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11/07/2006
JORNAL DO BRASIL - Cinco mil imóveis vazios atraem invasores no Rio - As invasões a prédios vazios encontram espaço fértil no Rio. Além da crescente organização dos movimentos de sem-teto, há abundância de alvos: são 5 mil imóveis fechados, a maioria pertencente ao município. (pág. 1, A7 e A8) - Aposentados - Lula veta 16%, mas pode dar 5% de reajuste. (pág. 1 e A17) - Sanguessugas - Empresário denuncia 60 parlamentares. (pág. 1 e A2) FOLHA DE SÃO PAULO - 96% dos deputados disputarão as eleições - Apesar dos escândalos do mensalão e o dos sanguessugas que se abateram sobre o Congresso, 88% dos 513 deputados federais vão concorrer à reeleição em outubro, maior índice desde as eleições de 1994. O levantamento, feito pela Folha com informações das lideranças partidárias e dos gabinetes dos parlamentares, mostra que apenas 16 deputados não disputarão nenhum cargo. Em 2002, 80% dos deputados tentaram a reeleição. Em 1998, foram 86% e, em 1994, 85%. Levando em conta candidaturas a outros cargos, o índice de deputados em campanha sobe para 96%. Além dos que disputam a reeleição, 18 deputados vão concorrer ao Senado, 11 são candidatos a governador, seis a vice governador e oito a deputado estadual. No Senado, apesar de apenas 27 senadores encerrarem seus mandatos no início do próximo ano, 46 vão disputar as eleições de outubro, ou seja, 56,7% da Casa. O Senado possui dois candidatos à Presidência da República, dois a vice-presidente, 19 a governador, três a vice-governador, 13 à reeleição, quatro a deputado federal e três a deputado estadual. (pág. 1) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou ontem o reajuste de 16,67% para os aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que ganham mais de um salário mínimo. O principal argumento para vetar o reajuste, classificado por Lula de "politiqueiro", foi seu custo, calculado em R$ 6,973 bilhões neste ano. Em rápida entrevista ontem, Lula disse que não se preocupava com eventuais repercussões políticas do veto. "Problema político não me interessa, o que interessa é o problema orçamentário. Não posso ser irresponsável, e não havia previsão no Orçamento para essa despesa", comentou o presidente. Lula disse não temer reação dos aposentados. "É uma coisa tão politiqueira que os aposentados nem estavam reivindicando isso", completou. Ao tachar o aumento de "politiqueiro" e "irresponsável", Lula fez uma crítica indireta ao Congresso Nacional, que aprovou o reajuste de 16,67% numa operação articulada pela oposição e que contou com o apoio de parte da bancada governista. (...) (pág. 1) - Sem avanço nas negociações com patrões e trabalhadores, o governo passou a tratar com mais ceticismo a possibilidade de ampliar direitos trabalhistas dos empregados domésticos.
Como já havia indicado, o Planalto deverá vetar a obrigatoriedade do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para as domésticas, incluída pelo Congresso na medida provisória que concedeu benefícios fiscais aos empregadores que assinam a carteira de trabalho dessas trabalhadoras. Mas a possibilidade de editar outra MP sobre o assunto - que poderia, por exemplo, tornar obrigatório o FGTS, mas sem a multa rescisória de 40% - ficou mais distante na reunião de ontem entre sindicalistas e os ministros Nelson Machado (Previdência) e Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres). Os ministros não se comprometeram com essa proposta e afirmaram que o governo criará uma comissão tripartite para discutir os direitos da categoria. O governo tem até o dia 20 para sancionar a MP. Machado acrescentou que o texto original da medida provisória deverá ser mantido pelo presidente Lula, garantindo a dedução da contribuição previdenciária de um empregado do Imposto de Renda. "Não tem como buscar acordo com categorias tão díspares. Queremos separar com clareza as duas pautas [direitos das empregadas e benefício fiscal]", disse. (...) (pág. 1) - No mesmo dia em que mais um agente das forças de segurança do Estado foi assassinado, o governo paulista anunciou ontem um item da "série de medidas" para reforçar a segurança desses funcionários, que passaram a ser o alvo do PCC: a criação de uma espécie de "SOS Agente", serviço telefônico vinculado ao Comando Geral da Polícia Militar e que será direcionado aos agentes penitenciários e carcereiros que se sentirem ameaçados. Desde 28 de junho, seis agentes de segurança foram assassinados. A polícia paulista diz que criminosos ligados ao PCC prometeram matar de 5 a 15 agentes, mas que ainda investiga se essas seis mortes têm ligação com a facção criminosa. Líderes dos agentes responsabilizam o Estado pelas mortes. O secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, disse que a idéia é direcionar o serviço telefônico já existente na estrutura do Copom para priorizar o atendimento aos agentes. "É uma forma no Copom de priorizar algumas situações. Não vou entrar em detalhes", disse. O secretário não informou quando o serviço passará a funcionar. (...) (pág. 1) - A polícia estourou ontem em Guaianazes, zona leste de São Paulo, um cativeiro onde era mantido seqüestrado, desde 9 de maio, um garoto de seis anos. Ele é filho de um empresário de Arujá, na Grande São Paulo, dono de uma escola. O menino foi capturado quando ia de carro para a escola com o irmão mais velho, que completou 21 anos ontem, no dia da libertação de L. -63 dias depois do início do seqüestro. A criança tinha cinco anos quando foi levada e fez aniversário dentro do cativeiro. (...) (pág. 1) O ESTADO DE SÃO PAULO - Lula manda e BNDES oferece dinheiro emprestado à Bolívia - Apesar do conflito entra Petrobrás e o governo da Bolívia, uma outra estatal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está em entendimentos para conceder empréstimos àquele país. Uma missão do banco esteve sexta-feira em La Paz, onde apresentou as modalidades de financiamento disponíveis. O envio de diretor do BNDES à Bolívia foi acertado numa reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente boliviano, Evo Morales, na semana passada. Nesse encontro, Morales tentou politizar a questão com a Petrobrás, mas Lula preferiu introduzir uma "agenda positiva" entre os dois países. A Bolívia busca recursos para duas finalidades: quer adquirir cerca de 300 máquinas agrícolas e construir uma estrada ligando La Paz ao norte do país. A rodovia tem custo estimado em US$ 600 milhões. Representantes da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) acompanharam os diretores do BNDES. (pág. 1 e B1) - Para o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, o Brasil tem recusado aumento do preço do gás da Bolívia porque o presidente Lula "não quer perder votos". Essa negociação tem sido feita entre a Petrobrás e a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos. Segundo Soliz, após a eleição os brasileiros serão mais "compreensivos". (pág. 1 e B1) - O presidente Lula vetou o aumento de 16,67% das aposentadorias maiores do que um salário mínimo, incluído pelo Congresso na MP 288, que elevou o salário mínimo de R$ 300 para R$ 350 a partir de 1° de abril. Já se antecipando às críticas da oposição - chegou a ser chamado de Bia Falcão -, Lula as classificou de "politiqueiras". Lula deve vetar ainda o recolhimento do FGTS das empregadas domésticas, também aprovado pelo Congresso. (pág. 1 e B9) - De onde vêm os êxitos - O principal mérito da gestão Lula, em matéria de política econômica e social, foi não deitar por terra as conquistas passadas, enquanto as cobria de impropérios. (pág. 1 e A3) - Após devolver ao PMDB o comando dos Correios, o presidente Lula respondeu às críticas de que aderiu de vez ao fisiologismo dizendo que não responderá por escândalos cometidos em áreas controladas por outros partidos. "É mais que justo que o partido seja o responsável por todo o ministério." (pág. 1 e A4) - O presidente Lula determinou ao ministro da Justiça que coloque o aparato de segurança da União à disposição de São Paulo para combater a violência. Reação do governador Cláudio Lembo: aceita a ajuda de logística e informações, mas não quer tropas federais. Um carcereiro foi achado morto ontem. (pág. 1 e C1) - estados falidos - Não faz sentido manter brasileiros no Haiti sem apoio internacional. (Rubens Barbosa, pág. 1 e A2) - Começa a funcionar em agosto, em Cubatão, o Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente, a primeira instituição pública do País de compensação ambiental. Construído pela Petrobrás, ao custo de R$ 10,8 milhões, ele será doado à USP, que cuidará de sua gestão. (pág. 1 e A15) O GLOBO - Lula veta reajuste de 16,67% dos aposentados - Com o argumento de que não há receita prevista para uma despesa extra de R$ 7 bilhões, o presidente Lula vetou ontem o reajuste de 16,67% para aposentados que ganham acima do salário-mínimo (R$ 350). A oposição, porém, tentará aprovar novamente o reajuste, desta vez em outra medida provisória que ainda está na Câmara. Lula, candidato à reeleição, chamou de eleitoreira a decisão do Congresso de dar o aumento de 16,67% e disse que não pode ficar preocupado com possível desgaste eleitoral. O presidente deve também vetar os artigos que dizem respeito à obrigatoriedade de recolhimento do FGTS e outros benefícios para os empregados domésticos. Na medida provisória só deve permanecer o desconto dos salários no Imposto de Renda. (pág. 1, 3 e 19) - O empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, um dos chefes da máfia dos sanguessugas, denunciou o envolvimento de pelo menos 80 deputados na compra superfaturada de ambulâncias com verbas de emendas orçamentárias. Num longo depoimento à Justiça de Mato Grosso, que começou na semana passada, depois de um acordo de delação premiada, Vedoin contou que o esquema atuava em 19 estados. Integrantes da CPI dos Sanguessugas disseram que os detalhes do relato do empresário são estarrecedores e facilitarão seu trabalho. (pág. 1 e 8) - Um texto de consenso para a adoção de uma política de cotas está sendo negociado entre o governo e o Congresso. Critérios socioeconômicos podem ser aplicados em combinação com os racionais. (pág. 1 e 10) - A precariedade da frota de veículos da Secretaria de Administração Penitenciária - com janelas quebradas e pneus carecas - põe em risco a escolta de presos no estado. O sucateamento dos veículos já provocou vários acidentes, em que agentes penitenciários ficaram feridos e tiveram que ser afastados do trabalho. Dos 58 carros, pelo menos 33 estão parados para manutenção. (pág. 1 e 11) - Em Santa Maria Madalena, cidade campeã do país na 8ª série no Prova Brasil, alunos vão à casa dos professores para tirar dúvidas. No município fluminense de dez mil habitantes, 82% dos docentes têm nível superior. (pág. 1) - Sucesso do disque-denúncia atrai todo tipo de queixa. (pág. 1 e 12) GAZETA MERCANTIL - Exportação de carne dribla embargo e cresce - Apesar dos embargos à carne bovina brasileira, decretados em 2005 por 56 países devido aos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná, as exportações do setor devem crescer de 3% a 5% em volume neste ano, para cerca de 2,4 milhões de toneladas, e de 15% a 20% em receita. "Vamos exportar entre US$ 3,6 bilhões e US$ 3,8 bilhões. Há expectativa de redução dos embargos por importadores como Rússia e União Européia. Se isso ocorrer, as exportações poderão superar US$ 4 bilhões", diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes. A expectativa de crescimento baseia-se na expansão das vendas para mercados emergentes como Egito, Bulgária, Arábia Saudita, Irã e Filipinas. "Com o avanço da economia em países emergentes, aumenta a renda da população, que passa a consumir mais proteína animal", diz. (pág. 1 e B-12) - A indústria naval ganhou um aliado e um plano B para resolver a questão das garantias de financiamento às encomendas da Transpetro. As empresas vencedoras do leilão que não conseguirem criar o seguro-garantia teriam a opção de recorrer a um fundo garantidor. O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, intervirá pelos estaleiros para viabilizar as obras dos 26 navios. O secretário de Fomento do Ministério dos Transportes, Sérgio Bacci, tem alternativa para apresentação das garantias exigidas no financiamento à licitação. "É prioridade do governo Lula assinar os contratos para a construção dos navios antes de encerrar seu mandato. Há determinação do presidente para apoiar o setor", diz. Paulo Bernardo revelou a este jornal que buscará solução junto aos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, além do presidente do Banco Nacional. (pág. 1 e A5) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou ontem o reajuste de 16,67% das aposentadorias e pensões acima de um salário mínimo pagas pelo INSS. A medida aprovada no Congresso implicaria custo adicional para a Previdência de R$ 7 bilhões neste ano. A oposição promete usar o veto para despir Lula do figurino de "pai dos pobres". Os governistas, por sua vez, alegarão que o reajuste, aprovado com apoio de PSDB e PFL, arranha o discurso do tucano Geraldo Alckmin em defesa do controle do gasto público e da responsabilidade fiscal. Lula deve vetar também o FGTS para domésticas. (pág. 1 e A-7) - As instituições financeiras, ouvidas semanalmente pelo Banco Central, reduziram pela sexta vez consecutiva a previsão para o IPCA do ano. No Relatório de Mercado divulgado ontem, a estimativa é de que a inflação em 2006 fique em 3,81%, inferior aos 3,96% divulgados semana passada e bem abaixo da meta do governo, de 4,5%. A melhora nas expectativas patrocinou nova queda nos juros futuros. Negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o DI com vencimento em janeiro de 2008 caiu de 14,86% para 14,78%. O recuo nas projeções de juros reforçou as apostas dos investidores em DI de que o Copom corte em 0,50 ponto a Selic na próxima semana. (pág. 1 e B-1) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quer facilitar o acesso do pequeno agricultor à mecanização das lavouras. Ontem, em Caxias do Sul (RS), ela se prontificou a negociar com o BNDES alternativas capazes de diminuir as exigências na concessão de crédito destinado a esta finalidade. (pág. 1 e B-12) - O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, criticou ontem a iniciativa do Palácio do Planalto, que ofereceu a Força Nacional de Segurança para ajudar a contornar a crise nos presídios paulistas. Saulo de Castro ironizou a oferta e afirmou que a Força "não existe, é apenas virtual". (pág. 1 e A-6) - A proposta de resgatar duas parcelas de debêntures por R$ 90 milhões à vista foi o avanço que a VarigLog apresentou ontem à Justiça para adquirir a Varig. Em proposta anterior, o interessado propunha pagar a dívida de R$ 100 milhões ao longo de dez anos. (pág. 1 e A-5) - Com resultados recordes na primeira semana de julho, o superávit comercial reverteu a trajetória de queda na comparação anual: ficou em US$ 21,2 bilhões, alta de 5,9% em relação aos US$ 20,0 bilhões de igual período de 2005. Apesar da recuperação, o governo prevê desaceleração até dezembro. (pág. 1 e A-4) - O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPCS) registrou deflação de 0,23% na primeira semana de julho, 0,17 ponto percentual menos do que na última semana de junho (- 0,40%). A FGV atribuiu o resultado à aceleração dos preços do grupo alimentação, de -1,68% na última semana de junho, para - 0,86% na primeira semana de julho. (pág. 1 e A-4) - A Volkswagen Caminhões e Ônibus e a Ford Caminhões estão compensando a retração das vendas de caminhões no Brasil - no primeiro semestre a queda foi de 14,1%, com 35.505 unidades - com embarques para países da América do Sul, principalmente a Argentina. Depois de reduzir as vendas em 90% em 2002, para 44 unidades, no auge da crise cambial do país vizinho, a VW exportou 1.291 unidades para aquele mercado em 2003 e fechou 2005 com 3.251 veículos. Por ter reajustado o preço, prevê manter o volume em 2006. A Ford elevou suas vendas em 200%, de 1.303 veículos, em 2003, para 3.911 em 2004, e fechou 2005 com 4.354 veículos. (pág. 1 e C-5) - O futuro dos bancos é "binário" - só os globalizados e os de nicho prosperarão diante dos cenários que se abrem de agora em diante. A opinião é de José Antonio Álvarez, diretor-geral para finanças do Grupo Santander. Segundo o executivo, o Brasil, que representa 18% do lucro do banco, é fundamental na sua estratégia de reforçar cada vez mais a presença internacional. (pág. 1 e B-1) CORREIO BRAZILIENSE - Aposentados viram moeda eleitoral - A disputa entre governo e oposição ganhou um elenco coadjuvante - os 8,3 milhões de aposentados que recebem mais de um salário mínimo - e transferiu-se para o Congresso Nacional. No mesmo dia em que o presidente Lula vetou o reajuste de 16,67% para os segurados do INSS, o PFL apresentou nova emenda à MP 291, autorizando o mesmo índice. O partido vai forçar uma votação em plenário. Bancada governista tenta hoje acordo para evitar desgaste maior ao Planalto. (pág. 1, 7 e 14) - O engenheiro agrônomo Orlando Palocci, irmão do ex-ministro da Fazenda, age com desenvoltura em campos opostos no setor agrícola. Orlando representa o governo nos programas oficiais de combate ao uso excessivo de agrotóxicos, mas ao mesmo tempo defende os interesses dos fabricantes de herbicidas, pesticidas e outros produtos químicos. O trabalho duplo de Palocci afeta diretamente fronteiras agrícolas, como a cultura de batatas em Ibicoara (BA). (pág. 1, 2 e 3) VALOR ECONÔMICO - Bancos adaptam carteiras e mantêm 'spread' elevado - Os bancos expandiram suas carteiras de crédito em segmentos nos quais as taxas de juros são mais elevadas - como as operações para pessoas físicas e para pequenas empresas. Essa é uma das razões pelas quais o "spread" bancário (a diferença entre as taxas cobradas e as pagas pelos bancos) não caiu na mesma intensidade da taxa básica de juros, a Selic, que desde setembro do ano passado teve uma redução de 4,5 pontos percentuais. Além disso, os bancos incluíram alguma gordura nas taxas porque, pelas suas avaliações de solvência dos devedores, parcela significativa dos novos empréstimos foi feita para tomadores com risco menos favorável. A rigidez dos "spreads" bancários se deve também a uma ligeira deterioração do índice de inadimplência que, embora inofensiva do ponto de vista de solidez do sistema financeiro, representa custos para os bancos.
Essas são as conclusões de um estudo feito pelo Banco Central para tentar identificar as causas do "spread" bancário elevado no país. O departamento econômico do BC detalhou ao Valor alguns dados relevantes que embasaram o estudo, como a mudança na composição das carteiras dos bancos. O BC lembra que está havendo uma forte elevação dos empréstimos a pessoas físicas. Sua participação na carteira de crédito dos bancos, segundo o estudo, subiu o equivalente a 2,3 pontos percentuais de agosto de 2005 a maio de 2006. Dentro desse segmento, a linha de crédito que mais cresce é a de crédito pessoal, que tem um spread superior à média dos empréstimos às famílias. (pág. 1 e C1) - O Ministério dos Transportes e parte do setor privado adotaram um projeto elaborado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que prevê a licitação de 13 ou 14 trechos ferroviários para o transporte de passageiros. A maior parte desses trechos é de ramais hoje desativados ou subutilizados pelas concessionárias de transporte ferroviário de cargas, segmento que, na maioria, não é simpático à reativação do transporte de passageiros. "Do ponto de vista técnico, é perfeitamente viável colocar os trechos em licitação em um ano", disse João Scharinger, chefe do Departamento de Desenvolvimento Urbano do BNDES. Os estudos mostraram que para implantar 14 trechos serão necessários investimentos de US$ 796 milhões (R$ 1,7 bilhão). Pelo projeto, a exploração das linhas será feita pelo setor privado, remunerado pela tarifa de transporte. (pág. 1 e A4) - O consumidor de baixa renda está ajudando o varejo de material de construção a acelerar as vendas este ano, graças à redução dos juros e à maior oferta de crédito até sem exigência de comprovação de renda. A tendência leva varejistas a se especializarem na comercialização de materiais de construção para consumidores de renda mais baixa. O aumento das vendas não é, porém, um fenômeno nacional. O crescimento que se nota no Rio, em São Paulo e Santa Catarina não é observado com a mesma intensidade no Nordeste e no Rio Grande do Sul. Segundo dados fornecidos pela CEF ao Valor , deve crescer o número de consumidores com dinheiro para comprar material de construção. Nas três modalidades de crédito para esse fim, reunidas sob a bandeira Construcard, há aumento expressivo de demanda. (pág. 1, B1 e B7) - DELFIM NETTO - Milagre Chinês - Em apenas uma geração (25 anos), a China transformou-se de uma economia atrasada no quarto maior PIB do mundo. Sob a liderança de Deng Xiaoping, abriu em 1978 as "portas" para o exterior, e em 1980 criou as zonas econômicas especiais. (...) Com 1,3 bilhão de habitantes, a China tem um PIB nominal per capita de US$ 1.400, cerca de 1/3 do brasileiro (era de US$ 170 em 1978). Medido pela paridade de poder de compra, eles são hoje praticamente iguais. A diferença entre nós é que, em uma geração, descemos da 8ª para a 14ª posição na ordenação mundial e a China subiu dos últimos lugares da fila para a 4ª. É claro que, dado às circunstâncias históricas, geográficas e às condições iniciais, deveríamos ter tido as condições de conservar ou melhorar ligeiramente nossa posição, mesmo com o avassalador avanço da China. Para o sucesso chinês a explicação é simples e plausível. Para o fracasso brasileiro é mais complexa e quase inacreditável, mas não escapará de um fator fundamental: a profunda falta de sorte na escolha de nossas lideranças políticas, que não foram capazes de criar um projeto hegemônico que recuperasse o nosso "espírito do desenvolvimento". E, o que talvez tenha sido pior: nunca tiveram a convicção do caminho a ser seguido. Nunca propuseram uma política do equilíbrio no longo prazo: preferiram sempre a comodidade do "equilibrismo" de curto prazo. O Brasil perdeu-se no jogo rasteiro da politicagem míope e oportunística. (pág. 1) - JOSE ELI DA VEIGA - Foi-se o tempo em que educação podia ser objetivo genérico - O acesso ao ensino superior dos jovens brasileiros de 18 a 22 anos passou de 1,4% para 3% entre os dois últimos censos (1991-2000), mas em três situações bem distintas. Na frente, há um padrão meridional, que funde São Paulo aos três Estados sulistas. Na rabeira, um padrão setentrional, que inclui todos os Estados do Norte e do Nordeste. Entre eles, com desempenho bem mais sofrível do que se poderia imaginar, um padrão meio-tom, comum a todos os demais Estados do Sudeste e do Centro-Oeste. (...) Nada de parecido ocorreu no Brasil setentrional. Praticamente todos os 2.236 municípios das regiões Nordeste e Norte tiveram desempenhos irrisórios, que em média fizeram com que o acesso ao ensino superior nessa parte mais tropical do país passasse de 0,5% a 1%. Mesmo nas cinco cidades nordestinas com graus de acesso excepcionalmente bons - Natal, Aracaju, João Pessoa, Maceió e Recife - a evolução foi apenas de 7% para 12%, em média. (pág. 1) - A queda na evasão escolar, comemorada pela gestão Geraldo Alckmin no governo de São Paulo, foi ofuscada pela elevação das taxas de reprovação. No ensino médio, enquanto a evasão caiu de 12% para 7%, a reprovação mais do que dobrou, chegando a 15,6%, acima do registrado no conjunto dos Estados (12%). Na Prova Brasil, que avalia o desempenho dos alunos do ensino fundamental, a rede pública estadual ficou com a quinta nota em português e a oitava em matemática. O programa das escolas em tempo integral só atinge 10% do total de unidades mantidas pelo Estado. O programa de governo de Alckmin para a campanha presidencial deve dar prioridade à universalização do ensino médio. No ensino superior, o aumento de 43% na oferta de vagas não foi acompanhado pelo Orçamento, o que Alckmin justifica pela prioridade dada ao ensino básico. (pág. 1 e A12) - Uma segunda onda de investimentos causada pelas regras americanas de governança e o aumento dos serviços de consultoria estão engordando os resultados no Brasil das quatro grandes auditorias mundiais. Ernst & Young, Deloitte, KPMG e PricewaterhouseCoopers chegam a patamares recordes de faturamento, em parte ajudadas pela criação de um novo nicho de mercado surgido depois que os escândalos contábeis nos EUA levaram à aprovação da lei Sarbanes-Oxley, em 2002. (pág. 1 e B2) ESTADO DE MINAS - Lula veta 16,6% a aposentado - O presidente Lula vetou ontem o projeto aprovado no Congresso Nacional reajustando em 16,67% os benefícios dos aposentados e pensionistas do INSS que ganham um salário mínimo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, junto com a sanção da lei que aumenta o salário mínimo de R$ 300 para 350. A correção dos benefícios em 16,67% foi manobra da oposição, que a incluiu no texto do piso nacional. Mas a decisão do Palácio do Planalto não encerra a queda-de-braço entre governo e oposicionistas, que reapresentaram emenda com o percentual na votação da Medida Provisória 291, que trata especificamente do assunto e concede 5% de reajuste aos aposentados e pensionistas. O líder do governo na Câmara, deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS), adiantou que será vetado qualquer índice acima de 5%. O ministro da Previdência, Nelson Machado, deixou claro que o governo deverá vetar a obrigatoriedade do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da multa de 40% em caso de demissão sem justa causa para as empregadas domésticas. (pág. 1, 13 e 14) - Apontado pela Polícia Federal como um dos chefes da máfia das ambulâncias, o empresário Luiz Antonio Vedoin está contando tudo o que sabe e apresentando provas sobre o envolvimento de políticos no esquema de superfaturamento usando dinheiro da União. Segundo o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, a máfia estendeu seus tentáculos a 19 estados, com a participação de 60 a 80 parlamentares. (pág. 1 e 6) - O chefe da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willian Camacho (o Marcola), negociou com as autoridades de São Paulo o fim das rebeliões e dos ataques à polícia, em maio. A revelação consta de depoimento dele à CPI do Tráfico de Armas, em junho, no presídio de Presidente Bernardes (SP), só divulgado este mês. (pág. 1 e 9) - Suplementação - Assembléia vota mais verba para sustentar reajuste. (pág. 1) - Agrotóxico - Irmão de Palocci faz jogo duplo como consultor. (pág. 1 e 6) OUTROS JORNAIS ZERO HORA - Veto de Lula aos 16,6% para aposentados abre dilema sindical - Uma decisão impopular na largada da campanha à reeleição expôs ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a críticas da oposição e de antigos aliados. Como era esperado, Lula vetou o reajuste de 16,67% para aposentados e pensionistas que recebem mais do que um salário mínimo. (pág. 20) - Nove prefeituras gaúchas serão investigadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) pela compra de veículos escolares. As prefeituras são suspeitas de terem fraudado licitações num esquema semelhante ao da máfia das sanguessugas, investigada por uma CPI na Câmara. (pág. 12)
- A cúpula do Pacto pelo Rio Grande tenta hoje firmar os últimos acordos em torno de um pacote mínimo de propostas a ser incorporado à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2007. O valor que será proposto como teto salarial é o ponto que está mais distante de um consenso. (pág. 12) - Na tentativa de dar rapidez à divisão da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), o governo estadual optou por uma estratégia para deixar claro que não pretende vender as três empresas a serem criadas com a cisão. Amanhã pela manhã, os deputados estaduais deverão revogar a lei que permite a privatização da CEEE e da Companhia Riograndense de Mineração (CRM). (pág. 14) - Representantes do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) negociam com um fornecedor de equipamentos o desenvolvimento e a produção de um chip para a TV digital brasileira. As obras da fábrica de chips que será instalada no Ceitec, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, têm previsão para terminarem em março de 2007, e o centro já está tocando projetos. (pág. 18) - Enquanto a União Européia comunicava ontem que não deve suspender as importações de carne de frango brasileiro por causa do foco da Doença de Newcastle registrado no Rio Grande do Sul, avicultores gaúchos mostravam-se preocupados com os embargos impostos por outros Estados. (pág. 18) JORNAL DO COMMERCIO (PE) - Lula veta aumento dos aposentados - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou ontem o reajuste de 16,67% para os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que ganham mais de um salário mínimo. O principal argumento para vetar o reajuste, classificado por Lula de politiqueiro, foi seu custo, calculado em R$ 6,973 bilhões neste ano. Em rápida entrevista ontem, Lula disse que não se preocupava com eventuais repercussões políticas do veto. "Problema político não me interessa, o que interessa é o problema orçamentário. Não posso ser irresponsável, e não havia previsão no Orçamento para essa despesa", comentou o presidente. Lula disse não temer reação dos aposentados. "É uma coisa tão politiqueira que os aposentados nem estavam reivindicando isso", completou. Ao tachar o aumento de politiqueiro e irresponsável, Lula fez uma crítica indireta ao Congresso Nacional, que aprovou o reajuste de 16,67% numa operação articulada pela oposição e que contou com o apoio de parte da bancada governista. (...) (pág. 1, e 2) - O corpo do carcereiro Alexandre de Oliveira Bosco, 21 anos, foi encontrado na manhã de ontem, por moradores da Rua Angelo Camata, na Vila Vermelha, com um tiro de escopeta na cabeça. Bosco, que trabalhava escoltando presos na ala de detentos do Hospital Heliópolis, é o 11º policial civil morto desde o início dos ataques comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), em maio. A polícia não descarta a hipótese de ação do crime organizado. Só na madrugada de sábado, na capital, quatro policiais, dois civis e dois militares, morreram em menos de quatro horas. Desses crimes apenas dois foram tentativas de assalto. Ontem, em uma tentativa de roubo na Zona Norte, também ficou ferido um PM da reserva. (...) (pág. 1 e 6) - Com as recentes mudanças nas regras da propaganda eleitoral, a campanha nas ruas ainda está tímida. O embate jurídico, no entanto, já esquentou. O pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) condenou, ontem, o candidato a governador pelo PSB, deputado federal Eduardo Campos, pelo excesso cometido ainda durante o período de pré-campanha, arbitrando uma multa de R$ 20 mil. Por unanimidade, os desembargadores eleitorais entenderam que o socialista promoveu sua imagem de forma irregular quando distribuiu folhetos de cordel nos quais poderia ser lido o seguinte trecho: "Conclamamos capital e interior, indedependente da classe que for, para eleger Eduardo Campos governador". A peça foi distribuída no Estado, em junho, sob o pretexto de promover uma campanha de filiação do PSB. Segundo a assessoria de imprensa da sigla, o candidato vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. (...) (pág. 1)

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