro a novembro de 2002, foram 783.143 ocorrências. No mesmo período de 2003, houve 323.355. A meta do governo era reduzir a incidência de dengue em 50%.

Mas a doença cresceu no Norte e no Sul. O Amapá teve o maior avanço no país: 149,91%. No Sul, a doença só cresceu no Paraná, 77,9%. Região com mais casos, o Nordeste teve queda de 46,23%. (pág. 1 e C1)

- A Receita Federal deve chamar cerca de 1.500 profissionais da área de saúde, como médicos e dentistas, para que expliquem diferença de R$ 350 milhões entre os recibos que passaram para seus clientes e os rendimentos declarados, que tinham um total menor.

O órgão quer verificar se o profissional fez a declaração corretamente, se pacientes alteraram os valores ou se há venda de recibos. Clientes podem ser convocados a apresentar documentos. (pág. 1 e B7)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Bolsa despenca 6,14% e risco-país sobe 6,5%

- O mercado financeiro reagiu ontem com nervosismo a informações sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos: a Bolsa de São Paulo despencou 6,14%, o C-Bond, título brasileiro mais negociado no exterior, recuou 1,19% e o risco-país subiu 6,52% - mas durante o pregão chegou a crescer 18%. O dólar fechou em alta de 1,21%, a R$ 2,931.

A queda do mercado começou como reflexo da suposição de que o Federal Reserve (o banco central americano) elevará os juros antes do esperado pelos analistas. A divulgação da ata da última reunião do Copom reforçou a queda: o mercado considerou que nova redução dos juros no Brasil não ocorrerá antes de março.

* Em alta - A inflação subiu 0,88% em janeiro, ante 0,61% em dezembro, segundo o IGP-M, principalmente por causa de produtos metalúrgicos no atacado, alimentos e gasto com escola. (pág. 1 e B1)

- Em visita à Suíça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou ontem o estilo "gerentão" do ministro da Casa Civil, José Dirceu. Segundo o secretário de imprensa de Lula, Dirceu está fazendo tudo "exatamente como combinado" com o presidente e ambos têm mantido "contatos financeiros" por telefone.

Hoje Lula se reúne com o presidente da França, Jacques Chirac, e com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para discutir a possibilidade de criação de um mecanismo para financiar a luta contra a fome no mundo. (pág. 1 e A4)

- O presidente Lula desafiou ontem as multinacionais a investir no Brasil, ao falar em Genebra para uma platéia de mais de 200 chefes de empresas de todo o mundo. "O governo brasileiro está não apenas fazendo sua parte, como estamos desafiando o empresariado brasileiro e estrangeiro que tem investimento no Brasil para que não fiquemos parados." (pág. 1 e B5)

- Após reunião ontem no Palácio do Planalto, o governo optou por tratar a crise da Parmalat com cautela, evitando hipóteses como intervenção na empresa enquanto não sair definição judicial sobre o pedido de concordata feito pela multinacional. Como medida concreta, foi anunciada a liberação de crédito para produtores de leite que deixarem de receber da empresa. (pág. 1 e B7)

- Policiais que investigam a morte de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, quarta-feira em Unaí (MG) admitem a hipótese de que fazendeiros ou agenciadores de mão-de-obra sejam os mandantes do crime.

A Polícia Federal recebeu uma relação com nomes de pessoas que teriam feito ameaças a auditores no ano passado e acredita que os pistoleiros não sejam da região. (pág. 1 e C1)

- Após conseguirem estabelecer barreira burocrática para a entrada de produtos têxteis do Brasil, empresários argentinos reivindicam agora que as indústrias brasileiras adotem medida de "restrição voluntária" nos volumes de vendas de fios de acrílico, tecidos para camisas e tapetes. Os argentinos alegam que produtos brasileiros têm "preços irreais". (pág. 1 e B14)

- A Receita Federal vai iniciar em fevereiro uma operação especial de fiscalização sobre pessoas físicas, com foco no abatimento de despesas com saúde e rendimento de aluguel. Para isso, serão convocados 1.500 profissionais da área de saúde com renda declarada muito diferente da soma dos recibos emitidos e consultadas informações de imobiliárias. (pág. 1 e B3)

O GLOBO

- Lula: 'Autonomia do BC é inquietação acadêmica'

- Após se encontrar com investidores, o presidente Lula disse ontem, em Genebra, na Suíça, que a autonomia do Banco Central "é uma inquietação de teses acadêmicas de alguém no Brasil". Segundo ele, nenhum empresário tocou no assunto, e que se a sociedade e o Congresso quiserem discutir o tema será um debate a mais: "Quero é um Banco Central sério e que não faça nenhuma aventura. E isso nós temos."

A declaração foi feita num dia em que o mercado passou da euforia à melancolia, após o Banco Central ter justificado a manutenção dos juros pelo temor de que a pressão na inflação não seja temporária. A Bovespa caiu 6,14% e o risco-país subiu 10,77%, empurrados ainda pela perspectiva de alta de juros nos EUA. (pág. 1, 21 e 23)

- O governo conseguiu fechar ontem um acordo com patrões e empregados para acabar com a data-base e o dissídio coletivo. As medidas constarão do documento que está sendo elaborado para a reforma sindical que o governo enviará ao Congresso, provavelmente no início de março.

Outros temas polêmicos como o imposto sindical obrigatório voltarão a ser discutidos em fevereiro durante o Fórum Nacional do Trabalho. (pág. 1 e 26)

- Em reunião de emergência para discutir o efeito da crise da Parmalat, o governo anunciou o aumento de R$ 200 milhões para R$ 300 milhões da verba destinada a garantir o estoque de leite pelos produtores,

O BB, que repassará os recursos, reduzirá a taxa de juros cobrada. O governo do Rio entrou na Justiça para tentar garantir o pagamento dos fornecedores do estado. (pág. 1 e 27)

- A Justiça Federal determinou ontem a quebra dos sigilos fiscal e bancário de mais dez suspeitos de envolvimento no esquema de envio ilegal de dinheiro para o exterior, que ficou conhecido como propinoduto. Entre os nomes acusados há cinco fiscais e auditores federais que teriam contas bancárias na Suíça. (pág. 1 e 14)

- Relatório assinado pelo auditor Nélson José da Silva, um dos três fiscais assassinados anteontem em Unaí, Minas Gerais, revela que em 13 de fevereiro de 2003 um fazendeiro da região ameaçou atirar na equipe de fiscalização. "Não pude realizar a inspeção (...) porque o proprietário impediu-nos de fazê-lo, ameaçando-me, inclusive, de tiros", escreveu. O presidente em exercício José Alencar esteve no velório dos auditores e prometeu que a Polícia Federal acompanhará a fiscalização em áreas de risco. (pág. 1, 3 e 4)

CORREIO BRAZILIENSE

- PF já tem suspeitos das mortes em Unaí

- Equipe formada para investigar o assassinato de três fiscais do Ministério do Trabalho e um motorista em Unaí (MG) já tem os nomes dos principais suspeitos do crime. A polícia procura, em Goiás, um agenciador que trabalha há 30 anos contratando lavradores na região.

O Ministério Público enviou à força-tarefa uma lista com os nomes de fazendeiros que vêm usando investigadores pela Delegacia do Trabalho em Minas Gerais. (pág. 1 e 14 a 16)

- Trabalhadores rurais recrutados para a colheita nas fazendas de Unaí dizem que foram enganados pelos agenciadores e classificam as condições de trabalho como humilhantes. Segundo o sindicato da categoria, há cerca de 1.500 pessoas trabalhando em regime informal ou de escravidão na região. (pág. 1 e 16)

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu, em Genebra, que o governo fará o possível para pôr na cadeia os responsáveis pelo assassinato dos três fiscais. Em Brasília, o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, garantiu que as famílias das vítimas serão indenizadas. (pág. 1 e 15)

- Dólar sobe e Bolsa cai - Medo do Banco Central da volta da inflação faz moeda norte-americana subir 1,2% e risco-país aumentar em 15%. (pág. 1 e 8)

- Receita investiga médios e dentistas - Alvo de fiscalização são profissionais suspeitos de emitir recibos sem a correspondente prestação de serviços. (pág. 1 e 10)

- Distritais sem aumento - Presidente da Câmara costura acordo entre deputados e apresenta projeto que revoga reajuste de 56% na verba de gabinete. (pág. 1 e 6)

- Senado abre processo contra Calixto. (pág. 1 e 5)

- Viagem de Lula rende US$ 3 bilhões. (pág. 1 e 20)

ZERO HORA

- Governo amplia ajuda ao setor leiteiro afetado pela crise da Parmalat

- O governo anunciou ontem um complemento de R$ 100 milhões de ajuda ao setor leiteiro do país, afetado pela crise da Parmalat. Também informou que uma eventual intervenção federal na empresa somente será analisada após conversa com a matriz da companhia na Itália. (pág. 27)

MANCHETES

ESTADO DE MINAS

- Fazendeiros e aliciadores suspeitos de matar fiscais

O DIA (RJ)

- Linho fez até implante de silicone para se disfarçar

GAZETA MERCANTIL

- Mercado inquieto; os juros futuros volta a subir

ETES

ATENÇÃO

O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica, que traz avaliação mensal da conjuntura econômica brasileira (análise e tendência de preços, salários, juros, balança comercial, contas externas, etc), está disponível via FTP através do endereço na INTERNET http://www.fazenda.gov.br, na área específica de "Publicações". Outras informações atualizadas, inclusive sobre os resultados do Plano Real, podem ser também obtidas, em português e em inglês, na página eletrônica do Ministério da Fazenda.

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